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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CANDEENSES, HONREMOS A NOSSA HISTÓRIA!




----O eleitor precisa saber que o voto é dele para dá-lo a quem ele bem entender de livre e espontânea vontade; sem pressões, sem compromisso, sem ter que dar satisfação a ninguém. Ao eleitor compete analisar e ver o currículo do candidato, se se tem ou não qualidades para exercer um cargo público.

 ----Todo candidato que fica oferecendo favores ou dinheiro em troca de voto é porque não tem competência e só quer ganhar eleição comprando votos, como se estivesse fazendo um investimento. Se alguém está oferecendo algo para conseguir o voto do eleitor, é porque um voto vale muito mais para si.

---- Vamos conhecer a história dos candidatos; vamos votar direito, vamos dar o nosso voto para quem mostre condições de fazer; e não para quem promete e já provou que não cumpre. Não vamos acreditar na conversa mole de candidatos, que estudam como persuadi-lo. Vamos sentir de perto a sua competência, o seu currículo escolar, o seu discurso se é leal ou demagogo. Não vamos acreditar em conversa de televisão, rádio, carros de som, faixas, nada disso prova que a pessoa é boa para ser candidato. O que prova é saber se é honesta, correta, competente, preparada e o principal: SE TEM VERGONHA NA CARA.

---Fujamos dos cabos eleitorais, principalmente dos cabos eleitorais candidatos à reeleição. Isso porque os candidatos a deputado que aparecem somente em épocas de eleições, trazem dinheiro e muito dinheiro. Eles não vêm de mãos abanando. Os cabos eleitorais ganham e muito com o nosso voto. E daí eles eleitos deputados somem, porque não foram eles que pediram para votarmos neles. Portanto, não devemos mais acreditar em promessas. São todos mentirosos e é por isso que o nosso país está nesta crise. As pessoas acreditam nesses demagogos.

 E se aparecem, vêm na calada da noite, untar os seus cabos eleitorais, fazendo ceias reservadas em pontos ocultos. É assim que eles se comportam. Eu tive uma atividade profissional que me deu a oportunidade de conhecer esse meio, onde ludibriam os eleitores. Onde cabos eleitorais, candidatos municipais, principalmente candidatos à reeleição, prometem aos ricos candidatos o nosso votinho, não em troca de benefícios para o município, mas para eles, que só pensam neles.

----Sabemos que entre os políticos despreparados, incompetentes, e que não possuem prestígio através do conhecimento e ou da dignidade eleitoral, buscam ganhar uma eleição através da persecução. E o que é isso?

 ----É o mesmo que ficar puxando o saco de um eleitor, dando-lhe presentinhos, emprestando carros, receitas médicas, óculos e até dinheiro, como forma de adulação, para na hora da eleição ir pedir o voto, até mesmo buscar o voto.

 ----O eleitor precisa saber que o voto é dele para quem ele desejar dá-lo. É de livre e espontânea vontade, sem pressões, sem compromisso, sem ter que dar satisfação a ninguém. A ele compete analisar e ver quem trabalha. Esse direito de escolha já é motivado pelo voto secreto. O voto é secreto para que nós eleitores possamos votar com a nossa consciência. Sabe-se que muita gente vende o voto e vota em outro candidato.

----E aquela pessoa que recebe essas engambelações, que normalmente são pessoas simples e humildes, acaba cedendo e votando sem saber que tanto o que oferece quanto o que recebe estão cometendo crime eleitoral. Isso é proibido por lei tendo em vista ser um tipo de corrupção. Aquele que diz, o “meu eleitor”, ou seja, que sabe quem são os seus eleitores, normalmente é um desses incompetentes que vivem pervertendo eleitores, preferencialmente pessoas humildes que não conhecem a força do voto, e que não sabem que, também, estão cometendo um crime.

 ----Esses corruptores ideológicos e incompetentes que não têm como ganhar uma eleição com dignidade gostam de dar a impressão de que estão prestando um serviço de interesse público, quando que estão olhando apenas o seu lado.

-----Portanto, é importante que quando for receber alguma ajuda de politico, que seja feita de forma oficial, ou seja, através da prefeitura, especialmente carros. Que sejam carros oficiais da prefeitura. E não em carrinhos particulares que o politico deixa disponível como forma de prestar serviço ao eleitor que ele julga que o voto deste é uma propriedade sua, o que, a bem da verdade, trata-se de uma prerrogativa exclusiva que a constituição dá ao eleitor para dar aos competentes, aos honestos, aos que pensam no município, no Estado e no Brasil. 

----Só de oferecer vantagem em troca de voto já estará o politico cometendo crime eleitoral, senão vejam:

----Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita:

----Pena de reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.

----Para quem vende o voto a pena é a mesma. E a venda do voto não caracteriza apenas com dinheiro não. Esses favorzinhos que o eleitor está sempre recebendo do candidato podem ser levados a cabo. E os candidatos que gostam de ganhar eleição com esse tipo de trabalho eleitoral, tenta convencer os eleitores, que os chamam de “MEUS”, que nós o povo de Candeias, somos, CEGOS, SURDOS E MUDOS.

MAS NÃO SOMOS,

Armando Melo de Castro.
Candeias MG Casos e Acasos

 

 

 

 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

CANDEENSE, CANDEIAS GRITA POR SOCORRO!


----Se você é Candeense e ama a sua terra, POR FAVOR, leia este texto até o final. E se possível compartilhe-o com os seus amigos que não estão satisfeitos com a causa presente. É importante a sua participação, ou melhor, é importante a participação de todos os candeenses que amam a terra em que nasceram. Afinal, você é parte da nação candeense. 
----Não se trata de uma questão de gostar ou não gostar de política; eu, por exemplo, não gosto e, jamais serei candidato a algum cargo político, porque esse meio encontra-se corrompido, pervertido, imoral, desacreditado, abatido e sem estima o que me leva a reconhecer que o meu perfil de cidadão não suportaria sobreviver num meio desses na atual conjuntura. Todavia, de uma forma ou de outra, como cidadão candeense e amante da terra onde nasci e vivi o verdor dos meus anos, eu não posso ficar calado diante do que tenho visto, sobretudo porque Candeias tem uma história maravilhosa nos seus anais.

---Candeias tem princípios políticos e nomes que engrandece a nossa existência desde os tempos em que foi vila de Campo Belo. Portanto, meu amigo candeense, natural ou por adoção, é importante que nós nos unamos a fim de corrigir os desmandos que tomam conta do nosso município. Afinal, nós, o povo candeense, somos representantes da soberania popular, e não podemos deixar isso continuar acontecendo.
----Seria impossível citar aqui todo o desmazelo em que se encontra a nossa cidade, mas há fatos graves como exemplo: esses postes apagados sendo que o povo já pagou pela iluminação pública; o fechamento do matadouro municipal por autoridades estaduais, uma vergonha, uma humilhação, o que chegou até na prisão do responsável. Mata-burros e pontes colocando em risco a segurança do cidadão. A falta de expectativa sobre a falta d’água; A nossa cidade está parecendo uma casa sem morador e abandonada. A zona rural tem sido tratada com indiferença, e a prefeitura só sabe dizer que não tem dinheiro para nada. Falta de informação ao cidadão... Afinal o que é isso? Onde estamos? Onde está à dignidade do povo candeense? Jogada às traças? 
-----
Não se tem notícias de projetos. Esse prefeito demagogo prometeu uma porção de coisas e agora fica, ao invés de arregaçar as mangas, falando de crise e falta de repasse. Comparando o nosso município com municípios que nada tem a ver com o nosso. Nós queremos que ele compare o nosso município é com os municípios que não estão falidos, que estão enfrentando a crise e as faltas de repasse. O que temos nós com o município dos outros? Existem diversos municípios que estão levando a vida normal, porque os prefeitos e vereadores se uniram não para explorar o município com altos salários, mas sim para beneficiar, para colocar em equação as contas do município. Ele é tão incompetente que não sabe nem arrumar desculpas por qual o motivo que não vem cumprindo as suas promessas vergonhosas. E onde estão os deputados que só aparecem em épocas de eleições? Nós estaremos lhes esperando aqui de novo com as suas caras de paus, amparadas por esse prefeito e os vereadores que sequer dão informação ao povo. Eles terão que contar o que fizeram por Candeias, diante do que prometeram. E tem mais: iluminação em Campo de Futebol não vai ser considerada. É o que eles gostam de fazer.
-----O prefeito de Candeias é tão absorto, tão isolado, tão singular, que sequer dá uma informação coerente e precisa de providencias para o futuro sobre a falta d’água na nossa cidade. Talvez esteja esperando terminar o seu mandato e deixar tudo por fazer, o que, então, estará muito mais difícil.

---Segundo o Engenheiro, Sr. Frederico Saldanha, da Prefeitura de Candeias, a situação é grave. Estudos hidrológicos comprovam a probalidade de secas e inundações, portanto seria necessário um estudo hidrológico para prever as minas e mananciais para um período de cem anos. E o que o prefeito fala disso? Nada! Se falar deve estar falando com as paredes do seu gabinete. Aliás, parece que o prefeito de Candeias só conversa com as paredes do seu gabinete. A COPASA só estará atendendo aquele que correr atrás e não é com conversinha não, tem que ir e levar os senhores deputados que vieram aqui catar votos, apesar de serem todos do baixo clero, assim como do baixo clero são os vereadores de Candeias que não sabem nem discursar, não exercem o seu poder de fiscalização e nem apresentam projetos. Os requerimentos que fazem ao prefeito são hilariantes, e cômicos se a situação do município não fosse tão dramática.

-----Essas desculpas desse prefeito de Candeias, a ausência do Vice Prefeito nos assuntos do município;;a fragilidade e o despreparo dos vereadores, entoja e irrita.
----Eles não cumprem os seus mandatos como manda o figurino. E o pior, não demonstram nenhum interesse e nem responsabilidade com o compromisso que assumiram nas urnas. Portanto, meu amigo, se você votou em algum deles, perdeu o seu voto, perdeu a oportunidade de ajudar a sua terra a nossa Candeias.
-----Mas, como Deus gosta de Candeias, nós temos uma saída. E essa saída somos nós o povo. Portanto eu quero sugerir a todos os candeenses que não estão satisfeitos com o comportamento dos nossos políticos, a se manifestarem de uma forma ou de outra. Frequentem as reuniões da Câmara Municipal de Candeias, vejam em loco o que eles estão fazendo, o que estão prometendo, não em termos de blábláblá, mas através de projetos que poderemos conferir depois. E o mais importante apoiar o “MOVIMENTO POPULAR POR UMA CANDEIAS MELHOR” Liderado pelo jovem Denis Saldanha, que promete muito para a politica de Candeias e seus aliados, especialmente o Sr. Emílio Gianasi Neto. São pessoas sérias, que levam a sério o que fazem e que estão nessa luta por uma Candeias melhor.
----Vamos divulgar esse movimento, vamos participar das reuniões da Câmara Municipal, vamos denunciar, Vamos buscar conhecer gente mais competente para as proximas eleições... Vamos fazer uma faxina, vamos colocar o nosso trem nos trilhos.

Armando Melo de Castro.
Candeias MG Casos e Acasos

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

MEMÓRIAS DE UM MENINO BOBO.

                                                           Foto para ilustração do texto.
O conflito de gerações existe e há de sempre existir. Ele faz parte da Obra da Criação de Deus. Contudo, as pessoas que vivem a vida toda na mesma casa, na mesma cidade, rezando para o mesmo padroeiro, comendo da mesma comida, cozinhando nas mesmas panelas, com certeza, irão condenar os meninos de hoje pela mudança de comportamento. Para essas pessoas as novas gerações não tomam a bênção; não sabem brincar de amarelinha e nem de passar anel ou de roda. e por isso são diferentes. Eu gostaria de ter sido um dos meninos de hoje. Eles são mais ativos, mais alegres, mais afoitos e têm muito mais conforto.

