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terça-feira, 24 de setembro de 2013

PROIBIDO PARA MENORES.

Foto para ilustração do texto.

Existe, neste mundo, gosto para tudo. Comumente, ouvimos, por aí, as pessoas dizerem que "gosto não se discute". Outros dizem "que há alguns que gostam dos olhos enquanto outros preferem as remelas".  Lembro-me de minha tia Eliza, esposa do meu tio João, que dizia sempre: "É preferível um gosto do que um caminhão de abóboras". E por aí vai...

 Estamos vendo, atualmente, nos relacionamentos íntimos, muitos homens preferindo homens e muitas mulheres preferindo mulheres para seus pares. Na realidade, trata-se de um gosto. Todavia, com algumas exceções, é bastante comum encontrarmos pessoas que possuem tal predileção sexual acreditarem piamente que o mundo todo deveria concordar com eles. 

Às vezes, eu chego a pensar que o homem, na acepção da palavra, está em extinção e, em um futuro próximo, será denominado por "zangão" e que existirão poucos espécimes, apenas para a preservação do bicho humano por imposição da natureza. O homem macho vai, a cada dia, se tornando uma fruta rara e como diziam, antigamente, as beatas: "Homi tá cherano aio" em um tempo em que o alho era um tempero raro e caro.

 Algumas vezes, ouvimos dizer que o mundo está mudado, que a pouca vergonha anda solta, entretanto, se dermos uma parada para pensarmos, veremos que todos essas coisas já se encontravam guardadas dentro do ser humano que vai, no seu dia a dia, deixando de lado as regras que disciplinam a sociedade. 

A bem da verdade, o homossexualismo sempre existiu, contudo, em tempos mais remotos o indivíduo homossexual não tinha a coragem de dizer: "Eu sou um pederasta", substantivo que, nos dias de hoje, foi substituído pelo vocábulo inglês "gay". Hoje, está todo mundo saindo do armário, saindo da toca, saindo de debaixo da cama, enfim, estão sentindo um enorme prazer quando dizem: "Eu sou um gay". A meu ver, pior do que a homofobia são os insultos recebidos pelos héteros que não comungam com os ideais dos homossexuais impertinentes, com seus gostos ou seus vícios.

Há um certo tempo, ouvi em uma conversa de botequim, na cidade de Bambuí, um cidadão cuja mente já estava atordoada pelo álcool e que dizia alto e, em bom som, que preferia um "feofó"de homem ou de mulher do que um balaio de "tabaqueira". Esse cidadão era casado e muito bem casado. Portanto, coitada de sua mulher! Não se sabe, obviamente, se ela concordava com a sua preferência sexual, todavia, em virtude disso, o nome dela entrou em órbita na boca do povo. Afinal, uma mulher de aspecto sério, de família conceituada na sociedade, de práticas religiosas, caridosa, boa, amiga, apresentar-se como esposa de um "feofozeiro" rendeu um bom assunto para os patrulheiros do alheio.

(Para quem não compreendeu o termo "tabaqueira" trata-se daquilo que difere o homem da mulher.)

 Neste contexto, podemos entender e concluir que a bizarrice está vinculada ao ser humano em seus pensamentos, palavras e ações e, diante dessa temática, olho no retrovisor da minha vida e vejo, lá atrás, o Arlindo Barrilinho.

Arlindo Silva era baixo e modulado em muita banha. Portanto, era todo redondinho, ou seja, gordinho e, devido a isso, o chamavam de "Barrilinho". Foi um grande amigo de minha família e, em especial, de meu pai. Eram colegas de serviço, ou seja, os dois eram oficiais de justiça na Comarca de Candeias, pelas décadas de 50 e 60. Conseqüentemente, Barrilinho era da cozinha de nossa casa.

 No seu estilo caboclo macho, possuía uma filharada danada, tanto em casa como fora do lar. Era todo manso e bem ajeitado. Tinha um olhar safado daqueles que catavam tudo em uma mulher. Gostava sempre de dizer "que se Deus tivesse feito coisa melhor do que uma mulher, com certeza, teria guardado só pra Ele." O seu assunto predileto era mulher. Certa vez, eu o ouvi dizer que como havia nascido de uma tabaqueira, gostaria muito de morrer enfiado em uma. Falava assim e, logo depois, dava aquela risada bem gostosa e safada.

 Porém, Barrilinho tinha um gosto excêntrico, um tanto esdrúxulo, meio bizarro. Gostava de mulher peluda. Veja só. Adorava uma mulher de sobrancelha grossa, do tipo tala larga. Davam-lhe arrepios de prazer ver pernas femininas mal depiladas e as axilas somente aparadas. Sentia-se excitado quando via uma mulher com um buço oxigenado, parecendo cerdas de taturana amarela. Para as pessoas de gosto comum não é fácil compreender como uma pessoa pode gostar dessas coisas. Mas, Barrilinho gostava e gostava muito. Imagina-se, então, como ficaria o Barrilinho ao presenciar uma mulher expondo, a seu gosto, as partes pudendas.

Certo dia, quando ele estava assentado no meio-fio da porta de nossa casa, ao prosear com o meu pai, passou uma moça sacudida, bastante robusta. Tinha as pernas grossas do jeito que Barrilinho gostava e possuía ainda os pelos suaves que aumentavam na região da coxa. Usava uma saia bem curta. Naquela hora, Barrilinho se encontrava em numa posição estratégica. 

Como era baixo e assentava quase que rente ao chão, ao ver vindo, em seu rumo, aquilo tudo que ele chamava de "avião", os seus olhos indiscretos não perderam tempo e foram fincados nas pernas da moça. Contudo, isso não foi o bastante. Logo que ela passou por nossa casa, Barrilinho, em um gesto "quase" involuntário, se abaixou para ver o que alimentava os seus olhos curiosos. Quando a moça olhou para trás, indignou-se e disse:
 - Ocê perdeu arguma coisa de baxo de mim, véio safado?
 E Barrilinho numa resposta descarada fala:
 - Não bem, perdi não. Eu achei. Só que vai ficá guardadinha na minha cabeça...

 E Barrilinho deu aquela risada atrevida, safada, alta, muito parecida com um rinchado de cavalo quando vê uma égua no cio.

 Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acaso









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