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sábado, 22 de agosto de 2015

O DUPLO SENTIDO DA MANDIOCA.

                                           

Nas diferenças de comportamentos que a gente verifica entre mulheres e homens, uma que se destaca é a hora de comprar alguma coisa, principalmente numa feira livre ou num sacolão.  Quando eu vou até à feira com a minha mulher eu confesso que fico um pouco encalistrado perante o barraqueiro, diante da exigência dela na escolha das coisas.

Olha todos os tomates antes de comprar e depois escolhe, um por um, pegando e devolvendo à banca. Eu vejo que aquilo é um principio feminino, porque vejo as demais fazerem isso também.  Portanto confesso que passei a ter um pouco de nojo de tomate de banca, esse fruto eu só o como em casa, principalmente de feira.

Na banca de ovos, o que para mim são todos iguais, para ela parece que estão todos trincados. Olha atentamente um de cada vez, escolhe pega outro, cujas diferenças eu não consigo observar --- As verduras então! A exigência é maior. O coitado do caramujo é procurado igual uma carteira perdida.  Na escolha das frutas o bicho pega. Isso porque ela ouviu certa feita, no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, alguém dizer que as frutas, principalmente os limões deveriam ser bem lavados antes de serem consumidos porque todas as porcarias da terra estariam impregnadas na sua casca inclusive coliformes fecais. O cuidado precisa ser dobrado quando se vai fazer uma caipirinha.

Na escolha da mandioca o bicho pega. O vendedor tem que dizer se já experimentou dela; se ela é de bom cozimento; o preço e por ai vai.

Há poucos dias quando eu estava lá na feira na companhia da minha mulher, fazendo as compras, veio à tona de minha memória a imagem de Dona Marica da Melada, a minha vizinha antiga. Aquela muito nervosa e que era sempre convidada para puxar o terço nas casas, quando eu era ainda um menino e morava na Rua Coronel João Afonso. Diariamente descia a rua, um senhor com uma carroça cheia de verduras. Era o Sr. Zé Moraes.

E dando uma volta na conversa, lembro-me de que no fim da Rua Expedicionário Jorge Alvarenga, lá embaixo, à beira do córrego Maçaranduva, havia a Chácara dos irmãos Moraes. Eles viviam do que plantavam, colhiam e criavam ali naquele pequeno pedaço de terra. Verduras fresquinhas, mandioca, batatas, abóboras, enfim uma boa variedade de verduras e legumes. José Moraes era o mais conhecido dos irmãos, pelas pinguinhas que bebia, e pelo bom humor com a freguesia. Descia a rua com uma carroça cheia de variedades, dava um grito e as donas de casa já saiam às portas para comprar as misturas. Criavam galinhas e às vezes, engordavam um porquinho, e quando o matava era vendido aos pedaços na mesma formalidade com que eram vendidas as verduras.

Dona Marica da Melada era muito exigente. Tinha mania de limpeza aguçada. Para dizer a verdade, minha mulher seria “fichinha” perto dela na hora de comprar alguma coisa. Nesse dia Zé Moraes trazia mandioca entre os seus produtos. Só que Dona Marica achou as mandiocas muito finas e disse de forma muito clara: “Nem Zé! Deus me livre de mandioca fina elas são duras demais. Eu só gosto de mandioca grossa. Essa mandioquinha sua tá muito rasteira.
E dai aquelas pessoas que estavam ao redor da carroça, ficaram com olhar de riso, quando o meu tio João Delminda arrisca um palpite: Mandioca grande é a do Chico Freire, você já experimentou dela Marica? Falou e riu com aquela cara mais lambida do mundo, quando todo mundo caiu na rizada.


Dona Marica indignada saiu pisando duro e dizendo: “Eu não sei como a Elisa aguenta um descarado desses!”.

Elisa era a esposa do meu tio.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

















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