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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

CAMINHONEIROS CANDEENSES.






     

A indústria automobilística no Brasil chegou com o advento do governo de Juscelino Kubitschek no final da década de 50. Juscelino que teria prometido ao povo Brasileiro fazer do Brasil cinquenta anos em cinco de progresso, trouxe a indústria automobilística para o país quando foram fabricados os primeiros veículos. Até então, o Brasil só tinha montagens de carros estrangeiros. Em 1959 chegou a Candeias o primeiro caminhão chevrolet-Brasil, de propriedade do Waldir do Zé Alves. E logo apareceu o primeiro fusca de propriedade do Zé Pulhes.

 Os proprietários de automóveis em Candeias na década de 50 eram poucos e todos importados, e se limitavam à família Furtado, Nestor Lamounier, Dr. Renato Vieira, João Bernardo; José Pinto de Resende, João Pinto de Miranda, Monsenhor Castro, Ângelo Afonso. --- Algumas poucas caminhonetes dos fazendeiros mais abastados, como João Pinto, Mariano Bernardo e família Carrilho. E um único carro de praça pertencente ao Sr. Edson Cordeiro. Um Ford 1946. Os demais que existiam afora esses citados, eram os chamados ximbicas que viviam mais na oficina mecânica do Nestor Lamounier.

A década de 60 chegava para balançar o mundo. E Candeias não poderia ficar indiferente. Foi quando começou uma grande revolução comportamental como a onda do feminismo e os movimentos de defesa dos negros e dos homossexuais. O Papa João XXIII deu uma remexida forte na Igreja Católica, o movimento hippies protestando; a revolução musical; o começo da anarquia em Cuba o que levou Fidel Castro ao poder. Enfim o espaço aqui é curto para falar da mudança que o mundo teve a partir da década de 60. Portanto, vamos limitar a falar da época antes de antevir a década de 60.

O Brasil experimentava a revolução industrial muito bem orientada pelo governo Juscelino Kubitschek, já iniciado com a Construção de Brasília. A impressão que se tinha antes de Brasília, seria de que o Brasil era Rio e São Paulo. O Nordeste dava a entender que estaria do outro lado do mundo. Goiás era sertão. Aliás, em Candeias, por exemplo, chamava Bambuí de sertão. Qualquer coisa que vinha de Bambuí para baixo, era produto do sertão, queijo, farinha de mandioca, feijão roxinho... eram produtos do sertão.

O termo “caminhoneiro” era simplesmente motorista de caminhão. E os motoristas que viajavam para outras cidades eram chamados de Chofer de Estrada. Eram poucos os caminhões em Candeias na década de 50. Posso até citar todos aqui e seus respectivos proprietários e motoristas.

--- Sebastião Redondo, tinha um chevrolet 1940 o qual ele usava para transportar tijolos de sua olaria. Ele o motorista.

---Chico de Assis tinha um Ford 1942 com o qualfazia pequenos transportes dentro da cidade. Motorista era ele mesmo.

---João Sidney de Sousa tinha um chevrolet 1946 que era usado para transporte de dormentes para a RMV. (Rede mineira de viação) o motorista era o meu amigo, o meu grande amigo Henrique Pinheiro.

---Celestino Bonaccorsi tinha um chevrolet 1946 para fazer os transportes de seu grupo empresarial. O motorista era o Sr. Geraldo do Emídio.

---Sebastião Freire tinha um Ford 1946 para carretos dentro da cidade. Motorista era o Nenê seu filho.

---João do Artur tinha um chevrolet 1949 para carretos em geral, motorista era ele.

---César Paixão, tinha um Internationale 1950 leiteiro de Candeias a Campo Belo.

---Joãozinho da Fazenda, tinha um Ford 1960 para os seus transportes rurais.

---Prefeitura, tinha um chevrolet 51 e o motorista era o Zé Cacheiro.

---Américo Bonaccorsi tinha um GMC, para transportar galinhas para o Rio de Janeiro. O motorista era o Vandinho seu filho.

---Zico do Carrinho, tinha um chevrolet 51 com o qual era para transporte de leite para Campo Belo. Ainda não existia a CACISA.

---Zé Maria, tinha um chevrolet 51 com o qual ele

atendia os carretos dentro da cidade e nas roças.

-- Barroso tinha uma caminhonete Ford com o qual ele fazia transporte de Creme das

roças para o seu depósito num açougue onde hoje está localizado o Labbioclinicas.

Até então não existiam caminhões fabricados no Brasil. A partir de 1960 já começaram a aparecer os caminhões, outros automóveis. Com o advento da fábrica de laticínios CACISA, vinda de Cristais, do Sr. Calimério Alves Costa, os transportes de leite cresceram e surgiram outros caminhões para atender a demanda.