.Eu posso até não ter mudado muito, mas acho que me transformei à vista do que fui quando menino. Fico por vezes recordando desse tempo e sinto como eu era bobo! Não simplesmente bobo e sim um bobão, como diz a minha mãe, até hoje, quando dou uma recaída no ambiente familiar. Era natural chamar alguém de “bobão”. Este seria àquele que dá trabalho para criar, mas depois de criado dá gosto, porque baba de todo jeito e ri à toa. E se eu não tivesse caído no mundo ainda muito jovem, estaria babando até hoje. Vejam, por exemplo, uma passagem da minha vida quando eu tinha já os meus oito anos de idade:

Minha avó materna, Olinda Gomide, que era viúva, a exemplo de outras pessoas, ganhou para morar de graça, uma casa na Praça Antônio Furtado, de propriedade do Sr. Antônio Carrilho. Enquanto ela morasse lá a casa seria cuidada, vigiada, e o seu dono poderia ficar sossegado lá na roça. Era uma casa grande, onde fora reservados dois quartos para o proprietária. Quando vinha na cidade, trazia como presente, arroz, feijão, ou seja, produtos de sua produção. De vez em quando pintava até um franguinho. Ali comiam juntos e essa parceria era sempre muito bem vinda para uma idosa sem marido e sem aposentadoria. Afinal, minha avó tinha que tricotar e criar galinhas no quintal para sobreviver, contando ainda com a ajuda dos meus pais, cuja renda também já era bastante comprometida.

Eu o neto mais velho, mais agarrado com a avó, ficava mais na sua companhia do que na companhia dos meus pais.  E quando apareciam os donos da casa Sr. Antônio Carrilho e sua esposa Dona Guinha, fato raro, eu ficava todo acanhado quieto num canto, contudo, sem deixar de ser curioso. Mas, uma coisa sempre me chamava à atenção e eu nunca tivera coragem de perguntar à minha avó, nem aos meus pais.

Toda vez que o Sr. Antônio vinha da roça eu já ficava a espera e aguardando o momento em que ele terminava de almoçar, dai tomava-se de um caneco com água e ia até ao quintal nas proximidades de uma moita. Ali me parecia estar lavando uma coisa que não dava para eu ver direito o que era devido a distância; além de encontrar-se numa posição meio de costas ou de lado, parecendo querer ocultar algo. O máximo que eu conseguia ver era quando ele comia rapidamente aquilo que teria lavado. Depois disso tomava um pouco de água e jogava o resto na moita, e voltando ao interior da casa, sem mastigar aquilo que comera. 

Isso me deixava intrigado porque não dava para ver direito e a impressão que eu tinha é de que ele não queria que o seu ato fosse visto. Até que um dia eu o vi tirar algo da boca, lavar aquilo e retorna-lo à boca. Fiquei ainda mais intrigado. E tão logo ele partira de volta para a roça criei coragem e perguntei à minha avó o que seria aquilo que o Sr. Antônio tirava da boca, lavava e tornava a colocar. 

Minha avó sem uma explicação consistente me deixou completamente aturdido quando dissera tratar-se de uma dentadura postiça. Diante daquela informação mal explicada eu fiquei ainda mais confuso, e os meus neurônios começaram a fermentar no meu cérebro.

Agora, o difícil foi o bobão aqui entender o que era dentadura; o que era postiça... Tirar os dentes e coloca-los novamente como num toque de mágica? Pois acreditem se quiser: eu tentei várias vezes tirar os meus dentes, escondido da minha avó, mas nunca consegui é claro, até que fui entender isso mais tarde foi difícil, como uma pessoa poderia tirar e colocar novamente os seus dentes. Mas eu era bobo, tanto quanto àqueles da corte do rei.

Tem tantas outras coisas...Ah meu Deus! Que vergonha do mundo de hoje!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.



terça-feira, 29 de setembro de 2015

O CANDELÁRIA - UM CAPÍTULO DA HISTÓRIA DE CANDEIAS. 3ª PARTE.


                                 Gov. Antonio Carlos e Arcebispo Dom Cabralde na década de 20.

O nosso Blog Candeias Casos e Acasos está reproduzindo em partes o jornal candeense de 1929, O CANDELÁRIA.  Já publicamos a primeira e segunda parte, agora estamos mostrando a terceira; e conforme já dissemos, a reprodução e edição estão sendo feitas na íntegra, inclusive com supostos erros gramaticais para que os candeenses possam ter uma noção completa desse semanário que registrou um capítulo muito importante da nossa história, onde podemos ver a luta dos nossos políticos de então, aqui retratada pelo vereador Américo de Paiva, politico que merece lugar de destaque na história de Candeias e que deveria ter a sua memoria respeitada pelos atuais ocupantes das cadeiras de vereadores em Candeias.

JORNAL CANDELÁRIA         (PARTE TERCEIRA)

Exmo. Snr. Dr. Antonio Carlos Ribeiro de Andrada.
D.D. Presidente do Estado de Minas Geraes

De acordo com a vontade unanime do laborioso povo de Candêas, prospero districto do município de Campo Bello, eu, vereador especial e delegado das altas aspirações do eleitores, contribuintes e toda população do districto, tomo a liberdade de passar às mãos de V.Excia. este memorial que, em resumo, descreve a nossa grandeza e as nossas necessidades. Confiados no vosso espírito de justiça, no vosso patriótico governo, espero merecer vossa preciosa atenções.

Candeias, como vós sabeis, é o prospero districto de Campo Bello, cuja sede é servida por estrada de ferro, optima instalação de luz e força, bonita localidade a novecentos e cincoenta metros de altitude que lhe dá um clima ameno e salubre;  districto grande, populoso, com cerca  de mil eleitores, optimo commercio, terras ubérrimas, repartidas em ricas fazendas cheias de pastagens e extensos cafezais com a produção calculada em cerca de 150.000 arrobas de café anuaees, vem desde que este produto valorizou-se, passando por um surto de progresso e de reiqueza que muito tem contribuído para o seu desenvolvimento.

Sendo ainda Candêas um districto sujeito a administração do Municipio de Campo Bello que nem sempre attende as aspirações justas do povo, como no momento actual, sente a necessidade de expandir-se, crescer e vê-se coagida porque, devido as organizações administrativas, não pode muitas vezes, pedir diretamente dos altos poderes do Estado as medidas precisas ao seu desenvolvimento; e assim, sem poder respirar livremente, tem vivido debaixo da pressão do governo municipal.

A Camara actual, como muitas outras passadas , absorve todas as rendas do município sem cuidar do districto de Candêas que vive em completo abandono e se tem luz e força e demais melhoramentos, deve a si própria, feitos por iniciativa particular. Assim pois, como não pode continuar esse estado de cousas. Candêas pede licença a V.Excia, para quebrar a norma seguida até então, vindo diretamente à vossa presença para reclamar do vosso benemérito governo os melhoramentos que precisa.

Como vereador do districto à Camara ora constituída, lavrei, e commigo mais um vereador geral, solemne protesto contra o empréstimo que a Camara votava, e cujo certidão aqui junto, porque o resultado deste empréstimo seria somente para a instalação de energia electrica na sede do município que não tinha necessidade de outra instalação. Visto que poderia adquar em Candeias onde há uma empresa, com concessão e contracto com o governo que se prontificou a fornecer mais de trezentos cavalos de força o que ficaria muitíssimo mais barato, e também porque Candeias, aspirando sua elevação à cidade não quer assumir a sua responsabilidade proporcional na quota desta dívida.

A Camara actual, systematicamente, não atende os pedidos para urgentes necessidades no districto, como sejam --- consertos e conservação das ruas e das pontes, estradas, e até medidas já votadas não são executadas.

Como inspetor districtal escolar e presidente da Caixa Escolar, venho há muito me empenhando com o D.D. secretário do Interior, conforme representações de valor que junto ao mesmo tenho apresentado e do mesmo obti apenas informal promessa do fornecimento de mais cadeiras; de um grupo escolar, visto que a necessidade urgente de um prédio próprio para instrucção publica porque, conforme a ultima matricula do corrente anno , a população escolar atinge a cerca de quatrocentos meninos entregues apenas, a três professoras que não dispõem de commodos próprios nem mobiliário; assim, as escolas estão funcionando em salas apertadíssimas e improprias. Além disto, no districto tem povoados com grande numero de creanças, em idade escolar, como sejam --- Fazenda do Retiro Furtado, Pereiras, Garcias e outros.

Como o governo de V.Excia. tem tido por escopo,  mais do que nenhum outro, o desenvolvimento da Instrucção Publica do Estado, ltemos certeza que a creação dessas escolas e da melhoria da insltrução em Candêas ainda não se  deu devido a má vontade dos dirigentes da politica municipal, de Campo Bello, que devido ao progresso de Candêas, e o pratriotismo de seu povo, de proposito, há muito vem tolhendo o seu desenvolvimento. Portanto, nesta parte, temos certeza que V.Excia. tomará as necessárias providencias pois será um complemento do seu vasto programa de governo.

Também reclamo de V.Excia. sobre o policiamento. Devido incompatibilidade creada entre as autoctoridades locaes e o delegado Regional de Campo Bello, Candêas está sem policiamento porque o sub-delegado e seu substituto pediram exoneração em officios dirigidos ao Secretário da Segurança Publica, e como é um logar populoso já cabia um destacamento de pelo menos duas praças. Firmando mais uma vez o nosso fraco mas inteiro apoio ao patriótico governo de V.Exia. contamos com o acolhimento benévolo e justiceiro de V.Excia.
Candêas 20 de Abril de 1929

Ass. Vereador do districto: Américo Brasiliense de Paiva.
Candêas 20 de Abril de 1929


Nós candeenses precisamos reler a nossa história e não permitir que façam do nosso município algo tão mal administrado, tão mal cuidado, sem esperança e sem expectativas. Não podemos deixar que o nosso município continue sendo vitima da incompetência, e dos interesses próprios desses politícos que apoderaram do município e fazem dele o que querem. É preciso que a sociedade candeense se mova para coibir esses abusos que acontecem em nosso município. Vejam por exemplo o caso do Matadouro Municipal, isso é uma vergonha para nós, é uma humilhação que não podemos permitir.

Armando Melo de Castro
Candeias Casos e Acasos.











domingo, 27 de setembro de 2015

O CANDELÁRIA ( SEGUNDA PARTE)

                                                       D. Antonio dos Santos Cabral

 Continuando à postagem em partes do número especial do jornal “O CALENDÁRIA” de Candeias, datado de 21 de abril de 1929, desta feita, estamos editando a segunda parte da primeira página do referido semanário. Como já dissemos, a reprodução estará sendo feita na íntegra comportando inclusive a antiga ortografia e supostos erros gramaticais; para que os leitores tenham, também, uma orientação mental desse documento histórico da nossa terra.

Segunda Parte:

D. Antonio dos Santos Cabral

Sentimos grande desvannescimento e honra, publicando em nosso primeiro numero o retrato de S.Exc.Revma, Snr. D. Antonio dos Santos Cabral, o emérito e zeloso arcebispo de Bello Horizonte, a cuja archidiocese Candêas pertence. E não sem motivo o fazemos, porquanto muito deve nossa terra, em amizade, ao digno metropolita. Em lapso de tempo não longo, quatro benéficas visitas tivemos de S.Exc.Revma, o que era suficiente para provar quanto nos estima o D.Cabral.
Pastor zeloso, cuja fé e fervor no cuidado do seu rebanho bem se tem patenteado na solicitude com que desempenha o seu múnus pastoral, D. Cabral é bem um arcebispo digno da Capital deste enorme e promissor Estado de Minas.
“O Candelaria” homenageando a tão ilustre autoridade nada mais faz do que tributar mui merecido reconhecimento ao seu valor de homem de ciência, de fé, e pastor carinhoso.

Salve 21 de Abril

A pátria brasileira comemora, hoje, uma das suas datas nacionais que mais desperta o sentimento patriótico do povo. Foi em 1792 que o proto-martyr da Independencia, em sublime holocausto, derramou o seu sangue pela grande idéa que, como semente bendita, cresceu germinou e fruetificou-se “Libertas que sera tamen”,  foi o dilema, e a Liberdade que veio pelo grito do Ypiranga, insuflando nos brasileiros o amor e o estimulo.
Assim o Brasil tendo quebrado os grilhões que o prendiam, livre, forte e unido, veio crescendo, progredindo até tornar-se o que é hoje esta nação poderosa que pésa na balança mundial ao lado das potencias mais fortes.

REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Ao Exmo. Sr. Dr. Antonio Carlos, presidente do Estado, foram apresentados, pelo Snr. Cel. Américo Brasiliense de Paiva, nosso digno vereador districial, sub-inspector escolar e delegado dos sentimentos patrióticos e políticos do povo de Candêas --- um abaixo assinado com assinatura de mais de  seiscentos eleitores e contribuintes deste districto, e um memorial feito pelo mesmo senhor e que transcrevemos abaixo:

---Exemo. Snr. Presidente de Estado de Minas Geraes.

Os abaixo assignados, lavradores, commerciantes, industriaes,  eleitores contribuintes, do cofre municipal, confirmando o protesto feito pelos vereadores, especial e geral deste districto na sessão da Camara Municipal de Campo Bello, em 26 e 28 de setembro p.passado, como prova a copia annexa, vêm a presença de V.Excia. commuicar que a Camara Municipal está pleiteando um grande empréstimo com o Estado ou com firmas particulares; e como esta operação vem collocar o nosso districto em dificuldade, porque deseja sua emancipação, isto é,  sua elevação á cidade, pedem a intervenção de V.Excia. para que tal operação não se realize, e, caso seja feita protestam contra qualquer responsabilidade que possa pesar a este districto que só deseja melhoramentos de acordo com os seus rendimentos próprios, ou por iniciativa particulares feitas até aqui, como é de justiça esperam os abaixo assignados que V.Excia. tome providencias para que o nosso districto não fique sobre-carregado com ônus que venham paralysar o seu desenvolvimento, dificultando e desgostando os contribuintes e produtores e, em fim, toda população avida de progresso.
Candeias 28 de março de 1929

Como podemos ver o candeense do passado lutou para nos deixar uma cidade conseguida com luta e sacrifícios, para progredir. Não para ser entregue as traças como está sendo feito. Portanto, é preciso que o povo se envolva num sentimento próprio, de unidade e amor; que revejam a nossa história para que nas próximas eleições possamos ver cair esses políticos que fazem do município um curral de seus interesses próprios.
                                        
Aguardem a terceira parte.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O CANDELÁRIA E A NOSSA HISTÓRIA. (1ª PARTE)

                                                      Antonio Carlos, Presidente do Estado

O dia 29 de abril de 1929 foi um dia marcante para a nossa terra. Para a nossa querida Candeias, que naquele tempo, ainda um distrito, a palavra era grafada como Candêas.

Nascia o Jornal “O CANDELÁRIA” e nesse dia circulava o seu primeiro exemplar. O jornal tinha como diretor:  Luiz Andrade --- Redator Chefe: Newton Lamounier – Gerente Silvio Bonaccorsi.

O semanário contava ainda com diversos colaboradores. Entre eles um vereador que muito se destacou juntamente com o Dr. Zoroastro Marques da Silva, para a emancipação do nosso município. Trata-se do Sr. Américo Paiva.

O nosso Blog Candeias Casos e Acasos hoje apresenta o jornal e o seu editorial, no entanto, é de nossa intenção editar todo o seu conteúdo distribuído em posts separados, para que as pessoas possam conhecer esse capítulo da nossa história.

O Jornal de duas folhas trazia na primeira página as fotos do então Presidente de Estado de Minas Gerais Dr. Antonio Carlos com a seguinte nota reproduzida na íntegra:

Dr. Antonio Carlos, Presidente do Estado

“Apparecendo, hoje o nosso primeiro numero, é justo que, como homenagem ao grande estadista que ora dirige os destinos do nosso Estado, estampemos em sua colunna de honra, o retrato de S.Exc. que, assim como tem com alto critério e rara habilidade politica creado, em todo o Estadop, a harmonia, a liberdade e a justiça, também será o patrono de Candêas, para que ella consiga a realização de seus altos ideaes.”

Como editorial a matéria vai transcrita, abaixo, na íntegra, inclusive os erros por ventura existentes e  respeitando a ortografia da época. Isso feito para mostrar aos jovens de nossa cidade a originalidade desse instrumento que a meu ver é histórico, e que lamentavelmente os políticos atuais, de Candeias, não têm sensibilidade e nem respeito  para com a história do nosso município.

NOSSO IDEAL

"Apparece, hoje, o primeiro número do “O CANDELÁRIA”,  jornal exclusivamente dedicado ao desenvolvimento de nossa terra e a elevação do nosso conceito perante aos nossos vizinhos, perante aos dirigentes da politica e da administração  estadual, para que fiquem capacitados e cientes da nossa grandeza, da nossa força de vontade, dos elementos que contamos para darmos mais um passo na nossa collocação administrativa, para, assim, nos tornarmos aptos ao desenvolvimento das nossas iniciativas.

O nosso patriotismo foi sempre a alavanca que fez demolir todas as barreiras que nos antepunham no caminho do nosso progresso, e, se, com energia, com tenacidade e firmeza, supperamos todos esses obstaculos e conseguimos, com nossas próprias forças, vêr realizados os grandes e custosos melhoramentos que já temos inaugurados, porque então, agora que já contamos com esta grande base não podemos prosseguir, unidos e fortes cheios de harmonias, o grande ideal, o supremo desejo -- elevar o nosso districto à villa?

Está na nossa consciência, illuminada com a luz da justiça e da Razão, a convicção perfeita,  plena que merecemos tomar posse de um plano superior onde possamos respirar mais liberdade, que é o ideal de todos os povos civilizados, onde devemos dispender todas as nossas energias para que Candêas, que será num futuro não muito remoto a Villa Candelaria, prossiga na sua marcha evolutiva e possa atingir, orgulhosa e livre, a méta idealizada pelos seus filhos.

O que devemos ter sempre em vista é que, para alcançarmos esses desejados resultados, torna-se preciso que estejamos unidos, que nossos pensamentos estejam sempre gravitando em torno deste único ideal, e que as nossas vibrações sejam,  em communhão, de harmonia, verdade e justiça, pois, desta maneira, ungidos de fé, cheios de esperanças, tornaremos a numa Candêas respeitável e forte cujos élos não se partirão jamais.

Temos, sem suggestão de amor próprio, esta base de grandezas: --- uma sede linda, cheia de ricos prédios, um desenvolvido commercio;  optimo clima; o districto repartido em magnificas fazendas cheias de pastagens e grandes cafezais; excellente água potável; luz electrica; estrada de ferro e de automóveis; É isto tudo que constitui o nosso orgulho, pois que esta poderosa fonte de riqueza, quer queriram quer não, tem que nos elevar ao plano da nossa emancipação. Este é o nosso programa."

Ainda na primeira página o jornal apresenta o então Arcebispo de Belo Horizonte, Dom antonio dos Santos Cabral e outras noticias que serão apresentadas numa próxima edição deste Blog.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

POUPANÇA! SAIA DESSA GELADA!



Dizem que conselho se fosse bom a gente não dava de graça, ao contrário, vendia. Quem gostava muito de dizer isso era o meu avô João Delminda. De outra forma o Mozart Sidney gostava de dizer que o dinheiro é um guardado que precisa ser vigiado. Contudo eu vou me arriscar, como um velho bancário, dando aos meus amigos candeenses esse pequeno conselho: Se você tem algum dinheiro na Caderneta de Poupança, essas suas economias não estarão em boas mãos. Na atual conjuntura do país desgovernado, poupança pode ser uma gelada.

De fevereiro até hoje, o povo já sacou 50 bilhões. Mês após mês o saque vem aumentando gradativamente. Em agosto esse saque chegou a 7 bilhões. Nós não podemos nos esquecer de que o dinheiro que está na poupança é parte da dívida interna do governo, ou seja, é um dinheiro que o governo está devendo para o povo. E um governo que está devendo 2 trilhões e 500 bilhões, e tão cheio de desencontros, não é um governo confiável. 

O governo do Partido dos Trabalhadores não trouxe, a bem da verdade, nada de melhoras para o Brasil, se olharmos para trás estamos nos mesmos trilhos dos governos passados. Com uma diferença: o Brasil nunca esteve devendo tanto como deve agora.  Estamos diante de um governo que não tem 30 bilhões para tirar o orçamento de 2016 do vermelho e com uma dívida numerosa como nunca. 

Um governo que não consegue cortar gastos na sua gestão para fazer um ajuste fiscal e continua gastando mais do que arrecada ---- governo desorientado dentro de uma turbulência política e dando demonstrações de total incompetência e uma corrupção incontrolável. Um governo irresponsável, que não respeita orçamentos e pensa que dinheiro dá em árvores. Um governo que se encontra no corte da navalha com relação ao crédito internacional. 

Governo que fala e “desfala” vendo o trabalhador no bico do urubu, desempregando-se e diante de uma inflação beirando os dois dígitos, ou seja, próxima dos 10%. 

Um governo mentiroso.  Que mente para manter o seu populismo irresponsável. Um governo cheio de greves, inclusive dos serviços essenciais, como no caso o INPS há dois meses de greve; médicos protestando. 
Faculdades de greve. Policias ameaçando greve. Um país caminhando a passos largos rumo a um grande buraco econômico, com um PIB encolhendo a cada vez mais, sustentado apenas pela agropecuária, por ser um segmento que depende menos do governo e menos corrompível. 

Os investidores, internacionais perdendo a confiança com o Brasil, mesmo porque, onde andam os investidores internacionais? Um país onde um dos empresários mais ricos, (Marcelo Odebrecht está preso) mais um monte de políticos e empresários que quebraram a empresa que representava um orgulho do país, por corrupção, a Petrobrás. 

Um governo ameaçado de ser caçado por corrupção, tudo isso diz que O GOVERNO DILMA ROUSSEFF ESTÁ QUEBRADO, DESMORALIZADO, DESACREDITADO E SEM FUTURO. 

E olhem amigos, um governo quebrado e mentiroso é perigoso. Ele não respeita leis, ele faz a lei que se torna lícito a mão no bolso do povo. Lembrem-se do Collor com a poupança? Do Sarney com o imposto da gasolina? E o Fernando Henrique com a CPMF? E outros rombos mais que a gente às vezes se esquece. 

Portanto, amigo, se você está com problemas com o imposto de renda ou dinheiro em poupança, corra de um confisco. No máximo deixe os seus trocados em renda fixa, porque o perigo está às soltas. O conselho é meu, mas o dinheiro é seu. O meu é pouco, mas está debaixo do colchão.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

PREFEITO DR. JOSÉ PINTO DE RESENDE.



Na década de 50, por volta do ano de 1955, Candeias era um município que trazia ainda consigo os traços do distrito que teria pertencido à cidade de Campo Belo, até o ano 1938. O comércio era praticamente o mesmo. As novas construções eram raras.

A Empresa Força e Luz Candeense, de propriedade do Sr. Celestino Bonaccorsi, já não atendia a demanda. Afinal teria sido fundada na década de 30 e nenhum investimento teria sido feito. Já estava àquela empresa caminhando para o sucateamento.

A Cemig teria sido fundada em 1952, portanto, ainda “engatinhava” nas suas expansões e as preferências eram para as grandes cidades. Até então, locais como Candeias não faziam parte do plano de expansão da empresa naquele momento.

O fornecimento de água encanada era precário. Ainda existia em alguns pontos da cidade torneiras públicas, onde as mulheres lavavam roupas nas ruas; e quando o fiscal, João do Ibraim, da prefeitura, vinha com os seus operários carpindo as ruas e atingiam os seus quaradores de roupas, era aquele xingatório. As mulheres ficavam bravas. Isso sem falar dos cachorros e galinhas criados nas ruas vinham e pisavam nas roupas expostas a quarar. ---- O falatório era tal qual quando alguma perdia o sabão.

 Aquele barulho das mulheres lavando roupas e enchendo latas naquela bica coletiva, uma bica fina dava para fazer fila. Tudo isso ainda se encontra muito bem guardados numa das gavetas do armário da minha memória. -----

Nas casas a água era muito bem aproveitada até mesmo depois de serem usadas para tomar banho. Dona Marica da Melada, por exemplo, tomava o seu banho, e vinha jogar a água usada no seu terreiro da rua para apagar a poeira. Era verdadeiramente um tempo de vacas magras.

Nesse clima de atraso, foi eleito um prefeito, um jovem prefeito: Dr. José Pinto de Resende, era engenheiro, filho do ex-prefeito, Sr. João Pinto de Miranda. ------ Podemos dizer que existem dois tempos na vida de Candeias: antes e depois do prefeito José Pinto de Resende.

Um prefeito que deveria ser mais lembrado pelo povo de Candeias, pelo seu dinamismo, pela sua competência administrativa, pela atenção com o povo. Um homem que não se escondia em gabinete e estava sempre presente diante do povo e na cola dos deputados e governador do estado, a fim de trazer melhoramentos para Candeias.

E tem mais: o seu partido, a UDN, União Democrática Nacional, era de oposição ao governo estadual e federal e, no entanto, ele conseguia benefícios para o município. ----.

A política de Candeias era tão bem orquestrada, que o fundador da cidade, o grande líder politico de Candeias, o nosso tão querido Dr. Zoroastro Marques da Silva, era opositor do partido dominante, no entanto nas suas derrotas ele se dirigia ao vitorioso e abraçava-o pela vitória. Dr. Zoroastro trouxe a Comarca para Candeias, quando o prefeito era de partido opositor. --- Candeias tinha políticos íntegros que nunca fizeram da política o seu meio de vida.

Dr. José Pinto de Resende não conseguiu fazer tudo que pretendia e precisava. Ele dizia que o prefeito tinha que pedir de tudo para ver o que saia. Sabia que Candeias tinha grande necessidade de um hospital, ---- de eletricidade para o desenvolvimento e uma estação de água tratada organizada. ----
Não conseguiu tudo, mas o que conseguiu deu para mudar a cara de Candeias. A cidade foi toda demarcada, ruas foram alargadas e novas ruas foram abertas; praças e jardins foram projetados. Durante muito tempo uma grande máquina de terraplanagem veio fazer esse tipo de serviço. Era o inicio de uma nova era. ----- Um aeroporto foi construído e servia, também, a cidade de Campo Belo, dada a sua autonomia de operação.

Um horto florestal, onde mudas de árvores eram distribuídas gratuitamente além de ensinamento aos agricultores como cultivar um reflorestamento, sendo orientados por um engenheiro e um técnico agrícola ali lotados.

E o mais importante, colocou Candeias numa boa posição da fila para a vinda da Cemig. Candeias na época da seca ficava praticamente no escuro. Até uma pequena indústria como uma mecânica, uma máquina de beneficiar arroz ficava prejudicada. --- O cinema tinha o seu motor – A máquina de limpar café do Sr. Celestino Bonaccorsi, também usava de motor próprio, como também, a Farmácia São José do então farmacêutico Waldemar Lopes. A energia fornecida pela Cia. Força e Luz Candeense, já não atendia a demanda e era muito precária. O tempo da lamparina ia e voltava.

Os projetos do Dr. José Pinto de Resende foram concluídos pelo seu sucessor, Sr. Raymundo Bernardino de Sena (Pai) que concluiu com louvor o seu mandato.

Prefeitos que trabalharam praticamente sem verbas especiais, como Dr. Zoroastro Marques da Silva, José Pinto de Resende, Nestor Lamounier, Raymundo Barnardino de Sena (pai) e Francisco dos Santos Coelho, resolveram os mais sérios problemas de infraestrutura do município.

 São prefeitos que nunca tiveram os seus nomes na boca do povo, ligados a quaisquer tipos de corrupção. Deixaram suas marcas, com louvor e respeito.

Afinal, fizeram obras estruturais num tempo difícil quando a propina e a corrupção não era tema de noticiários o respeito ao povo era sagrado, quando não havia necessidade de leis de transparência, porque os políticos eram transparentes.

Armando Melo de Castro.
Candeias MG Casos e Acasos.

sábado, 22 de agosto de 2015

O DUPLO SENTIDO DA MANDIOCA.


O meu amigo Mozart Sidney, para mim o filósofo candeense, certa vez disse que o homem colocando algo pela porta da sala com uma pá, e a mulhe tirando pela porta da cozinha com uma colher de ferro, ela consegue tirar mais do que ele. O tempo me mostrou que o Mozart apesar de não ter sido um homem casado, estava coberto de razão.

Na economia doméstica o homem não compara com a mulher. Se por ventura houver um homem que possa se identificar com a mulher, ele não será considerado econômico e sim um pão duro de mão cheia. Isso porque existe a diferença de comportamento que a gente pode verificar entre mulheres e homens que se destacam na hora de comprar algo para casa, num supermercado, numa feira livre, num sacolão ou numa loja... A mulher sempre se destaca. -- Lembro-me de minha mãe e sinto isso aqui na minha casa. A mulher e a filha vivem dizendo que eu não sei comprar. ---- Quando eu vou até a feira confesso que fico um pouco encalistrado diante do feirante.

A mulher olha todos os tomates antes de comprar e depois escolhe um por um. Eu sinto que aquilo é um princípio feminino, porque vejo as demais fazerem isso também. Portanto, confesso que passei a ter um pouco de nojo do tomate. Esse fruto eu só me sirvo dele na minha casa. Em restaurante nem penso. Aliás verduras em restaurante, principalmente nesses “seven’s”... Eu já vi cada lambança... E eu quando jovem trabalhei como ajudante na cozinha de um restaurante... Quem vê lá fora, não vê lá dentro.

Na escolha dos ovos o que para mim são todos iguais, para ela parece que estão todos trincados. Olha atentamente um de cada vez, escolhe pega outro, cujas diferenças eu não consigo observar. --- E as verduras? Ai a exigência é muito maior. O coitado do caramujo é procurado como o bandido da luz vermelha, ou uma chave perdida. --- Na escolha das frutas o bicho pega. --- Eu confesso que jamais eu seria capaz de ser um feirante.

Dando uma olhadinha no retrovisor da minha vida, vejo lá atrás a rua onde nasci, em Candeias, a minha querida Rua Coronal João Afonso Lamounier, minha família tinha como vizinha defronte, a Sra. Marica da Melada, aquela mesma que puxou o terço na casa de Dona Joana do Galdino e saiu danada da vida pelo pum que a velha soltou na hora do terço. ----- Dona Marica mulher nervosa; falava alto brigava com a sua mãe Dona Melada, irmã do Sr. Erasto de Barros e encrencava com os vizinhos dos lados de sua casa.

Às quartas e sábados descia à nossa rua um vendedor de verduras, frutas e legumes, era o Zé Morais, que junto de outro irmão, produziam esses produtos na sua chácara chamada “dos Morais”, situada no final da Rua Expedicionário Lázaro Alvarenga. ---- Zé morais era um velho alegre,  estatura  mediana, rosto cheio, barba e cabelos crescidos e brancos chapéu de palha corroído, um sorriso largo e alegre mostrando dois dentes naturalmente reservados para chupar as deliciosas jabuticabas produzidas no seu pomar.

Às quartas e sábados ele descia com a sua carroça cheia dos seus produtos. Descia gritando e as mulheres já saiam às portas para comprar. Não havia muita variedade. Por exemplo: Se num dia era só couve e Alface; no outro vinha repolho e almeirão; batata doce e mandioca e assim por diante. --- As mulheres compravam pouco. Quase não existia geladeira nesse tempo e vendedores às portas não faltavam. --- Farinha, frango na manguara e outros produtos das roças aos sábados choviam nas portas.

Dona Marica, sempre exigente, botava defeito em tudo. Nesse dia Zé Moraes trazia mandioca entre os seus produtos. Só que ela achou as mandiocas muito finas e disse de forma muito clara: “Nem Zé! Deus me livre de mandioca fina elas são duras demais. Eu só gosto de mandioca grossa. Essa mandioquinha sua tá muito rasteira. ---- E daí aquelas pessoas que estavam ao redor da carroça, ficaram com olhar de riso, quando o meu tio João Delminda arriscou um palpite: Mandioca grande e grossa é a do Chico Freire, (Chico Freire era um vendeiro que existia um pouco acima daquele local.) você já experimentou dela Marica? Falou e riu com aquela cara mais lambida do mundo, quando todo mundo caiu na rizada.

Dona Marica largou todo mundo falando sozinho, indignada saiu pisando duro e dizendo: “Eu não sei como a Elisa aguenta um homem descarado desses”. ( Elisa era a esposa do meu tio)

Dona Jovina, a carioca, esposa do enfermeiro Domingos, que morava ao lado dela e era seu desafeto comentou: “Gente! A papa-hóstia entende de metáforas. E eu que pensei que ela só entendia de verseto...”

E eu sai correndo para olhar no dicionário o que era verseto...

Armando Melo de Castro

 


domingo, 9 de agosto de 2015

MEU PAI ZÉ DELMINDA.





Há 17 anos o meu pai se encantou para mudar de morada. Dizem que quando alguém deixa de estar presente, vai para os céus, para junto de Deus. Eu não sei, mas isso de dizer que a gente morre e vai direto para o céu, é, para mim, uma coisa tão vaga!... Fico aqui imaginando, será que realmente todo mundo que morre vai direto para junto de Deus?... Eu aprendi no catecismo da catequista, Maria Brasileira, neta do Padre Américo, que Deus está aqui onde estamos --- nos céus --- e em todo lugar.

Portanto, eu ouso imaginar que quando dizemos que alguém morreu e foi para os céus, estamos apenas desejando-lhe um bom lugar, isso porque dá a nos entender, em tese, que lá é a morada oficial do Criador de todas as coisas...  Isso me leva a crer que o meu pai, fica às vezes no céu, outras vezes aqui na terra junto de seus amigos, dos seus parentes, da minha mãe, dos seus filhos...  Afinal o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, Gêneses 1: 26-27. Sendo assim, estando sendo lembrado estará presente.

Se o amor é uma das forças do Espírito Santo de Deus, Deus não iria separar pais e filhos a partir do momento em que um deles estaria abandonando um corpo impotente que já teria prestado a sua contribuição à obra da Sua criação. Portanto, para mim, meu pai ainda não morreu, ele encontra-se apenas encantado. Se vivos fazemos tudo para não irmos embora desta vida, lutamos tanto contra a morte que tememos tanto, Deus na sua infinita bondade não nos daria a morte em forma de castigo. Podemos, a meu ver, irmos definitivamente para os céus onde está Deus, mas sim, depois de 
deixarmos de sermos amados aqui na terra.

Hoje, 9 de agosto de 2015 é o dia dos pais. E eu estou muito feliz porque no salão do meu coração, grande festa esta acontecendo ao som do bandolim do meu pai; e eu estarei ouvindo os seus conselhos e sendo fluidificado por seu amor, através das lembranças eternamente cravadas bem no centro do meu coração.

Nesse seu dia meu querido pai, receba o meu beijo de filho amoroso. Receba essas lágrimas de alegria por tê-lo eternamente dentro do meu coração.

Com a sua bênção,

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos