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terça-feira, 27 de setembro de 2011

OS GATOS NO TELHADO (Primeira Parte)


Primeira parte:


  A Praça Antonio Furtado, situada na zona leste da nossa cidade, já foi palco de grandes concentrações nos tempos em que não havia um banco e nem uma árvore. Na época das chuvas, o mato crescia e servia de pasto para os animais dos carroceiros. Uma enorme área na qual eram armados os chamados circos de cavalinhos, touradas, barracas de ciganos, camelôs e caminhões vendendo produtos de todos os tipos. Ali, estacionavam os mais variados itinerantes. Além disso, era onde a meninada concentrava os diversos times de futebol de rua. Era muito gostoso assistir a uma partida de futebol entre aqueles times de várzea que, inclusive, tinham torcidas, cartolas e muita briga. Eu, por exemplo, não jogava bola, mas, torcia pelo time do Antônio do Arlindo Barrilinho, o sacristão do Monsenhor Castro. Tinha um jogador, Ratinho, seu irmão, que era tão bom que se o Neymar o visse jogar iria ficar meio acanhado. Ratinho era um corrupio entre os meninos maiores e o seu time tinha a maior torcida por causa dele.
Interessante que hoje, com essas escolinhas de futebol, parece que a descoberta de grandes jogadores diminuiu-se. Subentende-se que a várzea vai se acabando e com ela a facilidade de descobrir grandes talentos. Isso porque a criança, ao desenvolver o seu futebol, não tem liberdade. Bem, isso é apenas uma opinião minha. Digo isso porque Candeias, como outras cidades, teve jogadores de futebol que se estivessem hoje, no cenário futebolístico, estariam ricos. Aliás, no passado, tivemos grandes jogadores profissionais que não tiveram interesse em continuar porque não ganhavam quase nada e era comum o jogador profissional acabar na miséria. Não havia essa conotação existente nos dias de hoje sobre o futebol.


Dos jogadores profissionais candeenses de que tenho conhecimento teve o Bigode, um barbeiro falecido que jogou no Rio de Janeiro, no time do Flamengo. Passou no teste, mas, não quis continuar. Abandonou o seu contrato e perdeu o direito de jogar em quaisquer outros times profissionais. O Evérton do Alonso foi um goleiro com capacidade e perfil para qualquer grande time do Brasil. Não me lembro em que localidade jogou, mas, com toda a certeza, foi jogador profissional. Tivemos, também, o Nenzinho do Torquato. Talvez, um dos maiores jogadores nascidos em Candeias e que poderia ter sido um grande ídolo do futebol brasileiro. Outro grande jogador foi o Passarinho, do meu querido Rio Branco, que ganhava para enxertar times nas diversas cidades da região. Ele ganhava por cachê. Já mais recentemente, e ainda entre nós, o Danilo do João Surdo, grande goleiro que jogou muito tempo no Formiga E.C., quando este clube ainda se encontrava no seu apogeu. Danilo foi um grande goleiro e viveu do futebol durante muito tempo. Esses são os exemplos que me vêem à memória e que marcaram presença no futebol candeense. Portanto, considero que a Praça Antonio Furtado foi um recanto de completo lazer e que atendia toda a cidade.
Eu não sei o que se passa na cabeça dos prefeitos de Candeias. Sai um, entra outro e parece que esses representantes do nosso povo nunca saíram de Candeias para ver o que existe de bom e que pode ser trazido para a nossa cidade. A Praça Antônio Furtado, no passado, serviu muito mais do que nos dias atuais. Encheram-na de bancos e árvores. Silenciaram-na, pois, é uma praça morta cujos bancos ficam vazios sem nenhum filho de Deus a usá-los. Ali, poderia ter sido edificado um centro de convenções, o que seria mais barato do que a construção de uma praça que não atende a ninguém. Isso poderia ter sido feito ou ainda pode ser feito, sem prejuízo ao meio ambiente. Até parece que existe uma lei para construção obrigatória de praças em Candeias. Certa vez, eu as contei e, se não me falha a memória, existem umas trinta praças para uma cidade de 15.000 habitantes, onde, durante a semana, essa população durante o dia está trabalhando e durante à noite está assistindo às novelas. Nos fins de semana, ficam pelas roças ou assistindo aos programas do Faustão ou do Gugu. Portanto, quase ninguém para usufruir de tantas praças. Para um evento qualquer, não existe uma área específica. Na praça principal da cidade, furam-se buracos, por toda parte. Fazem até curral de gado, palanque de carnaval, quase todos dentro das igrejas. Parece que acham bonita essa bagunça de frente à Prefeitura ou no adro da igreja Matriz. Isso é falta de sensibilidade ou, então, é apoio a uma política populista para fomentar a popularidade pessoal.


Acho que os próximos candidatos à Prefeitura de Candeias poderiam pensar na construção de um centro de convenções na cidade, como também, na definição de um local adequado e decente para a armação dos itinerantes. Afinal, um parque de diversões e um circo fazem parte da cultura do nosso país e se tornaram tão minguados, com o advento da televisão, que seria um despropósito, diante dos interesses comuns, colaborarmos com a extinção dessas visitas em nossa cidade.


Continua na próxima edição.




Armando Melo de Castro
candeiasmg.blogspot.com
Candeias – Minas Gerais

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