Não existiam nesse tempo grandes transportes rodoviários em Candeias. A maior parte dos produtos era transportada através da ferrovia. Os carroceiros  faziam ponto na estação, porque quando as mercadorias chegavam, eles já as levavam para os seus destinatários. Lembrando alguns deles: Serafim, Arlindo Barrilinho, Juca Cordeiro, Nego da Zenóbia, João Branco e outros mais. Hoje, eu nem sei se ainda existem carroceiros em Candeias.

Nesta oportunidade eu quero lembrar aqui um grande amigo meu, o motorista Renato do Zico do Carrinho, que era o motorista do seu pai. Começou a dirigir o caminhão ainda garoto. Ele tinha como ajudantes o seu irmão Zé do Zico, casado com a Dalva do Cassinho. e o Geraldo que tinha o apelido de Cigano.

Os personagens deste texto estão sendo lembrados em memória. Que eu saiba, apenas a Dalva do Acassinho, esposa do Zé do Zico, felizmente ainda se encontra entre nós.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

reeditado em 25 de agosto de 2023

 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A FLOR DO CAFEZAL.



Hoje o nosso Blog Candeias Casos e Acasos estará homenageando um seguimento muito importante da nossa cidade. Aquele que traz divísas para o nosso município; que labuta numa área de suporte financeiro e que oferece trabalho aos operários da área rural. E não poderíamos deixar de ressalvar que o café produzido nas lavouras de Candeias é de excelente qualidade.

O café como se sabe é um grão cuja produção não é fácil. Sempre quando o produtor faz uma revista na lavoura, ela está pedindo alguma coisa. Quando não é a chuva é o sol. Uma capina ou um adubo, a colheita, a secagem e dai a comercialização, coisa que não é, também, muito fácil devido à oscilação do preço de mercado. Enfim, trata-se de uma lavoura difícil de ser trabalhada e exige grande investimento e experiência.

As diferenças entre as regiões produtoras são impressionantes! Muitas regiões oferecem qualidades diversificadas para o café. A nossa região, por exemplo, produz um café de muito boa qualidade. Mas existem outras que já não produzem. A qualidade está sujeita, também, às intempéries. A mesma terra pode dar um café bom num ano e no próximo ano produzir outro de qualidade pior. Portanto, o produtor de café está sempre sujeito a esses elementos surpresa. 

Um dos grandes problemas do produtor de café é tratar-se de um grande investimento e na hora da safra ter que enfrentar a seca ou muitas chuvas prejudicando a qualidade do produto e, além disso, logo vir uma crise nacional ou internacional. Há muito tempo estamos vendo que a agricultura vem segurando a economia do nosso país. Mas, mesmo assim, isso não isenta o nosso cafeicultor dos seus riscos financeiros. 

A você produtor de café candeense, queremos registrar, nesta oportunidade, a nossa humilde homenagem de reconhecimento e agradecimento pelo que representa para a cultura e a economia do nosso município. É de todo patente que a atividade cafeeira além de oferecer mão de obra aos trabalhadores rurais, oferece, também, divisas ao município enquanto aquece o comercio local. Que todos aqueles que se dedicam a esta atividade recebam o nosso abraço, o nosso respeito, e os nossos votos de que a cada ano o seu produto possa corresponder com números progressivos ao seu labor dignificado pela história de Candeias. 


Para aqueles que não conhecem uma lavoura de café em flor, vamos mostrar uma aqui cantada na voz de Cascatinha e Inhana, a dupla sertaneja que esteve nos primeiros lugares das paradas de sucesso na década de 50 com essa música:  "A FLOR DO CAFEZAL".
Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

sábado, 27 de junho de 2015

PROFESSOR PEDRO QUIRINO.

                                                           
Ontem 26 de junho de 2015, aconteceu o sepultado, no Cemitério São Geraldo, de um candeense muito ilustre. Um homem digno do maior respeito porque deixou um legado para a história de Candeias como uma referência na educação da nossa cidade. Trata-se do professor Pedro Quirino. Um exemplo de pessoa. Um homem inteligente, culto e bem preparado para deixar cravado na nossa história o seu nome repleto de louvores.

Professor Pedro Quirino tinha excesso de humildade. Como autodidata já militava na cultura dando aulas particulares e cursos em sua residência. No entanto nunca colocou o dinheiro em primeiro lugar. Primeiro era o saber, a dedicação, o interesse pela arte de ensinar.

Posteriormente veio a se formar e dai, então, a sua contribuição foi ainda maior para a Educação.

Lembro-me que certa vez fui beneficiado por ele quando no principio da minha carreira como estudante, ele deu para mim e mais outros colegas um curso de admissão ao ginásio, sem cobrar um único centavo. Éramos alunos pobres, num tempo muito difícil e o professor Pedro Quirino, tinha como interesse maior, passar o seu saber para os outros.

Ele era um homem pobre que dependia do seu trabalho para viver, mas era rico, muito rico de saber.

Ontem, no seu velório, atento às palavras da Professora Marília Sidney, minha prima, dei uma olhadinha no retrovisor da minha vida, e me encontrei na sala da casa do Professor Pedro, recebendo dele o benefício das suas palavras, que tanto me ajudaram na vida. Naquele momento a emoção tomou conta de mim, quando eu senti o quanto Candeias estava ficando mais pobre.

Muito obrigado Professor Pedro Quirino, você não morre, você apenas se encanta para passar a viver nos corações agradecidos e nas boas lembranças dos seus amigos. E nesta despedida tristonha, nada mais autêntica para homenageá-lo do que seja, a Oração do Professor, para retratar a sua imagem viva para quem não teve a satisfação de conhecê-lo.

ORAÇÃO DO PROFESSOR
                                                           (Autor: Antônio Pedro Schilindwein)
Dai-me, Senhor, o dom de ensinar,
Dai-me esta graça que vem do amor
Mas, antes do ensinar, Senhor,
Dai-me o dom de aprender.
Aprender a ensinar
Aprender o amor de ensinar.
Que o meu ensinar seja simples, humano, alegre e com amor.
Que eu persevere mais no aprender do que no ensinar.
Que minha sabedoria ilumine e não apenas brilhe
Que o meu saber não domine ninguém, mas leve à verdade.
Que meus conhecimentos não produzam orgulho,
Mas cresçam e se abasteçam da humildade.
Que minhas palavras não firam e nem sejam dissimuladas,
Mas animem as faces de quem procura a luz.
Que a minha voz nunca assuste,
Mas seja a pregação da esperança.
Que eu aprenda que quem não me entende
Precisa ainda mais de mim,
E que nunca lhe destine a presunção de ser melhor.
Dai-me, Senhor, também a sabedoria do desaprender,
Para que eu possa trazer o novo a esperança,
E não ser um perpetuador das desilusões.
Dai-me Senhor, a sabedoria do aprender
Deixai-me ensinar para distribuir a sabedoria do amor.

                
Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CANDEIAS E UMA SAUDADE!

                                                                                 
                                                                    Foto Clara Borges.

Nesta época os dias são tão pequenos. Seis horas da tarde e da manhã ainda estamos no escuro. Estamos agora no principio do mês de julho, quando deixamos mais um junho para trás. O mês das festas juninas, dos grandes eventos, com as exposições agropecuárias estão a todo vapor, prometendo shows com artistas famosos e outras coisas mais. Completamos, portanto dois “junhos” sem festa junina, sem exposição.

Isso quer dizer que estamos mais pobres. Pobreza não é simplesmente a falta de dinheiro. Pobreza é falta de lazer, falta de divertimento, falta de liberdade. Mas numa pandemia, quando ficamos reféns de um vírus, que não sabemos quando nos livraremos dele, isso é um sinônimo de uma grande pobreza em todos os sentidos.

A infância é um trecho da viagem cuja estrada não há buracos e nem tropeços. Ela é alegria e sem dramas. Mas se pinta uma pandemia, consequentemente esta contamina a infância. --- A inocência e isenção de maldade é um lugar de onde viemos e que não voltamos jamais. É algo que fica guardado dentro de nós como um livro de história gostoso de ler. Num entanto as crianças estão guardando para o resto da vida, nos armários de suas memórias, esse tempo que será lembrado assim com muita tristeza, pela perda de de mãe, pai, avós, irmãos etc.

O tempo passa e por vezes nos perdemos nessas encruzilhadas da vida. O presente, o futuro e o passado. Aí dá vontade de voltar... Mas como não tem volta ficamos na busca, como se procurássemos aquilo que não perdemos.

Hoje me despertei ainda com o escuro. Como disse, os dias são pequenos nessa época do ano . Parece até que o dia voa. E  que esse tempo de pandemia está correndo mais. Acordar com o escuro inspira-me ficar pensando. Isso me faz lembrar o meu amigo Zé Mori, porteiro da Escola Presidente Kenedy, quando ele dizia que colocava uma garrafa de café na cabeceira da cama, acordava as 4,30 horas da manhã, tomava um gole de café acendia um cigarro e ficava ali pensando, afinal levantar-se para fazer o quê?. Do jeito que o Zé Mori contava dava vontade de acordar as 4,30 e imita-lo.

Hoje aconteceu isso comigo, só que eu não tinha café e nem cigarros, porque fumei durante 40 anos mas felizmente deixei o vício há mais de 20. E se eu tenho um conselho para quem fuma, é deixar disso. A saúde melhora muito para quem deixa de fumar.

Mas numa emulação ao meu antigo amigo Zé Mori, eu resolvi acordar, fui até a cozinha e tomei um gole de café frio e amanhecido, voltei para a cama e fiquei pensando. E pensando resolvi dar uma voltinha na minha terrinha, na minha Candeias querida. E o frio estava tão bravo que resolvi ir passear  na década de 50, lá em Candeias na praça defronte a Igreja do Senhor Bom Jesus.

Ali todo mês de junho aconteciam as comemorações de São João. --- E sempre quem organizava era o Lico do Matadouro, para outros o Lico da Sinhana. Alguém trazia  um bom tanto de lenha num caminhão, e lico fazia a grande fogueira. Bem alta com toras de paus que dariam para queimar até o dia posterior. A fogueira ainda fomegava no outro dia. ---- No centro dessa fogueira eram colocados gomos de bambus cheios de água e lacrados. E aquilo dava cada estouro muito violento.

Às vezes aparecia por ali uma dupla de cantores sertanejos que ficavam de fora  de uma  barraca montada próxima ao chafariz, existente ali até hoje, claro, inoperante. ---- A barraca preparava um quentão distribuído gratuitamente para os adultos, um quentãozinho, como diziam, para os meEu tinha a impressão que a nação candeense parava ali naquele local  para esta festa. Naquele tempo as pessoas se locomoviam muito pouco, principalmente as mulheres donas de casa. Se viam nas missas às vezes, mas nem sempre. E também não podiam conversar se viam nas igrejas ou na semana santa, mas nem sempre paravam para bater um papo. Mas nas comemorações juninas, era um verdadeiro encontro de amigos do alto do cruzeiro, da laje ou da região da ponte. Eram os três pontos fortes da nossa cidade.

Quem preparava a fogueira e o pau de cebo era o Lico do Matadouro.  O  pau de cebo consistia numa longa vara de eucalipto, previamente preparada pelo Lico. Ela não era seca e nem verde. Dias antes, a gente passava por ali e estava o lico uma hora descascando-a outra ora já lixando-a.  Essa vara era fincada à alguns metros da fogueira. E na sua ponta havia um envelope com a maior cédula do momento. Hoje seria uma cédula de $100,00 reais. E a meninada ficava muito doida para ganhar esse dinheiro, que naturalmente seria um bom dinheiro.

Mas só que o pau era lubrificado com cebo ou óleo queimado. E os meninos se vestiam das suas roupas velhas, que naturalmente ficariam perdidas, para concorrer ao evento. Os mais espertos subiram mais, e logo derrapavam indo parar até o pé do pau. Eles faziam escada. Um subia no ombro do outro, E à medida que fosse limpando  o cebo eles iam atingindo o topo[1]. E no final, aquele que pegava o envelope saia correndo e a turma atrás dele querendo parte do dinheiro. ---- Lembro-me de um vencedor --- meu conterrâneo, contemporâneo, e condiscípulo no Grupo Escolar Padre Américo. “O MOSQUITO” (Antônio Canarinho) Eu nunca participei desses eventos. Afinal eu era um menino bobo, e gostava só de olhar e torcer.

Naquela mesma noite havia outros bailes na cidade. Na antiga fábrica de Farinha do Sebastião da Pecidonha, na esquina de frente o Posto do Itamar. O pagode era animado pelo Sebastião com um tambor e a sua filha Toninha, casada com o Paulo Gomide, cantando e tocando o acordeom. Ali se misturavam músicas de São João, carnaval, sertanejo, boleros e muita pinga. O local tomou o apelido de “Caldeirão do Diabo”.

Na máquina de Café do Emídio Alves, era o pagode do Chiquinho Ferreira, irmão do Alvino Ferreira, animado pelo seu genro Amarlene, um sanfoneiro de primeira e ele num tambor e a sua filha cantando. O repertório era sempre o mesmo, músicas sertanejas, boleros, carnaval, São João. Nos bailes de carnaval, quando o salão ficava meio fraco, Chiquinho dizia para a sua filha, Solta a jardineira minha filha (Música de carnaval) Aí a coisa fervia.

No Clube Recreativo Candeense durante todo o mês havia quadrilha todas as noites, animadas pelos Srs. Geraldo Vilela e Alvino Ferreira.

Quando faltava luz na cidade por problemas técnicos na usina hidroelétrica do Sr. Bonaccorsi, o povo ia para as portas das ruas e os vizinhos interagiam-se nos mais diversos assuntos.

A cidade não era tão deserta como nos dias atuais. O povo saia mais; convivia mais; visitava mais, e era mais solidário porque não existia a televisão. Infelizmente as novelas prendem as pessoas em silêncio a conviver com os dramas criados na cabeça de uma só pessoa, que seja o autor de uma novela nem sempre benéfica.

Eu gosto do mundo de hoje. Sem dúvida temos mais conforto, temos mais dinheiro, temos mais recursos. Mas  eu sinto que o povo antigo, era mais tranquilo, era mais amigo, era mais sincero. Desculpe-me meus amigos. Eu falo por mim. Posso estar enganado. Afinal sou de gerações ultrapassadas.

Armando Melo de Castro

 



 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

UM EXEMPLO DE SERVIDORA PÚBLICA!


Foto: Longuinha Ferreira da Silva.

Infelizmente, grande parte dos brasileiros não gosta de ler. O estudante brasileiro é quase sempre mal informado por ser ocioso na leitura. Antigamente quando o aparelho de rádio era caro e nem todo mundo tinha acesso a esse lazer e a televisão ainda não havia chegado, o povo lia mais por sobra de tempo.  Lembro-me de ver sempre o meu pai com um livro na mão e dizendo: “Tenho que entregar o livro na prefeitura...”. Eram poucas as pessoas que sabiam das bibliotecas públicas. E depois elas não tinham o papel abrangente como hoje. Compunham-se mais de romances, normalmente enviados por seus escritores. As bibliotecas públicas eram mais reconhecidas pela elite. Não havia, portanto, um avanço popular.




Hoje esse quadro está mudado. A finalidade da biblioteca púbica é oferecer às pessoas em geral, especialmente aos alunos e professores, a informação no sentido de dar a oportunidade de acrescentar, inovar e resgatar todo tipo de conhecimento para que o
leitor fique atento e conhecedor da realidade necessária ao cidadão.

Mas, em Candeias, apesar do avanço das bibliotecas públicas e o amparo legal, ainda, grande parte dos candeenses desconhece a importância relevante dessas instituições, como também desconhecem que o objetivo das bibliotecas públicas é servir a população sem distinção social podendo ter a participação de todos.

Apesar de que a nossa cidade de Candeias vem sendo vítima de uma administração municipal precária, a nossa Biblioteca Pública Municipal, “MARIA SALETE LOPES RIANI” vem desempenhando o seu papel com louvor graças à competência, a dedicação e o carinho com que vem sendo coordenada pela Bibliotecária, Longuinha Ferreira da Silva, é um exemplo de servidora pública, pela forma com que desempenha a sua função naquela instituição tão importante para a nossa comunidade.

Nascida em Candeias no dia 18 de abril de 1964, filha do casal Idelfonso Francisco Lopes e Ana Ferreira Lopes. Estudou na Escola Estadual Presidente Kennedy, desde as séries iniciais até a conclusão do Magistério. Em seguida graduou-se em Biblioteconomia pela antiga ESBI (Escola de Biblioteconomia), hoje UNIFOR_MG em Formiga MG. Concluindo o curso em 1984. Casada com o Engenheiro Civil Edson da Rocha, cuja união nasceu Eduardo Ferreira da Rocha.

Longuinha ama o seu trabalho e se sente realizada como profissional da Valorosa Instituição Biblioteca Pública Municipal, “Maria Salete Lopes Riani” e diz:
“Ser mediadora entre as pessoas e o conhecimento é fascinante, pois, o hábito da boa leitura nos ajuda sermos cidadãos cultos e conscientes”.

Parabéns Longuinha por estar contribuindo com a construção da História de Candeias, com amor, dedicação e competência. Você é realmente uma servidora pública exemplar e merece o respeito de todos os candeenses!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

COMO É BOM O DESPERTAR DA INOCÊNC IA.




Esse cara da foto sou eu no ano de1964 quando contava 18 anos. Eu já tinha me curado um pouco da minha timidez e do meu tipão bobo. Eu já podia notar que bobo também era grande parte dos meus contemporâneos. Mas comparando-se com a rapaziada de hoje, eu ainda era um jacu. Pouco antes desse tampo uma vizinha minha me deu uma cantada e eu quase morri de vergonha. Acho que fiquei vermelho igual um tomate. Depois fiquei um bom tempo puto da vida comigo mesmo, por ter perdido uma oportunidade daquelas na vida.

No ano de 1962, aos 16 anos, no auge da adolescência, eu na busca do desconhecido me entusiasmei com o chamado correio sentimental. Eram endereços que os jovens colocavam nas revistas, juntamente com os seus dotes físicos a fim de trocarem correspondência. E diante disso, muitos namorados começavam por ai e muitos chegavam ao casamento.

Os jovens tímidos e bobos como eu gostavam muito disso. E eu ao folhear uma revista de fotonovela, captei um endereço desses e comecei a me corresponder com uma jovem de Belo Horizonte, residente na Rua Pitangui, 570, Bairro Floresta.

 Era uma carta por semana, uma ia e outra vinha. Quando eu ia até ao correio e tinha carta para mim era como se fosse um presente dos céus. (Naquele tempo não havia carteiros.) Foram mais de um ano ano de correspondência; as nossas vidas já teriam sido destrinchadas. Eu, um rapaz pobre, me preparando para ir embora para fora de Candeias, esperava apenas a maioridade, ou seja, completar 18 anos. Isso porque não havia para mim, futuro algum na minha tão querida  terra. Eu já teria feito de tudo e não via futuro.

E ela, a minha correspondente, era filha do dono de uma loja de materiais elétricos na Avenida Olegário Maciel 303 em Belo Horizonte. Sua família gostava muito de viagens por onde havia balneários. Passeava muito com os pais. Sua mãe, conforme ela dizia, adorava viajar e conhecer novos lugares. Ela estudava, mas não tinha nenhum objetivo sobre um curso definido. Às vezes dizia que iria ser médica, outra veze queria ser dentista. Eu às vezes me sentia tão pobre tão humilhado diante de uma vida tão rica. Uma vida, talvez sonhada por qualquer pobre. Mas diante das circunstâncias eu sabia que aquilo não passaria de uma simples amizade. Eu ainda não entendia que o coração tem certas razões que a própria razão desconhece. E assim fui levando aquela amizade de sonhos que só transita nas cabeças dos adolescentes. Até que num belo dia eu me vi em Belo Horizonte, após uma longa economia para fazer essa viagem.

Comprei uma camisa de gola rolê vermelha, um par de sapatos brancos; escovei os dentes com creme dental “kolinos,” usei desodorante Lever, ensopei-me de perfume, "Madeira do Oriente", besuntei os cabelos com brilhantina glostora, chupei uma bala de hortelã, treinei um sorriso no espelho de um velho guarda roupa, num hotel da Rua Curitiba... E assim, quando me senti o homem mais bonito do mundo, mais sorridente, tentando jogar o acanhamento fora, para bem longe de mim, sai até à porta daquele pobre hotel e tomei um taxi estacionado bem próximo, e como faz um rei, determinei ao motorista: Rua Pitangui, 570, Floresta...

Eu acho que nunca teria me sentido tão feliz na vida... O céu mais azul, o sol mais brilhante, quem sabe iria pintar o meu primeiro beijo? Afinal isso era sábado, eu iria ficar até no outro dia domingo. Teria economizado para essa aventura, centavo por centavo, e o bolso estava suprido. Parecia, até que eu estaria a caminho de receber um prêmio da loteria. O meu coração jovem batia diferente como nunca houvera batido. A cada metro que o carro rodava ele batia mais forte. De repente o táxi parou. O motorista morenão, tranquilo com um baita bigode carijó, estica o peito e diz: Rua Pitangui 570.

O meu coração nesta hora quase parou. Fui saindo sem pagar; fui chamado pelo taxista e paguei. Esperei o táxi se afastar. Aproximei-me bastante temeroso da casa do número 570. Tinha ali uma pequena árvore; fiquei debaixo dela buscando coragem para chamar na campainha, daquelas de botão preso no portal de entrada. Uma casa antiga, no alinhamento da rua e sem garagem; portas meio vermelhas; telhas coloniais. Um portão do lado. Vi sair por ele uma mocinha com uma sacola nas mãos. Ela era morena, bem morena de cabelo lisos. Após a minha averiguação vi que aquela cabrita poderia ser a Maria de Lourdes Felisberto... Assim era o nome da minha ninfa  encantada. A cor e os cabelos batiam. Mas foi impossível identifica-la apenas naquele lance. Finalmente criei coragem. Chamei na campainha, parece que o meu dedo tremia como se estivesse tomando um choque elétrico.

A porta se abre. Surge um senhor idoso de uns oitenta e tantos anos mais ou menos:

---Pois não, disse ele.

E eu meio engasgado, meio assustado, bobo inteirado, pergunto:

---Aqui mora a Maria de Lourdes Felisberto?

---Sim... Disse ele...
-
--Ela está?

---Sim, vou chama-la.

O velho adentrou-se para o interior da casa, e eu ali desesperado, ansioso, curioso, na maior aventura, então, da minha vida. Agora sim, agora o meu coração não batia ele apanhava. Ia conhecer a Maria de Lourdes Felisberto, há mais de um ano trocando correspondência, recebendo dela poesias, palavras carinhosas, elogios; dizia sempre que a minha boca era linda e que gostaria de beija-la um dia... Que os meus cabelos eram sedosos e de um castanho maravilhoso... Tudo isso observado segundo ela pelas fotos preto e branco produzidas por uma velha Kodak, a mim emprestada, pelo Vicente Melo, quando eu lhe comprava o filme. Ah! e como era bom ouvir aquilo tudo! Eu recebia aquelas palavras escritas com uma caligrafia meio quadrada, num tempo em que a letra bonita era chamada de redonda.

Era o momento! Meu Deus! Será que esse povo vai me convidar para entrar? Pensava eu! E ela será tão meiga quanto nas cartas, será tão linda como nas fotos. Naquele desespero emocional, surge uma senhora idosa cabelos brancos, gorda, um vestido preto de bolinhas brancas com a barra entre a canela e o joelho. Uns olhos esbugalhados, dentuça igual à Dilma...

---Sim senhor, pois não!

Eu queria falar com a Maria de Lourdes Felisberto!

---Sou eu, o que o senhor deseja?

E eu apavorado, disse, eu queria falar com a moça que me escreveu, com o nome da senhora!

---Ah! Isso é mais uma arrumação da empregada aqui de casa. Ela saiu agora eu a mandei lá na Olegário Maciel, na loja do meu filho. Você volta aqui a tarde ela sai do serviço às 4 horas.

Eu pensei cá comigo eu quero é que ela vai para o meio do inferno. "Égua veia!!!" Naquele momento eu tive a minha primeira desilusão de adolescente. Um tipo de sentimento que somente os adolescentes conhecem. Eu estava com raiva e com vontade de chorar. Agora eu só não sei se era vontade de chorar só de raiva.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

domingo, 17 de maio de 2015

UM PASSEIO PELO PASSADO.

                                                            Foto Clara Borges




Este texto foi transferido para o livro Candeias MG Casos e Acasos.

domingo, 10 de maio de 2015

O PRIMEIRO CHUVEIRO ELÉTRICO EM CANDEIAS.



O primeiro chuveiro elétrico que se tem notícia de ter sido instalado em Candeias, foi na residência do eletricista Américo Pereira, pai da Sra. Aparecida, esposa do Juca Melo. Isso ainda no princípio da década de 40, quando a “Usina do Bonaccorsi” ainda tinha Watts com sobra. Mas, à medida que a cidade foi crescendo, o consumo foi aumentando, e a Empresa e Força Luz Candeense, de propriedade do Sr. Celestino Bonaccorsi, foi ficando insuficiente e carente de investimento, essas inovações foram se tornando inviáveis; pois a potência da geradora mal dava para iluminar as casas.

 Além disso, estava sempre com problemas técnicos que faziam com que a cidade ficasse dias e mais dias aguardando a volta da iluminação. Nessas oportunidades voltava-se ao uso da lamparina a querosene. O fornecimento era limitado em apenas 200 watts para cada residência, através dos chamados “Pica-Pau”. O único aparelho que funcionava com essa quantia de watts fornecida era o rádio a válvula, caro e ainda um artigo de luxo. Portanto, a ideia do chuveiro só voltou à tona com o advento da Cemig.

 Até então a forma de tomar banho era bem diversificada. A classe mais aquinhoada usava o sistema de serpentina, um equipamento formado por uma chapa de fogão de lenha composta por um tubo por onde aquecia a água que era depositada num caixa de zinco, instalada nas imediações do fogão; dali canalizada para o cômodo de banho.

 --- Outras formas de se banhar era com o chuveiro frio, bacia ou caneco. Grande parte de pessoas tomavam banho apenas duas vezes por semana, ou seja, nas quartas feiras e aos sábados. Os homens lavavam os pés e as mulheres o famoso banho do tiaca-tiaca. Parece que as pessoas naquele tempo não tinham muito conceito com a higiene como nos dias atuais. Tinha um tal de meio banho durante a semana e banho geral aos sábados. Era comum ouvir falar isso. Uma roupa era sempre estreada no dia de banho geral. 

 Quando um filho começava a cochilar a mãe gritava logo: “Fulano, vai lavar os pés para dormir.” Aos sábados parece até que as pessoas estavam mais claras e polidas porque tomavam banho e trocavam de roupa. O sabonete mais popular era de marca “Carnaval” da embalagem verde. Muita gente tomava banho com sabão minerva. Desodorante era pomada Minâncora. O sabão mais usado para lavar roupa era o sabão preto, feito de ossada de boi, comprada dos açougues.

Roupa remendada era comum. As mulheres às portas de suas casas remendando roupas ouviam dos passantes: “Remende seu pano que ele dura mais um ano... Remenda outra vez que ele dura mais seis meses.”.

Hoje é o dia das mães. Quero lembrar aqui da minha mãe contando agora 87 anos de vida. Com a renda escassa do trabalho do meu pai, não tínhamos chuveiro em casa. Minha mãe fazia milagres, num tempo tão difícil que era. Vestia-nos com dignidade. Outros meninos poderiam ir à missa com roupas mais caras, mas nenhum mais limpo ou mais bem cuidado. Para a escola era aquela peleja de esquentar água e usar a bacia e posteriormente o caneco. E daí era feita uma imprescindível revista. Era a cabeça para ver se não tinha piolho, mãos e ouvidos rigorosamente verificados.

Obrigado minha mãe, hoje eu vejo o quanto você foi amorosa, cuidadosa, corajosa e heroica entre as paredes humildes da nossa casa. Grande beijo minha querida mãe e que Deus lhe abençoe.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

DELICIAS DA ROÇA


Quem disser que em nossa cidade de Candeias não tem aonde ir para passar umas horas agradáveis com a sua família, estará enganado ou não conhece as “DELÍCIAS DA ROÇA”, localizada à beira da BR 354, KM 537 entre Candeias e Formiga, a 10 km do centro da cidade. Um local especialmente preparado pelo  Sr. Sudarinho e sua familia para atender as famílias que ali vão à busca de lazer e momentos de descontração.

Em “DELÍCIAS DA ROÇA” o visitante vai deparar-se com aquilo que é essencial na vida do campo. Uma ampla área de lazer e um ar puro junto de um grande lago onde se pratica a pesca esportiva; além de churrasqueiras e duchas e mais o serviço de bar, lanches e restaurante.



Pelo encontro com a natureza e do saboroso cardápio à disposição dos visitantes, a visita vira festa diante de delicias generalizadas. Produtos frescos e preparados com o carinho da dona da casa, como peixe frito pescado no local; galinha caipira criada ali no terreiro; carne de panela, essa tradição deliciosa da nossa famosa cozinha mineira; produtos de milho verde, como mingaus, pamonhas e os deliciosos bolinhos, também, uma tradição mineira. Queijos e doces caseiros variados e muitas outras delícias que poderão ser encontradas e que agradam todo e qualquer paladar. Tudo isso sem falar da cervejinha geladinha, variedade de bebidas e a famosa cachaça “João Cassiano”.

Todo esse requinte ambiental e alimentar é administrado e supervisionado em loco pelo casal proprietário cuja esposa Dona Rosalba é uma “expert” da cozinha mineira.

Os candeenses que residem em outras cidades não podem perder a oportunidade de quando em visita a Candeias, ir conhecer as “DELÍCIAS DA ROÇA” e lá passar algumas horas de lazer junto aos seus familiares e conhecer esse simpático casal proprietários da casa.

Almoço aos domingos com reservas através do telefone (35) 9951-5456 ou pelo E-mail: deliciasdarocamg@hotmail.com

Eu tenho certeza que você que ainda não conhece as “DELICIAS DA ROÇA” em Candeias, vai sentir-se numa fazenda comendo aquela galinha caipira e uma saborosa carne de panela, iguarias raras de serem encontradas e preparadas dentro do rigor tradicional.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.


domingo, 3 de maio de 2015

A CONFISSÃO DE UM CANDEENSE.



                                                             

Um conterrâneo meu cujo nome guardarei comigo, desses que acha que todo mundo que anda limpo sabe tudo; que vai com a cara da gente e começa fazer todo tipo de pergunta, sem saber que a gente não sabe quase nada, me fez a seguinte interrogação:

---Sô Armando, o que é que é bão pá cocêra no saco?

Para uma pergunta fora dos padrões eu dei uma resposta, também, fora dos padrões:

---Unha, Unha é bom para coceira!

Ele deu uma risadinha e disse:

---Isso ai eu sei uai! Eu quiria um trem que é bão pá cocêra.

---E coçar não é bom?

---Mais num acaba uai!

---Você quer uma coisa que seja boa para coceira ou que acabe com ela?

---Eu quero é pará de coçá uai!

---Você então quer eliminar os ácaros?

---Acro?

---É o bicho que causa a coceira...

---Curuis credo!  Mais cumé qui eu num vejo nada?

---Eles são minúsculos, são tão pequenos que você nem os vê...

---Num intindi o que o senhor falô? Acro o que qué isso memo?

---Ácaro é o bicho que está causando a coceira no seu saco!

---Curuis credo, mais eu já oiei e num vi nada?...

Agora o sôr tá falano nesse tal de acro? Que Deus me defenda! Mais o quê qui pode dá cabo desse trem?

---Água! Água neles!

---Mais se ês é piqueno, eu nem inchego, cumé qui eu vô dá água pra eles?

---Lavando o saco com sabão! Eles detestam água com sabão. Quando você lavar o 
saco eles vão beber daquela água e vão morrer de nojo da limpeza.

---É isso pode sê memo Sô Armando! Eu vô fazê isso! E o sor num sabe, lá in casa tá todo mundo quessa diaba dessa cocêra. A muié intão! Tá in tempo de rancá o trem fora.

E já que ele imaginou que eu pudesse curar a coceira do saco dele, eu pensei, ele pode estar também, com uma puta de uma candidíase, e com tudo isso já deve estar com as unhas infestadas de toda essa lambança... Quer saber? Vou me esticar daqui antes que ele saia primeiro e venha se despedir com um caloroso aperto de mão. E nesse caso me apressei e FUI!

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos