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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A ROLA DO ESTEVÃO



Descendo a Avenida Alvino Ferreira, indo para o Alto da Igrejinha, no Bairro Jaci, encontrava-se a Chácara do Porfirio. Entre os filhos do Porfirio, havia a Benedita, portanto, Benedita do Porfirio, sua filha mais nova. Moça beata, balzaquiana, contando os seus trinta e cinco anos, branca, bem branca, fala mole, cabelos ondulados, dentes amontoados, um buço destacável e uma barriga tipo pêra, coisa de quem não se preocupa com dietas para emagrecer. Se no mundo existem pessoas sistemáticas, eu posso garantir que nunca vi, em toda a minha vida, alguém mais ranheta.

Por ser a caçula, viu morrer a família toda. Não tinha mais os seus pais e nem irmãos e seus sobrinhos não a toleravam dado ao seu temperamento sistemático, esquisito e maníaco.
Não conseguia empregar-se em virtude da sua morosidade para executar qualquer tarefa. Todos na cidade a conheciam e era sabida a sua incondicionalidade de assumir um emprego. Vivia de déu em déu, morando de favor nas casas dos outros em troca de cama e comida pelos seus parcos serviços domésticos. 

Demorava mais de duas horas para lavar a louça após uma refeição. Levantava-se após as oito, nove horas da manhã e não tinha pressa para nada. Quando entrava no banheiro, este se tornava seu monopólio. Se por ventura, estivesse à sombra de um telhado prestes a desabar, talvez, o esperasse cair para sair correndo. Se saísse para ir a algum lugar, o tempo não era o seu problema, pois, detestava os relógios. 

Descuidada em demasia. Copos, xícaras e pratos viviam caindo de suas mãos.
Sua lentidão era, então, atribuída a tudo: trabalhar, falar, andar, comer, pensar, enfim: até para tomar um copo com água Benedita era lenta. Era preciso ter paciência demasiada para tolerar a moleza da moça. Portanto, não conseguia emprego, pois a sua morosidade espantava qualquer dona de casa interessada e tinha mais: qualquer coisa tomava por ofensa. Era, como se dizem: espinhada e, extraordinariamente, desconfiada.

Jamais teria tocado em um homem. Não tinha nenhuma história nesse sentido. Tudo era pecado, tudo era banal e tudo era coisa do diabo. Em determinadas horas, estava de posse de uma agulha e linha, trabalhando um pano de crochê que jamais alguém o vira terminado.

Quando estava sem onde morar, pedia alguém, pousada por alguns dias até arrumar um local para ficar. Daí, ela se acomodava e não saía deixando a família hospedeira numa situação, às vezes, difícil e constrangedora pela dificuldade de ver-se livre dela. Convidada a sair, o fazia sob protestos, xingando e rogando pragas àqueles que teriam lhe ajudado. Era, portanto, Benedita uma pessoa muito complicada.

Certa vez, viu-se, completamente, sem alento. Teria ficado já em diversas casas em suas condições costumeiras e já não lhe estava fácil arrumar onde ficar. Toda casa na qual ficara, saiu inimiga das pessoas e falando mal. A Vila Vicentina não lhe aceitava por ser, ainda, uma mulher jovem e que poderia cuidar do seu sustento. Todavia, no fundo, Benedita gostava mesmo era de morar de graça e não ter um compromisso efetivo com o trabalho.
Nesse momento de sua vida, procurou a nossa casa. Pediu a minha mãe pousada por pelo menos uma semana, quando já teria arrumado onde ficar. Mesmo contrariada pela falta de condições de então, minha mãe, envolvida no seu espírito caritativo, cedeu-lhe um canto da casa onde pudesse dormir e se alimentar durante o tempo necessário para arrumar um outro lugar. Entretanto, ela não saiu no tempo prometido. Não arrumava outro lugar e tirando a liberdade da casa, foi se acomodando, sem nenhuma previsão de sair. Desse modo, minha mãe teve que ser franca, afinal, teria lhe concedido asilo por uma semana apenas e o tempo já acumulava três meses.
Até que, enfim, ela saiu. Pegou as suas roupas e se foi. Voltando-se quinze dias depois para buscar uma peça de roupa que havia deixado esquecida.
Após chegar, com uma cara de poucos amigos, disse para a minha mãe que teria arrumado um lugar muito melhor. Onde supunha que ninguém a dispensaria, em uma forma indireta de se fazer entender. Quando minha mãe, na maior das inocências, lhe diz:

---A Maria do Dondico me disse que viu você entrar na Rola do Estevão.
Ao ouvir essa frase, Benedita virou uma serpente e ninguém nunca havia lhe visto falar tão alto, tão claro e de forma tão agressiva: Falava, abanava e, por pouco, não agrediu a minha mãe:

---Eu não entrei na rola de ninguém. Eu sou uma moça de boa família. Sou virgem e vou morrer virgem porque sou pura e honesta, sua desgraçada! Eu nunca vi nenhum Estevão, sua fofoqueira!

A minha mãe assustada não entendeu a maldade na cabeça daquela virgem, naturalmente, revoltada por ser virgem. Afinal, a sua reação mostrava, claramente, não ser ela tão pura assim.

“A cabeça, como o estômago, é mais facilmente envenenada quando está vazia.” (Jean Richter).
* Rola era a espôsa do Sr. Estevão, comerciante no ponto onde hoje está estabelecido o Armazém do Divino e todos a tratavam de Rola do Estevão.

Armando Melo de Castro
Candeias casos e acasos
Candeias - Minas


sábado, 24 de dezembro de 2011

UM DESENCONTRO COM O NATAL

                                                               Foto Wikipédia
Certa vez, eu fui convidado para uma ceia de natal cuja fartura, nunca vista por mim, deixou-me, deveras, encabulado na minha condição de proletário. Eu jamais teria participado de coisa igual. Compunha-se a mesa de iguarias das mais diversificadas possíveis, contendo produtos nacionais e, também, importados. Uma grande variedade de carnes, castanhas, vinhos, etc.

A família composta apenas por mãe e filho, portugueses, fizera tanta comida que daria para alimentar mais de vinte pessoas. No entanto, apenas eu e mais um fomos os convidados presentes. Isso, naturalmente, fez com que a dona da casa, no afã de mostrar os seus dotes culinários, quisesse que fosse consumido todo aquele banquete. Com isso, insistia, de forma pouco recomendável, servindo-me, constante e diretamente ao prato, fazendo com que eu me perdesse entre a fome, a vontade de comer e o sustento. No final, eu já não podia olhar mais pela mesa principesca, pois, os excessos faziam-me embrulhar o estômago, tendo em vista o meu cuidado em ser educado e não deixar restos no prato.

Foi, sem dúvida, o mais farto de todos os natais da minha vida. Contudo, foi, igualmente, e com toda certeza, o pior de todos. Daí para frente, eu passei a ver o natal de forma angustiante. O sentimento natalino que, até então, habitava o meu coração passou a não existir mais. A festa do nascimento de Jesus que outrora me trazia as alegrias do Papai Noel, deixou de habitar o meu coração. A meu ver, a união da família, nesse dia, já não tinha o mesmo sentido. Passei a perceber um ambiente, verdadeiramente, monótono, contudo, feliz e real. A legitimidade da reunião familiar retratando a candura de Maria e a humildade de José diante do nascimento do filho. Prefiro, portanto, sentir dentro de mim a imagem dos presépios me transportando ao verdadeiro mundo pelo qual o filho de Deus chegou.

Ao sair daquela festa, deparei-me com um quadro, até hoje, acomodado nos fundos dos meus olhos. Vi uma pobre mãe apanhando restos de comida num latão de lixo e dando aos seus filhos assentados na beira do passeio, enquanto aquelas crianças comiam aquela soca como se fosse o melhor manjar do mundo. Enquanto isso, meninos vizinhos riam daquela cena de cuja estupidez da vida agredia, violentamente, aqueles filhos de Deus.

Jamais, por mais que eu viva, me esquecerei de cena tão deprimente. Portanto, para mim, o natal perdeu todo o seu brilho. Nunca mais senti as emoções de uma festa natalina. Para mim, isso é um teatro cuja peça mal escrita não tem quase nada, ou nada, a ver com o menino Deus.
As pessoas se reúnem para se deliciarem com um pedaço de carne. Carne de um animal que na noite de natal aqueceu o Messias aquele que viria como Salvador, ou então, a carne do animal de porco que o Velho Testamento reputa como imunda. Reúnem-se, simplesmente, para cear quando o coração já não se encontra alimentado de amor. O amor que Cristo pregou.

Esses paradoxos fazem com que eu não acredite mais no natal e o perceba como uma festa hipócrita pela qual a diferença humana se torna gritante.



O natal é uma data convencional, sustentada pelo comércio que não comunga com nenhum princípio religioso.



Armando Melo de Castro
Candeiasmg. Casos e acasos
Candeias – Minas

Cronica relacionada: Um triste Natal:

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

UM BENDITO TOCA-DISCOS


Imagem para ilustração do texto.
No meu tempo de adolescente, as coisas eram muito diferentes dos dias atuais. Os namoros eram para casamento. Não tinha esse negócio de “ficar”. Esse termo era próprio dos homens quando transavam ou dormiam com uma prostituta e comentavam: eu fiquei com fulana. Hoje, quando ouço uma adolescente dizer: eu e cicrano ficamos ou nós somos “ficantes”, eu até me arrepio de ver como as coisas mudaram. Já não se tem tranca na língua. A pessoa fala e escreve o que bem pensa. Analisando o mundo de hoje, concluo que uma das grandes responsáveis por essa mudança é a televisão. Recentemente, no programa do Jô Soares, eu vi e ouvi em muito bom som, os participantes falarem o apelido da vagina e do pênis como se estivessem falando numa tabuleta ou num baralho. Falavam sobre o ânus como se esse fosse um jacu. A televisão vem mudando, a passos rápidos, a nossa cultura. Antes, cada Estado tinha a sua característica. Agora, vai ficando tudo por igual. Enfim, são novos tempos. O tempo não muda só de chuva para sol e nem de sol para chuva. O tempo muda de cara e é o que estamos vendo.



Hoje em dia, os namorados transam dentro de suas casas. Conheço mães que dizem achar isso natural e que é muito melhor do que imaginarem a sua filha em um motel. Isso pode parecer um absurdo para mim que já sou avô, entretanto, para os pais de hoje, está tudo normal. A virgindade, aos olhos da maioria da gente moderna, é uma caretice. A música de hoje só fala em sexo. O romance caiu de moda e o sexo tomou o seu lugar além de vir com especificidades: sexo anal, sexo oral, sexo explícito, espanhola, 69, troca-troca, cata cavaco, frango assado, canguru perneta e tanta coisa mais que eu fico até vermelho diante de certos jovens. Enfim, fazer o quê? Essa geração que aí está é a responsável pelo mundo de seus filhos e, nessa questão, é muito difícil julgar porque a obra da criação impõe progresso, e, desde que o mundo é mundo, existe o conflito de gerações. É difícil ficar citando o que é certo e ou o que é errado. Portanto, a meu ver, o melhor é entender que a libertinagem é um vocábulo fora do dicionário moderno. Quem muda o mundo são os jovens. Nós, os velhos, não temos mais o futuro. O nosso presente é escasso e o passado está quase morto.



Como eu dizia, antes havia o silêncio. A boca nem sempre falava o que pensava. Era gostoso pensar em segredo, imaginar uma safadeza. Um escurinho do cinema, estar na moita ou num corredor escuro. Uma mão meio abobada... Ah, como era bom o escuro! Às vezes, a gente via o sol no escuro. A vida era cheia de incógnita. Cheia de segredinhos e fofocas. O namoro escondido. Como era bom namorar escondido. A pessoa, às vezes, estava, por tempos, sendo a causa de um comentário e não sabia de nada.



Pensava que estava enganando e no fundo estava sendo alvo de crítica maliciosa. Afinal, o escondido fazia parte das nossas emoções e a descoberta era demorada.


Atualmente, tudo se fala, tudo se comenta e tudo é aberto.


Obviamente, que eu já fui um adolescente. Como já disse, anteriormente, era um menino bobo, tímido ao extremo. Não era bom de conversa e nem sabia me apresentar a uma menina. Não cumprimentava alguém olhando em seus olhos. Trazia comigo a insegurança e morria de medo do ridículo. Mas, cá dentro do meu mundo, eu era cheio de idéias. Pensava o que queria porque Deus teria me dado esse atributo. Não podia falar o que pensava. Entretanto, podia pensar o que falava. Portanto, eu dava dicas de que era realmente um bobão. Todavia, no fundo, no fundo, eu era corajoso, safado, desavergonhado e descarado. A bem da verdade, eu era alguém para mim e outro para os outros. Porém, muito longe de me comparar aos jovens de hoje.



O cabaré era a escola onde se aprendia a beijar, a transar e até a gostar de uma mulher. As professoras se propunham a prestar um bom serviço e existiam aquelas que eram verdadeiras artistas e eu já me imaginava frequentando aquela escola fazendo a minha matrícula através de uma visita ao cabaré do Zé Bolinha até que, em um dia de carnaval, recebi um convite de um amigo meu, o Zé Mori Alvarenga, para dar uma chegada lá na mulherada. Eu não pensei duas vezes em aceitar o convite. Ele era mais velho, já experiente e eu com uma companhia dessas estaria como se, ao meu lado, tivesse o professor que eu queria.



Zé Mori Alvarenga teria me contado que na zona se gastava muito dinheiro e que iríamos dividir duas cervejas. Não poderia escutar a conversa das mulheres porque senão elas arrancavam o couro da gente. Iríamos ali para apreciar o movimento. Só que eu queria mais e planejei uma nova visita ali para alguns dias depois.



Eu possuía um toca discos de 78 rotações (não havia LPs nesse tempo) com um pequeno amplificador de som que eu comprei de segunda mão de uma senhora chamada, Ana Pimenta. Paguei o aparelho com muito sacrifício juntando tostão por tostão. Custara a importância de sete mil cruzeiros (unidade monetária antiga) com dinheiro ganho como auxiliar de fogueteiro do Zé do Leonides, pai do Ieié. Na época, esses aparelhos, apesar de rudimentares, eram muito caros ao contrário de hoje que são fartos e fáceis de serem adquiridos. Sete mil cruzeiros era muito dinheiro e dava para fazer mais de uma boa farra.



Diante disso, eu tive uma idéia: vou voltar ao cabaré, mas, agora, vou com dinheiro. Vendi o meu toca discos por cinco mil cruzeiros para o filho de um vizinho fazendeiro, tal de Pedrinho. Um menino bem mais novo do que eu e meio bobo.



Fiquei com cinco mil cruzeiros no bolso e com o cabelo besuntado de Brilhantina Glostora, perfume Madeira do Oriente nas orelhas, leite de colônia no corpo inteiro e um maço de cigarros Columbia (o mais caro da época) segui para o cabaré. Empanado em uma calça marrom e um paletó preto, roupas de ver Deus sendo usadas para ver o diabo. Nunca me senti tão rico na vida. Eu parecia o dono do cabaré e causei a melhor impressão nas mulheres. O dono do prostíbulo, que só era gentil quando via dinheiro, tratou-me não como um proletário, mas sim, como um latifundiário. A mulherada nadou e rolou no rabo-de-galo (pinga com vermute), na cerveja e no tira-gosto de mortadela (o chamado pão com salame). Tocaram-se músicas próprias do ambiente e, pela primeira vez, eu dancei. Dancei com a mulherada toda. Elas me ensinavam tudo. Lembro-me que passei a ser alvo de disputa entre elas. Contudo, eu escolhi uma mais bonitinha, a Maria dos Baiões, que me ensinou a dar um beijo caprichado, pois, eu não sabia nada. Senti-me como um galo no terreiro, no meio da galinhada. Eu que não tinha, ainda, o hábito de usar bebidas alcoólicas e fui acordar lá pelas tantas da madrugada, com alguém me mandando embora, pois eu estava roncando muito. A cabeça parecia estar estourada, a boca com gosto de cabo de guarda-chuva e o bolso sem um vintém de sobra. Saí rua afora como o mais idiota de todos os homens.



No outro dia de manhã, o pai do comprador do aparelho aparece com ele à porta de nossa casa. Veio bravo falar com o meu pai para desmanchar o negócio, pois, seu filho lhe teria furtado o dinheiro debaixo do colchão para comprar aquela porcaria.



Naquele momento, eu curtia a primeira ressaca da minha vida. Mas, estava com a alma lavada porque já teria fornecido ao mundo grande parte da minha inocência.


O resto não será difícil imaginar. Deus deu um jeito...


Armando Melo de Castro
Candeiasmg casos e acasos
CANDEIAS – MINAS GERAIS

domingo, 11 de dezembro de 2011

O MÉDICO E O PALHAÇO

Foto apenas para ilustrar o texto

Eu tinha os meus dez anos de idade e estava sempre acompanhando o meu avô João Delminda. Ora na cidade, nas visitas aos amigos, e, em outras vezes, eu o acompanhava até às escolas onde era professor. Ele foi professor durante muitos anos em escolas municipais, nas comunidades dos Cassianos e Caixeiros.

Entre os seus netos, eu sempre pude contar com uma dose de carinho muito especial quando ele me questionava sobre coisas fundamentais na vida de um homem. Seus alunos não se limitavam aos meninos da roça. Muitos da cidade estudavam com ele e o acompanhavam, diariamente, na caminhada de ida e volta da cidade até à comunidade rural onde, naturalmente, estava lecionando. Estão, entre alguns de seus alunos, o João Cassiano Filho e o seu irmão, Cassiano; Zé Vermelho e seus irmãos, dentre muitos outros que no momento me falha a memória.

Nesse tempo, apenas nos Vieiras e nos Pereiras existiam prédios próprios para as escolas rurais. Nas demais comunidades, o dono da fazenda, em que era estabelecida a escola, fornecia um cômodo que era improvisado. Naquela época, os professores, em sua maioria, eram homens e autodidatas. Além do meu avô, tinham outros como: Zé Cristiano (Filho do Padre Américo), Tote da Vitória, Josino Mestre e outros.
Eu era, portanto, um companheiro fiel. Lembro-me, certa vez, quando eu o acompanhei até ao Bairro da Lage a fim de visitar um amigo natural da cidade Ribeirão Preto/SP e que, após suas andanças mundo afora, aportou em Lavras de onde veio escrever um capítulo da sua vida aqui em Candeias.

Ambrolino saiu de sua terra, Ribeirão Preto, quando tinha vinte anos de idade e nunca mais voltou por lá. Teria sido criado num orfanato e não conhecia nenhum de seus parentes. Talvez, magoado com a sua origem, resolveu percorrer o mundo e de lá saiu acompanhando um circo de cavalinho.

Começou trabalhando como auxiliar de palco, pois, naqueles tempos, os circos tinham um palco onde eram encenadas diversas peças teatrais, tanto comédias como dramas.

Daí, Ambrolino chegou a fazer uma experiência no trapézio quando uma queda lhe fez manco de uma perna vindo, consequentemente, a encerrar a sua carreira de artista circense como palhaço. O palhaço Chupeta. Dizia sempre que escolheu este nome porque a sua vida teria sido uma chupeta em que ele sugava e nunca saía nada. Foi um menino sem infância, depois, um jovem sem namorada porque vivia de déu em déu e nunca teria se casado. Teve um caso com uma colega de circo do qual vieram dois filhos. Infelizmente, a mulher o abandonou, sem mais e sem menos, tornando-se, assim, pai e mãe de dois garotos o que o levou a deixar o circo de lado e se aportar na cidade de Lavras, por ocasião de sua passagem por lá.
Em Lavras, trabalhou de guarda noturno onde arrumou uma companheira que muito lhe ajudou na criação dos filhos. Sendo pobre, não tinha como forma-los e a saída foi orientá-los a integrar o Oitavo Batalhão da Polícia Militar em Lavras. Com o tempo ficou sem a sua companheira que faleceu. Posteriormente, seu destino foi vir morar com um dos seus filhos que prestava serviço em Candeias, como policial.
Ambrolino era religioso, caridoso e tomou amizade com o meu avô através da Sociedade São Vicente de Paula.

Fiquei sabendo que ele teria sido palhaço em um dia, quando  conversava com o meu avô. Ele dizia:

---É, João! A vida de palhaço não é só brincadeira, não! Quantas vezes eu ri estando com vontade de chorar, rapaz. A mãe dos meus filhos me deixou em um dia em que ia cantar no circo a dupla sertaneja Zé Fortuna e Pitangueira (na época era uma das duplas mais famosas do Brasil). Nesse dia, disseram que eu estava mais engraçado do que os outros dias, mas na verdade, eu estava, o tempo todo, era com muita vontade de chorar.

Certa vez, a turma da escola levou em cena um espetáculo no cinema. Tudo que era atração da cidade foi apresentada. Lembro-me que se apresentaram o seresteiro Bigode, um barbeiro que tocava e cantava muito bem. Meu pai com o seu bandolim. Vicente do Augusto com o solo maravilhoso do seu violão e muitas outras atrações. Atrás, nos camarins, estava aquele senhor idoso, meio careca, baixo e de olhar tristonho. Observava toda a movimentação dos artistas amadores que se preparavam para entrar em cena. Uns para cantar, outros para tocar e outros para representar.

Eu, que fazia parte desse evento, conhecia aquele velho quieto em um canto. Quando alguém se aproximando dele, disse-lhe: Sr. Ambrolino, acho que já pode começar a se preparar. O senhor vai ser o último número.

E o velho, abrindo uma pequena maleta, tirou os seus preparativos de palhaço. Uma bola de tênis de mesa vermelha (o nariz), uma cabeleira amarelada, um batom vermelho, etc. e um material branco. A partir daí, começou a se transformar em um palhaço sob a curiosidade dos presentes.
É chegada a sua vez. O apresentador era um jovem por nome de Milton que deu uma ênfase ao apresentar o número:

---E, agora, senhoras e senhores! Uma grande surpresa. Vamos apresentar um artista circense que já percorreu grande parte do Brasil. Com vocês, o palhaço Chupeta, aqui presente para a nossa alegria:

Surge, por detrás da cortina verde do cinema, aquela figura transformada. Parecia que o seu sorriso ia de encontro com as orelhas. Após saudar a platéia com aquele charme de palhaço, agradeceu a oportunidade que a sociedade de Candeias estava lhe dando para subir ao palco mais uma vez em sua vida, após tantos anos sem ver uma platéia. E com a voz um pouco engasgada, anunciou o seu número que seria apresentado:

---Meus amigos de Candeias, eu vou agora tentar arrancar da minha mente preguiçosa a história de um palhaço, de autoria de Henrique Hine, em uma adaptação de Mendes de oliveira: O Tédio

Venho, doutor, fazer-lhe uma consulta!
A doença que me maltrata a mocidade e o espírito vem de uma chaga que nunca cicatriza.
Muito embora, comum a tanta gente, tanto me torna pensativo e doente que já não sei o que é paz nem alegria.
Sendo o doutor, o mais sábio clínico do mundo, sois também um filósofo notável do peito humano. Conhecedor profundo, curareis este mal inabalável que me destrói o organismo, fibra por fibra, que me enevoa e engrossa o cérebro.
Eu tenho um coração que já não vibra.
Suporto uma cabeça que não pensa.
Essa doença mortal, um mau presságio,
que me envenena, que me escurece os dias é como os beijos dado a dinheiro, numa noite de orgias.

---- O amigo tem razão. Padece, realmente!
Contudo, a infermidade, o tédio que o devora, é um produto fatal do século de agora.
Uma emoção vibrante, um abalo violento, pode curá-lo.
Creio que apenas em um momento. O tédio é uma sombria, uma fatal loucura. É a treva interior, a grande noite escura. Onde se esquece tudo: a sorte, a vida amada, o nosso próprio ser e só se lembra do nada. Diga-me: alguma vez amou? Nunca, em seu peito, vibraram as paixões ou o temporal desfeito como as vagas de um mar que se agita e encapela ao soturno rumor do vento e da tempestade?

--- Nunca, doutor, nunca!

---Pois, meu caro, procure a agitação constante, um prazer esquisito, um gozo triunfante! Visite a Grécia, o Oriente, a Terra Santa... Os lugares onde tudo hoje se evoca e decanta, as glórias de uma idade imorredoura que amesquinha e deslumbra a geração moderna.

---- Em muitas festas, doutor, passei a mocidade. Percorri viajando o mundo e a humanidade, como Judas errante! E entre as mulheres todas cujos lábios beijei em transas e bodas, em mulher nenhuma eu vi sobre a terra tamanha que para mim não fosse uma visão estranha. Como parti, voltei. Sem achar alívio para este mal que assim me trás cativo.

--- Então, frequente o circo, amigo! A figura alegre do famoso palhaço que a esta cidade inteira palmas e aclamações, constantemente, arranca! Talvez, ele lhe restitua a gargalhada franca!

---Vejo, doutor, que o meu caso é perdido. O truão de que falas, o palhaço querido que anda no circo, assim tão aplaudido, tem um riso de morte, um riso mascarado, que encobre a dor sem fim
do tédio e do cansaço.
Sou eu doutor, sou eu este Palhaço!

Alguns dias depois desta sua ultima apresentação, Ambrolino foi levado às pressas para o hospital, São Vicente, de Campo Belo. De lá para a cidade de Lavras onde veio a falecer por não resistir as consequências de uma parada cardíaca.

Onde quer que esteja, Sr. Ambrolino, receba o meu abraço e, com certeza, estará batendo um papinho aí com o meu avô.

Armando Melo de Castro
Candeias casos e acasos
CANDEIAS – MINAS GERAIS

domingo, 4 de dezembro de 2011

O SOBACO RAPADO

                                       Atríz Taís Araújo - Foto Wikipédia
Eu me sinto estarrecido com a violência do homem contra a mulher. Não existe, a meu ver, um ato de covardia mais humilhante. A força do homem não lhe foi concedida para atos dessa natureza e sim para defender a mulher que, na constituição da família, entra com a parte da sensibilidade tão necessária ao ser humano na sua formação. Portanto, entendo que a força do homem não tem outro significado a não ser para proteger a mulher. É verdade que existem mulheres atrevidas que não reconhecem o seu físico frágil diante do homem. Com isso, costumam principiar uma agressão na qual ela sai em desvantagem. Contudo, isso não justifica um homem levantar a mão para uma mulher. Cresci, ouvindo meu pai dizer: “Em mulher não se bate nem com uma flor”.


Eu tenho bem guardado, nas gavetas da minha memória, um fato triste que presenciei, quando criança, na casa dos pais de um menino, amigo meu. Chamava-se Jésus. Era a época em que eu frequentava a sua casa para brincar, nos meus tempos da Rua Coronel João Afonso.


Lourdinha, sua mãe, era uma mulher de traços lindos, porém, faltava-lhe trato. Um banho de loja e alguns cuidados, com certeza, lhe fariam sósia da famosa Taís Araújo, atriz da Rede Globo de Televisão. Aquele charme, aquela simpatia, aquele jeito da atriz poderiam ter lhe pertencido antes, se lhe tivesse sido aplicada a performance necessária. Na escola se desdobrava diante de outros alunos. Um meio favorável e adequado ao nascer teria feito de Lourdinha uma personalidade, pois, não lhe faltava perfil para isso: alegre e risonha. Gostava de cantar, representar e era inteligente. Todavia, tudo isso teve um fim com o seu casamento. Se Deus lhe tivesse dado um endereço diferente para aportar neste mundo, isso poderia ter sido evitado. Entretanto, infelizmente, o destino de Lourdinha foi nascer nas beiradas da cidade de Candeias como filha de pessoas humildes e sem nenhuma perspectiva de vida. Nascera num meio excluso e jamais sairia dele porque o seu fado não lhe ajudaria.
Morena escura, canelas finas, corpo mediano, lindo e sedutor, capaz de atender os mais exigentes anseios masculinos. Tinha um sorriso próximo do maravilhoso e uns dentes brancos e perfeitos. Uma espessa cabeleira mal cuidada, dependendo, simplesmente, de um cabeleireiro para que a tornasse perfeita. Enfim, Lourdinha era uma figura de causar inveja na Escrava Isaura de Bernardo Guimarães. Ter-lhe-ia faltado apenas o meio saudável já que o homem é um produto do meio. A natureza lhe teria sido muito gentil, muito camarada e benevolente, contudo, a sorte não lhe esteve presente.


Ser pobre não é defeito de ninguém. Pelo contrário, a pobreza eleva o ser humano que sabe viver com dignidade diante das dificuldades. Mas, o destino de Lourdinha não lhe prometia nada. Se já não lhe bastassem os problemas que a vida lhe teria oferecido oriundos do berço, viera a se envolver em namoro com um cidadão fora dos bons princípios morais, sem ânimo para o trabalho e o pior: cheio de tendências negativas. Era adepto ao jogo e à bebida alcoólica com excesso. É de todo sabido que essas duas opções, fora dos limites, levam o ser humano a caminhos tortuosos, caminhos contrários aos bons costumes impostos pela sociedade.


Lourdinha conheceu Sebastião em uma Festa do Rosário. Este, com cara de anjo, se aproximou dos pais da moça para pedir autorização para o namoro. Como contava com dezesseis anos e ele já rapaz feito, com uma profissão, o namoro foi autorizado. Começou e, logo depois, se casaram com a aprovação da família que via para a filha uma reserva de futuro, tendo em vista julgarem-na própria para se casar.
Sebastião era pedreiro de segunda categoria. Era conhecido por Tiãozinho, mas, não tinha nada de “inho”. Era um mulatão forte, alto, cabelo bem aparado, rosto largo, dentuço, nariz tala larga e uma boca de dimensão respeitável que esguichava uma voz pastosa, principalmente, quando estava bêbado. Tipo encrenqueiro. Não se dava bem, nem mesmo, com os seus pais. Brigava por coisas ínfimas como, por exemplo, se alguém lhe tomasse o seu pedaço de frango preferido já era motivo para um falatório danado. Chamava o pai de bobo e a mãe de ignorante, em um tempo em que os filhos beijavam as mãos dos pais. Era grosseiro e estúpido enquanto a mulher era uma figura delicada e amável.


Quase sempre, entrava em conflitos nos botequins quando exagerava nos goles e, ao chegar em casa, tinha a mão solta sobre a família, principalmente, na pobre mulher que vivia com o rosto sempre mostrando as marcas da violência do marido. Os pais, comumente, em conformidade com a história bíblica dos “Setenta vezes sete” (Mateus 18/22) não se envolviam e o pior é que não existia lei que punisse isso. Aquela velha história de que em “briga de marido e mulher não se mete a colher” era coisa efetiva. Para certas mulheres, a sua própria casa poderia ser vista como um protótipo do inferno.


O irmão de Lourdinha iria casar-se na cidade de Campo Belo e a família foi toda mobilizada para a cerimônia. Tiãozinho teria descartado a sua presença, mesmo porque não teria como comprar roupas e nem arcar com um presente. Permitiu que a mulher viajasse, desde que não lhe coubesse nenhuma despesa o que lhe foi bancada pelo seu pai.
Dois dias foi o tempo de ausência de Lourdinha enquanto esteve hospedada com seus familiares na cidade de Campo Belo. Naquele afã da festa, as mulheres se arrumaram com esmero. Lourdinha foi levada a mudar o seu visual, pinçando as sobrancelhas, depilando as axilas, buço, etc. Isso, com certeza, teria mexido, talvez, com a única gota de vaidade que lhe restava.


O filho mais velho do casal não teria ido. Permanecera com o pai. Éramos amigos e sempre nos juntávamos para brincar de bolinha de gude e rodar pião no quintal de sua casa que ficava nas proximidades da venda do Antônio do Orcilino, hoje, mercearia do Rogério, na Rua Coronel João Afonso, esquina com Rua José Furtado.
Lembro-me como se fosse hoje. Eu estava presente, quando chegou Lourdinha, toda feliz, com um visual mais cuidado, ainda dentro do vestido da festa, presente de sua mãe. O cabelo teria ganhado um banho de óleo e o rosto retocado. Trazia no colo a filha caçula e um embrulho com alguns doces, bombons, pedaços de bolos, ou seja, um pouco da festa para agradar o marido e o filho. Ela não sabia o que lhe esperava:
Logo depois, ainda naquele calor da chegada, quando Lourdinha dava a mim e ao seu filho as delícias da festa, Tiãozinho vem chegando. Não teria ido trabalhar e já estava embriagado. Quando bateu os olhos empapuçados sobre a mulher e a vê com um novo visual começou com os ataques verbais que logo passariam aos ataques físicos:
Tomou-lhe das mãos o embrulho dos doces da festa e o atirou longe. E aos gritos disse:
--- Vagabunda! Que negócio é esse de subaco rapado. E esses ôio pelado? Onde qui ocê tirô isso? Até a boca tá rapada. Que mais que ocê rapô? O que ocê andô fazeno nesse inferno de casamento? Deve tá tudo rapado sua “p”, sem vergonha. Ocê tá mais é pareceno uma vaca do Zé Bolinha. (Zé Bolina era o dono da zona do meretrício). Muié, igual ocê, pricisa é morre! Sua ordinária. Trem ruim. Ocê juntô com a cachorrada da sua famía pra vortá desse jeito igual uma vagabunda de zona. Eu vô te mostrá sua safada, ispera aí.
Pegou a pobre mulher aos tapas e lhe tomou pela nuca arrastando-lhe até a uma caixa dágua próxima à porta da cozinha e lhe mergulhou a cabeça causando-lhe um estado de desespero tão grande difícil até mesmo de descrever. Lourdinha estava ali, às portas da morte. Daí o canalha soltou a pobre mulher que se foi ao chão, cujo vestido novo se misturou com a lama da beira da caixa. O rosto refletia a presença da morte. Eu e seu filho, Jésus, com os olhos arregalados, assustados, impotentes, intimamente desesperados, assistimos àquele quadro de terror, quando aquele homem que mais parecia um animal irracional tomou-se da mulher e a depositou numa cama saindo em seguida para a rua. Diante disso, eu e o seu filho saímos desesperados até a venda do Antônio do Orcilino e pedimos socorro o que fez logo com que a casa se enchesse de gente.
A partir desse dia, algo muito sério aconteceu com Lourdinha. Talvez, uma forte lesão cerebral. Ela nunca mais foi a mesma. Ficava o tempo todo olhando em uma só direção. Não ria, não chorava, tornou-se uma criatura vegetativa. Não dava notícia de nada e não falava coisa com coisa. Os filhos que outrora andavam limpos e saudáveis já não mostravam esse quadro. Tiãozinho vivia bêbado. Saía cedo e voltava à noite. Não fosse a família de Lourdinha, esta e os seus filhos teriam morrido de fome.


Após algum tempo, mudaram-se para a cidade de Formiga e eu, nunca mais, tive notícia dessa família. Até que um dia, muitos anos depois, no Bar do Vicentinho Vilela, alguém se aproximou de mim e perguntou:

---Disseram-me que você é o Armando?
---Sim, pois não..
---Eu sou o Jésus da Lourdinha. Talvez, você não se lembre mais de mim. Moro em Belo Horizonte e sou motorista de táxi.
---Claro que me lembro, Jésus! Como iria me esquecer de você, meu amigo!

Após um abraço emocionante, perguntei:

---E sua mãe? Como está?
---Minha mãe morreu muito nova, logo após nossa mudança daqui. Ela nunca mais se entendeu como gente!


Naquele momento, caíram duas lágrimas que se encontravam guardadas nos fundos dos meus olhos, há muitos anos! Não tive coragem de perguntar pelo seu pai e, felizmente, ele não me disse nada a respeito dele.

Eu gostaria tanto de não ter esta história para contar! Ela me transporta ao inferno das mulheres violentadas por demônios que pensam que são homens.
É triste! É muito triste!...

Armando Melo de Castro
Candeiasmg.Casos e Acasos
Candeias -MG

sábado, 26 de novembro de 2011

UMA DEFUMAÇÃO ESPERTA

Foto para ilustração do texto.
Tem gente que não tem o chamado “desconfiômetro”, ou seja, princípios de boas maneiras na escolha da hora de visitar alguém. Um exemplo: visitar uma pessoa que teve um parente morto e passar dos quinze minutos protocolares que a etiqueta permite. Ficar o tempo todo jogando a tarefa do consolo para Deus: “Deus vai lhe dar o conforto” dizem sempre. Essas pessoas não sabem que frases como essas não atingem de cheio aquele que perdeu um familiar. Estando o ser humano extremamente frágil, nesses momentos, a pessoa fica descrente, letárgica e pouco se importando para o que as pessoas estão falando. É claro que existem as exceções.

A meu ver, a maneira mais elegante de fazer essas visitas é demorar, no máximo, quinze minutos e recomendar aos parentes do falecido a dar tempo ao tempo. A morte de alguém em uma família não é considerada uma devolução para Deus e sim uma perda e nenhum humano gosta de perder uma pessoa querida.

Quem vê morto um ente querido, se sente subtraído e somente se lembra que aquela vida estava nas mãos de Deus e que Ele poderia tê-la poupado. Por mais fé que uma pessoa tenha em Deus, em um momento de perda, dessa natureza, a fé se abala, principalmente, se tratar de morte acidental ou de pessoa jovem. O subconsciente do enlutado cobra de Deus essa perda e a fé apenas vem a ser resgatada com o passar do tempo.

Outros fazem visitas em horários da lida caseira, das novelas e das refeições. Por mais íntima que seja a amizade, esse tipo de visita incomoda.

Semana passada, enquanto minha mulher viajava, eu resolvi fazer um almoço para mim e para minha filha. Preparei dois bifes suculentos, uma porção de batatinhas fritas, refoguei o arroz e o feijão. Já ia lavar um pé de alface para preparar uma salada, quando a campainha toca. Fui atender a porta, quando me dou com um casal. Cada qual com uma Bíblia nas mãos. E eu já pude imaginar do que se tratava. Era, sem dúvida, um casal de Testemunhas de Jeová. Uns pastores volantes que aparecem nas casas da gente, geralmente, no horário de almoço. Contudo, como tenho o hábito de receber bem as pessoas na minha casa, fui gentil:

---Pois não...

--- O senhor tem cinco minutos para nos atender?

--- Bem, eu estou preparando o almoço. Minha filha vai sair e o meu tempo está um tanto apertado...

---Mas, serão apenas cinco minutos.

--- Tudo bem, então! Sendo somente cinco minutos, eu nem vou lhes convidar para entrar.

---O senhor já leu a Bíblia?

---Já! Já li a Bíblia sim!

---E o que achou?

---Achei, parcialmente, interessante.

---Mas, por que parcialmente? A Bíblia é toda interessante!

---Talvez para os teólogos, o que não é o meu caso.

---Qual a parte que o senhor achou mais interessante?

---Grande parte do Segundo Testamento.

---O senhor pode citar algum livro que o senhor gostou?

---Sim! Claro! Todos que fazem referência direta a Jesus Cristo, desde que na essência da palavra.

--Mas, os outros também são bons.

---É uma questão de opinião, não é mesmo!

---E o Velho Testamento, o que o senhor diz?

---Muita alegoria, especialmente o Pentateuco com ênfase para a Gênese.

A essas alturas, o meu arroz deu sinal de estar queimando.

---Vejam, meus amigos. Vocês vão me dar licença, entretanto, não dá mais! Eu estou muito ocupado. Vocês disseram que seriam apenas cinco minutos e já foram mais de quinze. A minha panela começou a queimar o arroz. Aliás, eu queria sugerir a vocês que fizessem esse trabalho em outro horário. Em uma hora dessas, as pessoas estão envolvidas com as refeições, não é verdade?

--- Mas, é nessas horas que a gente encontra as pessoas em casa!

---Entendo. Todavia, fica um tanto difícil, vocês não acham?

---Olha! Já que o senhor tirou a panela do fogo, gostaríamos que nos desse mais um minutinho, afinal de contas, estamos gostando de conversar com o senhor.

Pensei comigo: eu estou começando a ficar nervoso com vocês e lhes disse:

---Então, por favor, sejam breves, porque senão eu vou me atrapalhar.

---O senhor sabe que os dias estão contados?

---Dias? Quais dias?

---Os do juízo final.

---Olhem, meus amigos! Assentem aqui, enquanto ou vou lá dentro e volto já.

Fui até à cozinha e, então, meu celular toca. Era a minha mulher. Desliguei, imediatamente, o telefone e comecei a falar como se estivesse atendendo o chamado, contudo, com a minha voz bastante alterada como que de um pai de santo:

---Eu cavalo, entidade capangueiro tô.

Dei um espaço e continuei:


---Curumbeiro, nem vai dá! Esprito aqui falange. Amola eu! Fluido mau! Rabo de saia e perna de calça. Eu vai fazê mironga. Manda imbora! Não vorta, manda morada, Égun! Ajeita eu sem sussego pá amalá... Eu num aguentá! Vai fazê mironnnnnnnnnnnga...

E comecei a cantar com voz alterada:

---Vô defumá é agora! Ajucá, essa defumação abacé foi quem mandô pra levá perna de calça e rabo de saia daqui e sumi pra lá. (Bis)

Tão logo sai lá fora, o casal de chatos saía pelo portão e apavorados sem se despedirem. Deram uma olhada para trás e me olharam como se estivessem vendo o diabo.

Gente! Eu não dou conta dessa gente! Que Deus me perdoe!

Armando Melo de Castro
Candeias – Casos e acasos.
Candeias – Minas Gerais





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

COM CIÚME DO SANTO


A história católica diz que São Benedito nasceu na Itália e era Capuchinho. No mosteiro onde morava, exerceu várias funções, entre elas, a de cozinheiro.

Ele era, extremamente, preocupado com os mais pobres. Muitos o procuravam no mosteiro buscando sua ajuda, haja vista a falta de alimentação que os acometia. Muitas vezes, levado pelo seu sentimento caritativo, tomava de alimentos do convento e os escondia, entre suas vestes, a fim de levá-los para matar a fome dos necessitados.
Conta-se que, numa dessas saídas, seu Superior lhe surpreendeu, perguntando-lhe: “O que levas debaixo do seu manto, irmão Benedito?” E o santo responde, tranquilamente: “São Rosas, meu senhor”! E abrindo o manto, de fato, estavam as mais belas rosas no lugar dos alimentos, tirando a dúvida do Superior.

E, assim, aconteceu o primeiro milagre de São Benedito que ficou denominado como o milagre das rosas.

Existem duas imagens que representam São Benedito: Na primeira, ele está com o menino Jesus em seus braços e, na segunda, com flores nas mãos, como marca do seu primeiro milagre.

O santo negro, conhecido por Santo Preto, conquistou o coração dos católicos e é muito popular. Comumente, a sua imagem é vista nas cozinhas e dispensas dos brasileiros. Muitos católicos gostam de simbolizar a sua presença, oferecendo-lhe o primeiro café da manhã. Ele é o protetor dos cozinheiros e cozinheiras.

 Fé é fé. A fé pode parecer uma metáfora ou uma abstração. Bem dosada, ela serve de qualquer jeito. Desde que não pegue uma montanha em peso para removê-la ou que a sua obra não a faça morta. Mas, o pior é quando a fé se torna cega. A fé cega pertence aos que não a têm na sua essência. É a fé do egoísmo que se torna no espírito da coisa e por que não dizer que se torna em uma mercadoria que uma igreja charlatã, rouba do seu fornecedor e o transforma em freguês? 

O nome de são Benedito me faz dar uma olhadinha no retrovisor da minha vida, e ver Dona Estar, já comentada aqui neste Blog, num tempo quando fomos visinhos na Rua Coronel João Afonso na década de 50. 

Após ter levado uma vida irregular sob os olhos da sociedade, Dona Ester se casou com o Sr. João de Paiva, o pedreiro Joãozinho, como era mais conhecido. Era um homem simples, cumpridor dos seus deveres. Tinha o hábito de tirar um dia, dentro de uma temporada, para mamar umas pingas. Ninguém sabia quando seria esse dia. Era sempre uma surpresa para toda a vizinhança e até mesmo para Dona Ester que começava falando e terminava chorando, quando o via naquele estado de embriaguês.

Joãozinho era o contraste de Dona Ester. Baixinho, careca, rosto miúdo e bastante branco. Olhos azuis, dentes quebrados, narigudo, orelha de abano, parecia um coelho. Barba rala e uma voz fanhosa e baixa. No seu dia-a-dia, era mais manso do que um pardal. Tratava bem a esposa, era respeitoso com ela e lhe entregava todo o dinheiro do trabalho. Até o pedaço de fumo era ela quem comprava para ele. Mas, se tomasse umas pingas, sua figura mudava completamente. Falava alto e o fanho da sua voz sumia. A porta de sua casa se transformava num picadeiro de circo. Ofendia tanto a pobre mulher, a ponto das pessoas sentirem pena dela. Ainda bem que isso acontecia de duas a três vezes por ano.

Na normalidade do cotidiano, Joãozinho chegava a sua casa, completamente, sóbrio, tomava o seu banho, jantava e assentava-se à porta da rua fazendo o seu cigarrinho de palha, onde sempre aparecia alguém para conversar.

Toda a vez que ouço falar de São Benedito, logo vem, na minha memória, a imagem de Joãozinho na porta de sua casa falando mal, em voz alta, de sua pobre mulher que se encontrava no interior da casa. Dona Ester era devota de São Benedito. Apesar de ter a cor parda, ela era neta de escravos e, talvez, por isso, se declarava devota de quase todos os santos negros, São Benedito, São Maurício, Santa Ifigênia, Nossa Senhora Aparecida, e outros. Vivia fazendo novenas e oferecendo promessas aos seus santos. Entretanto, o Santo pelo qual ela dava uma atenção maior era para São Benedito. Estava sempre exclamando: “Meu São Benedito”!!! E aquilo, na hora que o Joãozinho estivesse turbinado, seria uma afronta a sua pessoa, uma afronta moral que dava início à encrenca:

---Invém ocê de novo quesse diabo desse Santo Binidito, Muié? Eu já num te falei que num quero sabê desse nome aqui in casa? Mas, qui diabo, sô! Cadê os ôto santo preto qui ocê gosta? Purquê tem qui cê esse Binidito? Um santo quesse nome num fais milagre coisa ninhuma, sua vaca! Ocê puxa tanto o saco dele que dá até café pra ele, pois eu vô pô pinga pra ele, quero vê se ele fica tonto! Sua égua. Sua mula véia. Esse santo só fais ingrizia. Vê se arruma um santo mio pró cê ficá chamano. Quando cê berra o nome desse santo me dá vontade de te pô a mão. Vê lá se isso é nome de santo! Trem ruim. Isso é santo de figa. Se fosse um santo tão bão, num tinha dexado ocê passá fome, sua vaca! Ocê memo vive falano que passou fome. E onde qui tava esse santo negão que nunca te ajudô em nada.? Discarada! Safada das maió! Bisca ordinária! Cachorra sem dono! Quarqué cuisinha já vem: “ ai, meu São Binidito!!!” Eu sei, sua mula! Quando ocê fala o nome desse santo, ocê tá lembrando é do Jereba, aquele arriero safado, cachorro sem vergonha, isploradô de muié, freqüentadô de cabaré! Aquele trem vagabundo morreu, mais ocê continua tarada com ele. Se ocê sonha arto com ele eu te mato. Eu tô de oio no seu sono, sua mula! Agora, quem trata dô cê é eu, intão ocê é só minha e tem qui tirá esse santo da cabeça porque esse diabo desse santo é uma discurpa amarela. Sua tarada!, Vaca, mula, égua, cachorra... Eu ainda vô morrê de raiva. Sua mula! Eu tenho nojo de tudo que é Binidito. Eu vô pidi a Deus pra me mandá pus infernos pra eu incontra quesse traia desse Binidito, fazedô de arreio.
Tinha qui tê um santo quesse nome. Isso é coisa do diabo. Só pode sê!

Moral da história: Dona Ester teria sido amante de Benedito Arreieiro e o trazia vivo na sua memória e Joãzinho tirava três dias, no ano, para desabafar o seu ciúme sobre aquilo que, talvez, pudesse observar sobre o comportamento de sua mulher em relação ao seu passado.

É como dizia a Rachel de Queiroz: “Eu queria contar uma história gentil, mas, só deu miséria”.

Armando Melo de Castro
Candeiasmg casos e acasos
Candeias – Minas Gerais


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PROCURA-SE UM "CRENTE"

                                   Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


Lamentavelmente, chega ao conhecimento do povo brasileiro a notícia de que o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, está acometido por um câncer de laringe. Não poderia haver uma notícia pior para os seus amigos e partidários, como, também, de maneira geral, para a nação brasileira tendo em vista a sua popularidade.

Eu nunca votei no Lula e suponho que jamais votaria considerando que nunca nutri algum tipo de admiração por um governo populista. A esses governos falta sinceridade e, muitas das vezes, vergonha na cara. É o que penso.
Quando o Lula disse que não sabia nada sobre o mensalão, eu confesso que tive, ainda mais, uma grande aversão sobre o seu comportamento como Presidente. Ver o comandante de meu país mentir, insolentemente, diante da máscara de diversos correligionários seus, a turma do mensalão. É um fato deplorável presenciar que, até hoje, ninguém da corja que enconta nessa maranha foi julgado e o pior: muitos deles estão sendo eleitos e exercendo os seus mandatos com as mãos sujas porque não há, neste país, água suficiente para lavar as mãos desses ladrões. O caldeirão de imundície fervilha ainda mais quando os representantes da cúpula da justiça do país são nomeados pelo Presidente da República e aprovados pelo Senado Federal. Isso é, sem dúvida, uma janela aberta para a corrupção moral. O poder judiciário teria que ser respaldado pelo voto popular e não de forma indireta como são feitas essas nomeações. É triste ver a paz moral entre políticos e juízes da nação.


Mas, voltando à doença do ex-presidente Lula, eu disse que nunca votei nele e suponho que jamais votaria porque do alto da minha ignorância, da torre da minha pobreza e dos píncaros da minha dignidade eu, em momento algum de minha vida, trocaria os meus atributos pelo direito de votar fora dos meus princípios. Proporcionar um cargo eletivo conquistado com promessas falsas, paternalismo, ou seja, fazendo carreira com o dinheiro do povo, através de um populismo barato, não é o meu caso. Milagres não existem na política. Os milagres são manifestações da presença ativa de Deus na história humana e não acredito que Deus entra, ativamente, onde existem manifestações que não sejam de amor ao próximo e sim amor ao dinheiro. Felizmente, tenho uma resistência enorme sobre os meus princípios morais, isto é, não me permitiria ser chamado de ladrão, de corrupto, desonesto mesmo de forma indireta, ou seja, ser chamado por todos esses requintes e esses adjetivos que os políticos ouvem e nem estão aí no sentido de eliminá-los ou refutá-los evitando, assim, os seus pecados. É por isso que eu não voto em candidato que promete o que não sabe se poderá cumprir porque se trata de um candidato que poderá ser corrupto. Se assim agisse, poderia ficar respingado pela mesma lama que tal candidato está buscando para si. Eu confesso: não gosto de política porque o retrato que os políticos brasileiros me mostra é um preto e branco enodoado, maculado, manchado com o desrespeito, com a corrupção e com uma maneira indigna de exercer os seus mandatos. A propósito, recentemente, a Presidente, Dilma Rousseff, disse a uma repórter do Fantástico da Rede Globo de Televisão: "Você não acaba com a corrupção; o que se faz é dificultá-la". Pois então, está claro que a corrupção é uma doença crônica no governo brasileiro e isso é muito triste para um brasileiro que ama o seu país como eu; ter que ouvir isso e se sentir como uma gota dágua no oceano.

É lamentável concluir que aqueles que deveriam ser exemplos de honestidade, que representam o povo, na sua maioria, são ladrões de colarinho branco e o pior de tudo: são ladrões que não pagam pelos seus crimes. Eles roubam o dinheiro da saúde, da fome, da educação. Enquanto somos sugados pela máquina governamental, explorados pelos impostos que nunca satisfazem um governo que sempre chora miséria. Esses bandidos fazem os seus próprios salários, roubam na cara dura e ainda tentam justificar a sua inocência com conversa fiada. Quando se vêem acuados, pedem demissão e somem levando o produto do roubo que nunca é devolvido aos cofres públicos.
A meu ver, não há homens de bem na política porque não existem espaços para eles. Se por ventura existam, são mínimos e para os quais coloco as minhas dúvidas e os vejo com olhos de Goethe: "Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar".

Portanto, o Lula é apenas um entre todos com uma diferença: é um cacique. Talvez, um mentiroso maior, mais hábil na colocação das palavras dentro dos ouvidos da massa ignorante. É mais hipócrita e mais esperto do que os demais. É de todo patente que Lula sempre esteve com um olho no queijo e outro no gato. Todavia, quero dizer que, neste momento da sua vida, eu o respeito. Diante de toda a sua ambição de político, o momento não pode ser confundido entre o Lula político e o ser humano Lula doente, com um câncer e sabe Deus que se poderá lhe se tirada a principal ferramenta que lhe fez vencer na vida: a sua voz.
Neste momento, eu estou com o Lula. Estou sensibilizado com o mal que lhe aflige. Como crente em Deus, eu Lhe peço, meu Pai, que o poupe de sofrimento. Não só pela dor do câncer e pelas privações que lhe serão proporcionadas. Entretanto, o grande mal será a ingratidão que lhe poderá advir através dos seus próprios amigos, dos seus correligionários, daqueles que um dia lhe beijaram a mão e que, agora, lhe poderão mostrar os pés. Isso porque, nesse meio imundo, já se comenta benefícios na próxima eleição graças a sua doença. Os urubus já estão de olho nesse infortúnio político do ex-presidente e uma ingratidão dói como disse Dom Pedro II no seu soneto aos ingratos: " ... é a dor que excrucia e que maltrata, a dor cruel que o ânimo deplora, que fere o coração e quase o mata".

Diante desse quadro dramático que envolve o nome de um brasileiro histórico, como o ex-presidente Lula, seria de bom alvitre que o povo conclamasse os religiosos que vivem na televisão prometendo curas milagrosas. Dando o "grande show da fé, fazendo pregações confusas e explorando testemunho de pessoas atordoadas. Pessoas que confessam curas miraculosas. Seria apropriado que todas essas pessoas se reunissem, diante de uma mesa redonda, para buscar a cura do ex-presidente. Proceder a uma reunião de pastores que pastam nos bolsos dos crentes, de vigários vigaristas, de bispos que bispam o dinheiro do pobre, de profetas que profetizam a sorte dos panacas, de apóstolos que apostam apenas na fragilidade humana e missionários que não missionam nada além da sua vaidade, trocando, pelo dinheiro, um púlpito por um palco. Esse bando de safados que vivem prometendo curas milagrosas. Essa gente mercenária que ludibria um outro bando de panacas que tiram da boca de seus filhos para sustentar esses estelionatários, esses enganadores, esses ladrões da fé que vivem arrancando dinheiro do pobre em troca de oração. 

Portanto, que busquem o RR Soares, curador de caroços! O Edir Macedo, milagroso! O Silas Marafaia que fala, fala e fala e acha que diz tudo! O imbecil desse Padre Fábio de Melo que não sabe se canta ou se benze! E mais, o maior dos idiotas, esse ignorante de marca maior, Valdomiro Santiago, que não sabe nem falar e nem se despe de um enorme chapéu, contrariando a cultura religiosa ao fazer reverência a Deus.


Pois é, agora é a hora de mostrar serviço! Vamos curar o ex-presidente, Lula. Ele tem fé, tem dinheiro, tem poder e lhes será muito fácil tirá-lo desse sofrimento atroz, já que se dizem enviados de Deus!? Que provem isso neste momento, perante a nação brasileira!


Eu fico pensando: curar esses pusilânimes, esses panacas extenuados que povoam as igrejas desses caciques religiosos é fácil porque eles são cegos que não querem ver. Entretanto, eu quero ver esses calhordas, que se dizem com o Poder de Deus, curar o ex-presidente sem a interferência de médicos. Que vão lá e extirpem o câncer de quem tanto lhes poupou durante o seu tempo de Presidente.


Mostrem, neste momento, que curam! Cambada de vigaristas!


Armando Melo de Castro
Candeiasmg casos e acasos
Candeias -Minas Gerais

Nota do autor:
Existem instituições religiosas e seus representantes sérios.Suponho que existem, também, políticos honestos e pessoas honradas que não se enquadram no conteúdo deste texto. Esses por si se conhecem e com certeza não se sentirão atingidos pela nossa exposição. A essas pessoas o nosso profundo respeito.