Total de visualizações de página

domingo, 17 de maio de 2015

UM PASSEIO PELO PASSADO.

                                                            Foto Clara Borges

No passado em Candeias eram poucas as opções para distração. Quando chegavam os parquinhos ou um desses cirquinhos bem fuleira, parecia até que a cidade toda baixava por lá. Eles eram armados na Praça Antônio Furtado.  De vez em quando saia uma briguinha por causa de namorada. Parece que os homens daquele tempo eram mais briguentos por causa das mulheres. Hoje a coisa está tão diferente!... É o tal de “deixa pra lá!...”

Nos fins de semana, especialmente aos domingos, as pessoas se concentravam no Largo para fazer avenida. Largo era o nome popular que se dava Avenida 17 de Dezembro, antes da construção de praças e calçamentos. Fazer avenida era duas moças de braços dados indo e voltando, enquanto os jovens parados num ponto do percurso mexiam com elas --- respeitosamente, às vezes fazendo elogios aos seus dotes femininos. Lembra-se de que a iniciativa para principiar um namoro era sempre do homem e era chamada “paquera”. Os rapazes os “paqueras” e as moças as paqueradas. Dali, às vezes, saiam juntos, mas nada de mãos dadas... E cabia ao rapaz a iniciativa sempre com um pedido próprio: “Poço levar você em casa?” Muitos casamentos nasceram desse ritual.

Muitos jovens namoravam escondidos, quando o casal não teria ainda se firmado. E quando os pais tomavam conhecimento da clandestinidade do namoro, a coisa ficava feia. Se uma moça viesse a se engravidar durante o namoro, o enlace matrimonial era feito às pressas. A cidade inteira comentava: “Fulano trapaiô fulana vai tê qui casá” E em certas circunstâncias a moça era expulsa de casa pelos pais. Isso porque era um ato de extrema vergonha para a família.

Era de bom costume o pedido de casamento ser feito pelos pais do noivo para o filho. Sogro e sogra eram em grande maioria os terrores dos namorados. Acontecia do moço não ter emprego, ou gostar de uma pinguinha, ai já era o suficiente para considera-lo sem condições de assumir a filha. Rapaz pobre namorar moça rica era o mesmo que procurar sarna para se coçar. As  moças tinham que saber cozinhar, lavar e passar. Não tinha moleza para ninguém e namoro que não fosse com promessa de casamento era perseguido.

Não existia calçamento e nem praças e esse encontro semanal acontecia de frente ao cinema no rumo do Sansão, num espaço de 100 metros mais ou menos. Logo depois que iniciava a sessão de cinema, o movimento diminuía, mas ainda continuava. Ali eram encontrados vendedores de doces, pasteis, biscoitos e outras coisas mais. Os rapazes mais aquinhoados levavam as namoradas ao cinema já nos primeiros encontros. Cinema não era muito barato e duas entradas ficavam caras. Mas isso só poderia acontecer desde que tivesse a autorização pessoal do pai da moça. O cinema era o ponto primordial. Quando um rapaz levava a moça ao cinema, já estavam considerados namorados firmes.

E por falar em cinema não podemos esquecer que o Circulo Operário São José, é um marco da história de Candeias. O antigo prédio era no mesmo lugar, porém bem menor do que existe hoje. O prédio já era do Circulo Operário São José, uma instituição criada com a influência das leis trabalhistas de Getúlio Vargas, pelo então Padre Joaquim. Era filiado ao cinema de Campo Belo.  Assim, passava o filme num dia em Campo Belo e no outro em Candeias. O gerente desse cinema se chamava Onofre, e como conhecia o gosto de todos os frequentadores, saia fazendo propaganda individual.

Somente após o ano de 1955, exatamente no dia 1º de Maio, com o filme “O Homem do Terno Cinzento” com Gregory Peck, foi inaugurado o nosso cinema. Foi quando tivemos o velho prédio do Circulo Operário São José reconstruído e ampliado pelo então Padre Joaquim Alves de Castro, posteriormente Monsenhor Castro. Ele era um homem rico, e construiu um cinema na época superior ao cinema de Campo Belo, com equipamento de ultima geração.

Cumpre registrar que o primeiro cinema de Candeias, ainda mudo, foi instalado onde está à residência da Dona Maria do Carmo Bonaccorsi. Foi uma iniciativa de sua avó Dona Guilhermina, esposa do Sr. Celestino Bonaccorsi. O cinema ainda bem primitivo, e como ainda não havia eletricidade em Candeias, ele era movido através de um gerador preparado pelo Sr. João Bernardino, patriarca da família Langsdorff.

Com a chegada dos calçamentos e das praças, “fazer a avenida” passou a ser defronte ao Bar Piloto, quando as moças rodavam ao redor do aquário iluminado, enquanto os rapazes ficavam à beira do passeio. Isso já mais recente na década de 60.

Somente com o advento da televisão, o nosso cinema deixou de ser o local onde os casais de namorados podiam dar o primeiro beijo ou fazer os primeiros contatos físicos, num tempo em que isso era pecaminoso e perigoso; deslavado e abusado, cínico e despudorado, se feito antes do casamento. Tempo em que dar o primeiro beijo era ultrapassar as barreiras da moralidade.

A construção de uma história é assim. Nem tudo é bom, nem tudo é perfeito.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos





domingo, 10 de maio de 2015

O PRIMEIRO CHUVEIRO ELÉTRICO EM CANDEIAS.



O primeiro chuveiro elétrico que se tem notícia de ter sido instalado em Candeias, foi na residência do eletricista Américo Pereira, pai da Sra. Aparecida, esposa do Juca Melo. Isso ainda no princípio da década de 40, quando a “Usina do Bonaccorsi” ainda tinha Watts com sobra. Mas, à medida que a cidade foi crescendo, o consumo foi aumentando, e a Empresa e Força Luz Candeense, de propriedade do Sr. Celestino Bonaccorsi, foi ficando insuficiente e carente de investimento, essas inovações foram se tornando inviáveis; pois a potência da geradora mal dava para iluminar as casas.

 Além disso, estava sempre com problemas técnicos que faziam com que a cidade ficasse dias e mais dias aguardando a volta da iluminação. Nessas oportunidades voltava-se ao uso da lamparina a querosene. O fornecimento era limitado em apenas 200 watts para cada residência, através dos chamados “Pica-Pau”. O único aparelho que funcionava com essa quantia de watts fornecida era o rádio a válvula, caro e ainda um artigo de luxo. Portanto, a ideia do chuveiro só voltou à tona com o advento da Cemig.

 Até então a forma de tomar banho era bem diversificada. A classe mais aquinhoada usava o sistema de serpentina, um equipamento formado por uma chapa de fogão de lenha composta por um tubo por onde aquecia a água que era depositada num caixa de zinco, instalada nas imediações do fogão; dali canalizada para o cômodo de banho.

 --- Outras formas de se banhar era com o chuveiro frio, bacia ou caneco. Grande parte de pessoas tomavam banho apenas duas vezes por semana, ou seja, nas quartas feiras e aos sábados. Os homens lavavam os pés e as mulheres o famoso banho do tiaca-tiaca. Parece que as pessoas naquele tempo não tinham muito conceito com a higiene como nos dias atuais. Tinha um tal de meio banho durante a semana e banho geral aos sábados. Era comum ouvir falar isso. Uma roupa era sempre estreada no dia de banho geral. 

 Quando um filho começava a cochilar a mãe gritava logo: “Fulano, vai lavar os pés para dormir.” Aos sábados parece até que as pessoas estavam mais claras e polidas porque tomavam banho e trocavam de roupa. O sabonete mais popular era de marca “Carnaval” da embalagem verde. Muita gente tomava banho com sabão minerva. Desodorante era pomada Minâncora. O sabão mais usado para lavar roupa era o sabão preto, feito de ossada de boi, comprada dos açougues.

Roupa remendada era comum. As mulheres às portas de suas casas remendando roupas ouviam dos passantes: “Remende seu pano que ele dura mais um ano... Remenda outra vez que ele dura mais seis meses.”.

Hoje é o dia das mães. Quero lembrar aqui da minha mãe contando agora 87 anos de vida. Com a renda escassa do trabalho do meu pai, não tínhamos chuveiro em casa. Minha mãe fazia milagres, num tempo tão difícil que era. Vestia-nos com dignidade. Outros meninos poderiam ir à missa com roupas mais caras, mas nenhum mais limpo ou mais bem cuidado. Para a escola era aquela peleja de esquentar água e usar a bacia e posteriormente o caneco. E daí era feita uma imprescindível revista. Era a cabeça para ver se não tinha piolho, mãos e ouvidos rigorosamente verificados.

Obrigado minha mãe, hoje eu vejo o quanto você foi amorosa, cuidadosa, corajosa e heroica entre as paredes humildes da nossa casa. Grande beijo minha querida mãe e que Deus lhe abençoe.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

DELICIAS DA ROÇA


Quem disser que em nossa cidade de Candeias não tem aonde ir para passar umas horas agradáveis com a sua família, estará enganado ou não conhece as “DELÍCIAS DA ROÇA”, localizada à beira da BR 354, KM 537 entre Candeias e Formiga, a 10 km do centro da cidade. Um local especialmente preparado pelo  Sr. Sudarinho e sua familia para atender as famílias que ali vão à busca de lazer e momentos de descontração.

Em “DELÍCIAS DA ROÇA” o visitante vai deparar-se com aquilo que é essencial na vida do campo. Uma ampla área de lazer e um ar puro junto de um grande lago onde se pratica a pesca esportiva; além de churrasqueiras e duchas e mais o serviço de bar, lanches e restaurante.



Pelo encontro com a natureza e do saboroso cardápio à disposição dos visitantes, a visita vira festa diante de delicias generalizadas. Produtos frescos e preparados com o carinho da dona da casa, como peixe frito pescado no local; galinha caipira criada ali no terreiro; carne de panela, essa tradição deliciosa da nossa famosa cozinha mineira; produtos de milho verde, como mingaus, pamonhas e os deliciosos bolinhos, também, uma tradição mineira. Queijos e doces caseiros variados e muitas outras delícias que poderão ser encontradas e que agradam todo e qualquer paladar. Tudo isso sem falar da cervejinha geladinha, variedade de bebidas e a famosa cachaça “João Cassiano”.

Todo esse requinte ambiental e alimentar é administrado e supervisionado em loco pelo casal proprietário cuja esposa Dona Rosalba é uma “expert” da cozinha mineira.

Os candeenses que residem em outras cidades não podem perder a oportunidade de quando em visita a Candeias, ir conhecer as “DELÍCIAS DA ROÇA” e lá passar algumas horas de lazer junto aos seus familiares e conhecer esse simpático casal proprietários da casa.

Almoço aos domingos com reservas através do telefone (35) 9951-5456 ou pelo E-mail: deliciasdarocamg@hotmail.com

Eu tenho certeza que você que ainda não conhece as “DELICIAS DA ROÇA” em Candeias, vai sentir-se numa fazenda comendo aquela galinha caipira e uma saborosa carne de panela, iguarias raras de serem encontradas e preparadas dentro do rigor tradicional.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.


domingo, 3 de maio de 2015

A CONFISSÃO DE UM CANDEENSE.



                                                             

Um conterrâneo meu cujo nome guardarei comigo, desses que acha que todo mundo que anda limpo sabe tudo; que vai com a cara da gente e começa fazer todo tipo de pergunta, sem saber que a gente não sabe quase nada, me fez a seguinte interrogação:

---Sô Armando, o que é que é bão pá cocêra no saco?

Para uma pergunta fora dos padrões eu dei uma resposta, também, fora dos padrões:

---Unha, Unha é bom para coceira!

Ele deu uma risadinha e disse:

---Isso ai eu sei uai! Eu quiria um trem que é bão pá cocêra.

---E coçar não é bom?

---Mais num acaba uai!

---Você quer uma coisa que seja boa para coceira ou que acabe com ela?

---Eu quero é pará de coçá uai!

---Você então quer eliminar os ácaros?

---Acro?

---É o bicho que causa a coceira...

---Curuis credo!  Mais cumé qui eu num vejo nada?

---Eles são minúsculos, são tão pequenos que você nem os vê...

---Num intindi o que o senhor falô? Acro o que qué isso memo?

---Ácaro é o bicho que está causando a coceira no seu saco!

---Curuis credo, mais eu já oiei e num vi nada?...

Agora o sôr tá falano nesse tal de acro? Que Deus me defenda! Mais o quê qui pode dá cabo desse trem?

---Água! Água neles!

---Mais se ês é piqueno, eu nem inchego, cumé qui eu vô dá água pra eles?

---Lavando o saco com sabão! Eles detestam água com sabão. Quando você lavar o 
saco eles vão beber daquela água e vão morrer de nojo da limpeza.

---É isso pode sê memo Sô Armando! Eu vô fazê isso! E o sor num sabe, lá in casa tá todo mundo quessa diaba dessa cocêra. A muié intão! Tá in tempo de rancá o trem fora.

E já que ele imaginou que eu pudesse curar a coceira do saco dele, eu pensei, ele pode estar também, com uma puta de uma candidíase, e com tudo isso já deve estar com as unhas infestadas de toda essa lambança... Quer saber? Vou me esticar daqui antes que ele saia primeiro e venha se despedir com um caloroso aperto de mão. E nesse caso me apressei e FUI!

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos