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quarta-feira, 10 de maio de 2017

JUCA RICARTE, UM AMIGO DOS POBRES.

                                                         Juca Ricarte com uma de suas netas.

Hoje o nosso Blog estará homenageando um grande candeense. Um homem caridoso, afetuoso, que durante a sua vida teve sempre uma atenção especial para os pobres, para os menos favorecidos. Estaremos falando de José Gomide da Anunciação. O popular Juca Ricarte.

José Gomide da Anunciação era filho de José Ricardo Gomide e de Dona Bárbara Emereciana de Oliveira.

Nasceu no dia 25 de março de 1907, numa casa situada no antigo Beco do Botafogo, hoje Rua André Pulhez.

Eram sete irmãos, sendo quatro mulheres e três homens: Emília, Cecília, Olinda e Maria; João, Jozino e José.

O nome de seu pai, José Ricardo, foi transformado popularmente em José Ricarte. Como José Gomide tinha o mesmo nome do pai, passou a ser chamado de Juca. E de Juca do Zé Ricarte, acabou ficando com o apelido de Juca Ricarte.

Casou-se ainda muito jovem com Guilhermina Luiza Gomide, a popular Guilé. Dessa união nasceram seis filhos, sendo eles, Irene, Aparecida, Walter e Marlene. Os outros dois faleceram ainda quando crianças.

Juca Ricarte não frequentou escolas. Estudou com o seu pai e teve apenas um aprendizado básico.

Homem extremamente correto. Amava muito a sua família e por querer os seus filhos no caminho certo do bem e da honradez, muitas das vezes, chegava ao exagero na sua forma de educar. Não aceitava nenhum tipo de indisciplina entre os seus filhos. E era bastante rígido.

Nunca faltou com os seus deveres de pai de família e de trabalhador. Lutou pela vida com muitas dificuldades. Mas sempre saudou os seus compromissos rigorosamente nos prazos predeterminados.

No curso da sua vida, trabalhou nas mais diversas profissões. Foi lavrador, usineiro da antiga usina do Sr. Celestino Bonaccorsi; pedreiro, carpinteiro e funileiro ou latoeiro, até que aos quarenta e cinco anos, conseguiu com a ajuda do Dr. Zoroastro Marques da Silva, um emprego público na área da saúde.

Juca que era pedreiro quando foi nomeado para um cargo pelo qual não tinha nenhum conhecimento, teve um choque psicológico muito grande no inicio de sua carreira;  ao vir a  ser enfermeiro lotado no Posto de Saúde, dirigido pelo médico, Dr. Zoroastro.

Após receber os primeiros ensinamentos, chegou quase ao desmaio quando aplicou a primeira injeção. Diante dessa ocorrência chegou a pensar em desistir do emprego. Contudo, a sua esposa Guilé, os colegas de trabalho e o Dr. Zoroastro impediram-no de fazer isso.

Um pedreiro ser nomeado pelo Estado para ser um enfermeiro pode ser curioso à vista de alguns. Mas, Dr. Zoroastro um homem do povo, conhecia bem os méritos e as aptidões de Juca Ricarte;  assim não teve dúvidas em indicá-lo para ser um de seus auxiliares.
E o tempo se incumbiu de transformá-lo num grande profissional que muito bem serviu a área de saúde de nossa cidade, numa era de poucos recursos.

No início, o salário era baixo e não dava para manter a família. E para ter um complemento salarial, Juca trabalhava num barraco no quintal de sua casa como latoeiro. Seu trabalho consistia na fabricação de vasilhas domésticas, num tipo de reciclagem de latas vazias de óleo que conseguia nos postos de gasolina. Não havia, nesse tempo, os produtos plásticos existentes nos dias atuais.

No Posto de Saúde, Juca não tinha horário certo. Trabalhava de acordo com as necessidades. Comumente era visto pelas ruas vestido com o seu jaleco branco, transportando seringas e outros instrumentos a fim de atender pacientes nos diversos cantos da cidade.

Foram seus colegas de trabalho no Posto de Saúde comandado pelo Dr. Zoroastro: Amilton Marques, João de Souza Filho, Quintino, Zoroastro Filho, Dr. Luiz (dentista).

Os árabes dizem que o homem culto não é bem aquele que frequenta escolas e sim aquele que busca conhecer a si mesmo. Juca Ricarte nunca freqüentou escolas... Nunca recebeu um diploma... Mas conhecia a si próprio porque sabia que a vida é uma mistura de sentimentos... Uma mistura, principalmente, de dor, alegria e amor. Portanto, sofreu com as suas dores... Sorriu com as suas alegrias... E amou tudo que Deus lhe deu.

Caridoso e muito querido pelos menos favorecidos pela sorte. Felizmente, existem pessoas que se interessam com seriedade pelos problemas dos mais pobres e Juca era uma dessas pessoas.

Na sua trajetória de vida, fez muitos e muitos amigos. Era constantemente convidado a apadrinhar os filhos de seus amigos. Entre os seus afilhados de casamento, batizado, crismas, etc. chegou a contar mais de duzentos.

Prestou relevantes serviços à Sociedade de São Vicente de Paulo. Foi seu presidente por diversos anos durante o tempo que as coisas eram muito difíceis. Vivia humildemente, pedindo ajuda para os seus amigos no sentido de acudir um pobre aqui outro acolá.

Entre o seu rol de amigos estava o Coronel Renato Lamounier, da Aeronáutica, filho de Dona Elisa Paiva. Renato doava roupas usadas vinda da Aeronáutica e estas eram entregues para o Juca que, criteriosamente fazia a distribuição entre os pobres.
Certa feita, Juca agradou de uma blusa, e fez o pedido para a mãe do Coronel que sorrindo lhe disse: ‘’Você não precisa pedir Juca, pois é você que as distribui!” Mas Juca era assim extremamente correto.

Prestou durante muito tempo, serviço voluntário ao SOS, e, ao entregar o cargo, fez questão de fechar um balanço bem detalhado, sem quaisquer sombras de dúvidas.
Juca Ricarte gostava das coisas bem explicadas e não admitia erros com facilidade.

Numa época em que Candeias não tinha um pároco, e a paróquia era atendida precariamente pelos padres de Campo Belo; num tempo que não existiam os ministros da eucaristia, Juca Ricarte deu a sua grande contribuição para a Igreja. Não só no fato de promover festas, mas também, de fazer alguns trabalhos clericais, assistir enterros, bênçãos, etc.

Juca Ricarte sempre se preocupou com o natal dos pobres. Não pedia nada para si. Mas para os pobres era um pedinte.

Faleceu aos 79 anos, vitima de um infarto do miocárdio, no dia 04 de junho de 1986.

Enquanto o mundo aportar homens como você Juca Ricarte, com certeza,  o mundo será bom! Parabéns meu bom amigo e receba o abraço daqueles que lhe serão eternamente agradecidos. Parabéns, porque a caridade é um dom de Deus e você sempre a teve junto de você, como forma de uma orientação de Cristo.

Obrigado, Juca Ricarte! Muito obrigado!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

domingo, 23 de abril de 2017

SANTA IGNORÂNCIA!


Eu não estou aqui propositadamente fazendo a apologia do álcool, mas acho uma hipocrisia; uma ignorância generalizada, aqueles que por motivos religiosos, sejam de qual religião for, ficarem condenando o álcool e as pessoas que bebem. ---- Para eles parece que o álcool é uma invenção do demônio. Condenam e criticam àqueles que bebem como se fossem pecadores e tivessem extrapolando os princípios celestiais.

Ser abstêmio é uma questão de direito de cada um, agora querer fazer proselitismo sobre a bebida é uma coisa muito diferente, é assinar um atestado de ignorância e faltar com o respeito ao próximo. Afinal Deus nos deu o livre arbítrio; e conselho é uma coisa subjetiva; pode ser muito bom na concepção de quem o dá.

À bem da verdade nem a Bíblia Sagrada condena o álcool; pelo contrário, ela estimula o seu uso, como pode ser visto a recomendação de Paulo a Timóteo em 5,23: 

Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades”.

E qual o cristão que não conhece o primeiro milagre de Jesus Cristo, ---- "As Bodas de Caná". -----  quando numa festa de casamento o vinho acabou e Ele que estava presente como convidado para a festa, atendendo ao pedido de sua mãe, transformou água em vinho? E com a turma “chumbada” Ele fez 600 litros de vinho da melhor qualidade. “João 2.1.11”  

Será que tem alguém ainda com a coragem de dizer que era vinho sem álcool? E como se explica a bebedeira naquela festa de casamento? Jesus, sua mãe e seus discípulos estavam lá. Quem contesta isso? Ai seria o registro do atestado de ignorância, porque não existe vinho sem álcool. Afinal, vinho é sinônimo de álcool e se sem álcool toma-se outro nome, ou seja, suco ou refrigerante.

Portanto, a pessoa que não gosta; não faz uso de bebida alcoólica, ou se esta lhe faz mal à sua saúde, lembre-se que nem tudo que é ruim para um é ruim para todos. E com certeza, no fundo do seu intento, gostaria de beber, mas não o faz porque é doente; não sabe beber; não confia em si; ou é levado pela conversa dos outros. Seria a esses moralistas muito mais elegante dizer que não gosta de bebidas alcoólicas ou elas lhes fazem mal.

É de todo patente que a Bíblia condena o excesso, mas não só o de bebida alcoólica, e sim de tudo. Todo excesso é prejudicial, principalmente com relação àquilo que ingerimos. Até a água com excesso poderá nos levar à morte.

Quando eu ouço alguém dizer: “Graças a Deus eu não bebo nada”, vem à minha mente o rifão de Galileu Galilei: “O sábio dúvida, o sensato reflete, e o ignorante afirma”. Trata-se de um ignorante que não sabe refletir e se mete a fazer a apologia do desconhecido e ser juiz de uma causa que não lhe pertence.

Como todo excesso, o álcool é um malefício para a saúde como são os medicamentos que ingerimos em busca da cura de doenças; tanto quanto os alimentos envenenados à venda nas feiras livres; os refrigerantes, os conservantes que acompanham os alimentos industrializados e até água, tomada com exagero, é capaz de matar; e tudo mais que nos entra pela boca, desde que seja usado inadequadamente, poderá nos fazer mal.

O álcool consumido de forma moderada, pelo contrário, é um verdadeiro remédio.  Mas o que é moderado? A ciência releva até 25 gramas, o que quer dizer, duas latinhas de cerveja, dois copos de vinho, ou duas doses de bebidas. Fora disso, você pode ser considerado que bebe pouco ou muito. Portanto, é de se saber que o álcool apesar dos seus malefícios comuns, apresenta, também, o seu lado benéfico à saúde humana, e não é um demônio, como os prosélitos gostam de pregar.

Evidentemente o organismo de cada um responde de forma diferente, até mesmo a uma gota. Assim como certas doenças tal qual a doença celíaca faz com o consumidor de glúten que não pode sequer ver produtos de farinha de trigo, cevada ou centeio. No entanto ao tomar uma cerveja contrai uma baita dor de barriga e já diz que a cerveja tal não presta que lhe fez mal. Mas o que lhe fez mal foi o glúten, presente em toda cerveja. ------ Se come um produto de farinha de trigo e sente que os intestinos vão lhe sair pela boca, já acusa o macarrão ou a pizza que lhe serviram no restaurante e que estavam perdidos; isso porque não sabe o que é glúten.  

Hoje, quando estive no açougue aqui em Juiz de Fora, o Sr. Waldomiro, dono do açougue, mostrou-me um belo pedaço de carne de boi, exaltando os dois pelos para a delícia de um churrasco. E eu logo lhe disse: Levá-lo-ei e vou degustá-lo com uma boa dose de João Cassiano!...

---- Mas o que é João Cassiano Sô Armando?
-----É uma pinga da boa, lá da minha terra...
-----Tô fora sô Armando... Tô fora... Não bebo desse veneno... Na minha casa somos crentes, e crente não mexe com isso, não bebe graças a Deus!

Pensei: Eu também sou crente em Deus, sou católico! Ou o Deus dos outros crentes é diferente?  Será meu Santo Deus!?

Que Deus os abençoe... SANTA IGNORÂNCIA!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

quarta-feira, 29 de março de 2017

ÉRAMOS VINTE E CINCO...


 No dia 08 de dezembro de 1958, em Candeias MG, nós, alunos da quarta série primária do Grupo Escolar Padre Américo, participamos de uma grande festa no Cine Circulo Operário São José, às 20 horas, quando se deu a entrega do certificado de conclusão do curso primário.

Naquele dia, a turma abaixo mencionada se separava após uma longa temporada se encontrando e convivendo todos os dias.

Foi uma festa para ninguém botar defeito. Presentes os corpos docente e discente, o Prefeito Municipal, Dr. José Pinto de Resende, um deputado que nos paraninfou; autoridades e personalidades do município. Como autoridade eclesiástica estava presente o Monsenhor Castro com o seu discurso maravilhoso sempre na ponta da língua.

Você, meu amigo, se deparando com a relação de formandos abaixo mencionada e porventura tenha algum dos relacionados que lhe disser respeito, ou seja, parente, amigo ou conhecido, eu ficaria imensamente agradecido se me fosse enviada notícias desses amigos de infância e condiscípulos.

No ano que vem esse evento completará sessenta anos e há muitos colegas dessa turma que os vi pela ultima vez naquela noite, desde então não tive mais notícias.  No entanto, são imagens vivas que moram dentro de mim, inclusive daqueles já falecidos.

QUARTA SÉRIE, ANO 1958 NO GRUPO ESCOLAR PADRE AMÉRICO EM CANDEIAS MG.

Professora: Maria do Carmo Bonaccorsi.
Diretora:     Maria do Carmo Alvarenga.

Antônia Aparecida Vilela
Antônio Ítalo Freire
Armando Melo de Castro *
Clarice Alvarenga
Hélio Melo da Silva
Jadir Melo da Silva
Jesus Alves Resende
João Faria
José Gonçalves
Márcio Miguel Teixeira
Marlene Aparecida Martins
Marli dos Reis Alves .............................(Falecido)
Nelli Manda Ramos Melo
Neri Ferreira Barbosa
Odete Lopes da Trindade
Raimundo Ferreira de Oliveira
René Ferreira de Oliveira
Sebastiana dos Santos
Sebastião Alves Resende ...................(Falecido)
Silvio José Rodrigues ........................(Falecido)
Silvio Lopes da Silva .........................(Falecido)
Teresinha Luiza Alves
Teresinha Mori ...............................(Falecida)
Zélia Alves Alvarenga...............     (Falecida)
Zilene Vilela Alvarenga

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

terça-feira, 21 de março de 2017

OH! QUE SAUDADES QUE TENHO!


 Hoje eu quero falar de lembranças que vivem bem guardadas nos cofres da minha memória. E diante dessa saudade, relembro a velha estação ferroviária de Candeias, há muitos anos, quando eu ainda era criança... Tempo em que Candeias representava todo o meu mundo e minha imaginação me conservava ali, pensando que seria como uma fruta que cai de madura sobre as sombras e raízes do seu pé. Todavia, o destino mudou a minha rota, mas eu guardo comigo as lembranças para hoje eu possa sentir uma saudade feliz. – Saudade! Um sentimento ainda estranho para mim quando ainda criança...

Vejo-me, portanto, entrando pela primeira vez na estação ferroviária de Candeias O meu coração batendo forte, de tal forma, que se não fosse eu um menino, talvez, esse teria saído pela boca...

A estação de Candeias era bastante movimentada. Quase nada entrava na cidade ou saia a não ser via trem de ferro. O meio de transporte rodoviário era então, muito atrasado. Os ônibus se limitavam em pequenas jardineiras e era um transporte caro. E os caminhões em número reduzido. Comumente ouvia-se dizer que viajar de trem é melhor, mais confortável e mais barato.

Aquela aglomeração me assustava! Pessoas falando alto... Outros contando histórias... E alguém dizendo: o trem está atrasado... E eu desesperado perguntando ao meu pai: Pai por que o trem está atrasado? --- Meu pai respondendo que aquilo era normal...

Começa a fermentar no meu cérebro todas as historias de trens que eu já teria ouvido Enquanto meu pai conversava com um amigo a minha imaginação estava a todo vapor. Ouvira dizer que dentro dos trens havia restaurante com cozinha e tudo; camas para dormir e até uma privada... Ouvira dizer, também, que o combustível da máquina era água e fogo... E essa se locomovia com vapor. Aquelas ideias me deixavam atordoado... Pelo fato de morar do outro lado da cidade, eu nunca teria visto um trem de perto. Estava acostumado a ouvir o apito muito familiar das marias-fumaça que trafegavam dia e noite levando e buscando gente e mercadorias...

Meu cérebro continuava fermentando: Daí a pouco eu iria conhecer esse trem... Ia ver uma cozinha fora de casa... Um restaurante... Um quarto de dormir... Uma privada... E como seria essa privada dentro do trem!? Quanto mais o trem demorava, mais o meu cérebro fermentava. Nesse tempo eu nunca havia visto uma privada dentro de casa... Na minha casa não existia.

Finalmente chega aquele monstro negro jogando fumaça e vapor por todos os lados Os passageiros se agitam... Entram, falam, despedem-se. Ouve-se o soar de um sino. Trata-se do sinal para a partida do trem. Eu não ouvira ainda, um sino bater fora da igreja... Acho aquilo interessante... Ouve-se um apito. Aquele apito familiar da maria-fumaça já conhecido à distância, agora ali perto de mim.

O trem vai saindo vagarosamente me levando cheio de uma felicidade indescritível... Vejo pessoas estranhas; vou olhando para todos os lados; procuro com os olhos cheios de curiosidade a cozinha... ------- E as camas? Onde estariam as camas? E a privada? Onde seria essa privada!?

Perguntei ao meu pai: Onde estão as coisas que o senhor me falou? E meu pai sorrindo responde: Aqui só tem a privada. As outras coisas só no trem da noite e que se chama noturno. Este trem é do dia e é chamado de misto. Com essa resposta a minha felicidade tomou um empurro... Mas não me abati. A curiosidade, agora, se concentrava no desejo de conhecer a tal privada... Desejei, para isso, a vontade de fazer xixi. Poder fazer xixi!... Cocô dentro do trem?! Como seria isso?!

De repente alguém próximo disse para a sua companheira: vou até à latrina. E eu no auge da minha curiosidade pergunto ao pai: o que é latrina? Fico sabendo tratar-se da privada. Sinto inveja daquele rapaz que se dirige até a uma portinha num canto do vagão e entra. A minha curiosidade foi tanta que meu pai se propôs levar-me a conhecer aquele gabinete.

Nesse dia eu fui conhecer a cidade de Formiga, numa visita que meu pai fez a um compadre seu. E eu torcendo para que a viagem de volta pudesse vir a ser de noite... Mas não foi. Portanto, não foi naquela vez que pude ver algo além da privada. Acredito ter sido um dos dias mais felizes de minha vida... Pois não bastaram as emoções de conhecer o trem, viria, também, a emoção de conhecer uma cidade grande, bem maior do que Candeias.

Parece que o povo daquele tempo não tinha muita pressa para chegar ao destino... Era um povo mais calmo e não se irritava com os atrasos constantes dos trens. Não criticavam com veemência, as deficiências da ferrovia... E as viagens, mesmo de negócios, eram transformadas em passeios... ---- Estarei certo ou fortuitamente enganado? Ou quem sabe a ingenuidade de criança ainda perdura em mim?
A chegada do trem de passageiros na estação dava um clima de festa A estação era ponto turístico onde até casais de namorados iam ver o trem chegar e sair. Os carroceiros apostos, entre eles, Juca Cordeiro, Arlindo Barrilinho, Serafim e outros, se movimentavam para pegar as mercadorias que chegavam. Os carregadores de malas abordavam os passageiros e principalmente os caixeiros-viajantes, cujas gorjetas eram polpudas. Logo após, a Rua Coronel Marques, ou melhor, a Rua da Estação, aliás, a primeira Rua de Candeias a receber calçamento; parecia uma maratona... Pessoas que desciam e depois subiam para ganhar o centro da cidade.

Subindo o morro ia o Joaquim Estafeta com aquele baita saco cheio de cartas sendo levado para a agencia do correio.

Posteriormente as marias-fumaça foram substituídas pelas grandes locomotivas movidas a óleo diesel; e os comboios agora maiores ficaram restritos em seus horários. Pois apenas uma locomotiva levava a carga de três marias-fumaça...

Há um tempo passado, eu estive na estação desativada de Candeias remoendo esses quadros de minha infância. ---- Vendo aquele local deserto, sem uma pessoa, ali, naquele momento, senti uma saudade danada daquele dia em que fiz a minha primeira viagem de trem e estive tão feliz naquela plataforma cheia de gente e agora completamente vazia.

Seria inútil tentar arrancar de mim essas lembranças doloridas. Elas entraram pelo cérebro, desceram ao meu coração e lá se acomodaram pelo resto de minha vida.

Armando Melo de Castro
Candeias MG casos e acasos.


terça-feira, 14 de março de 2017

MOTOCICLETA , O RETRATO DA MORTE!

                                                                      FOTO PARA ILUSTRAÇÃO DO TEXTO.

As pessoas idosas morrem de medo da morte, como se a morte fosse um castigo. A morte não é castigo, pelo contrário: a morte, a meu ver, é a absolvição do ser humano.

Grande parte das pessoas, senão a maioria se esquece de que a velhice é que talvez possa  ser o castigo. Mas castigo de quem? De Deus?! Não! Deus não castiga ninguém. Deus dá a todos nós o livre arbítrio para que sejamos responsáveis pelos nossos próprios atos.

Viver muito não é lá essas coisas. Quantas pessoas sofrem no fim da vida, cujo sofrimento pode vir a ser comentado como que pagamento dos seus pecados.

O jovem, contudo, não é tão temeroso porque imagina a morte apenas na velhice. Mero engano. A morte não escolhe hora e nem dia. É como dizem: para morrer basta estar vivo.

A infância e a juventude é a festa deste mundo, a velhice, no entanto, é o fim, é a volta diante de uma pergunta: --- De onde vim e para onde vou?

Semana passada, pela manhã, quando eu caminhava numa Avenida de Juiz de Fora, fazendo uma caminhada, buscando uma agilidade nos meus passos, que se emperram a custa do tempo que me envolve, vi, quando passou entre os carros, uma motocicleta dessas possantes, fazendo um barulho terrível e um zig-zag suicida.

Para mim aquilo seria o espelho da morte e nem quando vi pela primeira vez, num espetáculo de circo, a atração do globo da morte eu pude me sentir tão tenso, tão assustado quase descontrolado diante de comportamento tão aberrante. ----- Diante disso, a sentença vinda sob a jurisdição do tribunal da minha consciência, seria de que aquele motociclista não teria vida longa, pois, estaria a cada segundo colocando-a sobre os riscos da morte.

Segui o meu caminho. E não muito distante dali pude observar uma grande aglomeração de pessoas. Terá sido um acidente? Perguntei a mim mesmo! ---- Aproximei-me e pude ver ali, caído e o seu sangue escorrendo pelo chão um jovem que não se mexia. Era a moto que passara por mim lá atrás.  ----- Um policial se comunicava através do celular, o povo estarrecido rodeava... A moto teria batido violentamente numa caminhonete. Os comentários da boca do povo eram os mais diversos.

Não suportei ficar parado ali. Segui o meu caminho, chocado e pensativo, inebriado e voltado, agora, numa abstração que me levava a sugerir que a estrada da vida, que às vezes pode nos parecer transportar-nos rumo à verdadeira felicidade, pode terminar abruptamente num precipício inesperado.

Nesse momento o meu pensamento me levou a Candeias para me encontrar com um fato que teria ocorrido na década de 50 quando eu acompanhava o meu pai numa visita a um grande amigo.

O jovem candeense Cristovão Teixeira, conhecido por Cristovão do Vico, teria se acidentado numa motocicleta e recebia a visita de vários amigos na casa de seu pai Vico Teixeira.  ---- Eu ainda menino lembro-me de ouvir um dos visitantes, o Sr. Mozart Sidney dizer ao Cristovão: Você é famoso pelas suas peripécias. De hoje em diante lembre-se de uma coisa: “A saúde não tolera desaforos”.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

quinta-feira, 2 de março de 2017

QUEM SOU EU????!!!!

----No dia 11 de fevereiro próximo passado, eu recebi um pedido de amizade através do facebook de uma pessoa que se denominava MÔNICA MARIA.

----Tratando-se de um nome totalmente desconhecido para mim e uma fotografia de uma mulher, tirada à sombra sem a mínima possibilidade de ser identificada além de apenas 15 amigos em comum comigo, resolvi aceitar a pessoa como amiga para posterior verificação.

----E sem muita surpresa, pelo seu estilo, pude reconhecer pela terceira vez, uma pessoa de Candeias, conhecida por todos os Candeenses; que gosta de fazer um perfil faker, porque não tem coragem de falar abertamente; joga no time dos covardes e caluniadores, como já fez uma vez subscritando um boletim como (INDIGANADO). Pessoa pobre de espírito, pobre de cultura, pobre de moral, enfim uma pobre criatura. ----Tão logo eu aceitei a intrusa como amiga vejamos o seu comportamento o que já era de se esperar:

11 de fevereiro 2017
Armando Melo de Castro ----- Seja bem vinda Mônica, grande abraço...

19 de fevereiro 2017 06:52
 Mônica Maria --- Bom Sr.Armando mto bom te lo como amigo Acompanho suas publicaçõesPrecisa de alguém assim aqui na minha cidade.Mas que isso achei que esse Prefeito ia ser bom que horror heim bando de incopetente cidade ta um caos estão dando conta nem de fazer as licitações nao tem carnaval ruas uma sujeira acreditei nele mas onde tem dedo do Pangare sai nada não. Sou eleitora dele pq ainda voto em Candeias prometeu.mta coisa achando q ia fazer milagresNesse mandato sua página vai encher kkk  -----  Ele pior que o.pai. E a Camara até hoje em ? ---- No Camacho já estão a todo vapor
Obrigada por me aceitar Bom Domingo.

Achei estranho e, alguns dias depois, ela fez o seguinte comentário sobre uma postagem minha que não tinha nada a ver com assunto político:

28 fevereiro 2017
Mônica Maria ----- Senhor Armando Melo de Castro passando por Candeias e também acompanhando seu blog percebi que desistiu de lutar !Lamentável ! Ou todos os problemas acabaram ou ficou sem palavras afinal quem manda é a voz do povo!
Descurtir • Responder • 1

TER 12:55
Prezada Mônica Maria, terei o máximo prazer em responder as suas perguntas. Contudo, gostaria de saber um pouco mais sobre você, sua cidade, sua familia, e o que liga você a Candeias. Tenho apenas 15 amigos em comum com você e me parece não terem-na como conhecida. No cadastro no Facebook a senhora não tem nenhum tipo de informação, diz que é estudante de veterinária, mas não informa mais nada, Nem de família, nem onde estuda, nenhuma informação básica, nenhum local de trabalho. Apenas tem um telefone, inclusive DDD 035. Portanto, fale-me um pouco mais de você para que eu possa entender melhor a resposta sobre a sua pergunta. Grande abraço.

TER 15.44
Mônica Maria ----Boa Tarde ! Moro em Timóteo faz tempo mas tenho laços com Candeias pois fui criada ai na região zona rural entre Itapecerica e Candeias convivi mto com os Lamounier e sei das paginas negras que poucos sabem mas isso não vem ao caso admiro seus conhecimentos e torço pelo melhor dessa terra onde pode passar maior parte da minha adolescência. Mas enfim boa sorte pro senhor espero que seu trabalho contribua para clarear um pouco a mente desses políticos de Candeias e dessa Camara que é uma vergonha.Grande abraço

TER 19:00
Armando Melo de Castro ---Olá Dona Mônica Maria, ou Maria Mônica, acho que tanto faz.... Interessante! entendo que a senhora seria a ultima mulher do mundo a admirar as minhas criticas politicas, isso porque tudo sobre a senhora me leva a entender tratar-se de uma pessoa que tenta ocultar uma verdade difícil de ser escondida:
---Primeiro, a senhora diz que reside em Timóteo; naturalmente criou-se lhe no imaginário uma cidade com o nome bíblico, buscando alívio nos seus pecados principalmente quando se intitulou no masculino como INDIGANADO, e caluniou-me, inclusive mexeu até com o nome de minha falecida filha, num boletim podre que poderia talvez retratar a sua própria personalidade, mas para tudo Deus reserva um momento para os justos.
 ---A senhora deve realmente conhecer os problemas políticos de Candeias, eu acredito nisso, mas nada fez para ajudar quando pôde. Como ousa a senhora dizer que reside na cidade de Timóteo se a localização do seu portal da internet é Candeias??????!!!!!!  
---A senhora tem um dos maiores defeitos que pode atingir um ser humano: A SENHORA É MENTIROSA, VERGONHOSAMENTE. Eu conheço a mentira é pelo rastro do mentiroso. As pessoas ao responder-me as mesmas perguntas, as quais eu lhe fiz, dizem o nome dos pais, de parentes e irmãos. A senhora, lamentavelmente não tem muito cuidado quando se propõe a mentir. 
---Parece-me que tenta incitar-me a fazer o mesmo que eu fiz criticando o prefeito anterior, Mas não vou me preocupar com isso, porque mais incompetente, mais mentiroso, mais demagogo, do que foi o prefeito anterior jamais Candeias terá de novo. O ex prefeito, aquele o qual critiquei foi, sem dúvida o pior prefeito da história de Candeias. Explorou o povo candeense com um salário incompatível com o municipio e com a sua incompetência.
---Não tenho o que falar do prefeito atual, primeiro porque ele teve 73% dos votos dos candeenses, segundo porque nem Jesus Cristo, como prefeito de Candeias, daria conta em apenas dois meses, de consertar o buraco que o prefeito anterior lhe deixou como herança. -----Nós candeenses lúcidos precisamos é apoia-lo para que ele como um jovem prefeito, tenha forças para tirar o nosso município do buraco. -
---Quanto a Câmara Municipal que a senhora vem a ironizar, saiba que seria a  ultima pessoa do mundo que teria o direito de critica-la. E a senhora sabe muito bem porque digo isso.... A senhora sabe e finge que não sabe...
------Quanto ao Sr. Pangaré, trata-se de meu amigo, e descendente de família histórica de Candeias e que jamais mereceria alguma critica de pessoa anônima e vulgar, sem tradição e sem histórico político como a senhora. 
----Por tudo isso, Dona Mônica, dar-lhe-ei aqui um conselho: procure entrosar-se com gente do seu nível intelectual (os indignados que escrevem boletins anônimos, caluniando pessoas inocentes), a senhora vai se dar melhor junto do seu meio. A senhora merece o seu meio, afinal é uma indignada.

Suponho que não se faz gostar nem do seu nome verdadeiro. Afinal ele é horroroso pois, tem um sufixo de coisa AZEDA, que  DEGREDA.
 Portanto, sugiro-lhe também, que peça ao seu Santo Timóteo que lhe CONCEDA  uma graça que a faça sumir de Candeias. Vê se vá gastar a sua SEDA explorada em Candeias lá em Timóteo. ARREDA  do nosso meio. Deixe de ficar arrumando nome que lhe SUCEDA

QUA 20:11
Mônica Maria -----Confesso que não entendi nada das suas colocações ,sou prima do atual prefeito e estou mto bem na minha cidade e acho ele um doce de pessoa em momento algum, me preocupei em criar problemas pra ele até pq estou bem empregada em Timóteo e faz tempo que moro aqui vou a Candeias somente feriados duas vezes no ano no máximo. Se um dia vier a minha cidade terei mto prazer em apresentar nossa cidade.Abc

Armando Melo de Castro ----- Não entendeu nada?! Pobre coitada! Já que você quer continuar me enrolando diga-me o nome dos seus pais? Em que comunidade morou entre Candeias e Itapecerica? Cite pelo menos o nome de uma familia sua amiga em Candeias.?

QUART 01 MARÇO 2017
Mônica Maria ----Sr. ARMANDO não se preocupe não quero te causar problemas só fiz um elogio às suas publicações mas não quero entrar em briga política ainda mais que nem moro mais aí. Minha familia é de Resende e meus pais já faleceram mas nao te incomodorei mais.

20:12
Armando Melo de Castro ---Ora, ora, Dona Mônica Maria, não se preocupe, a senhora nunca me preocupou e jamais me preocupara. Eu estou acostumado a reconhecer os Fakers é pelas suas contradições e as pessoas mentirosas pelo rastro da mentira. Como eu já lhe disse, procure a sua turma dos indignados, pessoas do seu nível cultural, por mim a senhora não existe.

20:17
 Mônica Maria ----Já que acha que sou ninguém pq se incomodou?

20:20
É que eu gosto de brincar de gato e rato Dona Mônica. Mas quem lhe disse que eu me incomodei?, Eu disse que a senhora nunca me preocupou e jamais me preocupará. Leia direito professorinha Dona Mônica Maria azeda

Fim da conversa no bate-papo

(Tive o cuidado de fazer o print de toda a conversa.)

Armando Melo de Castro


Candeias MG Casos e Acasos.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

AS LARANJAS DE DONA JULITA.

Certa vez quando eu conversava com o meu amigo Antônio Macêdo, à porta de sua residência, em Candeias, foi quando me deparei com o nome do seu edifício: “Dona Julita” sua mãe. ---- E numa revirada nas gavetas das minhas memórias, encontro-me com Dona Julita, quando ela morou numa casa antiga que ficava onde está hoje, o prédio do Zé do Anjo, ao lado do galpão que estabelecia a sua oficina mecânica. 

Eu tinha os meus doze anos e meu pai havia me colocado como aprendiz na oficina mecânica.  Naquele tempo era assim: o pai chegava a casa e dizia ao filho: eu arrumei serviço para você, vai começar amanhã. Não tinha esse negocio de saber de salário e nem o que iria fazer. Era uma ordem e pronto.

Dona Julita estava sempre costurando ou bordando, na sala e quem passasse pela rua poderia vê-la com a sua filha Ivone enquanto trabalhavam e ouviam rádio. Lembro-me de certa feita, ver e ouvir a Ivone cantando junto com Caubi Peixoto, através do rádio, a canção, “Conceição”, quando esta fazia grande sucesso.

Posteriormente ela mudou-se para uma casa nova na Rua do Capão, hoje Rua Pedro Vieira de Azevedo. Dona Julita mulher de estatura alta, magra, olhar severo, filha do coronel João Afonso Lamounier. Boa mãe, boa amiga e muito brava. Não mandava recados. 

Com essa mudança, a velha casa ficou abandonada e havia por lá um grande quintal com um pomar cheio de pés de laranjas. Eu no verde dos meus anos trabalhava sem remuneração num dos meus primeiros empregos, na oficina mecânica do Zé do Anjo. --- Não existia essa história de patrão dar lanche para empregados. A gente tomava o café da manhã, almoçava às 11 horas e jantava quando voltava à tarde para casa.

Da oficina poderiam ser vistas as belas frutas no quintal daquela casa esquecida; Laranjas baianas, doces e deliciosas que cresciam os meus olhos, separadas de minhas mãos apenas por um velho muro quebrado. ------ Ali os olhos viam; o estômago pedia; o cérebro autorizava e a consciência julgava.

Incentivado pelos colegas, Pato, Patinho, Bento, Carlinhos da Alzira, eu comecei a entrar no quintal da casa abandonada e roubar laranjas para todos.

Até hoje eu sinto o sabor doce dessas laranjas. No meu entender de menino eu imaginara não estar cometendo um roubo. Estaria apenas subtraindo aquilo que estava se perdendo... 

Algum tempo depois, numa quarta feira santa, ao passar pela porta do Sr. Nestor Lamounier, irmão de Dona Julita, pude avistá-la sentada à sala do Sr. Nestor, quando fui surpreendido com o seu chamado: ----- Oi menino da roupa suja vem aqui! -----Eu, com as roupas sujas da mecânica levei um susto danado sendo chamado por Dona Julita a qual foi me perguntando: 

-----Como te chamas? De quem tu és filho? 

Respondi: Meu nome é Armando e meu pai é Zé Delminda. Diante daquele interrogatório e eu com a consciência pesada, tremi dos pés a cabeça. E continuou: 

-----Fiquei sabendo que tu estás roubando as minhas laranjas... 

Respondi de novo: eu não senhora! Eu nunca fiz isso! A senhora está enganada! E ela continuou: 

------ Tu: além de ladrão de laranjas ainda és um tremendo cara-de-pau. Qual outro menino trabalha no Zé do Anjo? És só tu? Vou falar com o Zé do Anjo e com o teu pai.

Naquele dia eu não dormi. Eu chorei e não podia contar o motivo. E pensava: aquela mulher vai me fazer perder o emprego... Vai me fazer tomar uma sova do meu pai. Fui à procissão do encontro e rezei o tempo todo pedindo a Jesus e Nossa Senhora das Dores que me ajudasse. Rezei para todos os santos e em especial para o meu Santo Antônio, mas pensando: eles não vão proteger um ladrão de laranjas, mas parece que todos me ajudaram naquele momento. 

No outro dia, ao chegar à oficina, eu pensei que iria sentir um colapso. Dona Julita bem ali, parecendo estar esperando o Zé do Anjo para me delatar. Mas não. Ela esperava a mim e veio logo dizendo: Oi menino! Eu resolvi, tu podes apanhar as laranjas desde que seja só para ti, para os outros não.

Diante daquela surpresa eu comecei a chorar e não tive o que falar. Minha voz sumiu e fiquei por entender o motivo daquela flexibilidade. Talvez tenha sido pelo fato de estarmos em plena semana santa. Mas eu nunca mais apanhei de suas laranjas. Nunca mais entrei no quintal de alguém. Nunca mais chupei uma laranja que não fosse conseguida de forma lícita. Tornamo-nos amigos; onde eu a via, aproximava-me a cumprimenta-la e mesmo já depois de crescido, Dona Julita me chamava de menino.

Anos depois como pintor de paredes a sua casa foi o meu ultimo trabalho em Candeias, antes de ser levado para São Paulo pelo seu filho Antônio Macêdo, num emprego que me arrumara de contínuo no Banco Mineiro da Produção SA.

Sabendo ela que eu iria dali em diante trabalhar no Banco ela me disse: 

---Tu és um menino bom. Vai se dar bem no Banco. Siga o exemplo do Antônio que tu serás um gerente. -. 

E os anjos disseram AMÉM. Diante dessas palavras me senti perdoado e pensei: que bom, ela confia em mim... Graças a Deus!

Obrigado Dona Julita, onde quer que esteja receba o meu agradecimento carinhoso.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

AS FILHAS DO CHEFE DA ESTAÇÃO!

ANTIGA ESTAÇÃO DE BUGIOS , HOJE DESATIVADA.

A Estrada de Ferro em Candeias representa um grande capítulo da nossa história. Pena que as autoridades constituídas de Candeias, nos últimos anos, vêm sendo totalmente despreocupadas com a história da vida do município.  Seja por incompetência, seja por falta de cultura histórica; seja por falta de amor a terra em que representam ou por completo desleixo. Haja vista a história de Candeias relatada no site da prefeitura Municipal se apresenta cheia de desencontros de todas as ordens, dando a entender que o redator daquele instrumento não teve o menor cuidado nem com o nome das pessoas.

Mas como eu dizia a chegada da Estrada de Ferro à Candeias foi um marco histórico que merecia ser do conhecimento senão de todos, mas pelo menos de uma parte dos candeenses.

Recentemente eu lamentei profundamente quando um jovem de família destacada em Candeias, diante de um computador onde aparecia a imagem de um homem alto e robusto perguntou-me aquele jovem: Quem é mesmo este homem? Dizem que foi importante?  ------ Pois é! Sendo ele nascido e criado em Candeias não sabia que se tratava do Dr. Zoroastro Marques da Silva, o fundador de Candeias, ---- fato lamentável.

Mas voltando à ferrovia, os políticos do distrito de Candeias Coronéis Marques, João Afonso e Américo Paiva, foram aqueles que muito influenciaram para que a linha férrea passasse por dentro de Candeias.

Tendo em vista as dificuldades da época, as obras eram lentas e feitas por etapas. A ferrovia chegou a Candeias no ano de 1898 e foi inaugurada no dia 10 de fevereiro, quando ainda não havia sido construída a Estação de passageiros. A solenidade da inauguração foi feita na residência do Sr. Américo Paiva, com a presença do povo em geral e muitos visitantes, personalidades e autoridades.

A próxima etapa seria Bugios, contudo, isso só viria acontecer em 1903, ou seja, cinco anos depois, tendo em vista a construção de um pontilhão de vigas de ferro no Km. 388, considerada uma obra vultuosa o que atrasou sobremaneira a inauguração da Estação de Bugios.

Nas estações de passageiros situadas na zona rural, era construída, em anexo, a residência para o chefe da estação. E sempre nas proximidades da ultima estação inaugurada, eram estabelecidos os acampamentos dos empregados da empreiteira das obras da ferrovia.

Inaugurada a Estação de Bugios, logo veio ali residir o chefe da estação, acompanhado de sua família composta pela sua esposa e duas filhas adolescentes.

À tarde a peonada se aglomerava na plataforma da Estação, conversando e contando piadas que refletiam a liberdade de expressão chula, num ambiente inteiramente de homens sem mulheres. Se já não bastassem as piadas pornográficas, havia também de dirigir gracejos para as adolescentes; o que fez com que o chefe da Estação procurasse o mestre de obras, chefe dos peões trabalhadores, um português muito enérgico, e pedisse-lhe uma providência no sentido de impor respeito à sua família que estava ali a mercê de um comportamento despropositado.

O português mestre da obra, que era um elemento bastante expressivo, se prontificou a tomar uma providência urgente assim que teve conhecimento do caso, e se apressou em atender o chefe da estação, já marcando uma reunião, ali mesmo, na plataforma da estação, com os trabalhadores. A reunião seria por volta das cinco horas da tarde quando já teriam parado o serviço. E para que as coisas ficassem bem claras, fez questão da presença da esposa e das filhas do Chefe da Estação. Chegada a hora, o chefão se dirige à turma e começa:

Olha aqui seus curalhos tarados, estou sabendo que estão a pronunciarem palavrões perto da senhora dona do chefe da Estação e das rapariguinhas suas filhas. Sei também que estão de olhos atolados nos traseiro delas ---- Palavrões como ku, bruxetta, curalho estão sendo esporrados à vontade e sem respeito. ------ Então prestem bem atenção no que tenho a lhes dizer seus tarados: A partir de amanhã aquele que continuar fazendo essa suruba de palavrões da putaria, eu vou comer-lhe o ku sem dó e sem piedade.  Troquem os seus rabos ai pelo meio do mato, desafoguem as suas carências com algum pederasta, mas deixem essas senhoras em paz. Ouviram seus filhos da puta!

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O MEU AMIGO CARNEIRO.

                                               Carneiro e Armando, 26/03/2013

No final da década de 50, durante a gestão do prefeito Dr. José Pinto de Resende, ---- o prefeito que remodelou Candeias, ----vieram da cidade de Campo Belo, diversos profissionais para participar das obras da cidade.

Para comandar o começo do calçamento em paralelepípedos, veio o Sr. José Gomes, acompanhado de sua equipe. Entre eles os seus dois irmãos Maré e Nelson e o parente, José Carneiro.

Chegando ao final da tarefa que lhes competia, José Gomes e seus irmãos retornam às suas origens ficando para trás o amigo dos candeenses, Carneiro, que se juntou a nós para participar da nossa história.

Carneiro casou-se com a jovem Doca, filha do Sr. Joãozinho da Fazenda, e na constituição da sua família nasceram três filhos, sendo, Cleber, Sandra e Izabella.

Amigo e pai de família exemplar, foi o candeense por adoção José Carneiro. Ele Viveu maior parte de sua vida em Candeias participando da construção da nossa história. ----- Seresteiro conservador. ----- Grande admirador do esporte e era um excelente jogador muito disputado pelos times de Candeias, Clube Atlético Candeense e Associação Esportiva Candeense. Como servidor público, Carneiro foi um exemplo de admiração e respeito.

Convivemos muitos anos como vizinhos.  Carneiro e família sempre foram aqueles vizinhos que todos gostariam de tê-los.

Certa feita, quando lhe visitava, ele me contou como foi o dia em que conheceu Candeias, e pareceu-me que gostava de se lembrar desse dia.

Teria vindo de Campo Belo, um time de futebol para jogar com a Associação Esportiva Candeense, numa época em que os times regionais disputavam o Torneio das Águas. O futebol de Candeias era nesse tempo muito bom e o Esparta e o Comercial de Campo Belo eram os grandes adversários.

Nesse dia Carneiro acompanhou a “embaixada” de Campo Belo, junto de seu grande amigo, um dos melhores jogadores da agremiação que iria enfrentar o time Candeense.
Esse amigo do Carneiro, que andava empencado de ouro, ou seja, com grossos cordões no pescoço, relógio, anéis e um boné muito bonito, pediu ao carneiro fizesse o uso de suas joias para que essas não estivessem em risco nos vestiários do campo.

Numa velha casa localizada onde atualmente se encontra a Prefeitura de Candeias, era ali a sede da A.E.C. onde eram recebidos os visitantes.  Nesse local o jogador passou as suas joias para o Carneiro protege-las.  Dali, ao descer para o campo, Carneiro ornamentado com as joias e o caro boné, defrontou-se com um grupo de moças à porta da Farmácia do Julinho, na esquina da descida para o campo.

Ao ver o Carneiro empencado de ouro e com os dedos cheios de anéis e a cabeça coberta por um lindo boné, uma das moças gritou forte chamando a atenção das demais: “Gente! corram venham ver o crioulinho mais metido do mundo”.

Carneiro gostava de contar essa história e foi nesse dia que ficou conhecendo Candeias, depois veio definitivamente para nunca mais voltar.

Grande Carneiro, grande amigo! Que Deus o tenha bem guardado, porque você fez por merecer. Pessoas assim são como disse o escritor Guimarães Rosa; elas não morrem apenas se encantam para passar a viver nos corações de seus admiradores. Portanto, onde quer que esteja designado por Deus, receba o meu abraço. E nesta humilde homenagem, não poderia deixar de registrar uma canção de Nelson Gonçalves que você sempre a cantava nas suas serenatas. Por mais de uma vez, na minha casa, nos despertamos na madrugada com você nos brindando com o seu violão, mostrando essa música que sempre esteve entre as suas preferidas. Fato que entra pelo meu cérebro e desce ao meu coração para nunca mais sair.

Amigo Leal (Nelson Gonçalves)

Escute meu grande amigo ---- preste atenção no que digo: -----vim despedir-me de ti! Trocamos um abraço forte ---- desejos de boa sorte  --- e, incontinenti, eu parti. ----A tristeza mal contendo --- até hoje estou vivendo ---- como o meu destino quer. E esse amigo até agora----- não sabe que eu vim embora ---- por causa de uma mulher. --- Pra não cometer um erro ---preferi este desterro ---- com toda a resignação. ----Pra eles a vida é bela, ---- hoje ele vive com ela, --- e ela no meu coração.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos