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quarta-feira, 11 de março de 2015

EMAGREÇA CHEIRANDO ESTA FRUTA!

                                                                                 Noni

----Comumente encontramos pessoas querendo se emagrecer. O desejo de ter um corpo esbelto, magro de aspecto delgado pode ser comum, mas a forma de fazer dieta cada um faz de um jeito querendo ter o mesmo resultado. Uns chegam a se enfraquecerem por ser rigorosos; outros entram em remédios que cortam o apetite de maneira a violentar o organismo e outros querem atingir o seu objetivo bebendo cerveja e comendo torresmos; tomando sorvete e comendo doces.

--- A bem da verdade, emagrecer é realmente uma coisa muito difícil e quem está acostumado a ingerir mais carboidrato do que proteína tem maiores dificuldades na hora de fazer uma dieta balanceada. --- Eu e a minha mulher não queremos ser gordões, mas também, não somos tão diferentes na forma ociosa de fazer dieta. Portanto, como tantos, quando ficamos sabendo de algo que emagrece vamos atrás e queremos conhecer.

--- Na padaria onde somos fregueses, aqui em Juiz de Fora, havia uma funcionária, a Isabel, uma jovem de estatura média, bem afeiçoada, educada e gorda, de obesidade mórbida, do corpo todo moldado em banha. Ela já estava andando de pernas abertas; braços abertos e começando a impedir o transito entre os seus colegas por dentro do balcão, causando na gente um sentimento de pena, mesmo porque, tratava-se de uma moça muito bonita e tão descuidada com o seu corpo. ---- Mas, de repente, notamos que essa moça começou a se emagrecer. E é natural o interrogatório: “Você está fazendo dieta?” Você emagreceu! Se o gordo ou a gorda esteve doente, o especula se sai mal. Mas se realmente o gordo que emagreceu esteve fazendo dieta de emagrecimento, naturalmente, ficará todo sorridente e agradável. Dá aquele sorriso de alegria e gosta de passar para frente o que lhe está dando o motivo daquele sorriso.

Izabel mais de que depressa nos deu o nome de uma fruta chamada Noni como a formula milagrosa de emagrecer. Ensinou para a minha mulher como tomar o suco da fruta, onde compra-la, o preço, enfim falou da fruta como se ela tivesse caído não de uma árvore, mas sim, dos céus. 

E minha mulher que não é diferente de ninguém, correu atrás, foi à feira, encontrou e comprou um quilo dessa fruta e chegou feliz da vida, como quem tivesse descoberto a fórmula milagrosa de emagrecimento. Imaginando, talvez: se a Isabel com toda aquela gordura perdeu tantos quilos, os meus quilinhos em poucos dias voarão para o espaço. Chegamos à casa, as frutas milagrosas dentro de um saquinho plástico foram colocadas sobre a mesa e logo saímos para fazer compras, quando ficamos fora por algumas horas. Assim que voltamos sentimos aquele mau cheiro horrível na casa toda e a gente não sabia de onde partia aquele fedor.

Começamos a vasculhar a casa toda. Procura daqui procura dali e nada de descobrir onde estava aquele cheiro que poderia ser chamado de odor, mau cheiro, fétido, desagradável, mas outros já diriam fedorento, cheiro de merda, carniça e naturalmente muitos perguntariam aos céus: “Meu Deus que catingão é esse?”.

A primeira suspeita foi sobre a nossa cachorrinha, a Tutuca... Será que ela fez lambança? Perguntei a mim mesmo... Constatada a sua inocência eu fiquei com remorso de ter pensado nela. ---- Tadinha uma cachorrinha tão limpinha, tão asseadinha, tão carinhosa!

 

procuramos no banheiro... Nada! Os queijos que eu trouxera de Candeias; os ovos que comprei na feira, a geladeira, enfim, procuramos em todos os lugares da casa e nada de detectar de onde partia aquele cheiro horrível. Até que me deu na telha de cheirar uma fruta daquelas. Meu Deus! Que coisa mais fedorenta! Pensei, vamos jogar isso fora! E minha mulher gritou logo lá da cozinha? --- Não!!!  Não!!! Eu vou tomar o suco. Esse deve ser o cheiro natural da fruta! ----- O quê? Cheiro natural da fruta?!  Venha cá e cheire para ver se tem cheiro de fruta? Ela veio e cheirou aquilo achou ruim e disse: Eu vou fazer o suco, e experimentar pode ser que o cheiro acabe; eu posso engarrafa-lo. E fez. Ai então foi que a coisa ardeu feio. - Ela não deu conta jogou tudo fora e ficou uma vez mais a decepção com essas invenções para se emagrecer. --- E eu a confortei: Você está ótima, não precisa emagrecer. Eu não gosto de mulher magra eu quero você é gorda!

Eu pensei que o meu apartamento tinha se transformado num chiqueiro de porcos... Numa fossa aberta... Num depósito de queijo azedo e velho... Num jacá de ovo choco. O troço é tão fedorento que a gente fica perdido num universo de coisas podres. 


E nesse momento eu me lembrei do meu querido amigo e suas expressões, Sr. Erasto de Barros, ele era o porteiro da escola quando certa vez o banheiro da Escola Padre Américo foi entupido e estava difícil ser desentupido e ele tentando desentupi-lo disse alto e em bom som com aquele seu jeitão:

 “TÁ PARECENDO QUE O CÚ DO MUNDO CAGOU AQUI!”.

 Armando Melo de Castro









quinta-feira, 5 de março de 2015

UM CUSPE NO PRATO






                                                       ANTIGA RUA  GABRIEL PASSOS.

Em um passado não muito distante, quando vereador não tinha salário, a razão para a mudança do nome de uma rua tinha mais argumentos e a conveniência era geral. Atualmente, os senhores vereadores, em sua grande maioria, empanados no poder cedido pelo povo, dão um tapa de imoralidade na cara de boa parte do seu próprio povo a fim de angariar prestígio de forma medíocre na história do município, já que são desprovidos de competência para aparecer de outro jeito.

 Não quero com isso apontar o dedo, exclusivamente, para a história dos vereadores candeenses, pois, afinal de contas, isso é uma lamentável cultura da edilidade da maior parte dos municípios brasileiros, principalmente, nas pequenas cidades, em que o baixo nível cultural da grande maioria dos vereadores lhes impede de apresentar algum projeto consistente que venha a atender melhor o povo que o elegeu. Os vereadores deveriam fazer uma reflexão sobre o tema: “Alteração de nome de rua” antes de proporem uma aberração dessas. Mas, já que eles não têm sensibilidade e nem competência para isso, seria justo aos moradores de uma rua que venha a ser prejudicada com essa imoralidade, se manifestarem e não aceitarem tamanho despropósito de candidatos que querem acender uma vela para Deus e outra para o diabo, apenas para se elegerem.

 Trocar o nome de uma rua causa muitos problemas e grandes inconvenientes para os moradores, especialmente, no caso de existirem comércios ou empresas prestadoras de serviços nessa rua. Além disso, trata-se de uma grande ofensa aos descendentes daquele que perde o nome, causando-lhes muita indignação. Sabem as pessoas de bom senso que não se deve modificar de qualquer jeito um nome que está guardado na memória do município. Tirar o nome de alguém de uma rua para colocar outro é uma afronta cabal à dignidade daquele que um dia fez por merecer aquela honraria. E em sendo esse um nome de rua, algum mérito algum dia lhe foi delegado. Além disso, alterar o nome de uma rua, sem qualquer consulta aos seus moradores, chega a ser um despropósito político, uma indisciplina social e, porque não dizer, um grande desaforo moral?

 Um assunto desses deve ser muito bem estudado, bem discutido e com bastante relevância para que o novo nome possa ocupar o espaço que está sendo subtraído, com dignidade, porque, a bem da verdade, trata-se, a rigor, de uma ruptura social e moral. Seja de pessoas, história ou símbolos. Contudo, o que a gente tem visto, em vários processos, são questões fechadas quando deveria ser uma situação, por respeito, absolutamente aberta.

 Eu nasci na Rua Coronel João Afonso e ali vivi até aos meus quinze anos. Aprendi a amar esse nome, simplesmente, por ser o nome da rua onde nasci. E, se por ventura, viesse um vereador desinformado sugerir a alteração desse nome, mesmo não sendo mais o morador dali, com certeza, haveria por minha parte, uma reação contrária. Mas, infelizmente, como morador, minha família não ficou livre dessa afronta diante de outra questão.

 Da Rua Coronel João Afonso, mudamos, em 1960, para a Rua Gabriel Passos onde estamos há mais de cinquenta anos. E quem foi o Dr. Gabriel Resende Passos?

 Foi um grande brasileiro, um grande mineiro! Nascido em Itapecerica, em 1901. Advogado, jornalista, redator chefe do Jornal “O Estado de Minas,” signatário do movimento de 1930, exerceu com louvor diversos cargos públicos. Secretário do Interior e Justiça do Governo de Minas Gerais. Procurador-Geral da República, deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1933 e foi, por diversas legislaturas, deputado federal. Ministro das Minas e Energia morreu quando se encontrava no exercício desse cargo. Era concunhado do grande estadista Juscelino Kubitschek de Oliveira. E o mais interessante: era amigo, tanto quanto Juscelino, do nosso querido Dr. Zoroastro Marques da Silva, um candeense digno do nosso orgulho por ter sido o primeiro prefeito do município, o seu legítimo emancipador e o pai da nossa comarca. O nome de uma rua foi destinado ao Dr. Gabriel Resende Passos, pela sua grande contribuição para a emancipação do município, quando foi Secretário de Governo do Estado de Minas Gerais, ocupante da pasta de Interior e Justiça.

 Houvesse por acaso um motivo político relevante para tirar o nome do Dr. Gabriel Passos e trocá-lo por outro? Não! Não houve.

 Afinal, qualquer cidadão, ao prestar algum tipo de serviço importante ao seu município, merece ser nome de rua. Agora, tirar uma homenagem, de alguém que a teve por enorme merecimento e entregá-la a outro que nada fez por merecer qualquer tipo de homenagem! Isso chega a ser uma baixaria política. E só pode ser uma questão tendenciosa, o que me volta ao primeiro tópico deste texto.

 O nome da Rua Gabriel Passos foi substituído, arbitrariamente, pela Câmara de Vereadores no período da gestão do Prefeito Raimundo Bernardino de Sena Filho, sem qualquer consulta aos seus moradores e, o que é pior, por um nome sem merecimento, ou seja, por um vereador de poucos votos que jamais prestou algum serviço à história do município. Muito pelo contrário, José Hilário da Silva, fazia chacota com o nome de Candeias, quando residente em Campo Belo , dizendo tratar-se de um povo bobo e roceiro. Isso porque ele retratava o povo candeense como se a si fosse, pois ele sim era roceiro bobo, contudo, nem todo bobo é roceiro. E quando se tornou sócio da Viação Campo Belo, transformou-se, demasiadamente, numa pessoa antipática. Lembro-me de um fato bastante emblemático que certifica o que digo: quando em viagem de Campo Belo a Formiga, na entrada do ônibus em Candeias para a tradicional parada de passageiros, ele tinha a empáfia de aguardar, no trevo da cidade, e dizia, com imensa soberba: “vou ficar por aqui, eu tenho preguiça de entrar naquela roça”.

 E se o autor do projeto dessa infeliz troca não sabe, deveria saber que os descendentes do Dr. Gabriel Passos tomaram conhecimento desse disparate político pelo qual foi jogado um cuspe no prato em que comemos.

 Os políticos de Candeias e, especialmente, os senhores vereadores deveriam ter mais critérios ao escolher um nome para nomear uma rua. Estamos vendo pessoas que trabalharam e que fizeram parte ativa da história do município sendo esquecidas e se tornando desconhecidas pela nossa população jovem. Isso porque falta uma cultura de reconhecimento desses representantes do povo que só visam o benefício do voto.

 Eu tenho por costume estudar a vida daquele que leva o nome da rua onde moro. E devo ser sincero, muito sincero: a minha Rua em Candeias (Vereador José Hilário da Silva) é para mim um motivo de vergonha. E é lamentável ter que convier com um nome que seria muito melhor vê-lo enterrado... E bem enterrado fora da memória do município.

 A escolha do nome de José Hilário da Silva para substituir o nome do estadista Gabriel Passos foi um gesto infeliz do seu autor e, por certo, um gesto tendencioso porque José Hilário da Silva não rendia votos, era apenas um apedeuta que vivia julgando a população candeense com o seu apedeutismo. A sua passagem pela Câmara Municipal de Candeias foi um aborto político que jamais o faria merecedor de tal homenagem.

 Armando Melo de Castro

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

CANDEIAS TERRA DE DOIDO.




             
Este texto foi transferido para o livro Candeias MG Casos e Acasos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A VELHA ESTOUVADA.

                                                Parque Halfeld (Juiz de Fora MG)

Contando com uma população de fato e flutuante beirando os 600 mil habitantes, Juiz de Fora, a importante cidade mineira, tem 18% de população idosa. O idoso daqui parece que é diferente daqueles de outras praças. É comum ver pessoas com idade acima dos oitenta anos pelas ruas transitando entre os carros e correndo grande risco de acidentes.

