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terça-feira, 24 de outubro de 2017

O BANDIDO DO COLARINHO BRANCO.



Sendo mineiro e bairrista como eu, não seria de causar espanto algum aos eleitores de outros Estados da federação, caso conhecessem a dignidade da história mineira que retrata os mineiros que votaram em AÉCIO NEVES. ------ 

É lamentável que após ter sido seu fiel eleitor desde a sua primeira eleição para deputado, ter que vê-lo chamado de bandido, criminoso, ladrão do dinheiro público, numa ampla exposição através da grande mídia... ---- Tomar conhecimento de seu relacionamento com fitas gravadas tornando-se obvio os seus crimes e seu verdadeiro caráter chulo... -----Tê-lo indigno não somente do meu voto, mas dentro de sua própria família, quando levou à prisão a sua própria irmã e um primo que o assessorava. 

---- AÉCIO NEVES é um traidor dos mais miseráveis. Traiu os seus ancestrais; traiu os seus eleitores; traiu a sua família, traiu a história mineira onde nasceu a liberdade. Traiu a Inconfidência Mineira; o Manifesto dos Mineiros; a República do Café com Leite e a participação dos mineiros na redemocratização do país. ----- Grandes nomes de mineiros tiveram ampla participação nesse processo, entre eles, Afonso Penna, Juscelino Kubitschek, Itamar Franco e Tancredo Neves (como Primeiro Ministro antes da revolução de 64). ----- Tivemos, também, a participação de muitos ministros, entre eles, Milton Campos, Gustavo Capanema e José Maria Alkmin. 

----Os mineiros sempre se sentiram honrados com a sua história política; com a dignidade de seus políticos; com o respeito à causa pública. E, no entanto, aparece, agora, um bandido da pior espécie, e pior ainda: descendente de um homem honrado que amava o Brasil, que morreu pobre e dedicou toda a sua vida ao Brasil. Esse homem era Tancredo Neves. Tancredo que enquanto os políticos do rabo preso eram expulsos do país por corrupção, Tancredo conversava, enfrentava ditadura militar não como revolucionário, mas sim com a força do diálogo na busca das “Diretas Já”. 

Esse crápula que atende pelo nome de AÉCIO NEVES, se tivesse um pouquinho de dignidade e de vergonha na cara se renunciaria ao cargo que sete milhões de mineiros traídos lhe deu. Mas não. O bandido continua, agora, na busca de artifícios falsos diante do óbvio. Descaradamente falando em defesa de si, falando em defesa do indefensável. Afinal ele sabe que a Justiça nem sempre é cega. 

----- É preciso testemunha de vista para atestar a autoria dos crimes de corrupção cometidos por AÉCIO NEVES? Não, não e não, nos responde a razão, o bom senso e a realidade dura. O que poderia ter levado AÉCIO a trair os sete milhões de eleitores que o elegeu? Um politico bem sucedido, sempre eleito com número expressivo de votos; herdeiro de bons nomes como Tancredo Neves e Tristão da Cunha, com a chance de ser o futuro Presidente da República e ter o seu nome cravado honradamente na história, como tem o seu avô. 

A resposta não poderia ser outra: Só mesmo aqueles que têm o instinto maligno e a tara do crime poderão assim se comportar. Como eleitor que votei nele sou, infelizmente, uma célula do poder que ele detém sem merecimento. 

------ Para mim, os seus amigos e colegas da política e do Senado, com arroubos de oratória e no benefício da dúvida de provas, brindam o povo brasileiro dando a esse bandido de colarinho branco, tinta para a sua caneta criminosa, com a qual continuará sangrando o povo brasileiro, especialmente o povo mineiro. 

----- Resta-me ver esse canalha que sobe à tribuna do Senado Federal, para falar de família, inocência, honra aos seus eleitores e trama ardilosa, eu vejo isso como o cúmulo da hipocrisia; o instinto do crime; a tara do bandidismo, presos como mascara da imoralidade no seu rosto.

Armando Melo de Castro.







domingo, 15 de outubro de 2017

LICA DO JOÃO PASSATEMPO.


---Ouvi no noticiário que o gás de cozinha poderá ter um aumento. --- E eu logo pensei, com essa pandemia, a situação financeira do povo precária como está  não seria bem vindo nenhum tipo de aumento, principalmente desse produto que se trata de algo de necessidade básica. ---  Mas enfim, fazer o quê? Afinal quem mora em apartamento assim como eu, não tem alternativas... É pagar o preço que vier ou fechar a cozinha. Contudo, acredito que isso não será o proposito de ninguém.

 ---Segundo as pesquisas, nesse momento de crise uma revenda de gás é um dos negócios mais rentáveis. Isso porque o gás tem sido vital para a economia e é um produto de venda e giro rápidos, pois não fica estocado por muito tempo. Além disso, não tem prazo de validade; e trata-se de um produto de necessidade básica. Segundo as estatísticas o gás de cozinha tem uma penetração muito maior que a energia elétrica, a água encanada e a coleta de esgoto no país e está presente em 98% nas casas dos brasileiros independente da região e da renda da população.

---Mas falando nisso, fermenta nas dornas do meu cérebro um fato guardado bem nos fundos da minha memória desde a década de 50, quando a minha idade girava em torno dos dez anos.

 ---Em Candeias não havia gás de cozinha. As pessoas usavam fogão a lenha; ou pó de serra fornecido gratuitamente pelos proprietários de marcenarias, e/ou casca de café conseguida nas máquinas beneficiadoras; também de graça.

 ---A lenha era vendida aos metros cúbicos pelos fazendeiros. Naquele tempo não havia esse rigor das leis e nem da polícia florestal sobre o desmatamento. As pessoas mais humildes ou sem disponibilidade financeira para comprar um metro cubico de lenha, compravam feixes, fornecidos pelas lenheiras que tinham essa fonte como complemento de renda. 

 ---Elas transitavam livremente pelos matos na busca dos galhos secos; faziam os feixes já encomendados pelos compradores que economizavam ao máximo aquele combustível caro para quem comprava, e barato para quem vendia. ----- Comumente as lenheiras eram vistas pelas estradas com enormes feixes de lenha sobre as cabeças amparadas por rodilhas. Elas se levantavam cedo e iam pelos matos a procura de lenha, num trabalho árduo, que resultava então da venda por CR5,00 (cruzeiros) para uma ajuda nas despesas da casa.

 --Mulheres com filhos pequenos, onde os maiores ficavam tomando conta dos menores enquanto a mãe buscava lenha. Era uma vida miserável num tempo de muita pobreza.

 ---Apesar de pertencer a uma família proletária eu tinha a minha infância feliz. Tinha pai e mãe que viviam em prol da família e a gente tinha o básico necessário para a sobrevivência. Parecia-me, portanto, sentir que era o povo daquele tempo mais feliz, mesmo estando com as suas roupas remendadas; pés no chão; bolsos sem dinheiro; a cabeça de palha no bolso da bunda; o cigarro de fumo de rolo; bem como o toco do cigarro agarrado na orelha... Isso era como o retrato da pobreza, bastante comum. ----- Dava até para pensar que fumar era o único prazer que o pobre sentia -----. A tranquilidade para fazer o cigarro e a paciência para acendê-lo com aquela binga rústica seria uma mostra de um comportamento inexistente nos dias atuais.

 ---Não havia tantos produtos industrializados e nem empacotados, tudo era a granel. Comprava-se 250 gramas de banha, meio quilo de arroz e meio de feijão. Nem tudo era vendido por quilos, ou seja, as pessoas compravam produtos até para fazer apenas uma refeição. Muitos trabalhavam a parte da manhã para comer à tarde. A vida do pobre era difícil, muito difícil.

 ---E hoje, ao ter a notícia de que o botijão de gás vai ter aumento de preço, eu dei uma olhada no retrovisor da minha vida e vi a Rua Coronel João Afonso Lamounier, em Candeias, rua onde nasci, e palco da minha infância.

 ---Lembro-me, então, de uma mulher pequena, mulata, conhecida como LICA DO JOÃO PASSATEMPO e que tinha como prática frequente ir todos os dias aos matos buscar um feixe de lenha para vender pelo valor de C$5,00 (cruzeiros.) era o dinheiro da época, o que numa conversão para o real não seria mais do que R$ 12,00, por uma viagem aos matos durante horas e horas para encontrar um feixe de lenha.

 ---Certo dia o meu Tio, João Delminda, pediu-me para ir até a casa de Lica, que ficava na mesma rua, encomenda-la um feixe de lenha. ----- E ela educadamente, disse-me: “Armando, avise ao seu tio que nós, as lenheiras, passamos o feixe para 6 contos, a coisa tá preta, subiu tudo, o metro já subiu duas vezes; estamos indo longe pra achar lenha e esse foi o motivo de nós também ter que aumentar um pouquinho”.

 ---Avisei-o, mas meu tio não disse nada. – Dois dias depois Lica chega à casa do meu tio, próxima a minha, com o feixe de lenha. Eu a observei enquanto aguardava o meu tio com o dinheiro para paga-la: molhada de suor, aspecto de cansaço, segurando as cordas de amarrar o feixe e a rodilha, suas ferramentas de trabalho, tomando um copo d’água como se estivesse morrendo de sede, e dizendo a minha tia que ainda iria fazer almoço, quando chega o meu tio com o dinheiro e lhe disse: “Eu acho um absurdo um feixe de lenha por 6 contos Lica”. Já era caro por 5, agora 6... Isso é falta de consciência!

 ---Lica não disse sequer uma palavra. Deu apenas um triste olhar para os lados numa expressão de quem dizia: “como viver é difícil!”.

 ---E eu naquele momento quisera falar algo em favor de Lica. Mas sendo um menino ainda no verdor dos anos, eu tinha o direito apenas de pensar e nunca de falar. Pensei. E estou pensando até hoje. 


---Portanto, Dona Lica do Sr. João Passatempo, eu queria que soubesse que naquele momento eu me engasguei com as palavras do meu tio, e agora, eu desato o nó de minha garganta lembrando-me do seu silêncio, talvez, o silêncio de um grito... de um grito sem socorro!

 --Onde quer que esteja, receba o meu beijo e o meu carinho.Armando Melo de Castro.

Candeias MG Casos e Acasos

 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

AS CANDEIAS DOS MEUS TEMPOS.


No local onde se encontra estabelecida a Casa do Vaqueiro, foi, no principio da década de 60, o Bar e Restaurante Pinguim, de propriedade do Sr. Luiz de Sousa Andrade, o meu amigo Lulu. Antes, esse pequeno estabelecimento teria sido a farmácia do Sr. Antônio do Bieca, de quem teria sido discípulo o nosso amigo Divino, hoje proprietário da Farmácia Divifarma.

Lulu, um personagem folclórico da cidade de Candeias, foi primeiramente balconista da Casa Celestino Bonaccorsi. Depois esteve nos Baiões, município de Formiga, onde a Casa Bonaccorsi tinha uma filial. E após deixar de ser funcionário da Casa Bonaccorsi, dedicou-se ao ramo de bar e restaurante. O seu primeiro estabelecimento foi no cômodo de comercio que havia no antigo casarão do Sr. Torquato Viglioni, onde hoje está a sede do Banco do Brasil.

Daquele endereço Lulu transferiu o seu estabelecimento para o antigo Bar do Bóvio, que ficava onde hoje está à residência do Sr. Willlian Viglioni. ----- Neste endereço o comercio do Lulu não foi para frente. Ele teve alguns desencontros com o ramo e fechou o comércio, ficando afastado de suas atividades durante algum tempo.

Posteriormente Lulu reabriu o seu Bar e Restaurante com o nome de “PINGUIM”. Eu contava dezesseis anos e fui seu empregado nesse tempo, o que me foi uma coisa bem divertida.

Eu em pleno aprendizado da vida, em plena adolescência posso dizer que aprendi muito com o Lulu, isso porque eu não era apenas um balconista do bar; eu fazia de tudo, por exemplo: Varrer o quintal que era enorme; tratar dos porcos e lavar o chiqueiro; (Era permitido criar porcos na cidade) tratar das galinhas, ajudar na lavação da louça, guardar a lenha, (não havia gás) ----- pajear os meninos, ou seja, o Marcos, o Sergio e o Claudio. Eles eram pequeninos e o Claudio (Tibau) ainda no colo.

Lembro-me que um dos fregueses diários do restaurante era o Pedro Pitanga, almoçava e jantava, eu o aguardava para vê-lo tomar a sua refeição, principalmente quando era peixe. Eu nunca vi na minha vida, uma pessoa comer um peixe tão depressa. Era uma coisa impressionante, ele ia cuspindo a espinha do peixe e não se engasgava. Lembro-me, ainda, de alguns dos fregueses mais constantes como, Domiciano Pacheco; Miguel Pacheco; Marianinho Lamounier; Altivo do Estevão; Miguel Lara; Antônio Eleutério; Turquinho da Pedreira (aquele que fez o pirulito de pedra existente na praça próximo ao Sansão) Zé Belarmino; Maré e muitos outros.

O estabelecimento era pequeno e havia no refeitório apenas quatro mesas e na área do bar apenas três.

O que mais me divertia como funcionário do Lulu era o seu humor que na mesma hora que estava no sul ia para o norte e quanto estava no norte poderia ir para o leste ou oeste. Era muito engraçado.

Lulu teria saído para fazer umas compras e entre elas estaria a uma galinha caipira para atender uma galinhada de um freguês que queria comemorar o seu aniversário com uns amigos, com essa iguaria.

Dona Teresinha, a esposa do Lulu a cozinheira oficial da casa, fora para o Rio de janeiro visitar os seus familiares. Para isso teria arrumado uma empregada para lhe substituir.

E ai deu-se inicio a uma nova novela de relacionamento. A empregada protagonizou um belo show que tinha como plateia os fregueses do bar.

Lulu chegou trazendo uma galinha, um pacote de feijão e um filé de boi. ---- Ao chegar deixou as compras na cozinha e veio para o balcão.

Na parede da cozinha tinha uma janelinha por onde a cozinheira se comunicava com o Lulu. A empregada espicha o pescoço naquela janelinha e fala bem alto:
-----Sô Lulu, essa galinha é pra matá?
-----Não! Ela veio para cantar na galinhada...
Passa mais um momento e volta a emprega:
----Sô Lulu, esse feijão é para cozinhar?
----Não, é para assar e bem assado...
Não demorou quase nada volta à empregada:
----Sô Lulu, e essa carne?
----Essa é para comer hoje e cagar amanhã...

Dai a pouco a empregada pegou a sua trouxa e partiu, resmungando... Deus me livre nunca lidei com um trem desse não...

Não sei o que aconteceu, mas no outro dia a empregada que se chamava Antônia estava lá de novo. ----- Lulu era assim, brigava com o mundo todo, mas amava todo o mundo.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O PRIMEIRO TELEFONE EM CANDEIAS MG

A história do telefone é ampla e merece atenção diante da evolução dessa invenção. O telefone foi inventado, a bem da verdade, por acaso, após diversas experiências por Graham Bell e seu companheiro Thomas Watson, na noite de 03 de junho do ano de 1875.

O primeiro registro mundial do telefone data de 1876. Em menos de um ano após esse registro, foi fundada em Boston, a primeira Empresa Telefônica do mundo, a Bell Telephone Company, com 800 telefones.

Surgiu, então, no Rio de Janeiro em 1879, o primeiro telefone construído especialmente para o Imperador Dom Pedro II, momento em que foi elaborado o primeiro projeto de instalação das primeiras linhas telefônicas no Império brasileiro, entre o Imperador através de sua residência, seus ministros, órgãos militares e corpo de bombeiros.

Em Minas Gerais a primeira concessão foi obtida em 1882 em Ouro Preto e a partir daí desenvolvida para outras cidades e outros Estados.

O jovem que hoje se toma de um telefone celular e fala tranquilamente à distância, não imagina o quanto era precário esse serviço até 1960, quando a telefonia passou a ser mais desenvolvida uma vez que se deu início à fabricação de peças no Brasil; e posteriormente com o telefone fixo, o advento do telefone público e o celular.

Em Candeias não se tem notícias da data da chegada do telefone. Supõe-se que teria sido no princípio da década de 30 com as duas primeiras linhas.  A primeira teria chegado junto com a Empresa Força e Luz candeense que ligava a usina a sua distribuidora atrás da sacristia da Igreja do Senhor Bom Jesus. ----- E a outra que ligava as residências do Sr. Álvaro Teixeira, no Cartório de Registo Civil e  à residência do Sr. Carmo Elias grande comerciante no distrito de Vieiras. Essa linha proporcionava a comunicação entre a população de Candeias e o distrito de Vieiras.

Posteriormente a ponta da linha de Candeias foi transferida para a residência do Sr. Severino Resende, na esquina da Rua Vereador José Hilário da silva, com Pedro Vieira de Azevedo, residência hoje do Sr. José Rui Ferreira, (Ieié) por uma questão estratégica, não tendo a linha que atravessar a cidade.

Quanto ao ramal da Distribuidora, quando os usineiros queriam se comunicar em Candeias, o sinal era apagar e acender as luzes por três vezes. Quando, nesse caso, os eletricista João Bernardino Diniz e seu filho Danilo corriam até á distribuidora para atender o chamado dos usineiros.

Mais adiante foi inaugurada a telefonia semiautomática em Candeias. Esse sistema exigia uma central com uma telefonista de plantão 24 horas por dia. As ligações eram conseguidas no momento em que era retirado o telefone do gancho e a telefonista pedia o número desejado quando era fornecido e a ligação completada. Esta central ficava situada na Rua João Sidney de Souza, logo abaixo do pátio da Prefeitura Municipal.

Algumas das telefonistas que ocupam as minhas lembranças são, Teré Paixão, esposa do Expedito Cordeiro era a Chefe, e suas auxiliares: Toninha da Rosa Mori e sua irmã Berenice; Martinha Almeida; Magali, minha prima; Luzia do Antero, Aparecida, esposa do Carminho Machado, Terezinha filha do Afonso do Bar Piloto, a Márcinha da Maria da Joana, esposa do Antonio Bonaccorsi, a Benta, minha grande amiga Benga, filha do Sr. José de Barros  e outras mais que no momento me fogem à memória.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

INCLUSÃO:


Blogger Luckxander disse...


Armando tenho um telefone que pertenceu ao meu avô Mariano Bernardino de Senna. Era uma linha privativa de ponto a ponto, a fiação saía do casarão ao lado da matriz de Candeias, passava pela serra do Bom Jesus e seguia até a fazenda Campo das Flores, onde ficava o outro aparelho. Esse aparelho é um Kellogg original fabricado em Chicago, meu avô comprou os dois aparelhos pouco depois que casou-se. Considerando que ele nasceu em 1885 e casou-se bem jovem, como era o costume da época, o aparelho é do início dos anos 1900, quando Candeias ainda era um pequeno arraial. Após a implantação do sistema de telefonia local, isso já depois da emancipação do município, meu avô mandou recolher os quilômetros de fios que eram feitos de cobre. Posteriormente a fiação foi vendida para o Pedro Pitanga, para aproveitamento do cobre. O telefone da fazenda minha avó deu para meu tio Maroca e o da cidade para mim. Caso queira usar a foto do telefone original fique a vontade para copiá-la do facebook.
Luckxander Sena Sidney
5 de agosto de 2017 18:59
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Eu faço questão de incluir o comentário no espaço do texto, do meu amigo Luckxander, filho do meu condiscípulo e amigo de infância, Titôco e Márcia, filha do Sr. Mariano Bernardino de Sena, tendo em vista tratar-se de uma informação muito importante sobre os primeiros telefones em Candeias, informação esta de que eu não tinha conhecimento e que vem enriquecer as informações do meu texto. Cumpre-me, ainda, registrar aqui a pessoa do Sr. Mariano Bernardino de Sena, um cidadão candeense histórico juntamente com os seus descendentes e que muito fizeram e fazem em prol da história de Candeias. Grande abraço Luckxander e muito obrigado pela participação. (Armando)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

CANDEIAS MG TEM OS POLITICOS QUE MERECE.


De quando em quando, algum amigo conterrâneo meu me pergunta por qual motivo eu quase não falo mais da política de Candeias. E eu respondo que fui vencido pela miopia política dos candidatos eleitos ------ pelos incompetentes, despreparados e sugadores que fazem da politica candeense o seu ramo de vida, deixando com que o município fique às traças.

Fui vencido, também, pela maior parte dos eleitores candeenses que me fizeram ver nas ultimas eleições que a incompetência, a ignorância, a falta de responsabilidade com o município não estão somente com os políticos, estão também, com os eleitores que votaram em sua maioria nos mesmos incompetentes, nos mesmos sugadores do município, enfim, praticamente não trocaram nada, fazendo continuar o mesmo doce e os mesmos mosquitos. Isso significa que está tudo bem. Portanto, o que teria eu para falar? Nada!

As últimas eleições passadas mostraram que o povo de Candeias está muito satisfeito com as oligarquias no executivo e os sugadores do legislativo.

Os eleitores que os elegeram a meu ver sofrem de uma miopia política e não estão nem um pouco preocupados com o futuro do município. Estão sim, preocupados consigo mesmos e envolvidos em falsas promessas que nunca acontecem.

Mas enfim, se estão satisfeitos vendo o município de Candeias tão deteriorado, humilhado, desprestigiado, rodeado por deputados do baixo clero... Que continue assim, afinal, o Estado de Direito Democrático é isso.

É pena que os eleitores que errado votam, não reconhecem que são moradores do município e estão cavando um buraco para si e para os seus descendentes.

Nas próximas eleições tudo continua igual, afinal, a politica de Candeias tem como soberania uma maioria de eleitores irresponsáveis, donde muitos vendem votos e outros votam em troca de interesses próprios. Assim, com certeza, continuará caminhando para o fundo, sem que os seus filhos possam almejar um futuro melhor. Filhos que terão de buscar fora, em outros municípios, a sua convivência, a sua sobrevivência. Isso porque não terão sequer a cidadania candeense, pois, lhes faltará um hospital para que possam nascer como cidadãos candeenses, tendo em seus registros a naturalidade de Campo Belo ou Formiga, o que já vem acontecendo.

Aquele candeense que já andou vendendo o voto, ou votando de qualquer jeito, sem responsabilidade com o futuro, está prejudicando a sua própria família, a sua própria raça, fazendo com que amanhã, venha, como muitas famílias terem a sua extinção. Afinal, quantas famílias tiveram que ir embora e nunca mais voltaram por falta de recurso e atraso da cidade.

Se você anda dizendo que ama Candeias e terá votado nos políticos que estão no poder, pode crer, você não ama Candeias! Politico tem que ser revezado, tem que ser trocado, tem que ser mandado embora quando não trabalha direito. E em Candeias isso não acontece. Em Candeias o fato do voto ser secreto não influencia nada.

Não existem crises para um bom administrador, seja público ou privado. Existem municípios que estão prosperando com a crise que ai está. Se buscarmos nas informações veremos que muitos municípios estão melhores com a crise que assola o país, enquanto os municípios mal administrados preferem jogar para a crise as suas incompetências.

A politica virou uma panela: Aquele que entra não denuncia os desmandos do anterior, isso porque mesmo sendo adversários, são oligárquicos e têm os seus rabos presos uns aos outros.

Vejamos uma cidade bem administrada e uma cidade mal administrada, fundadas no mesmo mês ---- pelo mesmo decreto 148 de 17 de dezembro de 1938: Candeias e Lagoa da Prata.

CANDEIAS E LAGOA DA PRATA distante uma da outra a 110 km.

População de Candeias.........  14.592 (Censo 2010)
População de L. da Prata......  45.984 (Censo 2010)
Área do Munic. Candeias.....720.650 km. 2
Área di Munic. L. da Prata.. 639.632 km. 2
PIB de Candeias...................122.520.310
PIB de L. da Prata................585.917.647
IDH-M de Candeias........0,678
IDH-M DE L. da Prata....0,732

Será que os candeenses já viram alguns dos politicos de Candeias discutirem esses dados? Será que os vereadores sabem o que é IDH-M e estão vendo que Camacho e Cristais, encostadas em Candeias tem vida melhor que os candeenses? Será que já viram que a informação da WIKIPÉDIA sobre Candeias mente nesse dado? 

Enfim, cada povo tem os governantes que merecem. E com certeza a maior parte dos eleitores candeenses é irresponsável e olham os seus próprios interesses e se misturam com os políticos incompetentes, o que não acontece com cidades prósperas como Lagoa da Prata, onde o eleitorado por várias vezes fez uma faxina na Câmara Municipal e não há oligarquia. Eleitor que vive no cabresto de uma oligarquia, como muitos em Candeias, estão fadados a viver num município atrasado fazendo parte da retaguarda da prosperidade. É lamentável.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

NÓS, O POVO...


A política brasileira virou um chiqueiro de porcos; um cocho de lavagem; um antro de ladrões; um meio fétido e imoral.  Os lideres da política e os políticos brasileiros em quase sua totalidade, representam a imoralidade brasileira aqui dentro e fora do país.

Eles roubam não apenas o suficiente para se enriquecerem, mas o bastante para esnobar uma vida cheia de gastos e de luxo, o povo brasileiro não tem segurança, não tem saúde e nem educação.

Mas afinal quem é o culpado dessa escarafunchada imoralidade na política brasileira?  

Somos nós, os eleitores brasileiros meus amigos, que não temos cuidado ao votar, que votamos de novo nos candidatos já repassados com comprovada incompetência e desonestidade.

Nós que somos um povo ignorante, despreparado para votar e que acredita na conversa fiada dessa bandidagem que lá está há anos preocupada não com o progresso da nação, mas sim com a sua reeleição.

Nós, que entre nós, temos também os eleitores bandidos, que vendem os seus votos por migalhas para os bandidos compradores.

 Nós, que em nossa maioria não entendemos e nem buscamos o entendimento do que seja a política e esquecemos de que é no município onde nascem os políticos.

 Nós que colocamos o nosso município nas mãos de uma oligarquia que vai não somente de avô para pai e de pai para filho, mas sim acompanhando durante, anos e anos, uma árvore genealógica familiar transformando o modelo imposto pela nossa constituição numa monarquia hereditária ou num curral particular.

Nós, que somos um povo politicamente honesto, inocente e ignorante em sua minoria a pensar que o voto é um objeto de troca. E uma maioria ladra, safada, que  só pensa em levar vantagem em detrimento dos mais pobres. Isso porque o rico tem o que ser roubado sem ser prejudicado, mas o pobre é roubado na sua saúde, na sua alimentação, na segurança e na educação.

Nós, um povo que vota de novo nos mesmos candidatos cujos nomes estiveram na berlinda, focados da imoralidade e da incompetência, concedendo-lhes uma reeleição que de antemão pode ser vista que não mudará nada para melhor.

Nós, que não votamos no candidato competente, mas que votamos no compadre; no vizinho; no amigo; no afilhado; no chefe; ou seja, naquele bandido que nos compra o voto, transformando-nos, também em bandidos; nós que estamos de pleno acordo com que o nosso município vá para o buraco, por ser patente aos olhos até dos mais ignorantes que o candidato trazido pelos nossos vereadores ou prefeito do município está preocupado apenas em angariar votos com conversa fiada em épocas de eleição e comprar votos porque dinheiro para isso não lhes falta. 

Portanto, O político não rouba o rico. Ele rouba o pobre. O rico pode errar o alvo do seu voto, mas o pobre não. O pobre que vende o voto está de pleno acordo com a metáfora do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva: ---- “O povo vota é com o estômago e não com a cabeça”. ---- O que convertido dá para ver que a comunidade brasileira está formada por uma nação faminta distribuída num povo, um povinho e um povão de onde saem os corruptos. 

O Brasil foi descoberto por acaso pelos portugueses. E por acaso vamos vivendo como uma nau sem rumo, sem saber o que vem pela frente.

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O MEU AMIGO WANDER BONACCORSI.

                                                                   Wandinho e sua filha Lilian.
Depois que minha mãe transferiu sua residência para Poços de Caldas, eu tenho visitado pouco a nossa Candeias. Semana passada, contudo, eu lá estive levando minha mãe, para matar saudade. Afinal, quem ama a sua terra natal sai dela, mas ela não sai de quem a deixa.

Nessa rápida oportunidade passo como sempre passei à frente da casa do meu amigo Wander Bonaccorsi, o meu querido amigo desde a minha infância, para mim Wandinho do Américo. 

Eu ainda não havia ido à Candeias depois da morte desse meu grande amigo. E sentir a sua ausência foi para mim um triste momento. ----- Quantas e quantas vezes sendo a sua rua o meu caminho, eu passava e o via quando quase sempre nos deparávamos. 

Wandinho amava Candeias onde nasceu e viveu; ai fez a sua vida, ai criou a sua família com respeito e dignidade. Como político participou da administração de Candeias quando eleito Vice Prefeito do Prefeito Francisco Coelho. Empresário e fazendeiro bem sucedido e honesto nos seus negócios. Bom pai e bom filho e bom amigo.

Lembro-me de vê-lo presenteando o Sr. Américo Bonaccorsi, seu pai, que era músico, com um lindo saxofone num de seus aniversários.  A alegria que Wandinho causou ao seu pai com este presente, causou em mim a captação de um exemplo, quando eu, vinte e cinco anos mais tarde, quis imitar o gesto presenteando o meu pai com um pistão.

Wandinho! Grande amigo dos amigos entre os quais eu sempre estive. Amigo que só dava bons exemplos e quando se desenvolvia junto dele um diálogo, era sempre construtivo, mesmo porque era ele um homem vivido e experiente.

A última vez em que estivemos juntos foi à porta do posto de gasolina do João do Nestor, e ali conversamos sobre os mais diversos assuntos. Eu não imaginava que naquele momento acontecia a despedida definitiva de uma grande amizade.

Mas o que falar diante de uma perda irreparável de um amigo, nascido sob o mesmo céu, o mesmo sol, bebendo da mesma água; filhos da mesma terra, batizados na mesma pia batismal? ---- O que falar desse amigo sempre disponível com a sua palavra amiga, as suas ideias de homem inteligente, honrado e pai de família respeitado? O que falar?

Muito a falar teríamos sobre Wandinho Bonaccorsi. Todavia, o espaço aqui seria pouco. Assim eu coloco a sua imagem bem viva nas minhas lembranças para que entre pelo meu cérebro, desça ao meu coração e ali permaneça.

Mesmo sob as notícias de que Wandinho vinha com a saúde precária, eu jamais pude imagina-lo morto. Parece-me que era imortal; necessário demais e forte para não morrer; mas chegou a hora designada por Deus quando o levou aos 83 anos. Ai recebo a notícia de que havia partido e eu me senti muito triste. ----- Wandinho não está mais entre nós ---- ele partiu deixando o vazio da sua ausência numa Candeias mais pobre e mais triste.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A REALIDADE DA VIDA.


ESTE TEXTO FOI TRANSFERIDO PARA O LIVRO CANDEIAS MG CASOS E ACASOS.
                                               (Conhecendo a morte)






quarta-feira, 10 de maio de 2017

JUCA RICARTE, UM AMIGO DOS POBRES.

                                                         Juca Ricarte com uma de suas netas.
Hoje nós vamos homenagear um grande candeense. Um homem caridoso, afetuoso, que durante a sua vida teve sempre uma atenção especial para os pobres, para os menos favorecidos. Estaremos falando de José Gomide da Anunciação. O popular Juca Ricarte.

José Gomide da Anunciação era filho de José Ricardo Gomide e de Dona Bárbara Emereciana de Oliveira. Nasceu no dia 25 de março de 1907, numa casa situada no antigo Beco do Botafogo, hoje Rua André Pulhez. Eram sete irmãos, sendo quatro mulheres e três homens: Emília, Cecília, Olinda e Maria; João, Jozino e José.

O nome de seu pai, José Ricardo, foi transformado popularmente em José Ricarte. Como José Gomide tinha o mesmo nome do pai, passou a ser chamado de Juca. E de Juca do Zé Ricarte, acabou ficando com o apelido de Juca Ricarte.

Casou-se ainda muito jovem com Guilhermina Luiza Gomide, a popular Guilé. Dessa união nasceram seis filhos, sendo eles, Irene, Aparecida, Walter e Marlene. Os outros dois faleceram ainda quando crianças. 
Juca Ricarte não frequentou escolas. Estudou com o seu pai e teve apenas um aprendizado básico.

Homem extremamente correto. Amava muito a sua família e por querer os seus filhos no caminho certo do bem e da honradez, muitas das vezes, chegava ao exagero na sua forma de educar. Não aceitava nenhum tipo de indisciplina entre os seus filhos. E era bastante rígido.

Nunca faltou com os seus deveres de pai de família e de trabalhador. Lutou pela vida com muitas dificuldades. Mas sempre saudou os seus compromissos rigorosamente nos prazos predeterminados.

No curso da sua vida, trabalhou nas mais diversas profissões. Foi lavrador, usineiro da antiga usina do Sr. Celestino Bonaccorsi; pedreiro, carpinteiro e funileiro ou latoeiro, até que aos quarenta e cinco anos, conseguiu com a ajuda do Dr. Zoroastro Marques da Silva, um emprego público na área da saúde.

Juca que era pedreiro quando foi nomeado para um cargo pelo qual não tinha nenhum conhecimento, teve um choque psicológico muito grande no inicio de sua carreira;  ao vir a  ser enfermeiro lotado no Posto de Saúde, dirigido pelo médico, Dr. Zoroastro. ---- 
Após receber os primeiros ensinamentos, chegou quase ao desmaio quando aplicou a primeira injeção. Diante dessa ocorrência chegou a pensar em desistir do emprego. Contudo, a sua esposa Guilé, os colegas de trabalho e o Dr. Zoroastro impediram-no de fazer isso.

Um pedreiro ser nomeado pelo Estado para ser um enfermeiro pode ser curioso à vista de alguns. Mas, Dr. Zoroastro um homem do povo, conhecia bem os méritos e as aptidões de Juca Ricarte;  assim não teve dúvidas em indicá-lo para ser um de seus auxiliares. E o tempo se incumbiu de transformá-lo num grande profissional que muito bem serviu a área de saúde de nossa cidade, numa era de poucos recursos.

No início, o salário era baixo e não dava para manter a família. E para ter um complemento salarial, Juca trabalhava num barraco no quintal de sua casa como latoeiro. Seu trabalho consistia na fabricação de vasilhas domésticas, num tipo de reciclagem de latas vazias de óleo que conseguia nos postos de gasolina. Não havia, nesse tempo, os produtos plásticos existentes nos dias atuais.

No Posto de Saúde, Juca não tinha horário certo. Trabalhava de acordo com as necessidades. Comumente era visto pelas ruas vestido com o seu jaleco branco, transportando seringas e outros instrumentos a fim de atender pacientes nos diversos cantos da cidade.

Foram seus colegas de trabalho no Posto de Saúde comandado pelo Dr. Zoroastro: Hamilton Marques, João de Souza Filho, Quintino, Zoroastro Filho, Dr. Luiz (dentista).

Os árabes dizem que o homem culto não é bem aquele que frequenta escolas e sim aquele que busca conhecer a si mesmo. Juca Ricarte nunca freqüentou escolas... Nunca recebeu um diploma... Mas conhecia a si próprio porque sabia que a vida é uma mistura de sentimentos... Uma mistura, principalmente, de dor, alegria e amor. Portanto, sofreu com as suas dores... Sorriu com as suas alegrias... E amou tudo que Deus lhe deu.

Caridoso e muito querido pelos menos favorecidos pela sorte. Felizmente, existem pessoas que se interessam com seriedade pelos problemas dos mais pobres e Juca era uma dessas pessoas. Na sua trajetória de vida, fez muitos e muitos amigos. Era constantemente convidado a apadrinhar os filhos de seus amigos. Entre os seus afilhados de casamento, batizado, crismas, etc. chegou a contar mais de duzentos.

Prestou relevantes serviços à Sociedade de São Vicente de Paulo. Foi seu presidente por diversos anos durante o tempo que as coisas eram muito difíceis. Vivia humildemente, pedindo ajuda para os seus amigos no sentido de acudir um pobre aqui outro acolá.

Entre o seu rol de amigos estava o Coronel Renato Lamounier, da Aeronáutica, filho de Dona Elisa Paiva. Renato doava roupas usadas vinda da Aeronáutica e estas eram entregues para o Juca que, criteriosamente fazia a distribuição entre os pobres.  Certa feita, Juca agradou de uma blusa, e fez o pedido para a mãe do Coronel que sorrindo lhe disse: ‘’Você não precisa pedir Juca, pois é você que as distribui!” Mas Juca era assim extremamente correto.

Prestou durante muito tempo, serviço voluntário ao SOS, e, ao entregar o cargo, fez questão de fechar um balanço bem detalhado, sem quaisquer sombras de dúvidas.
Juca Ricarte gostava das coisas bem explicadas e não admitia erros com facilidade.

Numa época em que Candeias não tinha um pároco, e a paróquia era atendida precariamente pelos padres de Campo Belo; num tempo que não existiam os ministros da eucaristia, Juca Ricarte deu a sua grande contribuição para a Igreja. Não só no fato de promover festas, mas também, de fazer alguns trabalhos clericais, assistir enterros, bênçãos, etc -----  Juca Ricarte sempre se preocupou com o natal dos pobres. Não pedia nada para si. Mas para os pobres era um pedinte.

Faleceu aos 79 anos, vitima de um infarto do miocárdio, no dia 04 de junho de 1986.

Enquanto o mundo aportar homens como você Juca Ricarte, com certeza,  o mundo será bom! Parabéns meu bom amigo e receba o abraço daqueles que lhe serão eternamente agradecidos. Parabéns, porque a caridade é um dom de Deus e você sempre a teve junto de você, como forma de uma orientação de Cristo.


Obrigado, Juca Ricarte! Muito obrigado! Faço isso em nome dos pobres do seu tempo.

Armando Melo de Castro


domingo, 23 de abril de 2017

SANTA IGNORÂNCIA!


Eu não estou aqui propositadamente fazendo a apologia do álcool, mas acho uma hipocrisia; uma ignorância generalizada, aqueles que por motivos religiosos, sejam de qual religião for, ficarem condenando o álcool e as pessoas que bebem. ---- Para eles parece que o álcool é uma invenção do demônio. Condenam e criticam àqueles que bebem como se fossem pecadores e tivessem extrapolando os princípios celestiais.

Ser abstêmio é uma questão de direito de cada um, agora querer fazer proselitismo sobre a bebida é uma coisa muito diferente, é assinar um atestado de ignorância e faltar com o respeito ao próximo. Afinal Deus nos deu o livre arbítrio; e conselho é uma coisa subjetiva; pode ser muito bom na concepção de quem o dá.

À bem da verdade nem a Bíblia Sagrada condena o álcool; pelo contrário, ela estimula o seu uso, como pode ser visto a recomendação de Paulo a Timóteo em 5,23: 

“Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades”.

E qual o cristão que não conhece o primeiro milagre de Jesus Cristo, ---- "As Bodas de Caná". -----  quando numa festa de casamento o vinho acabou e Ele que estava presente como convidado para a festa, atendendo ao pedido de sua mãe, transformou água em vinho? E com a turma “chumbada” Ele fez 600 litros de vinho da melhor qualidade. “João 2.1.11”  

Será que tem alguém ainda com a coragem de dizer que era vinho sem álcool? E como se explica a bebedeira naquela festa de casamento? Jesus, sua mãe e seus discípulos estavam lá. Quem contesta isso? Ai seria o registro do atestado de ignorância, porque não existe vinho sem álcool. Afinal, vinho é sinônimo de álcool e se sem álcool toma-se outro nome, ou seja, suco ou refrigerante.

Portanto, a pessoa que não gosta; não faz uso de bebida alcoólica, ou se esta lhe faz mal à sua saúde, lembre-se que nem tudo que é ruim para um é ruim para todos. E com certeza, no fundo do seu intento, gostaria de beber, mas não o faz porque é doente; não sabe beber; não confia em si; ou é levado pela conversa dos outros. Seria a esses moralistas muito mais elegante dizer que não gosta de bebidas alcoólicas ou elas lhes fazem mal.

É de todo patente que a Bíblia condena o excesso, mas não só o de bebida alcoólica, e sim de tudo. Todo excesso é prejudicial, principalmente com relação àquilo que ingerimos. Até a água com excesso poderá nos levar à morte.

Quando eu ouço alguém dizer: “Graças a Deus eu não bebo nada”, vem à minha mente o rifão de Galileu Galilei: “O sábio dúvida, o sensato reflete, e o ignorante afirma”. Trata-se de um ignorante que não sabe refletir e se mete a fazer a apologia do desconhecido e ser juiz de uma causa que não lhe pertence.

Como todo excesso, o álcool é um malefício para a saúde como são os medicamentos que ingerimos em busca da cura de doenças; tanto quanto os alimentos envenenados à venda nas feiras livres; os refrigerantes, os conservantes que acompanham os alimentos industrializados e até água, tomada com exagero, é capaz de matar; e tudo mais que nos entra pela boca, desde que seja usado inadequadamente, poderá nos fazer mal.

O álcool consumido de forma moderada, pelo contrário, é um verdadeiro remédio.  Mas o que é moderado? A ciência releva até 25 gramas, o que quer dizer, duas latinhas de cerveja, dois copos de vinho, ou duas doses de bebidas. Fora disso, você pode ser considerado que bebe pouco ou muito. Portanto, é de se saber que o álcool apesar dos seus malefícios comuns, apresenta, também, o seu lado benéfico à saúde humana, e não é um demônio, como os prosélitos gostam de pregar.

Evidentemente o organismo de cada um responde de forma diferente, até mesmo a uma gota. Assim como certas doenças tal qual a doença celíaca faz com o consumidor de glúten que não pode sequer ver produtos de farinha de trigo, cevada ou centeio. No entanto ao tomar uma cerveja contrai uma baita dor de barriga e já diz que a cerveja tal não presta que lhe fez mal. Mas o que lhe fez mal foi o glúten, presente em toda cerveja. ------ Se come um produto de farinha de trigo e sente que os intestinos vão lhe sair pela boca, já acusa o macarrão ou a pizza que lhe serviram no restaurante e que estavam perdidos; isso porque não sabe o que é glúten.  

Hoje, quando estive no açougue aqui em Juiz de Fora, o Sr. Waldomiro, dono do açougue, mostrou-me um belo pedaço de carne de boi, exaltando os dois pelos para a delícia de um churrasco. E eu logo lhe disse: Levá-lo-ei e vou degustá-lo com uma boa dose de João Cassiano!...

---- Mas o que é João Cassiano Sô Armando?
-----É uma pinga da boa, lá da minha terra...
-----Tô fora sô Armando... Tô fora... Não bebo desse veneno... Na minha casa somos crentes, e crente não mexe com isso, não bebe graças a Deus!

Pensei: Eu também sou crente em Deus, sou católico! Ou o Deus dos outros crentes é diferente?  Será meu Santo Deus!?

Que Deus os abençoe... SANTA IGNORÂNCIA!

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos