CANDEIAS-MG: Casos e acasos

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

CARTA MEDIÚNICA AO FUNDADOR DE CANDEIAS.


Dr. Zoroastro Marques da Silva e Juscelino Kubitschek de Oliveira.
(Foto Clara Borges.)


Meu querido Dr. Zoroastro Marques da Silva.

Hoje, pela manhã, tomei conhecimento das últimas manifestações feitas pelo povo brasileiro nas ruas do nosso país. Manifestações essas que ocorrem há semanas demonstrando a imensa indignação popular com um governo corrupto e corruptor; imoral e amoral; omisso e negligente; infactível e impraticável que se instalou no país. O Brasil que possui um índice de arrecadação de impostos dos mais elevados do mundo poderia, não fosse a corrupção e o desperdício do governo, atender melhor à população que vive dentro de uma precariedade triste e injusta. E nesse momento, eu pensei e me lembrei de você, Dr. Zoroastro. Lembrei-me do político honrado que sempre foi. Recordei-me, obviamente, do seu porte elegante, do seu cigarrinho de palha, de sua forma clássica no trato com as pessoas e, em virtude dessa lembrança, resolvi lhe escrever esta carta.

Concomitantemente, não poderia deixar de me lembrar do médico que você foi. Aliás, você foi um médico diferente. Talvez, um dos poucos que cumpriram fielmente a solene promessa constante no Juramento de Hipócrates.

Infelizmente, o que assistimos, no âmago da medicina, não tem muito a ver com esse juramento. Os médicos de hoje, com raríssimas exceções, não são caridosos e muito poucos são aqueles que exercem a medicina como a arte de curar. Eles são, em sua maioria, profissionais mercenários que buscam na medicina o dinheiro, a riqueza e o status. Você, Dr. Zoroastro, foi um médico de verdade, na acepção da palavra, que labutou em meio a um povo pobre. O dinheiro nunca foi a sua ambição e o seu objetivo. A ambição que possuía era de buscar, junto aos grandes políticos da Nação, as melhorias para o povo da sua cidade, a nossa querida Candeias. Terra onde nasceu e somente se ausentou para buscar o seu diploma de medicina no Rio de Janeiro. Sua esposa, Dona Stela, carioca da gema, veio com você e se juntou a nós. E veja que para sair da cidade maravilhosa e vir morar em Candeias, quando aqui ainda era um distrito, seria preciso muito amor ao marido.

Pensei, também, Dr. Zoroastro, como você foi um homem pobre quando poderia ter sido muito rico. Tornou-se político para presenciar a prosperidade de sua terra, fazendo, pelas suas mãos, aquele pequeno distrito da cidade de Campo Belo a se tornar emancipado sendo-lhe, com o maior mérito e justiça, o seu primeiro prefeito. E dessa maneira, foi um prefeito honesto e um médico íntegro. Enfim, um grande homem honrado.

Na verdade, Dr. Zoroastro, você pagou, naquela época, para ser um político e um médico honesto isto porque sempre fora, na essência, um homem de bem. Nasceu rico e morreu pobre apesar de ter sido um homem extremamente trabalhador. Como você foi um político exemplar! Era aquele que abraçava os adversários e os parabenizava pela vitória. Que dignidade! Você, Dr. Zoroastro, perdeu eleições, mas, nunca saiu como um derrotado.

Preciso, ao recordar-me de sua figura pública, contar-lhe, nesta oportunidade, o que se passa aqui na terra. E vou começar por Candeias:

Ser prefeito, nos dias de hoje, não é uma glória, é uma vanglória. Vereador é melhor ainda. Já tivemos alguns prefeitos processados e presos por corrupção. Na área de saúde, o povo até morre por falta de recursos. Há, por aqui, um hospital inoperante por falta de apoio político. Não existem lideranças no município. Os governantes do município desconhecem a própria história de Candeias e, se conhecem, fingem não conhecê-la, haja vista que na morte de um dos nossos pracinhas, o Sr. Humberto Pulhes, (Neném do André) os políticos não se manifestaram. O então prefeito do município nem sabia de quem se tratava. E se houve, ainda, uma manifestação honrosa diante do féretro do nosso herói, foi graças à iniciativa de alguém que lhe é muito especial, a sua filha Dalva, Dr. Zoroastro. Este acontecimento é a maior prova de incompetência da política social dos atuais representantes candeenses.

Os grandes políticos não põem mais os pés por aqui. Apenas aparecem, em Candeias, os políticos do baixo clero. Uns elementos sem qualquer representatividade, incultos, sem biografia política. Enfim, aqueles candidatos preferidos pelos políticos locais, por serem do mesmo baixo nível intelectual que por serem, ainda, pessoas restritas e provincianas sabem apenas babujar um candidato que somente sabe prometer o que nunca cumpre e que só aparece em época de eleição.

Você, Dr. Zoroastro, encarou grandes homens do nosso Estado como um Juscelino Kubitschek, um Benedito Valadares, Bias Fortes, José Maria Alkimim, Gabriel Passos e tantos outros. Por falar em Gabriel Passos, Dr. Zoroastro, o Sr. acredita que tiveram a desfaçatez de trocarem o nome da minha rua que tinha o nome desse ilustre cidadão mineiro cujos feitos elevaram o país e que tanto lhe ajudou na emancipação do nosso município, pelo nome de um cidadão que nunca fez nada por Candeias. Um fulano por nome de José Hilário da Silva que vivia se desfazendo, de nossa Terrinha.

Vereador de pouco mais de meia dúzia de votos. Por isso eu reitero que os nossos políticos atuais não conhecem a nossa história. Há pouco tempo, em uma justa homenagem, reconheço, em verdade, modificaram o nome da Praça da Fraternidade para Praça Nestor Lamounier. Todavia, esta, pelo menos, foi uma troca justa, mas, acredite que, até hoje, não colocaram as placas com o nome do Sr. Nestor Lamounier. Acredito que se o Nestor fosse vivo, os cata-votos já teriam tomado essa providência.

No nosso Estado de Minas Gerais, ocupa a cadeira de seus velhos amigos Juscelino e Benedito Valadares, uma figura chamada Pimentel. Contudo, ainda não tem sido o pior. Já tivemos, como governadores, cidadãos de péssima espécie: um que atende pelo nome de Newton Cardoso, corrupto descrito em todas as letras. Esteve, igualmente, por lá um grande manguaceiro, por nome Hélio Garcia e teve, ainda, tal Eduardo Azeredo que vive sob os escombros do chamado mensalão mineiro, um grande escândalo de corrupção em Minas Gerais representando uma mensalidade paga com dinheiro público a parlamentares inescrupulosos para votarem com o governo.

Tivemos, também, o Itamar Franco. Dizem que era honesto ou, pelo menos, nada veio a público que o desabonasse neste quesito, mas, era um temperamental. Dava chilique a toda hora e tapas nas mesas e adorava dizer: “quem manda aqui sou eu!”.

No governo federal, Dr. Zoroastro, a coisa anda preta há um bom tempo. Depois da revolução de 64, foi candidato indireto, em 1985, antecedendo a eleição popular, outro amigo seu: Tancredo Neves. Entretanto, coitado! Nem chegou a tomar posse. Faleceu antes mesmo de assumir o cargo. Em seu lugar tomou posse o Vice Presidente, um enorme bezerro das tetas da Nação, um cacique maranhense, escritor de péssima qualidade, tratado por José Sarney. No seu governo a inflação chegou aos maiores índices históricos, subindo por hora.

Depois da lambança do Sarney, veio um doido egomaníaco chamado Fernando Collor. Um alagoano que ao assumir a presidência da nação pensou que ela era sua e acabou se dando mal. Foi um festival de sair ladrão pelo ladrão e logo, logo foi cassado. O povo foi para as ruas e o congresso não teve como deixar de cassá-lo. Daí assumiu o governo mais um vice, Itamar Franco. Parece que esse país gosta de ser administrado pelos vices. Itamar, contudo, foi um pouco melhor.

Os deputados que formam a Câmara Federal parecem até piada. A maioria é do baixíssimo clero. Lá tem de tudo: palhaço, lutador de boxe, jogador de futebol, cantores, etc. É gente que entende de tudo, menos de política, de ideologia e de leis. Não há comentários para a qualidade dos deputados.

Depois de Itamar, veio o Fernando Henrique. Este teve o despautério de dizer, em alto e bom som, que os fazendeiros eram gigolôs de vacas e os aposentados eram vagabundos. Entretanto, se esqueceu de contar quantas aposentadorias ele tem. Um presidente de uma nação não se dirige desta maneira arrogante e pouco educada a qualquer classe desta mesma nação.

Mas, Dr. Zoroastro, se você conhecesse uma criatura que ficou assentou-se na cadeira do excelentíssimo Juscelino Kubitschek de Oliveira durante oito longos anos, você sentir-se-ia abalado ao ver a decadência moral de nossos políticos. Seu nome: Luiz Inácio Lula da Silva que deveria se chamar, na verdade, Ali Babá. Refere-se a um baixinho da cabeça chata, barbudo, com uma voz pastosa de bêbado, semianalfabeto, pescoço curto e nariz enorme.

Anarquista, por vocação, fundou um partido quando se encontrava preso. É muito difícil descrever os caminhos que esse homem se utilizou para chegar à Presidência da República, quando ajuntou um punhado de bandidos que roubaram e roubam a nação. Alguns foram condenados, mas, estão soltos igual os passarinhos. E durma-se com um barulho desses Dr. Zoroastro: exercem cargos públicos em pleno Congresso Nacional.

O filho do Lula presidente, o Lulinha, limpava bosta de elefante no zoológico, todavia, após o pai ter sido Presidente do Brasil ele se tornou um dos maiores fazendeiros criadores de gado. Poderia ser chamado de Rei da Carne Verde. O Lula, ignorante, acha bonito ter chegado a Presidência da República sem ter um diploma. Já pensou Dr. Zoroastro, o Lula fazendo palestra em uma faculdade?! Pois é! É o fim da picada. E ainda cobra R$ 300.000, 00 por essas “palestras”.

Se eu for falar desse cidadão, nesta missiva, vai lhe dar muita raiva. Assim, eu arremato contando-lhe que, atualmente, ele colocou no seu lugar uma mulher com o nome de Dilma Rousseff. Ele com as suas mentiras, suas promessas e seu governo populista, conseguiu colocar em seu lugar essa mulher que já foi presa e procurada pela polícia, pelo terror que causou à nação. Agora é a Presidente do Brasil. Eu acho que se outra pessoa que lhe passasse essas notícias você não acreditaria, portanto, pode acreditar na baderna moral que virou o nosso Brasil depois que você foi embora, Dr. Zoroastro.

Neste momento, o povo está nas ruas. Até os médicos aqui já estiveram nas ruas. Já pensou? Um médico nas ruas, isso no seu tempo, hein??!!! Acho que nem em sonho, mas, hoje é uma realidade.

Agora tem uma coisa: dinheiro para futebol não tem faltado não. O nosso Brasil está devendo quase 4 trilhões de reais e não tem dinheiro nem para pagar os juros.
O orçamento para 2016 está num vermelho de mais de 30 bilhões. O governo tem 39 ministérios e eles preferem aumentar impostos ao invés de explorar os banqueiros e ou cortar custos de governo. O povo continua sugado.

Há um ajuste fiscal difícil de ser feito. O governo gastou mais de 40 bilhões com a copa e ainda perdoou os impostos de milhões à FIFA. Agora não tem 30 bilhões para o orçamento de 2016. Isso significa que o dinheiro que gastou com a copa do mundo vai sair da saúde e da boca dos brasileiros.

Semana passada, ouvi um fanático dizer que a copa é um evento pequeno em vista de outras festas. Imagina, enquanto faltam hospitais, educação, segurança, mobilidade urbana, serviços públicos de qualidade e a saúde sangrando, vem alguém dizer que a copa é uma festa pequena.

Que bom que você já está por aí, ao lado de Deus, Dr. Zoroastro. Um homem como você, se ainda estivesse por aqui, sem dúvida, estaria sofrendo muito ao presenciar tantas aberrações.

Armando Melo de Castro
Candeias casos e acasos.




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domingo, 30 de junho de 2013

UMA PASSEATA EM CANDEIAS.


(Jânio Quadros) Foto para ilustração do Texto
Pelo que vejo, o PT (Partido dos Trabalhadores) começa a pagar por seus grandes pecados. Faz parte da história política que quando um partido cresce demasiadamente e começa a se achar o dono do mundo, a se confundir com o próprio governo é porque começou a se desprender de suas estruturas. 

No passado isso já aconteceu com o PSD, com a UDN, com a ARENA, etc. Só ainda não aconteceu com o PMDB porque este é um partido que não busca assumir o poder executivo da nação. Ele prefere solapar entre os vice-presidentes, os ministros, os deputados e senadores. Afinal, é muito mais fácil acender uma vela para Deus e outra para o diabo, o que o PMDB sempre fez muito bem. Os votos de seus eleitores são trocados por mordomias de seus políticos e na hora da VERDADE ele nunca aparece. 

 Essas manifestações que estão acontecendo em todo o Brasil estão chegando bem atrasadas. Já era tempo dessa moçada sair às ruas em sinal de protesto. Certa vez, o falecido congressista, Ulysses Guimarães, disse que a única coisa que faz um político ter medo é o povo nas ruas. 

Infelizmente a geração de hoje precisava se retirar da inércia em que se encontrava, apoiada em uma vã filosofia, desprovida de ideologia cujo hino estava baseado somente em drogas excessivas, violência descabida, falta de respeito à história e aos mais velhos, cantando em verso, prosa e o que é pior, em funk, a pornografia explícita. 

Portanto, como são as revoluções que modificam a sociedade, já era a hora de ocorrer uma revolução. A Revolução Apartidária das Manifestações Populares. É inacreditável presenciar um Zé Dirceu, um José Genuíno, um Delúbio Soares, um João Paulo Cunha, um Costa Neto e tantos outros, que foram condenados por corrupção, não estarem cumprindo suas penas na cadeia e ainda saber que alguns, inclusive, ocupem cargos públicos como agentes políticos deste país. 

Todavia, não podemos, também, deixar de anotar aqui a falta de responsabilidade dos eleitores que votam em pessoas desse quilate: sem biografia, sem princípios morais e de mãos sujas. Esses eleitores são uns mortos de fome, irresponsáveis que se vendem por qualquer preço. São uns imorais que trocam os seus votos por benefícios. 

O povo brasileiro precisa mesmo fazer uma faxina nos políticos, todavia, está precisando, ainda, punir não só aqueles que compram votos, mas, principalmente, aqueles que os vendem. 

De uma coisa, eu tenho certeza: o povo nas ruas vai fazer essa turma do PT parar de ficar se aplaudindo e de se auto vangloriar como se o Brasil tivesse sido descoberto há apenas dez anos, quando eles assumiram o poder. Sabe-se que esses petistas de carteirinha já estiveram nas ruas com bandeiras e tudo. Fizeram badernas, saquearam e quebraram coisas, patrimônio público e privado. E isso ninguém me contou. Eu vi com os meus olhos, lá no centro da capital do Estado de São Paulo e em vários pontos do interior, incitando greves e muito mais. Agora, chegou a hora de darem uma resposta às ruas. Por que não prometem ao povo tudo aquilo que pediram no passado? 

 O povo nas ruas não é brincadeira. A força popular em um país democrático é muito grande. Obviamente, afora os badernistas, os criminosos e os vândalos que aproveitam a oportunidade para se infiltrarem em meio aos manifestantes. Portanto, é importante e necessário a polícia saber distinguir badernistas de manifestantes.

 E por falar nisso, eu me lembro que já participei de uma passeata por uma vitória nas urnas quando foi eleito o Presidente Janio quadros. Candeias tinha a prefeitura administrada pela UDN (União Democrática Nacional). Todavia, esse histórico partido não havia tido ainda uma vitória estadual e, muito menos, uma federal. O PSD (Partido Social Democrático) era o grande partido que comandou o país por mais de trinta anos. Contudo, em 1960, foi eleito, surpreendentemente, para governador de Minas Gerais o candidato da UDN, o saudoso, Magalhães Pinto e para Presidente da República, outro candidato udenista, o sul-mato-grossense, Jânio Quadros. O símbolo de Jânio, em sua campanha, era uma vassoura, pois ele dizia que iria varrer o país da sujeira. Tornou-se uma grande decepção, haja vista ter renunciado à presidência com apenas nove meses de governo, após receber por volta de 6 milhões de votos o que representava, na época, quase 50% do eleitorado brasileiro. No momento da vitória, os eleitores da UDN saíram todos às ruas e cada um com uma vassoura na mão. Lembro-me que, ao passarmos em frente à casa do Sr. Walter Marques, coletor da Coletoria Federal, houve um tumulto muito grande, pois Walter, tradicional eleitor do PSD, com o sentimento da derrota à flor da pele, quase perdeu a cabeça e quis agredir a passeata sendo, entretanto, contido por seus amigos e familiares. Na noite daquele dia, colocou-se fogo na Coletoria em que Walter era o chefe sendo o mesmo, posteriormente, demitido como suspeito. Um processo administrativo se desenrolou por muito tempo, vindo para Candeias, enquanto isso, um novo coletor. Ficou conhecido por Chico Coletor e acabou sendo, futuramente, um dos grandes prefeitos de Candeias. Chico foi um prefeito honesto e um homem muito querido pelo nosso povo tendo passado o fim de seus dias em seu sítio no município de Candeias. 

 Assim, chego à conclusão de como a manifestação popular tem efeitos na vida e na história política de uma comunidade, de uma Nação e como é tão bela a democracia!

 Armando Melo de Castro
Candeias MG casos e acasos.


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terça-feira, 25 de junho de 2013

O OLHO NO CISCO

Foto para ilustração do texto.
Como um moderado consumidor de álcool, estou ciente que o álcool, em excesso, leva ao alcoolismo inveterado e é, sem dúvida, um grande inimigo do homem. Nessa circunstância, ele enfraquece o corpo do ser humano, tira-lhe a resistência e lhe traz as doenças. Dentre outros graves malefícios, ele diminui a memória, rebaixa o caráter, embrutece a inteligência e pode acabar, também, com os belos sentimentos que envolvem o ser humano. Pais de famílias que se entregam ao uso do álcool de forma incontrolável causam grandes desastres aos filhos, esposas e pais. Nada mais triste do que ver uma pessoa embriagada, totalmente fora de si.

Contudo, não podemos negar que o álcool usado de forma moderada traz ânimo para a alma. É a alegria em uma festa e ainda pode colaborar com a saúde e oferecer uma sensação de prazer, todavia, como um aperitivo saudável. O problema é que existem muitas pessoas que, ao perderem o controle, exageram no uso das bebidas etílicas e, é evidente, que todo exagero, com certeza, é prejudicial à saúde. Não só o exagero do álcool, mas, todo e qualquer exagero.

Agora, a meu ver, as pessoas que não ingerem álcool por questões religiosas ou filosóficas, ou, ainda, por serem alcoólatras em tratamento ou, simplesmente, por não gostarem de bebida alcoólica fazerem, aos quatro cantos, a apologia negativa do álcool está errado. Por exemplo: Um pastor evangélico, do alto do púlpito da sua igreja, pregar mentiras dizendo que no vinho que Jesus Cristo bebia não havia álcool é o fim da picada. A começar que para se chamar VINHO tem que ser fermentado e para ser fermentado, obviamente, tem que existir álcool. A Bíblia Sagrada, em sua essência, não proíbe o vinho. Ela recomenda, apenas, o uso moderado. Aliás, Paulo de Tarso, em sua Primeira Carta a Timóteo, recomenda no Capítulo 5, Versículo 23 que não se beba somente água, mas também, um pouco de vinho para a cura do estômago e das fraquezas.

Eu tenho presenciado e visto, por aí, alguns pastores fanáticos, que talvez sejam ex-alcoólatras referindo-se ao álcool com a um verdadeiro demônio. Todavia, muitas coisas de que falam são oriundas de suas próprias imaginações, sem qualquer embasamento bíblico. Eu acho graça quando ouço alguns evangélicos dizerem que o vinho de Jesus era um suco de uva. Ora, vejamos, se fosse assim como se explicaria o primeiro milagre de Cristo, em plena festa de um casamento quando Ele transformou a água em vinho (João/Capítulo 2)? E, por sinal, um vinho de primeira qualidade! Aí, vem alguém me dizer que aquilo era suco de uva? Pura balela. Opinião tendenciosa, abstrata de qualquer senso lógico. Não possamos nos esquecer que nos milagres de Cristo havia o improvável e o imponderável, todavia, jamais Ele se abdicava da lógica e da filosofia em seus atos. Com toda a certeza, era um vinho bem melhor do que esses vinhos que os padres católicos bebem.

Eu penso que recomendar a abstinência para quem é um doente do alcoolismo e recomendar o uso moderado para os demais está correto. Agora, ficar pregando, aos quatro ventos, que o álcool é coisa do diabo só mesmo para um ignorante da maior espécie. É patente que tudo com excesso faz mal. Se tomarmos seis litros d’água, de uma só vez, morreremos, imediatamente. Se tomarmos todos os comprimidos de uma caixa de remédio, em uma dose única, teremos, inevitavelmente, uma morte instantânea. Tudo que entra pela boca, em excesso, mata. A diferença entre aquilo que cura e aquilo que mata é apenas o tamanho da dose. Portanto, vamos recomendar aqui a esses pregadores do cristianismo, que não gostam de tomar um aperitivo, para parar com essa história de que Jesus Cristo bebia suco de uva. Vamos relembrar que vinho é bebida fermentada e quando na Bíblia está escrito o vocábulo VINHO, o texto se refere à bebida alcoólica.

Entretanto, mudando o assunto de pau para pedra, eu me lembro, neste momento, do meu amigo Roberto. Roberto era filho natural de outro amigo, o maestro Américo Bonaccorsi. Filho natural, antigamente, se dizia um filho fora do casamento. Não sei se Roberto era filho antes ou depois do casamento do maestro, sei apenas que os dois se davam muito bem. Filho e pai sempre estavam juntos no Candeense Hotel de propriedade do Sr. Américo. Da mesma maneira, Roberto vivia, em plena harmonia, com os seus meio-irmãos que eram os filhos do casamento de seu pai.

Roberto, hoje falecido, foi alcoólatra. No final da vida, já não bebia mais, teria deixado a bebida e vivia tranquilamente. Porém, quando mais jovem, bebeu todas que teve direito e mais algumas. Era visto, constantemente, embriagado, apesar de ser pessoa trabalhadora e cumpridora dos seus deveres. Contudo, nos finais de semana, anoitecia e amanhecia sobre forte efeito de álcool.

Roberto teria perdido uma vista, não sei como, e tinha um olho de vidro, ou seja, uma prótese ocular feita de vidro. Atualmente, é quase inexistente, preferindo-se mais as modernas próteses de silicone.

Quando Roberto estava chapado, parece que o olho o incomodava. Não se sabe como, mas era visível. Certa vez, no tempo em que eu morava na Rua Coronel João Afonso, não havia calçamento na rua e ela ficava cheia dos montes de ciscos que os empregados da Prefeitura deixavam quando a capinavam.

Em um dia de jogo, no antigo Estádio do Rio Branco que ficava pouco abaixo da Loja do Sr. Vicente Vilela, era como se fosse festa. A Rua Coronel João Afonso ficava toda movimentada de pessoas descendo e subindo. Assim, passou, por ali, o Roberto bastante turbinado pela pinga do João Marques. Logo ele verga sobre um monte de cisco tapando um olho com uma mão e olhando sobre o cisco. O Quintino enfermeiro, passou e cuidadoso como era, perguntou ao Roberto:

 "O que aconteceu, Roberto? Foi um cisco no olho? E o Roberto, com aquela sua voz grossa, um verdadeiro rompante, denotando que já teria bebido todas, disse:

- " Que cisco no olho, rapaz! Meu olho é que está no cisco!"

Armando Melo de Castro
Candeias Casos e acasos.

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terça-feira, 11 de junho de 2013

AFONSA E AFONSO, E SUAS VIDAS.




Se vivo fosse, o escritor mineiro, João Guimarães Rosa, com certeza, trocaria o seu rifão de que "viver é muito perigoso" para "viver é horroroso".

 

O brasileiro vive, atualmente, a verdadeira guerra do horror. Aquele que sai à rua não tem certeza se voltará vivo ou inteiro para casa. Encontramo-nos num mundo no qual o perigo e a incógnita fazem parte de forma ativa da vida. Podemos notar que o ser humano vai, a cada dia, se perdendo em meio ao horror de vida que se manifesta por todos os cantos. --- E agora, com essa pandemia, a coisa nos parece generalizada. O povo já não tem medo apenas dos bandidos, carrega consigo, também, o medo de um vírus invisível; do futuro e da incerteza em que vive.

 

É verdade que o crime existe desde os tempos de Adão. As guerras são combates que acompanham a evolução do homem, isso porque, afinal são necessárias para a transformação do universo. O mundo pacato, certamente, não progrediria. As contendas e os embates são vitais para o progresso. Todavia, a maldade que habita o homem, ao invés de com o tempo se atenuar, na busca de uma diminuição, vem assustadoramente se acomodando dentro do ser humano fazendo com que os filhos de Deus se tornem em demasia maus, invejosos, prepotentes, egoístas, estando envolvidos, intensamente, em um tipo de sentimento destruidor.

 

Hoje em dia, além da maldade inerente ao ser humano, existem ainda as drogas malignas que infestam, devastam e destroem os lares. ---- As armas de fogo em poder de pessoas, emocionalmente despreparadas. Afinal, se vivemos em um mundo cuja caça é proibida, por que, então, há então a fabricação e o comércio legal de armas de fogo? Esses instrumentos, ao invés de serem proibidos e ou destruídos não deveriam ser fabricados. Um revólver não é uma arma de guerra e se a polícia anda armada é porque o bandido está armado. Conclui-se que está sendo ignorada a lei universal de causa e efeito.

 

E a corrupção? Principalmente, a corrupção dos políticos? Esses representantes do povo e que deveriam ser os guardiões e os defensores da moral, dos bons costumes e da ordem pública, principalmente com o erário público, chegam a transportar dinheiro roubado dentro da cueca. Não respeitam a base da dignidade humana. Enfim, tudo aquilo que seria de uso para o bem, vem sendo, amplamente, usado para o mal. Deixa-se de observar, de buscar o bem público, o bem-estar social para satisfazer, elevar e ostentar o seu próprio ego e a ganância pessoal.

  

Sendo o homem um animal racional, ocupante do primeiro lugar na escala zoológica, é lamentável constatarmos que existem animais se comportando, por instinto, de forma mais prática. O raciocínio vem sendo usado com insistência para o crime e para a destruição. Tudo na vida apresenta melhora, menos o homem.  A vida está banalizada. Mata-se por idiotices. O sofrimento da sociedade se reflete naquilo que o homem cria com uma mão e destrói com a outra.

 

Patente está de que o ser humano aprende a viver à base de exemplos. Qual o bem que poderá fazer a uma criança que assiste a um filme de faroeste? Um programa de crimes que mostra escancaradamente as vítimas? Uma luta livre ou de Box, coisas essas que têm por sinônimo a violência? --- Essas formas de entretenimento dão clara interpretação de que o homem tem o instinto violento.

 

O comportamento de um adulto é um exemplo para uma criança. Uma criança que presencia um crime pode guardar esse quadro de horror por toda a sua vida e essa lembrança associada à fantasia pode lhe fazer muito mal.

 

Eu tenho guardado comigo cenas vivas do meu tempo de criança. Certa vez, ao passar à porta do bar do Edmundo Simões, então, situado à Praça Antônio Furtado, quando dois homens brigavam e um arrancou de uma faca e sangrou o outro num cena deplorável. Um se chamava Belarmino e o outro Mané Mulato... Outra vez quando na Igrejinha do Rosário, um homem bêbado deu um tiro no meio do povo e acertou uma filha do senhor Sidney Galdino...

 

 Outra vez eu pude presenciar uma cena terrível quando aconteceu no Bairro da Lage, em Candeias, um crime bárbaro. O marido, que se chamava Afonso, matou a facadas a sua esposa, Afonsa, e logo se suicidou, ficando os dois corpos banhados, em um poço de sangue, no interior da residência. Essas cenas até hoje, encontra-se guardadas dentro de mim cuja lembrança fúnebre eu jamais consegui expurga-la.

 

A fragilidade das autoridades da época deixou que esse quadro de horror ficasse à disposição dos curiosos, dentre eles: adultos, crianças e idosos. Todos podiam ver de perto os corpos sem vida expondo um quadro, verdadeiramente, assustador. Supunha-se tratar de um crime passional. O fato de marido e mulher terem o mesmo nome criou-se, por muitos anos, entre os candeenses, o mito de que o casamento de ambos de nomes iguais não teria sorte.

 

Até hoje, após mais de sessenta anos, vem à tona de minha memória todos esses quadros de horror que entrou pelos meus olhos, passou pelo meu cérebro e ficou estacionado dentro do meu coração.

 

O mundo não está ameaçado pelas pessoas más e sim por aquelas que permitem a maldade. (Albert Einstein)

 

Armando Melo de Castro

Candeias Casos e acasos.

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sábado, 1 de junho de 2013

UM QUEBRA-PAU FAMILIAR.

Foto para ilustração do texto.
Este  texto foi transferido para o livro CANDEIAS MG CASOS E ACASOS.


Postado por Armando Melo de Castro às 21:17 Um comentário:

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O CONTADOR DE PIADAS.


Na década de 50 Candeias servia-se da eletricidade fornecida pela Empresa Força e Luz Candeense, de propriedade do Sr. Celestino Bonaccorsi. --- Essa usina, já bastante antiga e sem nenhum investimento estava constantemente dando problemas, quando deixava a cidade no escuro por até mais de 15 dias, naturalmente voltada aos tempos da lamparina. ---  E numa dessas crises, chega um circo de cavalinhos desses do tipo mixuruca. Não continha bons números variados e a melhor atração era o palhaço. Quando um circo tinha uma situação sólida, trazia consigo um motor gerador de energia para um caso desses, mas esse ai não teve saída a não ser esperar a energia voltar e nunca se sabia quando.

E esse circo que já chegou perdendo o folego financeiro, viu a sua situação agravar tanto que de uma só vez levou a sua companhia abandona-lo e voltar para as suas origens. Ficara apenas o palhaço, preso por laços de amizade com o proprietário, e por ter o pai que o acompanhava pelo mundo, idoso e doente. Até que ele, o palhaço, do mesmo modo, vendeu o seu rádio “rabo quente” para o meu tio Wantuil Delminda e regressou à sua terra no interior de São Paulo. Após a partida do palhaço, que era a melhor atração do circo, o proprietário do itinerante ficou de pernas e mãos atadas. Assim, a sua companhia se resumiu numa irmã, dois filhos adolescentes, um cunhado domador de cachorros e a sua esposa, uma mulher realmente bonita e que tinha um

corpo de chamar a atenção. ---- Com a aquela história que a luz vem hoje ou vem amanhã, a situação deles foram se agravando.

 A irmã do dono, que era uma balzaquiana pra piscar o olho, encanou a sua perna com o Dite Freire, que era meio tarado com as mulheres de circos e ciganos que se armavam ali na Praça Antônio Furtado. Ele estava sempre beirando essas mulheres e às vezes saia contando as vantagens, os preços, mas nunca contava onde teria sido a alcova ou o leito de onde teria acontecido a barganha com a laranja, os  gritinhos e os gemidinhos...

 Enfim, a luz voltou vinte dias depois.

Esta soca da companhia não era de artistas eram apenas participantes do espetáculo. e ele que era o “escada” do palhaço daí então, se transformou, às pressas, em um palhaço sem graça tendo por escada a sua própria esposa.  Os seus dois filhos, ainda adolescentes e inexperientes, faziam, precariamente, uma apresentação improvisada sem nenhuma atração. ---  Outro número que ainda restou foi o do domador de animais que era seu cunhado, consequentemente, da família e que fazia uma apresentação com os cachorrinhos, formando dois times de futebol, sempre vestindo camisas de times variados. Realmente, essa era a única atração que interessava a uns poucos expectadores. E como a situação financeira do circo deixava a vida dos cachorrinhos periclitante, não faltava quem ajudasse na alimentação dos animais. Os açougueiros davam pontas de carnes e supunha-se que o pessoal do circo se tornava convidados dos cachorros. Aliás, num tempo de carne barata era comum os açougueiros dar pontas de carne para os animais

O dono do circo, que de artista nada tinha, teria sido um aventureiro que saiu do interior de São Paulo, após comprar esse circo de um proprietário idoso sem filhos que tivera que abandonar o ramo por ter sido falecida a sua esposa. Esse proprietário aventureiro teria saido pelo mundo, vindo parar em Candeias. 

O circo que antes não era bom quase sem atrações, agora teria ficado pior.  A verdade é que era uma plateia minguada, composta, em sua maioria, pelo sexo masculino e que ia ao espetáculo apenas para ver a sua esposa de maiô. A coroa era, realmente, muito bonita e em uma cidade sem piscina, sem praça de esporte, sem mar, e naquele tempo, bem atrasada, ver uma mulher de maiô era somente em um circo. E a turma babava assistindo, ao vivo, àquela cena que apenas se via nas telas dos cinemas. E o pobre dono do circo, sem alternativas, presenciava a sua mulher ser chamada de “avião gostoso” "trem bão" " quanto quer" sem poder falar nada.

Na ânsia de atrair algum expectador, em prol da própria sobrevivência, o proprietário circense já não tinha mais o que inventar, portanto, fez-se a tentativa de montar espetáculos com recursos gratuitos da cidade: foi luta de boxe, em um ringue improvisado; foi luta livre; ( Nisso eu me lembro do Dico do Josias, quando ele levou um soco no rosto que saiu todo ensaguentado) Com essa sena acabou esse tipo de atração. --- Dai surgiu o programa de calouro, orquestrado por músicos da cidade que colaboravam com o modesto coliseu. Nisso eu me lembro de uma tal de Ivanilda, que quando ela começava a cantar a plateia caia na gargalhada, de  tão desafinada que era. 

Finalmente, ele resolveu fazer um concurso de piadas e convocou a se inscreverem pessoas da cidade para contá-las. Havia, todavia, uma importante recomendação de que nas anedotas não poderiam conter palavrões. Seriam apenas piadas de salão que pudessem ser entendidas por crianças, jovens, moças e senhoras. Não, poderia, consequentemente, faltar com o respeito ao público.

Balbino, o cortador de pedras que já foi personagem de um caso contado neste blog, DOCE DE BICHO DE GOIABA, se inscreveu para contar suas piadas no dia do espetáculo marcado.

Não existia qualquer assistente nas arquibancadas. A assistência presente se limitava a um preço único que era promocional para as cadeiras que rodeavam o picadeiro. O concurso de piadas ia, até então, muito mal, não causando tanto interesse na plateia. Afinal, piada para ser engraçada tem que ter malícia, palavrão e tudo que retrata coisas proibidas de falar. Poucos são aqueles que conseguem fazer um humor sem maldade. Finalmente, chegou a vez do Balbino:

Logo, na hora “H”, ele é chamado ao picadeiro e se apresenta todo sorridente, como se fosse um arlequim famoso, mostrando as suas presas superiores e o céu aberto da sua boca. Ele não possuía os dentes da frente, o que deixava à vista a vermelhidão de sua úvula palatina, sem nenhum exagero.

Começa o Balbino:

--- Oh, Gente! Buanoiti! No dia qui eu iscutei essa piada, eu ri até fazê xixi nas carça. Daí, eu passei a contá ela pusôto. No dia  qui eu contei pu Gerardo Dorcilino, pur pouco, ele num feiz cocô nas carça. Ele arriu, arriu, arriu, até num querê mais. É uma piadinha boba, mais, ela é bem ingraçada. Eu quero oferecê ela pus vereadô da cidade que gosta de gozá os rocero. E quem pensa que rocero é bobo, tá inganado
.
A piada é assim:

 Um cabôco ganhô a eleição de vereadô e ficô mitido dimais da conta. Ele tinha um carro, aí, arrumô um mutorista particulá pá dá un’has vorta pas roça afora. Sentou atrais no carro, como se fosse o Presidente do Brasir ou um deputado famoso. Ele era mitido dimais, sô. Mais dimais memo.

Quando foi passano perto de uma roça de mio, viu um véio capinano num solão danado de quente. Ele que divia ficá cum dó do véio, mandô pará o carro, abriu a ginela do carro e gritô:

--Oh, caipira! Prá dondé qui eu vô, fica longe?

E daí, o pobre do véio incostou no cabo da inchada, pensô, pensô e falô prele:

---Óia, moço! Aí, vai dependê, sô. Se ocê tá indo vê aquela vaca que te pois no mundo,  já ficô lááá atrais; --- Se tá indo atrais daquilo que todo mundo joga na privada, tá lááá na frente; agor’a se ocê tá quereno levá no trasêro no lugá que a galinha toma,  é aqui no meu colo, uai.


E ninguém riu. Ninguém achou graça. Ninguém entendeu o sentido da piada e, assim, Balbino apelou:

--- Uai parece qui ninguém achô graça, sô! Tamém a gente contá piada sem podê falá:  vá pá puta que te pariu,  vá pá merda e vá tomá no rabo... Não dá né...Aí, ninguém ri, uai. E a gente fica com cara de fejão sem sale.

Assim que ele disse isso a turma caiu na risada e não parava de rir. Agora ele teria sido muito, muito engraçado.

 

Finalmente, foram todos embora. O circo ficou abandonado por muito tempo. Até que um dia foi levado embora. Lembro-me de Dona Fina Teixeira, com a voz embargada dizendo: “Como é triste a vida de artista”.

 

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

 


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terça-feira, 30 de abril de 2013

COM FOGO NAS HEMORRÓIDAS.

Posto de Higiene - Candeias Minas (Foto Clara Borges)

Na década de 50 o sistema de saúde em Candeias era extremamente debilitado. Não que fosse por incompetência dos únicos médicos que por aqui existiam, Dr. Zoroastro Marques da Silva e Dr. Renato Vieira Na realidade, eles faziam o que podiam. O problema era a falta de recursos da época, o que lhes impediam de fazer um trabalho eficiente.

 Em virtude de tanta precariedade, o povo daquela época era um tanto conformado com a sorte. Já sabia que, com a chegada da velhice, sofreria com alguma doença até a morte e isso era uma sina. Muitos nem procuravam recursos, se viravam atrás de curadores, raizeiros, chás e benzedores.

 A mortalidade infantil era alta e constante. Comumente, via-se um enterro de criança, chamado enterro de anjo, com aquelas laterais do caixão abertas em que se via o pequeno defunto lá dentro. No Cemitério São Francisco , a esquerda de quem entra, era um canto destinado ao enterro de crianças. ---- Não existiam essas aposentadorias de hoje. ---- As pessoas idosas, quando não aguentavam mais, passavam a viver a expensas dos filhos; de parentes ou na Vila Vicentina, quando não acabava de porta em porta pedindo esmolas.

 E é por isso que até hoje existe o preconceito sobre o fato de ter parentes naquela instituição, apesar de não ter nada mais a ver com o passado. A Vila Vicentina de Candeias hoje é um motivo de orgulho para aqueles que a administram. Eu, no passado, fui voluntário por lá e posso fazer uma avaliação do quanto a Vila Vicentina de Candeias melhorou. Hoje, as pessoas vivem com dignidade e conforto. No passado, era tudo muito pobre, sem quaisquer recursos quando havia muita gente para ocupar o espaço.

Dr. Zoroastro Marques da Silva, era o chefe do posto de saúde daquela época. Aliás, não era chamado posto de saúde e sim    Posto de Higiene. Infelizmente, se tratava de um local desprovido de equipamentos dos quais uma equipe médica teria necessidade para o melhor desempenho do seu labor. O posto se dispunha apenas de muita boa vontade da equipe de servidores. Os recursos eram mínimos. O laboratório de análises clínicas era, igualmente, precário como também o serviço odontológico destinado quase que apenas para as extrações de dentes. Parece que a prioridade do governo, naquele tempo, era a vacina contra a varíola e a verminose. As vacinas para outras doenças não existiam. Quando o caso era mais grave, o paciente era levado para a Santa Casa de Misericórdia São Vicente de Paulo, na cidade de Campo Belo, de onde voltava morto ou, raramente, recuperado.

Dr. Renato, quando chamado, visitava as casas onde houvesse um doente. Nunca explorou ninguém. Cobrava uma consulta em visita à residência, quase o mesmo preço que cobrava em seu consultório e não era esses preços abusivos por uma consulta nos dias de hoje. Entretanto, dada à falta de dinheiro, as pessoas o chamavam quando a morte já rondava pela porta. Lembro-me que ele tinha um carro da marca Dodge, cor verde. Quando aquele carro se encontrava parado à porta de alguém, já surgiam os comentários da vizinhança: “Será que fulano escapa?!”.

E por falar no Dr. Renato, pousa, em minha memória, um fato que aconteceu no seu consultório.

Numa velha casa que existia na esquina da Praça Antônio Furtado com o Beco Belmiro Costa, morava Dona Iolanda com uma de suas filhas. Viúva, na beirada dos oitenta anos de idade; estatura baixa, magra, enrugada, cabelos brancos com penteado de coque; cara fechada e voz Forte. Tinha o vocabulário solto nas melhores traduções chula. ---- Minha avó, Olinda, era amiga dela e eu sempre a acompanhava nas suas visitinhas, pois eram vizinhas.

Dona Iolanda tinha uma dentadura com um dente quebrado, e a gengiva dessa prótese, daquele tempo atrasado, era vermelhada. Então quando ela raramente resolvia soltar um sorriso a dentadura folgava querendo se soltar da boca e ela se protegia com a mão. Aquilo me deixava impressionado, pois eu ainda não entendia bem de dentaduras, ou seja, de próteses dentárias.

Dona Iolanda apareceu incomodada com uma terrível crise de hemorroidas. Apesar de sua filha querer leva-la ao Posto do Dr. Zoroastro ou no Dr. Renato, ele não quis ir, preferiu procurar primeiro os tratamentos alternativos, pois a primeira coisa que um médico iria fazer seria manda-la tirar a calcinha para olhar o seu botão. Pois isso só aconteceria num ultimo caso. Eu tenho vergonha. Dissera para a minha avó quando tentava convencê-la que deveria ir ao médico. ----

Já teria se submetido a todos os tratamentos com chás de raízes através das indicações da vizinhança cujas hemorroidas de Dona Iolanda já estava mais do que faladas. Já teria se consultado com o então famoso curador, Chico Viriço... Benzedeiras e até o tal de Joaquim Fortunato, um bruxo que morava lá pelos fundos da cidade, teria sido procurado. E nada, nadinha, teria resolvido. Enfim, a saída foi procurar o Dr. Renato.

Dona Iolanda já andava pensando um punhado de bobagens e rezava dia e noite. Fez diversas promessas para Nossa Senhora das Dores para que não fosse uma vítima de um câncer, o que para ela era a chamada de “doença ruim”.

Não era praxe marcar uma consulta com o Dr. Renato. Ele não possuía uma secretária. À medida que o paciente chegasse, ia sendo atendido. Havia dias em que a pequena sala de espera de seu consultório estivesse cheia, mas nem sempre. Ele após atender o cliente, vinha trazê-lo até à porta e perguntava quem seria o próximo. ---- Dessa maneira, Dona Iolanda chega com a sua filha e se permanece de pé, pois não estaria dando conta de ficar assentada, quando o Dr. Renato sai de sua sala e diz no seu sotaque bastante próprio:

---Está tudo bem, por aqui? Tem alguém se sentindo mal que precisa ser atendido com preferência. Caso tenha, os demais não vão se importar de passar à frente.

Nesse momento, Dona Iolanda diz esperta:

---- Eu dotôr! Eu num tô guentano nem sentá!  A minha murroida parece até que vai pegá fogo. Se eu pudé... intrá na frente?

 Ninguém se opôs a entrada de Dona Iolanda à frente. Dai quando ela volta alguém lhe pergunta: O que ouve Dona Iolanda

 --- Que humilhação minha fia... Vô tê qui ir im campo Belo, ele falou que isso deve sê um ispinho dum diabo dum pexe que nóis cumeu lá incasa... Mardito pexe ele istrepou o meu butão.

 Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos



Postado por Armando Melo de Castro às 17:24 Nenhum comentário:

domingo, 21 de abril de 2013

O VELHO SAFADO.


Foto para ilustrar o texto.
Na minha adolescência, conheci um candeense cujo comportamento lhe daria o adjetivo de safado, ou melhor, de safadão. Para as pessoas que gostam de colocar as palavras no diminutivo, uma característica dos membros da família Alvarenga, por exemplo, ele, com certeza, seria chamado de safadinho. Tinha, mais ou menos, setenta anos de idade, do tipo manguarão, pescoço comprido, uma boca grande apresentando uma dentadura que exaltava os dotes profissionais do dentista, Boanerges Pacheco, feitas em uma única forma. Possuía o cabelo branco, cortado à moda Príncipe Danilo além de uma voz mole que dava a aparência de pensar palavra por palavra sobre o que ia falar. Creio que seu nome deveria ser Alexandre, mas, todo mundo o tratava e o conhecia por Xande. Quando ele vinha ao encontro de uma turma, as pessoas já se preparavam para identificá-lo: - “Lá vem o velho safado!

Chamava todo mundo de "bem" ou de "menino" fosse homem ou mulher. As mulheres nunca conversavam com ele porque se assim fizessem, levavam na cara certos elogios que as deixavam envergonhadas ao extremo. Fosse velha ou fosse nova, fosse criança ou adolescente, o tema das suas conversas era sempre considerado indecente.

Se a mulher fosse velha, ele, descaradamente, dizia:

--- Ocê ainda dá uma brincadeira boa, meu bem! Galinha véia dá cardo grosso! E como dá! Cê guenta muito bem uma meia sola, sô! Ocê, minha fia, dá uma requenta de bacaiau muito boa que dá pá inchê o pandu até num querê mais.

Se era um tipo balzaquiana, ele diria com a cara mais lambida:

--- Sá sinhora, minha fia do céu! Ocê tá cuma tanajura apititosa dimais, sô! Agora que intendi purque qui o zôto fala qui come tanajura. Ocê prá mim é uma janta de natal, daquelas qui a gente vai cumeno, cumeno até dá indigistan.

Se a mulher era uma mocinha nova, uma adolescente, aí fazia um comentário sucinto:

--- Êh, minina, ocê tá do jeito que eu penso! Deve tá iguar uma ispiguinha de mio verde discascada. Cabilim marilim. Inda num pode cumê purque num granô direito.

O seu grande amigo de conversa e de safadeza era o Dé Cassiano. Eles estavam sempre conversando. Comumente, eram vistos em um banco da praça, em frente ao Bar Piloto. E para cada mulher que passava, eles tinham um comentário a fazer. Despiam-nas em pensamento, imaginavam-nas ensaboadas, tomadas e penetradas, totalmente isentas de vestes e pudor. Xande dava tanta ênfase ao assunto e parecia até que iria sentir um orgasmo imaginário. O que fazia muita gente crer se tratar de um tarado. Mas, nunca passou de pura conversa. Nunca se teve notícia de que tivesse passado da conta com alguma mulher.

Dentre os poucos homossexuais que havia em Candeias, naquele tempo, Renê nunca escondeu isso de ninguém. Todo mundo sabia disso e o aceitava em virtude da sua lealdade consigo mesmo porque, desde criança, expunha não uma opção sexual como muitos dizem, mas sim, a sua condição sexual. Ele dizia que era homossexual porque se sentia assim e não porque teria optado para isso. Afinal, essa condição lhe custava certos problemas, inclusive, dentro da própria família e ele sempre as encarou sem escândalos, sem brigas e com muita dignidade.

Estávamos no carnaval de 1961 e Renê era um grande animador da folia em Candeias. Sempre inventava uma fantasia inteligente. Naquele ano, ele retratou o cosmonauta russo, Iuri Gagarin o primeiro homem a viajar pelo universo em uma espaçonave. Era o assunto do momento. O mundo se preparava para assistir à primeira missão espacial tripulada da história.

Renê fez a sua fantasia demonstrando, sucintamente, as vestes de Gagarin: um macacão de astronauta. E para uma ênfase maior, usou um capacete como uma pequena réplica da espaçonave com as suas antenas o que lhe dava uma aparência de quem portava enormes cornos.
 Empanado naquela alegoria, Renê desce a avenida e, ao passar em frente ao Bar Piloto, cai sobre os olhos da dupla de comentaristas indiscretos: Xande e Dé Cassiano:
 Sabendo que iria temperar o angu daquela panela que fermentava a vida alheia, Renê parou de repente, deu uma rabanada feito um pavão enfeitado ou de um ganso que saiu da água e seguiu o seu caminho ficando a mercê do julgamento daqueles juízes carnavalescos.

---Minino do céu!? Cê viu, Dé? O que qui é isso, criatura?

---Esse é aquele fio do Chico de Assis, o Renê.

---O que qui é aquilo na cabeça dele? Tá pareceno chifre! Tá doido, sô?! Tá iscambado dimais da conta, uai!

----Uai, Xande, com esse trem na cabeça, tá pareceno que ele reganhô de veis.

----Ocê parece, Dé, que porva dessas  fruta encaroçada?

----Cê é doido, Xande! Fruta que dá no esgôto é veneno. No meu cardápio, eu prifiro um den de aio, ou intão, um pastilinho.

Armando Melo de Castro
Candeias Casos e Acasos


Postado por Armando Melo de Castro às 11:05 Um comentário:

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O FENÔMENO CANDEENSE.

O livro de Eclesiástico do Velho Testamento da Bíblia Católica é um dos sete livros que não estão inclusos na Bíblia Protestante. Por serem considerados, pelos judeus da palestina, como livros não inspirados pelo Espírito Santo, eles foram renegados pelos evangélicos. Contudo, o Eclesiástico trata-se de um livro reconhecido no judaísmo pelas suas reflexões e o valor histórico, apesar de não ser compendiado como um livro sagrado da religião judaica.

Escrito há duzentos anos antes de Cristo, nos faz refletir, em seu capitulo 29, sobre um assunto que se encontra em evidencia nos dias de hoje: "O mau pagador”.

Dívida é aquilo que se deve. Quem deve tem o dever de pagar dentro do compromisso firmado, seja verbal ou escrito. Os maus pagadores estão classificados em vários tipos. Existem aqueles que não pagam, simplesmente, porque não gostam de pagar. Mesmo possuindo a quantia para a quitação do débito, têm dó de tirar o dinheiro da sua conta bancária e colocar na do credor. Fazem do seu bolso o ninho do dinheiro, pois pensam que dinheiro choca no bolso, esses não arrumam desculpas. Apenas dizem para o credor voltar amanhã ou, então, que, posteriormente, o procurará. Entretanto, não cumprem, enrolam com o dinheiro no bolso.

Há aqueles que já foram bons pagadores, contudo, agora, estão em uma situação financeira difícil, haja vista a ocorrência de fatos alheios a sua vontade que lhe ocorreram naquele momento. Pode ser uma doença na família, o desemprego, um envolvimento com maus negócios. Talvez sejam avalistas, fiadores que afundaram junto com seus avalizados. Esses, até não merecem ser considerados como maus pagadores, caso não tenham perdido a vergonha. Dizem sempre: "Devo e não nego. Quando puder eu pago". Muitos vendem tudo o que possuem para deixarem o seu nome limpo, negociam e acabam se ajeitando. Todavia, neste grupo, existem aqueles que ao perderem a vergonha preferem perder o nome e entrar, de vez, para o grupo dos maus pagadores ao invés de abrir mão de algum patrimônio.

O pior dos maus pagadores é aquele que não paga e está sempre desconfiando do seu credor. Para ele, sua dívida está sempre acima do normal. Está sempre colocando em suspeição a dignidade do credor. Acha que o Banco lhe cobrou juros a mais, que o agiota é um ladrão, um explorador, que o comerciante aumentou a sua conta no estabelecimento ou, até, que alguém possa ter comprado com o seu nome. Ele nunca faz as contas na hora de comprar ou de pedir o dinheiro emprestado. Qualquer preço lhe serve e qualquer juro lhe agrada. Ele quer ver, em sua mão, um produto comprado que seja fiado ou em um dinheiro tomado emprestado. E, se por acaso, o credor insistir na hora de receber ainda quer briga. Afinal de contas, uma inimizade em uma dessas circunstâncias lhe é bem favorável.

Existe, também, o bom pagador chato. Ele paga em dia e acha que está fazendo um grande favor ao credor. A dívida ainda está por vencer e ele já está dando satisfação, dizendo que o dinheiro está sendo preparado para a quitação. Auto se elogia e pensa que saudando os seus compromissos no vencimento está agindo por mérito, quando, na verdade, ele nada mais está fazendo do que cumprir com a sua obrigação. Para mim, esse é o mau pagador incubado.

Tem um rifão português que diz que todo mau pagador é bom cobrador. Eu, talvez, então, seja uma exceção a essa regra porque sempre fui um bom pagador como também um bom cobrador. Na minha vida, tive funções de cobrador pelas quais pude conviver com os mais diversos comprometidos com dividas fossem bons ou maus pagadores. Como bancário, por mais de trinta anos, eu pude ver o que o dinheiro faz na vida das pessoas.

Na minha adolescência, fui cobrador do antigo Clube Recreativo Candeense. Eu sabia quando estava sendo enrolado e quando o devedor mandava falar que não estava em casa. Posteriormente, fiquei sabendo pela boca deles mesmos o quanto escondiam de mim quando me viam com aquela pasta na mão. Eu assentava nas imediações da sua casa até ele aparecer e não foram poucas às vezes em que o mentiroso dava de cara comigo. Se o dinheiro não aparecesse, eu voltava no dia seguinte. Eu fui o cobrador mais chato que já existiu em Candeias. Afinal, não eram dívidas de remédios, mas sim, de bebidas alcoólicas durante um baile ou o carnaval. Quando eu me sentia, demasiadamente, enganado, eu cobrava perto da namorada, cobrava do pai, cobrava da mãe. E como naquele tempo a rapaziada era um pouco mais vergonhosa, o dinheiro aparecia. 

Certa vez, o Italiano Césare Matti, genro do grande comerciante Celestino Bonaccorsi, me entregou uma pasta cheia de contas vencidas e atrasadas. Entre elas, havia uma considerada perdida. Disse-me que eu seria remunerado com 10% de todas as contas vencidas.

A conta era, naquele tempo, de Cr$ 800,00 (oitocentos cruzeiros) no dinheiro antigo. Se eu a recebesse, seria uma grande bolada a meu favor. Eu ia duas vezes, por dia, visitar o Gonçalo em sua marcenaria. Ele nunca negou 

Olha, Armando, se eu achar quem me venda um bilhete de loteria fiado e se este for sorteado, eu pago, com certeza, essa conta com todos os juros, com correção monetária e ainda lhe dou uma gorjeta caprichada. É o único jeito de você receber. Fora isso é impossível. No mais, você pode vir aqui todo dia para a gente bater um papinho, eu muito gosto de conversar com você.
 FENÔMENO CANDEENSE.

Armando Melo de Castro
Candeias MG casos e acasos
Postado por Armando Melo de Castro às 21:36 Nenhum comentário:
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Vista a partir da Igreja Matriz com destaque para a belíssima praça circundada pela Avenida 17 de Dezembro (dia da cidade).

Escreva para o autor: blogdoarmando@yahoo.com.br

Este blog é uma viagem no tempo, através dos relatos de uma época que a vida era mais do que uma seqüência de fatos, da rotina tresloucada dos dias atuais.

Autor: Armando Melo de Castro




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