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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

MÁRIO GIANASI, UM NOME BEM LEMBRADO.

                                                              Mário Gianasi
 

A condição humana não tem mudado em si para melhor e sim para pior. Apesar dos avanços que o mundo atinge em termos de tecnologia e progresso, podemos notar que o poder que Deus deu ao homem em Gêneses, vem sendo acrescentado, contudo, o próprio homem vem sendo desmembrado da imagem e semelhança de Deus.

A cada dia podemos entender que o ser humano tem levado mais em conta o livre arbítrio para o mal; isso porque esse o torna mais alimentado da vaidade, da mentira, da criminalidade e da ganância. O poder que Deus lhe deu vem sendo usado para explorar os mais frágeis e o que impede a pobreza de ser combatida.

Estamos vendo que tudo na vida vem melhorando, menos o homem, que continua matando, roubando, traindo, mentindo e cometendo crimes de toda ordem. É triste saber que a mesma boca que produz o sopro e lastra uma brasa pode produzir um cuspe e apaga-la. Existem pessoas lastrando brasas ao invés de apaga-las... Tão triste, também, é ver a verdade ser trocada pela mentira; a honra pela desonra, a honestidade pela imoralidade... E o pior as vítimas são sempre os mais pobres.

A política, por exemplo, um modelo de poder sobre uma nação, vem sendo tomada por políticos, hoje em dia, tão difamados, tão criminosos, tão alheios aos problemas do povo... Eles se esquecem que são parte do povo que os elege. --- O homem é um produto do seu meio disse o filósofo suíço, Rousseau assim, sabemos que pode ser eleito até então honesto, mas a política tem o poder para transforma-lo num ladrão. Assim está a criatura humana.

Nem todos entram para a política e saem como entraram. Mas, não podemos entender que todos os homens são desonestos. O mundo ainda comporta pessoas de bem. Deus deu ao homem o livre arbítrio, mas nem todos partem para o lado do mal.

É uma felicidade quando podemos conviver e ouvirmos falar bem de alguém, que veio ao mundo e cumpriu o seu compromisso com Deus e que pode voltar para Deus com a alma lavada.

A nossa querida Candeias, por exemplo, apesar de registrar na sua história política, capítulos que não a isenta dos desencontros com a moral, podemos insistir, garantir e sentir, que sempre existiram e ainda existem homens de bem, honestos, excelentes filhos e pais de família. Homens que honraram os seus princípios familiares, cidadãos que se transformaram em políticos não para buscar o dinheiro fácil, mas para servir ao seu município e ao povo de sua terra.

Entre os bons cidadãos, brindados com a dignidade humana e que representaram a nossa história de Candeias, fielmente com os bons princípios com à cidadania, o trabalho, à família e os desígnios de Deus com lealdade, hoje, estaremos lembrando aqui o nome de nosso amigo, MARIO GIANASI um modelo de cidadania.

Mario Gianasi nasceu em Candeias no dia 12 de dezembro de 1933, descendente de pai italiano, filho de Emílio Gianasi, conceituado comerciante candeense e Dona Maria José Gianasi, tia do nosso querido Monsenhor Castro.

Após os seus estudos primários em Candeias, foi para Varginha, onde cursou no Colégio Marista. Concluindo os seus estudos naquela cidade, voltou para Candeias onde fez parte do quadro de funcionários da Casa Celestino Bonaccorsi. ---- Ao completar 21 anos de idade, Mario partiu para São Paulo, onde permaneceu por mais de 2 anos.

De regresso a Candeias, casou-se em 19 de outubro de 1957, com a jovem Lucy Lopes Pacheco, agora, Lucy Lopes Gianasi, filha do conceituado lojista e dono da Alfaiataria Lopes, Sr. José Pacheco Lopes e sua esposa Dona Nica Teixeira. Após o casamento, Mario foi com a esposa morar na comunidade da Boa Vista, onde se dedicou ao cultivo da terra e ao comercio, onde mantinha uma casa comercial.

Da união dessas duas famílias de melhor gema candeense, nasceram seis filhos, bem criados e bem orientados: Toninho, Aldo, Heloísa, Emílio, Adriana e Luciana. A sua presença e experiencia na área rural era de entendimentos, troca de ideias e orientação aos seus pares.

Gostava muito de um carnaval e assíduo frequentador do Clube Recreativo Candeense, onde fui funcionário e com ele tive muitos contados.

Estive por duas vezes na sua residência na boa vista em companhia do Miguelzinho da Mariquita, seu grande amigo, onde o Miguelzinho e outros companheiros, cantaram e tocaram violão, enquanto uma galinha cozinhava, organizada por Dona Lucy e esta foi uma noite inesquecível.

Mário era um esportista nato. Amava o futebol. A sala de sua casa era um verdadeiro acervo de fotos antigas do futebol Candeense. Ele foi jogador, organizador e um dos fundadores do Clube Atlético Candeense, como também organizou um time na sua comunidade rural. Amava o futebol. Certa vez eu conversando com ele na sua residência numa visita que lhe fiz, não muito antes de sua morte, ele contava a história de cada foto. E eu lhe falei: “Mário como eu gostaria de amar o futebol como você. E a sua resposta foi positiva e sorridente: “Eu gosto mesmo”.

Mário ficou viúvo em 2001, quando faleceu sua esposa e fiel companheira durante 43 anos.

Na política Mario Gianasi foi um dos mais conceituados representantes do povo. Durante muitos anos na sua época os vereadores não eram remunerados. Os vereadores praticamente pagavam para ser vereador. Mario foi um desses e nunca se omitiu. Foi um vereador honesto nas campanhas eleitorais e os seus feitos eram vistos por todos. Certa vez ele me contou fatos do tempo em que foi vereador, e eu lhe disse, me orgulho de ser seu conterrâneo e saber que o povo de Candeias tem um representante como você. Ele foi um grande defensor da ecologia e outras causas mais.

O espaço aqui é muito curto para falar de Mario Gianasi. O seu falecimento deixou Candeias mais pobre. Ele não foi um vereador qualquer, ele foi um senhor vereador, que lutou, trabalhou, e amava defender o município de Candeias e sua nação.

esta oportunidade eu quero deixar aqui um voto de louvor ao vereador Lindomar Ferreira, e aqueles que o apoiarem, pelo seu projeto de lei de denominar o prédio da Câmara Legislativa de Candeias, o nome de “Edifício Vereador Mario Gianasi”. Trata-se de uma homenagem justa a um homem que não se assentou numa dessas cadeiras da Câmara por acaso, ele trabalhou com o corpo e a cabeça em benefício do nosso município e do nosso povo. Mario não foi um simples vereador que será esquecido, ele poderá assim, ser sempre lembrado pelas gerações que virão e tê-lo como exemplo de homem público.

Faleceu no dia 26 de outubro de 2021, deixando a sua missão cumprida com louvor e foi sepultado com as honras que fazem jus ao seu nome.  – Onde quer que esteja, amigo Mário, receba o nosso abraço.

 Armando Melo de Castro.

sábado, 20 de novembro de 2021

LINDICO, UM CANDEENSE EXEMPLAR.

Não podemos nos descuidar do princípio da dignidade humana, isso porque é através dela que nasce entre nós a qualidade de ser um membro respeitável da sociedade. É preciso que estejamos atentos sobre os direitos do próximo; o respeito  para com os amigos e a família; para com o trabalhador e ou seja qualquer um que participe da sociedade e tenha como princípio a dignidade  humana.

É comum, é fácil ouvir alguém se julgar bom e cumpridor dos seus deveres como cidadão. Mas  ele só se completa levando em conta o seu comportamento digno. Infelizmente a nossa sociedade vem amparando homens que se medem pelo dinheiro. Se esnobam, e si acrescentam. Homens isentos de humildade e sem sinceridade

 Já disseram que há grandes homens que fazem com que os outros se sintam pequenos, mas a verdade é que grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes.

 E diante deste contexto, eu me lembrei de um cidadão candeense que enquadra nesses princípios tão relevantes para a vida bem recomendada. Princípios louvados pela fé cristã e pela sociedade e suas regras. Trata-se do candeense, senhor, Joaquim de Castro, conhecido e tratado em vida, carinhosamente por Iindico.

Nascido em Candeias no dia 24 de setembro de 1923.  Casou-se com a  senhora Irineia Pimenta de Castro e tiveram 06 filhos: Joaquim Carlos de Castro, (em saudosa memória) Antônio João de Castro, Maria Conceição de Castro, José Pimenta de Castro, Filomena Maria de Castro Vilela e Paulo Santos de Castro. Dessa prole tiveram 17 netos e 06 bisnetos.

Lindico pertencia a ramificação da família do nosso saudoso Monsenhor Castro. Eram primos de primeiro grau netos do patriarca da família Castro, senhor Joaquim Carlos de Castro e Dona Rita Carolina de Castro. Teve a sua vida toda dedicada ao ramo de fazendeiro, na comunidade de Bugios, na fazenda Santa Cruz onde viveu até o final de sua vida.

Lindico foi um pai, um amigo, um cidadão exemplar. Um homem que apesar de residir na zona rural, era cheio de amigos na cidade. Ele naturalmente não poderia andar apressado, porque era cercado pelos amigos. Era sempre visto dando a sua melhor atenção para quem o cercava. Possuidor de uma cultura natural admirável. Foram poucas as vezes que com ele pude trocar conversas, mas foram o suficiente para entende-lo e perceber a sua grandeza, como cidadão, como amigo e pai de família.

Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Pois sim. O nome de Lindico na boca do povo sempre foi do maior respeito, da maior consideração, da maior gentileza. O seu falecimento deixou muitos candeenses sentidos, e com toda a certeza deixou, também, a nossa cidade mais pobre.

Apesar de termos sobrenome iguais, somos de famílias diferentes, mas  certa vez, num encontro que tivemos, ele num gesto carinhoso, me disse, por que não sermos parentes?

Senhor Lindico, receba o meu abraço e com certeza de um grande número de Candeenses que tanto o admirava.

Falecimento no dia 12 de junho de 2013 e está sepultado no cemitério São Francisco, em Candeias.

Armando Melo de Castro.

 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

A BOLACHA MARIA.

Eu deveria ter uns 7 ou 8 anos, quando certo dia vi meu pai chegar a casa carregando uma lata de uns dez quilos mais ou menos. Ele havia feito um negócio com alguém que trabalhava na ferrovia e teria recebido o conteúdo daquela lata como parte do pagamento.

 A ferrovia nesse tempo tinha um armazém volante num vagão que abastecia os ferroviários nas suas turmas. E o que continha dentro daquela lata tão bonita, e trazida pelo meu pai com um sorriso nos lábios diante da curiosidade minha e de minhas irmãs Delmira e Maria Amélia?

 Era um “mundo” de Bolacha Maria. ---- Até então nunca tínhamos visto aquela bolacha. A gente estava acostumado a comer era os bolos de fubá, que a minha mãe fazia, o pão São José (sovado) o pão tatu, a rosquinha e o pãozinho de sal das padarias do Mozart e do João Pimenta. Aliás, naquele tempo as padarias só produziam esses quatro tipos de pães. Quitanda só com as quitandeiras, Dona Maria do Juca, Iraídes do Zé do Leonides, e outras mais que também faziam salgados. Esses produtos industrializados eram raros e caros.

 A abertura daquela lata foi uma verdadeira festa. Minha mãe coou um café, tomou de um prato para cada um com uma boa porção daquelas bolachas até então desconhecidas. Foram muitos dias comendo bolacha Maria. Aquele nome familiar da bolacha, parece que a fazia ainda mais gostosa. Maria Amélia minha irmã ficava toda orgulhosa da bolacha ter o nome dela.

 Mas afinal ,hoje em dia será que existem pessoas que não conhecem a bolacha Maria? Isso parece até ser coisa de português, mas não é.

 Segundo a literatura a bolacha Maria faz parte do imaginário de várias gerações de portugueses, mas a invenção desta bolacha é inglesa. Ela foi inventada por um padeiro inglês no ano de 1874 em honra da grã-duquesa MARIA ALELXANDROVNA, da Rússia, que nesse ano se casou com Alfredo, duque de Edimburgo. Contudo, muitos países se apropriaram desta bolacha. Portugal foi um deles onde são mais populares do que na Inglaterra. No Brasil são várias a industrias que a produzem.

 Armando Melo de Castro.

 

DONA NADIR PORTUGAL.


 A história do circo vem de longe. Segundo a Wikipédia, chineses, gregos, egípcios, indianos, ou seja, quase todas as civilizações antigas já praticavam algum tipo de arte circense há pelo menos mil anos. No princípio a atração principal eram as corridas de carruagens, mas, com o tempo, foram acrescentadas as lutas de gladiadores, apresentação de animais selvagens, pessoas engolindo fogo etc. ---- Com o passar do tempo o circo foi se transformando, com trapezistas, palhaços, mágicos, animais domesticados, teatro e outras atrações.

A Praça Antônio Furtado em Candeias, já foi chamada de “A Praça do Circo”. Durante anos ali estacionavam esses itinerantes, os chamados circos de cavalinhos, os parques de diversões, e os circos de touradas. Vários foram os circos que estiveram em Candeias e depois voltaram. Às vezes saia um circo, entrava um parque, ou vice e versa. Nesse tempo não havia televisão e essas atrações se lotavam, principalmente os circos que tinham um bom grupo teatral.

E foi num tempo assim, que apareceu em Candeias um Circo fazendo sucesso com a sua trupe de artistas muito bem ensaiada e muito apresentável. Era uma companhia familiar, e entre os irmãos havia uma moça muito bonita e excelente atriz dramática. Seu nome era Nadir filha do proprietário do Circo que se chamava CIRCO PORTUGAL. Em Candeias havia um jovem bonitão, inteligente, violonista clássico, já havia rodado por São Paulo e Rio de Janeiro, solando violão em emissoras de rádio. Esse jovem se chamava Vicente de Melo, conhecido por Vicente do Augusto..

Ao ver a atuação da atriz Nadir, apaixonou-se por ela. --- Como era de boa conversa, não demorou estava ele lá no palco do circo solando o seu violão, o que naquele tempo um solo de violão clássico estava na moda. ---- Saiu acompanhando o circo e voltou casado com a Sra. Nadir Portugal.

Muitos anos depois o Circo Portugal voltou a Candeias. Desta vez eu me lembro bem. Ele foi armado ao lado do Cemitério São Francisco, nos fundos da casa do Sr. José Orlando Vilela. Ali havia uma grande área, onde se plantava uma roça de milho. Foi ali que o Circo Portugal foi armado e apresentou poucos espetáculos. ---- Era preciso ver o entusiasmo de Nadir lá no Circo. Foi como se tivesse encontrado algo que havia perdido. Vicente, como sempre, prestativo é quem estava na bilheteria.

Esta é uma bela história de amor. ---- Nadir abandonou a sua arte, a sua vida de artista, a sua família por amor. Candeias nesse tempo era uma cidadezinha, sem recursos, praticamente dependia de Campo Belo para tudo. Nadir Portugal fez isso por amor. Seu marido, com certeza, foi muito amado e seus filhos verdadeiros frutos do amor. Uma história linda de um verdadeiro amor pouco vista nos dias de hoje.

Era de minha intenção colocar no nosso Blog Candeias Casos e Acasos um texto que retratasse essa história em detalhes. Eu procurei a Sra. Nadir para falar desse assunto, mas ela não me reconheceu e não quis me atender. Pedi, posteriormente informações a alguns dos filhos, mas esses não voltaram ao assunto. Portanto, esse texto fica a disposição para alterações, modificações ou retiradas.

ARMANDO MELO DE CASTRO.

NB) Existe uma dúvida se o antigo professor Portugal, cujo nome leva uma rua de Candeias, tem algum parentesco com a senhora Nadir Portugal. ---- A existência do professor Portugal em Candeias foi muito antes da passagem do Circo Portugal em Candeias, ou seja, da chegada da Sra. Nadir Portugal. ----- Ele era muito amigo do meu bisavô Domiciano de Castro, que era o procurador do patrimônio da Igreja. Os dois partiram de Candeias para buscar em Ribeirão Preto, técnicas de plantio de café. O Professor Portugal não voltou para Candeias. Portanto, estamos em busca de informações de quem foi realmente o professor Portugal.

NB 2) ---- O Circo Portugal encontra-se em plena atividade e muito se progrediu.

A.M..Castro.


terça-feira, 5 de outubro de 2021

O JUIZ DE PAZ, JOSÉ FERREIRA BRASIL.


 O homem, apesar de ser considerado racional e ocupar o primeiro lugar na escala zoológica, é um animal complicado como muitos irracionais. --- Comumente estamos ouvindo alguém dizer: “Eu não levo desaforos para a casa” --- “A vingança é um prato para ser comido frio” --- “ Eu carrego comigo uma mágoa” o comportamento violento e muito mais coisas que possam retratar a sua aparência com os irracionais. 

--- A ciência já provou que o sistema nervoso dos homens tem semelhança com certos animais mamíferos. São semelhanças impressionantes, assim como o sofrimento por amor, a capacidade de confortar o outro, o desejo de vingança, o amor materno, o senso de justiça, o medo, a dor não são sentimentos exclusivos do ser humano. Tudo isso nos leva a crer que viver não é fácil, é bastante complicado  e apesar da organização social do ser humano, vivemos sempre em conflitos de forma bem parecida com os animais irracionais.

Mas em meio a esta sociedade complicada de animais racionais e irracionais, sempre existem aqueles que entre os animais irracionais, aparecem os diferenciados. Podemos levar em conta que entre os animais surgem os dóceis, domésticos, assim como o cachorro, o gato, o macaco que podem ser agressivos, mas que convivem com o homem de forma agradável. Portanto, existem animais mansos e os ferozes; dóceis e selvagens. Já o ser humano, muitas das vezes se comportam como animais apenas com qualificações diferenciadas como, brutalidade e tranquilidade, maldade e bondade.

Neste contexto social a sociedade humana criou há séculos, um mensageiro da paz; o Juiz de Paz. ---  E entre os escolhidos pela sociedade candeense para exercer esse cargo, houve um cidadão cujo nome não pode ser esquecido nunca. Um homem de paz e respeito, humilde e justo. Alguém cuja natureza já demonstrava a eficiência para conviver  levando a paz onde houvesse a contenda. E assim teria sido escolhido através do principio majoritário, para o mandato de quatro anos, pelo voto do povo e secreto, o Juiz de Paz, Sr. José Ferreira Brasil.

José Ferreira Brasil, nasceu no distrito de Vieiras Bravos, município de Candeias,  filho de Francisco Ferreira Neto e Claudiana Maria de Jesus. Descendente de família humilde e ainda muito jovem transferiu-se com a família para Candeias, onde seu pai estabeleceu-se como vendeiro. --- Casado com Dona Carmélia e tiveram apenas um filho, o Sr. Ari Ferreira Brasil. Todos já falecidos.

José Ferreira Brasil era irmão do Sr. Alvino Ferreira. E por que o sobrenome Brasil? Acontece que em Candeias havia diversos cidadãos com o nome de José Ferreira, e isso era uma tremenda confusão para os correios. Portanto, como sugestão do então tabelião do Registro de Nascimento, Sr. Álvaro Teixeira, o nome de José Ferreira passou a José Ferreira Brasil, uma alteração que deixou José Ferreira muito feliz, e nada mais justo a palavra Brasil acrescida em seu nome, pois José Ferreira era um cidadão dos mais íntegros de nossa sociedade.

José Ferreira Brasil transpirava a paz entre as pessoas. Conselheiro, amigo, calmo e tranquilo. Um tom de voz que transpirava a paz. Ele residia na casa onde hoje mora o Sr. Euridinho, na esquina da Rua Joaquim Carrilho com Francisco Bernardino. Ali José Ferreira era estabelecido com uma pequena venda, onde comercializava todo tipo de miudezas. – Lembro-me era lá que eu comprava as penas e os tinteiros com a marca sucuri. José Ferreira era muito agradável às crianças. Toda vez que lá a gente ia comprar algo ele dava uma balinha. Um gesto de carinho que uma criança jamais esquece.

O comportamento íntrego de amor e paz de José Ferreira Brasil o levou a ser convidado a se candidatar para Juiz de Paz do município. --- O Juiz de Paz nesse tempo era um auxiliar da justiça, ele não era apenas designado para efetuar casamentos, e sim para exercer tarefas da própria justiça, como conselheiro, acalmar ânimos, levar a paz para casais desajustados, enfim, proteger crianças desamparadas e idosos. Era uma missão complexa, inclusive substituir o Juiz de Direito nas suas férias. --- O Juiz de paz era eleito através de um preito majoritário para mandato de quatro anos pelo voto direto e secreto do eleitorado do município podendo se reeleger-se. O nosso querido conterrâneo, muito contribuiu com a nossa sociedade. Sua casa era um verdadeiro gabinete de trabalho, onde as pessoas buscavam informações, orientações, ajuda para conflitos, crianças desamparadas.

Compete ao juiz de paz, do qual não se exige uma formação jurídica, exercer diversas funções judiciais, como pequenas causas ou demandas, casamentos, como também resolver contendas proteção de crianças e muitas outras funções. Contudo esta função é cheia de controvérsias tendo em vista que cada Estado tem o seu critério. --- É lamentável que tanto os tribunais quanto a união há 28 anos não cumprem a regra constitucional quando que o Juiz de Paz que tem que ser eleito pelo povo, como antigamente, através do voto secreto e direto do povo. Parece que essa lei incomoda a justiça. ----  hoje vem sendo nomeados pelo juiz da Comarca a que pertence, e são praticamente limitados a fazer casamentos, quando deveriam ser eleitos pelo povo.

José Ferreira Brasil, foi eleito pelo povo e um juiz de Paz completo, num tempo em que as regras para a eleição de um juiz de paz eram cumpridas.

Tenho muito boas lembranças do Sr. José Ferreira Brasil, de sua esposa Dona Carmélia e do seu filho Ari Ferreira Brasil. ---  Onde quer que estejam, meus bons amigos, recebam o meu abraço.

Armando Melo de Castro.

 

AFINAL, QUEM FOI SALATIEL DE CARVALHO?


 
 Semana passada postamos um texto onde procurávamos saber quem seria Salatiel de Carvalho, o nome da Rua onde foi situado o conglomerado industrial e comercial do Sr. Nicodemos Salviano. Ali ainda se encontra os rastros desse conglomerado, que nos transporta ao passado, e nos faz lembrar o quanto aquilo ali representava para Candeias, num tempo em que praticamente tudo tinha que ser buscado em Campo Belo ou Formiga. ----

O nome da Rua Salatiel de Carvalho, deixava uma grande dúvida, inclusive para os seus moradores. Mas agora já sabemos que se trata de um importante nome participante da história de Candeias e que a propositura do seu nome foi justa e merecida por ocasião da emancipação do nosso município de Candeias.

Através da Sra. Barbara Salviano Vilela, filha do Sr. Nicodemos Salviano, residente na cidade de Ribeirão Vermelho, viúva do Sr. João do Candola, neto do Sr. Bieca, ficou esclarecida a origem do Sr. Salatiel de Carvalho, com a ajuda de sua bisneta Bernadete Vilela.

--- Resta-nos, portanto, esperar que a Secretaria de Cultura da Prefeitura de Candeias, aproveite essa nossa pesquisa e coloque nos anais do município esta observação, para que esse nome não morra, tendo sido salvo por pouco. ----

Mas afinal, quem foi Salatiel de Carvalho? Trata-se do patriarca de uma ramificação tradicional da família Carvalho em Candeias. --- Sua esposa se chamava Dona Amélia. ---- Um dos motivos do desconhecimento do nome Salatiel de Carvalho, é porque ele era conhecido por BIECA, era o seu apelido. --- Um grande participante da construção da nossa história. Era farmacêutico e teve a sua farmácia no tempo em que Candeias ainda era um distrito de Campo Belo. Esta farmácia ficava localizada onde hoje, está estabelecida a Casa do Vaqueiro.

 Neste texto vamos citar os nomes dos filhos cônjuges e netos. Com isso ficará fácil para espalhar os nomes dos demais descendentes; isso fará com que o nome Salatiel de Carvalho se torne bem lembrado.

São filhos do Sr. Salatiel de Carvalho (Bieca) e Dona Amélia, os abaixo mencionados dos quais tenho notícia:

--- Antônio do Bieca, (não o conheci) casado com Dona Maroca, eles tiveram uma filha única, a Zulma. --- Lembro-me de que quando o novo Cine Circulo Operário São José teve o seu novo tempo, na entrada do cinema tinha a lanchonete de Dona Maroca, já viúva. Ali ela e sua filha ficavam o dia todo, onde bordavam enquanto aguardavam os fregueses da lanchonete; e a noite na hora do filme, era um grande movimento, pois da entrada do cinema a gente comprava por uma abertura na parede onde fazia o contato. ---- Posteriormente ela levou a sua lanchonete para a sua residência, onde teria sido estabelecido a farmácia, cujo cômodo encontrava-se vazio há muitos anos. Como a morte de Dona Maroca, a lanchonete foi fechada e Zulma mudou-se para Campo Belo onde tinha parte de seus parentes, e o local passou a ser o Restaurante Pinguim, do Lulu. Hoje casa do Vaqueiro.

 Dona Mariquinha, filha do Sr. Bieca, casada com o Sr. Candido Alves Vilela, mais conhecido por Candola, pais da Mariquita do Miguel Carrilho, Geralda, Aldinha, Samina, João, Balofo e Pedrinho do Candola. São os netos mais conhecidos do Sr. Bieca.

Juca do Bieca, (Este também eu não conheci) casado com a Dona Maria Barros, minha grande amiga, a qual era conhecida por Maria do Juca do Bieca. (Observem que Candeias é assim, carinhosamente quase todo mundo tem um dono) Juca do Bieca e Dona Maria tiveram os filhos, Carmélio, Iveta, Quinha, Zezé e Wanderley.

Sebastião do Bieca, esse eu conheci, era um baixinho que falava alto, gostava de tocar violão e cantar, sua música preferida era “Aquela Flor” – Eu era ainda um adolescente, mas me lembro bem dele. Não me lembro se era casado ou se tinha filhos.

Este texto é como se estivéssemos salvando o nome de alguém importante quase que esquecido. É lamentável que em Candeias não existem registros das pessoas que participaram da nossa história. Antigamente o nome era escolhido através de benfeitores, pessoas que fizeram algo para o município. Hoje, parece que isso vem sendo mudado, infelizmente. Não se dá a César o que é de César como no passado. --- Hoje dá-se para outros o que seria de César.

 Eu quero fazer um apelo para quem tiver outras informações sobre filhos e netos do Sr. Salatiel de Carvalho, para que possamos acrescenta-las aqui.

 Armando Melo de Castro.

domingo, 19 de setembro de 2021

RUA SALATIEL DE CARVALHO.


    Esta foto me transporta a um passado bem distante, ainda na década de 50. Lembro-me muito bem quando esta pequena rua do centro de Candeias era bastante movimentada. É a Rua Salatiel de Carvalho, onde situava o conglomerado de indústria e comercio do Sr. Nicodemos Salviano, mais conhecido, então, por Nico Pacheco, já comentado no nosso Blog, Candeias MG Casos e Acasos:

 https://candeiasmg.blogspot.com/2010/10/nicodemos-salviano.html

 Esta área, hoje, esquecida não merece ser esquecida porque representou muito para a história de Candeias. ---- O nome do Sr. Nicodemos Salviano, um homem de espirito empreendedor, é merecedor de um lugar de destaque na história de Candeias.

A grande parte da Rua Salatiel de Carvalho era tomada pela sua residência e o seu conglomerado industrial e comercial, que atendia Candeias nas suas muitas necessidades, o que fazia desta rua ser muito movimentada. ----- Ai nesse local, funcionava máquina de beneficiar arroz, onde tantas vezes eu fui comprar quirela de arroz para as galinhas lá de casa; serraria, marcenaria, fábrica de ladrilhos, torrefação do café “NS” uma das primeiras torrefações de café da região. Venda de cimento e outros materiais, além da fabricação de caixão de defunto num tempo em que Candeias não possuía funerária.

O Sr. Nico Pacheco foi um homem admirável e muito inteligente. Além de um grande empreendedor foi um grande colaborador com a história de Candeias, também na política, pois muito colaborou com o Dr. Zoroastro Marques da Silva, na emancipação do município. Foi Construtor Licenciado, tendo sido o construtor do prédio do cinema e com grande participação na Igreja Matriz, além de ter sido o responsável por diversas construções na cidade.

Esta rua tem o nome de Salatiel de Carvalho. Mas afinal quem foi Salatiel de Carvalho? Ninguém sabe... Eu não encontrei esse nome em nenhum registro. Existe um deputado pastor crente, nascido em 1954 na cidade de Bacabal, ainda vivo, no interior do Maranhão, e que não tem nada a ver com Candeias ou Minas Gerais.

Portanto, eu peço, por favor, a quem souber o motivo do nome dessa Rua, para que façamos uma avaliação. Esta rua merecia ter o nome do Sr. Nicodemos Salviano, pela sua contribuição à história de Candeias, nos momentos em que a nossa cidade muito precisou dele. ---- Quantas ruas já tiveram os seus nomes substituídos por nomes que praticamente não representaram quase nada para o município de Candeias, além de serem cidadãos de bem e amigos dos vereadores que indicaram os seus nomes? ---

Peço desculpas aos moradores da Rua Nicodemos Salviano. A minha opinião não retrata o fato da Rua estar ao lado do Cemitério São Francisco. É simplesmente por se tratar de uma rua completamente desencontrada com os méritos do Sr. Nicodemos Salviano, que viveu e labutou naquela rua viveu e labutou, quando muita gente a chamava de Rua do Nico Pacheco.

Eu gostaria muito de saber se Salatiel de Carvalho tem grande representatividade para Candeias, para que o seu nome esteja onde existe um merecimento maior de um nome que não pode ser esquecido. Tomo a liberdade de fazer esse comentário, porque na cultura política candeense já foram trocados diversos nomes de personalidades que colaboraram com a emancipação de Candeias, por nome de Candeenses que não tiveram praticamente nenhuma participação na vida candeense. E muitos candeenses históricos continuam com os seus nomes esquecidos.

Fica aqui o meu agradecimento antecipado aos que colaborarem com a dúvida deste texto.

Armando Melo de Castro.

sábado, 11 de setembro de 2021

ACONTECEU AQUI NESTA ESQUINA.


Amar alguém é se sentir dono de algo que não possui. Quando a pessoa se sente ferida no amor, é uma dor muito forte. É um sentimento que machuca e deixa uma cicatriz no coração que só quem a tem sabe sentir, porque cada coração tem uma forma de sentimento. ---- Eu entendo que ninguém deve interferir na vida amorosa de alguém. Afinal somos responsáveis pelos nossos atos. Quando alguém ama a um outro alguém, os conselhos raramente podem ser válidos, afinal como diz o rifão, o coração tem certas razões que a própria razão desconhece. É um erro violento aqueles que castram a liberdade de escolha de alguém sobre qualquer pretexto. Devemos entender que é muito melhor arrependermos daquilo que fizemos ao contrário daquilo que não fizemos. A liberdade é algo que o ser humano alimenta com o coração e não há quem não a entenda. Cumpre aos pais na infância de seus filhos orienta-los sobre o respeito e mostrar-lhes a estrada do bem e do certo. Porque muita das vezes, os erros dos filhos acontecem por falha dos pais que tentam corrigir os filhos, mas ai já será tarde demais.

Eu contava mais ou menos uns 12 anos de idade e numa manhã de domingo, quando eu ia para a missa das 8 horas na Igreja do Senhor Bom Jesus, quando me deparei com um acontecimento triste, bem na esquina onde se encontra a residência do Sr. Miguel Albanez (Biribico)

Um casal de namorados conversava feliz da vida. Quando surge, vindo do lado da Escola Padre Américo, o pai da moça, um senhor que tinha o nome de Lacinho. ---- O Sr. Lacinho tinha um rompante forte; morava na zona rural e tinha hábitos extremamente agressivos. E quando bateu os olhos no casal bradou em voz alta:

“Eu já te falei que num quero vê ocê namorando nas isquina. E ainda namorando vagabundo! E ocê pode sumi das vista dessa fia disrregrada. Fia minha ocê num namora não seu trem ordinário! Eu num vô cum a sua cara! Quela ocê num vai casá nunca. Um trem que num tem onde caí morto, qui vive cagano pá jantá... Ocê que só relá. Eu num puis fia no mundo pra vagabundo relá não... E ocê sua bisca, toma seu rumo. Pode tirá o cavalinho da chuva porque com esse trem ruim ocê num casa memo. Se fosse bão tinha ido lá in casa pidi pá namorá. É mais faci ocê tê que sumi lá de casa do que casá com esse trem.”

Eu fiquei assistindo aquele espetáculo que naquele tempo para mim foi uma comédia dada a minha juventude. Mas hoje, quando me lembro disso, é como se lembrasse de um drama muito triste. Chego até ao ponto de sentir um pouco de remorso por ter achado graça. --- Eu, então, não conhecia o sentimento do amor, interessei-me, apenas, por aquela agressão sem defesa. Eu não conhecia o choro interno dos adultos, portanto não fiz a mínima ideia do que se passava por dentro daquele casal de namorados. ---- O tempo passou, e hoje me emociono e sinto o que deveria ter sentido naquele momento e não senti. Na infância e na juventude, cometemos enganos que um dia virão nos servir de lições.

Eu nunca me esqueci daquele espetáculo; daquela humilhação; daquele jeito violento de tratar uma filha e um candidato a namoro. Até hoje quando me lembro disso, vem à tona de minha mente, a moça tirando do pescoço um cordão de ouro que o rapaz com certeza a teria presenteado e lhe foi devolvido. E os dois chorando, quando um seguiu rua abaixo e a outra passou à frente e acompanhou o pai para a igreja.

Era uma moça com mais de vinte anos. Eu nunca mais a vi com outro namorado. E o rapaz, posteriormente casou-se e enquanto os meus olhos o vigiaram me parecia ser muito feliz com a sua esposa e seus filhos. Era trabalhador e respeitado na cidade. O tempo o fez sumir de minhas vistas. Mas, o triste fato continua guardado nos fundos dos meus olhos e nunca foi esquecido.

A violência verbal, às vezes, machuca mais do que a violência física. Esta foi uma das grandes lições que a escola da vida me deu. Ver um pai estragar a vida de uma filha pensando que estava lhe fazendo algum bem, ou decidindo por ela aquilo que deveria ter sido dela.

 

Candeias MG Casos e acasos.

Armando Melo de Castro


sábado, 4 de setembro de 2021

SILVESTRE TEIXEIRA, UM EXEMPLO DE CIDADANIA.


                                                                       Silvestre Teixeira

Dizem que o homem é um produto do meio. Um meio, todavia, feito pelo mesmo homem, no sentido de viver bem sob a disciplina da sociedade através do conservadorismo dos bons princípios e das melhorias da evolução humana. Portanto, podemos partir pelo pressuposto de que a base fundamental de uma  sociedade deve ser o amor, a honra, a solidariedade, o respeito dentro da sociedade, cumprindo fielmente as leis e tratando o próximo como gostaria de ser tratado. --- Lamentavelmente nos dias atuais os princípios da dignidade humana estão sendo deturpados, diante da ambição, da ganancia, da desonestidade que vai a cada dia se espalhando de cima para baixo.

Hoje, vamos fazer a nossa simples homenagem a um candeense que cumpriu rigorosamente todos esses princípios éticos que orientam a maneira correta de ação do ser humano. Vamos falar um pouco de um homem que além de ser um rigoroso cumpridor de seus deveres, foi um grande exemplo de cidadania e pai de família. Vamos falar do senhor: SILVESTRE TEIXEIRA DE OLIVEIRA.

Silvestre, também conhecido como Vete, nasceu em Candeias no dia 13 de fevereiro de 1912 e faleceu em 19 de setembro de 2012. Viveu portanto, 100 anos, 7 meses e 9 dias. Filho de João Evangelista de Oliveira, e Dona Ana Theodora Gomide, (Dona Sinhana). ---- Casou-se no em 1941 com Maria Gonçalves de Oliveira, a nossa tão querida Mariinha do Vete, filha de Alfredo Gonçalves Sant’Ana e Dona Joana Militana Rodrigues, (Dona Joanica). Um casamento que durou 71 anos de uma perfeita união, quando constituíram uma família de 10 filhos, 23 netos e 14 bisnetos até hoje. Dona Mariinha faleceu em 2016 aos 92 anos de idade. Grande mulher, esposa e mãe extremamente dedicada.

A família Teixeira, cuja linhagem é uma das mais tradicionais e conceituadas de Candeias, sempre honrou a nossa sociedade, com cidadãos exemplares, honestos, trabalhadores e merecedores de todo o respeito. E Silvestre Teixeira e sua esposa Mariinha foram um dos grandes modelos da nossa sociedade. Uma família  cujos filhos seguiram os bons exemplos da paternidade.

Silvestre foi durante 35 anos o contador do conglomerado do Sr. Celestino Bonaccorsi, que reunia várias atividades inclusive a Empresa Força e Luz Candeense. Foi um funcionário muito inteligente, eficiente e  prestativo. – Lembro-me de que certa vez, eu precisei de uma carta de apresentação de uma casa comercial, e não faltou quem me orientasse dizendo: “Isso é com o Silvestre lá no Bonaccorsi”. --- Silvestre fez para mim uma carta tão bonita, me elogiando e eu guardo até hoje os termos desta carta, o que me fez ser a ele eternamente agradecido.

Depois de prestar seus bons serviços durante 35 anos ao Grupo Celestino Bonaccorsi, ainda prestou serviços à  Prefeitura de Candeias. --- Aposentou-se aos 70 anos de idade. ---  Silvestre foi um candeense na essência da palavra. Era um entusiasta pela nossa terra, a nossa querida Candeias. Participava de tudo como cidadão inato. Não negava um favor que se lhe  fosse solicitado, sempre dava aquele seu sorriso meio sorrateiro de menino arteiro, dependendo do pedido. Colaborava com a documentação para aposentadoria de muitas pessoas; desembaraçava escritas e tributos dos pequenos comerciantes das roças e da cidade. Não recebia nada por esses serviços, se satisfazia com o respeito que essas pessoas nutriam por ele.

Silvestre era totalmente desprendido das coisas. Foi delegado de partido político; colaborador na Vila Vicentina. Participante do Cursilho de Cristandade. E era um assíduo participante do Grupo da 3ª idade, nos bailes no prédio do Rotary, na Rua Pedro Vieira de Azevedo. A presença dele e da esposa Dona Mariinha nesses encontros incentivava muitas  outras pessoas. --- Era agradável vê-los descer e subir a rua  da minha casa indo e voltando do baile todas as quartas feiras.

No esporte a paixão de Silvestre Teixeira era a Associação Esportiva Candeense, cujo campo da AEC antigamente era no Alto do Cruzeiro, atualmente campo do Clube Atlético  Candeense. --- Quando a AEC veio a construir o seu estádio para mais próximo do centro da cidade, indo para a baixada da Lage onde hoje se encontra. ---- Imaginar a construção de um campo de futebol naquele local poderia ser imaginado uma loucura. Lembro-me que ali era um brejo, onde até um trator esteve atolado durante a sua construção. Foi preciso fazer ali um imenso trabalho para drenar a área. Os torcedores contra a AEC diziam que ali teria uma grande torcida que seria os sapos, as rãs e as pererecas. Quintino enfermeiro, gostava sempre de dizer como seria as torcidas lá naquele campo: Os sapos gritariam:  “Foi gol, foi, foi gol, foi gol”, e as rãs protestavam, num “num foi, num foi, num foi” e as pererecas no seu canto, vinham, “um a zero, um a zero um a zero”. ---- E quem estava sempre por lá em qualquer uma de suas folgas? Silvestre!... Silvestre amava a Associação Esportiva Candeense e muito fez por ela. --- E num reconhecimento justo, mais do que justo, o Conselho, sobre a sugestão do Sr. Wander Bonaccorsi, (O Wandinho do Américo um dos bons jogadores da AEC) deu o seu nome ao estádio: “Estádio Silvestre Teixeira”.

Por ocasião de seu centenário, Silvestre recebeu uma linda homenagem de reconhecimento pelo quanto fez pela Associação Esportiva Candeense, quando até o uniforme dos jogadores eram lavados em sua casa.

Atualmente não reside em Candeias nenhum dos filhos de Silvestre Teixeira. Estão espalhados por diversos pontos, naturalmente espalhando esta herança moral que tiveram dos pais, estão 1 em Tocantins, 1 em Brasília, 3 em Divinópolis, 2 em São Paulo, 1 em São João Del Rey e 2 em Campo Belo. Contudo, o estádio é cuidado com  desvelo pelo sobrinho Wellington Marques e seus companheiros.

Na vida construímos  a cidadania com o convívio. E o sucesso e a felicidade só conseguimos construindo através de uma cidadania levada a sério. Assim foi o comportamento saudável por mais de 100 anos do nosso conterrâneo e amigo Silvestre Teixeira.  Um cidadão que viveu uma vida exemplar por mais de um século. Lembro-me, nas minha idas a Candeias, ele já debilitado pela idade, fiz-lhe uma visita e ainda consegui arrancar dele aquele sorriso sorrateiro, de menino arteiro. ---

Onde quer que esteja meu caro Silvestre, o Vete da Mariinha,  receba o meu abraço e muito obrigado por ter nascido em Candeias, por ter deixado o seu grande exemplo, o seu belo modelo de um homem de bem.


Armando Melo de Castro.


terça-feira, 17 de agosto de 2021

CANDEIAS, FONTE DE EXEMPLOS CRISTALINOS.

 O cavalo é um animal lindo e muito elegante; é um animal cujo relacionamento com o homem tem uma história intensa, diversificada, e o espaço aqui é minguado para falar muito sobre ele. Trata-se de uma história interessante e eu recomendo às pessoas que gostam desse animal, que procure conhecê-lo desde a sua origem. ---- Durante muito tempo o cavalo foi apenas meio de transporte, e dada a sua força ainda é muito usado pelo trabalho na zona rural. Mas nos dias atuais ele vem sendo transformado, também, como lazer e como animal de companhia e estimação. --- O homem cria a galinha porque ela lhe dá o ovo; a vaca porque lhe dá o leite o boi porque ele dá a carne, assim como outros animais. Mas cá entre nós, o cavalo morre de velho.

Belo e de postura elegante vem tomando espaço no coração do homem. Portanto ele se une com a alma do cavaleiro. Reparem pois, o rosto de alguém que cavalga;-- ele só não ocupa o mesmo espaço do cachorro tendo em vista as proporções. Quem já viu um cavalo domesticado com certeza ficará encantado. Além de tudo isso, ele  é inspiração para os poetas e escritores, para os filósofos e  autores e tem uma grande participação na ciência dos remédios. Trata-se de um animal que vem a cada dia ganhando a simpatia e o amor das pessoas. Eu vejo aqui em Juiz de fora, proprietários de pequenas chácaras que têm um cavalo ali para enfeitar a área.

Aquele que realmente ama o seu cavalo, jamais o deixará praticar um ato de destruição e com isso deteriorando a beleza a elegância e a postura dessa raça tão querida e tão amiga do homem. -----  Eu vi passar na internet um vídeo mostrando uma verdadeira anarquia nos jardins de Candeias. Cavalos soltos pastando as gramas que não foram plantadas para esse destino. Era o resultado de uma cavalgada. Meu Deus, mas o que é isso acontecendo nas nossas praças ajardinadas de Candeias? Eu me senti assustado e custo a acreditar que vi isso pela internet, em plena pandemia, quando a liberdade da sociedade está restrita.

Eu vi esses jardins serem construídos com tanto amor, quando existiam até guardas durante a noite e jardineiros durante o dia. --- Eu como diversos contemporâneos meus trabalhamos na construção dessas praças e jardins, vendo isso é como se fosse um pesadelo. Candeias não merece esse desmando, essa falta de amor. Quem terá feito isso meu Deus! Meu Pai, quem terá permitido isso? Que tristeza!

Uma cavalgada atravessar a cidade é uma coisa linda. Trata-se um desfile maravilhoso. Mas deixar que esses animais tão queridos pelo povo façam o que fizeram, é porque foi uma permissão de pessoas sem sensibilidade, que não ama Candeias e nem os seus cavalos. Existe um ditado que diz: “Não se enforca um homem porque ele roubou um cavalo, mas para que não roube mais cavalos.”

Eu estou longe de você minha querida Candeias. Sai de você, mas você não saiu de mim. Basta-me a alegria de saber que você está ai guardando a mesma rua em que nasci, a mesma pia batismal onde fui batizado, o túmulo onde dorme o sono eterno os meus pais; a igreja onde eu frequentei o catecismo, o grupo escolar onde fiz o curso primário, e convivi com tantos amigos que já se foram e outros que felizmente ainda vivem. A minha Vila Vicentina, onde dei a minha contribuição como cristão; as minhas amizades, o carinho dos meus queridos amigos. Tudo que é de você minha Candeias querida, jamais se desgarraram de mim. Essa ausência física não me roubou o perfume das flores, e nem o cheiro da grama de seus jardins, os quais eu vejo hoje serem tão destruídos. Você não merece isso minha Candeias, porque mesmo estando distante há mais de 50 anos, você nunca deixou de ser a minha terra, o meu rincão sem par do qual a professora Neguita Alvarenga, no seu lindo hino, disse ser uma pura fonte de exemplos cristalinos.

Nessa fonte amada chamada Candeias, estamos encontrando hoje, não mais exemplos cristalinos e sim tristes exemplos como pudemos ver expostos no coração de nossa cidade uma cavalgada triste. Um exemplo de destruição e desamor daqueles que não reconhecem que nós, os mais idosos sempre estamos lutando para deixar no âmago de nossa Candeias, um fluxo de amor eterno para as novas gerações.

Aos meus conterrâneos, que contribuíram para esse desleixo, para esse descaso, para essa afronta, procure entender que isso não está certo. Colocar os seus cavalos para destruir aquilo que foi construído com amor, não para os cavalos e sim para você. O seu cavalo merece um bom trato no seu habitar, na sua cocheira, na sua fazenda. Mas faça com que ele poupe as nossas gramas, as nossas flores e as nossas árvores. Lamento o que vocês meus conterrâneos deixaram acontecer. Vocês não deviam terem permitido que os seus cavalos, tão queridos usassem a irracionalidade própria para destruir uma coisa que foi feita pelo racional. ----  Procurem não permitir que isso aconteça de novo. Poupem-nos que amamos tanto a nossa terra do desgosto de novo essa cena tão degradante. Não deixem que isso vire um hábito tão triste. Pois queremos para os seus filhos uma Candeias alegre e ordeira; um ninho adorado e idolatrado e uma fonte de exemplos cristalinos, como disse a nossa querida professora Neguita Alvarenga.

Eu um bairrista candeense, conto com você meu jovem cavaleiro, para que não deixe mais os seus animais tão queridos serem instrumento de destruição. Que a imagem deles, também, seja preservada, pois trata-se de um animal maravilhoso cuja imagem não merece ser denegrida. --------A famosa veterinária, Dra. Claudia Leschonski, disse que : “ O amor do cavalo pelas pessoas tem que ser conquistado, mas o amor de uma pessoa pelos cavalos nasce com ela.” Amar os cavalos não é permitir que destruam algo e sim que lhes impeçam disso.

Deus me prometeu alimentar dentro de mim essa coisa boa que é o carinho pela terra que me viu nascer. ---- Candeias já não é tão minha. Mas eu continuo dela.

Armando Melo de Castro

Candeias mg Casos e acasos.