Total de visualizações de página

domingo, 3 de setembro de 2023

PAULISTAS, MINEIROS E A COZINHA.


   Para mim não existem pizzas mais gostosas do que as de São Paulo. Já ouvi dizer que os pizzaiolos paulista são melhores que os italianos. Sabe-se que a Itália foi quem desenvolveu a pizza, mas quem a inventou foram os egípcios que faziam uma massa bem fina e de forma circular chamada piscea. Mas os italianos são mestres em desenvolver inventos e acabam ficando como o pai da invenção, assim como aconteceu com o macarrão que é uma invenção de chinês e muita gente pensa que foram os italianos. ----- Em qualquer restaurante de ponta de esquina o risoto paulista é melhor que o mineiro. A feijoada carioca, um prato muito consumido pelos paulistas às quartas e sábados, é muito melhor que a feijoada carioca. O virado paulista servido às segundas feiras é realmente um prato muito gostoso.

Agora vamos e venhamos: Tem coisas que os paulistas tentam, mas não aprendem a fazer com os mineiros. Eles tentam, mas não conseguem. Podem até arranjar um mineiro para fazer, mas não conseguem fazer iguais os de Minas Gerais. É o tutu de feijão com torresmo; o pão de queijo; o frango com quiabo acompanhado de um “anguzinho”, e a goiabada cascão com um pedaço de queijo minas, que muitos chamam de “Romeu e Julieta. 

Eu tinha um amigo lá em São Paulo, que vivia comentando sobre a comida mineira. E quando ele lembrava do franguinho caipira, com quiabo, angu e tutu, ele dava aquele suspiro e dizia:

Vai sê bão trem!

Armando Melo de

 

DIETA, CAMINHADAS, ISSO É UM CASTIGO.


                                                                         Foto  apenas para ilustrar o texto.

Gente, para mim não tem coisa mais difícil do que fazer dieta. Ora, você ser privado de comer um docinho após as refeições; tomar aquela cervejinha geladinha numa tarde de calor; aquele pastel acenando para você ao passar frente a pastelaria... Meu Deus fazer dieta só pode ser um castigo de Deus. De vez em quando eu sou obrigado a fazer essa coisa que se chamam de dieta e que para mim é passar fome, como se estivesse morrendo de sede à beira de um poço.

Com essa mexida de pandemia; ficar preso dentro de casa como se fosse um prisioneiro cujo crime já era ser aposentado quieto no seu aposento. Sem andar; sem receber novos ares e depois ao ser libertado andando pelas ruas com medo dos espirros, das tosses que espalhavam o maldito vírus, eu fui me perdendo nesse ambiente funesto. Eu que chamava a minha barriguinha de calo sexual, agora é barriga mesmo. Olho para baixo e só vejo o chão. Coitado do meu querido, não consegue mais ver a minha cara, e a gente nem conversa mais... Num dia desses fui apanhar um moeda que teria caído ao chão e quase cai também sobre ela.

Subi na balança digital de uma farmácia próxima aqui da minha residência. Ah que desespero! Eu queria uma nota baixa e ela me deu uma nota alta. --- Resolvi confirmar numa balança de ponteiro e o ponteiro me humilhou ainda mais.

Decidido iniciei uma dieta. Ah meu Deus que vida! Palavras novas que doem aos meus ouvidos: Só um pedacinho; só um pouquinho; só um golinho; só uma vez por semana; isso não pode; isso não deve; só um pedacinho... E eu com um pedacinho de carne, quando estou a aprecia-lo morro de saudade daquele churrasco cheirando fumaça e eu com a boca mais gostosa do mundo. --- Agora eu pego o meu pedacinho de carne, mastigo, mastigo, mastigo... Na hora de engolir me dá uma tristeza de pensar que aquela delícia está me abandonando para amanhã virar bosta.

Podem sentir pena de mim, mas a minha esperança é saber que um dia Salomão disse: “ isso também passará”

Armando Melo de Castro


sábado, 2 de setembro de 2023

O CANDEENSE JOVELINO.

                                                                               Cantor Blecaute
                                                                      

-----Ontem, à noite, eu ouvia rádio sobre comentários de cantores antigos, e ouvi quando falaram do Blecaute, um cantor negro que fez muito sucesso nos carnavais do Rio de Janeiro. Ele tinha uma música que foi um grande sucesso e até hoje é muito bem lembrada, pois ela retrata um problema social ainda existente no Brasil. A musica chama-se “ O PEDREIRO WALDEMAR”. É uma marchinha de carnaval que foi um grande sucesso do carnaval de 1949. Num resumo da música, ela é a história de um pedreiro pobre que se chamava Waldemar e que fazia casa e não tinha casa para morar; construía um edifício e depois não podia entrar. ( O link da música está no final do texto)
Mas sempre quando ouço essa música do cantor Blecaute, eu me lembro de um pedreiro candeense, também negro, não era cantor, mas era musico e tocava trombone na Banda Musical de Candeias e nos carnavais num passado já bem distante. E dentre o seu repertório ele tinha, uma marcha de carnaval de sua preferência, “MARMELO É FRUTA GOSTOSA”. Essa música dizia que o “marmelo é fruta gostosa, que dá na ponta da vara, mas mulher que chora por homem não tem vergonha na cara.” (O link da música está no final do texto)
Esse nosso conterrâneo era o pedreiro Jovelino, já comentado aqui no nosso Blog, Candeias MG Casos e Acasos, num texto sobre o seu encontro com o Sr. Erasto de Barros, em uma missa num dia de Corpus Christ. Jovelino era famoso pela sua gagueira, simplicidade e humildade. Era um pedreiro desses chamados de meia-colher. Pedreiros não preparados para um acabamento bem feito numa construção.
Candeias ainda não tinha calçamento de ruas, e Entre a Casa Paroquial e a Igreja Matriz, existia uma árvore e debaixo dessa árvore um banco, e Jovelino era sempre visto sentado nesse banco à sombra da árvore normalmente na parte da tarde. --- Era também, visto passar por ali, o Padre Joaquim, que ainda não era Monsenhor, e que ao sair da Casa Paroquial para a Igreja passaria bem defronte esse banco. E ao ver Jovelino todo tranquilo ali na sombra da árvore, brincou com ele:
“Aí Jovelino está tomando uma fresca aí na sombra, não é?
E jovelino com o seu jeitão humilde e inocente responde logo:
Ouááá, ouááááá pade juaquim, ouáááá a eu cumedo do sinhor...

Armando Melo de Castro.

fOTO: Cantor Blecaute.
Clique aqui para ouvir a música do BLECAUTE
CLIQUE AQUI PRA OUVIR A MÚSICA DO MARMELO.
Pode ser uma imagem de 1 pessoa e trompete




quarta-feira, 30 de agosto de 2023

MINHA QUERIDA TIA NICE.

                                                                               NICIA SIDNEY DE CASTRO

 Esta beldade da foto, é a minha querida tia Nice, casada com o meu tio Wantuil de Castro, irmão do meu pai. Tia Nice é uma pessoa pela qual eu tenho o maior carinho do mundo, desde o momento em que a conheci no dia do seu casamento com o meu tio, no princípio da década de 50. Eu era ainda menino quando ela me abraçou e me disse: “ Eu agora sou sua tia e você pode me tomar a bênção.” E eu fiquei todo radiante por ter uma tia tão bonita como ela. E hoje, ela com 94 anos e eu com 77 o carinho recíproco entre nós é ainda muito maior.

Mas o nosso convívio que se iniciava naquele dia foi me mostrando que tia Nice não era bonita só por fora, era bonita por dentro e por fora e muito bonita. --- Durante toda essa vida, eu não me lembro de vê-la falar mal de ninguém; e nem criticar alguém. Uma esposa fiel em todos os sentidos. Uma amiga leal em todos os momentos. Uma mãe dedicada com toda a força do amor.

Ela é tão especial para mim que eu sinto me faltar palavras para descreve-la e também, explicar a maravilha desse sentimento de amor e carinho. Sinto que o meu coração está enraizado profundamente com esse carinho recíproco.

Tia Nice, o mundo seria tão melhor se as pessoas a tomassem como exemplo, assim tão isenta da maldade, da vaidade e do orgulho.

