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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

AMÉRICO BONACCORSI, UMA SAUDADE.


O grupo da foto é Abelino Salviano, Antonio Jacinto, Américo Bonaccorsi,José Delminda, Luizinho do Américo, João Virgílio e Dino Guimarães. O Dino ainda é vivo, os demais são todos já falecidos.
Ontem, dando uma remexida nas gavetas da minha memória, deparei-me com o “Jazz Tiro e Queda”, o histórico conjunto de Jazz do  maestro candeense Américo Bonaccorsi.
Uma das mais agradáveis lembranças que tenho guardadas, é deste grupo musical, genuinamente, candeense e que marcou época na história da nossa cidade.

Durante sua duração, a sua composição teve muitas variedades de músicos, entretanto, citarei, aqui, um grupo que formava o elenco mais constante nos eventos abrilhantados pelo Tiro e Queda:
Na parte de solo, apenas com instrumentos de sopro, estavam o Américo (saxofone), o João Virgílio (pistom), o Zinho Borges (trombone).

No acompanhamento, Luizinho Bonaccorsi (filho do Américo) na bateria, Zé Delminda, no banjo, o Pedrinho do Candola no cavaquinho, e eventuais auxiliares na maracá, no pandeiro e em outros instrumentos. O cantor era o Zé Vilela com o seu repertório romântico. Não existiam instrumentos elétricos.

Como santo de casa nunca faz milagre, os grandes bailes e os eventos importantes em datas especiais, eram abrilhantados pelo Conjunto Centenário de Formiga e pela Orquestra do Totó de Campo Belo. Outras orquestras passavam por Candeias, muitas das quais internacionais que viviam em turnê pelo país. Um exemplo é “O Cassino de Sevilha”, uma grande orquestra espanhola, com mais de duzentos anos de formação e que, até hoje, viaja pelo Brasil e por outros países. Esta famosa orquestra esteve em Candeias por mais de uma vez, nos bailes organizados pelo então Clube Recreativo Candeense.

Certo número de jovens criticava o conservadorismo do “Tiro e Queda”, pois, dificilmente, aparecia com uma música nova. Acontece que, naquele tempo, o sucesso não era coisa efêmera. Era duradouro. As condições técnicas eram precárias, afinal tratava-se de músicos que não viviam somente da música. Contudo, mesmo assim, a presença do Tiro e Queda era constante, principalmente, para o carnaval quando o conjunto ensaiava as músicas novas e era visto como muito bom para eventos carnavalescos. Durante anos e mais anos, o carnaval candeense foi animado pelo famoso “Jazz do Américo”.

Os bailes programados pelo então Clube Recreativo Candeense eram de alto nível e, mesmo quando apresentados pelo modesto Tiro e Queda, diante das críticas na comparação, os jovens se portavam de terno e gravata como se fossem para o altar e as moças, vestidas com afinco, como se estivessem indo ao encontro do noivo. Aliás, antigamente, um namorado tomava banho e se trocava de roupa para ir ao encontro da namorada que, por sua vez, o aguardava, também, preparada. Isso era muito bonito, muito romântico. Infelizmente, nos dias de hoje, essas coisas já não são tão levadas a sério.

Atualmente, não temos mais um conjunto musical sequer ao nível do popular “Jazz do Américo”. O mundo eletrônico nos roubou esse contato direto com a música. O cantor de hoje não vive mais a canção. O computador fabrica vozes e roubam o verdadeiro som do instrumento. As composições são vazias e troca, na maioria das vezes, o sexo pelo amor na hora da inspiração.

O Jazz do Américo tinha a voz fiel da música. O seu sax era ouvido de longe e ele amava a música como se amasse o seu próprio “eu”. Participou, durante anos, como membro da Banda Musical Nossa Senhora das Candeias e de todos foi sempre o grande amigo, o grande colega.

Américo Bonaccorsi nasceu no antigo Arraial de São Francisco de Paula, filho de Italianos da família Bonaccorsi que primeiro se aportou em São Francisco vindo, posteriormente, para Candeias. Américo Bonaccorsi é um orgulho para os italianos e para nós candeenses. Um candeense por adoção que amou Candeias tanto ou até mais quanto qualquer outro que tenha nascido em seu solo. Serviu Candeias, não somente com a graça de sua música, como também com os seus serviços como grande comerciante de aves e ovos que eram enviados para o Rio de Janeiro nos tempos em que não existiam essas numerosas granjas. Esse seu comercio trazia grandes divisas para a economia candeense como também a prestação de serviço oferecida pelo seu famoso “Candeense Hotel” conhecido em diversos pontos do Brasil. O nosso Maestro Américo Bonaccorsi era, também, tio-avô do famoso maestro de nome internacional, Silvio Barbato, que faleceu num acidente de avião numa viagem à França.

Casado com a senhora Alice Viglioni com a qual teve cinco filhos. Prole que sempre participou intensamente da sociedade candeense. Luiz Bonaccorsi Neto (Luizinho do Américo), Wander Bonaccorsi (Wandinho do Américo), Armida Bonaccorsi, Sônia Bonaccorsi e o caçula, Enio Bonaccorsi.

Américo Bonaccorsi era um homem de grandes amigos. A sua amizade com o meu pai, José Delminda, era como se fosse uma ligação de irmãos.

É muito difícil existir uma pessoa que não saiba ofender alguém. Pois, Américo Bonaccorsi não sabia. Era um homem inofensivo que fazia da música a sua verdadeira oração. O silêncio do seu instrumento musical entristece as lembranças de quem lhe conheceu. Sua morte foi como uma ribalta que se apagou para a musicalidade candeense entre todos que o conheceu.

Lembrar do músico Américo Bonaccorsi é lembrar de tempos áureos. Portanto, onde quer que esteja, meu querido amigo Américo Bonaccorsi, receba o meu abraço e a minha saudade ao som de “O abre-alas” e de “Jardineira”. E por que não dizer, também, ao som do Bolero de Ravel e da Aleluia de Mozart?”

ARMANDO MELO DE CASTRO
Candeias MG Casos e Acasos



2 comentários:

Márcio Lamounier dos Reis disse...

Armando, uma dúvida: Vc deparou com um disco de vinil gravado pela banda? Se sim, tem como reproduzí-lo para CD. Aí em Candeias não sei se tem alguém que faz esse tipo de serviço, mas com certeza nas cidades vizinhas tem. Talvez Denílson da Foto, filho do Eustáquio da Caixa, saiba informar. Agora o principal: Será possível vc disponibilizar as músicas para nós?

Gestão do Tempo, Produtividade e Colaboração disse...

Olá Armando,

Gostei muito de sua postagem sobre o meu Avô Américo e assim como você tenho boas recordações dele, de seu pai e dos amigos que tocavam na Banda.
Como ele gostava de dizer: " A Banda que tocava de Banda, rodava de Banda... era uma Bandalheira."

Voc~e captou e registrou muito bem a personalidade autêntica, honesta e até mesmo inocente de meu Avô. Um home de Família - como convém a alguém de descendência Italiana, bronco na fala e doce no trato.
Obrigado pelos registros e memória.
Wander Sena
Araços