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sexta-feira, 13 de julho de 2012

QUICA DANDO BODE


                                                     Imagem apenas para ilustrar o texto.

O cachorro parece ser o animal que mais se identifica com o homem, em termos de convívio. A cada dia, o cão vem sendo mais amparado e integrado ao meio da família humana.

Quantas e quantas vezes, eu pude ver uma madama conversar com o seu cãozinho e dizer: "Filhinho, vem aqui, na mamãe!". E, normalmente, tratam-se essas senhoras de mães sem filhos. Apegam-se ao animal de tal forma que passam a considerá-los como verdadeiros filhos. Eu fico, às vezes, pensando como pode uma coisa dessas. Por que não adotar um filho ao invés de um animal? Parece até que o cachorro substitui o homem apesar de não existir, entre ambos, nenhuma semelhança.

O focinho de um cachorro é gelado e úmido. E isso se explica porque ele não sua como nós. Portanto, ele sente muito calor. O cachorro está sempre ofegante. A rapidez da respiração lhe dá um alívio do calor através da evaporação pelo nariz.

O faro de um cachorro é incomparável. Enquanto 0 homem conta com cinco milhões de células olfativas, o cachorro tem mais de duzentos milhões delas.

Eu acho que é uma incoerência chamar algum humano de cachorro para qualificá-lo como errado ou sem vergonha.

Minha mãe tem uma família de seis filhos, dezesseis netos, dez bisnetos, um trineto e um cachorro. Alguém dirá que cachorro é cachorro e não é gente para ser considerado da família. Entretanto, quem tem um cachorro em casa jamais dirá isso e sustentará que o cachorro faz parte da família sim.

No príncipio da década de 60, esteve residindo na Rua Vereador José Hilário da Silva, um cabo da Polícia Militar, então comandante do destacamento de Candeias. Naquele tempo, este destacamento era formado por um cabo e dois soldados.

Fazia parte da família do militar uma pequena cachorra que atendia pelo nome de "Quica". A cachorrinha sem raça, melhor dizendo, era uma vira-lata de cor parda, com orelhas grandes e focinho comprido, tendo uma grande mancha preta na cara. Na rua, não havia quem não conhecesse a cachorra do cabo.

A Igreja Matriz, no tempo do Monsenhor Castro, era dividida ao meio através de duas grandes cancelas em suas naves. A parte da frente era destinada aos homens. E a parte de trás, às mulheres. Portanto, os homens saíam pelas portas laterais e as mulheres, pela porta principal.

Imaginemos, há cinquenta anos, o término de uma missa dominical no horário das 10 horas da manhã! Era muita gente.

Ao terminar a missa, bem defronte à porta principal, havia um grande número de cachorros rodeando uma cadela no cio sendo acoplada, enfalada, penetrada por um enorme cachorro do tipo perdigueiro e que teria imposto respeito pelo seu tamanho diante dos outros candidatos àquele congresso sexual, ou melhor, aquela suruba canina.

As senhoras com suas almas lavadas, comungadas, imaculadas, ao sair se deparam com aquele quadro vergonhoso, pecaminoso para quem ainda sentia a fluidificação e o hálito do pão sagrado.

Diante daquele quadro, ouve-se um grito:

---"Quica!!!" O quê que é isso minha, fifia! Larga disso!

Era uma senh0ra baixa e gorda, morena de cabelos lisos em coque, cara fechada, uma voz forte, contando com uns 50 anos, mais ou menos. Era a esposa do cabo e dona da cadela. E continuou:

"Quica"! Vem cá! "Quicaaaaaaaaaaaaaa!!!"

Desesperada, a mulher se envolve no meio dos cachorros e dá um chute naquele que abusava da sua querida "Quica". Consequentemente, a manada se dispersa e o cachorrão sai arrastando a pequena "Quica", dependurada no seu engate.

Enquanto a dona da "Quica' corria, pedindo socorro para ela, as outras senhoras saíam como se não estivessem vendo nada, olhando para os lados contrários. E os homens apreciavam o espetáculo e comentavam. Posso ainda me lembrar de um comentário sucinto do Sebastião Redondo, antigo dono da mercearia, hoje, de propriedade do Divino:

---Ah, se eu fosse um fiscal da Prefeitura! Eu ia meter bola neles

Armando Melo de Castro
Candeias MG casos e acasos.



























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