Total de visualizações de página

segunda-feira, 22 de março de 2010

TIA NICE



                                                              Tia Nice
  Um pequeno discurso que proferi no Álamo por ocasião da festa de aniversário dos 80 anos de nossa querida Tia Nice.
Minha querida e amada Tia Nice,
Eu queria ter o dom da eloqüência para poder expressar, com clareza, tudo que eu, minha mãe, meus irmãos, minha mulher e meus filhos, sentimos pela senhora. Mas já que eu não tenho o dom da palavra, eu poderia fazer decorar um texto de palavras bonitas, gramaticalmente bem escrito, cheio de elogios, tirados das páginas de um livro para homenagear os seus oitenta anos. Mas preferi escrever um pequeno texto com as minhas próprias palavras.
Neste momento não me bastam palavras de alegria para homenageá-la. Eu preciso, também, de palavras que retratam a realidade sobre a sua humildade. Usar das suas lágrimas, dos seus desencontros com a sorte. Da insegurança que tomou conta da senhora desde o dia em que saiu de sua casa rica, para juntar-se a nós humildes proletários da beira do córrego do Mingote.
Remexendo as gavetas da minha memória Tia Nice, eu me encontro num dia do ano de 1952, talvez, no dia 17 de abril, quando na porta de nossa humilde residência, na Rua Coronel, aliás, a rua do seu avô, o Coronel João Afonso; a senhora chegou com o seu noivo e me disse: Já me casei no Civil, agora sou sua tia, você já pode me tomar à bênção Armando.
E naquele momento, eu um menino tímido, acanhado, produzido num meio inferior, diante daquela mulher linda, toda bem vestida, toda maquiada, toda rica, eu lhe pedi a bênção; quando ela passando a mão aveludada na minha cabeça me abençoou pela primeira vez. Eu nunca mais esqueci aquele gesto carinhoso. E até hoje quando lhe peço a bênção sinto fluir sobre mim algo vindo, realmente, da Divindade.
Lembro-me que através daquele gesto tão carinhoso eu pude ver as suas unhas bem cuidadas e pintadas de cor-de-rosa
A sua vida, Tia Nice, era toda cor-de-rosa. Rosas sem espinhos.
Pascal*dizia que o coração tem razões que a própria razão desconhece. O seu coração, Tia Nice, é o coração referido por Pascal. A senhora fez do visível o essencial para atender o seu coração.
Coração como o seu não se encontra com facilidade: Boa amiga, boa filha, boa mãe, boa nora, boa cunhada, boa sogra, (que me desculpe os genros por falar por eles) boa tia e esposa exemplar, pena que nisso não tenha sido correspondida como merece.
Eu ficaria aqui o dia todo falando dos seus méritos minha querida Tia Nice, mas sei que a senhora entende o quanto eu e todos os meus lhes são gratos por ter dividido o seu coração com todos nós. O quanto nós lhe admiramos, o quanto lhe amamos.
Os meus irmãos ausentes desta festa lhe enviam os mais fervorosos votos de muita felicidade após os seus oitenta anos de vida.
Meu pai, meu avô e minha avó adotiva, com certeza estão em espírito aqui nesta justa homenagem que a sua família lhe faz. Pois eles também querem lhe agradecer tudo que você representou para eles.
Um beijo de todos nós no seu coração Tia Nice. Parabéns, pelos seus oitenta anos; parabéns, por ser tão amada por todos os seus amigos e familiares aqui presentes; por ser tão amada pelos filhos maravilhosos que Deus lhe deu. E que foram criados e educados graças aos seus dotes de mãe exemplar.
Permita-me, pois, nesta data, pedir a Deus Pai, uma bênção para você:
"Que Deus lhe abençoe Tia Nice, hoje e sempre".
Um beijo do seu sobrinho,
Armando.
Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos


Um comentário:

Clarita disse...

Belíssima homenagem!