Total de visualizações de página

terça-feira, 14 de março de 2017

MOTOCICLETA , O RETRATO DA MORTE!

                                                                 FOTO PARA ILUSTRAÇÃO DO TEXTO.

As pessoas idosas morrem de medo da morte, como se a morte fosse um castigo. A morte não é castigo, pelo contrário, a morte, a meu ver, é a absolvição do ser humano. Entendemos que a vida na terra é temporária, mas a morte é eterna. --- Grande parte das pessoas, senão a maioria se esquece de que a velhice é que talvez possa  ser o castigo. Mas castigo de quem? De Deus?! Não! Deus não castiga ninguém. Deus dá a todos nós o livre arbítrio para que sejamos responsáveis pelos nossos próprios atos. Viver muito não é lá essas coisas. Quantas pessoas sofrem no fim da vida, cujo sofrimento pode vir a ser comentado como que pagamento dos seus pecados

 O jovem, contudo, não é tão temeroso porque imagina a morte apenas na velhice. Mero engano. A morte não escolhe hora e nem dia. É como dizem: para morrer basta estar vivo. A infância e a juventude é a festa deste mundo, a velhice, no entanto, é o fim, é a volta diante de uma pergunta: --- De onde vim e para onde vou?

 Certa vez, quando eu caminhava numa Avenida de Juiz de Fora, fazendo uma caminhada, buscando uma agilidade nos meus passos, que se emperram à custa do tempo que me envolve, vi, quando passou entre os carros, uma motocicleta dessas possantes, fazendo um barulho terrível e um zig-zag suicida.

Para mim aquilo seria o espelho da morte e nem quando vi pela primeira vez, num espetáculo de circo, a atração do globo da morte eu pude me sentir tão tenso, tão assustado quase descontrolado diante de comportamento tão aberrante. ----- Diante disso, a sentença vinda sob a jurisdição do tribunal da minha consciência, seria de que aquele motociclista não teria vida longa, pois, estaria a cada segundo colocando-a sobre os riscos da morte. Mero engano, isso porque em que circunstâncias for a morte ela é marcada a hora por Deus.

Segui o meu caminho. E não muito distante dali pude observar uma grande aglomeração de pessoas. Terá sido um acidente? Perguntei a mim mesmo! ---- Aproximei-me e pude ver ali, caído e o seu sangue escorrendo pelo chão um jovem que não se mexia. Era a moto que passara por mim lá atrás.  ----- Um policial já se  encontrava no local e comunicava através do celular, o povo estarrecido rodeava... A moto teria batido violentamente numa caminhonete. Os comentários da boca do povo eram os mais diversos.

Não suportei ficar parado ali. Segui o meu caminho, chocado e pensativo, inebriado e voltado, agora, numa abstração que me levava a sugerir que a estrada da vida, começa no berço e termina no túmulo, mas a distância entre o berço e o túmulo é dada por Deus e nós não a conhecemos. As vezes a pessoa morre como um passarinho, e outros até ressuscitam. Nem sempre acertamos o caminho que escolhemos, pois a distância que às vezes pode nos parecer transportar-nos rumo à verdadeira felicidade, pode terminar abruptamente num precipício inesperado. Portanto, a nossa vida estará sempre nas mãos de Deus. Ninguém morre fora da hora designada pelo Pai Celestial.

Nesse momento o meu pensamento me levou a Candeias para me encontrar com um fato que teria ocorrido na década de 50 quando eu acompanhava o meu pai numa visita a um grande amigo que teria sofrido um acidente. Era o jovem candeense Cristovam Teixeira  conhecido por Cristovam do Vico, teria se acidentado numa motocicleta e recebia a visita de vários amigos na casa de seu pai Vico Teixeira.  ---

Eu ainda menino lembro-me de ouvir um dos visitantes, o Sr. Mozart Sidney dizer ao Cristovão: "Você é famoso pelas suas peripécias. De hoje em diante lembre-se de uma coisa: “A saúde não tolera a imprudência e nem  desaforos”.

Meu caro Cristovão salvou-se dessa vez, mas foi levado por um outro acidente, onde não houve imprudência e sim uma fatalidade, quando se encontrava trabalhando e dirigindo o seu caminhão cheio de carvão.

Meu caro amigo, onde quer que esteja, que Deus o abençoe.

Armando Melo de Castro












quinta-feira, 2 de março de 2017

QUEM SOU EU????!!!!

----No dia 11 de fevereiro de 2017, eu recebi um pedido de amizade através do facebook de uma pessoa que se denominava MÔNICA MARIA.

----Tratando-se de um nome totalmente desconhecido para mim e uma fotografia de uma mulher, tirada à sombra sem a mínima possibilidade de ser identificada além de apenas 15 amigos em comum comigo, resolvi aceitar a pessoa como amiga para posterior verificação.

----E sem muita surpresa, pelo seu estilo, pude reconhecer pela terceira vez, uma pessoa de Candeias, conhecida por todos os Candeenses; que gosta de fazer um perfil faker, porque não tem coragem de falar abertamente; joga no time dos covardes e caluniadores, como já fez uma vez subscritando um boletim como (INDIGANADO). Pessoa pobre de espírito, pobre de cultura, pobre de moral, enfim uma pobre criatura. ----Tão logo eu aceitei a intrusa como amiga vejamos o seu comportamento o que já era de se esperar:

11 de fevereiro 2017
Armando Melo de Castro ----- Seja bem vinda Mônica, grande abraço...

