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terça-feira, 11 de setembro de 2012

NESTOR LAMOUNIER

                                                            Nestor Lamonier e sua espôsa Matilde.                                      
Quando vejo esta movimentação para as próximas eleições municipais, acorda, em minha mente, a lembrança de ilustres candeenses que exerceram o poder sem quaisquer interesses próprios. Em época remota, os vereadores não eram remunerados e o que prefeito recebia não representava muita coisa. As verbas de representatividade, praticamente, não existiam. Os prefeitos usavam os seus próprios carros. Os visitantes políticos, como os deputados, por exemplo, hospedavam-se na residência do próprio prefeito quando aqui apareciam em visita. 

Ser o prefeito de um município trazia, na realidade, era um grande custo ao eleito. Não existiam bolsas disso e nem bolsas daquilo. Não existiam, também, as verbas estaduais como existem hoje e as federais eram escassas. Hoje, a política virou um rio de dinheiro.

Lembro-me que certa vez, um conceituado empresário candeense, comprador e exportador de café, o Sr. Emídio Alves teve sua empresa falida. Aliás, foi a primeira vez que ouvi falar naquele vocábulo “falência”. E por que ele quebrou? As pessoas perguntavam e a resposta era uníssona: Política! “Aquele que se envolve com política quebra”, dizia a “ vox populi”(Voz do Povo).

 E o Dr. Zoroastro! Por que é um médico pobre? Indagavam-se. E a resposta era sempre a mesma: política. O político tinha um forte ideal: prestar serviço a sua terra e entrar para a história. Contudo, se envolvesse além da conta, a sua situação financeira ia para o espaço. Política era, pelo menos em Candeias, sinônimo de ciência, conceito, doutrina e princípios. 

Nos dias de hoje, a política partidária veio a ser sinônimo de interesse próprio, de toma lá dá cá, de esperteza, logro, maquiavelismo, sagacidade, conchavos, assistencialismo, loteamento de cargos públicos, corrupção extrema, clientelismo.


O nome de um homem público é o rastro que um povo deixa registrado no tempo. Uma cidade sem homens representativos não será, com certeza, uma árvore cujo fruto é a civilização. Os políticos de hoje não estão mais preocupados com isso. Querem o poder e com o poder o enriquecimento ilícito. O político, nos dias atuais, é vigiado pela imprensa como um carcereiro que vigia um preso.


E no calor deste teorema que me envolve, profundamente, eu quero registrar aqui o nome de um ilustre político candeense que nem com a sua morte conseguiu livrar-se da minha amizade e de toda a minha admiração e respeito.


Nestor Lamounier!


O cuidado com que Nestor dedicava a sua terra, no exercício da política, deve ser decifrado pelos mais velhos para que possa ser cedido aos jovens que buscam um lugar no âmago deste exercício. A popularidade lhe cercou o nome não apenas por ser uma figura robusta e vigorosa, mas sim, por saber respeitar as diferenças de cada conterrâneo. Como inspetor escolar, sempre se fazia presente com as suas visitas às crianças. Era assíduo na recreação dos jovens e, em meio aos adultos, era indispensável.


Um homem que amava sua terra com todas as forças do seu coração. Sua morte deixou um vazio tão grande que jamais será preenchido. Por mais que apareça gente honesta e dedicada a sua terra, Nestor jamais será superado. Foi um prefeito zeloso e respeitado no âmbito político do Estado. Foi um prefeito que abriu mão do seu próprio salário para beneficiar o então Ginásio de Candeias ameaçado de ser fechado por falta de recursos.


Nestor Lamounier, portador de um esmerado espírito e um caráter eminente, era um dos mais caros amigos que encontrei no caminho da minha vida. Pude conhecê-lo quando ainda menino e já como amigo do meu pai e meu avô. Filho do Coronel João Afonso Lamounier cujo nome na história candeense registra uma tradição de lealdade. Observa-se, assim, que os descendentes de João Afonso Lamounier sempre foram fieis e leais com as suas origens candeenses.


Na sua atividade como prefeito de Candeias, Nestor Lamounier fez além das suas possibilidades. Todas as suas obras foram acompanhadas pelos seus olhos, todavia, sem os recursos disponíveis nos dias atuais.


Toda vez que visito o Cemitério São Francisco, eu não posso deixar de passar pelo túmulo do meu amigo. Nesse momento, eu cerro os olhos e o vejo de pé, a minha frente, dando o seu sorriso de amigo.


Onde quer que esteja, meu querido, Sô Nestor, que Deus o tenha aí como o teve aqui.

Armando Melo de Castro
Candeias MG Casos e Acasos

Um comentário:

Celle disse...

Armando, foi muito feliz no seu comentário sobre esta vergonha existente hoje em dia e que dizemos se chamar política. Deveria ser a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou estados.Uma atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.
E não esta corrida pelo poder usando de todas espécies de falcatruas, de malandragem e maledicencias,e atos indevidos, ou antes ou depois de eleitos.
Um abraço
celle