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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

UM FEITICEIRO CANDEENSE.


As pessoas que têm alguma noção da tabela periódica, naturalmente deverão conhecer alguns símbolos principalmente dos metais mais conhecidos. Saberá, por exemplo, que Al é o símbolo do alumínio; Ag é o símbolo da prata, Fe é do ferro; Au é do ouro; Zn é do zinco Pt é da platina; e Cu é do cobre.

---- Cu pode ser também, segundo os dicionários do nosso vernáculo, o fundo de uma agulha. Mas ninguém se lembra disso. As pessoas têm um sinônimo pejorativo na cabeça; ou melhor, um cu diferente na cabeça. Portanto, eu quero dizer aos meus amigos que eu não estou sendo pejorativo; eu estou me referindo ao símbolo do cobre;  e se a palavra for entendida por buraco, que seja o buraco do fundo da agulha.

Mas mudando o assunto de pau para cavaco, dou uma mergulhada no oceano das minhas memórias e encontro o meu avô, nascido no ano de 1884 e falecido em 1960.

Meu avô cujo nome era João José de Castro, foi muito conhecido por João Delminda. Acontece que a minha bisavó se chamava Delminda, dai João da Delmina que virou João Delminda; vieram os filhos, Zé Delminda, meu pai, João Delminda, Wantuil Delminda meus tios e Chico Delminda, o caçula dos meus tios, com mais de oitenta anos, felizmente ainda vivo. Superficialmente éramos conhecidos como a “Família dos Delmindas”.

Era o  meu avô muito conhecido pelo seu linguajar espontâneo e sua maneira franca de ser. A liberdade de pensamento estava contida no seu comportamento aberto. Isso fazia parte da sua natureza de homem justo e honesto. Assim, muitas das vezes, ele era tido como pessoa rude porque a sua forma de expressar, em determinadas discussões, podia não ser aceita, então, pelos princípios da hipocrisia social. ---- Foi um professor autodidata muito competente; era sempre visto com um livro nas mãos e discutia com qualquer um, quaisquer assuntos e não se enrolava. Não era supersticioso e sim muito realista. Não se envolvia com assuntos sem base na razão ou no real conhecimento. Portanto, não temia coisas inócuas.

Na Rua Pedro Vieira de Azevedo, esquina com a Rua Maria Rita Lara, descendo para o Bairro Rio Branco, havia ali um barranco e nesse barranco uma casa de construção rude e pobre, onde residia um senhor negro, idoso, olhar severo, cabelo e barba grisalhos. Enfim, era uma boa mostra de um “preto velho”. Chamava-se Joaquim Fortunato e o povo de Candeias tinha muito medo dele dada as suas feitiçarias, seus trabalhos espirituais relacionados com o demônio.

Joaquim Fortunato era conhecido como um feiticeiro eficiente e temido pelas pessoas crentes nessas questões. As pessoas que tinham medo de feitiço sequer passavam defronte a sua casa, Muita gente o procurava à noite ou nos encontros em altas noites no Cruzeiro do Josino localizado no alto da serra.

Meu avô tinha uma chácara cuja entrada ficava logo abaixo da casa de Joaquim na Rua Maria Rita Lara, cujo acesso o levava a passar à porta de Joaquim Fortunato.

Certo dia, numa dessas passagens, Joaquim chamou meu avô e lhe disse: “João, eu tô sabeno que ocê andô falando de mim, que sou um pobre coitado, que num sei de nada e dá risada dos meus trabaio. Eu quero só te fala João, cê daqui pra frente toma cuidado cumigo, se ocê tem um santo de fé pode começa a rezá porque eu vou te ajeitá”. ----

Meu avô deu uma rizada com vontade e disse: falei Joaquim e repito para você, falei que você é um charlatão que vive tomando dinheiro dessa gente humilde e ignorante que acredita nessas suas mentiras e palhaçadas. 

Diante disso, Joaquim ficou enervado e arrematou: “Ocê vai vê! O que qui é paiaçada”.  

Nesse momento meu avô disse-lhe, quem vai ver é você, e abriu as calças mostrou a bunda: “Olha aqui, seu feiticeiro de merda, ponha o seu feitiço aqui no meu cobre e se eu sair dando o cobre por ai, eu posso vir a acreditar nessas suas patacoadas.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

sábado, 9 de dezembro de 2017

CANDEIAS! NO RETROVISOR DA MINHA VIDA.


Hoje, 08 de dezembro de 2017, eu dando uma olhada no retrovisor da estrada da minha vida, vejo que fazem 59 anos que a minha turma de escola, abaixo mencionada, se reunia para receber o certificado de conclusão do curso primário. Isso aconteceu no dia 08 de dezembro de 1958.

Naquele tempo uma formatura do Grupo escolar Padre Américo (Hoje Escola Estadual Padre Américo) era uma grande festa. E a nossa festa não foi diferente.

Realmente, diferente era a filosofia escolar. Embora as condições das escolas fossem fracas e deixassem a desejar, os alunos saiam mais bem preparados. A disciplina era rigorosa e a ação da professora não era somente o ensinamento escolar. A professora era considerada “segunda mãe” e o que uma professora falava, estava falado; fato extremamente importante para um aluno no verdor dos anos. Interessante, e eu sinto isso hoje, é que o relacionamento entre aluno e professora era muito diferente, era um relacionamento bem mais familiar do que se vê nos dias atuais.

As provas eram muito mais difíceis do que atualmente. Não havia recurso para quem fosse reprovado. Eram duas provas: oral e escrita. A prova oral era aplicada por uma professora diferente daquela que teria sido a doutrinadora. E a prova escrita era corrigida na cidade de Formiga. Tínhamos que ficar aguardando o resultado. Quem não fosse aprovado teria que repetir o ano. Lembro-me, e jamais me esquecerei de que no ano de 1956 a minha classe foi praticamente toda, reprovada, “bombardeada”, graças aos problemas de transferência de uma professora.

Nesse dia da nossa formatura, o cinema ficou superlotado, o nosso paraninfo foi um deputado vindo de Belo Horizonte, muitos discursos e monsenhor Castro esnobou o seu discurso dentro da sua maravilhosa eloquência e o seu vasto poder de oratória.
Depois disso, cada um tomou o seu rumo. Uns ficaram em Candeias, outros foram para fora a fim de continuar os estudos; e outros acompanharam os seus pais indo morar em outros lugares.

Felizmente, a nossa professora do ano de 1958 que assinou o nosso certificado, ainda é viva e está em Candeias. Trata-se da senhorita, Maria do Carmo Bonaccorsi. – Também recebeu a assinatura da então diretora, já falecida, a senhora Maria do Carmo Alvarenga e do Inspetor, Sr. Nestor Lamounier. ---- O inspetor era escolhido e nomeado pela política e poderia ser um leigo. O Sr. Nestor Lamounier era mecânico e teria sido nomeado Inspetor escolar, como muitos outros constantes na história da educação candeense, como Miguel Albanez e num tempo mais remoto, o Sr. Américo Paiva, um grande benemérito do ensino em Candeias.

Hoje, desse tempo só resta lembranças. Estamos idosos. Tornamo-nos avós e bisavós; outros já faleceram ou se encontram doentes.

Eu quero nesta oportunidade, abraçar a todos os meus companheiros dessa confraria, e àqueles que já foram levados por Deus, recebam também o nosso abraço, onde quer que estejam.

Alunos que receberam o certificado de conclusão do curso primário no dia 08 de dezembro de 1958 no Grupo Escolar Padre Américo, sendo professora, a Srta. Maria do Carmo Bonaccorsi, Diretora, Sra. Maria do Carmo Alvarenga, e Inspetor, Sr. Nestor Lamounier:

Antônia Aparecida Vilela, Antônio Italo Freire, Armando Melo de Castro, Clarice Alvarenga, Helio Melo da Silva, Jadír Melo, Jesus Alves Resende, João Faria, José Gonçalves, Márcio Miguel Teixeira, Marlene Aparecida Martins, Marli dos Reis Alves, Nelli Manda Ramos Melo, Neri Ferreira Barbosa, Odete Lopes da Trindade, Raimundo Ferreira de Oliveira, Renê Ferreira de Oliveira, Sebastiana dos Santos, Sebastião Alves Resende, Silvio José Rodrigues, Silvio Lopes da Silva, Teresinha Luiza Alves, Teresinha Mori, Zélia Alves Alvarenga e Zilene Vilela Alvarenga.

Eu gostaria muito de receber notícias de todos esses amigos e ou familiares.


Meus colegas de outros anos do curso estão nesta página do nosso Blog CLIQUE AQUI :
https://candeiasmg.blogspot.com.br/2011/01/meus-colegas-de-escola.html


Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

SETE ANOS PARA CRIAR VERGONHA!?


Eu não acho que todos os políticos sejam ladrões. É verdade que o número é muito reduzido, mas existem políticos honestos, poucos, mas existem.

Não seria bom considerar todos eles como ladrões e canalhas, isso porque nós não podemos viver sem a política, e agindo assim, com certeza, estaria beneficiando a parte podre da política.

Não podemos ocultar, também, que os eleitores são corruptos, e como são!... Aliás, está nos eleitores a parte maior da corrupção na política. O eleitor que vota visando interesse próprio é corrupto... O eleitor que vende o voto é corrupto... O eleitor que vota porque achou o candidato bonito, ou porque fala bonito, é corrupto. O que não confere a propaganda do candidato é corrupto. Todos que votam sem a filosofia do voto são corruptos. O eleitor que vota em branco ou anula o seu voto, a meu ver, tem sido os eleitores mais honestos no Brasil.

Devemos nos entender que a nossa política chegou a um ponto extremo, onde todo aquele que se elege para um cargo público é como se estivesse fazendo um curso para ladrão, corrupto, sem vergonha e safado. E aqueles reprovados, são na verdade, os honestos.

O legislativo brasileiro tem 55 dias de férias, contudo, apenas 8% dos participantes do congresso nacional participam de todas as reuniões durante o ano. Por ai dá para ver que a corrupção vem de todo jeito.

Enquanto o eleitor brasileiro não deixar de ser corrupto, o Brasil não terá conserto, porque político não cai do céu, não nasce em árvore e só vem do povo.

Ontem, o deputado Tiririca, após sete anos como um dos deputados mais votados do país, criou coragem de ocupar a tribuna da Câmara Federal, pela primeira vez, e dizer que seria a primeira e a última.

Em todos esses anos ele nunca fez isso, o que seria o seu dever como parlamentar. Mas numa discussão com um seu colega de corja, ele saiu ofendido verbalmente quando o seu agressor censurou-lhe por nunca ter ocupado a tribuna e mostrado a sua voz.
Naturalmente, como uma reação obrigatória no sentido de livrar a sua moral, a posteriori, resolveu subir à tribuna e fazer um apelo que já deveria ter sido feito há muito tempo. Disse que é honesto, como se isso fosse um mérito e que os demais não trabalham. Fez-se de coitado e naturalmente falou aquilo que o povo humilde gostaria de ouvir.

Enfim, fez lá um sentimentalismo extremamente barato para quem foi o deputado mais votado de São Paulo, tendo pelo número de votos puxado mais quatro ou cinco deputados fracassados e eleitos com os seus votos de protestos favorecidos com as aberrações das leis eleitorais brasileiras.

Sete anos no congresso nacional e naturalmente um estranho no ninho. --- Por que então Tiririca não se renunciou logo que assumiu o cargo? Por que não dá o nome aos bois? Por que não abre o bico com vontade? Por que não denuncia nada? Por que não falou de seus projetos? Por que não deixou bem esclarecidas todas as mordomias. Por que não muda a sua postura com relação ao seu ultimo ano de mandato? Mas não!!! Preferiu ficar choramingando como um pobre coitado ali na frente de alguns parlamentares, naturalmente todos do baixo clero como ele.

O seu discurso da tribuna foi para um plenário vazio, dando uma de bonzinho, de envergonhado, de triste e isso não irá ajudar em nada.

Ele não disse coisa com coisa. Limitou-se a dizer de tristeza, de vergonha, sem fazer referência ao âmago do seu mandato. Afinal, quais foram os seus projetos? Interessante é que em oito anos de mandato, graças a mais de dois milhões de votos dos paulistas, Tiririca vem agora, querer sair numa boa da politica não se candidatando de novo? Ele já sabia que era assim, pois, o seu bordão de campanha é de que pior com ele não ficaria, mas ficou, porque ele não fez nada.

Mesmo em atraso deveria subir, agora, à tribuna e denunciar alguma coisa e não apenas comentar. Ele ainda tem um ano de mandato e poderia fazer muito nesse ano.  Mas não! Disse é que não vai falar mal de ninguém, e não disse sequer o nome daquele que o agrediu verbalmente.

É o povo irresponsável votando num palhaço de fato que se imaginou talentoso para um palhaço do sentido figurado. Ninguém está rindo da sua atuação Tiririca. Você trocou de picadeiro e de máscara. É melhor você voltar para o seu circo, afinal esse ai não lhe pertence. E quando você diz que aprendeu muita coisa, tenho pena de você, pois tudo indica que estupraram você nesse picadeiro.

Ai você não precisa de máscara. Lembre-se, falar nessa tribuna, de trabalho, vergonha, honestidade, caráter, isso é piada... E piada das boas.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

GENTE GROSSA É A MESMA COISA!



Na década de 50, no meu tempo de escola, havia em Candeias um senhor que se chamava José Souto. Era um senhor de estatura média, contava mais ou menos uns sessenta e tantos anos, cabeça coberta por um chapéu de lebre, já de bom uso, e era visto sempre empanado num terno de brim descorado; nariz fino, e um longo bigode ocultando a boca. Falava alto. E um papo com ele dava para notar que era bastante teimoso. Tinha por profissão o artesanato e era especializado na fabricação de tachos de cobre.

Ele morava onde hoje está localizada a loja “Confecções Santos”, bem no principio da Rua Coronel João Afonso nas proximidades da Igreja Matriz. As pessoas que moravam por ali, ou seja, nas imediações da igreja Matriz, gostavam de dizer que moravam atrás da igreja, dando a impressão de que eram privilegiadas de Deus, por serem vizinhos. À bem da verdade, pecadores é que não faltam entre aqueles que pensam que são preferidos pelo Pai Celestial.

Sua casa era um chalé de portas e janelas verde cana. Num dos portais das janelas da frente, havia um prego onde ficava constantemente dependurado um pequeno tacho de cobre, para que os passantes vissem que por ali se vendia tachos. Aliás, eu nunca mais vi falar que alguém em Candeias fabricasse tachos de cobre.

Zé Souto não gerou filhos. Mas criou uma moça que também não se casou. Não lhe seria muito fácil arrumar um candidato, porque não estava acostumada a enfrentar o batente; uma figura corpulenta; barriga crescida e seios enormes, rosto isento de afeição e era o tipo da mulher que não conseguiria despertar a nenhum homem algum tipo de desejo. E para completar, ficava horas à janela de sua casa falando da vida dos outros.

A esposa de Zé Souto era magra e alta. E ela mais aquela sua cria eram como unha e carne. À frente da casa tinha duas janelas, sendo a porta de entrada ficava ao lado. As janelas estavam sempre ocupadas pelas duas, que mais pareciam duas comentaristas de futebol.
Enquanto isso Zé Souto estava lá pelos fundos da casa martelando os seus tachos. Quem passasse por ali naturalmente ouvia o batido do seu martelo sobre o cobre.

Esse trio não perdia nenhuma solenidade na Igreja. Em qualquer solenidade lá estavam eles. Eu nunca os vi noutro lugar a não ser à porta de casa ou na igreja.

Na missa das seis, aos domingos a presença do trio era sagrada. Logo que terminava a missa vinham eles: Zé Souto atrás e as duas mulheres na frente. A filha fazendo o relatório do que viu na igreja, a Mãe prestando a maior atenção; e o Zé atrás observando.

Maria dos Baiões era uma mulher que se separou do marido e logo caiu na gandaia. Moça nova, pouco tempo de casada, estaria até açucarada como diziam os afoitos do sexo. Com a saída do marido de casa, ela já abriu logo a academia onde abriria as pernas. ---- Franga nova e bem temperada com pó de arroz e perfume Madeira do Oriente, Maria se tornou numa iguaria rara, num pastel sem igual e num prato tão saboroso que a rapaziada e até os velhos queriam provar o sabor do pastel.  O nome de Maria dos Baiões rolava nos quatro cantos da cidade e o cachê era alto.

Mas Maria apesar daquela aparente felicidade no meio da “homaiada” não era bem o que queria. Nesses encontros clandestinos, acabou-se apaixonando por um jovem que lhe prometeu futuro. E ela deixou aquela vida e resolveu bater nas portas da casa de Deus. ---- Começou a frequentar as missas e num certo dia resolveu experimentar a hóstia consagrada. ----

De volta da igreja para casa, o famoso trio Zé Souto, sua esposa e a filha, quando viravam a esquina próxima a sua casa, a filha de Zé Souto na sua peculiar arrogância, expressando-se em bom som, disse sem olhar para trás: “A sinhora viu madrinha, aquela descarada da Maria dos Baiões cumungano? Eu não sabia que puta pudia cumungá não -- isso num é proibido”!?

Maria que estava a uns cinco passos atrás ouviu o comentário a seu respeito, adiantou o passo e parou bem na frente dos três e disse: -------“Cala essa boca cachorra! Cê tem é inveja de mim purque ninguem te come. Eu é purque comunguei sinão eu ia era te manda pá puta que te pariu”!!!

É isso ai; gente grossa é a mesma coisa!

Armando Melo de Castro.

Candeias MG Casos e Acasos

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

AH! SE OS PORCOS VOTASSEM!


Sabem por que acontece essa vergonha na politica brasileira? Tanto roubo, tanta corrupção, tanta falcatrua? É fácil saber. Acontece que o cidadão brasileiro, os mais pobres e mais humildes, os mais roubados; os desempregados, os carentes de tudo? Aqueles que têm o maior número de votos? Esses cidadãos, a bem da verdade, são a causa involuntária dessa imundície politica que vive a nação brasileira.

Eles foram convencionados desde o império, a ter medo dos políticos; medo dos juízes, dos delegados, das polícias militares, dos promotores, dos padres e dos ricos. Essas autoridades precisam ser respeitadas, mas temidas jamais.

A maioria dos cidadãos não sabe e não conhece os seus direitos constitucionais; não tem conhecimento do amparo previsto através do Artigo 5º da Constituição Federal que dá ao cidadão brasileiro garantias e direitos fundamentais e entre eles o mais importante que é o principio da igualdade. ---

A liberdade de expressão é o direito de qualquer um de se manifestar, livremente, opiniões, ideias e pensamentos --- Isso não é coisa inventada por essa classe podre de políticos brasileiros, trata-se de um direito humano, protegido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 e consequentemente levado às constituições da maioria dos países democráticos.

Verdadeiramente os políticos brasileiros detestam essa liberdade do cidadão, e não é raro vê-los combater esse direito constitucional e se pudessem já o teriam arrancado da constituição. O que não podemos é confundir liberdade de expressão com calúnia, injúria ou difamação.

O cidadão precisa saber ainda dos seus direitos ao acesso à informação previsto, também, no Art. 5º da Constituição Federal. --- Todo cidadão tem direito de receber informação dos órgãos públicos de seu interesse particular ou de interesse coletivo. Qualquer cidadão pode ir numa repartição pública e exigir a informação que precisar sobre atos de governantes, seja quem seja, Presidente da República, governadores, deputados, prefeitos e vereadores. A informação nas repartições públicas é uma obrigação legal.

---- E tem muito mais coisas que o cidadão precisava tomar conhecimento para que essa lambança que envolve o Brasil pudesse melhorar. Mas o medo, infelizmente domina o povo brasileiro e com isso os políticos fazem o que bem querem. Se o povo só sabe reclamar, mas não sabe exigir, a coisa ficará sempre no mesmo lugar. --- Não duvido nada de que nas próximas eleições  o Lula ainda venha mostrar prestígio político. Não duvido, ainda, de que a minha pobre terra Candeias, também continuará jogada às traças. ------ Lula me faz lembrar a famosa frase de Orson Scott Card: "Se os porcos pudessem votar o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado".

Um amigo meu, de Candeias, me disse que não sabe como eu tenho coragem de escrever certas coisas aqui na internet e eu lhe respondi: --- A filosofia diz que o medo e a coragem andam juntos e quando deixamos de alimentar a coragem para alimentarmos o medo, acabamos debaixo da ponte, contudo; alimentando a coragem podemos construir muros e pontes. -----. 

A maioria dos políticos de Candeias, que os considero do baixo clero, incompetentes, e cegos de conhecimento e que se meteram  a ser políticos sem saber onde estavam os seus narizes, tentaram me processar pelas criticas que eu fizera sobre eles. Foi pena que só  tentaram; até torci para que fossem avante, mas foram desencorajados. --- 

Sobre os políticos de Candeias, prefiro nem falar mais nada, eles me venceram pelo cansaço,  afinal, reconheço que o povo de minha terra têm os políticos que merece. 
Depois da eleição de 2016; após tantos. avisos, o eleitorado repete o voto em incompetentes; numa oligarquia já sacramentada pelos erros e pela incompetência? Não! Não dá para falar mais nada. Deu para ver que o eleitorado de Candeias, em sua maioria, não está nem um pingo preocupado com Candeias. Tudo tem limite inclusive à ignorância!... Infelizmente a maioria do povo candense, está pago para não reclamar. E viva o Estado de Direito Democrático, onde somos todos iguais à medida em que nos desigualamos.

Armando Melo de Castro.


Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

CONSCIÊNCIA, NEGRA OU BRANCA?


Comemora-se hoje, 20 de novembro, esse famigerado dia da Consciência Negra, que a meu ver não tem consciência nenhuma, nem dos brancos e nem dos negros. Fala-se de um Zumbi e mostram uma foto arrumada. Afinal quantos Zumbis existiram? ----Concordo que se faz necessário um debate sobre o tema, mas não da forma com que vem sendo feito.

O Brasil foi o ultimo país da América a abolir a escravatura; mas não podemos nos esquecer de que nem todo negro foi escravo na essência da palavra. Havia muitos negros que eram considerados verdadeiramente da família dos seus senhores; as mães de leite; as benzedeiras e os curandeiros. Existiam aqueles dos quais os senhores não abriam mão, pois eram como verdadeiros filhos; como apenas um exemplo, foi o caso de Cruz e Souza, um orgulho para o Estado de Santa Catarina, um Estado cuja maioria é branca.

E assim vai, até chegar aos rebeldes existentes em quaisquer segmentos da sociedade. Eu não quero com isso dar a entender que sou a favor do regime escravo, jamais, mas a abolição da escravatura foi um movimento desorganizado que já de pronto deixou o negro desprotegido e até hoje se encontra desorganizado. É patente que tudo que começa mal, torna-se mais difícil.

Naquele tempo não havia tantos negros mortos; não havia tantos negros presos e processados; não havia tantos negros doentes morrendo a míngua e passando fome como existem hoje. Faltava-lhes a liberdade que suponho que não lhes foi dada com a abolição.

A situação do negro hoje em determinados casos está pior do que naquele tempo. Essa abolição nunca existiu como deveria ter existido. Aboliram os escravos e os deixaram desamparados. Festejaram a liberdade e como não tinham para onde ir, muitos voltaram aos seus senhores, agora sim, sem nenhum amparo e tidos como estranhos. E muitos escravos que amavam os seus senhores nunca levaram em consideração essa abolição que nunca, verdadeiramente, existiu.

O negro continua escravo e sem amparo governamental. Um país sem segurança, sem escolas, sem educação pagando um salário de R$930,00, evidentemente ainda não aboliu a escravidão. Os políticos fazem demagogia usando a inferioridade social para explorar os seus votos. E os mulatos filhos de negros e brancos, estão sempre em cima do muro e caindo para o lado que lhes convém quando não são igualmente prejudicados junto aos brancos e negros. Os mais esclarecidos se dizem negros como se negros legítimos fossem na hora de buscar benefícios como o caso das cotas da universidade. 

A escravidão no Brasil continua, e hoje entre brancos e negros. E os políticos brancos e pardos, continuam explorando os negros até hoje sem liderança.  ----- Para mim o Brasil não tem racismo, tem sim, preconceito entre ricos e pobres. – Aqui alunos negros e brancos estudam juntos na mesma escola; frequentam a mesma sociedade – basta ver outros países onde existe um separatismo diferenciado.

 Aqui em Juiz de Fora, por exemplo, a gente não anda 100 metros sem ver um casal de negros e brancos. Essa mistura étnica brasileira que encanta os padres holandeses está presente em todos os cantos. -----

Os negros e brancos precisam de uma consciência, mas não negra e sim humanitária, religiosa e de uma política honesta. O dia que os políticos bandidos deixarem de usar os negros para se elegerem a vida do negro vai melhorar. Falta aos negros se organizarem, como sabem organizar o carnaval e o futebol. Falta ao negro impor respeito não como favorecido de um governo branco, mas sim através uma liderança negra como a de Nelson Mandela.

O negro precisa ser visto como brasileiro; precisa parar de acreditar nas mentiras dos políticos populistas; precisam lembrar que são brasileiros que nasceram aqui, que vivem aqui e aqui é a sua pátria. Esquecer essa história de “AFRO” isso só vai separar ainda mais o negro do branco, aliás, uma coisa que o Partido dos Trabalhadores sabe fazer muito bem apoiando esses movimentos, esses debates mal organizados, politiqueiros e demagogos.

Portanto, eu acho uma falta de propósito essa história de Zumbi, e esse feriado mal organizado. 
Afinal, entre tantos desencontros, eu pergunto: Por que o dia 13 de maio, feriado instituído pela Velha República deixou de ser feriado? Naturalmente os falsos ídolos negros não o quiseram devido a Princesa Isabel ser branca. E desde então criaram essa história de Zumbi que serve apenas para fermentar o desencontro ideológico entre as partes, sem que seja reconhecido o valor do negro. ----- O feriado de 13 de maio não poderia nunca ter sido abolido e se o foi o motivo esta na cara que se tratou apenas de uma exploração política. 

O 13 de maio seria a data própria para discutir essa questão do racismo; para conscientizar as crianças e jovens e não a criação de um feriado totalmente desorganizado, para fermentar um racismo alimentado pela politica porca e bandida. 

Eu tenho muitos amigos negros; amigos da minha mais querida intimidade e das diversas camadas sociais. Nunca observei um gesto de racismo entre mim e eles. Muito pelo contrário, vários deles estão entre os meus melhores amigos conquistados durante a minha trajetória como gerente de Banco quando morei em mais de dez cidades. Pude ver nesse ínterim que o racismo divulgado, principalmente pelas lideranças negras não é tão real; não se trata de um reconhecimento e sim de um oportunismo político entre brancos e mulatos. Falta aos negros apenas respeito politico que poderá ser conseguido apenas quando os negros se organizarem politicamente.

O racismo já observado por mim, inclusive quando fui chamado de branco dentro de um clube de maioria negra, foi de um segmento vitimado por essas informações erradas que faltam aos negros de hoje. LEIA: https://candeiasmg.blogspot.com.br/2012/05/lira-dos-meus-dezoito-anos.html 

Portanto, a consciência negra, a meu ver, não vai chegar a lugar nenhum colocando negros e brancos em conflito.

O meu desejo e a minha consciência é de que “Nego” e “Nega” possam continuar a ser um adjetivo carinhoso e qualificativo de marido e mulher, assim como somos eu e a minha cara-metade.

Candeias MG Casos e Acasos
Armando Melo de Castro.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O BANDIDO DO COLARINHO BRANCO.



Sendo mineiro e bairrista como eu, não seria de causar espanto algum aos eleitores de outros Estados da federação, caso conhecessem a dignidade da história mineira que retrata os mineiros que votaram em AÉCIO NEVES. ------ 

É lamentável que após ter sido seu fiel eleitor desde a sua primeira eleição para deputado, ter que vê-lo chamado de bandido, criminoso, ladrão do dinheiro público, numa ampla exposição através da grande mídia... ---- Tomar conhecimento de seu relacionamento com fitas gravadas tornando-se obvio os seus crimes e seu verdadeiro caráter chulo... -----Tê-lo indigno não somente do meu voto, mas dentro de sua própria família, quando levou à prisão a sua própria irmã e um primo que o assessorava. 

---- AÉCIO NEVES é um traidor dos mais miseráveis. Traiu os seus ancestrais; traiu os seus eleitores; traiu a sua família, traiu a história mineira onde nasceu a liberdade. Traiu a Inconfidência Mineira; o Manifesto dos Mineiros; a República do Café com Leite e a participação dos mineiros na redemocratização do país. ----- Grandes nomes de mineiros tiveram ampla participação nesse processo, entre eles, Afonso Penna, Juscelino Kubitschek, Itamar Franco e Tancredo Neves (como Primeiro Ministro antes da revolução de 64). ----- Tivemos, também, a participação de muitos ministros, entre eles, Milton Campos, Gustavo Capanema e José Maria Alkmin. 

----Os mineiros sempre se sentiram honrados com a sua história política; com a dignidade de seus políticos; com o respeito à causa pública. E, no entanto, aparece, agora, um bandido da pior espécie, e pior ainda: descendente de um homem honrado que amava o Brasil, que morreu pobre e dedicou toda a sua vida ao Brasil. Esse homem era Tancredo Neves. Tancredo que enquanto os políticos do rabo preso eram expulsos do país por corrupção, Tancredo conversava, enfrentava ditadura militar não como revolucionário, mas sim com a força do diálogo na busca das “Diretas Já”. 

Esse crápula que atende pelo nome de AÉCIO NEVES, se tivesse um pouquinho de dignidade e de vergonha na cara se renunciaria ao cargo que sete milhões de mineiros traídos lhe deu. Mas não. O bandido continua, agora, na busca de artifícios falsos diante do óbvio. Descaradamente falando em defesa de si, falando em defesa do indefensável. Afinal ele sabe que a Justiça nem sempre é cega. 

----- É preciso testemunha de vista para atestar a autoria dos crimes de corrupção cometidos por AÉCIO NEVES? Não, não e não, nos responde a razão, o bom senso e a realidade dura. O que poderia ter levado AÉCIO a trair os sete milhões de eleitores que o elegeu? Um politico bem sucedido, sempre eleito com número expressivo de votos; herdeiro de bons nomes como Tancredo Neves e Tristão da Cunha, com a chance de ser o futuro Presidente da República e ter o seu nome cravado honradamente na história, como tem o seu avô. 

A resposta não poderia ser outra: Só mesmo aqueles que têm o instinto maligno e a tara do crime poderão assim se comportar. Como eleitor que votei nele sou, infelizmente, uma célula do poder que ele detém sem merecimento. 

------ Para mim, os seus amigos e colegas da política e do Senado, com arroubos de oratória e no benefício da dúvida de provas, brindam o povo brasileiro dando a esse bandido de colarinho branco, tinta para a sua caneta criminosa, com a qual continuará sangrando o povo brasileiro, especialmente o povo mineiro. 

----- Resta-me ver esse canalha que sobe à tribuna do Senado Federal, para falar de família, inocência, honra aos seus eleitores e trama ardilosa, eu vejo isso como o cúmulo da hipocrisia; o instinto do crime; a tara do bandidismo, presos como mascara da imoralidade no seu rosto.

Armando Melo de Castro.







domingo, 15 de outubro de 2017

LICA DO JOÃO PASSATEMPO.


Hoje, de manhã, minha mulher veio me dizer que o gás de cozinha terá um aumento de 12,2% --- e eu simplesmente respondi: fazer o quê minha querida se não temos alternativa; é pagar os 12,2% ou fechar a cozinha; contudo, fechar a cozinha não é o nosso propósito...

Após esse pequeno diálogo, fermentou em minha memória um fato guardado bem nos fundos da minha memória desde a década de 50, quando a minha idade girava em torno dos dez anos.

Em Candeias não havia gás de cozinha. As pessoas usavam fogão de lenha; de pó de serra fornecido gratuitamente pelos proprietários de marcenarias, e casca de café conseguida nas máquinas beneficiadoras, também, de graça.

A lenha era vendida aos metros cúbicos pelos fazendeiros. Naquele tempo não havia esse rigor das leis e nem da polícia florestal sobre o desmatamento. As pessoas mais humildes ou sem disponibilidade monetária para comprar um metro cubico de lenha, compravam feixes, fornecidos pelas lenheiras que tinham essa fonte como complemento de renda. 

Elas transitavam livremente pelos matos na busca dos galhos secos; faziam os feixes já encomendados pelos compradores que economizavam ao máximo aquele combustível caro para quem comprava, e barato para quem vendia. ----- Comumente as lenheiras eram vistas pelas estradas com enormes feixes de lenha sobre as cabeças amparadas por rodilhas. Elas se levantavam cedo e iam pelos matos a procura de lenha, num trabalho árduo, que resultava então da venda por CR5,00 (cruzeiros) para uma ajuda nas despesas da casa.

Mulheres com filhos pequenos, onde os maiores ficavam tomando conta dos menores enquanto a mãe buscava lenha. Era uma vida miserável num tempo de muita pobreza.

Apesar de pertencer a uma família pobre eu tinha a minha infância feliz. Tinha pai e mãe que viviam em prol da família e a gente tinha o básico necessário para a sobrevivência. Parecia-me, portanto, sentir que era o povo daquele tempo mais feliz, mesmo estando com as suas roupas remendadas; pés no chão; bolsos sem dinheiro; a cabeça de palha no bolso da bunda; o cigarro de fumo de rolo; bem como o toco do cigarro agarrado na orelha... Isso era como o retrato da pobreza, bastante comum. ----- Dava até para pensar que fumar era o único prazer que o pobre sentia -----. A tranquilidade para fazer o cigarro e a paciência para acendê-lo com aquela binga rústica seria uma mostra de um comportamento inexistente nos dias atuais.

Não havia tantos produtos industrializados e nem empacotados, tudo era a granel. Comprava-se 250 gramas de banha, meio quilo de arroz e meio de feijão. Nem tudo era vendido por quilos, ou seja, as pessoas compravam produtos até para fazer apenas uma refeição. Muitos trabalhavam a parte da manhã para comer à tarde. A vida do pobre era difícil, muito difícil.

E hoje, ao ter a notícia de que o botijão de gás sobe 12,2%, eu dei uma olhada no retrovisor da minha vida e vi a Rua Coronel João Afonso, lá em Candeias, rua onde nasci, e palco da minha infância.

Lembro-me, então, de uma mulher pequena, mulata, conhecida como LICA DO JOÃO PASSATEMPO e que tinha como prática frequente ir todos os dias aos matos buscar um feixe de lenha para vender pelo valor de C$5,00 (cruzeiros.) era o dinheiro da época, o que numa conversão para o real não seria mais do que R$ 12,00, por uma viagem aos matos durante horas e horas para encontrar um feixe de lenha.

Certo dia o meu Tio, João Delminda, pediu-me para ir até a casa de Lica, que ficava na mesma rua, encomenda-la um feixe de lenha. ----- E ela educadamente, disse-me: ­­“Armando, avise ao seu tio que nós, as lenheiras, passamos o feixe para 6 contos, a coisa tá preta, subiu tudo, o metro já subiu duas vezes; estamos indo longe pra achar lenha e esse foi o motivo de nós também ter que aumentar um pouquinho”.

Avisei-o, mas meu tio não disse nada. – Dois dias depois Lica chega à casa do meu tio, próxima a minha, com o feixe de lenha. Eu a observei enquanto aguardava o meu tio com o dinheiro para paga-la: molhada de suor, aspecto de cansaço, segurando as cordas e a rodilha, suas ferramentas de trabalho, tomando um copo d’água como se estivesse morrendo de sede, e dizendo a minha tia que ainda iria fazer almoço, quando chega o meu tio com o dinheiro e lhe disse: “Eu acho um absurdo um feixe de lenha por 6 contos Lica”. Já era caro por 5, agora 6... Isso é falta de consciência!

Lica não disse sequer uma palavra. Deu apenas um triste olhar para os lados numa expressão de quem dizia: “como viver é difícil!”.

E eu naquele momento quisera falar algo em favor de Lica. Mas sendo um menino ainda no verdor dos anos, eu tinha o direito apenas de pensar e nunca de falar. Pensei. E estou pensando até hoje. 

Portanto, Dona Lica do Sr. João Passatempo, eu queria que soubesse que naquele momento eu me engasguei com as palavras do meu tio, e agora, eu desato o nó de minha garganta lembrando-me do seu silêncio, talvez, o silêncio de um grito... de um grito sem socorro!

Onde quer que esteja, receba o meu beijo e o meu carinho.

Armando Melo de Castro.


Candeias MG Casos e Acasos

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

AS CANDEIAS DOS MEUS TEMPOS.


No local onde se encontra estabelecida a Casa do Vaqueiro, foi, no principio da década de 60, o Bar e Restaurante Pinguim, de propriedade do Sr. Luiz de Sousa Andrade, o meu amigo Lulu. Antes, esse pequeno estabelecimento teria sido a farmácia do Sr. Antônio do Bieca, de quem teria sido discípulo o nosso amigo Divino, hoje proprietário da Farmácia Divifarma.

Lulu, um personagem folclórico da cidade de Candeias, foi primeiramente balconista da Casa Celestino Bonaccorsi. Depois esteve nos Baiões, município de Formiga, onde a Casa Bonaccorsi tinha uma filial. E após deixar de ser funcionário da Casa Bonaccorsi, dedicou-se ao ramo de bar e restaurante. O seu primeiro estabelecimento foi no cômodo de comercio que havia no antigo casarão do Sr. Torquato Viglioni, onde hoje está a sede do Banco do Brasil.

Daquele endereço Lulu transferiu o seu estabelecimento para o antigo Bar do Bóvio, que ficava onde hoje está à residência do Sr. Willlian Viglioni. ----- Neste endereço o comercio do Lulu não foi para frente. Ele teve alguns desencontros com o ramo e fechou o comércio, ficando afastado de suas atividades durante algum tempo.

Posteriormente Lulu reabriu o seu Bar e Restaurante com o nome de “PINGUIM”. Eu contava dezesseis anos e fui seu empregado nesse tempo, o que me foi uma coisa bem divertida.

Eu em pleno aprendizado da vida, em plena adolescência posso dizer que aprendi muito com o Lulu, isso porque eu não era apenas um balconista do bar; eu fazia de tudo, por exemplo: Varrer o quintal que era enorme; tratar dos porcos e lavar o chiqueiro; (Era permitido criar porcos na cidade) tratar das galinhas, ajudar na lavação da louça, guardar a lenha, (não havia gás) ----- pajear os meninos, ou seja, o Marcos, o Sergio e o Claudio. Eles eram pequeninos e o Claudio (Tibau) ainda no colo.

Lembro-me que um dos fregueses diários do restaurante era o Pedro Pitanga, almoçava e jantava, eu o aguardava para vê-lo tomar a sua refeição, principalmente quando era peixe. Eu nunca vi na minha vida, uma pessoa comer um peixe tão depressa. Era uma coisa impressionante, ele ia cuspindo a espinha do peixe e não se engasgava. Lembro-me, ainda, de alguns dos fregueses mais constantes como, Domiciano Pacheco; Miguel Pacheco; Marianinho Lamounier; Altivo do Estevão; Miguel Lara; Antônio Eleutério; Turquinho da Pedreira (aquele que fez o pirulito de pedra existente na praça próximo ao Sansão) Zé Belarmino; Maré e muitos outros.

O estabelecimento era pequeno e havia no refeitório apenas quatro mesas e na área do bar apenas três.

O que mais me divertia como funcionário do Lulu era o seu humor que na mesma hora que estava no sul ia para o norte e quanto estava no norte poderia ir para o leste ou oeste. Era muito engraçado.

Lulu teria saído para fazer umas compras e entre elas estaria a uma galinha caipira para atender uma galinhada de um freguês que queria comemorar o seu aniversário com uns amigos, com essa iguaria.

Dona Teresinha, a esposa do Lulu a cozinheira oficial da casa, fora para o Rio de janeiro visitar os seus familiares. Para isso teria arrumado uma empregada para lhe substituir.

E ai deu-se inicio a uma nova novela de relacionamento. A empregada protagonizou um belo show que tinha como plateia os fregueses do bar.

Lulu chegou trazendo uma galinha, um pacote de feijão e um filé de boi. ---- Ao chegar deixou as compras na cozinha e veio para o balcão.

Na parede da cozinha tinha uma janelinha por onde a cozinheira se comunicava com o Lulu. A empregada espicha o pescoço naquela janelinha e fala bem alto:
-----Sô Lulu, essa galinha é pra matá?
-----Não! Ela veio para cantar na galinhada...
Passa mais um momento e volta a emprega:
----Sô Lulu, esse feijão é para cozinhar?
----Não, é para assar e bem assado...
Não demorou quase nada volta à empregada:
----Sô Lulu, e essa carne?
----Essa é para comer hoje e cagar amanhã...

Dai a pouco a empregada pegou a sua trouxa e partiu, resmungando... Deus me livre nunca lidei com um trem desse não...

Não sei o que aconteceu, mas no outro dia a empregada que se chamava Antônia estava lá de novo. ----- Lulu era assim, brigava com o mundo todo, mas amava todo o mundo.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O PRIMEIRO TELEFONE EM CANDEIAS MG

A história do telefone é ampla e merece atenção diante da evolução dessa invenção. O telefone foi inventado, a bem da verdade, por acaso, após diversas experiências por Graham Bell e seu companheiro Thomas Watson, na noite de 03 de junho do ano de 1875.

O primeiro registro mundial do telefone data de 1876. Em menos de um ano após esse registro, foi fundada em Boston, a primeira Empresa Telefônica do mundo, a Bell Telephone Company, com 800 telefones.

Surgiu, então, no Rio de Janeiro em 1879, o primeiro telefone construído especialmente para o Imperador Dom Pedro II, momento em que foi elaborado o primeiro projeto de instalação das primeiras linhas telefônicas no Império brasileiro, entre o Imperador através de sua residência, seus ministros, órgãos militares e corpo de bombeiros.

Em Minas Gerais a primeira concessão foi obtida em 1882 em Ouro Preto e a partir daí desenvolvida para outras cidades e outros Estados.

O jovem que hoje se toma de um telefone celular e fala tranquilamente à distância, não imagina o quanto era precário esse serviço até 1960, quando a telefonia passou a ser mais desenvolvida uma vez que se deu início à fabricação de peças no Brasil; e posteriormente com o telefone fixo, o advento do telefone público e o celular.

Em Candeias não se tem notícias da data da chegada do telefone. Supõe-se que teria sido no princípio da década de 30 com as duas primeiras linhas.  A primeira teria chegado junto com a Empresa Força e Luz candeense que ligava a usina a sua distribuidora atrás da sacristia da Igreja do Senhor Bom Jesus. ----- E a outra que ligava as residências do Sr. Álvaro Teixeira, no Cartório de Registo Civil e  à residência do Sr. Carmo Elias grande comerciante no distrito de Vieiras. Essa linha proporcionava a comunicação entre a população de Candeias e o distrito de Vieiras.

Posteriormente a ponta da linha de Candeias foi transferida para a residência do Sr. Severino Resende, na esquina da Rua Vereador José Hilário da silva, com Pedro Vieira de Azevedo, residência hoje do Sr. José Rui Ferreira, (Ieié) por uma questão estratégica, não tendo a linha que atravessar a cidade.

Quanto ao ramal da Distribuidora, quando os usineiros queriam se comunicar em Candeias, o sinal era apagar e acender as luzes por três vezes. Quando, nesse caso, os eletricista João Bernardino Diniz e seu filho Danilo corriam até á distribuidora para atender o chamado dos usineiros.

Posteriormente foi inaugurada a telefonia semiautomática em Candeias. Esse sistema exigia uma central com uma telefonista de plantão 24 horas por dia. As ligações eram conseguidas no momento em que era retirado o telefone do gancho e a telefonista pedia o número desejado quando era fornecido e a ligação completada. Esta central ficava situada na Rua João Sidney de Souza, logo abaixo do pátio da Prefeitura Municipal.

Algumas das telefonistas que ocupam as minhas lembranças são, Teré Paixão, esposa do Expedito Cordeiro era a Chefe, e suas auxiliares: Toninha da Rosa Mori e sua irmã Berenice; Martinha Almeida; Magali, minha prima; Luzia do Antero, Aparecida, esposa do Carminho Machado, Terezinha filha do Afonso do Bar Piloto, a Márcinha da Maria da Joana, esposa do Antonio Bonaccorsi, a Benta, minha grande amiga Benga, filha do Sr. José de Barros  e outras mais que no momento me fogem à memória.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

INCLUSÃO:

Blogger Luckxander disse...

Armando tenho um telefone que pertenceu ao meu avô Mariano Bernardino de Senna. Era uma linha privativa de ponto a ponto, a fiação saía do casarão ao lado da matriz de Candeias, passava pela serra do Bom Jesus e seguia até a fazenda Campo das Flores, onde ficava o outro aparelho. Esse aparelho é um Kellogg original fabricado em Chicago, meu avô comprou os dois aparelhos pouco depois que casou-se. Considerando que ele nasceu em 1885 e casou-se bem jovem, como era o costume da época, o aparelho é do início dos anos 1900, quando Candeias ainda era um pequeno arraial. Após a implantação do sistema de telefonia local, isso já depois da emancipação do município, meu avô mandou recolher os quilômetros de fios que eram feitos de cobre. Posteriormente a fiação foi vendida para o Pedro Pitanga, para aproveitamento do cobre. O telefone da fazenda minha avó deu para meu tio Maroca e o da cidade para mim. Caso queira usar a foto do telefone original fique a vontade para copiá-la do facebook.
Luckxander Sena Sidney
5 de agosto de 2017 18:59
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Eu faço questão de incluir o comentário no espaço do texto, do meu amigo Luckxander, filho do meu condiscípulo e amigo de infância, Titôco e Márcia, filha do Sr. Mariano Bernardino de Sena, tendo em vista tratar-se de uma informação muito importante sobre os primeiros telefones em Candeias, informação esta de que eu não tinha conhecimento e que vem enriquecer as informações do meu texto. Cumpre-me, ainda, registrar aqui a pessoa do Sr. Mariano Bernardino de Sena, um cidadão candeense histórico juntamente com os seus descendentes e que muito fizeram e fazem em prol da história de Candeias. Grande abraço Luckxander e muito obrigado pela participação. (Armando)