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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

CELESTINO BONACCORSI


Adentrei-me no Supermercado do Vovô, e, por um momento, fui tomado por um sentimento de saudade e recordação da antiga, Casa Celestino Bonaccorsi, onde outrora era o maior centro comercial da cidade de Candeias e talvez da região.
 
Após procurar ali o que não encontrei, atravessei a rua e assentei-me num banco do jardim localizado frente ao prédio onde pude ver ainda, cravado na parede, o nome “Casa Celestino Bonaccorsi” e logo abaixo “Supermercado do Vovô”.
 
De lá fiquei pensando: como as coisas mudam nesta vida! Quem viu, outrora, o entra-e-sai de pessoas naquele local, comprando e vendendo; e ver hoje aquele paradeiro de um supermercado que, a bem da verdade, não tem nada de super e nem é do vovô, dá para ficar triste.
 
Busco nos labirintos da minha memória uma imagem amiga e muito bem guardada: Celestino Bonaccorsi! Candeias terá sido justa com esse homem que tanto fez por ela? Não teria sido preciso render-lhe maiores homenagens para que justiça lhe fosse feita? Sua ida sem volta para a Itália foi praticamente sem comentários.
 
Imagino que as crianças e jovens não têm uma idéia de quem foi o empresário Celestino Bonaccorsi, a quem nós candeenses tanto devemos em forma de louvação.
 
Se a semente de Candeias foi lançada por Domingos Tendais, temos a certeza de que quem mais a cultivou foi o Sr. Celestino Bonaccorsi.
 
O povo de Candeias somente veio vê-la progredir após a chegada desse italiano destemido que teria deixado a sua longínqua pátria para unir-se a nós... Trabalhar e contribuir com o nosso progresso.
 
Celestino Bonaccorsi, trabalhou e amou a nossa cidade como se sua fosse. Ninguém jamais produziu tanto e pode dar tantos empregos diretos e indiretos para o povo candeense.
 
Tomamos conhecimento da lâmpada elétrica, quando foi trazida pelo Sr. Celestino Bonaccorsi; O movimento que justificava a existência da estação ferroviária era graças ao Sr.Celestino Bonaccorsi.
 
Quantos empregados prestavam serviços nas suas diversas áreas comerciais e produtivas, como, laticínio, produção e comercialização de grãos, além de beneficiamento de café e arroz. e a usina hidroelétrica; sua grande casa comercial de atacado e varejo que fornecia aos diversos comerciantes da zona rural em forma de consignação; e ainda comprava a produção dos produtores rurais. Enfim, todo progresso que chegava a Candeias, era trazido pelas mãos do Sr. Celestino Bonaccorsi.
 
Após muitos anos, já com a idade avançada, resolveu voltar à sua terra levando as lembranças que seriam sepultadas consigo em terras italianas.
 
Eu tenho dessa imagem amiga a mais amável das lembranças. Sr. Bonaccorsi, receba o meu simbólico abraço e o meu agradecimento por tudo que fez em prol da nossa terra.

Armando Melo de Castro
Candeias MG casos e acasos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TEREZA E O DESDENTADO



Dando um giro pelos cafundós da minha infância encontro-me em Candeias, exatamente na Rua José Furtado de Sousa.

No verdor dos meus anos, tive uma passagem por essa rua quando minha família esteve morando ali durante uma temporada, enquanto meu pai construía a nossa nova casa, na Rua Coronel João Afonso. A Rua José Furtado de Souza fica no Bairro da Ponte e começa onde faz esquina com a mercearia do Sr. Rogerio Ferreira; e vai até ao Bairro da Gruta. -- Por estar nela situado o antigo cabaré do Pedro Pitanga, ficou conhecida, também, como rua do Pedro Pitanga.

A curiosidade - a inocência e a esperteza psicológica, natural das crianças, fizeram com que durante os dois meses que residi ali, me proporcionassem um constante divertimento graças à infelicidade alheia. Aliás, os deslizes humanos, infelizmente, às vezes, são jocosos até mesmo para os adultos.

A casa que alugamos era de um pessoal da zona rural que vinha para a cidade somente em tempos de festas. Assim, teria ficado um quarto separado para que os objetos dos proprietários ficassem reservados. Ocupamos apenas o restante da casa: dois quartos, uma cozinha e mais uma pequena sala.

A casa não possuía banheiro e nem água encanada. Tomava-se banho de bacia ou de canecão, e as necessidades fisiológicas eram feitas nos fundos do quintal numa latrina fétida. Infelizmente, aquela cloaca nunca me saiu da lembrança. Aquele negócio de agachar e expor as partes sobre um orifício que dava para um fosso cheio de merda, sobre o zum zum de moscar verdes, nunca teria sido bem aceito por mim. Afinal, eu não estava disposto a dar um viva para a pobreza. Estava aflito para mudar para a nossa casa nova onde haveria de ter como uma melhora vida, um banheiro dentro de casa.

Com o desjeito da coisa e o problema das necessidades noturnas, meu pai foi à Casa Bonaccorsi e comprou três penicos. Foi a pior experiência que eu tive na vida, quando fiquei conhecendo esse utensílio chamado penico. Aquele negócio de encher o penico e coloca-
lo debaixo da cama era duro de suportar.

Frente a essa morada provisória havia uma tapera, ou seja, uma velha casa de pau-a-pique, num espaço sem tapumes, cujas paredes degeneradas me proporcionavam satisfazer a minha curiosidade de menino. Quando na ausência dos moradores eu ficava por ali escarafunchando com os olhos o que possuíam. Por dentro e por fora o cenário seria um prato cheio para o realismo de Gustave Courbet.

Mas, o que me inspirava a maior satisfação e a curiosidade dos meus olhos indiscretos, era o momento da chegada dos donos da casa.

O homem que contava mais ou menos uns vinte e cinco anos era tratado pelo apelido de Nego do Sodré. Elemento alto, claro, cabelos quase louros, bem aparados, barba rala e lanugem amarelada, contrastando-se com o seu apelido. Pescoço comprido e um sorriso pobre. Faltavam-lhe os dois principais dentes do maxilar superior. Quando falava, via-se a língua passear no céu da boca. Quando ria a pobreza do sorriso aumentava e a saliência das presas lhe dava a afeição de vampiro.-- Dizia-se pedreiro, mas segundo os patrulheiros do alheio, era um simples, meia-colher, que mal sabia assentar tijolos.

A mulher que se chamava Tereza era temperamental: cantava, ria e chorava em um só tempo. Brigava diariamente com o marido por causa da cachaça. Estatura frágil, rosto bem feito, contava uns vinte e poucos anos; morena cor de cuia, tipo cabritinha, cabelos curtos e lisos; dentes claros; mal trajada, sempre com um vestido bate-enxuga. Desse-lhe um trato, seria páreo para a escrava Isaura... --- Vivia maior parte do tempo na casa da mãe.

Ele, no seu estado sóbrio, era tranqüilo, mas se estava sob efeito da goteira tipo João Cassiano, ou seja, com a cara cheia de pinga, o pau comia, mas comia direito. E o que era difícil era vê-lo sóbrio. Isso só acontecia de manhã quando saia para o trabalho. Portanto, todos os dias havia espetáculo à tarde. Logo que ele chegava já começava a discórdia pelo fato de estar bêbado. E como a casa era pequena, a briga começava lá dentro e continuava pelo terreiro amplo à frente da rua.

Ele a puxava para fora, e o terreiro se transformava em picadeiro de circo ou ringue de luta livre. Assegurava-lhe os braços enquanto ela muito agitada não parava de falar e trocar palavrões:
--“Mardito! Iscumungado de Deus! Atentado do diabo! Cachaceiro... Disdentado!”.
--“Égua, cadela, vaca... Eu ainda te mato maritaca danada.”.

Como ele era muito forte, apenas a segurava para não apanhar, pois caso contrário ela o avançava tal qual uma galinha choca.

Para a minha contrariedade, logo aparecia um vizinho da turma do “deixa disso”, e acalmava os ânimos dos briguentos. Às vezes recomeçava, outras vezes, parava e saiam novamente. Sei dizer que eu ficava ali, o tempo todo, aguardando o espetáculo.

Certo dia, quando o pau comia solto, chegou o promotor de justiça da Comarca, Dr. Fernando de Souza Lima, levado até ali pelo irmão da dona da casa. Conversa vai, conversa vem, ficou ali estabelecida à separação. Não sei se aquilo seria um ato legal, o comportamento do promotor. Sei que esse lhes ameaçou de prendê-los caso voltassem a se juntar ou brigar.

Nego Sodré foi para São Paulo e Tereza foi para a companhia da mãe, Dona Joana Gorda, vizinha do Vicente Vilela. Eu achei ruim aquela separação, já que com isso, terminou a minha diversão de todas as tardes. Lembro-me, ainda, de ver a carroça do Serafim, virar a esquina levando os trastes e badulaques com a mudança, deixando-me um vazio egoísta.

Passou-se um ano de separação. O tempo, fenômeno incumbido de resolver certos problemas participou nesta questão... Um dia, Nego veio passear em Candeias e trouxe consigo a intenção de se juntar com a mulher e levá-la para São Paulo...

Novamente, conversa vai conversa vem e a turma do “deixa disso” conseguiu convencer Tereza a ir com o marido para São Paulo. Dois meses se passaram e Tereza aparece de volta. Meu pai, curioso procura saber o motivo da volta e tem dela uma resposta decisiva:

“O senhor é doido sói Zé! O nego rancou os dente e pois uma dentadura. De noite pega a mardita da dentadura e põe dentro dum copo dágua. Com aquela boca fedendo pinga, e murcha sem dente, vem querendo... querendo, quer dizer... Querendo me beijá... Ai eu não dou... Quer dizer eu não deixo... Dorme! Ronca igual um capado! Acorda de madrugada com sede e bebe a água do copo da dentadura... Teve um dia que eu quase gumitei em riba da cama...

Parece que dipois qui o home foi pá São Paulo ele viu o diabo. Ele arrumou umas vontade doida... Inventou de querer umas coisas contra a natureza... contra a riligião... coisa qui eu num tenho nem corage de falá... Umas coisa mais aturdida do mundo... Eu já num tinha sono... Na hora de ir pá cama eu pingava era de medo e de nojo... Eu passano por aquilo sói Zé todo dia com o istâme imbruiano... Tem base? Nem se eu fosse de ferro, pá guentá um trem desse!... Ai eu tive que cascá fora”.

Armando Melo de Castro -
Candeias MG Casos e Acasos

CHICO COLETOR


Prefeito Chico Coletor - Foto do arquivo da família
Os meios de comunicação vivem atualmente denunciando a imoralidade da classe política... Já não faltam adjetivos para desqualificar essa classe enodoada pela corrupção; pela falsidade ideológica; pela compra de votos, pela incompetência, pela ociosidade pela inoperância, pela falta de capacidade para administrar o dinheiro público.Enfim por tudo que lhes possa tirar a confiança então depositada através do voto popular.

A honestidade vai se tornando dia após dia, numa decência rara no meio político. O político ao se candidatar pensa em si... Poucos são aqueles que cumprem com louvor, com honestidade, com respeito o poder que recebem nas urnas. O povo, por mais humilde que seja, sabe distinguir o joio do trigo... Por mais inocente que seja, sabe votar e julgar aqueles que não cumpriram a missão de seus representantes, com a honradez necessária.

Felizmente entre os homens públicos que trabalharam na construção da história de Candeias, existem, em sua maioria, nomes dignos e honestos que tudo fizeram para honrar a confiança depositada pelo povo candeense.

Um desses nomes que saiu sem mácula do poder, com certeza, é do candeense por adoção, Francisco Coelho dos Santos. 
O Blog Candeias MG Casos e Acasos, neste texto estará focalizando o nome de Francisco Coelho dos Santos, popularmente conhecido, entre nós, por Chico Coletor. 

Francisco Coelho dos Santos foi prefeito de Candeias no período de 1973 a 1976. Nasceu na cidade de São João Del Rey no dia 21 de dezembro de 1921, sendo filho de Abner Coelho dos Santos e Alzira de Oliveira Coelho.

Chico tinha nove irmãos, são eles: João, Elvira, Abner Junior, Cecília, Juracy, Iracema, Zélia, Renato e Maria das Mercês. De sua terra natal foi transferido, juntamente com os seus pais, para a cidade de Formiga. Tornou-se funcionário da Receita Federal. E por ocasião dos problemas surgidos com um incêndio ocorrido na sede da Coletoria Federal, em Candeias, Francisco veio para apurar o caso e a partir daí juntou-se a nós na construção da nossa história.

Casou-se com a Sra. Zilda de Paiva Coelho, de cuja união nasceram três filhas: Maria Luíza, Tereza Cristina e Maristela. Como pai de família Chico Coletor era muito querido. Gostava de reunir com a família para saborear o seu prato predileto, um canelone ou um ravioli, caprichosamente preparado por sua esposa, Dona Zilda. Como prefeito, infelizmente, não chegou ao seu alcance tudo aquilo que almejava para Candeias, mas administrou bem os poucos recursos que lhe caíram às mãos. Entre os feitos na gestão de Chico Coletor está o Hospital Carlos Chagas, até então, tão prometido, mas nunca concluído.

Chico não mediu esforços na construção desta obra tão necessária para o povo de Candeias. Acompanhado de sua esposa, estava sempre em campanha em busca de recursos para atingir tal objetivo. Ele achava que as outras coisas poderiam esperar um pouco; mas, um hospital para Candeias era demasiadamente necessário. E tudo vez para atingir a esse objetivo.

Francisco Coelho dos Santos era um homem bom. Nunca esteve envolvido em fatos que pudesse manchar o seu nome. Portanto, foi sempre muito respeitado pelo povo candeense diante da sua lisura. Dentre o seu grande círculo de amizade em Candeias, citamos alguns dos quais Chico recebeu relevante colaboração: Afonso Ferreira de oliveira, Juquitinha, Marconi Paixão, Mariano Lamounier, Rosarinha do Quinho, Zé do Torquato, William Viglioni, Francisco Quintino, Rafael Martins, Joaquim de Castro (Lindico) Erasto de Barros e muitos outros.

Cumprido o seu mandato, Chico Coletor voltou para assumir o seu cargo na Receita federal. Após a sua aposentadoria recolheu-se em seu sítio localizado na comunidade da Boa Vista, no município de Candeias.

Francisco Coelho dos Santos faleceu no dia 27 de setembro de 2009, aos 87 anos num leito do Hospital Carlos Chagas, para o qual tanto trabalhou para vê-lo construído. Seu corpo está sepultado no Cemitério do Rosário na cidade de Formiga, no túmulo de seus pais. Nesta oportunidade não poderíamos deixar de registrar um voto de louvor para a sua esposa, Sra. Zilda de Paiva Coelho, pela companheira que foi junto ao seu marido, bem como, pelo dinamismo de primeira dama do nosso município.

Manifestamos, ainda, de forma extensiva às suas filhas, o nosso pesar pelo falecimento desse que foi, para o povo de Candeias, um exemplo de honestidade.


Muito obrigado Francisco Coelho dos Santos! Muito obrigado Chico Coletor!

Armando Melo de Castro
Blog Candeias MG Casos e Acasos.


sábado, 10 de outubro de 2009

JOSÉ PRIMEIRO VILELA


                                Casa Vilela - Fundada por Vicente Vilela  --  Foto Carlos Melo

A desorganização da povoação do tempo colonial fez perdidas, em Candeias, as origens de muitas famílias.

Uma coisa que muito contribuiu e ainda contribui para a dificuldade na elaboração de uma árvore genealógica, por exemplo, é o registro civil no Brasil ter sido criado somente no ano de 1874 e vir a ser exercido após o ano de 1875. Além disso, a lei era cumprida apenas nos grandes municípios; vindo somente a ser obrigatório o registro civil a partir do ano de 1888.

Apesar da obrigatoriedade da lei, esta não era levada bem a sério, haja vista, que até hoje, existem pessoas sem registro por negligência dos pais.
Portanto, a única fonte de informação civil era fornecida oficialmente pela Igreja Católica, a partir do chamado batistério, o qual comprovava a passagem do cristão pela pia batismal.

O nosso Blog vem procurando resgatar e preservar nomes de pessoas que, num passado distante ou mais recente, tenham contribuído com o desenvolvimento de Candeias, porque a falta de registros e o pouco interesse nesta questão fizeram com que muitos ilustres candeenses natos ou por adoção e que fazem parte da história de nossa cidade estejam, hoje, ausentes de seus anais, pouco lembradas ou quase esquecidas. Para tanto, não temos medido esforços, mesmo porque a falta de registros nas épocas específicas dificulta o nosso trabalho, mas, nunca é tarde para procurar um nome perdido ou esquecido... Um nome de alguém que um dia trabalhou na construção da nossa história.

A família Vilela, como poucas, tem o privilégio de ter uma história acompanhada desde a sua origem em Portugal.

Originária da freguesia de Santa Maria das Palmeiras, nos arredores de Braga-Portugal, a família foi e ainda tem sido estudada.

Vilela é uma palavra supostamente relacionada com uma vila donde Custódio de Vilela teria tido alguma referência que lhe deu esse nome.

Custódio de Vilela e Felícia de Cerqueira, casal tronco da família “Vilela”, se casaram aos 05 de junho de 1707, na mencionada freguesia de Santa Maria das Palmeiras. Seus descendentes vieram quase todos para o Brasil. E a maior parte se estabeleceu em Minas Gerais, especialmente na nossa Região.

A família Vilela, apesar de ser de origem portuguesa, não tem grande conotação em Portugal, pois as ramificações da família em Portugal são muito envolvidas com a vida dos Vilelas do Brasil. Lá fazem suas árvores genealógicas consultando seus parentes no Brasil. Pesquisas comprovaram que todos os membros da família Vilela têm a mesma consanguinidade, ou seja, são todos parentes. Inclusive, houve época, em que só se casavam entre eles...

Hoje, vamos homenagear o ilustre candeense, um dos patriarcas da numerosa família Vilela em Candeias:

José Primeiro Vilela, nasceu na comunidade do Chapadão, município de Candeias, no dia 1º de Março de 1859, filho de José Alves Vilela e Ana Ferreira Vilela, tendo como único irmão, o Sr. José Segundo Vilela. Seus pais se aportaram em Candeias, ainda, nos tempos das sesmarias e se tornaram proprietários de grande partida de terras.

José Primeiro Vilela se casou em primeiras núpcias, em 1876, com a Dona Florisbela Terra, no lugar denominado Curral da Pimenta, hoje cidade de Pimenta. Desta união, nasceram onze filhos. São eles, abaixo relacionados, na ordem cronológica de nascimento:

José Alves Vilela (Nome do avô)
Maria Augusta Vilela
Ana Ferreira Vilela
Francisco Alves Vilela
Joaquim Alves Vilela
Augusto Alves Vilela
Francisco Alves Vilela Segundo (Chichico)
Cândido Alves Vilela, (Candola)
Rita do Rosário Vilela
Sabina Alves Vilela e
Sebastiana Alves Vilela.

Em segundas núpcias, José Primeiro Vilela casou-se com Dona Otonestina Vilela, no ano de 1890, de cuja união nasceram dez filhos, são eles:

Geraldo Alves Vilela
Áurea Alves Vilela
Joaquim Alves Vilela
José Ferreira Vilela
Vicente Alves Vilela
Bernadete Alves Vilela
Aurélio Alves Vilela
Maria do Carmo Vilela e
Paulo Vilela, o caçula, nascido quando o pai contava já setenta anos de idade.

--José Primeiro Vilela com a sua segunda familia: No seu colo está, José Vilela. Sua esposa Ottonestina, gravida do Vicente Vilela. Ao lado, Geraldo Vilela, o filho mais velho, Aurea, Joaquim e Bernadete. Foto do arquivo da família.
De seus filhos  entre nós, encontra-se apenas o Sr. Aurélio Vilela, aos noventa anos de idade cheio de saúde e vigor. Casado com a Dona Natália, pais do Dr. Marcos, conceituado fisioterapeuta em nossa cidade.

José Primeiro Vilela era um homem culto e inteligente. No seu tempo, estudar no Colégio do Caraça era motivo de orgulho para a família. No Caraça, ele fez os seus estudos básicos, o que lhe proporcionou ser um homem esclarecido nos negócios, na sociedade e para com a família.

Era detentor da patente de alferes da Guarda Nacional (o equivalente ao posto de Tenente).

Muito colaborou com as nossas autoridades civis, eclesiásticas e militares, pois foi um militante ativo de todos os problemas que afligiam o nosso município.

Homem caridoso. Foi um dos fundadores da Sociedade São Vicente de Paula e um de seus mantenedores.

José Primeiro Vilela era um homem determinado na administração de seus negócios. Foi um fazendeiro dedicado e preocupado com a produção de alimentos. Plantava grandes lavouras de cana de açúcar para a fabricação de rapadura, açúcar mascavo e aguardente. Cultivava o café, e outros cereais em geral. Criação de gado bovino e suíno. Grande parte da sua produção era levada para fora, o que proporcionava divisas financeiras para o nosso município.

Após uma vida de muita luta e sacrifícios, José Primeiro Vilela faleceu no dia 26 de fevereiro de 1930, aos setenta e um anos de idade. e foi enterrado no Cemitério São Francisco, em Candeias.

José Primeiro Vilela nasceu, viveu e morreu em Candeias. Esteve fora apenas durante os seus estudos no Colégio do Caraça, ainda no princípio da sua adolescência. Afora isso, sempre esteve ao lado do trabalho, da sua família e dos problemas do nosso município.

José Primeiro Vilela era um homem simples. Sua grande ambição era os seus filhos. Filhos que ficaram para continuar a construção de nossa história.

Parabéns, Alferes José Primeiro Vilela e muito obrigado por sua participação ativa na construção da nossa história.

O Blog Candeias MG Casos e Acasos ao lhe homenagear, nesta data, quer, também, dedicar um voto de louvor a todos os seus descendentes, cidadãos dedicados e honrados que continuam, como você, construindo a história de nossa terra.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos 








sexta-feira, 2 de outubro de 2009

MARIA DO FIRMINO

Praça Antonio Furtado (Foto Carlos Melo)
Atualmente, eu não seria capaz de descrever um dia de domingo em Candeias. Tudo foi mudado em comparação ao meu tempo de criança. Agora, a cidade cresceu e com ela a população. Mesmo, ainda, sendo uma cidade de pequeno porte, já perdeu aquelas características de vila. Hoje, se encontra com as ruas, praticamente, todas pavimentadas. Possui outros recursos como hospital, diversas farmácias, produção de granito, pequenas indústrias, um comércio mais amplo, e, também, uma zona rural mais desenvolvida com mais mão-de-obra e produção de alimentos, educação, etc. Tudo isso afora aquilo de que não tenho informação.


É inegável, portanto, que a cidade melhorou muito. Embora o seu progresso seja prejudicado pelas cidades de Campo Belo e Formiga, tendo em vista que é muito facilitado o meio de transporte que liga a essas duas cidades. Isso tudo, com certeza, faz com que o território da nossa paróquia fique parecendo uma periferia, principalmente, na visão dos candeenses mais bairristas, assim como eu, que sempre faço do coração um cofre para guardar as minhas lembranças.

Dizem que Deus fez o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Mas, em Candeias, antigamente, era o contrário. O sétimo dia era dia de labuta para Deus e todos os santos. O Padre, durante a semana, celebrava uma missa rápida de manhã para uma meia dúzia de fiéis e depois ia descansar o resto do dia. Mas, aos domingos,*o seu batente era pesado.

Começava com a primeira missa às seis horas, depois a das oito para as crianças e, logo, a missa das dez. À tarde ia pelas roças e à noite a bênção do santíssimo. Todas essas missas tinham a freguesia certa. Eu sempre ia pela última, juntamente com o meu pai. Não gostava de ir à missa das crianças porque esta era administrada pelas professoras e, aos domingos, eu queria me livrar delas. E depois, a companhia do meu pai me era muito agradável.

Após a missa, comumente, passávamos na venda do Inácio Pacheco Lopes, situada ali, onde, atualmente, encontra-se um escritório de contabilidade, no sobrado que foi do Levy da Farmácia. O comércio do Inácio era uma mistura de armazém com bar. Tinha lá um violão que o Alceu, seu filho, gostava de pontear e que o meu pai, por vezes, após ter tomado algumas biritas e esquentado as turbinas, tomava do instrumento e mostrava algumas do seu repertório como: Cabocla Bonita, A Moda da Mula Preta, Noite de Reis, etc.

Havia um varal, num canto do estabelecimento, no qual permaneciam, constantemente, aquelas linguiças mistas tratadas de salsichões, normalmente, feitas de subproduto bovino e suíno. Era comum essa iguaria naquele tempo. Um tipo de embutido, pré-cozido, ficava exposto à ação do tempo e das moscas. E a freguesia, recém saída da missa, queria benzer o santo, bebia cachaça e comia aquele tira-gosto insalubre.

Eu que ainda não degustava a bebida alcoólica, de posse de uma pequena garrafa de guaraná, da marca MONTESE que, popularmente, era chamado de "água de rapadura" tomava de um bom pedaço daquela linguiça e dava uma festa para os ascarídeos que, com certeza, habitavam os meus intestinos. Devo confessar que havia uma sintonia tão grande de minha boca com os meus intestinos que aquilo nunca me fez mal. Até hoje, eu gosto daquela carniça como se fosse uma excelente iguaria, apesar de que, atualmente, são fabricados com maior esmero.

Dali, íamos para casa, onde, normalmente, nesse dia, um franguinho nos esperava, devidamente distribuído de acordo com a fórmula estipulada, ou seja, cada um com o seu pedaço especificado.

Logo após o almoço, era a vez do catecismo. A minha catequista era a Maria Brasileira, filha do João do Padre e neta do Padre Américo. Terminado o catecismo, era distribuído o chamado "bom ponto" uma espécie de senha que proporcionava à criançada pagar meio ingresso na matinê do cinema.

O resto do dia não tinha mais o que fazer. À noite, voltava à igreja para rezar mais. Não havia televisão. Era então hora de ouvir as histórias da carochinha contadas por meu pai e depois ir para a cama.

De quando em vez, aparecia na cidade um circo de tourada e ou de cavalinhos, como era chamado, e, também, alguns parques de diversões. Essas atrações eram verdadeiros atestados de pobreza, mesmo porque, a cidade não comportava uma companhia requintada. Mas, aquilo para a meninada era uma verdadeira alegria. O local designado para a armação desses itinerantes era a Praça Antônio Furtado.

Lembro-me que, certa vez, um circo ficou abandonado por falta de artistas. A companhia abandonou o dono do circo, por falta de pagamento, e a prefeitura foi quem teve de transportá-lo para a cidade de seu proprietário. Era, realmente, um tempo de vacas magras. Mas, por falar em circos e parques de diversões, remexo no fundo do baú das minhas recordações e encontro à tarde de um domingo quando vi, pela primeira vez, uma cena obscena e isso se dera em um momento que chegava à praça um parque desses bem mixos.

Maria do Firmino foi uma pessoa que eu considero ser das reminiscências mais marcantes das minhas curiosidades de menino e, talvez, ainda possa estar vivendo, com o mesmo aspecto na memória, também, dos meus colegas daquela época.

Figura corpulenta, barriga um pouco crescida, seios enormes, cabelos crespos, rosto isento de dotes femininos. Enfim, uma estatura longe de ser desejada para um afago.
Sofria das faculdades mentais e andava a cidade toda a passos largos. Era sempre vista falando em voz alta pela rua afora. Às vezes, rindo e, às vezes, xingando. Era aquela loucura zanzando para baixo e para cima. Apesar de ser ainda uma criança eu tinha muita pena daquela senhora.

Quando vinha se aproximando, a meninada já lhe provocava dirigindo-lhe uma pilheria ou emitindo assovios a sua passagem.

Em uma tarde, quando a meninada estava reunida aguardando a hora do funcionamento do parque que ficava perto de minha casa vem se aproximando a Maria do Firmino falando e gesticulando, como sempre fazia.

De repente, um dos meninos, em um gesto de incitação, grita: "Maria, mostra o pastelão!" e foi, nesse momento, que a pobre infeliz suspende o seu vestido, acima da cintura, e mostra aos presentes toda a sua intimidade. Não havia nada por baixo. Mostrou detalhadamente e ainda falando alto: "mostro, mas não dou". Virou-se e deu uma tapa nas suas nádegas volumosas e bradou: "Não dou! E não dou. Nem isso, aqui"!...

E eu encalistrado e totalmente bloqueado, vendo aquele baita órgão vulvuterino envolvido num chumaço de pelos crespos e aquele traseiro disparatado parecendo um holofote causando uma tremenda tempestade eufórica na turma, deixando-me totalmente atordoado, em uma completa desordem emocional. Naquele momento, eu acabava de doar ao mundo uma dose da ingenuidade e ilusão da minha infância, ainda sem pecados...



Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos 

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

FRANCISCO QUINTINO DA SILVA


    Quintino, vereador de Candeias e o Presidente João Goulart.

Um povo que não se preocupa com a sua própria história é um povo descuidado. Se a história de uma vida já é uma coisa maravilhosa, imaginemos a história de um povo.

A nossa cidade de Candeias tem a sua história construída pelos seus filhos nativos e adotivos... História que nunca será concluída e que estará sempre em busca de gente de bem para construí-la para os nossos filhos. Portanto, será sempre uma responsabilidade a escolha de pessoas certas para que não manchem uma história que sempre foi feita com muito amor e respeito, a história de Candeias!

Estamos focalizando, hoje, um filho de Candeias por adoção... Por uma feliz adoção, um homem que participou da construção desta história com muita dignidade, apesar de ter vindo de outras plagas e se juntado a nós: FRANCISCO QUINTINO DA SILVA.

Sua chegada a Candeias:

O Brasil tem uma página triste na sua história: Ocupa o primeiro lugar latino-americano e o segundo lugar no mundo, no contingente de pessoas afetadas pela hanseníase, conhecida popularmente como Lepra.

Em 1941 o Governo Federal criou o SERVIÇO NACIONAL DA LEPRA, e Candeias, nesta época, apresentava um quadro assustador, com pessoas portadoras da doença. E para tanto foi criado em nosso município uma grande força tarefa de combate à lepra.

Nesta oportunidade foram enviados para Candeias quatro médicos e dois enfermeiros. Eram os médicos: Dr. Pery, Dr. Américo, Dr. Célio e Dr. Wandik. E os enfermeiros: Domingos e Quintino.
Os médicos, exceto o Dr. Célio, todos se casaram em candeias. Contudo, os enfermeiros já vieram com suas esposas.

Essas pessoas foram muito bem vindas para Candeias, porque a situação era temerosa e a doença tendia a se alastrar mais ainda, caso não houvesse uma providência energica.

A manifestação da lepra é demorada. A pessoa contaminada, às vezes, demora anos para apresentar os sintomas. Portanto, esse trabalho durou por muitos anos. Foram visitadas todas as residências, na zona rural e urbana, com o fito de combater a doença.

À medida que a doença foi sendo erradicada e o município rastreado, os médicos foram deixando Candeias gradativamente num espaço de vários anos.

O primeiro a ir embora foi o Dr. Célio, o único solteiro. Depois foi Dr. Américo. No princípio da década de 50 foi à vez de Dr. Wandik e o último foi Dr. Pery. --- Acompanhando o Dr. Wandik para o Rio de Janeiro, foi o enfermeiro Domingos.

Assim estiveram junto a nós, essas pessoas que estão ainda nas nossas lembranças, participando da nossa história. E entre elas se destaca o nosso homenageado de hoje o Sr. Francisco Quintino da Silva, que preferiu continuar servindo ao povo de Candeias.
Quintino e Tancredo Neves
Quintino, como era conhecido por todos os candeenses também, teria que ir embora. Era funcionário federal da saúde e aqui não haveria lugar para ficar lotado, pois o serviço da lepra teria se esvaziado. Mas, para a felicidade do povo candeense, Quintino integrou-se a nós de forma tão veemente que talvez tenha se imaginado não haver nenhum lugar no mundo melhor para si do que Candeias. E conseguiu, através de seus amigos políticos, permanecer em Candeias como empréstimo ao Estado, passando a prestar os seus serviços ao Posto de Saúde ao lado do Dr. Zoroastro Marques da Silva.

Francisco Quintino da Silva, popularmente conhecido por Quintino, nasceu na cidade mineira de Carmo do Rio Claro, aos 19 de setembro de 1910. Filho de Ernestino Quintino de Oliveira e de Mariana Cândida de Paulo. De sua terra natal transferiu-se para a cidade de Três Corações, de onde veio para cá. Casou-se com a Sra. Andrelina Bernardino da Silva, natural de Cruzeiro, Estado de São Paulo, com quem teve apenas uma filha biológica: Wanda Quintino da Silva, felizmente entre nós. Muito conhecida em nosso meio por Wanda do Quintino.

O coração benevolente de Quintino lhe deu ânimo para criar cinco filhos adotivos, são eles: Mauro Lúcio, Marlene, Joaquina (filhinha) Maria do Carmo e Jerônimo.

Na sua profissão de enfermeiro, Quintino, por muitas vezes, na ausência de médicos, fez o papel de médico, pois tinha muita experiência por ter trabalhado vários anos junto aos grandes médicos que passaram por Candeias.

Na zona rural, por muitas vezes dormia na casa de pessoas doentes para ajudá-las na recuperação da saúde. Era um homem de índole familiar. Gostava de crianças e delas cuidava com muito carinho. Muito atuante, colaborou com a nossa sociedade, na política e socialmente.

Foi vereador por várias legislações e tinha como certo um grande grupo de eleitores, pois era ele demasiadamente atencioso. Entre as suas conquistas para o município destacamos o telégrafo. Na época a única forma de se comunicar para fora de Candeias foi através do telégrafo, pois não tínhamos ainda o telefone.

Quintino era grande amigo do ex-presidente da República, Sr. João Goulart, o Jango. Eram compadres. Jango foi padrinho de batismo, de sua filha, Wanda, numa celebração que aconteceu em Belo Horizonte, quando Jango era Vice Presidente da República.

Homem de muitas amizades; representava como poucos candeenses, o nosso município. Atuou no esporte. Foi um grande ídolo do tempo do Rio Branco Futebol Clube, quando este ocupava o espaço de primeiro time da cidade.

Quintino adorava comer sardinha misturada com goiabada (ou seria marmelada?) e estava sempre sugerindo essa mistura aos seus amigos, que nunca a recebiam com naturalidade.

Quintino faleceu no dia 08 de agosto de 1986 aos 76 anos de idade. Seu corpo repousa no Cemitério São Francisco, no seio da terra que tanto amou e à qual dedicou a maior parte de sua vida.

Por ter participado da nossa vida... Nas nossas lutas... Nas nossas dificuldades, nas nossas tristezas e nas nossas alegrias, nós te louvamos como um candeense nato... Querido e ilustre... Muito obrigado Quintino!

Armando Melo de Castro

Candeias Casos e Acasos

DONA MARIAZINHA


Dona Mariazinha - Foto do arquivo da família
É lamentável que as novas gerações fiquem perdidas dentro da história do nosso município por falta de informação. Hoje o nosso Blog numa homenagem mais do que justa, está focalizando uma mulher... Uma grande mulher candeense que teve uma grande participação na construção da história de Candeias! Uma mulher ilustre que tinha uma atividade meritória à vista de todo mundo. Mãe de família exemplar. Mulher de mãos limpas; mãos dignas de louvor por tudo que tomava para fazer... Estamos falando de Dona Mariazinha.

E quem foi Dona Mariazinha?

Dona Mariazinha nasceu Maria Rita Lara no dia 7 de outubro de 1877 em Candeias, filha de Militão Rodrigues da Costa e Joana Maria Nepomuceno.
Casou-se em 1895 com Bernardino Pinto Lara, ficando viuva em 1913, com apenas trinta e seis anos de idade. Do casal nasceram os filhos: Sebastião, Maria dos Anjos, Maria da Conceição, Maria José e Gabriel, (o Bebé da Mariazinha).

Dona Mariazinha era dona de um coração que mal cabia no seu peito, haja vista, ter criado um filho natural de seu marido, o menino, José Pinto Lara, desde os dois anos de idade. Criou como se fosse um de seus próprios filhos atendendo pedido de seu marido por ocasião de sua morte.


Logo que ficou viúva, o filho sebastião, com apenas dezoito anos de idade assumiu a responsabilidade do lar, que ficava situado na esquina da Rua Coronel Marques, que dava acesso à Estação Ferroviária, onde hoje se encontra o estabelecimento da K-10, Lotérica e o Banco Itaú etc.

Numa época em que não havia essas aposentadorias de hoje e nenhum tipo de bolsa por parte do governo, Dona Mariazinha, dedicava, para manter a família, a profissão de quitandeira. Suas quitandas eram muito deliciosas e eram servidas nas melhores festas da cidade. 

Com grande luta e dignidade conseguiu criar os filhos.Em 1915, seu filho, Sebastião, o arrimo da família, casou-se, mas continuou morando com a mãe e ajudando na manutenção do lar e a cuidar dos irmãos mais novos. Ele que labutou com a mãe para a sobrevivência da família veio a falecer ainda muito jovem em 1935... Mais um golpe do destino para Dona Mariazinha.


Com o passar dos tempos foram se casando os demais filhos: Maria dos Anjos com Martimiano Guimarães, pais da Terezinha, esposa do Lulu ( O Lulu do bar). Maria da Conceição, com João Eleutério Parreira, pais de Dona Zélia Eleutério e Enir. Maria José, com João Teixeira de Oliveira, de cuja prole destacamos o ilustre cidadão, Sr. Luizinho Teixeira. Gabriel Pinto Lara, o Bebé da Mariazinha, casado com Dalva de Sousa. Não tiveram filhos, mas adotaram a Wilma, que criaram com carinho. E José Pinto Lara, com Ana Carlos Pinto.

Todos os filhos de Dona Mariazinha são falecidos e a única nora ainda viva é a Dalva do Bebé.

Dona Mariazinha era uma mulher dinâmica e determinada. Participava dos problemas políticos e sociais de nossa cidade. Foi a eleitora número 1587 da 27a Zona Eleitoral, em Campo Belo, e domicilio eleitoral no distrito de Candeias. Teria sido uma mulher como muitas outras que, também, colaboraram na construção de nossa história se não tivesse exercido uma atividade que a fez diferente: Foi uma parteira digna de louvor. Ora sozinha, ora acompanhando o eminente, Dr. Zoroastro Marques da Silva. Chegaram ao mundo trazidos por suas habilidosas mãos, inúmeros candeenses entre os quais muitos de modesta profissão, e outros, especialistas profissionais.

Dona Mariazinha, não só fazia o parto como, também, dava, durante dez dias, assistência a parturiente e ao recém-nascido. E nada cobrava por isso. Era um trabalho humanitário e que lhe rendia, às vezes, apenas uma gratificação espontânea.

Nossa ilustre conterrânea Dona Mariazinha,faleceu em maio de 1961 aos oitenta e quatro anos de idade, em casa de sua filha, Maria José Lara, após uma longa enfermidade.

A Câmara Municiapal de Candeias, numa homenagem justa, dedicou a antiga Rua Cuiabá, em seu nome. “Rua Maria Rita Lara”. Há mais de 10 anos, e até hoje  a Prefeitura de Candeias, num lamentável desrespeito ao nome dessa ilustre candeense, até hoje não trocou a placa cuja rua continua com o nome de Cuiabá. Isso é lamentável.

Dona Mariazinha, receba o nosso carinho, e o nosso respeito. Sabemos que o tempo é responsável por construir e destruir, mas, este Blog faz a sua parte pedindo para que não deixem que isso aconteça com o seu nome que traduz amor, dedicação, luta e sacrifício.Parabéns Dona Mariazinha! Você não passou neste mundo por acaso. Você veio aqui cumprir os desígnios de Deus e esses foram cumpridos com louvor na construção de lares e da história de nossa cidade.


Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

LOJAS ITAMAR FREIRE LTDA.




Falar da história de uma cidade sem falar do comércio é praticamente impossível, pois o comércio faz parte da vida do homem desde o tempo das cavernas quando não existia o dinheiro e os negócios eram feitos à base de troca.
Infelizmente, a história de Candeias não tem registro sólido das casas comerciais que aqui existiram quando a cidade principiava na sua existência... Quando era ainda um pequeno arraial...
É pena que as casas comerciais daquela época estejam esquecidas... pouco lembradas, porque não houve uma continuidade através dos descendentes desses comerciantes que deram a sua contribuição para a construção de nossa história, a história de Candeias.


Felizmente, hoje, faremos homenagem a uma empresa que vem participando ativamente na construção da nossa história desde o princípio da década de cinqüenta. Uma empresa que é um orgulho para o povo Candeense porque nasceu, cresceu e vive na mesma praça, praticamente no mesmo ponto de nossa cidade. Estamos falando do Grupo Empresarial Itamar Freire e Cia Ltda.

Antonio Freire era pedreiro, mas não era um pedreiro qualquer. Isto fez com que uma rua no bairro Alto do Cruzeiro, na qual ele construiu diversas casas, fosse apelidada de Rua do Antonio Freire.

Uma de suas construções mais marcantes em Candeias foi o prédio de propriedade do Sr. Miguel Tórtura Albanez (Biribico) em que se encontra também a loja do antigo Bazar Talita, onde hoje está estabelecida uma Floricultura.

Antonio Freire era uma das pessoas mais divertidas de Candeias. Famoso pelas suas histórias fantásticas durante as suas pescarias... Político, participou da vida partidária de Candeias e foi um vereador atuante.

Casado com Maria da Tuta, com a qual teve cinco filhos: Iraíma, Damocles, Itamar, Preta (Esposa do Barroso) e Antonio, o Cacá do gás.

Seu filho Itamar era funcionário do antigo Banco Mineiro da Produção, posteriormente Banco do Estado de Minas Gerais (hoje incorporado ao Banco Itaú).

Itamar ainda muito jovem tinha o cargo de contínuo no Banco e o contínuo tinha as funções de serviçal, ou seja, fazer faxina, coar café e um tipo de mandalete do gerente. Naquele tempo, a carreira bancária era assim: começava como contínuo e depois dependendo da aptidão do empregado ia subindo de cargo em cargo. Houve quem tenha chegado a diretor do Banco fazendo carreira.

Itamar, com certeza, não seria contínuo por muito tempo, pois a sua habilidade no trato com as pessoas; a sua determinação naquilo que pegava para fazer; a sua forma de olhar de frente as dificuldades a serem enfrentadas; o seu ânimo para o trabalho; a sua responsabilidade e honestidade, o faria gerente em pouco tempo. Tinha ele todos os adjetivos exigidos por um Banco.

Nessa época um emprego desses em Candeias era difícil de ser conseguido e quem tinha um, o segurava com unhas e dentes. Mas, seu pai, Antonio Freire, vislumbrou o futuro, e, vendo as qualidades de seu filho, não pensou duas vezes ao propor-lhe uma sociedade na sua pequena “venda” já existente na Praça da Bandeira.

A “venda” ficava numa parte de uma casa grande e antiga com várias portas azuis; situada onde hoje está edificada a residência de seu sobrinho, José Freire (Zé da Vidica) e a rua que lhe faz esquina, a qual não existia ainda. Ali se vendia aguardente, fumo, cereal e miudezas em geral.

Antonio Freire não teria deixado de todo a profissão de pedreiro e tinha como seu auxiliar no balcão o Sr. Benedito Bacurau.

Ali foi lançada a semente de muito trabalho e progresso. Aquela casa de comércio tinha o nome de “Casa Maria”, cuja denominação foi dada em homenagem a Maria da Tuta, esposa de Antonio Freire. Com o advento da sociedade entre pai e filho, a empresa se transformou em Freire e & Filho Ltda. Começa, então, um feliz capítulo da história de Candeias.

Algum tempo depois a Casa Maria mudou-se de endereço e foi transferida para bem próximo dali; para o centro da Praça da Bandeira onde se encontra, hoje, estabelecida a Lanchonete e Pastelaria Central.

A “venda” precisava ganhar espaço, mesmo porque, para a visão progressista de Itamar e o seu espírito empreendedor, o espaço era muito pequeno. Mais uma vez a Freire & Filho Ltda. foi transferida, mas, desta vez, para uma loja maior, próxima dali, onde se encontra até hoje. Com essa mudança, o nome fantasia passou de “Casa Maria” para “Casa Nossa Senhora Aparecida”.

Ainda não era o espaço desejável para as intenções de Itamar; mas, o tempo se incumbiu de lhe dar como resposta ao seu trabalho, uma grande área que foi adquirindo aos poucos, no mesmo local. A Freire & Filho Ltda. cresceu junto com Candeias, passo a passo, a partir da década de cinqüenta.

Máquina de costura Phillips, época em que as nossas costureiras ainda usavam as velhas máquinas de mão... Fogão a Gás Brasil, os primeiros fogões a substituir os nossos fogões à lenha, cheios de fuligem. Os primeiros rádios a pilha e valvulados da marca Mercúrio... Iluminação a gás, coisa totalmente desconhecida na nossa zona rural. Chuveiros elétricos; móveis de quarto, sala e cozinha... Os famosos colchões de mola, que viriam a substituir os velhos colchões de palha e de capim... Os primeiros televisores em preto e branco, quando Candeias ainda não tinha nem a torre de reprodução do sinal, coisa que ele também, Itamar, teve que correr atrás... E as geladeiras! As geladeiras nas residências candeenses eram contadas nos dedos das mãos. Itamar vendeu tantas geladeiras que chegou a ser agraciado com um diploma que lhe concedeu o segundo lugar em vendas, não só em Candeias, mas em toda a região. Era a mais famosa geladeira da época, a Frigidaire. Isso, naturalmente, foi motivo de grande orgulho para Itamar que teria começado como sócio de uma pequena “venda”.

Itamar lançou esses e outros produtos no mercado de Candeias e com um detalhe muito importante: pelo crediário. Em Candeias, não havia essa formalidade de crédito. Havia, sim, vendas a prazo não determinado, no que traduzindo: era um compromisso fiado. E com isso, esses produtos eram vistos apenas nas casas dos mais aquinhoados. Portanto, grande parte dos candeenses achava que certos produtos vendidos por Itamar eram coisas de rico, e Itamar, com a sua habilidade de comerciante nato, mostrava ao freguês a sua possibilidade de ter uma melhora na qualidade de vida.
Com a morte de Antonio Freire, a sociedade foi desfeita e Itamar ficou sozinho, sempre olhando para frente, com as suas metas e seus objetivos. Ampliou os negócios sempre voltados para o bom atendimento ao consumidor.

Por volta do ano de 1975, Itamar admitiu como sócio o seu irmão caçula, Antonio Ítalo Freire, o “Cacá”, bancário em São Paulo. Antonio teria demonstrado interesse em voltar para Candeias e, portanto, aceitou a proposta de sociedade com Itamar. Adquiriram uma loja de móveis do Sr. Geraldo Resende a qual foi incorporada à Casa Nossa Senhora Aparecida, dando assim, uma grande arrancada para o que é hoje o Grupo Itamar Freire.

Com o passar do tempo, Cacá negociou com Itamar a sua independência empresarial, ficando como proprietário exclusivo da concessão de gás, negócio este, até então, pertencente ao Itamar Freire. A Distribuidora Cacá Gás é a primeira e maior de Candeias.
O nome Cacá, dado ao Antônio Ítalo, provém de seu apelido de escola. Por ser muito magrinho, seus colegas o apelidaram de “Caveirinha,” Em São Paulo , seus amigos passaram para Cacá e assim tem sido.

O nome Itamar Freire se tornou um nome forte. E as pessoas nunca diziam vou comprar na Casa Maria, ou na Casa Nossa Senhora Aparecida e nem na Freire e Filho Ltda. – O nome popular saído do povo foi: “Loja do Itamar”. E assim, passou a ser “Lojas Itamar Freire”, hoje com duas lojas em Candeias, São Francisco de Paula e Campo Belo.

Já assessorado pelos seus filhos, Dalton, Décio e Mayra, diversificou os negócios partindo para o comércio de bebidas, informática, com a CandeiasNet e de postos de combustível, em Candeias e na cidade de Camacho.

O conflito de gerações é natural em qualquer família. Ao colocar Itamar como seu sócio, Antonio Freire jamais iria imaginar o sucesso da sua idéia. Ás vezes, via temeroso seu filho avançar numa área comercial até então desconhecida. E diante disso, Itamar não se intimidava, porque sabia o que queria... Sabia o que fazia com bastante inteligência.

Ao lhe vir à mente a idéia de vender padrão cemig, por exemplo, Antonio Freire dizia duvidoso: “Sei lá”... O povo aqui gosta mesmo é de uma lamparina... Isso servia, evidentemente, de um ponto de meditação para Itamar: “se gostam de lamparina, vão gostar muito mais de luz elétrica”.
Itamar avançava com a sua determinação e a vontade não só de vender, mas também de servir, porque Itamar Freire sempre gostou do que fez.

Parabéns Antonio Freire, onde quer que esteja... Com certeza você foi aquele que plantou a semente que fecundou tão bem no comércio de nossa terra.

Parabéns Itamar Freire, por ser a semente fecundada no seio da história de nossa terra. Você hoje se encontra merecidamente no ócio com dignidade, mas, o fato de ter preparado os seus filhos para dar seqüência na história da “Casa Maria”, abençoada por Nossa Senhora Aparecida, é fato muito importante, porque você continuará imortal na história do comércio de nossa terra. História que o povo de Candeias jamais poderá esquecer... História que servirá de exemplo para aqueles que reconhecem uma história construída com amor, trabalho, dignidade e honestidade.

Você Itamar Freire, nunca subiu a um palco e nem esteve à frente de uma ribalta para contar uma história fictícia. Mas você é, também, um ator!... Um ator da realidade... Um artista cujo proscênio sempre foi o recinto de sua loja onde você representou muito bem um ato real para a história de Candeias... Um empresário de sucesso aplaudido de pé através da satisfação de seus clientes. Respeitado pelos amigos e amado pelos familiares.

A Rádio Candeias FM se sente orgulhosa em prestar esta justa homenagem ao Sr. Antonio Freire, sua esposa Maria da Tuta (in memoriam) e toda a sua prole, Iraíma (in memoriam) Damocles, Cacá, Maria (Preta) (in memoriam) e especialmente ao seu filho Itamar Freire:

Itamar, já foi homenageado por outras instituições, mas não poderia faltar este humilde registro da Rádio CandeiasFM. Como também não poderá faltar aqui uma ênfase no nome do seu irmão, Antonio Italo Freire, o nosso amigo Cacá, por quem Itamar nutre grande carinho e consideração por ter sido seu sócio.

Homenagem que se estende, também, aos atuais diretores das empresas, filhos de Itamar: Dalton, Décio e Mayra, cuja responsabilidade de substituir o pai será muito grande. Todavia, Tiveram uma boa escola e com certeza o sucesso é prometido.

Estendemos ainda, esta homenagem a Dona Nenê, esposa de Itamar. Isso porque temos a certeza de que atrás do sucesso de um homem existe sempre a presença de uma grande mulher.

Parabéns Lojas Itamar Freire, Parabéns pela sua história... Uma história digna de louvor, digna de respeito. E temos a certeza de que os nossos ouvintes, também querem dizer:
Obrigado! “Casa Maria”! Obrigado Lojas Itamar Freire... Muito obrigado!

Texto: Armando Melo de Castro

Apresentação: Giovani Vilela - Rádio CandeiasFM