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domingo, 5 de junho de 2011

UMA FERIDA CANDEENSE

                                            Serra do Senhor Bom Jesus
Candeias sempre teve dois pontos turísticos relevantes. Um deles é a Serra do Senhor Bom Jesus, devastada pela indústria da pedra, fazendo dela uma buraqueira desmedida e esburgando a sua beleza original. O que eu lamento é o fato das pessoas que deveriam e poderiam impedir essa destruição não o fizeram por falta de sensibilidade, falta de patriotismo, falta de cultura e compromisso para com o futuro.
O Município de Candeias tem pedreiras, por todos os lados. E foi destruído um ponto onde poderia ter sido reservado um parque ecológico bem próximo à zona urbana. E, no entanto, nada foi feito. Isso são as mazelas causadas pela chamada: santa ignorância.


Na Serra do Mingote, eram feitos, pelos jovens de outrora, os passeios dominicais, chamados piqueniques. Os namorados se juntavam num grupo, muitas vezes acompanhados pelos pais e levavam os lanches, na época, chamados de “merenda” ou, até mesmo, de uma refeição leve. Não existiam os rádios à pilha, portanto, para o barulho sonoro era levado um violão. E, debaixo de uma árvore, a turma se reunia, quase sempre, perto de uma grande pedra onde, muitas outras, serviam de mesa e de bancos.


O outro ponto turístico era uma cachoeira na qual foi instalada, no princípio do século passado, a usina hidroelétrica do Sr. Celestino Bonaccorsi.


Aos domingos, principalmente, carros e caminhões do tipo pau-de-arara, dirigiam-se para aquele local a fim de se banhar e pescar. E como tinha peixe! Lambaris, piabas, cascudos e muitas outras espécies eram pescados em meio aquelas pedras, pois, havia ali diversos tanques.


Lembro-me do Zequinha da Donate. Ele era ainda bem criança e nadava feito um peixe, mergulhava e saía sempre com um peixe na mão.


As pessoas assando churrasco, bebendo cerveja e tudo era uma alegria. Acontecia, de quando em vez, uma briguinha que não ia para frente porque a turma do “deixa-disso” logo dava um jeito.


O ambiente era saudável e não havia deturpação. Parece que, naquele tempo, as pessoas tinham mais compromisso com a cidadania, com a civilidade o que, infelizmente, tem faltado muito, nos dias atuais.


Pessoas idosas freqüentavam em comum àquele local, pessoas requintadas da nossa sociedade iam ali, se divertiam e voltavam satisfeitas.


Era interessante para as crianças quando ficavam conhecendo o local onde era gerada a energia elétrica que iluminava a cidade. Eu fiquei abismado quando vi, pela primeira vez, as máquinas que produziam a luz que iluminava as nossas casas. Lembro-me, ainda, do meu pai tentando me explicar como era feita esta transformação. À porta da usina, havia um grande passeio no qual os pescadores, em outros dias, à noite, estendiam os seus lençóis próximos de uma pequena fogueira, debaixo do pé de manga até hoje lá existente. Comiam, bebiam e dormiam. Meu pai era um desses pescadores e sempre se me fazia acompanhá-lo

Com o advento da Cemig para Candeias, a usina de propriedade do Sr. Celestino Bonaccorsi foi vendida para a Prefeitura.


Em muitas cidades, em que as prefeituras se tornaram proprietárias de usinas que antecederam a Cemig, os Prefeitos imbuídos de bom senso, de cultura e de preservação do patrimônio público, as tornaram num ponto turístico donde as novas gerações puderam conhecer parte de uma história.


Aqui, em Candeias, aquele local onde poderia estar à vista dos nossos jovens um local histórico, está os sinais da destruição desalmada. Da falta de sensibilidade daqueles que detinham o poder na época dessa transição. Nem o galpão, todo construído de pedra onde foi instalada a usina, mereceu ser preservado. Nada foi feito. Nada foi pensado. Nada foi conservado como herança para as novas gerações candeenses.


Às vezes, eu fico pensando: Meu Deus! Por que não surge, em nossa política, em nossa Câmara Municipal e em nossa Prefeitura, homens que se preocupam com a nossa história. Com o nosso patrimônio histórico tão destruído, tão abandonado, tão esquecido!...

É lamentável! Deveras lamentável.

Armando Melo de Castro
candeiasmg.blogspot.com
Candeias – Minas Gerais

Um comentário:

FELTRO POR MIM disse...

Candeias tem muita história, história perdida no tempo, que seria digna de museu. Me admira até hoje nenhum Prefeito, nenhum vereador ter lutado pela preservação da história Candeense!