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terça-feira, 3 de agosto de 2010

OI PAI!

Onde quer que estejas meu querido Zé Delminda.



Domingo que vem - dia 08 de agosto de 20l0 - é o dia dos pais. Portanto, é o nosso dia. Meu para os meus filhos e teu para mim...

Hoje estive resolvendo uma pequena questão para minha mãe. Sempre quando ela precisa de mim, me coloco imediatamente disposto para atendê-la, não somente pelo fato de gostar de servi-la e ver-me, também, diante do cumprimento do dever de filho, mas principalmente por recordar de uma de suas últimas frases antes de atender o chamamento de Deus: “Cuide de tua mãe meu filho”.

Na oportunidade, quando me encontrava no Banco do Brasil, resolvendo o que minha mãe havia me pedido, defrontei-me com um amigo, pessoa de fino trato e de tradicional estirpe candeense: Enio Bonaccorsi... Além de todos os seus predicados pessoais, Enio, por ser filho de Américo Bonaccorsi, não poderia deixar de ser, para mim, um amigo especial.

Fico feliz meu pai, quando me encontro com familiares, amigos, parentes e afeiçoados dos teus amigos; porque surge a oportunidade de falar de ti e deles também. E, interessante é que quase sempre alguém se lembra do teu bandolim.

Foi muito bom, nesta hora, poder tocar no teu nome exatamente com um dos filhos daquele que foi, sem dúvida, um dos teus maiores amigos: Américo Bonaccorsi, cuja amizade era o fruto da música, da alegria e que perdurou por tantos anos. A tua ligação musical com ele era como uma simbologia da satisfação quando seguiam fardados como dois coronéis, felizes da vida; Américo com o seu clarinete e tu com o teu piston, indo tocar na Banda Santa Cecília, de Campo Belo.

A tua participação com o teu violão no Conjunto Tiro e Queda nos carnavais, quando ganhavas um dinheirinho a mais e ficavas todo contente; juntamente com os teus amigos e colegas: Zé Vilela, Zinho Borges, João do Sô Nico, Pedrinho do Candola, Luizinho do Américo, e ele, o Américo, o maestro da turma.

Há catorze anos te parabenizei, aqui entre nós, pela última vez pelo teu aniversário... Parece-me que foi ontem! Fizeste naquele dia, 24 de janeiro de 1996, o teu último aniversário. Apenas setenta e oito anos. Poucos dias depois partiste deixando uma grande saudade. Poderias estar, ainda, entre nós e contando os teus noventa e dois anos. Mas o traço de Deus foi diferente. Para mim, meu querido pai, não foste embora. Estás e continuarás presente em minha vida enquanto ela existir. Tudo de ti estará gravado nas células do meu cérebro, no fundo do meu coração e no fundo dos meus olhos.

Quanta lembrança boa eu guardo da minha infância ao teu lado! Os teus presentes de natal! Brinquedos feitos com carinho pelas tuas próprias mãos e colocados em meus sapatos atrás da porta em nome do Papai Noel. A alegria de minhas irmãs com os bonecos de papelão, pobres de qualidade e ricos de amor...

Como tu te sentias feliz juntamente com minha mãe, quando davas a nós uma coisa qualquer... Caso ganhasses uma laranja na rua, levavas um gomo para cada filhote... O meu relógio “Tell” Ah! Que saudade, meu Deus! Ainda hoje falei do meu relógio “Tell”. Do dia que tu me deste aquele relógio... A
Tua felicidade foi tanto quanto a minha ao receber aquele presente... E quando me levavas ao cinema e eu não entendia nada e depois tu querias me fazer entender!... Os primeiros aperitivos que tomei e me dizias: “Segue-me, para não aprenderes errado”... As pescarias... Quantas vezes fomos pescar juntos!

Quantas histórias tu me contavas e entre elas os contos da carochinha, os quais me deixavam tão emocionados!

Quando já morando distante, lembro-me, perfeitamente, das tuas cartas estampando a tua linda caligrafia me trazendo sempre uma recomendação cuidadosa para comigo. Precavia-me com a saúde e o temor a Deus. E sempre antes de apor o Deus te abençoe, registrava as frases que estão escritas dentro de mim: “Não te deixes levar por maus caminhos meu filho. Sejas bom e que Deus te abençoe”.

Querido pai, eu ficaria aqui por muito tempo lembrando de tudo que fizeste por mim e relembrando o pai maravilhoso que tu foste. Tudo é tão nítido em minha memória que eu posso até mesmo ouvir a tua voz... Posso ouvir o teu bandolim soando a mazurca gaúcha, “Mate amargo – a valsa Branca e o Baile da Saudade”.

A vida foi cruel tirando-me por tanto tempo de perto de ti, mas enfim, não devemos entrar nos desígnios de Deus. Onde quer que estejas, meu pai, com certeza, estarás feliz porque daqui, donde partistes, continuas vivo nos corações de todos nós que te amamos.

Pai por tê-lo imortal dentro de mim, eu não terei que chorar pela tua ausência durante a festa dos pais. Portanto, peço-te:

A benção meu pai!

E estarei ouvindo como sempre ouço a tua voz subir do fundo do meu coração:
“Deus te abençoe meu filho...!”

Armando Melo de Castro/
Agosto/20l0

2 comentários:

Franz disse...

Só agora, vendo a foto, me lembrei de que eu conhecia esta pessoa; o nome estava na memória, Zé Delminda, mas não ligava o nome à imagem. E é seu pai, que Deus o tenha em paz.

Anônimo disse...

Eu me lembro do sr,Zé Delminda sim, ele andava com um violão quase sempre...e meu pai o chamava de Zé Derminda. Mário Moreira,flho do Chico Moreira.