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terça-feira, 24 de outubro de 2017
O BANDIDO DO COLARINHO BRANCO.
domingo, 15 de outubro de 2017
LICA DO JOÃO PASSATEMPO.
---Ouvi no
noticiário que o gás de cozinha poderá ter um aumento. --- E eu logo pensei,
com essa pandemia, a situação financeira do povo precária como está não seria bem vindo nenhum tipo de aumento,
principalmente desse produto que se trata de algo de necessidade básica.
--- Mas enfim, fazer o quê? Afinal quem
mora em apartamento assim como eu, não tem alternativas... É pagar o preço que
vier ou fechar a cozinha. Contudo, acredito que isso não será o proposito de
ninguém.
---Segundo as pesquisas, nesse momento de crise uma revenda de gás é um dos negócios mais rentáveis. Isso porque o gás tem sido vital para a economia e é um produto de venda e giro rápidos, pois não fica estocado por muito tempo. Além disso, não tem prazo de validade; e trata-se de um produto de necessidade básica. Segundo as estatísticas o gás de cozinha tem uma penetração muito maior que a energia elétrica, a água encanada e a coleta de esgoto no país e está presente em 98% nas casas dos brasileiros independente da região e da renda da população.
---Mas falando nisso, fermenta nas dornas do meu cérebro um fato
guardado bem nos fundos da minha memória desde a década de 50, quando a minha
idade girava em torno dos dez anos.
---Em Candeias não havia gás de cozinha. As pessoas usavam fogão a lenha; ou pó de serra fornecido gratuitamente pelos proprietários de marcenarias, e/ou casca de café conseguida nas máquinas beneficiadoras; também de graça.
---A lenha era vendida aos metros cúbicos pelos fazendeiros. Naquele tempo não havia esse rigor das leis e nem da polícia florestal sobre o desmatamento. As pessoas mais humildes ou sem disponibilidade financeira para comprar um metro cubico de lenha, compravam feixes, fornecidos pelas lenheiras que tinham essa fonte como complemento de renda.
---Elas transitavam livremente pelos matos na busca dos galhos secos; faziam os feixes já encomendados pelos compradores que economizavam ao máximo aquele combustível caro para quem comprava, e barato para quem vendia. ----- Comumente as lenheiras eram vistas pelas estradas com enormes feixes de lenha sobre as cabeças amparadas por rodilhas. Elas se levantavam cedo e iam pelos matos a procura de lenha, num trabalho árduo, que resultava então da venda por CR5,00 (cruzeiros) para uma ajuda nas despesas da casa.
--Mulheres com filhos pequenos, onde os maiores ficavam tomando conta dos menores enquanto a mãe buscava lenha. Era uma vida miserável num tempo de muita pobreza.
---Apesar de pertencer a uma família proletária eu tinha a minha infância feliz. Tinha pai e mãe que viviam em prol da família e a gente tinha o básico necessário para a sobrevivência. Parecia-me, portanto, sentir que era o povo daquele tempo mais feliz, mesmo estando com as suas roupas remendadas; pés no chão; bolsos sem dinheiro; a cabeça de palha no bolso da bunda; o cigarro de fumo de rolo; bem como o toco do cigarro agarrado na orelha... Isso era como o retrato da pobreza, bastante comum. ----- Dava até para pensar que fumar era o único prazer que o pobre sentia -----. A tranquilidade para fazer o cigarro e a paciência para acendê-lo com aquela binga rústica seria uma mostra de um comportamento inexistente nos dias atuais.
---Não havia tantos produtos industrializados e nem empacotados, tudo era a granel. Comprava-se 250 gramas de banha, meio quilo de arroz e meio de feijão. Nem tudo era vendido por quilos, ou seja, as pessoas compravam produtos até para fazer apenas uma refeição. Muitos trabalhavam a parte da manhã para comer à tarde. A vida do pobre era difícil, muito difícil.
---E hoje, ao ter a notícia de que o botijão de gás vai ter aumento de preço, eu dei uma olhada no retrovisor da minha vida e vi a Rua Coronel João Afonso Lamounier, em Candeias, rua onde nasci, e palco da minha infância.
---Lembro-me, então, de uma mulher pequena, mulata, conhecida como LICA DO JOÃO PASSATEMPO e que tinha como prática frequente ir todos os dias aos matos buscar um feixe de lenha para vender pelo valor de C$5,00 (cruzeiros.) era o dinheiro da época, o que numa conversão para o real não seria mais do que R$ 12,00, por uma viagem aos matos durante horas e horas para encontrar um feixe de lenha.
---Certo dia o meu Tio, João Delminda, pediu-me para ir até a casa de Lica, que ficava na mesma rua, encomenda-la um feixe de lenha. ----- E ela educadamente, disse-me: “Armando, avise ao seu tio que nós, as lenheiras, passamos o feixe para 6 contos, a coisa tá preta, subiu tudo, o metro já subiu duas vezes; estamos indo longe pra achar lenha e esse foi o motivo de nós também ter que aumentar um pouquinho”.
---Avisei-o, mas meu tio não disse nada. – Dois dias depois Lica chega à casa do meu tio, próxima a minha, com o feixe de lenha. Eu a observei enquanto aguardava o meu tio com o dinheiro para paga-la: molhada de suor, aspecto de cansaço, segurando as cordas de amarrar o feixe e a rodilha, suas ferramentas de trabalho, tomando um copo d’água como se estivesse morrendo de sede, e dizendo a minha tia que ainda iria fazer almoço, quando chega o meu tio com o dinheiro e lhe disse: “Eu acho um absurdo um feixe de lenha por 6 contos Lica”. Já era caro por 5, agora 6... Isso é falta de consciência!
---Lica não disse sequer uma palavra. Deu apenas um triste olhar para os lados numa expressão de quem dizia: “como viver é difícil!”.
---E eu naquele momento quisera falar algo em favor de Lica. Mas sendo um menino ainda no verdor dos anos, eu tinha o direito apenas de pensar e nunca de falar. Pensei. E estou pensando até hoje.
---Portanto, Dona Lica do Sr. João Passatempo, eu queria que soubesse que naquele
momento eu me engasguei com as palavras do meu tio, e agora, eu desato o nó de
minha garganta lembrando-me do seu silêncio, talvez, o silêncio de um grito...
de um grito sem socorro!
--Onde quer que esteja, receba o meu beijo e o meu carinho.Armando Melo de Castro.
Candeias MG Casos e Acasos
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
AS CANDEIAS DOS MEUS TEMPOS.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
O PRIMEIRO TELEFONE EM CANDEIAS MG
INCLUSÃO:
Luckxander disse...Luckxander Sena Sidney

quinta-feira, 13 de julho de 2017
CANDEIAS MG TEM OS POLITICOS QUE MERECE.
quarta-feira, 5 de julho de 2017
NÓS, O POVO...
Mas afinal quem é o culpado dessa escarafunchada imoralidade na política brasileira?
Nós, que entre nós, temos também os eleitores bandidos, que vendem os seus votos por migalhas para os bandidos compradores.
Nós que colocamos o nosso município nas mãos de uma oligarquia que vai não somente de avô para pai e de pai para filho, mas sim acompanhando durante, anos e anos, uma árvore genealógica familiar transformando o modelo imposto pela nossa constituição numa monarquia hereditária ou num curral particular.
Nós, que não votamos no candidato competente, mas que votamos no compadre; no vizinho; no amigo; no afilhado; no chefe; ou seja, naquele bandido que nos compra o voto, transformando-nos, também em bandidos; nós que estamos de pleno acordo com que o nosso município vá para o buraco, por ser patente aos olhos até dos mais ignorantes que o candidato trazido pelos nossos vereadores ou prefeito do município está preocupado apenas em angariar votos com conversa fiada em épocas de eleição e comprar votos porque dinheiro para isso não lhes falta.
O Brasil foi descoberto por acaso pelos portugueses. E por acaso vamos vivendo como uma nau sem rumo, sem saber o que vem pela frente.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
O MEU AMIGO WANDER BONACCORSI.
Depois que minha mãe transferiu sua residência para Poços de Caldas, eu tenho visitado pouco a nossa Candeias. Semana passada, contudo, eu lá estive levando minha mãe, para matar saudade. Afinal, quem ama a sua terra natal sai dela, mas ela não sai de quem a deixa.
Eu ainda não havia ido à Candeias depois da morte desse meu grande amigo. E sentir a sua ausência foi para mim um triste momento. ----- Quantas e quantas vezes sendo a sua rua o meu caminho, eu passava e o via quando quase sempre nos deparávamos.
segunda-feira, 29 de maio de 2017
A REALIDADE DA VIDA.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
JUCA RICARTE, UM AMIGO DOS POBRES.
Hoje nós vamos homenagear um grande candeense. Um homem caridoso, afetuoso, que durante a sua vida teve sempre uma atenção especial para os pobres, para os menos favorecidos. Estaremos falando de José Gomide da Anunciação. O popular Juca Ricarte.
José Gomide da Anunciação era filho de José Ricardo Gomide e de Dona Bárbara Emereciana de Oliveira. Nasceu no dia 25 de março de 1907, numa casa situada no antigo Beco do Botafogo, hoje Rua André Pulhez. Eram sete irmãos, sendo quatro mulheres e três homens: Emília, Cecília, Olinda e Maria; João, Jozino e José.
O nome de seu pai, José Ricardo, foi transformado popularmente em José Ricarte. Como José Gomide tinha o mesmo nome do pai, passou a ser chamado de Juca. E de Juca do Zé Ricarte, acabou ficando com o apelido de Juca Ricarte.
Casou-se ainda muito jovem com Guilhermina Luiza Gomide, a popular Guilé. Dessa união nasceram seis filhos, sendo eles, Irene, Aparecida, Walter e Marlene. Os outros dois faleceram ainda quando crianças. Juca Ricarte não frequentou escolas. Estudou com o seu pai e teve apenas um aprendizado básico.
Homem extremamente correto. Amava muito a sua família e por querer os seus filhos no caminho certo do bem e da honradez, muitas das vezes, chegava ao exagero na sua forma de educar. Não aceitava nenhum tipo de indisciplina entre os seus filhos. E era bastante rígido.
Nunca faltou com os seus deveres de pai de família e de trabalhador. Lutou pela vida com muitas dificuldades. Mas sempre saudou os seus compromissos rigorosamente nos prazos predeterminados.
No curso da sua vida, trabalhou nas mais diversas profissões. Foi lavrador, usineiro da antiga usina do Sr. Celestino Bonaccorsi; pedreiro, carpinteiro e funileiro ou latoeiro, até que aos quarenta e cinco anos, conseguiu com a ajuda do Dr. Zoroastro Marques da Silva, um emprego público na área da saúde.
Juca que era pedreiro quando foi nomeado para um cargo pelo qual não tinha nenhum conhecimento, teve um choque psicológico muito grande no inicio de sua carreira; ao vir a ser enfermeiro lotado no Posto de Saúde, dirigido pelo médico, Dr. Zoroastro. ---- Após receber os primeiros ensinamentos, chegou quase ao desmaio quando aplicou a primeira injeção. Diante dessa ocorrência chegou a pensar em desistir do emprego. Contudo, a sua esposa Guilé, os colegas de trabalho e o Dr. Zoroastro impediram-no de fazer isso.
Um pedreiro ser nomeado pelo Estado para ser um enfermeiro pode ser curioso à vista de alguns. Mas, Dr. Zoroastro um homem do povo, conhecia bem os méritos e as aptidões de Juca Ricarte; assim não teve dúvidas em indicá-lo para ser um de seus auxiliares. E o tempo se incumbiu de transformá-lo num grande profissional que muito bem serviu a área de saúde de nossa cidade, numa era de poucos recursos.
No início, o salário era baixo e não dava para manter a família. E para ter um complemento salarial, Juca trabalhava num barraco no quintal de sua casa como latoeiro. Seu trabalho consistia na fabricação de vasilhas domésticas, num tipo de reciclagem de latas vazias de óleo que conseguia nos postos de gasolina. Não havia, nesse tempo, os produtos plásticos existentes nos dias atuais.
No Posto de Saúde, Juca não tinha horário certo. Trabalhava de acordo com as necessidades. Comumente era visto pelas ruas vestido com o seu jaleco branco, transportando seringas e outros instrumentos a fim de atender pacientes nos diversos cantos da cidade.
Foram seus colegas de trabalho no Posto de Saúde comandado pelo Dr. Zoroastro: Hamilton Marques, João de Souza Filho, Quintino, Zoroastro Filho, Dr. Luiz (dentista).
Os árabes dizem que o homem culto não é bem aquele que frequenta escolas e sim aquele que busca conhecer a si mesmo. Juca Ricarte nunca freqüentou escolas... Nunca recebeu um diploma... Mas conhecia a si próprio porque sabia que a vida é uma mistura de sentimentos... Uma mistura, principalmente, de dor, alegria e amor. Portanto, sofreu com as suas dores... Sorriu com as suas alegrias... E amou tudo que Deus lhe deu.
Caridoso e muito querido pelos menos favorecidos pela sorte. Felizmente, existem pessoas que se interessam com seriedade pelos problemas dos mais pobres e Juca era uma dessas pessoas. Na sua trajetória de vida, fez muitos e muitos amigos. Era constantemente convidado a apadrinhar os filhos de seus amigos. Entre os seus afilhados de casamento, batizado, crismas, etc. chegou a contar mais de duzentos.
Prestou relevantes serviços à Sociedade de São Vicente de Paulo. Foi seu presidente por diversos anos durante o tempo que as coisas eram muito difíceis. Vivia humildemente, pedindo ajuda para os seus amigos no sentido de acudir um pobre aqui outro acolá.
Entre o seu rol de amigos estava o Coronel Renato Lamounier, da Aeronáutica, filho de Dona Elisa Paiva. Renato doava roupas usadas vinda da Aeronáutica e estas eram entregues para o Juca que, criteriosamente fazia a distribuição entre os pobres. Certa feita, Juca agradou de uma blusa, e fez o pedido para a mãe do Coronel que sorrindo lhe disse: ‘’Você não precisa pedir Juca, pois é você que as distribui!” Mas Juca era assim extremamente correto.
Prestou durante muito tempo, serviço voluntário ao SOS, e, ao entregar o cargo, fez questão de fechar um balanço bem detalhado, sem quaisquer sombras de dúvidas.
Juca Ricarte gostava das coisas bem explicadas e não admitia erros com facilidade.
Numa época em que Candeias não tinha um pároco, e a paróquia era atendida precariamente pelos padres de Campo Belo; num tempo que não existiam os ministros da eucaristia, Juca Ricarte deu a sua grande contribuição para a Igreja. Não só no fato de promover festas, mas também, de fazer alguns trabalhos clericais, assistir enterros, bênçãos, etc ----- Juca Ricarte sempre se preocupou com o natal dos pobres. Não pedia nada para si. Mas para os pobres era um pedinte.
Faleceu aos 79 anos, vitima de um infarto do miocárdio, no dia 04 de junho de 1986.
Enquanto o mundo aportar homens como você Juca Ricarte, com certeza, o mundo será bom! Parabéns meu bom amigo e receba o abraço daqueles que lhe serão eternamente agradecidos. Parabéns, porque a caridade é um dom de Deus e você sempre a teve junto de você, como forma de uma orientação de Cristo.
Armando Melo de Castro







