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terça-feira, 2 de junho de 2009

CLUBE RECREATIVO CANDEENSE


O Clube recreativo Candeense, foi, durante muitos anos, o cartão de visita de Candeias. Humilde agremiação social que serviu de palco para muitas histórias, muitas alegrias, muitos encontros e muitos romances.

Uma funda e doce emoção leva-me até aos dias da existência do Clube Recreativo Candeense, onde realmente eu pude me divertir trabalhando; como funcionário, como sócio e diretor. Participei da vida daquele segmento da sociedade candeense como se fosse o meu próprio lar.

A primeira vez que participei da vida do Clube foi quando a sua diretoria era composta pelos Srs. José Ribeiro, Presidente – João de Souza Filho, Vice Presidente, Carmélio Ferreira de Carvalho, Tesoureiro e Ari Ferreira Brasil, Secretário.

A sede consistia em apenas um palco, o salão, uma sala para a secretaria o barzinho e dois banheiros. Era muito humilde, porém bastante calorosa. Situava-se no segundo andar do prédio onde se encontra, atualmente, o Fórum Dr. Zoroastro Marques da Silva.

Além de suas atividades recreativas o clube servia, também, como ponto de apoio diversificado. Se um político visitava a cidade, lá acontecia o encontro com as lideranças. --- Se havia um júri, o salão era improvisado num tribunal do júri, tendo em vista que a sede do Fórum não possui um salão adequado. ---- Ainda servia às escolas para a apresentação de pequenas comemorações infantis, exposições culturais etc. Eu tinha mais ou menos uns doze anos de idade quando fui chamado pelo Lico do Matadouro para auxiliá-lo como garçom em noites de baile.

Lico era o funcionário responsável pela sede e comandava o bar nas noites de festas. Às vésperas de um baile preparava o salão e abastecia o bar. Durante a semana a casa era aberta e permanecia à disposição dos sócios para a audição de músicas, hora dançante, jogo de tênis de mesa e baralho etc. Enfim, um ponto de encontro muito saudável da juventude candeense.

Com o passar do tempo, Lico deixou o trabalho transferindo para mim o emprego que tinha como “bico”. Durante muito tempo fui responsável pela preparação da casa para as festividades: carnavais, festas de São João, bailes comemorativos etc. Deixei de participar dessa atividade quando tive que ir embora para outra cidade. Pois aquele emprego não me dava expectativas e eu já contava com os meus quinze anos.

De volta à Candeias, um ano depois, o clube estava as portas de seu fechamento. Teria contraído dívidas em virtude de grandes eventos, com orquestras de alto custo e os bailes haviam dado prejuízo. Ninguém queria assumir a diretoria e o Clube recreativo Candeense, outrora palco de tantas alegrias, estava com a sua ribalta apagada.

Nessa época formou se um grupo para recuperação da instituição. O grupo compunha-se de treze pessoas sendo elas: Zé do Anjo, Emídio Alves, João de Souza Filho, Ari Ferreira Brasil, Joãozinho do João Pinto, Salete Pacheco, Wander Bonaccorsi, Elda Riani, Cesare Mati, Waldir Fernandes Pinto, Pedro Vieira de Azevedo, Vavá do Joanico e eu. Cada um tinha a sua função. Zé do Anjo era o presidente e mais doze diretorias. O mandato seria por um ano e havia doze metas, entre elas a reforma dos estatutos. Competia-me a mesma terefa de antes, porém, agora sem remuneração.

Foram doze meses de muito trabalho, mas nesse ano aconteceram os melhores bailes e um grande carnaval de rua e de salão, com o Conjunto Centenário de Formiga, o mais famoso conjunto musical da região comandado pelo maestro Messias. Não houve sequer um evento que a casa não superlotasse. Nesse período foram apresentadas diversas orquestras famosas entre elas, “O Cassino de Sevilha” grande orquestra da época e outras mais que excursionavam pelo interior do Brasil, sem deixar de mencionar a famosa orquestra do maestro Totó, da cidade de Campo Belo. Foram prestigiados também os músicos de nossa cidade.

O Clube Recreativo Candeense teria renascido para a nossa felicidade. Não havia dívidas para pagar. Estava todo pintado de novo e com algum saldo em caixa. Entregamos a casa organizada para uma diretoria eleita.

Quanto a mim era hora de partir de novo em busca de novas plagas com o fito de arrumar a minha vida. Apesar de amar a minha terra, não havia como lá permanecer. Depois disso fui para São Paulo; desde então só retornei a Candeias para estar de férias e visitar familiares. Poucas oportunidades foram as quais eu pude freqüentar o meu querido Clube Recreativo Candeense nessa ausência.

Certo dia, quando de férias em Candeias, ao descer a Avenida 17 de Dezembro vi aquele amontoado de móveis à porta do Clube. Assustei-me! E ao saber que o Clube estava sendo despejado humilhantemente; através de uma ação judicial executada pela Prefeitura de Candeias, lamentei profundamente a forma dramática dada ao fim de uma instituição histórica e tão representativa para o povo candeense.

A saudade é um estado de emoção dorido que ludibria o nosso esforço para não senti-la. Aquela cena, até hoje, fere o meu coração. Foi como se rasgasse o retrato de um pedaço da minha vida.

Armando Melo de Castro
Lagoa da Prata- Minas Gerais

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom saber que Candeias nem sempre foi a merda que hoje em dia é,um lugar sem nada pra fazer,cujo um lado ruim da população cresce a cada dia,um bando de adolescêntes e crianças drogadas ouvindo musicas que influênciam a vida vulgar e violênta,são escravas do sexo e da cocáina(caso eu esteja mentindo faça o favor de ir contra tudo oque eu diga com provas bastantes confiáveis).Uma cidade cada vez mais invadida por tráficantes de cidades vizinhas,enfim Candeias é 1 mosaico de sentimentos nostálgicos,agradeça a Deus por não ter nascido no século XXI,você nasceu no tempo que a inteligência existia por essas bandas em grande escala,agora o mundo alienado e banalizado faz novos escravos a cada dia...

Claudia Saldanha disse...

Na minha infância ainda tive o gostinho de brincar carnaval em matinês do Clube! Poucas vezes fequentei o carnaval à noite, mas foi o bastante para ter boas recordações guardadas! Que saudade da banda tocando as marchinhas, lembro-me principalmente do Zinho Borges e do Zé Arcanjo (Correios)!