O Parque Halfeld, localizado no centro da cidade, fica durante o dia povoado de idosos conversando, jogando damas e outros entretenimentos. E os assuntos mais evidentes são doenças, remédios, aposentadoria defasada, o peso da idade, conjugado de acordo com o verbo, ou seja, o passado que para todos tem uma medida de tempo muito grande... Um presente sem ação e um futuro sem esperanças. Aliás, o que praticamente não se fala ali é de futuro. 

À tarde, por volta das seis horas, quando as calçadas estão lotadas de pessoas apressadas, para lá e para cá, voltando do trabalho e o comercio fechando as suas portas; vemos idosos de mãozinha dada, totalmente descontraídos passeando vagarosamente em meio aquele tumulto de pessoas indo e vindo sem nenhuma preocupação. Vão com os seus passos rasteiros na maior tranquilidade de quem já cumpriu todos os seus compromissos com a vida. E se alguém lhes esbarra ou lhes aborrece eles ficam bravos e há casos de até citarem a lei 11.765, do Estatuto do Idoso.

Muitos idosos, às vezes, se tornam engraçados quando são contrariados. Parece que querem que o mundo seja vazio, pequeno e por serem de outras gerações e terem chegado primeiro aqui no planeta, julgam-se proprietários de um espaço maior, quando na dura realidade o espaço do idoso vai ficando dia após dia a cada vez menor.

Com passe livre nos ônibus coletivos por vezes agem com esnobismo. E quando detêm alguém assentado nas poltronas destinadas a eles pedem licença de forma determinada para que desocupem o lugar. Outras vezes começam a resmungar, birrar, e até denunciar ao cobrador. Parece que gostam de ser impertinentes e ranzinzas. Talvez por terem poucos problemas após uma vida problemática.

Eu que já estou jogando no time dos idosos, às vezes, detenho-me numa observação que me leva a pensar que ainda estou jovem diante dos acintes desprovidos de maldades por certos idosos cujo tempo ao invés de lhes deixar mais cautelosos os fazem impacientes em demasia.

Ontem quando eu me dirigia até ao Alto da Gloria, aqui em Juiz de Fora, a fim de comprar uma ração especial para a cachorrinha da minha filha, resolvi tomar um ônibus próximo daqui de casa, na Avenida Rio Branco. E logo que adentrei o coletivo, no segundo ponto, entrou um jovem cego, auxiliado por outro passageiro. O deficiente visual foi acomodado numa das poltronas destinadas aos passageiros de passes livre, ou seja, que não pagam passagens incluindo idosos, deficientes, gravidas etc. O rapaz ao ocupar o último acento disponível fez com que a área destinada se completasse.

Mais adiante entrou uma senhora contando uns setenta e tantos anos, baixinha, magrinha, olhos esbugalhados, boca pequena, nariz avermelhado, cabelo enrodilhados e um buço respeitável... Parece que tinha também cabelo nas ventas. Um perfil de quem vinha para criar caso. Só lhe faltava estar escrito em sua testa: “Eu sou chata”. Entrou, olhou para um lado olhou para o outro e em meio minuto, tinha-se-lhe soltado completamente a língua; e dirigindo-se ao cego disse-lhe:

----“Aqui num é procê não moço, o seu lugar é lá atráis... Eu tenho direito purque tenho quais oitenta ano.”.

Alguém tentou lhe explicar que se tratava de um deficiente e que lhe era permitido estar ali. Mas a velha insistiu:

----“Ele é novo e o que tem sê cego? Lá perto de casa tem um cego lá que é cego só na hora que sai na rua. Vive vigiano a vida dos ôto. Tem pôco tempo ele arrumou um futico danado com o nome da minha vizinha, falano que ela tava andano com o vizinho da rua de baxo. Esses cego de hoje inxerga mais do que morcego sô!. Esse memo ai foi lá em Santos Dumont vê show do Gino e Geno... O qui tem de cego bão da vista ai num dá nem pá conta... Num me ingana não purque eu num gosto!”.

Diante disso, eu me levantei a fim de ser cavalheiro e ofereci o meu assento para a velha que protestou logo:

---- “De jeito nenhum! Não sinhor meu sinhor, pode fica sentado. O sinhor parece que é mais veio do que eu!”.
 Enquanto isso o cego indignado, pediu para descer no próximo ponto, enquanto a velha assentou e se sentiu a dona do mundo.

Agora eu, tive uma vontade danada de lhe dizer: --- Velha chata, você é cega, procure olha que entre mim e você tem uma diferença de idade muito grande... Eu tenho só 69 anos e não estou na hora da morte não viu!? 
Mas preferi não ser um velho chato. Dei o sinal e desci, eu já estava chegando ao fim da viagem.

Armando Melo de Castro

Candeias Casos e Acasos.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

PADARIA ANDRADE

O Blog Candeias MG Casos e Acasos fará hoje uma homenagem ao fundador de uma das mais tradicionais empresas candeenses, e a mais antiga no seu ramo de atuação, ou seja, indústria de panificação. Estamos falando do candeense amigo, Mozart de Souza Andrade, filho de José de Souza Andrade e Dona Zenóbia Lara.

Nascido no dia 11 de janeiro de 1917, na comunidade rural de Boa Vista, em Candeias, teve uma adolescência muito humilde como lavrador, contudo foi um menino muito feliz. Aos 22 anos de idade resolveu se mudar para a cidade em busca do seu espaço próprio. Foi balconista entre outras atividades. Dono de um talento empresarial explícito, já em 1950 resolveu montar o seu próprio negócio. Foi quando nasceu a Padaria Andrade, uma pequenina padaria junto à residência de sua mãe.

Tudo que é necessário para que uma pequena empresa venha a crescer, Mozart tinha com sobra: honestidade, perseverança, vontade de trabalhar, tato comercial e qualidade dos produtos.

No princípio era ele quem fazia tudo. Sabe-se que os padeiros trabalham a noite. E fica difícil saber a que horas Mozart descansava ou dormia. Amassava, assava e ainda saia vendendo. Não tinha loja nesse tempo, Dona Zenóbia sua mãe, o ajudava vendendo os produtos à porta quando ele não estava.

Um lançamento de Mozart à época foram os cartões. O freguês comprava os cartões para o mês todo. Cartões de valores diversos. Era uma forma de vender a prazo onde o freguês não tinha como duvidar do vendedor. Compra de cartões com pagamento antecipado, tinha um desconto de 10%. 
Lembro-me de ver as pessoas pagar os pães com cartões.




                                               Mozart de Souza Andrade

Durante muitos anos Mozart foi visto pelas ruas com o seu balaio de pão até que foi crescendo, ampliando o negócio e admitindo funcionários.

Nas festas da Semana Santa ou do Rosário, a Padaria Andrade funcionava dia e noite. Naquele tempo durante esses eventos a cidade dobrava a sua população, isso porque vinham os candeenses ausentes de outras cidades; mais aqueles da zona rural. Não existia o êxodo rural verificado nos dias atuais. A produção nesses dias tinha que ser aumentada. Pessoas fora do ramo procuravam Mozart e pediam um balaio de pão e saiam à procura de fregueses eventuais. Eu mesmo fiz isso certa vez. A meninada ganhava um bom dinheiro. Mozart sempre recomendava não por a mão nos pães, e fazer o uso do pegador que ele fornecia.

Entre os produtos da Padaria Andrade, há um que eu nunca me esqueço; era o pão tatu, talvez pelo nome exótico de um pão; além da famosa rosca da rainha e do pão sovado, originalmente conhecido por São José e com um incremento diferenciado, a semente de erva doce; até hoje fabricado em dias distintos.

Mozart foi sempre um grande amigo. Viveu a vida em prol da família, sua mãe, Dona Zenóbia, esposa, Maria e seus três filhos, Nilton, Zenóbia (Preta) e Cidinha, para os quais deixou um legado moral e financeiro. Seu esporte favorito era o futebol ao qual dedicava nos seus raros momentos de folga.

A Padaria Andrade encontra-se situada no mesmo local de sua fundação, na Rua Celestino Bonaccorsi, 44 onde nasceu, cresceu e se encontra até hoje.  Teve um grande desenvolvimento estrutural, inclusive com filial em Formiga. Vem sendo muito bem administrada pelo herdeiro da empresa, Sr. Nilton Andrade, um empresário que busca na modernidade o crescimento necessário imposto pelo mercado, além de seguir à risca os bons princípios morais e profissionais de seu tão querido pai. E isso, faz com que a Padaria Andrade, hoje acumulando a função de lanchonete, vem sem dúvida alguma, liderando em Candeias, o mercado de panificação.

Parabéns Nilton Andrade por dar continuidade a um trabalho que não poderia realmente ser interrompido, tendo em vista a circunstância com que foi começado. Que Deus o abençoe para que a Padaria Andrade continue fazendo história --- a História de Candeias.

E a você meu amigo Mozart Andrade, onde quer que esteja, receba o nosso abraço e parabéns pela missão cumprida.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.





sábado, 7 de fevereiro de 2015

O MEU CANTO DE CORDEL.


Texto transferido para o livro candeias MG Casos e Acasos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

JOÃO BERNARDINO DINIZ

                                                 

Hoje o Blog Candeias Casos e acasos fará uma homenagem ao nosso conterrâneo e amigo João Bernardino Diniz; conhecido por “João Surdo”. Esse apelido tenha sido, talvez, pelo fato de João falar alto, porque a bem da verdade, a sua surdez não lhe faria merecer tal cognome.

Nascido no dia 14 de agosto de 1914, filho de José Bernardino de Sena e Lourdina Lamounier, João passou a sua infância na fazenda do seu avô, figura histórica da elite candeense, o Coronel João Afonso Lamounier.

Candeias, grande produtora de café era procurada por pessoas de outras cidades na época da colheita. Numa dessas oportunidades João conheceu Jacira Donata de Jesus, oriunda da cidade de Claudio, MG. O namoro começou contra a vontade dos familiares, porque casamento de empregados com filhos de patrões não eram aceitos. Mesmo com essa contrariedade familiar o casamento aconteceu no ano de 1935, e João foi ser usineiro na Empresa Força e Luz Candeense, então, recentemente instalada e de propriedade do empresário Celestino Bonaccorsi, que fornecia força e Luz para a cidade.

João Bernardino era muito inteligente e após um curto período como usineiro foi convidado a vir para a cidade e ser o eletricista chefe da empresa, cargo que exerceu até se aposentar.

Homem agitado; estava sempre às pressas dado ao acúmulo de serviço. Era ele sozinho o responsável e apenas em operações específicas era auxiliado por eventuais companheiros.  Atendia as reclamações de consumidores e dava soluções. Efetuava cortes e novas ligações. Corrigia defeitos na rede, enfim era ele que fazia tudo. Durante anos e mais anos João foi visto subindo e descendo com uma escada nas costas. Somente mais tarde veio ser auxiliado pelo seu filho Danilo.

Foi uma pessoa admirável. Cidadão correto, honesto, exemplar pai de família rígido na disciplina, criou oito filhos, sendo eles, Nilsa, Danilo, Waldir, Marlene, Marilene, Marli, Marlei e Deusdete, todos bem criados e bem orientados. Sua esposa, Dona Jacira felizmente vive bem se deslizando dos entraves da idade avançada.

João faleceu no dia 11 de fevereiro de 1998 aos 83 anos de idade, deixando para os seus familiares e amigos uma história exemplar de um homem que nasceu em berço rico, mas soube viver pobre em troca de um ideal.  Que teve o trabalho e a família como seus principais deveres e os amigos como direito.

Onde quer que esteja meu amigo João Bernardino Diniz, receba o nosso abraço.

Texto: Évelin Diniz e Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

sábado, 31 de janeiro de 2015

BAR DO MARMITA.



Foto: Professor Milton Moreira e o Marmita.


O asseio é fundamental na vida das pessoas. Aquele que não toma banho regularmente preservando a limpeza do corpo; não tem higiene no preparo dos alimentos, enfim, não se preocupa com os princípios da higiene; além de se tornar numa pessoa alvo de escrúpulos e ante social, pode, também, contrair doenças com mui to mais facilidade. O que existe de gente porca por ai, não está no gibi.


Existem pessoas tão extremas com a falta de higiene que chegam a ficar cheirando mal ao ponto de se tornarem insuportáveis. O hábito da higiene depende do meio e do aprendizado. A natureza parece não ter caprichado muito com o ser humano em termos de higiene. Portanto, é preciso cuidado e atenção. Afinal, é muito triste, mais triste do que feio, é nojento uma pessoa sem asseio.
Eu sou muito exigente na hora de escolher um bar, uma lanchonete, ou um restaurante para comer ou tomar alguma coisa.
Às vezes vemos um estabelecimento com vitrines limpas, e bem lavado, bem espanado, bem clareado, mas, enfim, dentro de todo aquele conceito de higiene, de repente, você observa um fragmento de catarro no bigode do proprietário.
Outras vezes o balconista é surpreendido enfiando o dedo no nariz e ainda dando aquela rodopiada como se a narina fosse o mancal de um rolamento. Pior ainda é quando o cara enfia a mão dentro da braguilha e dá aquela coçada no roxo...
E numa outra variável o cidadão tem uma mão desinquieta que passeia por todos os buracos do corpo e para arrematar usa uma camiseta “subacão”. E, de quando em vez, dá aquela esfregada no sovaco peludo e suado naturalmente, como se estivesse coçando a testa; dai pega o copo pelo lugar onde o freguês vai por a boca.
Viver não é fácil. E não é raro a gente receber convite de amigo para ir num lugar desses e o amigo ainda fala como se aquilo ali fosse o lugar mais agradável do mundo. E quando a gente chega lá!? Logo se dá com as apresentações e normalmente sai um lá do banheiro imundo, sem lavatório sem nada, vem e lhe dá a mão toda infectada de senhoras bactérias e senhores ácaros de residência fixa naquele condomínio denominado saco escrotal, que raramente vê água a não ser aquela que o seu canal reprodutor inverte. Isso é brabo meus amigos????!!!!
Portanto, nesta oportunidade, eu quero recomendar aos meus amigos aqui em Candeias, o Bar do Marmita. Aqui tem tira-gosto de todo jeito e bem feito com asseio num ambiente limpinho. Limpinho tal qual a cozinha de São Benedito. Como já disse o Marmita não cobra pelo preço da bebida, ele cobra apenas a lavação, o uso dos copos e a embalagem. O sorriso e a gentileza é um brinde distribuído a todos os fregueses. É sempre bom lembrar que o Bar do Marmita apesar de ser de sua propriedade quem dá as cartas é a sua esposa, Dona Maria Martins, ela risca e ele corta, porque conforme o bordão da casa “ A fome aperta e o povo grita: QUEREMOS MARMITA”.
Armando Melo de Castro
Candeias Casos e Acasos

Foto: Professor Milton Moreira e o Marmita.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

UM FRANGUINHO AO MOLHO, ANGU E QUIABO.



Adorar é um tratamento dado aos deuses, mas é a melhor forma que eu encontro para dizer como gosto de um frango ao molho, bem entendido, um franguinho caipira, caipirinha mesmo, ao molho pardo ou de qualquer outro jeito de molho. Eu adoro! Que me perdoem os deuses! Mas eu adoro um franguinho caipira! Quando eu vou até a cidade de Luz, terra da minha mulher, eu tenho o prazer de saborear por lá, um cabidela feito por minha sogra que é especialista no assunto.

Em Candeias, minha mãe sempre encomenda ao João do Taxi um desses para que eu possa matar esse gosto parecido com o de mulher grávida. O frango caipira ao molho, com quiabo e angu, é um prato incomparável para mim, pois me leva aos distantes anos da minha infância.

Infelizmente, quem mora em apartamento e em cidade grande, como no meu caso, esse luxo torna-se difícil e só acontece em raras oportunidades.

Eu já criei muita galinha em fundo de quintal; mato e preparo um frango em 40 minutos em condições apropriadas. Piso com o pé direito nos pés da ave e com o esquerdo nas asas. Com a mão esquerda, pego a cabeça, e com uma faca bem afiada, com a mão direita raspo o pescoço, dou uma batidinha para o sangue subir, dou um corte certeiro, e vejo o sangue cair sobre um prato e o bicho esmorecer. Eu sinto um pouco de pena, mas já que o frango existe com o objetivo apenas de alimentar o homem, isso faz com que me sinta perdoado. O meu corte é tão preciso que parece até corte de médico numa cirurgia.

Esta semana eu fui até à feira e vi lá uma gaiola cheia de frangos caipiras, bastante apetitosos. Nesse caso resolvi fazer uma proeza. Pensei: Vou experimentar ajeitar um bicho desses lá no apartamento. Comprei um frango que foi colocado dentro de um saco e vim para casa, satisfeito da vida, porque era o frango no saco e os planos na cabeça. Vou comer primeiro o sangue, depois o fígado, depois a moela, depois as costelas tomando uma cervejinha etc. e tal.  Toda essa empolgação, com a minha mulher, do lado, feito ave agourenta, tentando me tirar de cabeça. “Olha que isso não vai dar certo! Compra um de granja!” --- O negócio é que eu não gosto de molho de frango de granja e ela não gosta de frango caipira.

Assim que cheguei a casa preparei o ambiente para sangrar o bicho, escaldar, depenar, sapecar, lavar com sabão e limão, abrir, destrinchar, colocar na panela, esperar e começar a saborear.

Só que deu tudo errado. O diabo do frango quando eu pensei que estava morto saiu feito um danado pelo apartamento afora, espalhando sangue para todos os lados, Assim que o tive nas mãos, era hora de enfia-lo numa panela cheia de água fervente e ai foi outra tragédia. O danado do frango ainda não tinha morrido direito e deu aquela rabanada.

Foi uma lambança total e o pior: ter que ouvir a minha mulher o tempo todo dizendo: “Eu falei que isso não ia dar certo! Eu bem que falei... Mas você é teimoso! Podia ter comprado um frango de granja era muito mais fácil...”

Mulher fique quieta!!! Se eu gostasse de coisa fácil eu não teria me casado com você!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos








segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

NA FILA DO SUPERMERCADO.



Uma coisa eu devo admitir: no meu time de aposentados tem “nego” manso. Essas filas prioritárias, às vezes, me leva a pensar que não foram criadas porque o idoso não aguenta ficar muito tempo de pé numa fila, mas sim, porque quando ele chega ao caixa do supermercado, ou do Banco, numa bilheteria ou em qualquer outro lugar onde tenha uma fila, ele não olha para trás e como aposentado, está sempre procurando uma chance de puxar conversa, especular, interrogar, bisbilhotar, tendo em vista a sua disponibilidade de tempo; ai ele está sempre congestionando as filas.

Ontem eu estava na fila prioritária do supermercado e havia três idosos na minha frente que monopolizaram o processo em mais ou menos meia hora. O primeiro queria saber o nome da funcionária do caixa, de quem  ela era filha, se era solteira ou se casada. Depois tirou um cartão fornecido pelo próprio supermercado e não se lembrava do número da senha e ai foi um custo. E eu ali, com uma cesta na mão --- atrás de mim um velho não muito velho, resmungava: Holy shit ...
Veio o segundo e já começou perguntando à moça se era parenta do Clemente funcionário do antigo Credireal. Estava lhe achando parecida com uma filha de um amigo seu. Ainda lhe perguntou se era casada ou tinha filhos. Pagou um pacotinho de caixas de fósforos com uma nota de 100 e ficou o tempo todo justificando porque não teria trazido o dinheiro mais miúdo. E eu ali com uma cesta na mão, ficando, cada vez, mais pesada e o cara atrás de mim resmungando: But that fucking!

Depois veio o terceiro. Esse então deixou o saco bem cheio, principalmente pelo fato de estar na minha frente. Primeiro, ele reclamou de estar muito tempo na fila. Alegava que o supermercado não tinha consideração com os velhos; tinha que por mais caixas; tinha que ter mais respeito com os idosos... E eu ali com uma cesta na mão, agora resolvo coloca-la no chão... E atrás de mim o chato resmungando: More that fucking! E o cidadão da minha frente continuava dizendo que o custo de vida está muito caro, que o dinheiro dele só a farmácia come a metade... Dai elogiou os dentes da moça, dizendo que ela tem um sorriso muito bonito... Não contente, falou do calor e da falta de chuva... E eu ali com a cesta no chão e o  chato atrás de mim, resmungando: But that fucking. O velho, para ser mais chato, ainda queria, porque queria ter informações técnicas sobre um produto, e a moça do caixa mais perdida do que cego em tiroteio... E eu ali, com o saco cheio, a cesta no chão e um chato atrás de mim coçando a minha língua dizendo: But that fucking! E para finalizar o velho arrumou um banzé sobre esta questão dos “99”. Dizia que os supermercados inventam esses preços de 99 centavos, mas nunca lhes devolvem esse danado desse 1 centavo. Isso é propaganda enganosa dizia ele. Depois saiu.

Agora era a minha vez...  A moça do caixa com uma cara de quem estava indo para um cadafalso, naturalmente, também, com a capanga cheia, pediu licença e chamou uma coordenadora  e saiu apressada. E eu ali, com o saco cheio, a cesta no chão e um chato atrás de mim coçando a minha língua dizendo: But that fucking!

A coordenadora vem, pede um minutinho e alega que a moça volta já.  Mas, voltou num minutinho? Deve ter descarregado toda a sua produção de excremento do mês inteiro. Veio de lá com uma cara de quem fez um cocô muito duro, ou então muito mole. Felizmente agora era de novo a minha vez... Olhei para trás e disse para o cara, vou ser prático... E ele com uma cara de merda diz: But that fucking... Essa frase, também, já estava  enchendo o saco, quando uma senhora com perfil de curiosa, atrás dele, perguntou: “ o senhor esta falando se tivesse uma faca?” O cara riu, se divertiu à custa da pobre velha e se negou a traduzir.

A moça do caixa parecia ter tido uma baixa de pressão de tão mole, um rosto meio desbotado de mulher que vai ser mãe. Na sua camiseta estava escrito nas costas: “Funcionária em Treinamento.”

Fui rápido e em silêncio fui atendido.


Agora era a vez do cidadão que vinha atrás, quando a moça do caixa de novo, pediu licença e chamou a coordenadora que veio e pediu mais um minutinho... Ai o cara avermelhou-se e alto e em bom som, traduziu a frase:   "Puta Merda".

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos