Total de visualizações de página

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PROCURA-SE UM "CRENTE"

                                   Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


Lamentavelmente, chega ao conhecimento do povo brasileiro a notícia de que o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, está acometido por um câncer de laringe. Não poderia haver uma notícia pior para os seus amigos e partidários, como, também, de maneira geral, para a nação brasileira tendo em vista a sua popularidade.

Eu nunca votei no Lula e suponho que jamais votaria considerando que nunca nutri algum tipo de admiração por um governo populista. A esses governos falta sinceridade e, muitas das vezes, vergonha na cara. É o que penso.
Quando o Lula disse que não sabia nada sobre o mensalão, eu confesso que tive, ainda mais, uma grande aversão sobre o seu comportamento como Presidente. Ver o comandante de meu país mentir, insolentemente, diante da máscara de diversos correligionários seus, a turma do mensalão. É um fato deplorável presenciar que, até hoje, ninguém da corja que enconta nessa maranha foi julgado e o pior: muitos deles estão sendo eleitos e exercendo os seus mandatos com as mãos sujas porque não há, neste país, água suficiente para lavar as mãos desses ladrões. O caldeirão de imundície fervilha ainda mais quando os representantes da cúpula da justiça do país são nomeados pelo Presidente da República e aprovados pelo Senado Federal. Isso é, sem dúvida, uma janela aberta para a corrupção moral. O poder judiciário teria que ser respaldado pelo voto popular e não de forma indireta como são feitas essas nomeações. É triste ver a paz moral entre políticos e juízes da nação.


Mas, voltando à doença do ex-presidente Lula, eu disse que nunca votei nele e suponho que jamais votaria porque do alto da minha ignorância, da torre da minha pobreza e dos píncaros da minha dignidade eu, em momento algum de minha vida, trocaria os meus atributos pelo direito de votar fora dos meus princípios. Proporcionar um cargo eletivo conquistado com promessas falsas, paternalismo, ou seja, fazendo carreira com o dinheiro do povo, através de um populismo barato, não é o meu caso. Milagres não existem na política. Os milagres são manifestações da presença ativa de Deus na história humana e não acredito que Deus entra, ativamente, onde existem manifestações que não sejam de amor ao próximo e sim amor ao dinheiro. Felizmente, tenho uma resistência enorme sobre os meus princípios morais, isto é, não me permitiria ser chamado de ladrão, de corrupto, desonesto mesmo de forma indireta, ou seja, ser chamado por todos esses requintes e esses adjetivos que os políticos ouvem e nem estão aí no sentido de eliminá-los ou refutá-los evitando, assim, os seus pecados. É por isso que eu não voto em candidato que promete o que não sabe se poderá cumprir porque se trata de um candidato que poderá ser corrupto. Se assim agisse, poderia ficar respingado pela mesma lama que tal candidato está buscando para si. Eu confesso: não gosto de política porque o retrato que os políticos brasileiros me mostra é um preto e branco enodoado, maculado, manchado com o desrespeito, com a corrupção e com uma maneira indigna de exercer os seus mandatos. A propósito, recentemente, a Presidente, Dilma Rousseff, disse a uma repórter do Fantástico da Rede Globo de Televisão: "Você não acaba com a corrupção; o que se faz é dificultá-la". Pois então, está claro que a corrupção é uma doença crônica no governo brasileiro e isso é muito triste para um brasileiro que ama o seu país como eu; ter que ouvir isso e se sentir como uma gota dágua no oceano.

É lamentável concluir que aqueles que deveriam ser exemplos de honestidade, que representam o povo, na sua maioria, são ladrões de colarinho branco e o pior de tudo: são ladrões que não pagam pelos seus crimes. Eles roubam o dinheiro da saúde, da fome, da educação. Enquanto somos sugados pela máquina governamental, explorados pelos impostos que nunca satisfazem um governo que sempre chora miséria. Esses bandidos fazem os seus próprios salários, roubam na cara dura e ainda tentam justificar a sua inocência com conversa fiada. Quando se vêem acuados, pedem demissão e somem levando o produto do roubo que nunca é devolvido aos cofres públicos.
A meu ver, não há homens de bem na política porque não existem espaços para eles. Se por ventura existam, são mínimos e para os quais coloco as minhas dúvidas e os vejo com olhos de Goethe: "Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Saiba eu com que te ocupas e saberei também no que te poderás tornar".

Portanto, o Lula é apenas um entre todos com uma diferença: é um cacique. Talvez, um mentiroso maior, mais hábil na colocação das palavras dentro dos ouvidos da massa ignorante. É mais hipócrita e mais esperto do que os demais. É de todo patente que Lula sempre esteve com um olho no queijo e outro no gato. Todavia, quero dizer que, neste momento da sua vida, eu o respeito. Diante de toda a sua ambição de político, o momento não pode ser confundido entre o Lula político e o ser humano Lula doente, com um câncer e sabe Deus que se poderá lhe se tirada a principal ferramenta que lhe fez vencer na vida: a sua voz.
Neste momento, eu estou com o Lula. Estou sensibilizado com o mal que lhe aflige. Como crente em Deus, eu Lhe peço, meu Pai, que o poupe de sofrimento. Não só pela dor do câncer e pelas privações que lhe serão proporcionadas. Entretanto, o grande mal será a ingratidão que lhe poderá advir através dos seus próprios amigos, dos seus correligionários, daqueles que um dia lhe beijaram a mão e que, agora, lhe poderão mostrar os pés. Isso porque, nesse meio imundo, já se comenta benefícios na próxima eleição graças a sua doença. Os urubus já estão de olho nesse infortúnio político do ex-presidente e uma ingratidão dói como disse Dom Pedro II no seu soneto aos ingratos: " ... é a dor que excrucia e que maltrata, a dor cruel que o ânimo deplora, que fere o coração e quase o mata".

Diante desse quadro dramático que envolve o nome de um brasileiro histórico, como o ex-presidente Lula, seria de bom alvitre que o povo conclamasse os religiosos que vivem na televisão prometendo curas milagrosas. Dando o "grande show da fé, fazendo pregações confusas e explorando testemunho de pessoas atordoadas. Pessoas que confessam curas miraculosas. Seria apropriado que todas essas pessoas se reunissem, diante de uma mesa redonda, para buscar a cura do ex-presidente. Proceder a uma reunião de pastores que pastam nos bolsos dos crentes, de vigários vigaristas, de bispos que bispam o dinheiro do pobre, de profetas que profetizam a sorte dos panacas, de apóstolos que apostam apenas na fragilidade humana e missionários que não missionam nada além da sua vaidade, trocando, pelo dinheiro, um púlpito por um palco. Esse bando de safados que vivem prometendo curas milagrosas. Essa gente mercenária que ludibria um outro bando de panacas que tiram da boca de seus filhos para sustentar esses estelionatários, esses enganadores, esses ladrões da fé que vivem arrancando dinheiro do pobre em troca de oração. 

Portanto, que busquem o RR Soares, curador de caroços! O Edir Macedo, milagroso! O Silas Marafaia que fala, fala e fala e acha que diz tudo! O imbecil desse Padre Fábio de Melo que não sabe se canta ou se benze! E mais, o maior dos idiotas, esse ignorante de marca maior, Valdomiro Santiago, que não sabe nem falar e nem se despe de um enorme chapéu, contrariando a cultura religiosa ao fazer reverência a Deus.


Pois é, agora é a hora de mostrar serviço! Vamos curar o ex-presidente, Lula. Ele tem fé, tem dinheiro, tem poder e lhes será muito fácil tirá-lo desse sofrimento atroz, já que se dizem enviados de Deus!? Que provem isso neste momento, perante a nação brasileira!


Eu fico pensando: curar esses pusilânimes, esses panacas extenuados que povoam as igrejas desses caciques religiosos é fácil porque eles são cegos que não querem ver. Entretanto, eu quero ver esses calhordas, que se dizem com o Poder de Deus, curar o ex-presidente sem a interferência de médicos. Que vão lá e extirpem o câncer de quem tanto lhes poupou durante o seu tempo de Presidente.


Mostrem, neste momento, que curam! Cambada de vigaristas!


Armando Melo de Castro
Candeiasmg casos e acasos
Candeias -Minas Gerais

Nota do autor:
Existem instituições religiosas e seus representantes sérios.Suponho que existem, também, políticos honestos e pessoas honradas que não se enquadram no conteúdo deste texto. Esses por si se conhecem e com certeza não se sentirão atingidos pela nossa exposição. A essas pessoas o nosso profundo respeito.

Um comentário:

Giuliano disse...

É triste, mas é uma realidade.
Enquanto houver mentes para serem dominadas, existirão os dominadores.
Parece que isso não tem tendência a minimizar e muito menos à extinção.
Por mais culto e esclarecido um povo, maior é a perspicácia e, consequente, sofisticação do escárnio desses embusteiros.