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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

JOSÉ GOMIDE BORGES

                                     Foto: José Gomide Borges (O historiador candeense) e Armando M. Castro

A história é uma das maravilhas da vida. Ela nos permite voltar ao passado para reviver o princípio de uma renovação...

A história provém de uma realidade memorável, além de ser um caminho para um passeio que nos leva ao mundo de onde viemos e que nem sempre pudemos conhecer antes.

A história é arte, é ciência; é a vida humana através do tempo, nas angústias e nas alegrias; é a mudança desse tempo com sucesso e com fracasso.

A história é o que não trouxemos de onde viemos, mas o que deixaremos aqui onde Deus nos colocou para fazer florir a obra da Sua criação.

História é o que plantamos a mando de Deus e que nos faz sentenciados.

Infelizmente, a nação candeense não tem recebido por parte de seus filhos agraciados com o poder constituído, o tratamento merecido...

Temos visto os nossos templos históricos destruídos; os nossos princípios esquecidos e a nossa gente indiferente...

A memória de Candeias não está no sentido das suas gerações renovadoras que a transforma em história... Ela vem sendo perdida por descuido de uma cultura deixada de lado...

A nação candeense teve o seu princípio formado pela mistura das raças, inclusive com a vergonha da escravidão; e com isso caminhou por muitos e muitos anos na estrada da desigualdade social.

Em busca das sesmarias, vieram os coronéis e, atrás dos coronéis, vieram os proletários desamparados de leis e direitos cabendo-lhes apenas o pão de cada dia regado com o suor do rosto.

Sendo da história a missão da transformação e da renovação, evidentemente, muitos filhos do princípio do nosso meio social, trocaram suas posições e se encontram numa sociedade renovada, onde o produto das entranhas dos ancestrais hoje se acha em posição invertida. E esse fenômeno, faz com que a memória da terra fique descuidada.

Infelizmente, esse mister da sociedade candeense encontra-se desativado por parte de nossas autoridades constituídas e organizadas. Os nossos homens públicos não demonstram preocupação com o nosso patrimônio cultural... E isso é lamentável...

E neste labirinto histórico que Candeias vem caminhando há anos e anos desde os tempos da Picada de Goiás, sem que ninguém até então houvesse preocupado com isso, surge um candeense... Um filho de Candeias! Entre tantos, apenas um para resguardar a nossa história e guardá-la bem guardada, num local seguro: num livro histórico:

“O Sertão de Nossa Senhora das Candeias da Picada de Goiás”.

Esse homem é o nosso ilustre conterrâneo: José Gomide Borges.

E quem é José Gomide Borges?

Para quem não sabe, José Gomide Borges nasceu aqui, em Candeias, aos 12 de janeiro de 1920. Filho de João Evangelista Borges Junior (Tuta) e Esmeraldina Gomide Borges.

Aos dezoito anos de idade, quando se deu a emancipação do nosso município, em 1938, passa a trabalhar com o engenheiro responsável pela elaboração da planta cadastral da cidade. Concluídos os trabalhos, tendo demonstrado aptidão e inteligência para a função, é convidado pelo engenheiro, Marinz Freire, para trabalhar como seu auxiliar em outras tarefas pelo interior do Estado. Com isso, muda-se para Belo Horizonte e é admitido para os serviços técnicos da então Secretaria de Viação e Obras Públicas, no cargo de auxiliar de campo.

Com uma carreira brilhante, nesta Secretaria, José Gomide Borges, o nosso popular: Zé do Tuta, posteriormente foi classificado no cargo de agrimensor, quando exerceu o importante cargo de Chefe de Levantamentos Topográficos e Serviços Tecnológicos daquela Secretaria.

Em 1975, começa a pesquisar a história de Candeias e outras comunidades do Oeste Mineiro. Oportunidade em que esteve em Portugal pesquisando a região de Tendais, terra do fundador de Candeias.

Em 1980, é eleito sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais onde já teria exercido os cargos de secretário e diretor-bibliotecário.

Detém as seguintes comendas:

1- Grande Medalha da Inconfidência;

2- Medalha de Ouro Santos Dumont;

3- Medalha de Sesquicentenário de Diamantina;

Foi casado, em primeiras núpcias, com Dona Milina Andrade, falecida em 10 de novembro de 1972.

Em 1977, contrai novas núpcias com Dona Magda Maria de Mello Vallias, natural da cidade de Cássia, Minas Gerais.

Obras publicadas:

1- ESCHWEGE, O ANFITRIÃO. Contribuição às comemorações do bicentenário de nascimento deste notável cientista.

2- Discurso de posse, separata da revista número XX do IHG.

3- DOIS SÉCULOS DOS “ANDRADE” Estudo genealógico da família Andrade, de Itabira em parceria com Ormi Andrade Silva.

4- AS FILHAS DA ILHOA MARIA, em parceria com Myrian Vallias de O. Lima. Estudo Genealógico Das Famílias: Costa Rios; Ferreira da Silva; Mello e Sousa; Meirelles Leal; Leal de Mello; Vallias de Resende e os Leal de Mello Vallias.

Outros trabalhos:

Em 1988, fez parte da Comissão encarregada de estudar uma denominação histórica para a 4ª Divisão do Exercito designada pelo presidente do Instituto Geográfico de Minas Gerais, atendendo solicitação do General Waltencir dos Santos Costa que recebeu com simpatia o nome proposto por José Gomide Borges: “Divisão das Minas do Ouro”.

Recentemente estive visitando esse ilustre filho de Candeias e pude ver de perto a humildade desse fiel nativo candeense, que mesmo diante do triunfo que obteve vida afora e longe de sua terra, não esqueceu o seu quinhão natal, onde tem a sua residência alternativa e sempre, quando pode, está presente entre nós. É um cidadão culto, inteligente e íntegro, o que lhe faz merecedor do respeito de todos os candeenses porque, amando tanto a sua terra, com certeza, estará amando a todos os filhos de Candeias.

José Gomide Borges revolveu com a sua caneta a terra que sustenta as raízes da nossa história. Escarafunchou com as pontas dos seus dedos, o solo de Candeias em busca de tesouros humanos das nossas gerações falecidas... Buscou nas profundezas da nossa história, nomes perdidos e os resguardou...

O Livro de José Gomide Borges é um tesouro que esteve enterrado e espalhado; e só pode ser ajuntado graças ao seu ânimo e amor pela sua terra... E agora, é um celeiro tão rico, tão opulento que nem o tempo, especialista em destruir, conseguirá destruí-lo; e com certeza, o fará imortal por esta obra consequentemente esperada pelo futuro.

Parabéns, José Gomide Borges. Parabéns pelo seu trabalho árduo durante quinze anos apanhando grão, por grão, esse alimento tão substancioso para a saúde da nossa história, a história de Candeias e da Picada de Goiás para o desenvolvimento do Centro Oeste Brasileiro e para o Brasil.

Parabéns pela sua família, especialmente pela sua esposa, Dona Magda que deu a sua incansável contribuição na construção desta obra tão importante.

Você, meu amigo Zé do Tuta, é um candeense dos candeenses. Receba, portanto, o meu agradecimento como candeense que também ama a sua terra... Receba o meu respeito e o mais forte dos meus abraços...

Que Deus lhe abençoe hoje e sempre!...

Armando Melo de Castro

Candeias MG Casos e Acasos

NB) Este texto é uma reedição. Portanto, dois anos após essa postagem falecia o Sr. José Gomide Borges. Uma grande perda para a cultura candeense. Contudo, o seu nome ficou cravado na nossa história, HISTÓRIA DE CANDEIAS.

Um comentário:

Franz disse...

Temos aqui o encontro de dois historiadores, cada um na sua especialidade. O Zé do Tuta elaborou uma brilhante história oficial de Candeias a qual tive o prazer de ler. De outro lado o Armando, historiador da vida social dos candeenses com seus casos pitorescos, alegrias, tristezas, realizações. Parabéns aos dois.