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sábado, 6 de agosto de 2011

DESNUDANDO A VIDA

                                                                
                                   Batina clerical


                 Circula na internet um texto escrito pelo Padre Fábio de Melo sobre o celibato, intitulado: “A graça de ser só”. O padre defende o celibato e diz que o casamento não irá resolver os problemas do mundo. Que as pessoas querem transformá-lo em propriedade privada e depositam sobre ele um universo de carências e necessidades e que estão iludidas de que ele é o redentor da vida dessas pessoas.

Parece que o jovem padre se esquece que uma religião é uma tese onde se discute a própria tese. Portanto, um padre deve antes de ser padre, saber ouvir, ver e calar. E parece que o popular sacerdote está meio confuso entre os palcos da vida e os palcos das canções e dos espetáculos, nem tanto religiosos.

Que me desculpe o Padre Fábio de Melo. Apesar de respeitar a sua profissão. Se ele diz, por si, sobre o celibato, tudo bem, é uma questão subjetiva. Agora, se diz por um todo, ele está, completamente, equivocado. Subentendo, todavia, que ele fala não somente, por si, manifesta, também, a sua opinião pluralizada. Ele se diz indignado quando vê a sociedade ver o celibato como mera restrição sexual. Eu acho que a sociedade está também indignada de ver um celibato descumprido e corroído pela pedofilia. Celibato que oculta tendências homossexuais para aqueles que as têm e não quer expô-las.

Acho que defender o celibato, nestas alturas do campeonato, seria um tanto arriscado para qualquer padre. Mas, como o Padre Fábio de Melo teve essa coragem, resta-me entender que ele não teria outras palavras para tal. Aliás, nenhum padre teria. Isso porque se trata de um pensamento muito particular. A começar que o celibato não tem amparo bíblico. E se não tem amparo bíblico e perdura por tanto tempo, podemos imaginar que a escolha, por ser padre, tem sido uma conveniência isolada onde, por si, é encontrada a solução de um problema pessoal.

Bastaria a conscientização do candidato a padre sobre a necessidade de ser solteiro ou não. E para quê celibato? Portanto, está mais do que provado de que as justificativas oriundas dos defensores do celibato são vazias e sem cerne. Um homem que não alimenta o desejo de ter um filho, de ter uma esposa é, no mínimo, um conselheiro teórico e a teoria não acoplada à prática não tem consistência.

O celibato esta relacionado com o homossexualismo, com a pedofilia e até com a prostituição. A prova maior disso são os casos de padres pedófilos, homossexuais e deturpadores de famílias que povoam a Igreja Católica e que a mídia divulga, constantemente, e nem o Papa encontra uma solução para moralizar isso.

 O celibato encobre, também, questões internas da Igreja Católica, portanto, sob a minha humilde forma de ver, como católico apostólico e romano, tudo que o Padre Fábio de Melo disse, nessa sua resposta aos fieis que desejam ver os padres casados, são palavras vagas, muito pouco convincentes e demasiadamente conservadoras diante de uma sociedade moderna.

Um padre renunciar a uma família para se dedicar à evangelização?! Como se explica, então, o fato dos apóstolos de Cristo, exceto João, terem sido casados? Os médicos, com o seu Juramento de Hipócrates, pela  tarefa de defender a vida humana em todos os momentos de suas vidas. Juramento que, inclusive, faz prevenção sobre as concepções religiosas. Mais ainda: e essa ociosidade visível dos padres, dentro da Igrejas?

O Crime do Padre Amaro, história de Eça de Queiroz, encontra-se em evidência nos dias atuais. O celibato fez, faz e continuará fazendo as suas vítimas: filhos órfãos de pai, pedofilia e prostituição.

Entendo que, se a verdade para os religiosos está na Bíblia Sagrada, o Padre que defender o celibato ou que desejar estar só, está indo de encontro aos ensinamentos bíblicos em Gênesis:

2.18: “Não é bom que o homem esteja só, vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.”.
2.22: “Deus fez uma mulher e levou-a para junto do homem”.
2.24 “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe para unir-se a sua mulher”
1-27: “Deus criou o homem a sua imagem. Criou o homem e a mulher. Deus os abençoou: Frutificai e multiplicai-vos”.

Parece-me que o Padre Fábio de Melo não gosta de falar em casamento. Acha que casamento não conserta o mundo e isso não são palavras, a meu ver, próprias para estarem na boca de um padre.

Como sendo um dos fieis da Igreja Católica, acho que o Padre Fábio perdeu uma grande oportunidade de ficar em silêncio e meditar melhor. Mas, como se trata de um produto da mídia, acho difícil que ele venha a ser um religioso, na essência da palavra. A sua maneira de evangelizar é cara, pois custa de 100 a 200 mil reais um show, cujo montante sai do bolso de pessoas humildes e pobres.

Desculpe-me Padre, mas, é o que eu penso de você pela resposta, pouco elegante, que você deu aos fiéis que acham que os padres devem se casar.

Armando Melo de Castro
candeiasmgblogspot.com
Candeias - Minas Gerais

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