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terça-feira, 5 de agosto de 2014
MEMÓRIAS DE UM DEPRIMIDO.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
COMENTÁRIO SOBRE O ESPIRITISMO.
Certos religiosos preconceituosos contra a Doutrina Espírita têm o hábito de dizer que o livro de Deuteronômio 18.11 condena o Espiritismo. Certa vez fui convidado por um amigo evangélico a visitar a sua igreja. E lá o Pastor falou sobre essa questão. Os Irmãos de Jeová vão ainda mais longe, eles citam a palavra “espiritismo” diretamente como se o espiritismo existisse quando Moisés escreveu o livro de Deuteronômio há 3500 anos. O Espiritismo foi fundado pelo Francês Alan Kardec, em 1857, portanto, há 157 anos.
Armando Melo de Castro.
Cronia relacionada:
http://candeiasmg.blogspot.com.br/2011/06/o-espirita-doidao_04.html
terça-feira, 17 de junho de 2014
IMPURO É O QUE SAI DA BOCA E NÃO O QUE ENTRA.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
ACONTECEU AQUI NESTA ESQUINA.
Eu contava mais ou menos uns 12 anos de idade e numa manhã
de domingo, quando eu ia para a missa das 8 horas na Igreja do Senhor Bom
Jesus, quando me deparei com um acontecimento triste, bem na esquina onde se
encontra a residência do Sr. Miguel Albanez (Biribico)
Um casal de namorados conversava feliz da vida. Quando
surge, vindo do lado da Escola Padre Américo, o pai da moça, um senhor que
tinha o nome de Lacinho. ---- O Sr. Lacinho tinha um rompante forte; morava na
zona rural e tinha hábitos extremamente agressivos. E quando bateu os olhos no
casal bradou em voz alta:
“Eu já te falei que num quero vê ocê namorando nas isquina.
E ainda namorando vagabundo! E ocê pode sumi das vista dessa fia disrregrada.
Fia minha ocê num namora não seu trem ordinário! Eu num vô cum a sua cara!
Quela ocê num vai casá nunca. Um trem que num tem onde caí morto, qui vive
cagano pá jantá... Ocê que só relá. Eu num puis fia no mundo pra vagabundo relá
não... E ocê sua bisca, toma seu rumo. Pode tirá o cavalinho da chuva porque
com esse trem ruim ocê num casa memo. Se fosse bão tinha ido lá in casa pidi pá
namorá. É mais faci ocê tê que sumi lá de casa do que casá com esse trem.”
Eu fiquei assistindo aquele espetáculo que naquele tempo
para mim foi uma comédia dada a minha juventude. Mas hoje, quando me lembro
disso, é como se lembrasse de um drama muito triste. Chego até ao ponto de
sentir um pouco de remorso por ter achado graça. --- Eu, então, não conhecia o
sentimento do amor, interessei-me, apenas, por aquela agressão sem defesa. Eu
não conhecia o choro interno dos adultos, portanto não fiz a mínima ideia do
que se passava por dentro daquele casal de namorados. ---- O tempo passou, e
hoje me emociono e sinto o que deveria ter sentido naquele momento e não senti.
Na infância e na juventude, cometemos enganos que um dia virão nos servir de
lições.
Eu nunca me esqueci daquele espetáculo; daquela humilhação;
daquele jeito violento de tratar uma filha e um candidato a namoro. Até hoje
quando me lembro disso, vem à tona de minha mente, a moça tirando do pescoço um
cordão de ouro que o rapaz com certeza a teria presenteado e lhe foi devolvido.
E os dois chorando, quando um seguiu rua abaixo e a outra passou à frente e
acompanhou o pai para a igreja.
Era uma moça com mais de vinte anos. Eu nunca mais a vi com
outro namorado. E o rapaz, posteriormente casou-se e enquanto os meus olhos o
vigiaram me parecia ser muito feliz com a sua esposa e seus filhos. Era
trabalhador e respeitado na cidade. O tempo o fez sumir de minhas vistas. Mas,
o triste fato continua guardado nos fundos dos meus olhos e nunca foi
esquecido.
A violência verbal, às vezes, machuca mais do que a
violência física. Esta foi uma das grandes lições que a escola da vida me deu.
Ver um pai estragar a vida de uma filha pensando que estava lhe fazendo algum
bem, ou decidindo por ela aquilo que deveria ter sido dela.
Candeias MG Casos e acasos.
Armando Melo de Castro
domingo, 4 de maio de 2014
EU NÃO BEBO 'PACARAI'
Foto para ilustração do texto.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
UM SUCO DE LARANJA..
domingo, 12 de janeiro de 2014
POLITICOS, A VERGONHA DO BRASIL!
sábado, 28 de dezembro de 2013
HENRIQUE O BUFÃO..
O
ESTAFETA BUFÃO.
Quando me encontro em
Candeias, observo sempre o quanto às coisas mudaram em comparação ao meu tempo
de menino. Ao passar pela Rua Coronel João Afonso, minha memória retrata algum
fato que me leva a um passado distante. Num tempo em que Juntava o atraso em
que o mundo ainda se encontrava com a falta de expectativa vivida por Candeias.
A bem da verdade vive até hoje, mas naquela época, sem dúvida, era bem pior.
Não havia os meios de comunicação atuais. O transporte era precário. A saúde do
povo deixava muito a desejar. A educação em Candeias era só o primário...
Vivíamos a era da autodidaxia. Somente os mais aquinhoados conseguiam se
formar. Enfim, o mundo era mais atrasado e o povo brasileiro era bem mais
pobre.
Verifica-se que o mundo progrediu muito foi nos últimos cinquenta anos.
O meio de transporte dificultava muito a vida das pessoas. Uma viagem, por
exemplo, de Candeias à Formiga demorava mais de duas horas se o trem cumprisse
o horário normal. Mas isso era muito difícil. Raramente andava na hora certa.
Além do mais o desconforto naqueles trens, então chamados de “Maria Fumaça”,
causados pela fumaça e o carvão procedentes da caldeira dessas locomotivas
deixavam os passageiros parecidos com porteiros de hulheira. Era terrível... Os
viajantes usavam, naquele tempo, os tais guarda-pós, um tipo de jaleco para se
proteger da fumaça e da fuligem, e, nas jardineiras para se proteger da poeira.
O transporte rodoviário contava apenas com uma pequena jardineira do
Antonio do Eurides, irmão do Euridinho, casado com a Luci do Zé Chorão. Era um
pequeno coletivo cuja lotação não superava a conta das quinze pessoas; e fazia
a linha Campo Belo Formiga, passando pela usina do Bonaccorsi, Baiões, etc.
Telefone não havia. Só se via esses aparelhos nos filmes americanos. Televisão?
Se alguém contasse que teria visto uma televisão era questionado com toda
minudência. Meu avô esteve em São Paulo, no ano de 1954, quando foi fazer uma
cirurgia, e voltou de lá contando que havia visto uma televisão no Hospital e
com isso teve assunto por muito tempo. Dizia ele que os internados do interior
olhavam atrás da televisão... Atrás da parede, a fim de decifrar o mistério da
coisa.
E nesse cenário de vida, havia os estafetas e mandaletes. Eu mesmo fui
mandalete. Entreguei carta em fazendas, quando menino, para ganhar uns
trocados. Era a única forma de um roceiro receber uma correspondência da
cidade. Não havia caminhões leiteiros e nem o transito que existe hoje. O homem
do campo ficava mês sem vir à cidade. E o meio de transporte eram cavalos,
burros etc. Muitos ficavam até um ano sem vir na paróquia e vinham apenas em
época de semana santa. ---Assim sendo quero relembrar aqui o estafeta
particular: HENRIQUE SOTERO.
Este homem conhecia todas as cidades ao redor de Candeias pelos
seus serviços de entrega de encomendas e cartas. Ia sempre a Oliveira levar
cartas e encomendas para o Bispo a mando do Monsenhor Castro, então, Padre
Joaquim. Itapecerica, Camacho, Cristais, São Francisco e muitas outras
localidades onde não havia transporte direto, ia lá o Henrique, montado em sua
bicicleta Phillips ou a pé empurrando o seu carrinho de mão. Quando a encomenda
era com urgência, ele viajava a noite inteira. Não tinha medo. Vivia
bazofiando-se da sua coragem e da competência para entregar uma encomenda. Era
o Sedex da época. Os serviços do correio não eram confiáveis.
O Henrique Sotero morava apenas com a sua mulher Maria e o
cachorro Lírio. Era um animal mestiço. Uma espécie de cão de fila com
perdigueiro; amarelado e trazia pendurado no pescoço um pequeno cincerro Esse
cachorro era o filho, o neto, o sobrinho, enfim: o Lírio era tratado como se
fosse prole daquela família. Comia no prato – dentro da cozinha – como se fosse
gente. Era tratado de “fifio” pela mulher do Henrique, “Maria do Rique” como
era chamada. ”Quando o Lírio morreu, houve cerimonial fúnebre. Chegaram a
pensar em enterrá-lo no cemitério, como isso foi impossível, fizeram para ele
um túmulo no fundo do quintal e sobre o qual cravaram uma cruz. A cruz...
símbolo da remissão do pecador cristão que ocupa o primeiro lugar na escala
evolutiva da zoologia, ou seja, o homem... Ali colocada sobre a cova de um
irracional de propriedade de um casal tipo herege sabeliano. Com persignação e
tudo mais que um animal racional por vezes não tem. (Durma-se com um barulho
desses)
Morador a quatro casas abaixo da minha, ficava normalmente de cócoras na
porta de sua casa. Como ele não tinha filhos, gostava muito da meninada. Na minha
rua e no quarteirão, havia muitos meninos: Zé Branco, Tião Babão, Zé, Chico,
Tião, Vicente e Bento, todos do Arlindo Arlindo Barrilinho, Ademir do Erasto,
Vicente do Tio João e muitos outros que no momento me falha a memória. Se somar
todos dá uma verdadeira platéia para um espetáculo de circo. Isso é o que
acontecia constantemente na porta da casa do Henrique Sotero que era um
verdadeiro bufão. E a sua grande fama era de peidorreiro. Estava sempre a
dizer: --- Certa vez dei quarenta peidos --- À tarde, na porta de sua casa,
via-se sempre uma aglomeração de crianças da vizinhança. E ele apesar de não
ter a cara muito boa era muito engraçado. Gostava de fazer perguntas para a
meninada. Contar mentiras como, por exemplo: falar que tinha sido grande jogador
de futebol e que teria voado de avião o qual teria caído e apenas ele se
salvado... Que já teria sido artista de circo. Fazia algumas mágicas cujos
truques eram percebíveis pela garotada. Mas o forte dele era peidar
ruidosamente ali na porta da rua, passasse quem passasse por ali.
As mulheres sempre iam pelo outro lado da rua para não passar pelo
vexame de vê-lo soltar as suas ostentações ruidosas, ou seja, os seus flatos
sonoros de forma descarada fazendo com que a pessoa ficasse numa situação de
constrangimento. Mas, com a meninada era diferente. Ele se punha de pé à sua
porta e os meninos logo gritavam: “Sô Henrique e os peidos?” – E ele dizia
mostrando os seus dois dentes de ouro: --- Ôceis gosta de peido hem cambada de
cambuquira!---. Começava o espetáculo e ele já dizia apontando o dedo
indicador: -- Esse menino grandão ai, esse é procê: PUNNNNNNNNNNNNN – Agora vai
um para esse menino piquitito ai: apontava o dedo indicador e: PIUNNNIIIINNNN.
Conforme era o tamanho do menino era o tamanho do peido. Parecia que tinha uma
corneta acoplada ao ânus.. Soltava um para cada menino. E se a Maria, mulher
dele, chegasse por perto e falasse alguma coisa ele dizia: esse é procê Maria:
PUNHINFUINNNNNNNNNNNNN. E a Maria saia depressa dali. Ai é que a coisa ficava
mesmo engraçada e a meninada quase morria de tanto rir. Ele não ria e fazia
isso com a cara fechada “No finalzinho falava: Agora turma de cambuquira lá vai
o miado do gato: PUNHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUU!!!
Certa vez, a Neli Furtado, então freguesa do Vicente Vilela,
próximo dali, ia passando quando o Henrique soltou um fumegante em forma de
toque de corneta.. E ela com os seus sapatos de salto alto, numa rua então sem
calçamento, ao adiantar o passo para fugir do vexame, ia caindo de solavanco e
foi salva pelo Geraldo do Orcilino que estava próximo e a salvou de uma
vergonha maior. E nessa hora o Henrique não ficou sem fazer o seu comentário
sucinto:“Viu só? A muié virou um peido”.E ela nunca mais se transitou pela
porta do Estafeta Bufão.
Era muito bom ser uma cambuquira
Armando Melo de Castro
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
MEU IDOLO NILTON SANTOS.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
COMO GANHAR DINHEIRO NO JOGO DO BICHO.
“Se eu ganhar, eu ajudarei os pobres e necessitados. Ao morrer, vou deixar todo o meu povo bem rico.”
Já que tudo neste mundo faz parte da criação divina, eu acho que Deus, ao inspirar o homem a jogar, quis dar a ele a ilusão, a esperança, o desejo, quem sabe, de ter algo aparentemente feliz a fim de que este pudesse sonhar de olhos abertos e, assim, realizar os desejos que a ambição lhe confere.
Quando o premio de loteria fica acumulado, gente que nunca jogou joga na esperança de realizar um sonho impossível. Mas, na verdade, quem realiza o sonho é apenas uma pessoa ou um pouco mais. E aqueles que jogaram, sonharam em um curto espaço de tempo. As pessoas não compram bilhete de loteria, elas compram uma ilusão, a esperança de se ver nadando no ouro, fazendo o bem ou fazendo o mal. Há muitos que ganharam e não souberam lidar com o dinheiro e acabaram se dando bem mal. Sempre temos notícias de pessoas que ganharam, ficaram muito ricas e voltaram, rapidamente, a ser pobres.
Certa vez, o Mozart Sidney me disse que o dinheiro não tolera desaforos nem pouco caso. E quem o tem com fartura pode ser que faça isso.
Viver não é fácil. Todo mundo sabe disso. O pobre pensa que a vida do rico é boa, enquanto muito rico daria tudo para viver uma determinada paz que pertence a um pobre. A verdade é que ninguém está plenamente satisfeito. O poeta, Vicente de Carvalho, disse muito bem que a felicidade esta onde a pomos, mas nós nunca a pomos onde estamos.
O jogo, naturalmente, é a rota mais fácil de chegar à riqueza, remediar ou ganhar algum dinheiro sem muito sacrifício. Na verdade, aquele que joga está atrás de facilidade para por a mão no vil metal precioso. Todavia, existem diversas outras trilhas que, também, levam o tiro a sair pela culatra. E para que isso não aconteça, é preciso ter sorte e muita fé.
O sonho de todo jogador é ter o poder de adivinhar os números da sorte ou uma forma de saber o resultado de um jogo antes de proceder à aposta. O jogo do bicho é o jogo de maior acessibilidade às pessoas. Nele, jogam os idosos, os jovens, as mulheres e os homens, enfim, todo mundo faz a sua fezinha por causa do relacionamento do homem com os bichos e por ser de fácil entendimento.
João Passatempo foi um candeense cambista do jogo de bicho e vendedor de bilhetes de loteria. Era um idoso alto, magro, barbeado, cabeça coberta por um chapéu da aba estreita, friorento, mesmo no calor estava com um cachecol enroscado no pescoço. Vivia dizendo que não comia marmelada de lata porque era feita de puro chuchu. Dizia, também, que se deixasse uma lâmpada acessa em meio a uma laranjeira, com certeza, ela daria frutas fora do tempo. Dizia ainda que a Bíblia Sagrada estava toda errada. Certa vez, eu o ouvi dando ênfase a esse comentário:
---Onde já se viu gente! Jesus Cristo ter ficado quarenta dias e quarenta noites sem ‘cumer’? Só foi sinti fome dispois desse jijum? E eu vou acreditá nisso? Ele era santo, mais era home, uai!... Ele pudia tê murrido de fome. E o diabo oferecendo terra prá ele? Ele num era o fio do dono? (Mateus 4:l.3)”
João Passatempo disse, em determinada época, que teria inventado um jeito fácil de ganhar no bicho, mas, que ensinaria apenas a quem jogasse com ele. Numa roda de fregueses jogadores, ele explanou a sua ideia de forma restrita, pois o banqueiro, Altamiro Guimarães, não poderia, jamais, tomar conhecimento da grande descoberta.
--- Óh, gente! Eu vô insiná proceis, mais boca de siri, hein! Se arguém discubri a minha invenção, eu vô sabê que saiu doceis. E aí, a vaca vai pu brejo e ninguém ganha nada. Esse jeito qui eu inventei de ganhá no bicho eu divia ficá quêle só prá mim, mais, como oceis é tudo meu amigo, eu tô insinano. Mais oceis tem que jugá cumigo. O jeito é esse: Tem vinte e cinco bicho, num tem? Intão parte com o bichero, o Miro. (Miro era o banqueiro) Joga 12 e dexa 13 prá ele. E eu quero vê se ele vai ganhá muito igual ganha... Cê perde num dia, mais ganha no ôto, ou intão, joga só nos bicho de pena e dexa os de coro, ou intão, joga só nos de asa. Ninguém vai perdê, eu passei muito tempo estudando e martelano isso na minha cabeça e quero passá pá todo mundo. Eu, além de passatempo, passo pus otos sabiduria tamém.
“O insensato não tem discrição; só quer espalhar o que pensa.” (Pr 18:1)
Armando Melo de Castro
Candeias Casos e Acasos MG.





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