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terça-feira, 9 de outubro de 2012

UM VOTO SEM LOUVOR


Esta foto retrata a lambança moral que se encontra a politica brasileira.
Juntos, Lula, Collor, Sarney, Fernando Henrique e Dilma... É o proletariado lambendo a elite... Quem diria hem Lula!...
 A cada anO que passa, a estratégica política vai, progressivamente, ficando mais atrevida, mais audaciosa, mais grosseira e sem civilidade. Estamos vendo, por aí, não somente em Candeias, mas, por todos os lugares, uma enorme falta de qualidade e despreparo dos candidatos, principalmente, a vereador. Percebe-se, claramente, que certos indivíduos pensam que ser vereador é assentar-se em uma cadeira, uma vez por semana, tecer alguns comentários sobre certos assuntos e ficar aguardando o gordo salário que sai do bolso minguado da população.

\Entretanto, quem pensa assim não está tão errado. Na realidade, pelo que acontece na prática, acaba sendo isso mesmo. O que um vereador faz para ganhar um salário tão alto? Não faz muito tempo que vereador nem tinha salário. Se a bocada não fosse tão boa, ninguém ia procurar ser um vereador. Afinal de contas, será que os vereadores de pequenas cidades merecem o benefício monetário que recebem pelo que fazem. A principal atividade de seu ofício é participar de uma reunião semanal da qual não sai quase nada. No mais, é ficar puxando o saco de deputado safado que apenas visita os municípios nas épocas das eleições. Vêm, prometem mundos e fundos e, depois, somem. E se fazem alguma coisa para a população ficam, posteriormente, batendo nessa tecla pelo resto da vida.

Os pedintes de votos são iguais aos mendigos. Em seus discursos constam sempre as promessas que jamais irão cumprir. Dessa maneira, compreendemos a frase popular que diz: “Engana-me que eu gosto”.

Por falar pedintes de votos que pedem como esmolas, eu tenho observado que os cabeças de chave têm usado, agora, de uma nova estratégia. Levam as pessoas humildes a se candidatarem. Pessoas sem a menor condição de assumir sequer a faxina da Câmara Municipal, pleiteando alguns votos a fim de serem somados à legenda. Isso é uma verdadeira vergonha.

Tenho visto, em minhas andanças pela vida, mendigos serem candidatos à função pública de vereador. Essas pessoas sabem muito bem o uso do vernáculo pedir.
Eu vejo nisso um grande desencontro técnico, uma imensa desarmonia ideológica, uma enorme divergência filosófica e, finalmente, uma aberrante discordância humana. Isso porque, para qualquer atividade, é necessário ao cidadão estar preparado. E, no entanto, para se candidatar a essa importante função pública, ou seja, para ser um agente público que terá o poder e a responsabilidade de legislar sobre as questões de relevância e interesse para o município basta saber rabiscar o nome e soletrar palavras. A prova maior disso está no legislativo federal, mais precisamente, na Câmara dos Deputados que é composta, atualmente, pelo deputado federal e “palhaço” Tiririca, representando o povo do estado de São Paulo. Quantos votos seus sobraram para fortalecer a sua legenda? O bom candidato nem sempre é eleito mesmo tendo muitos votos. O sistema político do Brasil fortalece os partidos. E é por isso que os partidos ficam colocando pessoas famosas como jogadores de futebol, artistas de televisão ou pessoas humildes que sabem e não se acanham em pedir votos na ilusão de que serão eleitos. Pura estratégia dos donos dos partidos. E o pior que vêm conseguindo seu intento. O povo precisa ser conscientizado. Todavia, qual o político que vai se preocupar com essa questão?

Eles, os políticos, não percebem, contudo, a gente, que está de fora, vê a agonia em que eles ficam por causa de um voto. Em cidades pequenas, onde todo mundo conhece todo mundo, mesmo eles sabendo que existem eleitores que já estão comprometidos com seus candidatos, aproximam-se e mendigam o seu voto, com falsas promessas. E são promessas falsas ou porque estiveram lá e nada fizeram ou nunca estiveram por lá e não sabem nada de nada.
A gente fala da desonestidade dos candidatos, fala da corrupção que os rodeiam, mas, é preciso ressaltar que existe eleitor safado, vergonhoso, indecoroso, duvidoso e desleal. Aquele que vende o seu voto ou aceita alguns benefícios em troca de voto é tão desonesto quanto o que compra. O voto deve ser dado livremente e não comercializado de forma banal como vemos dentro da nossa sociedade.

A diferença é que os eleitores são desonestos somente na época de eleição e o político durante o mandato, fazendo o seu caixa para as próximas eleições quando terá que estar provido de recursos para nova compra de votos.

É praticamente impossível alguém se eleger sem comprar votos. Só se não existisse eleitor safardana e mercenário.
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São muitas as maneiras de comprar votos e muitas delas nem as leis conseguem acautelar. Ninguém sai por aí pedindo voto para alguém sem levar a sua bela vantagem. Eu conheço um cabo eleitoral que vive fazendo dívidas com promessas para a próxima eleição. Para mim, o indivíduo que leva vantagem em troca de voto é um imoral, infame e vil. Isso porque vendendo o seu voto ele estará fomentando a corrupção.

Certa vez, na cidade de Governador Valadares, eu acompanhei um cidadão que foi à presença de um deputado eleito para cobrar deste um quilômetro de asfalto. Tratava-se de um pequeno trecho que dava acesso a sua comunidade. E, friamente, na minha presença, esse deputado respondeu para o seu cabo eleitoral que lhe teria rendido quase mil votos: “Você está de brincadeira não é, turco?! Eu não lhe devo nada, rapaz! Os votos que você me arrumou já foram muito bem pagos”. Restou ao comerciante de voto enfiar o rabo no meio das suas pernas e sair calado. E, agora? Isso representa apenas uma amostra do povo levando...
Enfim, os eleitores desonestos são os grandes responsáveis pela corrupção dos políticos. Assim, uma parte menor corrompe os políticos e esses corrompem o povo todo.

Apesar de existirem leis que impedem esses benefícios da venda de voto, na prática, isso se torna impossível de ser evitado. Os chamados cabos eleitorais são os agenciadores dessa pouca vergonha entre candidatos e eleitores. Portanto, o jogo político consiste num mercado negro complicado de ser controlado. Não é difícil observar que, nos dias atuais, não existem mais as paixões partidárias. Hoje, são apenas interesses. E aquele que recebe ajuda do eleitor profissional pode esperar a facada. Quando vimos alguém falar que está trabalhando política é o mesmo que estar falando: estou ludibriando os idiotas para votarem em mim ou em meu candidato.

Sintetizando, vale a máxima de Maquiavel, presente em seu relativismo: “Os meios justificam os fins”.
Dentro das gavetas de minha memória, se encontra a história do Quilico, o grande candeense Aquiles Langsdoff, um exímio serralheiro da nossa cidade. Era um homem inteligente, descendente de pai alemão e construtor da grande cruz que se encontra no Bairro do Alto do Cruzeiro. À noite, estava sempre ali no Bar do Sebastião do Leonides, hoje, do seu filho Carlos.

Certa vez, um partido político insistiu tanto para que ele fosse candidato que ele se candidatou na marra. Achavam que por ser ele uma pessoa inteligente poderia ganhar muitos votos. Ao término da apuração, quando alguns eleitores estavam reunidos no referido bar, chega um cidadão com a lista dos candidatos e seus respectivos votos. Anunciara que Quilico recebera dois votos.

Ao saber disso, o serralheiro disse: “Vejam, aposto que estes dois votos foram do Sebastião Redondo e de sua esposa porque me disseram que votariam em mim devido a um favor que lhes fiz. Eu bem que insisti com eles para não desperdiçarem os seus votos. O pior que agora serei suplente sem querer.”
Isso é que se pode chamar do tempo em que se amarrava cachorro com a linguiça.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos




Candeias Casos e Acasos

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