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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA.



Há dias quando eu passava pela Avenida Rio Branco aqui em Juiz de Fora, observei um homem caído num canto da avenida. O povo, incluindo eu, passava para lá e para cá e ninguém parava para ver aquele coitado ali que poderia estar dormindo, bêbado, ter passado mal ou estar morto. Quando voltei, pelo mesmo caminho, havia algumas pessoas ao redor do homem ali caído e alguém já dizia que ele estava morto. Foi preciso entre centenas de pessoas, aparecer um curioso para constatar que havia ali um filho de Deus morto de qualquer jeito.

Diante daquele quadro fúnebre eu fiquei a meditar: Se eu cair morto aqui em Juiz de Fora, até que vejam que estou morto pode demorar horas. E quando isso acontecer serei levado para algum lugar até que possam encontrar a minha família para chorar ou lamentar a minha morte. E por um momento parece que me senti preocupado com isso. Conclui, portanto, que nós humanos gostamos de ser observados até mesmo depois de mortos enquanto estamos vivos.
Quem não gostaria de ser o descobridor da cura do câncer? Quem não gostaria de ser um artista famoso?  O rei do petróleo...  Um presidente da república... O melhor jogador de futebol do mundo?  Imagino que todo mundo gostaria de ser notado.

Aquele homem morto me deixou meio abatido, meio abalado, meio triste. Só meio... Afinal não sei de quem se tratava e nessas circunstâncias somos igualmente meio frios. E mesmo sentindo esse meio eu já procurei afasta-lo de mim. Logo passei defronte a uma casa lotérica e lá estava uma placa informando que a Mega Sena estaria acumulada em 44 milhões de reais. Uma grande aglomeração estava ali presente, e como havia um caixa prioritário para os idosos resolvi participar daquela esperança.  Nesse momento eu já entrei para a lotérica e fiquei por ali tentando imaginar quais seriam os números que poderiam por aqueles 44 milhões de reais nas minhas mãos. Fiz dois jogos na Sena, comprei raspadinhas e tiras de bilhete do jacaré. Gastei 15 reais e sai dali pensando, pensando e pensando e cheguei à minha casa pensando e pensei até o dia do sorteio: Eu, com 44 milhões na minha conta no Banco poderei fazer isso e aquilo. Já nem pensava em raspadinha e nem tiras de bilhetes. Eu queria era os 44 milhões para alimentar a minha vontade de ser notado e pensava: Serei o dono do mundo, naturalmente pensei... 

E quem não pensaria? Eu poderia dar carros de presente! Dar apartamentos de presente!  E com isso o medo de cair morto no meio de gente estranha sumiu. E tão logo tive o resultado dos sorteios que levaram os meus 15 reais para o ralo, eu voltei a pensar no homem caído e morto na Avenida Rio Branco. Só que agora eu pensei diferente... Se eu cair morto em Candeias, todo mundo vai ver que sou eu, na hora... E é por isso que eu amo você minha querida terra onde aportei no dia 16 de janeiro de 1946, às 12,20 horas, quando o sol estalava mamona.

Enquanto isso um único ganhador da cidade de Dores do Indaiá, MG, ficava milionário com os 44 milhões, e eu aqui mais pobre 15 reais. Mas em compensação estive rico de esperanças durante alguns dias. Esperança é uma coisa boa de sentir e pode nos fazer felizes e ela é sempre a ultima que acaba.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

MEMÓRIA DE CANDEIAS.


Candeias no passado possuiu dois bons hotéis, o Candeense Hotel do Sr. Américo Bonaccorsi e o Novo Hotel da Senhora Geny Resende, posteriormente do casal Manoel Alves e da Senhora Vilça Freire. Nenhum dos dois hotéis não existem mais. Estão apenas nas lembranças das pessoas mais velhas como eu.

O Candeense Hotel hospedou no seu tempo, praticamente todos os viajantes que passaram por Candeias. E muitos deles faziam em Candeias o chamado “Pião”, hospedado ali enquanto fazia a praça da redondeza. O ambiente do hotel era convidativo para os viajantes vendedores, daquele tempo, que permaneciam até 30 dias fora de casa vendendo de cidade em cidade. Não existiam essas facilidades de hoje como, transporte, telefone, internet etc. O meio de transporte era limitado a uma jardineira de 25 passageiros que fazia a linha de Formiga a Campo Belo, via Candeias. Caminhões quase não existiam. No mais tudo que entrava e saia na cidade era por intermédio da ferrovia, antes Rede Mineira de Viação e depois Rede Ferroviária Federal.
 Os vendedores trançavam uns pelos outros nas ruas vendendo aos comerciantes e ao povo residente.

O Novo Hotel, ficou sendo assim chamado após ser adquirido pela Sra. Geni do seu antigo dono, Sr.Bitu. E atendia mais aos hospedes da zona rural e famílias. Os dois hotéis serviam refeições. O Candeense Hotel ficou sendo muito conhecido por todos os viajantes que passavam por Candeias, pela panelada de galinha que era servida aos viajantes que comiam o quanto queriam. Os hotéis, como tinham restaurantes atendiam, também, os não hospedes em refeições.

Existia, também, a Pensão da Vivi, que ficava situada numa velha casa onde hoje está situada a Loja do falecido Leonardo de Sousa. Posteriormente, a pensão, acabou e a Sra. Vivi abriu um restaurante.


O Restaurante mais conhecido e que durou muitos e muitos anos foi o Restaurante Pinguim, do Lulu. Posteriormente mudou o nome para Restaurante Bifão, até encerrar as suas atividades, quando o Lulu aposentou-se. No local até pouco tempo funcionava o Restaurante da Cidinha tambem já fechado.

Armando Melo de Castro.
Candeias MG Casos e Acasos

terça-feira, 5 de agosto de 2014

MEMÓRIAS DE UM DEPRIMIDO.

   
 A depressão tem sido o mal do século. A pessoa deprimida tende a deixar de lado a saúde, mas quando alguém deixa de cuidar de si a tendência da situação é piorar. Eu tive uma fase muito difícil na minha vida, foi quando perdi minha filha Regina aos 30 anos de idade, levada por uma grave depressão, mesmo porque, a sua depressão era do tipo esquizofrênica e era realmente muito grave. E esse estado de coisa me contaminou. Pude sentir que a depressão é uma doença que contamina porque o deprimido se torna numa companhia bastante carente. Ele nos dá a impressão que não quer vencer a doença e deixa se levar pelo desânimo; entra nos remédios e ai a coisa tende a piorar.

Tirando as minhas próprias conclusões eu notei que a pessoa quando está deprimida se sente uma vitima de tudo. Parece que tudo está contra ela. É como se estivesse sem chão... É como se caísse e não tentasse se levantar; achando que seria muito difícil. Naturalmente aguardando que alguém venha lhe levantar. A pessoa deprimida quer solidariedade, mas, não aceita sugestões. Elas se julgam incompreendidas, mal amadas, abandonadas e mais uma série de pensamentos negativos.

Eu estive num estágio desses cheguei a me sentir no fundo de um poço.  Médicos me receitando remédios que me faziam prostrado, intoxicado, desanimado e até sem fé em Deus. Parecia que nada pagava a pena. A vida não era nada. Eu cheguei a pensar que a morte seria a melhor oferta que Deus teria para mim. Nem a alegria das pessoas me despertava interesse. Era como se eu quisesse me livrar da tristeza, mas, não sabia como fazê-lo e não tinha ajuda de ninguém.

Certo dia, quando ia do meu quarto até à cozinha, cambaleando feito um bêbado, pelo efeito dos remédios, resolvi partir para outra e chutei o pau da barraca. Joguei todos os medicamentos fora. E mesmo me sentindo enfraquecido sai pelas ruas, visitando pessoas doentes; conversando contando para todo mundo como estava me livrando dessa tal depressão. Procurei me alimentar melhor. Tentei me relaxar, pensava em ler um livro não conseguia, insistia. Escrevi cartas para as pessoas amigas, para os parentes distantes, para os políticos e a Deus dará! As cartas já estavam fora de moda, mas eu fiz isso. Contava para todo mundo o que se passava comigo... Desabafava ao extremo... E me curei. Aprendi que remédio aumenta a depressão. Era preciso alimentar sem muito cuidado. Antes os remédios me tiravam a fome. Agora eu comia muito ovo, muito toucinho assado e muito queijo. Sentia-me um pouco despreocupado com o peso. Não dá para tratar depressão fazendo dieta para emagrecer.

 Logo aprendi algo importante. Aprendi que: Os psicólogos e os médicos não sabem curar depressão. Um fala coisas que você não acredita ou às vezes nem fala, fica em silencio ouvindo você. Deus me livre de psicólogos, quando eles deveriam ficar falando querem só ouvir. O outro só sabe empanturrar você de remédios que transformam você numa pessoa totalmente lerda, sem ideias, sem pensamento, sem nada. Eu era deprimido, mas, imagino que o médico que me tratou era meio louco. 
Portanto, Médico e psicólogo pouco entendem de depressão, fazem apenas uma ideia. Se eu tivesse escutado esses profissionais, talvez tivesse morrido. Não é difícil curar a depressão, mas carece do esforço do deprimido. Ele terá que fazer das tripas o coração. 

Para mim, foi preciso muito esforço, talvez mais do que aquele que eu tivera para deixar de fumar. E olha que eu fumei, quase quarenta anos. Se você tem problema de depressão, tente fazer o que eu fiz quem sabe vai dar certo como deu comigo? Tente dar uma guinada de 90 graus na sua vida. Deixe que pensem que você está ficando louco... Afinal a sua depressão é algo que está roendo dentro de você. E se você ainda tem uma cabeça que pode  imaginar, não perca tempo. Quem ainda tem capacidade de pensar está inteiro. Portanto, isso pode lhe ajudar. É uma sugestão. E boa sorte.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

segunda-feira, 30 de junho de 2014

COMENTÁRIO SOBRE O ESPIRITISMO.

                                      CONFRARIA ESPÍRITA ALAN KARDEC -Luz -MG

  Certos religiosos preconceituosos contra a Doutrina Espírita têm o hábito de dizer que o livro de Deuteronômio 18.11 condena o Espiritismo. Certa vez fui convidado por um amigo evangélico a visitar a sua igreja. E lá o Pastor falou sobre essa questão. Os Irmãos de Jeová vão ainda mais longe, eles citam a palavra “espiritismo” diretamente como se o espiritismo existisse quando Moisés escreveu o livro de Deuteronômio há 3500 anos. O Espiritismo foi fundado pelo Francês Alan Kardec, em 1857, portanto, há 157 anos.

Essa coisa de um pregador do seu púlpito, seja quem for, dizer que a Bíblia condena isso ou aquilo que a outra igreja faz, é uma forma hipócrita de querer fazer de conta que a sua religião é melhor do que a dos outros. E é por isso que não discuto religião. Todas estão enganadas em algum ponto da Bíblia. Aliás, a Bíblia é cheia de mentiras e enganos adaptados em cada uma de suas diversas traduções. Jesus, por exemplo, morreu com 39 anos e não 33 como dizem. Quem fundou a Igreja de Cristo não foi Pedro e sim Tiago, nem o menor e nem o maior. Foi Tiago irmão de Cristo, filho de José e Maria. E o símbolo do Cristianismo não era a Cruz, e sim o pão e o peixe. Mas, falando isso, com certeza haverá quem diga que eu sou um doido. A verdade é que eu jamais iria cometer um desatino de escrever isso aqui sem ter colhido informações de fontes altamente confiáveis.  

Quando analisamos um texto da bíblia devemos procurar saber quando foi escrito, para quem foi escrito e porque foi escrito. Nesse caso, portanto, entendo eu, que o espiritismo não tem nada a ver com o exposto no livro de Moisés acima mencionado pelo pastor. Isso é falta de profundidade na analise do fato oriunda de um “mal explicado versículo” por tradutores tendenciosos. O Livro de Deuteronômio foi escrito há 3.500 anos e é um livro judaico. Tratava-se de uma recomendação de Moisés para que o seu povo não procurasse os necromantes que vinham do Egito e tinham o hábito de invocar o espírito de Deus para que soprassem nos cadáveres para que esses lhes revelassem quando plantar, o que plantar e onde plantar. Coisa que nada tem a ver com espiritismo.

O espiritismo não é uma religião organizada dentro de uma estrutura clerical. Ele é profundamente diferente das religiões tradicionais. É uma tríplice, ou seja, Filosofia, Ciência e Religião. No espiritismo não faz batizados e nem casamentos, não tem pastores, sacerdotes e nem chefes religiosos. Não adota cerimônias de espécie alguma. 

Diz-se que o espiritismo é  ciência, porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos; que é filosofia porque, a partir dos fenômenos espíritas, dá uma interpretação da vida, respondendo questões como “de onde você veio” o que faz no mundo”, para onde vai, após a morte”. E ainda que seja religião porque ele tem por fim a transformação moral do homem retomando os ensinamentos de Jesus Cristo para que sejam aplicados na vida de cada pessoa. Todo espírita segue uma religião, isso porque o verdadeiro espírita não tem preconceitos.

Eu apesar de ser católico, tenho grande admiração pelo espiritismo. Inclusive fundei a Confraria Espírita Alan Kardec da cidade de Luz, no principio da década de 90, quando morei lá. Quando enfrentei certas dificuldades tendo em vista tratar-se de uma pequena cidade onde existe uma diocese. E ela hoje funciona com uma grande prestação de serviço ao povo carente da cidade de Luz. mesmo porque, para os espíritas não há salvação fora da caridade. O Espiritismo não é nada disso que ouvimos os religiosos de diversas entidades comentarem de forma banal. 

Como poderia a Bíblia condenar o Espiritismo se este surgiu quando a Bíblia já existia há séculos? Agora aqueles que confundem Umbanda, macumba, candomblé, quimbanda com espiritismo, nesse caso eu não tenho nada a falar porque não conheço essas entidades e elas não têm nada a ver com o Espiritismo, um vocábulo usado por Alan Kardec para dar nomenclatura à sua doutrina e não ser confundida com o espiritualismo.
Lembro aqui o Padre Zezinho, um dos maiores representantes da Igreja Católica, sempre disse: “Se eu estou satisfeito com a minha religião eu não vejo motivo para falar das outras”.

Armando Melo de Castro.
Candeias MG Casos e Acasos.

Cronia relacionada:
http://candeiasmg.blogspot.com.br/2011/06/o-espirita-doidao_04.html

terça-feira, 17 de junho de 2014

IMPURO É O QUE SAI DA BOCA E NÃO O QUE ENTRA.



Existem mitos na nossa alimentação impostos pelos interesses comerciais. Quando colocaram o óleo de cozinha no mercado quase acabaram com a raça do porco, ou seja, fizeram tudo para fazer o povo aderir ao óleo e deixar a banha de porco de lado. Em Candeias o primeiro a vender o óleo de amendoim e caroço de algodão, que chegaram antes do óleo de soja, foi o Vicente da Nita, dono de uma pequena venda iniciada onde hoje reside a família do Sr. Aurélio Vilela. Posteriormente o Sr. Vicente transferiu o seu comércio para uma velha casa onde posteriormente veio a ser um restaurante na Avenida 17 de Dezembro.

A comida com a banha de porco era muito mais gostosa. A carne de porco farta e barata sobrava nos açougues porque o consumo da banha era maior. Existiam açougues especializados apenas em carne de porco. (Emílio Gianasi e Estevão da Rola, onde depois veio a ser o estabelecimento do Divino Machado.) O fato de porco, ou seja, os miúdos eram distribuídos gratuitamente. Com essa mexida do óleo os fazendeiros e sitiantes perderam uma das principais fontes de  rendas.

A carne perdeu parte do seu gosto porque os porcos de carnes mais saborosas, como o Piau e o Caruncho, que davam mais toucinho do que carne foram praticamente extintos. Os animais de hoje não têm o mesmo sabor tendo em vista que o milho e a lavagem de cozinha foram substituídos pela ração balanceada. Mas mesmo assim, a carne de porco é uma das carnes mais saudáveis e consumidas no mundo inteiro; apesar de ter sido envolvida num mito de que faz mal a saúde, Sendo que isso não é verdade. Pelo contrário, a carne de porco é mais sadia do que a carne de boi e de frango e estas, no entanto, estão em primeiro lugar no consumo entre nós brasileiros.

Na cidade de Formiga existiam as fábricas de Banha Didi e Gení, que o óleo de soja conseguiu tira-las do mercado injustamente. O fazendeiro plantava o milho e tratava dos porcos e das galinhas e havia fartura. É, todavia, inegável, que no passado o porco proporcionava o risco de doenças causado pela verminose desses animais, mas, isso se devia à falta de higiene com que esses bichos eram criados em chiqueiros, bebendo água suja e comendo todo tipo de porcaria; além da falta de cuidado no preparo do alimento.

A bem da verdade não só o porco, mas qualquer outro animal criado em cativeiro sem condições higiênicas, com certeza será um transmissor de doenças. Quem como eu já viu um porco criado à solta jamais concordará com a Bíblia Sagrada quando no Livro de Levítico diz que se trata de um animal impuro. Isso é puramente conceito religioso e não tem nada a ver com a carne do animal. Se olharmos isso veremos que em Mateus 15, Jesus disse que o que faz o homem impuro é o que sai pela boca.


Uma porca prenha criada às soltas prepara o seu ninho tal qual uma galinha. E se banham na lama, logo se banham na água limpa também. Portanto, meus amigos, não vamos ficar acreditando em tudo que o papel aceita. O comércio é mafioso e as pessoas para vender o seu produto capazes de tudo.


Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ACONTECEU AQUI NESTA ESQUINA.

                                             Reedição: Um triste jeito de ser pai.

Amar alguém é se sentir dono de algo que não possui. Quando a pessoa se sente ferida no amor, é uma dor muito forte. É um sentimento que machuca e deixa uma cicatriz no coração que só quem a tem sabe sentir, porque cada coração tem uma forma de sentimento. ---- Eu entendo que ninguém deve interferir na vida amorosa de alguém. Afinal somos responsáveis pelos nossos atos. Quando alguém ama a um outro alguém, os conselhos raramente podem ser válidos, afinal como diz o rifão, o coração tem certas razões que a própria razão desconhece. É um erro violento aqueles que castram a liberdade de escolha de alguém sobre qualquer pretexto. Devemos entender que é muito melhor arrependermos daquilo que fizemos ao contrário daquilo que não fizemos. A liberdade é algo que o ser humano alimenta com o coração e não há quem não a entenda. Cumpre aos pais na infância de seus filhos orienta-los sobre o respeito e mostrar-lhes a estrada do bem e do certo. Porque muita das vezes, os erros dos filhos acontecem por falha dos pais que tentam corrigir os filhos, mas ai já será tarde demais.

Eu contava mais ou menos uns 12 anos de idade e numa manhã de domingo, quando eu ia para a missa das 8 horas na Igreja do Senhor Bom Jesus, quando me deparei com um acontecimento triste, bem na esquina onde se encontra a residência do Sr. Miguel Albanez (Biribico)

Um casal de namorados conversava feliz da vida. Quando surge, vindo do lado da Escola Padre Américo, o pai da moça, um senhor que tinha o nome de Lacinho. ---- O Sr. Lacinho tinha um rompante forte; morava na zona rural e tinha hábitos extremamente agressivos. E quando bateu os olhos no casal bradou em voz alta:

“Eu já te falei que num quero vê ocê namorando nas isquina. E ainda namorando vagabundo! E ocê pode sumi das vista dessa fia disrregrada. Fia minha ocê num namora não seu trem ordinário! Eu num vô cum a sua cara! Quela ocê num vai casá nunca. Um trem que num tem onde caí morto, qui vive cagano pá jantá... Ocê que só relá. Eu num puis fia no mundo pra vagabundo relá não... E ocê sua bisca, toma seu rumo. Pode tirá o cavalinho da chuva porque com esse trem ruim ocê num casa memo. Se fosse bão tinha ido lá in casa pidi pá namorá. É mais faci ocê tê que sumi lá de casa do que casá com esse trem.”

Eu fiquei assistindo aquele espetáculo que naquele tempo para mim foi uma comédia dada a minha juventude. Mas hoje, quando me lembro disso, é como se lembrasse de um drama muito triste. Chego até ao ponto de sentir um pouco de remorso por ter achado graça. --- Eu, então, não conhecia o sentimento do amor, interessei-me, apenas, por aquela agressão sem defesa. Eu não conhecia o choro interno dos adultos, portanto não fiz a mínima ideia do que se passava por dentro daquele casal de namorados. ---- O tempo passou, e hoje me emociono e sinto o que deveria ter sentido naquele momento e não senti. Na infância e na juventude, cometemos enganos que um dia virão nos servir de lições.

Eu nunca me esqueci daquele espetáculo; daquela humilhação; daquele jeito violento de tratar uma filha e um candidato a namoro. Até hoje quando me lembro disso, vem à tona de minha mente, a moça tirando do pescoço um cordão de ouro que o rapaz com certeza a teria presenteado e lhe foi devolvido. E os dois chorando, quando um seguiu rua abaixo e a outra passou à frente e acompanhou o pai para a igreja.

Era uma moça com mais de vinte anos. Eu nunca mais a vi com outro namorado. E o rapaz, posteriormente casou-se e enquanto os meus olhos o vigiaram me parecia ser muito feliz com a sua esposa e seus filhos. Era trabalhador e respeitado na cidade. O tempo o fez sumir de minhas vistas. Mas, o triste fato continua guardado nos fundos dos meus olhos e nunca foi esquecido.

A violência verbal, às vezes, machuca mais do que a violência física. Esta foi uma das grandes lições que a escola da vida me deu. Ver um pai estragar a vida de uma filha pensando que estava lhe fazendo algum bem, ou decidindo por ela aquilo que deveria ter sido dela.

 

Candeias MG Casos e acasos.

Armando Melo de Castro

domingo, 4 de maio de 2014

EU NÃO BEBO 'PACARAI'


                                                      Foto para ilustração do texto.

Ontem eu entrei num bar aqui em Juiz de Fora a fim de tomar um copo de vinho seco. O vinho seco é muito bom para a saúde, segundo dizem. Eu faço isso de quando em vez. Afinal, o ser humano é assim mesmo, escuta sempre o que os outros falam. Quando entrei no estabelecimento conferi um casal atendendo o balcão. O homem limpava uma vitrine e a mulher lavava os copos. Sem dúvida a limpeza do local era admirável. Servido o vinho, vi quando a mulher entrou num cômodo ao fundo, tipo de uma pequena cozinha, no que dava para ver parte do interior dessa área de serviço. Num descuido dessa senhora eu a vi rodopiar o dedo indicador no nariz e o fez com muita vontade. Só de pensar que aquele dedo teria entrado no copo onde estava o meu vinho, eu já fiquei danado da vida.

Pois é meus amigos, olhem para os lados e verão quanta lambança existe ao nosso redor. Tem gente que sabe limpar um bar, mas não sabe limpar o nariz. E o vinho? Eu já teria tomado quase todo, e como não tinha como devolvê-lo fiquei apenas com a repugnância. Só quem bebe “pacarai” não vê essas coisas que a vida nos mostra no nosso dia a dia. 

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UM SUCO DE LARANJA..


Eu conto o milagre, mas não conto qual o santo que o fez. Um amigo meu de Governador Valadares me descobriu aqui em Juiz de Fora, e me passou um telefone de outro grande amigo meu, que mora aqui em Juiz de Fora. Feito o contato, procurei a sua residência para um encontro, mesmo porque, trata-se de um amigo antigo desde os meus tempos de Banco.

Conversa vai, conversa vem, fui muito bem recebido na cozinha de sua casa, por ele e seus filhos, pois o mesmo encontra-se viúvo há seis meses. Como todo bom mineiro a família ali reunida perguntou-me se eu aceitava um café ou um suco. E como o calor estava de rachar preferi o suco.

Num porta-legumes a mocinha, de nome Roberta, tomou-se de uma sacola de laranjas e começou a espremê-las num pequeno aparelho manual. Conversa vai, conversa vem e ela espremendo as laranjas, sem ter lavado as mãos, sem ter lavado as laranjas e sem ter lavado o espremedor retirado de uma área aberta. E eu apreciando aquela lambança e pensando: “Que Dios me ayude”.

 Depois que terminou de espremer, abriu a torneira, pegou um pouco d’água numa jarra e jogou o caldo de laranja por cima, fazendo assim uma jarrada de laranjada; adoçou e mexeu com uma colher, deixando com que as pontas dos dedos invadissem o suco composto de elementos estranhos.

Daí abriu o congelador da geladeira e agora tentava dali tirar uma forma de gelo e não conseguia tendo em vista que esta estava agarrada. Resolve ela tomar de uma faca para ver se conseguia soltar a forma presa no gelo, quando o seu irmão, um baita de um cabrito, por nome Gilberto, grita: Não!  Ai não pode por faca, fura o congelador e o gás vai embora.  E o rapaz com físico de lutador de UFC, vestindo uma camiseta cavada, levanta dá uma bela de uma coçada bem no meio do sovaco enchumaçado e suado; aliás, já não era a primeira vez, eu já teria visto ele fazer isso antes; e vai socorrer a irmã. 

Mexe aqui, mexe ali conseguiu tirar a forma de gelo. Agora era ele que ia tentar soltar da forma. Coloca rapidamente a forma debaixo da torneira e depois bate sobre a pia e os gelos caem dentro da pia onde havia outras coisas sujas. Ele apanha os gelos sem ao menos passa-los pela torneira e sem a menor preocupação joga dentro da jarra. Pegou os copos, entre eles estava um maior que foi servido para mim. E eu tentando isolar o meu paladar expressei: 

“Socorro mi Padre em el Cielo, socorro!”.


Candeias Casos e Acasos MG

Armando Melo de Castro.

domingo, 12 de janeiro de 2014

POLITICOS, A VERGONHA DO BRASIL!


Eu sinto alimentar dentro de mim o instinto de um leão faminto diante da sua presa, quando vejo o rosto de um membro do mensalão navegando pela mídia. Eu sinto dentro de mim a vontade de me comportar como o homem da pedra ao ver, na minha televisão, o Congresso Nacional do meu país reunido. Eu me sinto como uma cascavel incitada quando ouço promessas de políticos.

Mas, eu quero sentir tudo isso. Não me importa se isso me faz bem ou mal, pelo menos eu estarei fluidificando esses malditos bandidos, que roubam o dinheiro público destinado à saúde, educação, ou seja, destinado à vida do pobre trabalhador brasileiro. A palavra político virou sinônimo de corrupção, roubalheira, desonestidade e tudo mais que infesta uma sociedade.

Agora sejamos honestos: O povo brasileiro tem muita culpa de ter que conviver com uma situação dessas. Ninguém escreve para o politico que ganhou o seu voto, cobrando-lhe alguma coisa. Vota e pronto deixa pra lá. Os políticos não são donos do país. No entanto, se acham. Eles têm apenas poder oriundo do voto que recebeu de cada eleitor por um determinado tempo. Votar num ficha suja é o mesmo que permitir um empregado ladrão trabalhando na sua empresa.

 O que o povo deve fazer é aprender a votar. É votar consciente do que está fazendo. É não reeleger ninguém. Acabar com essa maminha de deixar o cara lá durante anos. Isso porque quanto mais tempo um politico permanece no poder mais corrupto ele fica. Sabendo que a sociedade brasileira é tolerável eles vão só aprontando. 





O povo brasileiro vitima dos altos impostos, precisa de programas sociais consistentes, e não dessa palhaçada de bolsas disso e bolsa daquilo. Isso só presta para fomentar a vagabundagem. É hora de parar com esse paternalismo vulgar com cotas para os negros e bolsas para os pobres. Ninguém vai melhorar de vida recebendo esses tipos de favores. Aqueles que recebem esses benefícios são vitimas do populismo podre de governos que não analisam o futuro do povo, mas, sim, o seu futuro político. O povo precisa é do fim da corrupção. É de programas sociais consistentes; é de governo honesto. É de saúde e educação.

Os deputados se não forem parecem filhos da puta. Haja vista o nome de-PUTA-do. Eles vão aos municípios e corrompem os prefeitos e os vereadores também. É como se fosse uma praga. O povo tem que parar de votar em ladrão cevado. Largar de acreditar em propaganda política. São só mentiras e falsas promessas.

Eleitores corruptos, também, deveriam ser processados. Mas, quem faz as leis são outros corruptos que os poupam para engana-los. Aquele que vende o seu voto é tão digno de cadeia quanto o que compra.

Não adianta ficar por ai falando do Lula, da Dilma, do Fernando Henrique, do PT, do PMDB, do PSDB e não sei mais o quê. A gente tem é que pensar na hora de votar. Ficar batendo boca depois que eles estão no poder não adianta nada. Gritar e quebrar como foi feito recentemente, é pior ainda. O que ficou resolvido? Quase nada. Eles não têm vergonha na cara. São todos uns descarados, parece que não tem sentimento.
Esses bandidos que vivem assaltando trabalhadores a mão armada causam em mim uma emoção desastrosa. Por que esses bandidos “pé rapado” não se mudam todos para Brasília? Lá terão colegas ricos e cheios da grana. Brasília é a sede nacional dos ladrões brasileiros.

Eu quero dar uma sugestão: vamos parar de ficar falando de quem está no poder. Nós estaremos com isso promovendo os nomes desses bandidos. Vamos, sim, dar a nossa contribuição pedindo aos nossos irmãos de nação que não se vendem através do voto. Que não reelegem ninguém, e excluam “os fichas” sujas da sua agenda.

Eu amo o meu país, mas odeio os seus políticos. Não por serem incompetentes, mas, por serem ladrões. Odeio, também, os que não roubam, mas, apoiam a quem o faz.

Armando Melo de Castro - Facebook
Candeias MG Casos e Acasos










sábado, 28 de dezembro de 2013

HENRIQUE O BUFÃO..

Foto para ilustraçãoF do texto.


O ESTAFETA BUFÃO.

 

Quando me encontro em Candeias, observo sempre o quanto às coisas mudaram em comparação ao meu tempo de menino. Ao passar pela Rua Coronel João Afonso, minha memória retrata algum fato que me leva a um passado distante. Num tempo em que Juntava o atraso em que o mundo ainda se encontrava com a falta de expectativa vivida por Candeias. A bem da verdade vive até hoje, mas naquela época, sem dúvida, era bem pior. Não havia os meios de comunicação atuais. O transporte era precário. A saúde do povo deixava muito a desejar. A educação em Candeias era só o primário... Vivíamos a era da autodidaxia. Somente os mais aquinhoados conseguiam se formar. Enfim, o mundo era mais atrasado e o povo brasileiro era bem mais pobre.

 

Verifica-se que o mundo progrediu muito foi nos últimos cinquenta anos. O meio de transporte dificultava muito a vida das pessoas. Uma viagem, por exemplo, de Candeias à Formiga demorava mais de duas horas se o trem cumprisse o horário normal. Mas isso era muito difícil. Raramente andava na hora certa. Além do mais o desconforto naqueles trens, então chamados de “Maria Fumaça”, causados pela fumaça e o carvão procedentes da caldeira dessas locomotivas deixavam os passageiros parecidos com porteiros de hulheira. Era terrível... Os viajantes usavam, naquele tempo, os tais guarda-pós, um tipo de jaleco para se proteger da fumaça e da fuligem, e, nas jardineiras para se proteger da poeira.

 

O transporte rodoviário contava apenas com uma pequena jardineira do Antonio do Eurides, irmão do Euridinho, casado com a Luci do Zé Chorão. Era um pequeno coletivo cuja lotação não superava a conta das quinze pessoas; e fazia a linha Campo Belo Formiga, passando pela usina do Bonaccorsi, Baiões, etc. Telefone não havia. Só se via esses aparelhos nos filmes americanos. Televisão? Se alguém contasse que teria visto uma televisão era questionado com toda minudência. Meu avô esteve em São Paulo, no ano de 1954, quando foi fazer uma cirurgia, e voltou de lá contando que havia visto uma televisão no Hospital e com isso teve assunto por muito tempo. Dizia ele que os internados do interior olhavam atrás da televisão... Atrás da parede, a fim de decifrar o mistério da coisa.

 

E nesse cenário de vida, havia os estafetas e mandaletes. Eu mesmo fui mandalete. Entreguei carta em fazendas, quando menino, para ganhar uns trocados. Era a única forma de um roceiro receber uma correspondência da cidade. Não havia caminhões leiteiros e nem o transito que existe hoje. O homem do campo ficava mês sem vir à cidade. E o meio de transporte eram cavalos, burros etc. Muitos ficavam até um ano sem vir na paróquia e vinham apenas em época de semana santa. ---Assim sendo quero relembrar aqui o estafeta particular: HENRIQUE SOTERO.

 

 Este homem conhecia todas as cidades ao redor de Candeias pelos seus serviços de entrega de encomendas e cartas. Ia sempre a Oliveira levar cartas e encomendas para o Bispo a mando do Monsenhor Castro, então, Padre Joaquim. Itapecerica, Camacho, Cristais, São Francisco e muitas outras localidades onde não havia transporte direto, ia lá o Henrique, montado em sua bicicleta Phillips ou a pé empurrando o seu carrinho de mão. Quando a encomenda era com urgência, ele viajava a noite inteira. Não tinha medo. Vivia bazofiando-se da sua coragem e da competência para entregar uma encomenda. Era o Sedex da época. Os serviços do correio não eram confiáveis.

 

 O Henrique Sotero morava apenas com a sua mulher Maria e o cachorro Lírio. Era um animal mestiço. Uma espécie de cão de fila com perdigueiro; amarelado e trazia pendurado no pescoço um pequeno cincerro Esse cachorro era o filho, o neto, o sobrinho, enfim: o Lírio era tratado como se fosse prole daquela família. Comia no prato – dentro da cozinha – como se fosse gente. Era tratado de “fifio” pela mulher do Henrique, “Maria do Rique” como era chamada. ”Quando o Lírio morreu, houve cerimonial fúnebre. Chegaram a pensar em enterrá-lo no cemitério, como isso foi impossível, fizeram para ele um túmulo no fundo do quintal e sobre o qual cravaram uma cruz. A cruz... símbolo da remissão do pecador cristão que ocupa o primeiro lugar na escala evolutiva da zoologia, ou seja, o homem... Ali colocada sobre a cova de um irracional de propriedade de um casal tipo herege sabeliano. Com persignação e tudo mais que um animal racional por vezes não tem. (Durma-se com um barulho desses)

 

Morador a quatro casas abaixo da minha, ficava normalmente de cócoras na porta de sua casa. Como ele não tinha filhos, gostava muito da meninada. Na minha rua e no quarteirão, havia muitos meninos: Zé Branco, Tião Babão, Zé, Chico, Tião, Vicente e Bento, todos do Arlindo Arlindo Barrilinho, Ademir do Erasto, Vicente do Tio João e muitos outros que no momento me falha a memória. Se somar todos dá uma verdadeira platéia para um espetáculo de circo. Isso é o que acontecia constantemente na porta da casa do Henrique Sotero que era um verdadeiro bufão. E a sua grande fama era de peidorreiro. Estava sempre a dizer: --- Certa vez dei quarenta peidos --- À tarde, na porta de sua casa, via-se sempre uma aglomeração de crianças da vizinhança. E ele apesar de não ter a cara muito boa era muito engraçado. Gostava de fazer perguntas para a meninada. Contar mentiras como, por exemplo: falar que tinha sido grande jogador de futebol e que teria voado de avião o qual teria caído e apenas ele se salvado... Que já teria sido artista de circo. Fazia algumas mágicas cujos truques eram percebíveis pela garotada. Mas o forte dele era peidar ruidosamente ali na porta da rua, passasse quem passasse por ali.

 

 As mulheres sempre iam pelo outro lado da rua para não passar pelo vexame de vê-lo soltar as suas ostentações ruidosas, ou seja, os seus flatos sonoros de forma descarada fazendo com que a pessoa ficasse numa situação de constrangimento. Mas, com a meninada era diferente. Ele se punha de pé à sua porta e os meninos logo gritavam: “Sô Henrique e os peidos?” – E ele dizia mostrando os seus dois dentes de ouro: --- Ôceis gosta de peido hem cambada de cambuquira!---. Começava o espetáculo e ele já dizia apontando o dedo indicador: -- Esse menino grandão ai, esse é procê: PUNNNNNNNNNNNNN – Agora vai um para esse menino piquitito ai: apontava o dedo indicador e: PIUNNNIIIINNNN. Conforme era o tamanho do menino era o tamanho do peido. Parecia que tinha uma corneta acoplada ao ânus.. Soltava um para cada menino. E se a Maria, mulher dele, chegasse por perto e falasse alguma coisa ele dizia: esse é procê Maria: PUNHINFUINNNNNNNNNNNNN. E a Maria saia depressa dali. Ai é que a coisa ficava mesmo engraçada e a meninada quase morria de tanto rir. Ele não ria e fazia isso com a cara fechada “No finalzinho falava: Agora turma de cambuquira lá vai o miado do gato: PUNHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUU!!!

 

 Certa vez, a Neli Furtado, então freguesa do Vicente Vilela, próximo dali, ia passando quando o Henrique soltou um fumegante em forma de toque de corneta.. E ela com os seus sapatos de salto alto, numa rua então sem calçamento, ao adiantar o passo para fugir do vexame, ia caindo de solavanco e foi salva pelo Geraldo do Orcilino que estava próximo e a salvou de uma vergonha maior. E nessa hora o Henrique não ficou sem fazer o seu comentário sucinto:“Viu só? A muié virou um peido”.E ela nunca mais se transitou pela porta do Estafeta Bufão.

 

 Era muito bom ser uma cambuquira


Armando Melo de Castro