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domingo, 2 de maio de 2021

CANDEENSES ADOTIVOS E FALECIDOS.

                                              Loja do Sr. Pedro Gianasi

Hoje, nós vamos aqui relembrar nomes de candeenses adotivos que trocaram suas terras por nossa Candeias e aqui viveram e conviveram ativamente participando da construção da nossa história. Nomes que deverão estar eternamente cravados na história de Candeias:

Celestino Bonaccorsi, nascido na Itália de onde veio dar a sua grande contribuição ao nosso município. Seus filhos, especialmente o seu filho adotivo, Sr. Bernardo Bonaccorsi e sua filha Julieta Bonaccorsi, como também os seus genros Bóvio Riani e Cesare Mati.

 Dr. Renato Vieira medico que deixou a sua terra no Triangulo Mineiro para juntar-se a nós, dedicando toda a sua vida salvando vidas no nosso município.

Américo Bonaccorsi, um grande empreendedor, grande comerciante de aves e ovos no tempo em que não existia granjas de galinhas. Fundador de um grande Bar e hoteleiro, proprietário do Candeense Hotel, muito conhecido pelos viajantes. Nascido em São Francisco de Paula, filho de Italianos. Muito dedicou ao progresso de Candeias, além de músico o qual alegrou várias gerações candeenses com a sua música.

 Prefeito Francisco Coelho, mais conhecido carinhosamente por Chico Coletor. Um grande amigo dos candeenses, nascido na cidade de São João Del Rey, dedicou grande parte de sua vida a Candeias, onde foi um prefeito merecedor de todo o respeito, isento de quaisquer acusações das quais tão comuns nos dias de hoje aos políticos brasileiros. Foi Chico Coletor que com dificuldade, mas sem medir esforços construiu o Hospital Carlos Chagas.

 Francisco Quintino da Silva, enfermeiro. Veio para Candeias acompanhando os médicos do movimento de erradicação da lepra. No entanto ao termino dessa tarefa federal, Quintino que era enfermeiro federal, resolveu ficar em Candeias, como não havia vaga para enfermeiro federal, trocou o seu cargo por enfermeiro estadual, perdendo com isso parte de seu salário. Muito popular elegeu-se vereador e foi ele quem trouxe para Candeias a primeira instalação de uma telefônica.

 Os irmãos Pedro e Emílio Gianasi, Italianos. Comerciantes dos mais conceituados em Candeias. Eram tidos como os mais barateiros. Suas lojas encontram em funcionamento até hoje, já na terceira geração de cada um.

 Mario Rigali, italiano. Um grande participante da construção de nossa história. Fundou o Bar Piloto, então o cartão de visitas de nossa cidade. Mario foi quem abriu as portas para os comerciantes da zona rural.

Padre Américo Brasileiro, natural da cidade de Lavras, muito contribuiu com a cultura popular em Candeias. Está sepultado no Santuário do Senhor Bom Jesus. NB) Eu quero pedir aos amigos que por ventura tenham outros nomes que façam jus ao texto, que me informe para acrescenta-los aqui neste texto, o que o farei com muito prazer.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

domingo, 24 de janeiro de 2021

AOS MEUS 75 ANOS.


 

Ontem, 16 de janeiro de 2021, foi dia do meu aniversário. Completei 75 anos. Foi um dia muito feliz para mim porque eu entendo que só consegue chegar aos 75 anos ou mais, aqueles que realmente tiveram uma juventude que deu certo. Eu fiquei imensamente feliz porque pude receber muitos parabéns; muitos desejos de vida longa, felicidade, alegria... Enfim os meus amigos me desejaram tudo de bom ontem durante o dia todo. E essas mensagens foram a causa da minha grande alegria.

---Eu li e reli todas as mensagens e curtidas que recebi, bem como os nomes de todos os amigos que participaram da festa do meu coração. Senti-me um tanto feliz com tantas mensagens de meus conterrâneos candeenses. Afinal eu estou há mais de 50 anos residindo fora de Candeias. – Amigos meus de outras cidades onde eu morei e trabalhei, como Divinópolis, Bambuí, Governador Valadares, Patrocínio, Patos de Minas, Luz, Capitólio, Lagoa da Prata, São Sebastião do Oeste e São Paulo. Bem, como outros amigos localizados em outros lugares como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, Formiga, Campo Belo e Cristais. outras localidades que me fogem a memória. Até dos Estados Unidos, recebi o abraço da minha querida amiga, Clarice Grgurich, minha condiscípula do Padre Américo.

---Eu acho que a felicidade de um idoso que completa 75 anos de idade é ser lembrado ou ser homenageado pelos amigos e parentes como eu fui ontem. Portanto meus amigos, muito obrigado, talvez vocês não possam avaliar o bem que me fizeram. Que Deus os abençoe a todos.

---Os jovens aniversariantes que ainda não estão fazendo as contas da idade, porque por certo ainda pensam que o fim da vida está bem distante, ao receberem votos de muitos anos de vida não respondem com o pensamento esses votos tão queridos. --- Mas o aniversariante que passa dos 70, naturalmente, já não pode acreditar tanto que viverá os anos que lhe são desejados pelo carinho dos amigos. Porque já terá visto tantos parentes, tantos amigos, pais, colegas de infância, terem ido embora para a outra vida. Um idoso, quanto mais idoso, mais sozinho vai se sentindo. A realidade que não podemos fugir dela é que ao contar 75 anos é se pertencer a um passado intenso e longe. Um presente ocioso e um futuro frágil. Mas nem por isso queremos desistir de uma longa vida. Assim pedimos a Deus que nos dê bastante vida porque o nosso futuro não promete muito mais.

---E assim, eu faço a mim uma pergunta cuja resposta quero de mim mesmo ao completar 75 anos:

---De acordo com a Bíblia, Matusalém viveu 969 anos e foi ser pai aos 187; --- Lameque viveu 777 e foi ser pai aos 182; --- Noé, aquele da arca, viveu 950 e foi ser pai aos 500 anos e Sem, um dos filhos de Noé foi pai aos 100 anos e viveu 600 anos. (Gêneses 5: 01,32)

Salmos 90:10 – “O homem viverá até aos 70 anos. Se for uma pessoa saudável, poderá chegar aos 80; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passará depressa enquanto nós voamos”. --- Em outras traduções podemos ver que dos 70 aos 80 serão anos inúteis, no que então, devo entender que aos 75 anos a Bíblia me considera um inútil.

---Certa vez eu vi e ouvi uma reunião do intelectual, Barbosa Lima Sobrinho, escritor, historiador, jornalista e politico brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras, quando ele disse completando os 100 anos de vida, com tamanha lucidez, que o seu problema maior era estar vivendo muito. --- Barbosa Lima Sobrinho morreu aos 103, anos lamentando estar vivendo muito.

---Foram muitos os meus conterrâneos falecidos com mais de 100 anos de idade. Há poucos dias mesmo, faleceu a nossa tão querida amiga Dona Julieta Bonaccorsi aos 105 anos.

E eu aos 75 anos o que devo pensar? Devo orar para o espírito de Matusalém, que fez filho aos 187 anos e morreu com 969 anos? Gênesis 5:27 ---- Ou devo pensar nos Salmos 90.10, levando em conta que aos 75 ainda tomando umas pinguinhas posso chegar aos 80 como um inútil sofredor? Ficar feito Barbosa Lima que cansou de tanto viver? Ou acreditar que tudo isso é balela porque eu tenho diversos conterrâneos que viveram mais de 100 anos. Tudo isso a meu ver é estar tentando decifrar os desígnios de Deus jamais conseguidos.

--- Aos 75 anos não quero ter tanto medo da morte esse medo e essa incerteza é o preço que pagamos pelos nossos erros. É a morte que nos iguala perante Deus. Durante a vida somos todos diferentes, maus, ambiciosos, invejosos, covardes em troca de uma só bondade. ---- somos cheios de erros e poucas virtudes. O preconceito entre negros e brancos; ricos e pobres; feios e bonitos; bons e maus. Enfim, somos todos diferentes e dizendo que somos iguais perante Deus. Mas essa igualdade só nos chega com a morte. Ai sim! Seremos todos iguais perante Deus.

Armando Melo de Castro.

 

sábado, 23 de janeiro de 2021

UMA VOLTA AO PASSADO.


                                                         FOTO JOÃO JOSÉ DE CASTRO

 

----Quando se tem vivido uma boa porção de anos, a gente sempre tira um tempinho para divagar, realizar digressões para um passeio mental. Eu sempre gosto de convidar o meu presente para uma volta ao passado.

 ----Reencontrar uma professora primária; um vizinho antigo para o qual eu fui um menino bobo e ele um velho sábio. Ver a venda aonde eu ia sempre com o meu pai, e poder me lembrar daquele doce de amendoim que eu sempre ganhava. Ver a cara do vendeiro que nunca mostrava os dentes. Voltar a ouvir o meu pai assentado com a minha irmã caçula no colo e eu do lado ouvindo as histórias da carochinha e da cachorrinha da menina Izabel.

 ----- Ver o meu tio João fazendo selas na sua selaria, ao lado de minha casa. Receber a bênção de minha avó me abençoando: “sabençõe” Ouvir a minha mãe no tanque lavando roupa e cantarolando as músicas de Ataulfo Alves e Orlando Silva. Vendo o meu tio Wantuil preparando a casa às vésperas de seu casamento... E o Tio Chico, ainda um rapagão, passando brilhantina nos cabelos... As visitas aos Arrudas à casa de minha Tia Maria. ---- E uma coisa que eu adorava era ouvir o meu avô tocar viola e cantar a sua canção preferida “Noite de Reis) Eu fecho os olhos e embarco na busca de tudo que me alegrava no verdor dos meus anos.

 ---- Mas às vezes, me encontro, também, lá no meu passado com a tristeza, mesmo tendo sido um menino feliz, sem problemas, eu conheci a tristeza. Só que a tristeza de menino é guardada para ser transformada em saudade na velhice. ---- Hoje, revivendo o momento da morte do meu avô, o meu querido João Delminda, pai do meu pai; homem inteligente, professor municipal, conhecedor de todo e qualquer assunto, pois vivia lendo tudo que lhe passasse à frente. --- e ainda mais um competente curtidor de couros.

Ele estaria completando este ano 138 anos.

Meu querido avô. Nunca ia a um médico, tinha muita saúde, no entanto, acabou de almoçar, foi ao pote tomar um copo d’água e caiu. Levado para a cama foi chamado o médico, Dr. Willian Elias. ---- Medicado, melhorou. mas não resistiu, e às 23 horas do dia 5 de junho de 1960, partia para o andar de cima. Um grande conforto para a nossa família foi a presença marcante de tanta gente nos seus funerais.

 ---- Durante algum tempo vi meu pai usando uma camisa preta. Era o luto que se usava na época. ---- Um parque de diversão, cujo alto falante era muito bem ouvido de minha casa, estacionado ali, próximo na Praça Antônio Furtado, naqueles dias tocando uma música de Tonico e Tinoco, quando eu vi pela primeira vez, talvez a única vez, o meu pai chorando, dentro da sua camisa preta ouvindo a musica: “Camisa Preta” ---- Recordar é bom até mesmo os momentos tristes. Hoje, eu me encontrei com o meu avô morto, mas sempre o encontro vivo também.

Como já nos encontramos aliviados da dor recordar a tristeza não é sofrer duas vezes, é entender melhor os desígnios de Deus.

Onde quer que esteja meu querido avô, conforta-me senti-lo aqui bem presente dentro do meu coração e passeando pelo meu cérebro.


Armando Melo de Castro

Candeias Mg casos e acasos.

 


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

A FAMILIA BREIAS EM CANDEIAS.

                                                        FOTO: Antônio Martins Breias. 

 Candeias tem a sua história. Contudo, essa história, às vezes, tem muitos capítulos interessantes, no entanto, ocultos no âmago do seu povo. E se não forem revelados acabam-se perdidos, esquecidos e ou desperdiçados pelo tempo que não perdoa. Tantas passagens aconteceram durante a construção da nossa história até hoje e que não foram registradas e tendo sido consumidas com a morte de seus portadores. E no presente, com certeza, as nossas novas gerações gostariam tanto de ter conhecimento. Como exemplo a chegada de pessoas que vieram de longe, até do exterior para participar de nossa vida e que não são lembradas nos registros de nossa história. Famílias tradicionais que habitam ativamente em Candeias e que até seus descendentes não têm conhecimento lógico das suas origens. Pessoas que aqui chegaram vindas de longe trazidas pela nossa construção e que aqui foram sepultadas e esquecidas. Um povo que não se preocupa com a sua história, é um povo isolado.

 Eu era menino, no tempo do auge da Casa Celestino Bonaccorsi. Ali trabalhavam diversos balconistas. Entre eles haviam dois irmãos. Antônio Breias e Aurélio Breias. Meu pai sempre recomendava, procure o Antônio Breia. Ele era um dos melhores balconistas da Casa Celestino Bonaccorsi. Sempre sorridente e sempre atento. --- O nome Breias me chamava atenção, pois não era um nome comum. Posteriormente Antônio Breias após adquirir a antiga loja do Sr. Neném do André, tendo como sócio o Waldir Fernandes Pinto, tornou-se fazendeiro. --- O meu único contato com a família Breias foi nesse tempo e posteriormente com o Antônio Carlos Breias, meu amigo e colega de Banco, seu filho, para o qual eu pedi que nos contasse a história de sua família. Afinal, um nome diferente de uma pequena família e como ela teria vindo parar em Candeias. 

 Armando Melo de Castro. 

 Ai está à história narrada então pelo bisneto do patriarca português Antônio Carlos Breias. 

 Os Breias Pelo lado paterno são descendentes de portugueses, tendo como origem um operário português, o mestre de obras, Antônio Martins Breias, natural do norte de Portugal, da Freguesia de Lourençal da Serra. O patriarca da família veio para Candeias quando da construção da linha férrea que liga Barra Mansa RJ à Catalão GO. Ele era o mestre dessa obra, fixou residência em Candeias por volta de 1897 e casou com a senhora Malvina Cândida de Jesus. Dessa união nasceram quatro filhos: Aurélio Martins Breias, Isaura Martins Breias, Maria Martins Breias e Ana Martins Breias. O casal veio a separar-se a esposa Malvina Cândido de Jesus, mudou-se para Formiga Minas Gerais com as três filhas, Isaura, Maria e Ana. Os descendentes da Ana ainda hoje residem em Formiga. A filha Isaura não se casou, foi quitandeira e doceira famosa em Formiga MG, onde fazia festas para a alta sociedade formiguense.

 A Maria foi morar em Itaúna onde hoje residem seus descendentes. O Patriarca, senhor Antônio Martins Breias, permaneceu em Candeias com o filho Aurélio Martins Breias. Que se casou com Sra. Francisca Sebastiana de Jesus, e tiveram três filhos Antônio Martins Breias, Isaura Martins Breias e Aurélio Martins Breias, netos do Patriarca. Aurélio assim como seu pai também trabalhou na linha férrea, ele faleceu ainda jovem devido ao descarrilamento da máquina em que viajava entre Bugios e Quarta Turma, quando retornava para casa por ocasião do nascimento do terceiro filho do casal, o qual recebeu o nome de seu pai, Aurélio Martins Breias. Com a morte prematura de seu pai, Antônio Martins Breias, neto do patriarca, tornou-se arrimo de família e, ainda criança foi trabalhar para a família Carrilho, ajudando sua mãe no sustento de seus irmãos. Ao atingir a maioridade retorna pra cidade e vai trabalhar como balconista na casa Bonaccorsi. 

 Em 1952 Antônio Martins Breias casou-se com Odete Miranda Breias e dessa união nasceram: Antônio Carlos Breias, Adelson Miranda Breias, Armando Miranda Breias, Arnaldo Miranda Breias, Monica Hortense Breias e Marisa Aparecida Breias, bisnetos do patriarca. Permaneceu trabalhando na casa Bonaccorsi, desligando somente quando em sociedade com seu cunhado, Waldir Fernandes Pinto, adquiriram uma casa comercial. Waldir foi batizado com o nome de Antônio e os dois sócios tinham o mesmo nome, para diferencia-los o Waldir foi conhecido por muito tempo em Candeias, como Antônio Grande. 

Antônio Martins Breias vendeu sua parte da loja e foi tentar a sorte como fazendeiro no Pântano, município de Cristais MG. foi produtor de leite e agricultor. Apesar de ser da cidade tinha conhecimento do trabalho rural e contava também com a experiência da esposa Odete, que por ser filha de fazendeiro detinha bastante conhecimento das práticas rurais. Mas a família sempre teve fortes vínculos com a terra natal. Antônio e Odete venderam a propriedade em Cristais e adquiriram o sítio Palmital em Bugios no município de Candeias. 

 Por Antônio Carlos Breias. 

 Este texto encontra-se, também, no Blog Candeias MG Casos e Acasos. (Armando Melo de Castro)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

ONOFRE LACERDA.

Meus amigos:

Na década de 50, ainda no tempo do velho Círculo Operário São José, ou seja, antes do cinema novo de propriedade do Monsenhor Castro, motivo de assunto da nossa ultima postagem, o velho cinema era um convenio da Associação do Círculo Operário com Cine Teatro Sidney de Campo Belo. O filme passava em Campo Belo e depois seguia para Candeias. E o gerente desse antigo cinema de Candeias era o Sr. Onofre Lacerda, uma pessoa que marcou presença em Candeias. Muito comunicativo e deixou grandes amizades entre o povo candeense. Gosto de me lembrar do Onofre porque ele andava pelas ruas e sabia os gostos das pessoas pelo tema dos filmes. Meu pai, Zé Delminda, era muito amigo dele e quando era visto de longe pelo Onofre às vezes do outro lado da rua, como na Avenida 17 de Dezembro, Onofre bracejava dando murros no ar, informando que o filme daquele dia seria faroeste. Se fosse um filme policial ele imitava o saque de uma arma. E se fosse um filme de amor imitava um beijo. Enfim, para cada filme ele tinha um jeito de mostrar de longe o tema da fita.

Onofre Lacerda merece ser lembrado pelos candeenses porque participou da história de candeias. Gostava muito de futebol, e abaixo estaremos mostrando um texto escrito sobre Candeias, pelo seu filho João Luiz Lacerda, para o seu Blog Lembramento JL Lacerda onde ele nos premia com uma foto histórica de nossos atletas e um texto muito carinhoso quando comenta sobre a sua época em Candeias, o que eu confiro, como minha época também. ---- João reside na cidade de  Alfenas,  e na foto do time mostrada está o seu pai Onofre, quando participou no Campo da Associação Esportiva Candeense. --- Ao nosso amigo João Luiz Lacerda, queremos dizer das boas lembranças que temos de seu pai, parabeniza-lo e agradecê-lo pelo carinho que tem pela nossa terra onde passou boa parte de sua infância.

 NB) A foto não trás os nomes dos integrantes. Eu consegui identificar os seguintes: Da esquerda para a direita de pé: -----

Hamilton Marques, (???) Ari Ferreira, Dezinho do Josias, Onofre Lacerda, (???) Tãozinho do Chico Freire, Vadinho da Sota, A moça tudo indica ser uma das filhas do Sr. Inácio Pacheco. E os cartolas Alvim Ferreira e Chico Teixeira Neto.

Os meninos agachados: Eu só consegui identificar o Alceu Pacheco. Seria bom se alguém conseguisse identificar esses nomes que se encontram em (???) e os meninos.

Grande abraço João Luiz Lacerda

Armando.

Comentário em nosso Blog Candeias MG Casos e Acasos do amigo João Luiz Lacerda.

Alfenas MG --- Armando, Sou de Campo Belo e hoje resido em Alfenas. Morei em Candeias de 1951 a 1956. Uma infância deliciosa: sem carros propriamente, futebol na rua, de chuteira na Associação Esportiva Candeense (camisa verde preto). Meu pai, Onofre Lacerda, era gerente do cinema - Cine Círculo Operário São José - do Padre, depois monsenhor Joaquim. Lembro-me do Sr. Quintino (pai da Vanda, PTB e ardoroso fã do Jango). Do velho Bonacorsi com o cigarro dependurado ao lado da boca na Casa Bonacorsi. Do sr. Gabriel que gostava de teatro. E alguns nomes que sempre rodam na minha lembrança. Tenho uma irmã que nasceu em Candeias, em 1951.

No meu blog www.lembramentojllacerda.wordpress.com publiquei filmagem que fiz de Candeias em 1983. E também uma foto do time (aspirante, claro) que meu pai treinou na AEC. Um abraço, (João Luiz Lacerda) –

Abaixo o texto de João Luiz Lacerda

A foto diz que… todos estão sérios, momento solene do registro para a posteridade. Vê-se que é um modesto time de futebol, campo de terra e, ao longe, a vegetação invade o céu. Então, no silêncio misterioso da fotografia, pequena e quase inaudível voz vagueia e diz que… de um lado do campo, o barranco. Do outro, barreira de bambus protegia um pequeno curso d’água. Era o campo da Associação Esportiva Candeense (AEC) nas cores verde e preto, cá embaixo, de difícil descida da praça, sofrida e cansativa subida de retorno. Semelhante, e menos árduo, tomar rumo para fora da cidade em direção da estrada de terra para Campo Belo e Formiga para adentrar o campo do Clube Atlético Candeense (CAC) com sua camisa azul-amarela. Ah, sim, ainda ouço o matraquear de catracas em volta da igreja nos dias silenciosos e fúnebres da semana santa, medrosos e temerosos durante a quaresma. Bem-vindo o fim religioso com a alegria e a cantoria de um grito de carnaval no clube social. Ali, naquela igreja, a correria da meninada no domingo do catecismo para o cine Círculo Operário São José, do padre/monsenhor Joaquim. Igreja renasceu daquela que foi para o chão. O cinema despedaçou-se para um novo e repousa no esquecimento. A praça então era imensa, de terra, a água da chuva a encharcar de barro pés, descalços ou não, que se atrevessem. O dedo da voz, baixinha, faz desenho no tampo da mesa e aponta indefinido e imaginário, a oficina e posto de gasolina para minguados carros. Aqui, o bar do Afonso, onde a jardineira apanhava viajantes e as malas eram colocadas em cima dela. Ao lado, a casa dos Bonacorsi e, do outro lado da praça, a casa Bonacorsi, do velho Bonacorsi, com suspensórios a manter pregado o constante cigarro no lábio inferior. Mais à frente, na esquina, o Clube Social a enviar noites de danças, bebidas e alegria para a outra igreja ao lado, sempre fechada. Para lá, em direção do campo do Clube Atlético, no meio da subida, uma pequena igreja, velha, misteriosa, parecia abandonada. Conheceu o sr. Quintino, orgulhoso compadre do Jango Goulart e ferrenho político do PTB? E o Antônio, quase vizinho dele, que montava presépio mecânico ma-ra-vi-lho-so! Tinha o dr. Zoroastro, e também o dr. Vandick Del Fávero que foi pro Rio com despedida emocionada e concorrida. Bem perto, com pés na estrada, a fazenda do João Marques, de pescaria, cachaça, garapa e rapadura. Houve sonho para uma praça de esporte, a cidade merecia. Também uma rádio, a tocar música com alguns discos pretos e pesados, que ocuparam por poucos dias os ouvintes. Foi fechada, claro, clandestina, né? Todos estão sérios na foto como sempre acontecia antigamente, os retratados não sabiam como sorrir para o retratista. Mas… veja, a moça segura um ramalhete, está sorrindo e não olha para a máquina, para quem será o olhar dela? Só tem essa foto? Que pena!

NB) O bar do Afonso, citado, trata-se do Bar Piloto, então do Sr. Afonso Ferreira de Oliveira

Texto de João Luiz Lacerda

Postagem, Armando Melo de Castro

domingo, 13 de dezembro de 2020

AS MÁSCARAS DA IMORALIDADE


                                                                             IDI AMIM DADA.

No decorrer de minha vida, as gerações pelas quais passei, fez me defrontar com tantas incoerências humanas. Tantos desajustes e tantos desencontros que me buscam a entender o quanto a vida se transforma, e o quanto o ser humano vive distante de Deus. Mas tenho visto que as gerações que outrora eram contadas aos 25 anos, hoje não passam de 10. Não é difícil observar o quanto as nossas vidas já se modificaram nos 10 últimos anos. O ser humano já não é o mesmo. Ser bom hoje em dia, já não é um dever é uma virtude.

Navegando no lago de minha memória, por exemplo,  lembro-me do polêmico, general Ugandense, Idi Amin Dada, presidente do pequeno país de Uganda, de 1971 a 1979, que foi considerado um dos mais brutos e déspotas da história. Esse excêntrico ditador africano chegou a ser considerado o terror de Uganda pelos seus crimes e aberrações.

Decretou a proibição do uso de cosméticos pelas mulheres de seu país, inclusive cremes, loções, de beleza ou bronzeadores. Ele alegava que  os produtos de beleza tirava a beleza natural das mulheres ugandenses e poderia fazer com que elas perdessem o seu prestígio. Idi Amin achava que a maquiagem rouba a beleza natural das mulheres, pois seria uma parceira da máscara, pois elas escondem o verdadeiro rosto de alguém.

-- Não bastassem as atitudes cômicas do ditador ugandense, como comprar na Inglaterra, as  medalhas com as quais auto o homenageava; o seu governo ficou marcado por violações dos direitos humanos; perseguição de todas as formas; nepotismo e assassinatos.

Idi Amin Dada foi responsabilizado por observadores internacionais e grupos de direitos humanos como responsável por mais de cem mil mortes.

E eu pergunto aos meus amigos: Qual a diferença entre um presidente de Uganda e um ex presidente brasileiro quando ambos apesar de armas diferentes mataram. Isso porque quem rouba o dinheiro público está matando também. E a corrupção é uma arma sanguinária.

Enfim eu pergunto, também, a Deus: Meu pai Celestial, que mundo é este no qual estou meu Pai? Por que  o povo não cumpre os Dez mandamentos de Sua lei? Ajude-nos Pai! Livre-nos dessas máscaras não de cosméticos, da imoralidade que tomou conta do nosso país, quando um ladrão sacramentado, julgado, condenado e preso, consegue se soltar e sair dizendo que é honesto e usando a sua voz pastosa para julgar alguém que acredita em Deus e demonstra virtudes.

Armando Melo de Castro.






quarta-feira, 2 de dezembro de 2020


                                                            Antiga Casa Celestino Bonaccorsi

A FAMÍLIA BONACCORSI EM CANDEIAS.

Prezados amigos:

Cada povo constrói a sua história extraída de sua memória. Portanto, um povo sem memória é um povo sem história, assim diz o filósofo. E um povo sem história, naturalmente irá repetir os erros do passado. ---- A história de Candeias tem dois tempos importantes: antes e depois  dos Bonaccorsi.  E isso é de todo patente que as novas gerações não poderão estar alheias a essa história. Eu suponho que os jovens de hoje ao passarem frente ao prédio onde durante anos foi instalada a CASA CELESTINO BONACCORSI e ver esse nome cravado na parede poderá sentir o desejo de saber quem foi Celestino Bonaccorsi, ou então quem foi a família Bonaccorsi. ------------------------ À vista disso, eu pedi ao nosso querido amigo Armando Bonaccorsi, remanescente da “velha guarda” da família Bonaccorsi e que escreveu um livro sobre essa importante família para Candeias, o qual preparou esse resumo para conhecimento das pessoas interessadas e registro na história de Candeias.

Armando Melo de Castro.

Por Armando Bonaccorsi:             

O ramo da família Bonaccorsi que veio para Minas Gerais, tem origem na Comune di Barga, região Toscana da Itália. Dos nove filhos de Pietro Rocco Bonaccorsi e Maria Lucia Notini, cinco viveram na vila de São Francisco de Oliveira, então distrito desta cidade; Candeias e Timboré, vilarejo situado no município de Formiga. Todos retornaram definitivamente para a Itália. Um deles ficou no fundo do mar!

Pietro Bonaccorsi possuía um sítio em Latriani, muito próximo a Barga. Seus filhos eram nove: padre Rocco, Giovanni Pietro (faleceu ainda criança), Iacopo Bernardino, Luigi, Clementina, Seraphino, Celestino, Eletta e Pietro. Os nomes dos que viveram no Brasil foram aportuguesados e Iacoppo Bernardino passou a ser chamado de Bernadino, Luigi de Luiz, Seraphino de Serafim e Pietro de Pedro.

Das duas irmãs, Clementina era a mãe de Pietro Nardi, que ficou conhecido como Pedrinho Bonaccorsi, pois desde que chegou a Candeias nos primeiros dias de janeiro de 1930, trabalhou no comércio com o tio na Casa Celestino Bonaccorsi até o encerramento da firma. Eletta, casou com Antônio Pieroni em 1910 e foram para os Estados Unidos da América, onde deixaram muitos descendentes. O padre Rocchino e as irmãs não vieram ao Brasil.

Bernardino foi o pioneiro da família a vir para Minas Gerais; desembarcou no porto do Rio de Janeiro no dia 28/06/1890. Chegou sozinho aos 21 anos de idade, mas aguardava-o no porto o tio Antônio Notini, que o havia chamado para trabalhar com ele. Assim, ajudava também a irmã e o cunhado na Itália, ainda se recuperando política e economicamente de tempos difíceis que o povo italiano passava. Dois dias depois rumaram para a vila de Carmo da Mata, distrito de Oliveira/MG.

Antônio Notini era comerciante em Fornaci di Barga e proprietário de terras rurais, onde cultivava cereais, oliveiras e uvas; extraía azeite e fazia vinho para vender. Mas a Itália estava muito confusa, com a economia estraçalhada devido à guerra de sua unificação, quando resolveu vender seu comércio e mudar para o Brasil. Encheu vários baús com diversas mercadorias de sua loja, especialmente tecidos, e embarcou em Gênova rumo ao Rio de Janeiro no ano de 1869. Nesta cidade encontrou dificuldades para se estabelecer, por isso resolveu adentrar os sertões de Minas Gerais com mercadorias transportadas em vários burros para vender por onde passasse; deu certo e tornou-se mascate pelas estradas, arraiais e cidades. Retornava à capital para repor o estoque para novas jornadas, até se estabelecer com uma ‘venda’em Claudio/MG. Voltou a Fornaci di Barga para se casar com Diamante Vitoi e já com duas filhas mudaram para Carmo da Mata. A família cresceu com dez filhos. Os Notini proSperaram e foram os maiores comerciantes do local e proprietários vários negócios e terras rurais. Os filhos diversificaram suas atividades e tornaram-se industriais, mudando e estabelecendo-se em Divinópolis/MG. e Petrópolis/RJ.

Dos irmãos Bonaccorsi que vieram para o Brasil,  Bernardino foi o pioneiro a migrar para o Brasil. Com a família Notini residiu e trabalhou cerca de quatro anos; aprendeu com as primas a falar e escrever em português; com o tio e primos os ofícios do comércio. Preparado e ajudado por Antônio Notini, este o encaminhou à vizinha vila de São Francisco de Oliveira em 1894; com seu aval alugou uma ‘venda’ no Largo do Rosário, situada a uns 150 metros abaixo da única capela da localidade.

No ano seguinte, chegaram a São Francisco os irmãos Luiz e Serafim, constituindo-se a sociedade Bernardino Bonaccorsi & Irmãos. Em agosto de 1896 chegou o quarto irmão, Celestino, com 15 anos de idade. Seguindo a tradição italiana, o irmão mais velho era o cabeça ou chefe, expressada como “il capo” e Bernardino tornou-se o líder nos negócios.

Todos os irmãos e alguns sobrinhos residiram em São Francisco e na mesma casa, estabelecidos com comércio e presencialmente, de 1894 até 1937, cinco anos depois que os irmãos Luiz e Serafim regressaram definitivamente para a Itália.

Os negócios dos irmãos cresceram de maneira extraordinária, pois, em 1898, compraram o imóvel alugado e situado no centro da vila; era um casarão integrado pela área residencial e comercial. Também compraram um terreno vago numa rua abaixo com 7.800 m². de área, que se destinava a pasto para os cavalos dos fregueses; era o estacionamento daquela época! Passaram a ser os principais comerciantes da localidade e recolhiam os maiores impostos junto à Prefeitura de Oliveira. Abriram uma filial no povoado de Vieiras Bravos e tiveram uma destilaria de cachaça.

Trabalharam com muito empenho e privações. Saiam com tropas de burro para vender variadas mercadorias de porta em porta pelos sertões, fazendas e arraiais vizinhos. Levavam mantimentos para cozinhar e muitas noites dormiram debaixo de árvores e em paióis de fazendas. Ao regressar à vila, traziam produtos rurais que pudessem dispor para vender aos seus fregueses.

Nas “vendas’ de antigamente havia de tudo: variados gêneros alimentícios, carne de porco e banha; tecidos e aviamentos; bijuterias e cheiros; calçados; ferragens; ferramentas; arame farpado; sal; querosene; cimento...etc. 

Com a finalidade de expansão, Bernardino foi para Candeias e estabeleceu seu comércio no Largo da Matriz em 1897, cuja firma foi denominada Bernardino Bonaccorsi & Cia. No ano seguinte comprou o imóvel de Cassiano Maximo da Cunha, pai do João Cassiano, fabricante da famosa cachaça local; sendo: “um prédio para residência e comércio”. Hoje é a Av. 17 de Dezembro, onde funcionou a Casa Celestino Bonaccorsi. A área de terreno tinha mais de 6.000 m². e se estendia até a antiga Rua dos Fernandes, também denominada Rua dos Capãos; é a atual Rua Pedro Vieira de Azevedo.

Dez anos após a chegada ao Brasil, Bernardino voltou à Itália pela primeira e última vez no início de junho de 1900, junto com o irmão Luiz para se casarem. Os dois irmãos casaram com duas irmãs, Luiz com Armida em outubro e Bernardino com Guilhermina em dezembro. Embarcaram em Gênova para retornarem em 15 de janeiro de 1901, acompanhados das esposas e do irmão caçula Pietro, então com 11 anos de idade. Após alguns dias de navegação, Bernardino foi acometido de grave infecção que o levou à morte no dia 28/01/1901, (naquela época não existia antibiótico). Seu corpo foi lançado ao fundo do mar, 59 dias após seu casamento. Guilhermina não se sentia bem, com enjoos constantes que atribuía ao balançar do navio. Entretanto, dias depois se revelou a gravidez do primeiro filho.

O destino do casal era Candeias, mas devido ao inesperado e trágico falecimento do marido, Guilhermina acompanhou sua irmã Armida com os cunhados para São Francisco de Paula, onde ficou morando. Nesta vila, Celestino ficou cuidando dos negócios durante as ausências dos sócios em viagem à Itália, e Serafim em Candeias.

Com o falecimento do irmão, Luiz tornou-se o ‘il capo’, assumindo a direção dos negócios e alterou as denominações das sociedades para Luiz Bonaccorsi & Irmãos.

Luiz e Armida tiveram quatro filhos nascidos e batizados em São Francisco de Paula: José, Américo, Alberto e Mario. O casal foi várias vezes  a Fornaci di Barga,  onde a esposa permanecia longos períodos e lá nasceram os demais filhos; Alvarina, Itálo e Mara. As duas filhas só vieram para o Brasil depois de casadas; a primeira casou com o primo Sylvio Bonaccorsi e tiveram  oito filhos; Mara casou com Nicolò Umana e tiveram a filha Ana Maria. Eles residiram em Candeias e depois mudaram para o Rio de Janeiro e Brasília. José e Mario foram morar na Itália; Alberto foi para o Rio de Janeiro, tornando-se comerciante e faleceu com idade avançada.

Américo, o único filho que permaneceu em Candeias, casou com Alice Viglioni e tiveram uma vida social muita ativa, com cinco filhos: Luizinho, Armida, Vander, Sonia e Enio. Atuou em vários negócios comerciais, destacando-se o Hotel Candeense, sempre com grande procura pelos viajantes e outros hóspedes devido às boas instalações e elogiada comida. Ficou muito conhecido na região pela dedicação a arte musical e versatilidade com a clarineta e o saxofone. Além de lider do conjunto musical Jazz Tiro e Queda, foi maestro da Corporação Nossa Sernhora das Candeias e da Banda Musical Santa Cecília de Campo Belo.

Os irmãos Serafim e Pedro também casaram com duas irmãs em Barga; Serafim com Ida em 1910, e Pedro com Marianna em 1919; após seus casamentos retornaram a São Francisco. O primeiro casal não teve filhos, e em São Francisco nasceu a primeira filha do segundo casal, Carolina, em 1920. No ano seguinte, Pedro com a família foram a passeio à terra natal e ocorreu que a esposa não quis voltar; ele é que ia visitá-los  e permanecia longos períodos na Itália, onde nasceram os filhos Francesco e Antônio, que depois de casados vieram com as esposas para Timboré para trabalhar com o pai na sua ‘venda’, máquinas de beneficiar arroz e café, com cultivo agr[iocola e pecuária.

Celestino cuidava dos negócios em Candeias desde 1902, onde casou com a viúva de seu irmão em 1903. Do casamento anterior nasceu Bernardino, o primeiro filho de Guilhermina e com o mesmo nome  do pai. O novo casal teve mais seis filhos, Brasilina (faleceu com poucos meses); Sylvio, Maria, Josephina (Pepina), Celestina e Julieta, que é viva e próximo de completar 105 anos de idade em dezembro.

As sociedades foram divididas com as saídas de Luiz e Serafim que retornaram para a Itália em 1932, ocorrendo a alteração da sociedade em Candeias para a firma Casa Celestino Bonaccorsi Ltda., mantendo-se a filial em Timboré.

Um dos maiores feitos de Celestino ocorreu depois de um período de 17 meses passados na terra natal com toda a família, após o retorno em 1923, quando deu início a constituição da Empresa Força e Luz Candeense S/A., com a necessária autorização dos orgãos competentes para instalação da hidrelétrica. Assim como o planejamento e ionício das construções da barragem no Rio Santana, do canal de desvio das águas para a tubulação de ferro, da casa conjugada para os operadores da usina e da casa das máquinas; aquisição das turbinas geradoras de energia, e especialmente a captação de recursos para a necessária capitalização da sociedade.

Contudo, a maioria das ações foi por ele integralizada junto com seus familiares. Concluídas as etapas da linha transmissora, construção da distribuidora central com transformadores de energia contínua para energia alternada, rede elétrica com postes ade iluminação pública e instalações domiciliares, foi inaugurado o fornecimento de energia elétrica na Vila de Nossa Senhora das Candeias, em 26 de junho de 1926. Fato contínuo foi que a inauguração da energia elétrica resultou em grande lucro para ele, pois só a Casa Bonaccorsi vendia as lâmpadas e os materiais necessários para as instalações domiciliares!

Independente da sociedade com os irmãos, que cessou em 1937, Celestino decidiu investir por conta própria em outras atividades rurais e industriais, com a fábrica de queijos e manteiga; comprando terras e plantando café em Candeias e em Campos Altos/MG.; ampliou os armazéns e galpões para as máquinas de beneficiar arroz e café, com motores novos e mais potentes. Foi uma época oportuna com bons resultados, que o fez decidir pela construção do prédio para instalar sua nova loja comercial no mesmo local da velha. Destinou o piso térreo à área comercial,  com seções de calçados, tecidos e armarinhos, papelaria, bijouterias, ferramentas, gêneros alimentícios; nas vitrines ficavam expostas louças, talheres  e vários artigos para presentes, além das famosas acordeons italianas da marca Scandalli. No 1º andar destinou à moradia da família com muitos cômodos; no 3º andar há uma espaçosa área envidraçada.

Além do comércio tradicional, foi grande negociante de arroz, feijão e milho, tornando-se grande produtor e exportador de café pelos portos de Santos e Rio de Janeiro, através da ferrovia, cujos  vagões destinados ao carregamento do produto ficavam  estacionados em linha exclusiva e ao lado dos seus armazéns, construída especialmente para esse fim. Na época da safra, trabalhavam em seus armazéns e máquinas beneficiadoras vários funcionários, além de cerca de trinta mulheres para a escolha do café, descartando os defeituosos e as impurezas. Atualmente a seleção de vários grãos são feitos eletronicamente por raios laser ou outros métodos. Entretanto, foi muito importante para a comunidade candeense naquela oportunidade pela quantidade de empregos que gerou para tantos e em variadas atividades.

Importante destacar que na época não existiam agências bancárias instaladas na vila e a Casa Bonaccorsi era correspondente do Banco do Comércio e Banco Hipotecário, para diversos serviços financeiros e cobrança de duplicatas mercantis.

Na expressiva atividade comercial e industrial que exerceu em Candeias durante 58 anos, foi fundamental a intermediação econômica para os produtores rurais, nos quais depositava confiança e eram fieis cumpridores de seus compromissos, fornecendo-lhes créditos em todas as compras necessárias em seu comércio, cujos pagamentos eram feitos por ocasião das colheitas de seus produtos. Verdadeiras trocas!

Deve-se destacar que no movimento de emancipação política e administrativa do município, atuou de maneira discreta porque era um estrangeiro, apoiou e ajudou financeiramente para cobrir despesas dos envolvidos na causa, especialmente para as viagens à capital nas trativas políticas.

Celestino era um brasileiro de coração e alma. Adotou Candeias como sua terra e por isso decidiu naturalizar-se brasileiro. Em seguida se engajou efetivamente na política; foi eleito vereador com o maior número de votos e presidente da Câmara Municipal durante todo o seu mandato no período de janeiro de 1951 a janeiro de 1955.

No princípio do ano ano de 1960 passou sentir alguns problemas de saúde e sua família decidiu que fosse para a Itália para tratamento médico, porque em Candeias não haveria como tratá-lo adequadamente, onde insistia em permanecer. Foi para o Rio de Janeiro para tomar o navio rumo à Gênova, porto mais próximo de Barga, sua cidade natal.

Interessante destacar que chegou ao Brasil no dia 16 de agosto de 1896, retornando à Itália em agosto de 1960, depois de 64 anos vividos em São Francisco de Paula e Candeias. Viveu mais 6 anos em Fornaci di Barga, sempre esperançoso de voltar para sua terra adotiva. Eram constantes seus sonhos nas funções de atendimento aos amigos e fregueses da Casa Bonaccorsi, a ao acordar, lágrimas rolavam pelo rosto de saudades.

Celestino faleceu no Hospital de Lucca, capital da Província, no dia 03 de setembro de 1966, aos 85 anos de idade... “morrendo” de saudades de Candeias!

Texto de Armando Bonaccorsi.

Editado por Armando Melo de Castro

 Blog Candeias MG Casos e Acasos.


sábado, 19 de setembro de 2020

A VENDEDORA DE JILÓ E O SR. CANDOLA.

 

----------O Jiló é um fruto sem pai. Até hoje ninguém sabe ao certo de onde ele é natural. Há quem o considere da África; outros dizem que é das Antilhas; muitos afirmam sê-lo da América do Sul, especialmente, do Brasil... É isso mesmo! Já disseram que o jiló é brasileiro.  Portanto, o jiló é realmente um filho sem pai certo.

O coitado do jiló apesar de ser da família das solanáceas, ou seja, da mesma família do tomate, não se vê os dois juntos. O tomate hoje em dia é um fruto de boa fama, apesar de que no passado já ter sido considerado um fruto venenoso. É muito apreciado e preferido bem maduro. Quando verde ninguém quer consumi-lo. No entanto o pobre do jiló, coitado, quanto mais verde mais corre o risco de ser picado. Ninguém quer saber de jiló maduro.

Eu nunca fui a um almoço ou jantar festivo que o jiló estivesse à mesa. Além disso, é um fruto de pouca moral, pois vive na boca dos desbocados: No homem macho o tomate representa os testículos... E o jiló?! Mais uma vez coitado, comumente a gente ouve alguém dizer: “vai tomar no jiló!”.

---Além de tudo isso o seu sabor amargo ficou sendo sinônimo de momentos difíceis da vida... Tudo que amarga faz lembrar o pobre do jiló e a criança o detesta.

---Lembro-me de um baião do Luiz Gonzaga que dizia: “Saudade amarga que nem jiló”.  O amargo do jiló, realmente, faz com que esse fruto seja pouco considerado. Vejamos por exemplo:

---Antigamente, era comum ver alguém vindo da roça, rodar a cidade de Candeias para baixo e para cima com um balaio de jiló. E, nem sempre, voltava para casa após ter feito bons negócios.

---Candido Alves Vilela, mais conhecido por Candola, pessoa muito respeitada; membro da família Vilela, tendo como filhos, Mariquita, Balofo, Geralda, João, Pedrinho, Aldinha e Sabina. Candola morava onde hoje está estabelecida a Loja LEONARDO ‘S’.

---Certa feita passa à porta de sua casa, uma senhora que já havia rodado a cidade toda com o seu balaio de jiló e, já vencida pelo desânimo, pergunta-lhe:

 ---“Sô Jiló, quer comprar Candola?”

---E o Sr. Candola, que não era muito sorridente, responde, sorrindo diante do trocadilho da pobre regateira: “Não! Já me bastam os amargos da vida. E depois o meu nome não é jiló...”.

---E a roceira, após observar que teria cometido uma infeliz troca de nomes, já estava a ponto de pegar aqueles malditos frutos amargos e jogá-los no primeiro buraco que lhe aparecesse. Vai se retirando desalentada, quando o Sr. Candola lhe chama de volta e lhe compra todo o jiló do jacá.Aquela criatura deu um sorriso doce e disse, olhando para os céus:

---Graças a Deus! Nossa Senhora vai ajudar o senhor, Sô Jiló. E muito, muito mesmo.

---Menina, por acaso eu tenho cara de Jiló?

----Não! Não sinhô. O sinhô não tem cara de jiló não. O Senhor tem cara é de candola. Oh! Meu Deus me ajuda!

----E o que é candola, você sabe?

---Uai, Sô Candola... Candola, eu acho que é candola, néE o Sr. Candola, vendo contar os litros e enchendo um grande balde do solanum amargo, já estaria pensando: “O que vou fazer com tudo isso meu Deus”?

---É! A vida é assim: Uns gostam da fruta; outros preferem o caroço.

Armando Melo de Castro

Candeias-MG

 

 

 


domingo, 16 de agosto de 2020

NO VERDOR DOS MEUS ANOS.

 

Hoje quando vejo o mundo em que vivo, abro o baú das minhas lembranças e fico a recordar como era a vida em Candeias no meu tempo de criança. Comumente havia à porta das casas um banco, onde os vizinhos se assentavam para conversar e trocar ideias. As mulheres já desocupadas de seus afazeres tinham como prioridade os assuntos sobre os maridos, os filhos e a comida.

Não existia a televisão e os rádios eram raros. Uma notícia não corria e nem voava tanto quanto hoje. O jornal impresso demorava uma semana para chegar a Candeias. O jornal que antecedia o filme no cinema mostrava apenas o Presidente da República inaugurando obras. A notícia mais rápida era a do Repórter Esso. Esta vinha através do rádio, mas poucos rádios existiam. Um rádio custava muito caro. Quem ouvia uma notícia do Repórter Esso, saia repassando. Uma pessoa quando falava muito ou dava muitas notícias, era sempre apelidada de Repórter Esso. ---

Aos domingos os namorados tinham poucas opções. Durante o dia seria ver o trem passar na estação, quando a Maria Fumaça descia fumegando. Ou então aos campos de futebol. O futebol nesse tempo era bastante animado, ou então o piquenique na serra do Mingote. A noite ir ao cinema ou fazer a chamada avenida, um vai e vem das moças de braços dados defronte ao cinema. -- Anos depois surgiu o Horto Florestal, onde era um ponto turístico da juventude.

As pessoas usavam visitar os amigos e quando recebiam os visitantes eram-lhes servido café e quitanda; geralmente feitas em casa ou compradas diretamente das quitandeiras. ---- Ali os maridos conversavam na sala e as mulheres na

cozinha. Os filhos se juntavam aos outros filhos, mas quando o casal visitado não tinha filhos, os seus deveriam ficar assentados e quietos. Se fizesse algo errado o acerto de contas era quando chegasse a casa. As visitas eram um hábito normal. Pagar as visitas era um gesto educado. ---

As multidões concentravam-se nas festas de igrejas. O único lugar para se estrear uma roupa era na igreja ou no cinema. --- Alias ninguém ousava usar uma roupa antes de ir à primeira vez com ela a uma missa. Não existia essa coisa de moda. A grande parte das mulheres era vista com a mesma roupa várias vezes. A barra de seus vestidos era no meio da canela. Os homens tinham o chamado terno de ver Deus. A grande parte deles colocava terno e gravata para ir à missa. E o trabalhador era visto com as roupas remendadas.

As pessoas na maioria tinham duas ou três peças de roupas. Uma reservada para ir à missa e as outras duas para ficar em casa. Os homens tinham como hábito e entretenimento o jogo de baralho e  visporas em certos pontos entre os amigos. --- Normalmente onde a esposa fazia um tira-gosto e vendia aos jogadores, ali uma porção de pastel e uma garrafa de pinga, o que acabava sendo uma renda complementar para aquele casal. Nos locais onde o jogo varava as noites, havia por ali uma galinhada; um caldo de feijão e outras coisas mais. ---

Poucas eram as noticias de políticas. Quando se falava em Juscelino Kubitscheck a impressão que se tinha era que ele estava do outro lado da terra. A imagem do presidente só era vista no jornal que antecedia o filme no cinema. Esses jornais chegavam à Candeias, às vezes, depois de ter passado mais de um mês. O jornal impresso tinha poucos

assinantes. Eles Chegavam ao destino através dos correios, uma semana após a data da sua emissão. Telefone não tinha. Para dar um telefonema para São Paulo, seria necessário ir até Campo Belo. A viagem para Campo Belo se não fosse num carro próprio teria que ir e dormir, o trem e a jardineira transitavam quase nos mesmos horários. As pensões que existiam próximas da Estação ferroviária de Campo Belo eram bem familiarizadas com o povo de Candeias.

---- Hoje do alto do mundo onde vivo, eu vejo longe o mundo no qual nasci. As minhas Candeias. Era pobre, mas era um mundo danado de bom. Era o mundo da canjiquinha de arroz com couve rasgada; A canja de arroz três quartos; o tutu de feijão com macarrão Pieroni; a fava verde com angu... Aquele almeirão bem amargo... A farofa de ovo caipira com jiló; e a capa de costela? “Ai que trem mais bão”... Linguiça caseira... E aquele torresminho que não vejo mais... O sarapatel. O frango cabidela O biscoito de polvilho frito e o pão de queijo assado no forninho do fogão. O bolo de fubá na caçarola comido acompanhado daquele leite gordo trazido pelo leiteiro do velho João Cassiano. As verduras dos quintais e do velho Zé Morais descendo a rua e gritando “Arface”...

E eu vou só pensando, só desembrulhando as lembranças e sentindo até o gosto daquelas comidas. Eu não se é o meu paladar com o meu olfato que já não combinam mais tanto quanto antes, ou são as comidas de hoje que já não têm aquele mesmo sabor. Engraçado! Aquela vida era difícil e como era!!! Mas era bom parece que o povo não reclamava, ou eu não me lembro de ver o povo reclamar... Engraçado não é? A vida parece uma peça de teatro sem autor e sem precisão de ensaios...

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

 

 

 

 

 

 


sábado, 8 de agosto de 2020

MEU QUERIDO PAI!

 É o dia dos pais do ano de 2020 aqui na terra. E tu não estás aqui quando comemoraríamos esse dia com um almoço, um presente e um abraço como seria o nosso velho costume. --- ---Desde o ano de 1996 que não nos encontramos fisicamente nesta data querida, quando nos despedimos pela tua partida a chamado do nosso Pai Celestial. Mas ficamos combinados de que nos encontraremos um dia nos domínios Celestiais quando o Criador me chamar. Portanto, Até que nos encontremos estaremos em sintonia através do cérebro e o coração.

Eu sinto pai, que tenho sido um filho obediente às tuas orientações. Continuo amando Candeias como tu amavas. Não descuidei de minha mãe como tu me recomendaste, até o dia em que ela foi se juntar a ti. --- Tenho procurado sempre separar o certo do errado, afinal como tu dizias eles andam juntos e é ai que mora o perigo. Continuo bebendo os meus aperitivos, mas do jeito que tu me ensinaste, com moderação. Enfim jamais me esqueço dos teus ensinamentos.

-- Suponho que já tenhas encontrado ai com o teu maior amigo, o Américo Bonaccorsi e os teus filhos Wandinho e Luizinho, e também com os companheiros da música. --- João do Sô Nico, Zinho Borges, Pedrinho do Candola e Zé Vilela, que juntos com o Américo Bonarccorsi tanto animaram os carnavais de Candeias. Com certeza tens visto sempre os teus irmãos João, Maria José, Wantuil e Francisco e o nosso patriarca e querido João José de Castro, o meu amado avô João Delminda. --------- Que me enviem uma bênção em nome do Pai. ----

Suponho-te encontrando com os nossos amigos em comum, Nestor Lamounier; Lulu; Gabriel Carlos; o Cristovam Teixeira, o Vico Teixeira, o Biribico, o João Resende, o Arlindo Barrilinho, o seu compadre Geraldo do Orcilino, o Quintino Enfermeiro, o Miguel Simões e o seu filho Edmundo, O Ermino Furtado... --- Sabes pai, são tantos que guardo na minha memória que nem dá para coloca-los todos aqui.

Fico imensamente feliz quando os amigos recordam-te e fazem referência ao teu bandolim, das pescadas e do teu trabalho no Fórum como oficial de Justiça.

O que tem causado incômodo aqui na terra é uma pandemia que apareceu. Mas estamos todos conscientes de que isso passara como disse Salomão. Afinal sabemos que não há mal que dure sempre e nem bem que não se acabe. -

Quanta lembrança boa eu guardo da minha infância ao teu lado! Os teus presentes de natal! Brinquedos feitos com carinho pelas tuas próprias mãos e colocados em meus sapatos atrás da porta em nome do Papai Noel. A alegria de minhas irmãs com os bonecos de papelão, pobres de qualidade e ricos de amor... As histórias que tu me contavas e entre elas os contos da carochinha, os quais me deixavam tão emocionados!

Quando já morando distante, lembro-me, perfeitamente, das tuas cartas estampando a tua linda caligrafia me trazendo sempre uma recomendação cuidadosa para comigo. Tu sempre me aconselhando com a saúde e o temor a Deus.  -- E ao apor o Deus te abençoe, registrava as frases que estão escritas dentro de mim: “Não te deixes levar por maus caminhos meu filho. Sejas bom e que Deus te abençoe”.

Querido pai, eu ficaria aqui por muito tempo lembrando-te de tudo que fizeste sendo o pai maravilhoso que tu foste. Tudo é tão nítido em minha memória que eu posso até mesmo ouvir a tua voz... Posso ouvir até o teu bandolim soando a mazurca gaúcha, “Mate amargo – a valsa Branca e o Baile da Saudade”. --- Pode parecer que a vida me foi cruel tirando-me por tanto tempo de perto de ti quando aqui estiveste, e eu fui levado pelo trabalho. Mas enfim, não devemos entrar nos desígnios de Deus. Onde quer que tu estejas meu querido pai, com certeza, estarás feliz porque daqui, donde partistes, continuaras vivo nos corações de todos nós que te amamos.

Tê-lo Imortal dentro de mim é não ter motivo para chorar a tua ausência neste momento e sim, agradecer a Deus esse pai que nunca morrerá dentro de mim. E ao pedir-te a bênção neste momento, estarei ouvindo nitidamente a tua voz: “Que Deus o abençoe meu filho”.

Amém! Meu pai!

Armando Melo de Castro.

Candeias MG Casos e Acasos.

 

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