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sábado, 27 de fevereiro de 2016

MEUS CONTERRÂNEOS E AMIGOS CANDEENSES:


Eu já disse mais de uma vez, mas não será difícil repetir: Eu nunca fui político; jamais serei candidato a algum cargo público em Candeias; não tenho partido político e nem sou filiado a nenhum partido e não tenho nenhum interesse particular com a política partidária. Sou um homem aposentado que vive com a sua aposentadoria traduzida num ócio com dignidade.

Eu nunca tive relações de amizade com o ex-prefeito e nem com o atual de Candeias. Conheço-os pelos seus feitos como candidatos, como prefeitos eleitos e pela boca do povo. 

Os vereadores, alguns deles eu os conheço apenas das reuniões ordinárias da Câmara Municipal quando delas participo, e outros são conhecidos, contudo, sem nenhuma ligação mais íntima. Entretanto, sou um candeense que sinto e digo com muito orgulho: há anos saí de Candeias, porém, Candeias jamais saiu de mim. Em quarenta anos de residência dividida, eu nunca passei mais de 90 dias sem aqui estar e agora como aposentado, quase sempre estou presente aqui, local em que sou eleitor e em que tenho todos os meus negócios. E estejam certos:  Eu sempre acompanhei a vida de Candeias, talvez mais do que muitos candeenses que nunca saíram daqui.

Portador de espírito bairrista que me domina, não poderia estar em silêncio diante da precariedade administrativa em que se encontra a minha querida terra, na qual estão enterrados os meus antecedentes, o meu cordão umbilical e, ainda, posso ver a minha pia batismal.

O ato de votar é muito importante na vida de um cidadão que preza o seu Direito de Estado Democrático ao qual a Constituição Federal lhe confere. Aquele que vende o seu voto ou se deixa levar por conversa fiada, mentiras escandalosas, invenções, demagogia, populismo barato, não são cidadãos merecedores de r espeito porque estão colocando em risco o município a que pertence, a sua cidade, o seu futuro bem como o bem estar do seu povo e de seus descendentes.

O nosso município de Candeias, nos últimos anos, foi tomado por uma oligarquia inescrupulosa de políticos incompetentes, irresponsáveis, mentirosos, que se utilizam de uma falsa ideologia, sem limites para assumirem o poder. Não está sendo fácil ver o nosso município jogado às traças como vem sendo, sem o menor respeito. E isso não pode continuar.

Está demorando a chegar, mas haverá de chegar o dia da eleição de 2016, para que nós candeenses possamos lavar a alma, lavar a nossa dignidade, lavar a nossa história nas urnas com o nosso voto.

Depois de votar errado, meus amigos, não adianta chorar o leite derramado. Eu acredito piamente que apenas aqueles que não amam Candeias é que estão se deixando levar pelas águas da mentira, das ameaças, da demagogia.

 Essa oligarquia se apoderou do nosso município como um mamífero agarrado às tetas de uma fêmea e quando algo lhes contraria, não temem em usar a justiça como suas ameaças, como se esta lhes pertencesse. É preciso que cada cidadão procure conhecer os seus direitos emanados pela Constituição Federal. O cidadão tem direitos e deveres e nenhum está acima da lei.

Eu procuro não falar aquilo de que eu não tenho sustentação. Eu não temo o que eu falo. O temor é um sentimento que pertence a quem tem culpas no cartório. O mau e o bem andam juntos, meus amigos, e é preciso andar prevenido contra aqueles que pensam que compraram a patente do nosso município e levaram como brinde a Constituição Federal.

Eu queria dizer aos meus conterrâneos que se encontram tão contrariados com a posição politica administrativa de Candeias, que vocês não ficassem apenas no âmbito da informação verbal e duvidosa. Que pesquisem na internet ou busquem fontes confiáveis sobre a posição em que se encontra o nosso município. Não se esqueçam de que é um direito de qualquer cidadão buscar informação tanto na Câmara Municipal quando na Prefeitura. Parece até que fizeram do nosso município um curral de propriedade particular.

Existem diversas pesquisas em que possamos fazer com o intuito de comprovar a incompetência de que vem sendo vitima o nosso município de Candeias. Façamos, por exemplo, uma conferência das mais simples pelo índice de Desenvolvimento Humano Municipal. (IDH-M).

Para se chegar a esse índice, são levados em conta, basicamente, três itens: 1º Vida longa e saudável (longevidade); 2º Acesso ao conhecimento (educação) e 3º padrão de vida (renda) --- A partir dos cálculos de cada um desses fatores, se chega ao índice geral de IDH-M, organizado no Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgados pela Fundação João Pinheiro.

Naturalmente, os candeenses, como qualquer cidadão, gostariam de ver a posição do seu município nessa relação em uma posição digna. No entanto, infelizmente, Candeias vem sendo comparada da pior maneira possível. Vejam, portanto, os níveis das SETE cidades de Minas, que foram comparadas com Candeias, e que tiveram o mesmo índice do último IDH-M divulgado com o índice de 0,678, São elas:
CANDEIAS. MG............................. 15.108 HABITANTES.
CENTRALINA.. MG...................... ...10.604  HABITANTES.
BONFINÓPOLIS....MG....................   5.831 HABITANTES.
CÓRREGO FUNDO....,MG................  5.821 HABITANTES.
LUMINÁRIAS...MG........................   5.571 HABITANTES.
PIEDADE DO R.GRANDE...MG.......    4.709 HABITANTES.
WANCESLAU BRAZ....MG..............    2.553 HABITANTES.
CEDRO DO ABAETÉ....MG..............    1.212 HABITANTES.

Vejam, portanto, a posição humilhante em que se encontra a nossa Candeias. Cristais, por exemplo, cidade bem próxima de nós, se encontra em uma posição superior. Campos altos com o mesmo número de habitantes está com o índice de IDHM muito acima do nosso.

Candeias está sendo comparada com cidades muito inferiores em posição e população, a começar com esta cidade chamada CENTRALINA, onde foram presos todos os seus vereadores. 

Quais serão as desculpas, as mentiras, que virão por ai nos próximos meses preparadas por essa panela de políticos incompetentes que só visam o voto? Preparem-se, Candeias precisa salvar a sua história. Cuidado com os favores, eles representam compra de votos.

Meus amigos: Nós precisamos fazer comparações. Tirar um tempo para fiscalizar esses políticos que só pensam neles em detrimento do povo. Se nós, o povo de Candeias, não tomarmos uma providência, nas próximas eleições, esses oligárquicos que estão no poder e que fazem parte da mesma panela, vão deixar Candeias no osso.

Lembrem-se:

 “ Um povo unido jamais será vencido” e tem mais:Cada povo tem o governo que merece”. 

Eu não sou político! Sou apenas um cidadão que ama a sua terra!

PENSEM BEM NISSO!

Armando Melo de Castro

Candeias MG C asos e Acasos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A PARREIRA DE DONA PEPINA.



                           


Sempre quando eu me encontro de posse de um cacho de uva na mão, fermenta em meu cérebro a parreira de Dona Pepina, esposa do Sr. Bóvio Riani, ----- pais dos amigos, Professor Aldo Riani, do seu irmão, Elio Riani e da Srta. Elda Riani. 

A foto abaixo se trata de uma montagem tosca que eu fiz para se ter uma noção de como era a parreira, como se dizia, da Dona Pepina. As pessoas passavam na rua e ficavam com a boca cheia d’água ao ver aqueles belos cachos de uva. Verdes, meio maduros ou maduros. 

Quem transitasse todos os dias pela porta da Casa do Sr. Bóvio Riani, naturalmente viam a parreira florescer, as uvas nascerem, crescerem e amadurecerem; e só não as via sendo chupadas. E não dá para entender como que a meninada, ou mesmo os adultos, não avançavam naquelas maravilhas, naquele tempo, cuja fruta não existia no comercio de Candeias e as parreiras raras tinham frutos precários. Afinal, ninguém sabia cultiva-las como os nossos amigos italianos.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O VIGIA DA PRAÇA.



No principio da década de 60, tão logo foi terminada a construção das praças da Avenida 17 de Dezembro em Candeias, a prefeitura --- num tempo em que nossa terra tinha prefeito que honrava os compromissos --- contratou dois servidores exclusivos para cuidar e proteger as praças do centro.

Durante o dia as praças eram assistidas pelo Bebé do Chico Freire; era ele o jardineiro, cuidava da grama, das flores e das árvores. Estava sempre com uma mangueira regando, uma faca cortando ou uma tesoura podando. E após às 18 horas era a vez do Sr. Zé Ximango, o vigia noturno.

Bebé era jovem. No entanto, Sr. José Ximango era um senhor de idade; baixinho, empanado num terno de brim surrado e a cabeça coberta por um chapéu de lebre.  Uma boca sempre aberta como se fosse dar um sorriso forçado. Tinha três filhos, os quais não puxaram nada do pai. Eram graúdos, olhos esbugalhados e corpo modulado em toucinho. Os três eram tratados de ximango: O mais velho era Ximangão, o do meio o ximango e o caçula, ximanguinho.

A natureza não teria sido gentil com nenhum dos três filhos do Sr. Zé Ximango.  Eram feios, desajeitados e fora dos padrões de quem sabe descolar um papo. Coitados! Representavam o tipo de pessoa fácil de ser encontrada no meio de uma multidão. O Ximangão, um pouco mais lúcido, vivia andando pelo mundo e de quando em vez dava as caras. O do meio, o ximango, bebia feito um gambá, e ficava diariamente plantado no Bar do Lulu, onde fazia pequenos serviços em troca de um gole de cachaça e mais o que comer; e o ximanguinho vivia rindo, achando graça de tudo que era sem graça.

Sô Zé Ximango era um vigia que vigiava tudo e todos. Se visse alguém mal assentado num banco, como que colocando os pés nos assentos, ele se aproximava se estacava na frente da pessoa, enchia o peito e dizia: “VÃO VÊ”?

Da mesma forma se algum casal de namorados estivesse apalpando um ao outro, ou simplesmente dando um beijinho, Sô Zé, do mesmo jeito, aproximava-se se estacava na frente do casal e dizia: “VÃO VÊ? AQUI NUM É LUGÁ DISSO NÃO”!

Se fosse visto alguém pisando na grama ele não corria atrás da pessoa, mas perseguia-a até tê-la frente a frente e lhe dizia: “EU VI VIU”! CÊ PENSA QUI EU NUM VI? ----- Sô Zé Ximango durante o tempo todo conjugava o verbo ver.

Nos bancos situados na praça bem defronte o Bar Piloto, todas as tardes se reuniam ali três amigos: Gabriel Carlos, Alvino Ferreira e Expedito Cordeiro. E eu, também, quase sempre estava por lá.  ---- Sô Zé nos intervalos de suas voltas vinha dava uma paradinha e se submetia aos questionamentos da turma, e batia um papinho:

----Zé por que essa sua implicância com os namorados. Dar uma "agarradinha" é coisa normal nos dias de hoje... Alguém dizia.
----Num pode não uai! Esses trem é in casa!
----Vai me dizer que você também não gosta Zé?
----Brincá é cumigo memo, só qui isso é in casa...

Outro queria saber?

----Mas você ainda dá no couro?

Sô Zé Ximango achava a pergunta boa demais porque lhe dava a chance de arrastar uma “malinha” e ria até mostrar os sisos quando começava sempre com uma historia na qual ele puxava a sardinha para a sua brasa.

----Eu inda tô bão pá brincá sô! E eu tenho um jeito de cumeçá à brincadeira.  Dispois que eu mais a muié deita e apaga a luz eu cumeço a fuça. Ai a muié fala: Tira essa perna prá lá Zé... Eu dô uma risadinha e falo prá ela: Perna hem!? Isso é a brincaiona memo que tá quereno brincá.
 ---Que nada Zé, vai ver que a mulher fala é que esta com dor de cabeça...
----Nada disso! Dor de cabeça lá in casa nóis cura é com a maquina de fazê Ximango.E dava aquela risada mais safada do mundo!

Zé Ximango, falava pouco e expressava muito; mestre metafórico e puritano impuro.

É como dizia o antigo comediante Zé Trindade: “O que é a natureza meu Deus do céu”!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

LEIAM E TIREM AS SUAS CONCLUSÕES.



Esta matéria circula desde setembro  na internet: http://www.destaknewsbrasil.com.br/2015/09/populacao-pede-reducao-dos-salarios-do.html - 

Aqui está o endereço para o leitor deste blog poder conferir caso queira.

POPULAÇÃO PEDE REDUÇÃO DOS SALÁRIOS DO PREFEITO E VEREADORES DE CANDEIAS-MG
Fonte: Portal Centro Oeste

Ninguém da prefeitura quis falar sobre o assunto (Foto: Paulos César Gomide)

Assim como em várias cidades mineiras, os moradores de Candeias, no sul do estado, estão insatisfeitos quando se fala na remuneração dos agentes políticos do município. Na cidade com pouco mais de 15 mil habitantes, os problemas são muitos. Maquinário precário, falta de remédios nos postos de saúde e atraso nopagamento dos servidores, o que deixa os candeenses ainda mais revoltados.


De acordo com a Câmara Municipal de Candeias, hoje, a remuneração paga ao prefeito Hairton de Almeida (PDT) é de R$18 mil. Já o vice, José Pedro Rodrigues Neto, o Zé Orico (PSDB) recebe R$9 mil. Os nove vereadores que ocupam as cadeiras do legislativo recebem mensalmente cerca de R$13,7 mil. Os valores foram fixados em 2012.

Para impedir um novo aumento e solicitar a redução dos salários dos agentes políticos, a população de Candeias se uniu e criou um projeto de iniciativa popular que já recolheu cerca de 700 assinaturas. Segundo um dos organizadores do projeto, Dênis José da Silva Saldanha, a motivação para criar o grupo no município veio após acompanhar o resultado do empenho da população de outras cidades do interior do estado, como Carmo do Cajuru e Perdões.

“É um movimento que tem se espalhado por toda Minas Gerais. A população está acordando e quer melhorias”, destaca.
Ainda segundo Dênis, a cidade passa por problemas como o sucateamento dos veículos públicos, a falta de remédios em postos de saúde, o atraso no pagamento de servidores municipais e até o transporte de alunos da zona rural está comprometido. Um texto pedindo a redução dos salários do prefeito, vice-prefeito, vereadores e secretários e as assinaturas recolhidas serão protocoladas junto ao poder legislativo.
“Não houve retorno da Prefeitura e Câmara para um diálogo com a população, que não está satisfeita e exige a redução dos salários. Queremos que seja algo compatível com o que a cidade pode pagar e com a função em que eles atuam”, disse.   
Não se manifestaram

Os vereadores recebem mais que parlamentares de cidades maiores (Foto: Paulo César Gomide)

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De acordo com o presidente da Câmara de Candeias, vereador Lindomar Ferreira (PSD), até na semana passada nenhuma ação oficial foi protocolada na sede do Legislativo. Ele também afirmou não ter conhecimento de nenhuma manifestação popular em relação a redução dos honorários. Lindomar disse ainda que não informaria a reportagem o valor pago aos vereadores, sendo uma questão a se tratar com o setor de finanças do município. O prefeito Hairton de Almeida preferiu não comentar o caso.

Comparação
Se comparado a Divinópolis, cidade com 230 mil habitantes, os vereadores de Candeias recebem cerca de 22,3% a mais que os representantes do legislativo divinopolitano. Hoje, os edis da maior cidade do Centro-Oeste de Minas recebem R$10.645,00 mensais. Já a remuneração do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) é de R$20.542,00, 12,4% a mais que o salário pago a Hairton de Almeida.
Em Belo Horizonte e Uberaba a remuneração dos vereadores chega a R$15 mil. Juiz de Fora paga aos legisladores R$15,03 mil mensais. Em Montes Claros, no norte do estado, e em Contagem, na região metropolitana, o vencimento é de R$12 mil. Já em Governador Valadares, no vale do Rio Doce, o salário dos vereadores é de R$8,7 mil.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

OS NOJENTOS!


                                        Foto apenas para ilustrar o texto.

Eu não tenho nada contra o setor terciário, mas tenho a minha opinião sobre self Service de restaurantes, as chamadas comidas a quilo. É claro que nem todo autosserviço é ruim, os Bancos, por exemplo, favorecem muito com essa disponibilidade de saque durante 24 horas e as compras em supermercados se tornaram bastante práticas. Mas em restaurantes?! Aqueles que não concordam comigo, me perdoem. 

Eu prefiro comer um sanduíche de mortadela ou daqueles de carrinho de esquina; um macarrãozinho fritado nas barracas de exposições agropecuárias; um cachorro quente numa festa do rosário; um churrasquinho de ponta de rua, mesmo sabendo que nesses pontos o conceito de higiene não é dos melhores. Mas para self servisse eu não tenho estômago.

Sei que existem lambanças por toda parte quando saímos de casa, mas self Service de restaurante, nem as ascaridíases que por ventura habitam em mim, não receberiam com naturalidade, iguarias oriundas daqueles tabuleiros.

Na vida as circunstâncias, às vezes, transformam o nosso comportamento quando passamos a dar a impressão de que somos chatos, nojentos, aborrecidos. Mas na maior parte das vezes todos nós temos uma atenuante que justifica o nosso jeito de ser.

Na cozinha de um restaurante, a comida que você vai comer fica a mercê de uma única pessoa, ou seja, a cozinheira ou o cozinheiro.  No entanto, lá no Self Service, por mais asseada que tenha sido preparada a comida, se torna numa lambança comum. Principalmente nesses Self Service de baixo custo. 

A higiene é uma coisa salutar, contudo, não está ligada a todo mundo.

Não seria justo, todavia, não explicar por qual o motivo eu não aderi esse tipo de serviço, mesmo porque, ele vem sendo considerado prático, econômico e tornou-se, hoje, bastante comum nas praças de alimentação.

Quem leu o texto até aqui, pensará naturalmente: puxa, mas que cara nojento, chato, aborrecido, encrencado... E eu responderia: chato, aborrecido, encrencado não concordo, mas nojento sim. Sou nojento e não consigo abrir mão do meu nojo. Cumpre-me, portanto, contar o porquê dessa coisa; o motivo que me leva a não optar por esse tipo de alimentação e prestação de serviço.

No ano de 1980 eu fui designado pelo Banco onde eu trabalhava, para ir substituir o gerente da cidade de Bom Despacho. E tinha por lá um desses restaurantes, então, bastante movimentado, com muitas iguarias, muita carne e variedades que dava para formar um prato de comida dos mais nutritivos. 

Parece-me que era o início do desenvolvimento do comercio de comida a quilo. Os tabuleiros e bandejas bastante limpos, a comida muito bonita e apetitosa.

À minha frente, um cidadão gordo, fungando feito um danado, ia servindo o seu prato que já não tinha mais espaço; e com isso dava uma de equilibrista ali. Sei dizer que a comida que estava naquele prato daria para eu almoçar e jantar.

Nessa minha observação, eu vi cair o cabo da colher de servir sobre o feijão; e ele de forma bastante negligente, enfiou a mão e pegou a colher e limpou a mão nas suas calças. (E eu ali olhando)

Mas mesmo assim, resolvi me arriscar de outra vez, apesar da má impressão que teria me deixado aquele modo de tomar refeição. E no outro dia voltei àquele lugar e quando eu servia o meu prato, agora sob uma atenção muito maior, presenciei outro episódio.  

Tendo o estaleiro que prende os tabuleiros do Self Service, mão e contra mão, eu vi do outro lado uma mulher que deu um espirro sobre as verduras. 

Diante disso, fiquei ali sem saber se continuava a me servir ou parava... Se eu comia ou não comia... Quando aquela mesma senhora, agora, dá uma espirrada sobre o tabuleiro de arroz, fazendo voar sobre o mesmo aquela crosta pulmonar nojenta, quando ela as pressas a tapou com uma colherada de arroz. Eu e mais uma outra pessoa vimos, a esperteza da mulher, mas outros não viram e continuaram servindo daquela comida.

Como se vê a higiene daquele alimento não está a cargo apenas dos proprietários do restaurante. Isso que digo, é o mínimo do que se sabe.

Com certeza isso me causou um trauma, essa terrível experiência emocional, de grande intensidade que deixa uma cicatriz na mente e que infelizmente causa efeitos na personalidade humana. Por mais que eu viva, eu nunca vou esquecer aquela mulher espirrando e tapando o conteúdo do seu espirro com a colher de arroz.

Desculpem-me se o texto apesar de real não é dos mais agradáveis. Eu o coloquei no plural, diante de um conceito literário, no sentido de me resguardar um pouco do meu nojo e  poder ser entendido por algum outro nojento que por ventura possa me entender.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

RETALHOS DA MINHA INFÂNCIA!


Eu acho que apesar de ter sido um menino pobre nunca tive formado na minha alma um sentimento insensível de revolta, uma queixa amarga e silenciosa, contra as desigualdades estabelecidas pela vida. Isso porque havia dentro de mim, graças ao bom Deus, um espírito sempre me orientando a manter um contato do meu coração com a realidade da vida.

As mudanças comportamentais na minha adolescência não me marcaram negativamente, portanto eu posso me considerar ter sido um bom filho, não apenas por ouvir os meus pais dizerem isso, mas pelo que reflete a minha própria consciência.

Como eu sempre digo, eu fui um menino bobo, muito bobo. Daqueles que se escondia quando ouvia uma batida na porta. Mas não gostava de ser assim. Eu tinha vontade de arrancar de dentro de mim aquela parte idiota e tola, aquela timidez que tirava o lustre da minha vergonha.

Sou o filho mais velho de uma ninhada de seis irmãos. Sai de Candeias ainda muito jovem, mas Candeias não saiu de mim até hoje. Fui orientado por meus pais a amar tudo que Deus me deu.  E já que me foi dado o direito de dizer que Candeias é a minha terra, eu sempre fermentei dentro do meu coração esse sentimento de bairrismo, de amor, mesmo não tendo sido agraciado com a sorte de poder viver o tempo todo debaixo de suas nuvens, ou sob o brilho do seu sol, eu venho sempre à busca desse lenitivo que felicita a minha existência.

Ausente de Candeias eu reviro as gavetas da minha memória. E aqui estando, eu revivo a minha infância pobre; as minhas tolices descartadas, bebendo da minha primeira água, vendo a minha pia batismal e os meus santos com os quais fui orientado na fé.

Hoje de manhã, estando fora de Candeias, depois de deliciar-me com um belo pedaço de bolo de fubá, feito por minha mulher, dentro dos conceitos da boa culinária, busquei encontrar bem nos fundos de uma das gavetas do armário da minha memória, a receita de um bolo de fubá que eu fazia, quando tinha por volta dos meus dez ou doze anos de idade. 

A receita era simples, mas o bolo era gostoso para quem não tinha problemas com azia estomacal ou não conhecesse outras receitas;  principalmente para quem não possuía os ingredientes suficientes para uma iguaria melhor, esse bolo não era bem uma delicia, mas deixava quem o comesse em paz com a fome.

03 canecadas de fubá --- 02 canecas de açúcar.  ---01 colher de gordura de porco. --- 01 copo de leite. Água para inteirar. 01 ovo, ou 02 no máximo. --- 01 colher de sopa de bicabornato. --- Um cavaquinho de canela e uma colher de açúcar socados até ficar bem fino.--- Uma caçarola de ferro,--- um pedaço de lata tipo a tampa da panela e brasas.

Ajuntava todos esses ingredientes numa gamela de madeira, e mexia até soltar bolhas; depois passava um pouquinho de gordura no fundo da panela (não existia óleo e nem margarina e manteiga de leite era muito caro) colocava na panela e levava ao fogão de lenha. A panela era tampada com a lata tipo uma tampa cheia de brasas. Depois de assado, jogava por cima a canela e o açúcar socado e esperava esfriar para saborear. O pior era a demora em esfriar e a gente ficar esperando.

Enquanto existiam os fogões a lenha eu fiz esse engasga gato, que eu e meus irmãos comíamos como se fosse o manjar dos deuses. Hoje, a gente come coisas que nem se compara, mas para quem a pobreza era uma coisa natural não existia coisa melhor.

Certa vez eu de posse de uma revista vi diversas receitas. E dai fiquei procurando uma que fosse a mais barata. E ao encontrar uma, corri para a minha mãe a mostra-la, quando ela sorrindo me disse:
"Isso é angu meu filho"! 

Caímos na risada! Era a receita de polenta e eu pensei que polenta era bolo.

Ser pobre não é ruim. O ruim é não aceitar a pobreza e chorar por ela.

Armando Melo de Castro.

Candeias MG Casos e Acasos


Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "RETALHOS DA MINHA INFÂNCIA!": 

Fuba suado, café adoçado com rapadura, fruta do lobo, arroz canjiquinha e manteiga caracu foi meu cardapio
pé cascudo.
Bruno Gomide
E eramos felizes 


Era de muita gente Bruno. Eu tenho ainda nos meus hábitos, a rapadura e a canjiquinha de arroz com couve rasgada. A canjiquinha eu encontro no mercado municipal e está custando mais cara do que o arroz de primeira. Acontece que as máquinas modernas não quebram o arroz, e para vender a canjiquinha eles o quebra. Grande abraço.