19 de fevereiro 2017 06:52
 Mônica Maria --- Bom Sr.Armando mto bom te lo como amigo Acompanho suas publicaçõesPrecisa de alguém assim aqui na minha cidade.Mas que isso achei que esse Prefeito ia ser bom que horror heim bando de incopetente cidade ta um caos estão dando conta nem de fazer as licitações nao tem carnaval ruas uma sujeira acreditei nele mas onde tem dedo do Pangare sai nada não. Sou eleitora dele pq ainda voto em Candeias prometeu.mta coisa achando q ia fazer milagresNesse mandato sua página vai encher kkk  -----  Ele pior que o.pai. E a Camara até hoje em ? ---- No Camacho já estão a todo vapor
Obrigada por me aceitar Bom Domingo.

Achei estranho e, alguns dias depois, ela fez o seguinte comentário sobre uma postagem minha que não tinha nada a ver com assunto político:

28 fevereiro 2017
Mônica Maria ----- Senhor Armando Melo de Castro passando por Candeias e também acompanhando seu blog percebi que desistiu de lutar !Lamentável ! Ou todos os problemas acabaram ou ficou sem palavras afinal quem manda é a voz do povo!
Descurtir • Responder • 1

TER 12:55
Prezada Mônica Maria, terei o máximo prazer em responder as suas perguntas. Contudo, gostaria de saber um pouco mais sobre você, sua cidade, sua familia, e o que liga você a Candeias. Tenho apenas 15 amigos em comum com você e me parece não terem-na como conhecida. No cadastro no Facebook a senhora não tem nenhum tipo de informação, diz que é estudante de veterinária, mas não informa mais nada, Nem de família, nem onde estuda, nenhuma informação básica, nenhum local de trabalho. Apenas tem um telefone, inclusive DDD 035. Portanto, fale-me um pouco mais de você para que eu possa entender melhor a resposta sobre a sua pergunta. Grande abraço.

TER 15.44
Mônica Maria ----Boa Tarde ! Moro em Timóteo faz tempo mas tenho laços com Candeias pois fui criada ai na região zona rural entre Itapecerica e Candeias convivi mto com os Lamounier e sei das paginas negras que poucos sabem mas isso não vem ao caso admiro seus conhecimentos e torço pelo melhor dessa terra onde pode passar maior parte da minha adolescência. Mas enfim boa sorte pro senhor espero que seu trabalho contribua para clarear um pouco a mente desses políticos de Candeias e dessa Camara que é uma vergonha.Grande abraço

TER 19:00
Armando Melo de Castro ---Olá Dona Mônica Maria, ou Maria Mônica, acho que tanto faz.... Interessante! entendo que a senhora seria a ultima mulher do mundo a admirar as minhas criticas politicas, isso porque tudo sobre a senhora me leva a entender tratar-se de uma pessoa que tenta ocultar uma verdade difícil de ser escondida:
---Primeiro, a senhora diz que reside em Timóteo; naturalmente criou-se lhe no imaginário uma cidade com o nome bíblico, buscando alívio nos seus pecados principalmente quando se intitulou no masculino como INDIGANADO, e caluniou-me, inclusive mexeu até com o nome de minha falecida filha, num boletim podre que poderia talvez retratar a sua própria personalidade, mas para tudo Deus reserva um momento para os justos.
 ---A senhora deve realmente conhecer os problemas políticos de Candeias, eu acredito nisso, mas nada fez para ajudar quando pôde. Como ousa a senhora dizer que reside na cidade de Timóteo se a localização do seu portal da internet é Candeias??????!!!!!!  
---A senhora tem um dos maiores defeitos que pode atingir um ser humano: A SENHORA É MENTIROSA, VERGONHOSAMENTE. Eu conheço a mentira é pelo rastro do mentiroso. As pessoas ao responder-me as mesmas perguntas, as quais eu lhe fiz, dizem o nome dos pais, de parentes e irmãos. A senhora, lamentavelmente não tem muito cuidado quando se propõe a mentir. 
---Parece-me que tenta incitar-me a fazer o mesmo que eu fiz criticando o prefeito anterior, Mas não vou me preocupar com isso, porque mais incompetente, mais mentiroso, mais demagogo, do que foi o prefeito anterior jamais Candeias terá de novo. O ex prefeito, aquele o qual critiquei foi, sem dúvida o pior prefeito da história de Candeias. Explorou o povo candeense com um salário incompatível com o municipio e com a sua incompetência.
---Não tenho o que falar do prefeito atual, primeiro porque ele teve 73% dos votos dos candeenses, segundo porque nem Jesus Cristo, como prefeito de Candeias, daria conta em apenas dois meses, de consertar o buraco que o prefeito anterior lhe deixou como herança. -----Nós candeenses lúcidos precisamos é apoia-lo para que ele como um jovem prefeito, tenha forças para tirar o nosso município do buraco. -
---Quanto a Câmara Municipal que a senhora vem a ironizar, saiba que seria a  ultima pessoa do mundo que teria o direito de critica-la. E a senhora sabe muito bem porque digo isso.... A senhora sabe e finge que não sabe...
------Quanto ao Sr. Pangaré, trata-se de meu amigo, e descendente de família histórica de Candeias e que jamais mereceria alguma critica de pessoa anônima e vulgar, sem tradição e sem histórico político como a senhora. 
----Por tudo isso, Dona Mônica, dar-lhe-ei aqui um conselho: procure entrosar-se com gente do seu nível intelectual (os indignados que escrevem boletins anônimos, caluniando pessoas inocentes), a senhora vai se dar melhor junto do seu meio. A senhora merece o seu meio, afinal é uma indignada.

Suponho que não se faz gostar nem do seu nome verdadeiro. Afinal ele é horroroso pois, tem um sufixo de coisa AZEDA, que  DEGREDA.
 Portanto, sugiro-lhe também, que peça ao seu Santo Timóteo que lhe CONCEDA  uma graça que a faça sumir de Candeias. Vê se vá gastar a sua SEDA explorada em Candeias lá em Timóteo. ARREDA  do nosso meio. Deixe de ficar arrumando nome que lhe SUCEDA

QUA 20:11
Mônica Maria -----Confesso que não entendi nada das suas colocações ,sou prima do atual prefeito e estou mto bem na minha cidade e acho ele um doce de pessoa em momento algum, me preocupei em criar problemas pra ele até pq estou bem empregada em Timóteo e faz tempo que moro aqui vou a Candeias somente feriados duas vezes no ano no máximo. Se um dia vier a minha cidade terei mto prazer em apresentar nossa cidade.Abc

Armando Melo de Castro ----- Não entendeu nada?! Pobre coitada! Já que você quer continuar me enrolando diga-me o nome dos seus pais? Em que comunidade morou entre Candeias e Itapecerica? Cite pelo menos o nome de uma familia sua amiga em Candeias.?

QUART 01 MARÇO 2017
Mônica Maria ----Sr. ARMANDO não se preocupe não quero te causar problemas só fiz um elogio às suas publicações mas não quero entrar em briga política ainda mais que nem moro mais aí. Minha familia é de Resende e meus pais já faleceram mas nao te incomodorei mais.

20:12
Armando Melo de Castro ---Ora, ora, Dona Mônica Maria, não se preocupe, a senhora nunca me preocupou e jamais me preocupara. Eu estou acostumado a reconhecer os Fakers é pelas suas contradições e as pessoas mentirosas pelo rastro da mentira. Como eu já lhe disse, procure a sua turma dos indignados, pessoas do seu nível cultural, por mim a senhora não existe.

20:17
 Mônica Maria ----Já que acha que sou ninguém pq se incomodou?

20:20
É que eu gosto de brincar de gato e rato Dona Mônica. Mas quem lhe disse que eu me incomodei?, Eu disse que a senhora nunca me preocupou e jamais me preocupará. Leia direito professorinha Dona Mônica Maria azeda

Fim da conversa no bate-papo

(Tive o cuidado de fazer o print de toda a conversa.)

Armando Melo de Castro


Candeias MG Casos e Acasos.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

AS LARANJAS DE DONA JULITA.



Numa revirada nas gavetas das minhas memórias, encontro-me com Dona Julita Macêdo, quando ela morou numa casa antiga que ficava onde está hoje, o prédio do Zé do Anjo, ao lado do galpão que estabelecia a sua oficina mecânica. 

Eu tinha os meus doze anos e meu pai havia me colocado como aprendiz na oficina mecânica.  Naquele tempo era assim: o pai chegava a casa e dizia ao filho: eu arrumei serviço para você, vai começar amanhã. Não tinha esse negocio de saber de salário e nem o que iria fazer. Era uma ordem e pronto. Os pais arrumavam serviço para os filhos trabalhar de graça e o patrão dava o que queria.


Dona Julita estava sempre costurando ou bordando, na sala e quem passasse pela rua poderia vê-la com a sua filha Ivone enquanto trabalhavam e ouviam rádio. Lembro-me de certa feita, ver e ouvir a Ivone cantando junto com Caubi Peixoto, através do rádio, a canção, “Conceição”, quando esta fazia grande sucesso.


Posteriormente ela mudou-se para uma casa nova na Rua do Capão, hoje Rua Pedro Vieira de Azevedo. Dona Julita mulher de estatura alta, magra, olhar severo, filha do coronel João Afonso Lamounier. Boa mãe, boa amiga e muito brava. Não mandava recados. 


Com essa mudança, a velha casa ficou abandonada e havia por lá um grande quintal com um pomar cheio de pés de laranjas. Eu no verde dos meus anos trabalhava sem remuneração num dos meus primeiros empregos, na oficina mecânica do Zé do Anjo. --- Não existia essa história de patrão dar lanche para empregados. A gente tomava o café da manhã, almoçava às 11 horas e jantava quando voltava à tarde para casa. Não havia horários. Parava de trabalhar quando a noite chegava. A noite era o relógio.


Da oficina poderiam ser vistas as belas frutas no quintal daquela casa esquecida; Laranjas baianas, doces e deliciosas que cresciam os meus olhos, separadas de minhas mãos apenas por um velho muro quebrado. ------ Ali os olhos viam; o estômago pedia; o cérebro autorizava e a consciência julgava.


Incentivado pelos colegas, Pato, Patinho, Bento, Carlinhos da Alzira, eu comecei a entrar no quintal da casa abandonada e roubar laranjas para todos. 


Até hoje eu sinto o sabor doce dessas laranjas. No meu entender de menino eu imaginara não estar cometendo um roubo. Estaria apenas subtraindo aquilo que estava se perdendo... 


Algum tempo depois, ao passar pela porta do Sr. Nestor Lamounier, irmão de Dona Julita, eu pude avistá-la sentada à sala do Sr. Nestor, quando fui surpreendido com o seu chamado: ----- Oi menino da roupa suja vem aqui! -----Eu levei um grande susto sendo chamado por Dona Julita a qual foi me perguntando: 


-----Como você se chama? De quem você é filho? 


Respondi: Meu nome é Armando e meu pai é Zé Delminda. Diante daquele interrogatório e eu com a consciência pesada, tremi dos pés a cabeça. E ela continuou: 


-----Fiquei sabendo que você anda roubando as minhas laranjas... 


Respondi: Foi só uma que chupei! A senhora está enganada não foi muita não...


----- Só uma né? Sei!... Você além de ladrão de laranjas ainda é um cara-de-pau. Entrou-se no meu quintal e apanhou uma laranja, é roubo. Você não é o menino que trabalha no Zé do Anjo?

Sou mais lá tem outro... 

----Mas quem rouba as laranjas?

E eu chorando respondi: Sou eu...

----Amanhã eu vou lá conversar com  o Zé do Anjo...

Naquele dia eu não dormi. Eu chorei e não podia contar o motivo. E pensava: aquela mulher vai me fazer perder o emprego... Vai me fazer tomar uma sova do meu pai. Era Semana Santa e eu rezei o tempo todo pedindo a Jesus e Nossa Senhora das Dores que me ajudasse. ----- Rezei para todos os santos e em especial para o meu Santo Antônio, mas pensando: eles não vão proteger um ladrão de laranjas, mas parece que todos me ajudaram naquele momento. 

No outro dia, ao chegar à oficina, eu pensei que iria sentir um colapso, quando vi Dona Julita bem ali saindo da velha casa e se encontrando comigo na entrada da oficina. Pensei, é agora que ela vai falar com o Zé do Anjo para me delatar. ---- Mas não. Ela esperava a mim e veio logo dizendo: "Oi menino! Eu resolvi Você podes apanhar as laranjas desde que seja só para você, para os outros não.


Diante daquela surpresa eu comecei a chorar e não tive o que falar. Minha voz sumiu e fiquei por entender o motivo daquela flexibilidade. Talvez tenha sido pelo fato de estarmos em plena semana santa. Mas eu nunca mais apanhei de suas laranjas. Nunca mais entrei no quintal de alguém. Nunca mais chupei uma laranja que não fosse conseguida de forma lícita. Tornamo-nos amigos; onde eu a via, eu aproximava-me dela a cumprimenta-la e mesmo já depois de crescido, Dona Julita me chamava de menino.


Anos depois como pintor de paredes a sua casa foi o meu ultimo trabalho em Candeias, antes de ser levado para São Paulo pelo seu filho Antônio Macêdo, para trabalhar no Banco Mineiro da Produção S.A., – posteriormente Bemge.

Sabendo ela que eu iria dali em diante trabalhar no Banco ela me disse: 


---Você é um menino bom. Vai dar-se bem no Banco. Siga o exemplo do Antônio que você será um gerente. -. 


E os anjos disseram AMÉM. 

Obrigado Dona Julita pela aula de vida que a senhora me deu. Onde quer que esteja receba o meu abraço e o meu agradecimento carinhoso.


Armando Melo de Castro


Candeias MG Casos e Acasos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

AS FILHAS DO CHEFE DA ESTAÇÃO!

ANTIGA ESTAÇÃO DE BUGIOS , HOJE DESATIVADA.

A Estrada de Ferro em Candeias representa um grande capítulo da nossa história. Pena que as autoridades constituídas de Candeias, nos últimos anos, vêm sendo totalmente despreocupadas com a história da vida do município.  Seja por incompetência, seja por falta de cultura histórica; seja por falta de amor a terra em que representam ou por completo desleixo. Haja vista a história de Candeias relatada no site da prefeitura Municipal se apresenta cheia de desencontros de todas as ordens, dando a entender que o redator daquele instrumento não teve o menor cuidado nem com o nome das pessoas.

Mas como eu dizia a chegada da Estrada de Ferro à Candeias foi um marco histórico que merecia ser do conhecimento senão de todos, mas pelo menos de uma parte dos candeenses.

Recentemente eu lamentei profundamente quando um jovem de família destacada em Candeias, diante de um computador onde aparecia a imagem de um homem alto e robusto perguntou-me aquele jovem: Quem é mesmo este homem? Dizem que foi importante?  ------ Pois é! Sendo ele nascido e criado em Candeias não sabia que se tratava do Dr. Zoroastro Marques da Silva, o fundador de Candeias, ---- fato lamentável.

Mas voltando à ferrovia, os políticos do distrito de Candeias Coronéis Marques, João Afonso e Américo Paiva, foram aqueles que muito influenciaram para que a linha férrea passasse por dentro de Candeias.

Tendo em vista as dificuldades da época, as obras eram lentas e feitas por etapas. A ferrovia chegou a Candeias no ano de 1898 e foi inaugurada no dia 10 de fevereiro, quando ainda não havia sido construída a Estação de passageiros. A solenidade da inauguração foi feita na residência do Sr. Américo Paiva, com a presença do povo em geral e muitos visitantes, personalidades e autoridades.

A próxima etapa seria Bugios, contudo, isso só viria acontecer em 1903, ou seja, cinco anos depois, tendo em vista a construção de um pontilhão de vigas de ferro no Km. 388, considerada uma obra vultuosa o que atrasou sobremaneira a inauguração da Estação de Bugios.

Nas estações de passageiros situadas na zona rural, era construída, em anexo, a residência para o chefe da estação. E sempre nas proximidades da ultima estação inaugurada, eram estabelecidos os acampamentos dos empregados da empreiteira das obras da ferrovia.

Inaugurada a Estação de Bugios, logo veio ali residir o chefe da estação, acompanhado de sua família composta pela sua esposa e duas filhas adolescentes.

À tarde a peonada se aglomerava na plataforma da Estação, conversando e contando piadas que refletiam a liberdade de expressão chula, num ambiente inteiramente de homens sem mulheres. Se já não bastassem as piadas pornográficas, havia também de dirigir gracejos para as adolescentes; o que fez com que o chefe da Estação procurasse o mestre de obras, chefe dos peões trabalhadores, um português muito enérgico, e pedisse-lhe uma providência no sentido de impor respeito à sua família que estava ali a mercê de um comportamento despropositado.

O português mestre da obra, que era um elemento bastante expressivo, se prontificou a tomar uma providência urgente assim que teve conhecimento do caso, e se apressou em atender o chefe da estação, já marcando uma reunião, ali mesmo, na plataforma da estação, com os trabalhadores. A reunião seria por volta das cinco horas da tarde quando já teriam parado o serviço. E para que as coisas ficassem bem claras, fez questão da presença da esposa e das filhas do Chefe da Estação. Chegada a hora, o chefão se dirige à turma e começa:

Olha aqui seus curalhos tarados, estou sabendo que estão a pronunciarem palavrões perto da senhora dona do chefe da Estação e das rapariguinhas suas filhas. Sei também que estão de olhos atolados nos traseiro delas ---- Palavrões como ku, bruxetta, curalho estão sendo esporrados à vontade e sem respeito. ------ Então prestem bem atenção no que tenho a lhes dizer seus tarados: A partir de amanhã aquele que continuar fazendo essa suruba de palavrões da putaria, eu vou comer-lhe o ku sem dó e sem piedade.  Troquem os seus rabos ai pelo meio do mato, desafoguem as suas carências com algum pederasta, mas deixem essas senhoras em paz. Ouviram seus filhos da puta!

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O MEU AMIGO CARNEIRO.

                                               Carneiro e Armando, 26/03/2013

No final da década de 50, durante a gestão do prefeito Dr. José Pinto de Resende, ---- o prefeito que remodelou Candeias, ----vieram da cidade de Campo Belo, diversos profissionais para participar das obras da cidade.

Para comandar o começo do calçamento em paralelepípedos, veio o Sr. José Gomes, acompanhado de sua equipe. Entre eles os seus dois irmãos Maré e Nelson e o parente, José Carneiro.

Chegando ao final da tarefa que lhes competia, José Gomes e seus irmãos retornam às suas origens ficando para trás o amigo dos candeenses, Carneiro, que se juntou a nós para participar da nossa história.

Carneiro casou-se com a jovem Doca, filha do Sr. Joãozinho da Fazenda, e na constituição da sua família nasceram três filhos, sendo, Cleber, Sandra e Izabella.

Amigo e pai de família exemplar, foi o candeense por adoção José Carneiro. Ele Viveu maior parte de sua vida em Candeias participando da construção da nossa história. ----- Seresteiro conservador. ----- Grande admirador do esporte e era um excelente jogador muito disputado pelos times de Candeias, Clube Atlético Candeense e Associação Esportiva Candeense. Como servidor público, Carneiro foi um exemplo de admiração e respeito.

Convivemos muitos anos como vizinhos.  Carneiro e família sempre foram aqueles vizinhos que todos gostariam de tê-los.

Certa feita, quando lhe visitava, ele me contou como foi o dia em que conheceu Candeias, e pareceu-me que gostava de se lembrar desse dia.

Teria vindo de Campo Belo, um time de futebol para jogar com a Associação Esportiva Candeense, numa época em que os times regionais disputavam o Torneio das Águas. O futebol de Candeias era nesse tempo muito bom e o Esparta e o Comercial de Campo Belo eram os grandes adversários.

Nesse dia Carneiro acompanhou a “embaixada” de Campo Belo, junto de seu grande amigo, um dos melhores jogadores da agremiação que iria enfrentar o time Candeense.
Esse amigo do Carneiro, que andava empencado de ouro, ou seja, com grossos cordões no pescoço, relógio, anéis e um boné muito bonito, pediu ao carneiro fizesse o uso de suas joias para que essas não estivessem em risco nos vestiários do campo.

Numa velha casa localizada onde atualmente se encontra a Prefeitura de Candeias, era ali a sede da A.E.C. onde eram recebidos os visitantes.  Nesse local o jogador passou as suas joias para o Carneiro protege-las.  Dali, ao descer para o campo, Carneiro ornamentado com as joias e o caro boné, defrontou-se com um grupo de moças à porta da Farmácia do Julinho, na esquina da descida para o campo.

Ao ver o Carneiro empencado de ouro e com os dedos cheios de anéis e a cabeça coberta por um lindo boné, uma das moças gritou forte chamando a atenção das demais: “Gente! corram venham ver o crioulinho mais metido do mundo”.

Carneiro gostava de contar essa história e foi nesse dia que ficou conhecendo Candeias, depois veio definitivamente para nunca mais voltar.

Grande Carneiro, grande amigo! Que Deus o tenha bem guardado, porque você fez por merecer. Pessoas assim são como disse o escritor Guimarães Rosa; elas não morrem apenas se encantam para passar a viver nos corações de seus admiradores. Portanto, onde quer que esteja designado por Deus, receba o meu abraço. E nesta humilde homenagem, não poderia deixar de registrar uma canção de Nelson Gonçalves que você sempre a cantava nas suas serenatas. Por mais de uma vez, na minha casa, nos despertamos na madrugada com você nos brindando com o seu violão, mostrando essa música que sempre esteve entre as suas preferidas. Fato que entra pelo meu cérebro e desce ao meu coração para nunca mais sair.

Amigo Leal (Nelson Gonçalves)

Escute meu grande amigo ---- preste atenção no que digo: -----vim despedir-me de ti! Trocamos um abraço forte ---- desejos de boa sorte  --- e, incontinenti, eu parti. ----A tristeza mal contendo --- até hoje estou vivendo ---- como o meu destino quer. E esse amigo até agora----- não sabe que eu vim embora ---- por causa de uma mulher. --- Pra não cometer um erro ---preferi este desterro ---- com toda a resignação. ----Pra eles a vida é bela, ---- hoje ele vive com ela, --- e ela no meu coração.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

COMO É BOM O DESPERTAR DA INOCÊNCIA.


Esse cara da foto sou eu no ano de1964 quando contava 18 anos. Eu era, então, bobo, como bobo também, era grande parte dos meus contemporâneos. Eu nessa idade ainda era um jacu. Pouco antes desse tampo uma amiga minha me deu uma cantada para me namorar e eu quase morri de vergonha. Acho que fiquei vermelho igual um tomate. Depois fiquei um bom tempo puto da vida comigo mesmo, por ter perdido uma oportunidade daquelas na vida.

No ano de 1962, aos 16 anos, no auge da adolescência, eu na busca do desconhecido me entusiasmei com o chamado correio sentimental. Eram endereços que os jovens colocavam nas revistas, juntamente com os seus dotes físicos a fim de trocarem correspondência. E diante disso, muitos namorados começavam por ai e muitos chegavam ao casamento.

Os jovens tímidos e bobos como eu gostavam muito disso. E eu ao folhear uma revista de fotonovela, captei um endereço desses e comecei a me corresponder com uma jovem de Belo Horizonte, residente na Rua Pitangui, 570, Bairro Floresta.

 Era uma carta por semana, uma ia e outra vinha. Quando eu ia até ao correio e tinha carta para mim era como se fosse um presente dos céus. (Naquele tempo não havia carteiros.) Foram mais de dois anos de correspondência; as nossas vidas já teriam sido destrinchadas. Eu, um rapaz pobre, me preparando para ir embora para fora de Candeias, esperava apenas a maioridade, ou seja, completar 18 anos. Isso porque não havia para mim, futuro algum na minha terra.

E ela, a minha correspondente, era filha do dono de uma loja de materiais elétricos na Avenida Olegário Maciel 303 em Belo Horizonte. Sua família gostava muito de viagens por onde havia balneários. Passeava muito com os pais. Sua mãe, conforme ela dizia, adorava viajar e conhecer novos lugares. Ela estudava, mas não tinha nenhum objetivo sobre um curso definido. Às vezes dizia que iria ser médica, outra veze queria ser dentista. Eu às vezes me sentia tão pobre tão humilhado diante de uma vida tão rica. Uma vida, talvez sonhada por qualquer pobre. Mas diante das circunstâncias eu sabia que aquilo não passaria de uma simples amizade. Eu ainda não entendia que o coração tem certas razões que a própria razão desconhece. E assim fui levando aquela amizade de sonhos que só transita nas cabeças dos adolescentes. Até que num belo dia eu me vi em Belo Horizonte, após uma longa economia para fazer essa viagem.

Comprei uma camisa de gola rolê vermelha, um par de sapatos brancos; escovei os dentes com creme dental “kolinos,” usei desodorante Lever, ensopei-me de perfume, "Madeira do Oriente", besuntei os cabelos com brilhantina glostora, chupei uma bala de hortelã, treinei um sorriso no espelho de um velho guarda roupa, num hotel da Rua Curitiba... E assim, quando me senti o homem mais bonito do mundo, mais sorridente, tentando jogar o acanhamento fora, para bem longe de mim, sai até à porta daquele pobre hotel e tomei um taxi estacionado bem próximo, e como faz um rei, determinei ao motorista: Rua Pitangui, 570, Floresta...

Eu acho que nunca teria me sentido tão feliz na vida... O céu mais azul, o sol mais brilhante, quem sabe iria pintar o meu primeiro beijo? Afinal isso era sábado, eu iria ficar até no outro dia domingo. Teria economizado para essa aventura, centavo por centavo, e o bolso estava suprido. Parecia, até que eu estaria a caminho de receber um prêmio da loteria. O meu coração jovem batia diferente como nunca houvera batido. A cada metro que o carro rodava ele batia mais forte. De repente o táxi pára. O motorista morenão, tranquilo com um baita bigode carijó, estica o peito e diz: Rua Pitangui 570.

O meu coração nesta hora quase parou. Fui saindo sem pagar; fui chamado pelo taxista e paguei. Esperei o táxi se afastar. Aproximei-me bastante temeroso da casa do número 570. Tinha ali uma pequena árvore; fiquei debaixo dela buscando coragem para chamar na campainha, daquelas de botão preso no portal de entrada. Uma casa antiga, no alinhamento da rua e sem garagem; portas meio vermelhas; telhas coloniais. Um portão do lado. Vi sair por ele uma mocinha com uma sacola nas mãos. Ela era morena, bem morena de cabelo bom. Após a minha averiguação vi que aquela cabrita poderia ser a Maria de Lourdes Felisberto... Assim era o nome da minha ninfa  encantada. A cor e os cabelos batiam. Mas foi impossível identifica-la apenas naquele lance. Finalmente criei coragem. Chamei na campainha, parece que o meu dedo tremia como se estivesse tomando um choque elétrico.

A porta se abre. Surge um senhor idoso de uns setenta e tantos anos mais ou menos:

---Pois não, disse ele.

E eu meio engasgado, meio assustado, bobo inteirado, pergunto:

---Aqui mora a Maria de Lourdes Felisberto?

---Sim... Disse ele...
-
--Ela está?

---Sim, vou chama-la.

O velho adentrou-se para o interior da casa, e eu ali desesperado, ansioso, curioso, na maior aventura, então, da minha vida. Agora sim, agora o meu coração não batia ele apanhava. Ia conhecer a Maria de Lourdes Felisberto, há mais de dois anos trocando correspondência, recebendo dela poesias, palavras carinhosas, elogios; dizia sempre que a minha boca era linda e que gostaria de beija-la um dia... Que os meus cabelos eram sedosos e de um castanho maravilhoso... Tudo isso observado segundo ela pelas fotos preto e branco produzidas por uma velha Kodak, a mim emprestada, pelo Vicente Melo, quando eu lhe comprava o filme. Ah! e como era bom ouvir aquilo tudo! Eu recebia aquelas palavras escritas com uma caligrafia meio quadrada, num tempo em que a letra bonita era chamada de redonda.

Era o momento! Meu Deus! Será que esse povo vai me convidar para entrar? Pensava eu! E ela será tão meiga quanto nas cartas, será tão linda como nas fotos. Naquele desespero emocional, surge uma senhora idosa cabelos brancos, gorda, um vestido preto de bolinhas brancas com a barra entre a canela e o joelho. Uns olhos esbugalhados, dentuça igual à Dilma...

---Sim senhor, pois não!

Eu queria falar com a Maria de Lourdes Felisberto!

---Sou eu, o que o senhor deseja?

E eu apavorado, disse, eu queria falar com a moça que me escreveu, com o nome da senhora!

---Ah! Isso é mais uma arrumação da empregada aqui de casa. Ela saiu agora eu a mandei lá na Olegário Maciel, na loja do meu filho. Você volta aqui a tarde ela sai do serviço às 4 horas.

Eu pensei cá comigo eu quero é que ela vai para o meio do inferno. "Égua veia!!!" Naquele momento eu tive a minha primeira desilusão de adolescente. Um tipo de sentimento que somente os adolescentes conhecem. Eu estava com raiva e com vontade de chorar. Agora eu só não sei se era vontade de chorar só de raiva.

Armando Melo de Castro
Candeias Casos e Acasos

domingo, 22 de janeiro de 2017

A HONROSA MISSÃO DO JUIZ DE PAZ.



 Juiz de paz ou juiz de casamentos é um magistrado credenciado a celebrar casamentos. De acordo com a lei brasileira, o casamento é um ato de competência exclusiva do juiz de paz, assessorado pelo oficial do Cartório do Registro Civil. A função de juiz de paz é indelegável. Outra autoridade não poderá substituí-lo.

O juiz de paz é uma figura muito importante na nossa sociedade e teve uma relevante atuação na era imperial. ----- Eu me lembro de que em Candeias houve um tempo que o juiz de paz foi eleito pelo povo e tinha as suas funções como eram as leis em vigor. Juízes como José Ferreira Brasil e Wantuil de Castro, meu tio, foram eleitos pelo voto popular. Eram tantas as suas atribuições que substituíam até os juízes de Direito em suas férias. Se não me engano, Minas Gerais sempre esteve na frente nesse mérito.

De acordo com a constituição são funções de Juiz de Paz, celebrar casamentos, atribuições conciliatórias, sem caráter jurídico, além de muitas outras atribuições que estão previstas na legislação.

Contudo, a Constituição de 1967 restringiu a competência do Juiz de paz a apenas à habilitação e celebração de casamentos. E ainda que o Juiz de Paz seja nomeado pelo Governador do Estado mediante escolha em lista tríplice, organizada pelo Presidente do Tribunal de Justiça, ouvido o Juiz de Direito da Comarca, e os candidatos deverão ser eleitores residentes no município e não pertencerem a direção de partidos políticos. Afinal esse ato nada mais foi do que uma lambança da ditadura militar.

Em contra partida, a Constituição Federal de 1988, veio a determinar que os Estados criem em sua jurisdição, uma justiça de paz, com as mesmas finalidades de antes, ou seja, o Juiz de Paz em sua jurisdição teria como finalidade celebrar casamentos, verificar, verificar impugnação apresentada, de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras atribuições previstas na legislação. Estabelece ainda a constituição que o Juiz de Paz deve ser remunerado cujo cargo deve ser composto por cidadãos eleitos pelo povo.

O Estado de Minas saiu na frente regulamentando a situação do juizado de paz, mas o STF julgou a lei inconstitucional e a coisa ficou amarrada até hoje, e ninguém mexe. E com isso o juiz de paz tem estado limitado a fazer casamentos e com uma remuneração incerta. Essa ociosidade deixa o povo prejudicado porque a atuação do Juiz de Paz da forma que orienta a Constituição Federal seria preponderante, pois antes, teria sido comprovada a sua eficácia no âmago da sociedade brasileira. Afinal, não seria de se estranhar o STF impedir a existência de um juiz leigo no seu meio, dado aos extremos da vaidade com que são empanados.

Seria importante se houvesse o interesse dos vereadores e prefeitos de todo o Estado de Minas Gerais, no sentido de buscarem uma solução para esse ponto culminante da nossa história, onde um magistrado servidor público, tirado do meio do povo, sem a necessidade de ser formado em direito, pudesse prestar esse relevante serviço a uma sociedade que anda desinformada, injustiçada e carente de atenção do poder público. Mesmo porque, a atuação de um Juiz de Paz é digna de louvor, vez que ele tem por missão levar a paz, aconselhando e evitando problemas maiores, eliminando-os nos seus nascedouros.

Atualmente quem exerce esse cargo na nossa cidade é o Sr. José Orlando Vilela, a quem presto uma homenagem pela sua dignidade ao cargo, e de outra forma de saudosa memória aos Srs. José Ferreira Brasil, Wantuil de Castro e Américo Bonaccorsi. Homens que prestaram relevantes serviços ao município de Candeias cujos nomes figuram com louvor na história do nosso município de Candeias.

O nosso Blog já, numa outra oportunidade, falou de uma atuação do Juiz de Paz candeense, José Ferreira Brasil. Para ver o texto clique aqui:


Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

ACHARAM O VADINHO NA MOITA.


Na década de 50 havia no cerrado candeense muita gabiroba. E quando chegava o seu tempo, no mês de novembro a dezembro, era uma das distrações do nosso povo, ir para os matos chupar a frutinha tão saborosa de preferência comum. Os donos de caminhões de aluguel ou proprietários de quaisquer veículos adentravam os cerrados levando gente para colher a frutinha.

Naquele tempo não havia essa cultura de pastagens existentes hoje. E os cerrados ficavam anos sem que fossem roçados, o que favorecia a proliferação da planta que era farta em todo o município de Candeias. A disputa era para saber onde encontrar a fruta já no ponto de ser consumida. Isso porque o ciclo de amadurecimento é rápido e em poucos dias, um ponto onde era encontrada logo terminava.

A era das gabirobas ficou marcada na lembrança dos candeenses mais antigos, mesmo porque, os jovens usavam essas excursões para começar um namoro... Para ter um pouco mais de liberdade entre os namorados e para dar o primeiro beijo. Enfim para ficarem mais à vontade. 

E a bem da verdade, havia aqueles rapazes que iam para procurar o ninho da rola, ver os gomos da mexerica, ou mexer na caixinha de tabaco. Muitos ao invés de chupar gabiroba chupavam era a maçã do amor ou a maçã do peito. Já muitas  das moças iam para coçar o inhame, chocar dois ovos, tratar de um pinto ou até domesticar uma cobra… E com todas essas diversificações a língua dos mais velhos tinha mais o que falar.

Comumente a gente ouvia as velhas puritanas dizer: “Essas gabiroba!!!..., Isso é mais é uma pouca vergonha. De veis inquando sai uma moça trapaiada dessa chupança”.

Os velhos comentavam: “Eu sei o que qui essas moças vai chupá lá no mato, é gapiroca. Fia minha num vai num trem desse de jeito ninhum...”

Só que muitas iam às escondidas e normalmente eram as piores.

João do Artur, um baixinho fanhoso, que tinha um caminhão Chevrolet ano 1949, residia na Rua Zoroastro Passos pelos lados do Bairro da Lage. Naquela época, fazia-se uma lotação, tipo pau-de-arara, a fim de levar a turma para a devida apreciação da fruta.
Certa vez, João do Artur levou uma turma para um cerrado nas imediações da comunidade de Arrudas, onde a fruta era abundante. Nesse dia a coisa teve feia.

Nesses piqueniques, as pessoas levavam comida, bebida, violão e, posteriormente surgiram as vitrolinhas à pilha sendo que esse luxo era um privilégio dos mais aquinhoados. Outros levavam até barracas que eram armadas no meio do mato. Nesses passeios eram grandes oportunidades para começar um namoro ou um caso amoroso.

Dizem que a libertinagem, ou pouca vergonha, encontra-se em níveis elevados. Mas, a bem da verdade, naqueles tempos as coisas eram apenas mais às escondidas e, longe dos pais, a moçada aprontava. Esse comportamento humano seja certo ou errado já existe desde que o mundo é mundo. Hoje, está apenas mais a descoberto.

Na hora de ir embora, já prestes a escurecer, João com a sua voz meia fanhosa procurava por um casal que havia desaparecido. Assim, ele começava a ficar nervoso e, logo que deu de escurecer, o povo todo inquietou-se para ir embora.

---Óia, Gente! Só nóis prucurano esses dois. As veis eles até morreu, uai!.

E sairam diversas pessoas, mato afora, à procura do Vadinho da Sota e sua companheira Luiza.

De repente, todo mundo volta. Haviam encontrado os dois sumidos que estavam semi-nus e dormindo abraçados, numa moita num canto do mato. E o João, nervoso, dizia:

---"Eu truxe as pessoa pá chupá gabiroba, elas enche a cara de pinga e resorve é cruzá, uai! Aí num dá né sô"...

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos


sábado, 31 de dezembro de 2016

CANDEIAS SOB NOVOS RUMOS!

                                         

Enfim, livres dessa oligarquia que quase acabou com o município de Candeias. Essa politica de compadres que formou uma panela e fizeram de Candeias um curral particular durante três gestões.

Felizmente poderemos ver pelas costas o prefeito que terá marcado a pior gestão de todos os tempos. É como se o povo candeense estivesse sendo ABSOLVIDO de um pecado que cometeu quando votou num professor pensando que este iria dirigir com seriedade os destinos de Candeias. Lembremos aqui o velho rifão: “Não há mal que dure sempre e nem bem que não se acabe”. Felizmente.

Quanto ao novo prefeito, Sr. Rodrigo Lamounier, no momento, sobre ele, temos pouco o que falar. Afinal ele não representa, ou não inspira grandes mudanças. Trata-se de um político jovem e que não demonstrou liderança como vereador. As mudanças verdadeiras, só poderiam vir de um candidato isolado dessas oligarquias, assim, como o Sr. Ênio Bonaccorsi que trabalhou mais do que o prefeito na busca de recursos para o município. Contudo, cumpre-nos aguardar, mesmo porque, as coisas podem se reverterem. E é para isso que estaremos torcendo. Afinal o novo prefeito de Candeias teve uma votação tão expressiva que o fará pensar duas vezes sobre a responsabilidade do cargo que lhe foi conferido pelo povo Candeense.

É de todo patente que o novo prefeito, também vem de uma oligarquia como sobrinho, filho e neto de ex-prefeitos, que não foram isentos de erros graves, mas que conseguem, inda, deter prestígio dentro do eleitorado candeense. Contudo, os erros não são atribuídos ao herdeiro de votos. Portanto, resta-nos aguardar o comportamento do novo gestor, dando satisfação ao povo que o elegeu numa votação expressiva. Que este saiba honrar essa confiança de um eleitorado cansado de tanta incompetência, promessas e mentiras.

Ainda esperamos, que o novo prefeito de Candeias que se demonstrou frágil e sem liderança na Câmara de Vereadores, como o vereador mais votado quando eleito, possa mudar o seu perfil como prefeito. 

Que busque entre os seus pares, pessoas competentes e honestas para que lhe ampare na sua inexperiência. Que não aguarde ofertas de políticos das esferas superiores que as prometem como troca por votos. Todavia, que corra atrás delas não para dar votos em troca de benefícios, mas para cobrar os direitos constitucionais que cobrem os municípios. 

Afinal, só um prefeito pidão consegue ter o seu município recebendo benefícios, indo sem errar o caminho para Brasília e Belo Horizonte, privando-se dos lazeres de um rancho de pescaria.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.