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terça-feira, 17 de abril de 2018

UM INVENTOR CANDEENSE.


                                              BELMIRO COSTA   

Muitas são as invenções brasileiras, assim como o avião, o relógio de pulso, o balão a ar, o orelhão, o cartão telefônico, a urna eletrônica, a abreugrafia e muitas outras coisas, que no momento me falta à memória, e estão no rol das grandes invenções mundiais.
Infelizmente as invenções brasileiras são pouco divulgadas e muitas são roubadas tendo em vista a falta de condições dos seus inventores de enfrentarem a burocracia do registro do invento.

 Muita gente não sabe que antes do italiano Marconi e o canadense Reginald Fessenden, por exemplo, o rádio já teria sido inventado por um brasileiro, o gaúcho, Padre Roberto Landell de Moura, foi ele o pioneiro a transmitir a voz humana num aparelho sem fio. Mas a Igreja Católica o proibiu de divulgar o seu invento sugerindo que os católicos poderiam achar que aquilo fosse coisa do diabo. ---

As invenções brasileiras são pouco divulgadas como brasileiras. Uma invenção brasileira e que pouca gente sabe é o soro antiofídico. Ele foi criado pelo médico mineiro Vital Brasil, nascido em Três Corações, no sul de Minas. ---- Esse soro tem salvado muitas vidas. Trata-se de um medicamento para tratar mordidas de cobras venenosas e é obtido de anticorpos do sangue do cavalo. ----  

A fazenda onde Vital Brasil desenvolvia seus experimentos é onde está hoje o Instituto Butantã, um dos centros mais importantes de produção de vacinas do país. A descoberta do soro aconteceu no início do século XX

Em Candeias tivemos um grande inventor, o Sr. Belmiro Costa que na sua profissão de pirotécnico desenvolveu um antimônio para a fabricação de pólvora, o qual até então era importado da China.

Orgulhoso de si, Belmiro que já usava o produto do seu invento como um similar do produto chinês, tinha o sonho de vê-lo registrado e fabricado em Candeias. Mas para isso, se fazia necessário procurar um centro de pesquisas. Nas suas buscas através de informações, tomou conhecimento de que na cidade de Jacareí, no estado de São Paulo, havia esse centro.


Infelizmente, no nosso país os governantes apoiam muito pouco às pessoas necessitadas de recursos para pesquisas. Belmiro não conseguiu nenhum apoio governamental. O único apoio conseguido foi, então, do Sr. Mário Rigali, o Piloto, dono do Bar Piloto na época, que o levou a Jacarei. -----Mas, como o Sr. Mário, também, não se dispunha de recursos financeiros para ajuda-lo, ----- a fórmula preciosa de Belmiro Costa, caiu nas mãos de pessoas inescrupulosas com a promessa de um retorno sobre o assunto; e nunca mais foi vista e nem devolvida. Essa conversa eu tive pessoalmente com o Sr. Belmiro.

Belmiro levou para o túmulo o desejo de ver a formula do seu produto fabricado em candeias.  ---- Ele não dizia, fabricado por mim... Ele dizia: O meu invento vai ser fabricado aqui em Candeias e vai ser enviado para o mundo.

Infelizmente, não foi possível.  

---- Candeias, representada por seus políticos, às vezes, é cruel com alguns de seus filhos.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

BAR DO OTÁVIO MARTINS.

                               
                                          Rua Professor Portugal esquina com Praça Antonio furtado.

Um dos pontos comerciais mais antigos de Candeias fica na esquina da Rua Professor Portugal com a Praça Antônio Furtado onde, atualmente, se encontra a residência do Sr. Wanderley Andrade, sendo que o ponto comercial, outrora bastante amplo, de diversas portas pintadas de azul celeste, hoje se encontra reduzido a um pequeno depósito de pães. --- Lá, no correr dos tempos, foram estabelecidos diversos segmentos comerciais: bares, empórios, padarias, botequins, etc.

Guardado bem nos porões da minha memória, o primeiro comércio que conheci ali, quando eu comecei a me entender como gente. --- Era o Bar do Sr. Otávio Martins. --- Um bar fuçado, totalmente desorganizado. O piso era de um assoalhado já bem velho, cheio de buracos por onde, naturalmente, deveriam trafegar ratazanas de todas as ordens. ---

Havia uma velha sorveteira que quando ligada, fazia uma acústica com o assoalho provocando tanto barulho que a conversa entre os fregueses se tornava quase impraticável. E, na competição com o ruído da máquina, os frequentadores falavam tão alto que da rua se ouvia tudo. ----Parecia uma locomotiva dentro do bar cujo cômodo era grande e havia muito espaço vago.

Os sorvetes e picolés, ali fabricados, não tinham nenhum requinte de higiene e aqueles copos em forma de casquinha, próprios para sorvete e que o consumidor gosta de comer, eram, comumente, vistos com algum rastro. Além disso, a caixa da salmoura da máquina sorveteira tinha ferrugens que vazavam e se juntavam ao congelado, fato que levava sempre o freguês a se queixar de que o picolé estava salgado.

As prateleiras com garrafas cheias e  vazias pareciam seguras pelas teias de aranha. As vitrinas eram forradas com papel manilha da cor rosa, de péssima qualidade, e que, às vezes, deixava o produto manchado. ----- As cadeiras, tipo “balança mais não cai”, de quando em vez, levava um freguês ao chão. E, quando essas estavam todas ocupadas, os fregueses tomavam assento sobre o balcão bastante amplo à medida da área.

Havia água encanada no bar, mas estava sempre em falta. Nas construções antigas, não se faziam caixas de depósito para água. Usava-se, normalmente, um tambor de duzentos litros sem tampa e comprado, de segunda mão, nos postos de gasolina. Este era preso em quatro forquilhas do lado de fora. Aquilo nunca era lavado e servia de bebedouro para gambás e aves que morriam ali, acidentalmente, e que só eram descobertas quando a água se tornava fétida.

Naquele tempo, a água encanada, principalmente nas ruas de baixo, não tinha um fornecimento regular --- Aí, então, quando a água faltava, a lambança dobrava. ---- Tomava-se de uma gamela cheia d’água e, à medida que os copos eram usados, iam sendo jogados ali, e, quando necessários, apenas retirados e usados novamente. Não se usava lavar os copos com sabão. Apenas deixava-os mergulhados na mesma água usada horas e horas.

Num dos cantos de dentro do balcão, havia um varal de bambu onde ficavam dependuradas linguiças e uma bexiga de mortadela, da pior qualidade, expostas às moscas que, naturalmente, davam, ali, o seu toque de imundície.  Os intestinos dos fregueses, já estariam tão providos de anticorpos que seria mais fácil à morte dos parasitos intestinais do que dos consumidores.

Eu morava próximo dali, na Rua Coronel João Afonso, e acompanhava sempre o meu pai quando estava lá a chamado do proprietário que era seu grande amigo e compadre, a fim de tocar violão para atrair os fregueses que gostavam de formar duplas sertanejas. Portanto, eu sempre saboreava, daqueles restos mortais suínos e bovinos oferecidos por meu pai e os amigos. --- Hoje só de me lembrar disso sinto arrepios.

O meu estômago já estava tão afinado com as porcarias dali que o sentido do paladar nem se ofendia. E meu pai, também, por sua vez, não estava nem aí. Tomava a sua pinguinha e a sua cervejinha naqueles copos infectados, mal lavados e trincados como se estivesse bebendo numa taça usada na Santa Ceia. ----

Mas tem um detalhe desse tempo que eu não me esqueço: Se por ventura me aparecesse uma dorzinha de barriga, uma indigestãozinha qualquer, minha mãe bradava:

“Isso é as lambanças que o seu pai lhe enfia lá no bar do compadre Otavio”. ---- Fosse ou não fossem os seus cozidos estavam isentos. ---

---É esquisito sentir saudade de uma coisa dessas não é? Mas eu sinto!



Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

terça-feira, 3 de abril de 2018

ROSCA E BOLACHA QUEIMADAS.






Os candeenses mais antigos, naturalmente, deverão ter em suas lembranças o “BEM”.  ---- Bem era um cidadão que se chamava Alexandre, contudo, todos o conheciam por Xande.  Vivia sorrindo, e chamava todo mundo de bem, motivo pelo qual os outros o tratava do mesmo jeito.

Seria ele já um parceiro da terceira idade; magro alto e sorridente. Uma voz mole; um jeito mais pra lá do que pra cá. Gostava de achar homem bonito e fazia pouco comentário sobre as mulheres. Num tempo que a frescura era oculta ninguém tinha certeza, mas diziam que ele gostava de queimar a rosca e nos seus casos amorosos era o rabo que abanava o cachorro. Era chegado, também, numa intermediação de copulação clandestina. Gostava de um cochicho, no pé do ouvido.

Se Xande fosse uma pessoa culta, naturalmente iria ser um grande admirador da arte de Leonardo Da Vince.  --- Mas como não era portador desses cabedais da cultura, entender-se-ia, naturalmente, com a turma da pederastia ativa, porque nele estaria o passivíssimo cravado no seu olhar de quem quer “Dá Vinte”.

Fiinha do Xande era sua filha. Diziam filha dele, mas deveria ser pai adotivo. Xande jamais poderia ter sido seu pai biológico. Afinal, ele era como navalha que corta só de um lado. Deveria ser filha de criação e ela o chamava de padrinho. A fruta do Xande era outra, ele gostava era de banana e detestava melancia. ---- E, depois, numa bananeira não nasce melancia.

Fiinha que era uma mocinha até bonita, transformou se numa prostituta vulgar. Era uma infeliz porque além de prostituta se tornou alcóolatra e, às vezes, era vista assentada de mau jeito, mostrando o buraco da cobra destampado. Era uma cena de doer o coração de um cristão.

Certa vez ela apareceu com uma doença ginecológica, tudo levava a crer não ser coisa que pudesse dispensar um médico. Contudo, Xande a levou ao curador, famoso Chico Viriço, já comentado neste Blog.  Nesse tempo Chico Viriço era como um médico das raízes, não havia na medicina essa evolução de hoje. Remédios eram caros e parece que o povo mais humilde não confiava muito nos remédios de farmácia.

Às sextas feiras a sala da casa do Chico Viriço era repleta, vinha gente de todas as partes para consultar com o curandeiro que tinha muita conversa e pouca cura. Os seus remédios e a sua conversa, a bem da verdade, tinham apenas um efeito placebo.

Naquele clima chega o Xande com a Fiinha:

---- Oi Bem, tá tudo bem?!
----Mió só no céu Xande, responde o CHICO.
----Ô bem, eu truxe a minina aqui de novo, o trem dela piorô!
E o Chico pergunta:
-----Que que foi Fiinha, o que que piorô?
-----Oia Sô Chico, aquele remédio que o senhor insinô de infiá limão com bicabornato na minha bu... Quer dizê na minha “bulacha” quase me matô, eu tô quela tudo queimada; ardeno igual pimenta.
E o Chico olha para um lado e olha para o outro à frente das pessoas e diz:
----Vamo cunversá lá dento aqui fora tá muito quente!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

terça-feira, 27 de março de 2018

UMA CANDEENSE ILUSTRE.



Candeias foi o berço de uma ilustre senhora que teve uma grande participação na história do nosso Estado de Minas Gerais. Trata-se da professora Marta Nair Monteiro, nascida em Candeias MG no dia 24 de dezembro de 1913.

-----Descendente da família Barreto, uma tradicional família Candeense. -----

Entre alguns membros da família Barreto podemos citar: Dona Laura Barreto, a nossa querida Dona Barretinha, primeira titular do Cartório que hoje leva o seu nome, “Cartório Laura Barreto” atualmente nas mãos de seu neto Raimundinho filho da Luzia, filha de Dona Laura Barreto. ----- Sr. José Barreto o primeiro dentista de Candeias, pai do nosso amigo Zizi Barreto e de Dona Dulce Furtado. ---- Dona Nica, esposa do Sr. José Pacheco Lopes, pais de Domiciano Pacheco e Maria Lúcia Viglioni ----- Dona Salomé, professora histórica que deu sua grande participação na educação candeense, quando candeias ainda se engatinhava na educação. E muitas outras pessoas membros dessa família de gente inteligente que há anos participa da história de Candeias com dignidade e honradez.

A ilustre professora Marta Nair Monteiro, formada em Administração Escolar, foi professora primária, orientadora e diretora escolar. ---- Foi Vice-presidente, presidente e conselheira da Associação das Professoras Primárias de Minas Gerais. -----Com o objetivo de alcançar melhoria nos salários para a classe, liderou a primeira greve de professores deflagrada no Brasil. ---- Foi a 3ª Secretária e Vice-Presidente da Confederação dos Professores Primários do Brasil. 

Na política foi juntamente com Dona Maria José Nogueira Pena, a primeira mulher eleita a deputada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde foi, também, líder do seu partido.  --- Após anos afastada da política, se elegeu vereadora de Belo Horizonte. ---- Presidiu a associação Mineira de Professores Aposentados até a década de 90.

Lembro-me muito pouco de quando vi essa senhora em Candeias; isso por ocasião da eleição de Tancredo Neves ao Governo de Minas, pela primeira vez, em 1960, no comitê que foi instalado num cômodo de loja atrás da Igreja Matriz. ---- Apesar de ser candeense e sempre acompanhar a política de Candeias, eu não tenho conhecimento de algo que ela, como deputada conceituada, tenha feito por Candeias. ---- Parece-me que Candeias, também, nunca teria sido o seu reduto político. Pode ser que eu esteja enganado.

Atualmente, entre os presidenciáveis, está a sua neta, Valéria Monteiro, ex-jornalista da Rede Globo de televisão, tendo sido a primeira mulher no Jornal Nacional, esteve no Fantástico, Jornal da Noite etc. e que estará tentando se eleger para presidência da República. --- Uma candidatura, a meu ver, praticamente simbólica com objetivos opostos dentro da política.  ----

A professora Marta Nair Monteiro faleceu no dia 22 de janeiro de 2004, na cidade de Nova Lima, aos 90 anos de idade quando ainda participava de atividades político-partidária.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

Nota-- Eu não conheci pessoalmente a Professora Marta Nair Monteiro, apenas a vi uma vez há anos. Esse texto foi elaborado tendo em vista o alto conceito que usufrui a Família Barreto e a biografia considerável da senhora Marta Nair Monteiro. Portanto, no caso de alguém possuir algo que possa ser acrescentado neste texto, está a minha disposição em fazê-lo, como também, retirar algo que possa estar demais.
(Armando)