Que bom que o meu livro tem a colocado em distração. Naturalmente estará conferindo os meus casos, com os quais ela também terá convivido.

Um beijo minha querida tia, e que Deus abençoe.

Seu sobrinho, Armando Melo de Castro.

 

ESSE BOTEQUIM É O TÚMULO DO BAR PILOTO.


 --- Lamentável, para uma história tão bonita ---

Quando eu vejo esse nome, Bar Piloto, referindo-se ao nome de um botequim, que não tem nada a ver com o histórico Bar Piloto em Candeias, eu fico triste e meu coração chora por sentir a indiferença daqueles que não souberam preservar um capítulo tão importante da história de Candeias: “Bar Piloto”.

O Bar Piloto situava-se ao lado da Farmácia São José, onde posteriormente veio a ser o Paladar Mineiro, sem guardar nenhuma recordação do passado daquele lugar, depois de ter sido o cartão de visitas da nossa cidade, durante décadas. Um bar, talvez, dos melhores da região, foi arrancado de seu berço, substituído por “Paladar Mineiro” sem uma demonstração do passado daquele lugar, que poderia estar preservando pelo menos o nome de Piloto, numa homenagem ao Sr. Mário Rigali, um Italiano que veio juntar-se a nós na construção da história de Candeias. Um homem que tanto fez por Candeias e não vimos ainda nenhum reconhecimento por parte da política municipal.

Mario Rigali nascido na Itália e veio juntar-se a nós para a construção da nossa história. Trazido pela família Bonaccorsi, e em Candeias viveu, trabalhou e foi enterrado, onde no epitáfio do seu túmulo está esta frase que muito me emociona:

“O coração que se desfez em vida, doce Candeias por te amar, eu te dei, agora, dê-me tu, a graça de me sentir em ti, desfeito.

É lamentável que as novas gerações candeenses não sabem como reconhecer através da história quem foi Mário Rigali, o Piloto, fazendo com que se comportem como ingratos inocentes através de uma escolha que afasta o reconhecimento e o amor que todos nós desejamos.

É triste ver o nome de Bar Piloto, representando o nome de um botequim, o que para quem conheceu o Bar Piloto no passado, o vê como o túmulo de algo tão representativo para a história Candeense.

LEIA MAIS: CRONICA SOBRE O VERDADE BAR PILOTO

https://candeiasmg.blogspot.com/2011/04/bar-piloto.html

Armando Melo de Castro.


domingo, 27 de agosto de 2023

O MEU AMIGO FERNANDO SILVA.

                                                                              Fernando Silva.

A boa amizade entre duas pessoas que se consideram amigas tem a mesma força de uma irmandade. A boa amizade é aquela em que existe afinidades, os amigos querem ver o outro feliz, tendo uma boa relação e uma conexão verdadeira. A boa amizade nem a distância consegue apaga-la. Amizade é carinho, atenção e lembrança.

Fernando Silva foi sempre meu amigo. Eu nunca vi Fernando triste e nem reclamar da vida. Era sempre com aquele sorriso aberto e alegre. Frequentei muito a casa de sua mãe, minha querida Dona Dirce que fundou comigo a Confraria Alan Kardec. Desde a minha chegada à cidade de Luz, em 1989, como gerente do Bemge, Fernando esteve entre os meus amigos da cidade.

Assim que me mudei para Lagoa da Prata, Fernando apareceu lá para fazer umo vereador Geraldo Braga na Rádio Tropical, numa campanha política. --- programa de 30 minutos, aos domingos, através de um horário pago pel Fernando que era muito amigo do Geraldo teria sido o seu locutor do programa. Terminado esse tempo, de um horário pago, o dono da emissora, Rádio Tropical ofereceu um horário para o Fernando, das 17 às 19 horas.

Nesse período eu arrumei para ele um lugar para pernoitar no almoxarifado do Banco, até ele arrumar um lugar mais adequado. Ali estivemos juntos por algum tempo, quando eu escrevia para ele as crônicas as quais eles às apresentava às 17,30. Essas crônicas deram a ele muita audiência e ele nunca se esqueceu disso. A rádio de AM chegava em todas as cidades da região, e o número de correspondência que ele recebia era muito bom. Posteriormente Fernando levou também o Zé das tintas que acabou fazendo um programa aos domingos à tarde. E os dois acabaram seguindo carreira de radialista. Com o advento da Rádio Alvorada em Luz, Fernando aceitou uma proposta melhor e Luz lhe seria mais conveniente. Tivemos uma boa convivência e ele foi sempre muito agradecido com o pouco que fiz por ele. Sempre teve por mim um grande carinho, pela minha mulher e minha filha.

A notícia de sua morte me deixou abalado. É mais um sorriso perdido. É mais um voto de felicidade também perdido. A amizade do Fernando não era uma amizade de interesses. Era o desejo de ambos, de ver o outro feliz e satisfeito.

Que Deus o tenha meu amigo Fernando, e muito obrigado pela lealdade da sua amizade.

Armando Melo de Castro.

 

 




sexta-feira, 11 de agosto de 2023

UM ADEUS A JÚLIO CEZAR VIGLIONI.

 

                                                           Júlio Cezar Viglioni

Chocamo-nos com a morte, porque ela é a ausência definitiva de alguém que amamos e consideramos. Mas ela é covarde e traiçoeira. Parece até que se compraz com o sofrimento humano, porque muitas das vezes nos surpreende levando de nós alguém tão vivo, tão alegre, sem conter nenhum vestígio mortal; quando ninguém poderia imaginar aquele alguém morto e ausente definitivamente, deixando-nos extremamente assustados, chocados e até mesmo sem uma palavra de conforto.

E foi assim meu caro Júlio, que você nos deixou assustados e chocados. Essa ausência de sua voz; da generosidade de suas palavras; o seu riso estão nos fazendo falta. ---- O Grupo de Amigos que você criou para unir o povo candeense ficou desamparado depois que você conseguiu reunir 4 mil pessoas com o intuito de amar a nossa terra. ---- Tínhamos um bem em comum. Ainda no sábado que antecedeu a sua partida conversamos e como poderia eu imaginar que no outro dia você não existiria mais... Conversávamos como dois irmãos, sempre falando de nossa terra mãe Candeias. E agora cadê você para dar as boas vindas aos novos amigos dessa confraria?

A sua ausência instalou no peito de sua grande família e de seus muitos amigos uma dor que será difícil se livrar dela.

Adeus, amigo Júlio e que Deus o tenha sempre em sua Graça.

Armando Melo de Castro.

 

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

TACANDO O PÉ NA BUNDA.

  Próximo de minha residência, em Juiz de fora, tem o Parque Halfeld, onde eu gosto de ir para lá e tomar sol e bater um papo com os meus contemporâneos de setenta anos para cima. Afinal, o que não falta aqui em Juiz de Fora é velho para bater papo. E ontem eu me deparei com um senhor de 81 anos, bem prosa, corpo mediano; trajando um terno cinza já batido e uma camisa branca com o colarinho preso no pescoço;  cabelo cortado tipo militar; um bigodinho fino e um rosto bem escanhoado. Uma figurinha rara do álbum.

  O velho mostrava ter  uma saúde verbal perfeita, falava no pé da letra colocando palavras, pontos e virgulas nos seus devidos lugares. No introito da conversa cheguei até a pensar que se tratava de um professor da língua portuguesa, mas era um engano, tratava-se de  médico aposentado da Santa Casa de Misericórdia. Uma dúvida, contudo, não fugiu de mim, foi a de que se tratava de um representante da pederastia juiz-forana.

 Apresentou-se com o nome de Gilberto e já começou a conversa me especulando tudo de minha vida, faltou apenas perguntar qual era o meu sexo. Daí partiu para falar da vida dele como médico, profissão de mais três irmãos. De sua mãe querida e dos quatro casamentos sem filhos.

 Falando em quatro casamentos sem filhos pairou sobre mim uma curiosidade no que me levou a lhe fazer sobre isso, uma pergunta que mereceria quatro respostas:

 A minha primeira esposa chamava-se Cândida. Era uma mulatinha dengosa, enfermeira lá da Santa Casa, cujo nome já era uma contradição com a sua cor. Mas ela tinha um problema queria sexo todo dia e eu chegava cansado do trabalho, queria descansar. As vezes tinha que me levantar de madrugada para atender e ela estava sempre pronta para o remelexo. O casamento foi ficando desgastado, e ela acabou me botando chifres e eu acabei tacando o pé na bunda dela.

 A segunda, não se cansava de falar que na vida dela os primeiros a serem amados, seriam os seus pais; os seus irmãos porque tinham o sangue dela. Depois sim é que vinha eu. Ora, uma mulher ficar falando isso para o marido, eu acho que está querendo um pé na bunda, e foi o que eu fiz, taquei o pé na bunda dela.

 A terceira eu conheci na praia do Rio de Janeiro. Muito bonita e carinhosa. Mas de repente apagou o fogo. Não parava nem aqui em Juiz de Fora e nem lá no Rio de Janeiro. Eu já andava desconfiado, taquei o pé na bunda dela.

 A quarta esposa foi um caso muito diferente. Eu descobri que ela era uma mulher muito porca e se tem uma coisa que eu não tolero é porcaria. Sou nojento mesmo! Certo dia eu dei vontade de comer uma maionese de legumes, um prato que eu gosto muito, e a maionese dela era das melhores. Eu me encontrava na sala assistindo um futebol de onde eu podia vê-la picando os legumes. Eu vi quando ela enfiou a mão dentro da calcinha, coçou, coçou e “recoçou” o fiofó e depois continuou a picar os legumes sem lavar as mãos. Se ela tivesse lavado as mãos eu já iria ficar com nojo, imagine ai então? Foi a gota d’água para eu tacar o pé na bunda dela.

 É não sei não!

 Armando Melo de Castro.

 

 

 

 

 


segunda-feira, 24 de julho de 2023

O MEU CARO AMIGO JÚLIO CEZAR VIGLIONI.

   

Sempre quando me coloquei aqui junto ao computador para escrever um texto sobre Candeias, para ser postado no nosso tão querido grupo de amigos “Sô das Candeias com muito orgulho, eu sempre o fiz com satisfação. Hoje, ao tomar essa posição eu não sei o que faço, não sei o que escrevo, não sei o que pensar. O meu sistema nervoso central encontra-se de cabeça para baixo.

Ontem, por força de circunstâncias eu passei o dia todo sem navegar na internet. À noite, quando fui me inteirar das notícias, fui atacado por um susto, um grande susto, ao tomar conhecimento, através de várias mensagens de meus amigos, sabedores que são da nossa grande amizade, sobre o falecimento repentino do meu amigo, meu grande amigo, Júlio Cezar Viglioni. Encontro-me, portanto perplexo, irresoluto e flutuante.

Eu que gosto muito da verdade, desejei tanto que essa notícia fosse uma mentira. Poderia ser um sonho ruim, mas eu preferia ter sido um sonho, para me acordar diante de uma mentira. Mas, era uma verdade nua e crua. Júlio teria falecido após um cruel ataque cardíaco.

Eu imagino que uma morte assim é uma Graça de Deus para quem vai. Suponho que todo mundo gostaria de ter uma morte assim, afinal, o sofrimento no fundo de uma cama deve ser tão triste e ruim como o purgatório e o inferno. Mas a morte num repente é um grande sofrimento para os amigos e especialmente para familiares. ---- No caso do Júlio, o seu pai, Sr. Willian, com 99 anos de idade, eu posso fazer uma ideia como será o seu sofrimento diante dessa perda e do convívio. Eu sei porque passei por isso. Perdi uma filha com 30 anos. É uma dor sem nome, é um nó na garganta que nem o tempo o desata; é a vontade de morrer também, a morte de um filho é um sentimento cruciante difícil de ser imaginado por quem nunca passou por isso.

Meu caro Júlio:

Eu nunca pude imaginar que um dia eu estivesse aqui a escrever essa mensagem sobre você para o nosso “Grupo Sou das Candeias com Muito Orgulho”. --- Um grupo idealizado por você numa dedicação ao seu amor pela terra que o viu nascer. ---- Lembro-me quando você me convidou para fazer parte, desse grupo eu resisti. Eu já tinha um Blog. Mas você insistiu e acabou me convencendo dizendo “ Eu estou contando com a sua amizade.” Ai eu não tive saída mesmo me julgando não ser a pessoa indicada com o seu propósito. E agora? O nosso Grupo Sou das Candeias com Muito Orgulho ficou órfão.

Que Deus o tenha meu caro Júlio. Com certeza, todos os seus familiares e nós amigos, vamos sentir, naturalmente a falta da sua presença, mas não vamos sentir a sua ausência, porque você que está em nossos cérebros, vai descer para os nossos corações de onde você será lembrado.

Candeias hoje fica mais pobre de amor. --- Que Deus o tenha na sua Graça meu bom amigo.

Armando Melo de Castro.

 

 

O MEU AMIGO MIGUELZINHO DA MARIQUITA.


   Como um choque de tristeza recebi a notícia da morte de meu amigo Miguelzinho da Mariquita. E daí fiquei a imaginar: --- Quando envelhecemos, quase todos os dias temos a notícia de que um amigo partiu nos deixando para trás., o que não nos acontece quando estamos na flor da idade. --- Mas na velhice isso nos deixa sentindo que estamos ficando sozinhoMiguelzinho foi meu amigo, contemporâneo e colega de escola numa grande parte do nosso curso primário no Grupo Escolar Padre Américo. Lembro-me especialmente do ano de 1955 quando nossa professora foi Dona Ninita Alvarenga. Miguelzinho era o xodó dela pois eles eram vizinhos. ---

    Nesse ano, Miguelzinho tinha como colega de carteira o Flávio Ribeiro, sentados a minha frente, e eu com o Titôco atrás. Eles balançavam o corpo para nos irritar e fazer tremer a nossa escrita quando eu e Titoco reclamávamos para Dona Ninita com voz chorosa: “Dona Ninita, o Miguelzinho e o Flávio está balançando a minha carteira” E como Dona Ninita tinha Miguelzinho como seu xodó, não acontecia nada; ela se limitava a dizer: Armando, não é está e sim ESTÃO daí se estendia ao assunto corrigindo o verbo mal aplicado. E aí Miguelzinho e o Flávio tiravam em mim e no Titôco aquela casquinha com aquela olhadinha com o rabo do olho.

    Depois desse tempo, Miguelzinho foi continuar os seus estudos no Colégio dos Irmãos Maristas em Varginha, Flávio foi para o Ginásio de Campo Belo, Candeias não tinha como estudar após o curso primário. --- Eu e Titôco, menos aquinhoados, ficamos em Candeias, ele trabalhava numa serraria e eu no Clube Recreativo Candeense e mais uma série de outros trabalhos. --- Quando atingimos a fase adulta fomos para São Paulo. Era a moda da época. Completar 18 anos e virar paulista.

  Depois já na fase adulta, esse quarteto continuou sendo muito amigo. Miguelzinho e Flávio se tornaram professores, Eu e Titoco fomos bancários. ----

   Hoje fico sozinho para lembrar desse capítulo da minha vida do tempo dessas três boas amiazades. --- Quantas vezes, eu Flávio, Titôco e Miguelzinho recordamos isso... Tínhamos uma coisa em comum: amávamos a nossa querida Candeias. --- Lembro-me de quando eu morei em Governador Valadares, encontrei-me com o Miguelzinho lá prestando serviço para firma da qual ele trabalhava. Esse encontro foi uma festa. --- Miguelzinho era alegre, feliz, bom filho, bom pai, bom avô e bom amigo. Gostava de esprte, tocar violão e cantar. Inteligente e amável bonito e querido pelas moças. Ele era muito parecido com o nosso querido Monsenhor Castro. Se não me engano, eles eram primos por parte de pai e mãe.

   E é assim que quero me lembrar de Você meu caro Miguelzinho. Feliz, alegre, satisfeito, cantando, tocando violão...Sei que você estava sofrendo, mas agora, naturalmente, vai descansar em paz e na GRAÇA DO PAI CELESTIAL. Você jamais morrerá, pois deixou um legado moral bem guardado no coração daqueles que conviveram com você.

   Onde quer que esteja, receba o meu abraço de despedida.

                     Armando Melo de Castro.