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segunda-feira, 22 de junho de 2015

CANDEIAS E UMA SAUDADE!

                                                                                 
                                                                    Foto Clara Borges.
A vida é uma longa viagem cuja infância é o principio. A infância é um trecho da viagem cuja estrada não há buracos e nem tropeços. A infância é alegria, inocência e isenção de maldade; é um lugar de onde viemos e que não voltamos maisé algo que fica guardado dentro de nós como um livro de história gostoso de ler. É uma saudade gostosa de sentir de quando éramos bobinhos ou inocentes. Um tempo que a vida era fácil e simples de viver.

O tempo passa e por vezes nos perdemos nessa encruzilhada da vida: o presente, o futuro e o passado. Ai dá vontade é voltar... Mas, como não tem volta, ficamos na busca meio perdida do fim da caminhada o que seja o futuro sempre incerto. Dai, nasce à saudade do passado; a caixa onde está a infância.

É feliz, todavia, quem sente saudade do passado, ele é a certeza de que a infância foi feliz.

Hoje me despertei ainda com o escuro. Os dias são pequenos neste mês de junho parece que o tempo voa. Dei-me conta de que já estamos bem próximos do mês de julho de 2015. Ontem mesmo foi janeiro, o meu mês de nascimento. Agora mesmo já estarei arredondando os meus anos. Serão setenta pés de couve na horta da vida. Diante disso resolvi dar uma voltinha nas minhas Candeias do princípio da década de 50.

O mês de junho me trás muitas lembranças. Na praça de frente a Igreja do Senhor Bom Jesus era feita uma enorme fogueira na noite de São João. Uma fogueira tão grande que no outro dia ainda fumegava. Parece que toda a nação candeense parava naquele local para comemorar a noite de São João, enquanto na igreja era o entre e sai de pessoas buscando bênçãos.

Quem preparava esta festa era o Lico do Matadouro, cuidadosamente montava a fogueira e os bambus cheio d’água para dar os estouros. Preparava, também, o pau de sebo. Uma vara de eucalipto descascada e lixada, previamente ensebada para a meninada subir e pegar bem lá na sua ponta a maior cédula em circulação, colocada dentro de um envelope. A meninada ficava eufórica, às vezes, até em altas horas tentando e quando não conseguia o pau era cortado e o dinheiro era distribuído entre os meninos que mais teriam se destacado. Lembro-me do menino mais proeminente naquela brincadeira do pau de sebo, era Antônio Canarinho, o Mosquitinho. No seu tempo era o menino mais esperto de Candeias.

Tinha, também, o lançamento de balões e o foguetório.

Naquela mesma noite havia muitos bailes na cidade. Na antiga fábrica de Farinha do Sebastião Pecidonha, na esquina de frente o Posto do Itamar. O pagode era animado pelo Sebastião com um tambor e a sua filha Toninha, cantando e tocando o acordeon. Ali se misturavam musicas de São João, carnaval, sertanejo, boleros e muita pinga. O local tomou o apelido de “Caldeirão do Diabo”.

Na máquina de Café do Emídio Alves, era o pagode do Chiquinho Ferreira, animado pelo seu genro Amarleneo no acordeon, ele num tambor e a sua filha cantando. O repertório era sempre o mesmo, musicas sertanejas, boleros, carnaval, São João. Nos bailes de carnaval, quando o salão ficava meio fraco, Chiquinho dizia para a sua filha, casada com o sanfoneiro: Solta a jardineira minha filha (Musica de carnaval) Ai a coisa fervia.

No Clube Recreativo Candeense durante todo o mês havia quadrilha todas as noites, animadas pelos Srs. Geraldo Vilela e Alvino Ferreira.

Quando faltava luz na cidade por problemas técnicos na usina hidroelétrica do Sr. Bonaccorsi, o povo ia para as portas das ruas e os vizinhos interagiam-se nos mais diversos assuntos.

A cidade não era tão deserta como nos dias atuais. O povo saia mais; convivia mais; visitava mais, e era mais solidário porque não existia a televisão. Infelizmente as novelas prendem as pessoas em silêncio a conviver com os dramas criados na cabeça de uma só pessoa, que seja o autor de uma trama nem sempre benéfica.


Parece que as novelas roubaram a essência do sentimento das pessoas.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

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