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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

ACHARAM O VADINHO NA MOITA.


Na década de 50 havia no cerrado candeense muita gabiroba. E quando chegava o seu tempo, no mês de novembro a dezembro, era uma das distrações do nosso povo, ir para os matos chupar a frutinha tão saborosa de preferência comum. Os donos de caminhões de aluguel ou proprietários de quaisquer veículos adentravam os cerrados levando gente para colher a frutinha.

Naquele tempo não havia essa cultura de pastagens existentes hoje. E os cerrados ficavam anos sem que fossem roçados, o que favorecia a proliferação da planta que era farta em todo o município de Candeias. A disputa era para saber onde encontrar a fruta já no ponto de ser consumida. Isso porque o ciclo de amadurecimento é rápido e em poucos dias, um ponto onde era encontrada logo terminava.

A era das gabirobas ficou marcada na lembrança dos candeenses mais antigos, mesmo porque, os jovens usavam essas excursões para começar um namoro... Para ter um pouco mais de liberdade entre os namorados e para dar o primeiro beijo. Enfim para ficarem mais à vontade. 

E a bem da verdade, havia aqueles rapazes que iam para procurar o ninho da rola, ver os gomos da mexerica, ou mexer na caixinha de tabaco. Muitos ao invés de chupar gabiroba chupavam era a maçã do amor ou a maçã do peito. Já muitas  das moças iam para coçar o inhame, chocar dois ovos, tratar de um pinto ou até domesticar uma cobra… E com todas essas diversificações a língua dos mais velhos tinha mais o que falar.

Comumente a gente ouvia as velhas puritanas dizer“Essas gabiroba!!!..., Isso é mais é uma pouca vergonha. De veis inquando sai uma moça trapaiada dessa chupança”.

Os velhos comentavam: “Eu sei o que qui essas moças vai chupá lá no mato, é gapiroca. Fia minha num vai num trem desse de jeito ninhum...”

Só que muitas iam às escondidas e normalmente eram as piores.

João do Artur, um baixinho fanhoso, que tinha um caminhão Chevrolet ano 1949, residia na Rua Zoroastro Passos pelos lados do Bairro da Lage. Naquela época, fazia-se uma lotação, tipo pau-de-arara, a fim de levar a turma para a devida apreciação da fruta.
Certa vez, João do Artur levou uma turma para um cerrado nas imediações da comunidade de Arrudas, onde a fruta era abundante. Nesse dia a coisa teve feia.

Nesses piqueniques, as pessoas levavam comida, bebida, violão e, posteriormente surgiram as vitrolinhas à pilha sendo que esse luxo era um privilégio dos mais aquinhoados. Outros levavam até barracas que eram armadas no meio do mato. Nesses passeios eram grandes oportunidades para começar um namoro ou um caso amoroso.

Dizem que a libertinagem, ou pouca vergonha, encontra-se em níveis elevados. Mas, a bem da verdade, naqueles tempos as coisas eram apenas mais às escondidas e, longe dos pais, a moçada aprontava. Esse comportamento humano seja certo ou errado já existe desde que o mundo é mundo. Hoje, está apenas mais a descoberto.

Na hora de ir embora, já prestes a escurecer, João com a sua voz meia fanhosa procurava por um casal que havia desaparecido. Assim, ele começava a ficar nervoso e, logo que deu de escurecer, o povo todo inquietou-se para ir embora.

---Óia, Gente! Só nóis prucurano esses dois. As veis eles até morreu, uai!.

E sairam diversas pessoas, mato afora, à procura do Vadinho da Sota e sua companheira Luiza.

De repente, todo mundo volta. Haviam encontrado os dois sumidos que estavam pelados, totalmente embriagados e dormindo numa moita, em um canto do mato. E o João, nervoso, dizia:

---Eu truxe as pessoa pá chupá gabiroba, elas enche a cara de pinga e resorve cruzá, uai! Aí num dá né sô...

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos


sábado, 31 de dezembro de 2016

CANDEIAS SOB NOVOS RUMOS!

                                           Rodrigo Lamounier - Novo Prefeito de Candeias.

Enfim, livres dessa oligarquia que quase acabou com o município de Candeias. Essa politica de compadres que formou uma panela e fizeram de Candeias um curral particular durante três gestões.

Felizmente poderemos ver pelas costas o prefeito que terá marcado a pior gestão de todos os tempos. É como se o povo candeense estivesse sendo ABSOLVIDO de um pecado que cometeu quando votou num professor pensando que este iria dirigir com seriedade os destinos de Candeias. Lembremos aqui o velho rifão: “Não há mal que dure sempre e nem bem que não se acabe”. Felizmente.

Quanto ao novo prefeito, Sr. Rodrigo Lamounier, no momento, sobre ele, temos pouco o que falar. Afinal ele não representa, ou não inspira grandes mudanças. Trata-se de um político jovem e que não demonstrou liderança como vereador. As mudanças verdadeiras, só poderiam vir de um candidato isolado dessas oligarquias, assim, como o Sr. Ênio Bonaccorsi que trabalhou mais do que o prefeito na busca de recursos para o município. Contudo, cumpre-nos aguardar, mesmo porque, as coisas podem se reverterem. E é para isso que estaremos torcendo. Afinal o novo prefeito de Candeias teve uma votação tão expressiva que o fará pensar duas vezes sobre a responsabilidade do cargo que lhe foi conferido pelo povo Candeense.

É de todo patente que o novo prefeito, também vem de uma oligarquia como sobrinho, filho e neto de ex-prefeitos, que não foram isentos de erros graves, mas que conseguem, inda, deter prestígio dentro do eleitorado candeense. Contudo, os erros não são atribuídos ao herdeiro de votos. Portanto, resta-nos aguardar o comportamento do novo gestor, dando satisfação ao povo que o elegeu numa votação expressiva. Que este saiba honrar essa confiança de um eleitorado cansado de tanta incompetência, promessas e mentiras.

Ainda esperamos, que o novo prefeito de Candeias que se demonstrou frágil e sem liderança na Câmara de Vereadores, como o vereador mais votado quando eleito, possa mudar o seu perfil como prefeito. 

Que busque entre os seus pares, pessoas competentes e honestas para que lhe ampare na sua inexperiência. Que não aguarde ofertas de políticos das esferas superiores que as prometem como troca por votos. Todavia, que corra atrás delas não para dar votos em troca de benefícios, mas para cobrar os direitos constitucionais que cobrem os municípios. 

Afinal, só um prefeito pidão consegue ter o seu município recebendo benefícios, indo sem errar o caminho para Brasília e Belo Horizonte, privando-se dos lazeres de um rancho de pescaria.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.


sábado, 26 de novembro de 2016

QUE SAUDADE DA RETRETA!

                                            Foto do Álbum de Clara Borges

Poucas são as cidades que têm o privilégio de possuir uma corporação musical que venceu todas as dificuldades durante anos e mais anos, mas não deixou de existir graças ao amor dedicado por todos aqueles que dela participaram no decorrer dos tempos.

A Corporação Musical Nossa Senhora das Candeias, é um capítulo vivo da nossa história. É motivo de muita alegria, saber que esse capítulo continua sendo escrito e com muito carinho pelos atuais integrantes.

Esta foto me transporta ao passado. Leva-me à minha juventude e faz com que eu sinta presente bem ali ao lado do fotógrafo que guardou este momento tão significativo para mim, e, com certeza, significativo para muitos candeenses.

Posso me imaginar estar acompanhando a procissão da sexta feira santa, ou estar à porta da Igreja Matriz em épocas das barraquinhas; dos ensaios, na alfaiataria do Sr. Abelino Salviano... Parece até que foi ontem e eu posso ouvir o som da retreta nas datas comemorativas, dessa nossa querida “FURIOSA” carinhosamente denominada pelos candeenses brincalhões.

A saudade é um trem danado! Parece até coceira de bicho de pé; ou então um vazio daquilo que esteve e não está. É uma coisa que parece que foi e não foi; é um sentimento doído que ocupa um espaço imenso dentro da gente e que vai enchendo até transbordar pelos buracos dos olhos.

Esta foto realmente me sacudiu... E como diria um primo meu, ela me “balangou” por dentro vendo esses amigos e recordando deles... Américo Bonaccorsi, Chico do Sudário, Nicodemos Ribeiro, Chico de Assis, João Virgílio Ribeiro, Zinho Borges, Ninico Ribeiro, Antônio Salviano, Zé Pretinho, Emílio Langsdoff e Bibiu. As crianças me confundem, mas suponho que entre elas estão a Clarinha e o Wagner do Zinho e a Jussara do Chico do Sudário.

Tem gente que gosta de matar a saudade, mas eu não. Portanto, numa emulação ao poeta Adalberto Dutra, eu digo: “Eu não mato a saudade! Eu deixo a saudade viver! Afinal, um coração sem saudade, perde a razão de bater”.

Lembro-me perfeitamente desse grupo e desse tempo. Sinto muita saudade. E esta saudade não morrerá dentro de mim, ela morrerá junto de mim.

A esses amigos que já partiram, onde quer que estejam recebam o meu abraço, como também, àqueles que felizmente ainda estão entre nós.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.


BAR E RESTAURANTE PINGUIM.


No local onde hoje está situada a Casa do Vaqueiro, teria sido no passado uma velha casa de portais verdes, onde residiam Dona Maroca e sua filha Zulma. A casa tinha um cômodo de comercio, fechado, ali antes teria sido uma farmácia do marido de Dona Maroca, então falecido. Dona Maroca e sua filha eram proprietárias da lanchonete que ficava junto à entrada do cinema. Com o falecimento da mãe, a senhorita Zulma, transferiu-se para Campo Belo, para estar junto de parentes, e alugou a casa para o Lulu que instalou ali um pequeno Bar e Restaurante, ao qual deu o nome de Pinguim, aonde eu vim a ser o único funcionário quando contava 15 anos de idade.

A casa que não era ampla teve os seus quartos transformados em reservados onde eram servidas as refeições. E na pequena cozinha, Dona Terezinha, a esposa do Lula, executava os seus dotes culinários e tinha como especialidade um grande bife de filé, que com a mudança do restaurante para outro ponto, tomou o nome de BIFÃO.

O quintal da casa era extenso e naquele tempo como era permitida a criação de porcos na cidade, esse era um gosto do Lulu que tinha um grande chiqueiro onde criava os seus piaus e carunchos.
O meu salário era de C$ 2.000,00 (cruzeiros) por mês o que representaria hoje em reais, a importância de mais ou menos uns 300 reais.

Eu não tinha uma função certa. Fui pagem dos filhos do Lulu, Marco, Sergio e Claudio. Nesse tempo nem o Geraldo e nem o Erivelto ainda tinham vindo ao mundo. Era, também, função minha tratar dos porcos e lavar o chiqueiro. Servir mesas aos clientes e atender balcão. Enfim, eu era um pau de toda obra.

Lulu como sempre foi muito querido, tinha uma grande freguesia no seu comercio. Nesse tempo ele também bebia os seus goles, às vezes xingava os fregueses, e a impressão é de que quanto mais ele brigava com o freguês mais o freguês se tornava seu amigo. Parece que o anjo ou o santo do Lulu tinha por ele um apreço especial.

Certa vez um freguês da zona rural, estatura média, chapeuzinho de palha corroído, calça de brim e blusa de flanela xadrez, rosto lampinho e um bigodinho fino. Chegou e falou com o Lulu: 

---- Oia sô Lulu, eu passei aqui só pá cumê o pastilinho da patroa do senhor...

----O pastel aqui é da Dalva do Bebé. Por que você não experimenta a minha linguiça? Vê lá! cumê o pastilinho da minha muié!...
---- E o caipira sorrindo meio sem graça respondeu: Ôua Sô Lulu, Ôua, sai fora!...Ah eu cum medo do senhor!

Lulu era aquele que buscava na linguagem popular uma autenticidade genuína que faz da palavra à realidade e não apenas uma representação da realidade. Lulu marcava uma presença com tamanha pregnância dentro do balcão do seu restaurante, o que o fazia muito observado. E nessas observações, sobressaía o bom coração que trazia dentro do seu peito. Ele tinha a língua solta, como tinha, também, as lágrimas de seus olhos livres para molhar os seus lábios.

Meu bom amigo Lulu, onde quer que esteja receba o meu abraço.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos