Total de visualizações de página
sábado, 20 de julho de 2013
UMA CÓLICA DE RIM.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
CARTA MEDIÚNICA AO FUNDADOR DE CANDEIAS.
Mas, Dr. Zoroastro, se você conhecesse uma criatura que ficou assentou-se na cadeira do excelentíssimo Juscelino Kubitschek de Oliveira durante oito longos anos, você sentir-se-ia abalado ao ver a decadência moral de nossos políticos. Seu nome: Luiz Inácio Lula da Silva que deveria se chamar, na verdade, Ali Babá. Refere-se a um baixinho da cabeça chata, barbudo, com uma voz pastosa de bêbado, semianalfabeto, pescoço curto e nariz enorme.
Que bom que você já está por aí, ao lado de Deus, Dr. Zoroastro. Um homem como você, se ainda estivesse por aqui, sem dúvida, estaria sofrendo muito ao presenciar tantas aberrações.
domingo, 30 de junho de 2013
UMA PASSEATA EM CANDEIAS.
terça-feira, 25 de junho de 2013
O OLHO NO CISCO
terça-feira, 11 de junho de 2013
AFONSA E AFONSO, E SUAS VIDAS.
Se vivo fosse, o
escritor mineiro, João Guimarães Rosa, com certeza, trocaria o seu rifão de que
"viver é muito perigoso" para "viver é horroroso".
O brasileiro vive, atualmente, a verdadeira guerra do horror. Aquele que
sai à rua não tem certeza se voltará vivo ou inteiro para casa. Encontramo-nos
num mundo no qual o perigo e a incógnita fazem parte de forma ativa da vida.
Podemos notar que o ser humano vai, a cada dia, se perdendo em meio ao horror
de vida que se manifesta por todos os cantos. --- E agora, com essa pandemia, a
coisa nos parece generalizada. O povo já não tem medo apenas dos bandidos, carrega
consigo, também, o medo de um vírus invisível; do futuro e da incerteza em que
vive.
É verdade que o crime existe desde os tempos de Adão. As guerras são
combates que acompanham a evolução do homem, isso porque, afinal são
necessárias para a transformação do universo. O mundo pacato, certamente, não
progrediria. As contendas e os embates são vitais para o progresso. Todavia, a
maldade que habita o homem, ao invés de com o tempo se atenuar, na busca de uma
diminuição, vem assustadoramente se acomodando dentro do ser humano fazendo com
que os filhos de Deus se tornem em demasia maus, invejosos, prepotentes,
egoístas, estando envolvidos, intensamente, em um tipo de sentimento
destruidor.
Hoje em dia, além da maldade inerente ao ser humano, existem ainda as
drogas malignas que infestam, devastam e destroem os lares. ---- As armas de
fogo em poder de pessoas, emocionalmente despreparadas. Afinal, se vivemos em
um mundo cuja caça é proibida, por que, então, há então a fabricação e o
comércio legal de armas de fogo? Esses instrumentos, ao invés de serem
proibidos e ou destruídos não deveriam ser fabricados. Um revólver não é uma
arma de guerra e se a polícia anda armada é porque o bandido está armado.
Conclui-se que está sendo ignorada a lei universal de causa e efeito.
E a corrupção? Principalmente, a corrupção dos políticos? Esses representantes
do povo e que deveriam ser os guardiões e os defensores da moral, dos bons
costumes e da ordem pública, principalmente com o erário público, chegam a
transportar dinheiro roubado dentro da cueca. Não respeitam a base da dignidade
humana. Enfim, tudo aquilo que seria de uso para o bem, vem sendo, amplamente, usado
para o mal. Deixa-se de observar, de buscar o bem público, o bem-estar social
para satisfazer, elevar e ostentar o seu próprio ego e a ganância pessoal.
Sendo o homem um animal racional, ocupante do primeiro lugar na escala
zoológica, é lamentável constatarmos que existem animais se comportando, por
instinto, de forma mais prática. O raciocínio vem sendo usado com insistência
para o crime e para a destruição. Tudo na vida apresenta melhora, menos o
homem. A vida está banalizada. Mata-se
por idiotices. O sofrimento da sociedade se reflete naquilo que o homem cria
com uma mão e destrói com a outra.
Patente está de que o ser humano aprende a viver à base de exemplos.
Qual o bem que poderá fazer a uma criança que assiste a um filme de faroeste?
Um programa de crimes que mostra escancaradamente as vítimas? Uma luta livre ou
de Box, coisas essas que têm por sinônimo a violência? --- Essas formas de
entretenimento dão clara interpretação de que o homem tem o instinto violento.
O comportamento de um adulto é um exemplo para uma criança. Uma criança
que presencia um crime pode guardar esse quadro de horror por toda a sua vida e
essa lembrança associada à fantasia pode lhe fazer muito mal.
Eu tenho guardado comigo cenas vivas do meu tempo de criança. Certa vez,
ao passar à porta do bar do Edmundo Simões, então, situado à Praça Antônio
Furtado, quando dois homens brigavam e um arrancou de uma faca e sangrou o
outro num cena deplorável. Um se chamava Belarmino e o outro Mané Mulato... Outra
vez quando na Igrejinha do Rosário, um homem bêbado deu um tiro no meio do povo
e acertou uma filha do senhor Sidney Galdino...
Outra vez eu pude presenciar uma
cena terrível quando aconteceu no Bairro da Lage, em Candeias, um crime bárbaro.
O marido, que se chamava Afonso, matou a facadas a sua esposa, Afonsa, e logo
se suicidou, ficando os dois corpos banhados, em um poço de sangue, no interior
da residência. Essas cenas até hoje, encontra-se guardadas dentro de mim cuja
lembrança fúnebre eu jamais consegui expurga-la.
A fragilidade das autoridades da época deixou que esse quadro de horror
ficasse à disposição dos curiosos, dentre eles: adultos, crianças e idosos.
Todos podiam ver de perto os corpos sem vida expondo um quadro, verdadeiramente,
assustador. Supunha-se tratar de um crime passional. O fato de marido e mulher
terem o mesmo nome criou-se, por muitos anos, entre os candeenses, o mito de
que o casamento de ambos de nomes iguais não teria sorte.
Até hoje, após mais de sessenta anos, vem à tona de minha memória todos
esses quadros de horror que entrou pelos meus olhos, passou pelo meu cérebro e
ficou estacionado dentro do meu coração.
O mundo não está ameaçado pelas pessoas más e sim por aquelas que
permitem a maldade. (Albert Einstein)
Armando Melo de Castro
Candeias Casos e acasos.
sábado, 1 de junho de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
O CONTADOR DE PIADAS.
E esse circo que já chegou perdendo o folego financeiro, viu a sua
situação agravar tanto que de uma só vez levou a sua companhia abandona-lo e
voltar para as suas origens. Ficara apenas o palhaço, preso por laços de
amizade com o proprietário, e por ter o pai que o acompanhava pelo mundo, idoso
e doente. Até que ele, o palhaço, do mesmo modo, vendeu o seu rádio “rabo
quente” para o meu tio Wantuil Delminda e regressou à sua terra no interior de
São Paulo. Após a partida do palhaço, que era a melhor atração do circo, o
proprietário do itinerante ficou de pernas e mãos atadas. Assim, a sua
companhia se resumiu numa irmã, dois filhos adolescentes, um cunhado domador de
cachorros e a sua esposa, uma mulher realmente bonita e que tinha um
corpo de chamar a atenção. ---- Com a aquela história que a luz vem hoje
ou vem amanhã, a situação deles foram se agravando.
A irmã do dono, que era uma balzaquiana pra piscar o olho, encanou a sua perna com o Dite Freire, que era meio tarado com as mulheres de circos e ciganos que se armavam ali na Praça Antônio Furtado. Ele estava sempre beirando essas mulheres e às vezes saia contando as vantagens, os preços, mas nunca contava onde teria sido a alcova ou o leito de onde teria acontecido a barganha com a laranja, os gritinhos e os gemidinhos...
Enfim, a luz voltou vinte dias depois.
Esta soca da companhia não era de artistas eram apenas participantes do espetáculo. e ele que era o “escada” do palhaço daí então, se transformou, às pressas, em um palhaço sem graça tendo por escada a sua própria esposa. Os seus dois filhos, ainda adolescentes e inexperientes, faziam, precariamente, uma apresentação improvisada sem nenhuma atração. --- Outro número que ainda restou foi o do domador de animais que era seu cunhado, consequentemente, da família e que fazia uma apresentação com os cachorrinhos, formando dois times de futebol, sempre vestindo camisas de times variados. Realmente, essa era a única atração que interessava a uns poucos expectadores. E como a situação financeira do circo deixava a vida dos cachorrinhos periclitante, não faltava quem ajudasse na alimentação dos animais. Os açougueiros davam pontas de carnes e supunha-se que o pessoal do circo se tornava convidados dos cachorros. Aliás, num tempo de carne barata era comum os açougueiros dar pontas de carne para os animais
O dono do circo, que de artista nada tinha, teria sido um aventureiro que saiu do interior de São Paulo, após comprar esse circo de um proprietário idoso sem filhos que tivera que abandonar o ramo por ter sido falecida a sua esposa. Esse proprietário aventureiro teria saido pelo mundo, vindo parar em Candeias.
O circo que antes não era bom quase sem atrações, agora teria ficado pior. A verdade é que era uma plateia minguada, composta, em sua maioria, pelo sexo masculino e que ia ao espetáculo apenas para ver a sua esposa de maiô. A coroa era, realmente, muito bonita e em uma cidade sem piscina, sem praça de esporte, sem mar, e naquele tempo, bem atrasada, ver uma mulher de maiô era somente em um circo. E a turma babava assistindo, ao vivo, àquela cena que apenas se via nas telas dos cinemas. E o pobre dono do circo, sem alternativas, presenciava a sua mulher ser chamada de “avião gostoso” "trem bão" " quanto quer" sem poder falar nada.
Na ânsia de atrair algum expectador, em prol da própria sobrevivência, o
proprietário circense já não tinha mais o que inventar, portanto, fez-se a
tentativa de montar espetáculos com recursos gratuitos da cidade: foi luta de
boxe, em um ringue improvisado; foi luta livre; ( Nisso eu me lembro do Dico do
Josias, quando ele levou um soco no rosto que saiu todo ensaguentado) Com essa
sena acabou esse tipo de atração. --- Dai surgiu o programa de calouro,
orquestrado por músicos da cidade que colaboravam com o modesto coliseu. Nisso
eu me lembro de uma tal de Ivanilda, que quando ela começava a cantar a plateia
caia na gargalhada, de tão desafinada
que era.
Finalmente, ele resolveu fazer um concurso de piadas e convocou a se
inscreverem pessoas da cidade para contá-las. Havia, todavia, uma importante
recomendação de que nas anedotas não poderiam conter palavrões. Seriam apenas
piadas de salão que pudessem ser entendidas por crianças, jovens, moças e
senhoras. Não, poderia, consequentemente, faltar com o respeito ao público.
Balbino, o cortador de pedras que já foi personagem de um caso contado neste blog, DOCE DE BICHO DE GOIABA, se inscreveu para contar suas piadas no dia do espetáculo marcado.
Não existia qualquer assistente nas arquibancadas. A assistência presente se limitava a um preço único que era promocional para as cadeiras que rodeavam o picadeiro. O concurso de piadas ia, até então, muito mal, não causando tanto interesse na plateia. Afinal, piada para ser engraçada tem que ter malícia, palavrão e tudo que retrata coisas proibidas de falar. Poucos são aqueles que conseguem fazer um humor sem maldade. Finalmente, chegou a vez do Balbino:
Logo, na hora “H”, ele é chamado ao picadeiro e se apresenta todo sorridente, como se fosse um arlequim famoso, mostrando as suas presas superiores e o céu aberto da sua boca. Ele não possuía os dentes da frente, o que deixava à vista a vermelhidão de sua úvula palatina, sem nenhum exagero.
Começa o Balbino:
--- Oh, Gente! Buanoiti! No dia qui eu iscutei essa piada, eu ri até fazê xixi
nas carça. Daí, eu passei a contá ela pusôto. No dia qui eu contei pu
Gerardo Dorcilino, pur pouco, ele num feiz cocô nas carça. Ele arriu, arriu,
arriu, até num querê mais. É uma piadinha boba, mais, ela é bem ingraçada. Eu
quero oferecê ela pus vereadô da cidade que gosta de gozá os rocero. E quem
pensa que rocero é bobo, tá inganado.
A piada é assim:
Um cabôco ganhô a eleição de vereadô e ficô mitido dimais da conta. Ele
tinha um carro, aí, arrumô um mutorista particulá pá dá un’has vorta pas roça
afora. Sentou atrais no carro, como se fosse o Presidente do Brasir ou um
deputado famoso. Ele era mitido dimais, sô. Mais dimais memo.
Quando foi passano
perto de uma roça de mio, viu um véio capinano num solão danado de quente. Ele
que divia ficá cum dó do véio, mandô pará o carro, abriu a ginela do carro e gritô:
--Oh, caipira! Prá dondé qui eu vô, fica longe?
E daí, o pobre do
véio incostou no cabo da inchada, pensô, pensô e falô prele:
---Óia, moço! Aí, vai dependê, sô. Se ocê tá indo vê aquela vaca que te pois no
mundo, já ficô lááá atrais; --- Se tá indo atrais daquilo que todo
mundo joga na privada, tá lááá na frente; agor’a se ocê tá quereno levá no
trasêro no lugá que a galinha toma, é aqui no meu colo, uai.
E ninguém riu. Ninguém achou graça. Ninguém entendeu o sentido da piada e,
assim, Balbino apelou:
--- Uai parece qui ninguém achô graça, sô! Tamém a gente contá piada sem
podê falá: vá pá puta que te pariu, vá pá merda e vá tomá
no rabo... Não dá né...Aí, ninguém ri, uai. E a gente fica com cara de fejão
sem sale.
Assim que ele disse isso a turma caiu na risada e não parava de rir. Agora ele
teria sido muito, muito engraçado.
Finalmente, foram
todos embora. O circo ficou abandonado por muito tempo. Até que um dia foi
levado embora. Lembro-me de Dona Fina Teixeira, com a voz embargada dizendo: “Como
é triste a vida de artista”.
Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e
Acasos





.jpg)
